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ENERGIA NUCLEAR – O papel estratégico.

O papel estratégico da energia nuclear

Por Sergio Malta *
A demanda por energia elétrica aumenta de forma contínua e inexorável para atender as
necessidades do mundo moderno e assim garantir qualidade de vida de uma sociedade cada vez
mais exigente. Este processo impõe às autoridades governamentais de todos os países o desafio de
formular políticas a fim de garantir a oferta de energia elétrica necessária. Trata-se assim de buscar
continuamente um equilíbrio dinâmico entre a oferta e demanda deste insumo fundamental.
Este desafio vem se tornando cada vez mais complexo e difícil em função das crescentes restrições
ambientais impostas à construção de usinas elétricas. Como não há condições econômicas e
energéticas para atender a demanda apenas com fontes renováveis, destaca-se a necessidade de
buscar fontes que garantam, simultaneamente, segurança no suprimento da demanda, redução das
emissões e competitividade econômica. Entre as fontes que atendem esses requisitos, a energia
nuclear é uma alternativa a ser considerada com atenção.
Apesar do recente desenvolvimento e avanço das fontes renováveis, impulsionada pelas incertezas
do petróleo, a matriz elétrica mundial continua baseada em combustíveis fósseis. A geração térmica
(carvão, gás e óleo) representa 68% do total no mundo, seguida pela hídrica com 15,8%, nuclear com
11,7% e renováveis com 4,5%, segundo dados de 2012. Nas previsões da International Energy
Agency (IEA), a geração elétrica vai crescer mais do que todas as outras, 67% entre 2011 e 2035.
Para atender este incremento, a geração térmica terá sua participação reduzida para 57%, a
hidrelétrica deverá se manter estável em 16%, enquanto as renováveis devem atingir 15,6% do total.
Do ponto de vista ambiental, destacam-se dois problemas centrais. O primeiro está vinculado às
emissões de CO2 da geração térmica, responsável por 28% das emissões no mundo. O segundo por
conta da interferência das usinas hidrelétricas em ecossistemas e diversidade de vida ligadas aos
rios.
Para atender o aumento da demanda sem comprometer o meio ambiente, a geração nuclear é uma
alternativa de grande relevância. Este processo já está em curso, pois entre 1971 e 2012, a
participação da energia nuclear no mundo passou de 2% a 11,7% com um pico de 17,2% em 1996,
mesmo refletindo impactos de Chernobyl (86) e de Fukushima (2011). No mundo, existem atualmente
cerca de 440 reatores em operação em 30 países, com potência instalada de cerca de 380 GW. Os
EUA detêm 104 reatores e produziram 32,8% do total mundial em 2012, e a França possui a maior
participação de energia nuclear em sua matriz (74,8%) e 17,3% do total do mundo. Em alguns outros
países (Bélgica, Hungria, Eslováquia e Ucrânia), a geração nuclear supera 40%. Há, segundo a IEA,
cerca de 70 usinas nucleares em construção, principalmente na China.
O insumo da energia nuclear é o urânio, que tem uma densidade energética muito superior aos
recursos fósseis, e as reservas disponíveis permitem que sua exploração seja mais longa do que o
petróleo. Outras vantagens: as reservas de urânio estão localizadas em regiões menos
problemáticas, emitem menos CO2 e geram energia sem interrupção, 24h por dia, 11 meses por ano.
As incertezas sobre energia nuclear referem-se à segurança. Embora reduzido o número de
acidentes nucleares, os impactos sobre o meio ambiente e populações permanecem um problema.
Esse conjunto de questões exige esforço, recursos e pesquisas para o desenvolvimento de
tecnologias que garantam mais segurança, dado que a energia nuclear terá, cada vez mais, um papel
estratégico para garantir energia limpa em um mundo cada vez mais dependente desse insumo.
* Sergio Malta é Presidente do Conselho de Energia da FIRJAN e Diretor do Comitê Brasileiro do
Conselho Mundial de Energia
Fonte: Revista Brasil Energia

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ENERGIA NUCLEAR – Opção à hidrelétricas.

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Usinas nucleares são uma opção a hidrelétricas

Data: 12 de novembro de 2014

 

O país precisa de um grande parque térmico para substituir hidrelétricas nos períodos secos, e o melhor custo-benefício é a geração nuclear

Com as mudanças climáticas, o Brasil já não pode ter sua matriz elétrica inteiramente apoiada em usinas hidrelétricas, como era no passado. Além de o regime de chuvas se mostrar irregular, o país já não constrói hidrelétricas com reservatórios que acumulem água para uso em anos seguintes. Ou seja, as novas usinas funcionam a fio d’água, utilizando a vazão natural dos rios.

Reservatórios que acumulam água são rejeitados pelas autoridades do licenciamento ambiental porque, dependendo da topografia da região, formam-se lagos em grandes extensões de terra. No caso da Amazônia, a argumentação é que os lagos seriam enormes.

Descartados os reservatórios de acumulação de água, outras fontes de geração de energia elétrica se tornam necessárias. O Brasil tem estimulado, corretamente, investimentos nas chamadas fontes renováveis, com aproveitamento de biomassa, dos ventos e agora também a de origem solar. No entanto, todas essas fontes são intermitentes, funcionando algumas horas por dia ou em certas épocas do ano. São complementares às hidrelétricas, e não substitutas.

Para substituir eventualmente o que deixa de ser gerado nas hidrelétricas o país precisa de um relevante parque termelétrico. Mantê-lo, mesmo que seja apenas como reserva, não custa pouco. É preciso então avaliar o custo-benefício das opções térmicas. Assentar esse parque no gás ou em óleos derivados de petróleo é um risco, pois são combustíveis que o Brasil ainda importa muito e não tem qualquer controle sobre os preços.

O carvão aparece como alternativa, em face das jazidas existentes no Sul do país, mas tendo como lado negativo o impacto ambiental e um custo mais elevado. O óleo e o gás também poluem.

Desprezada, por uma equivocada pressão de ambientalistas no passado (e que tende a se atenuar diante da falta de melhor opção), a energia nuclear é de fato a que proporciona melhor custo-benefício para o parque térmico. Por isso, o próprio Japão, onde o último terremoto seguido de tsunami levou ao desligamento de reatores, já começa a recolocar alguns em funcionamento.

O Brasil tem a matéria-prima em abundância (urânio) e o domínio de todo o ciclo tecnológico de produção dos elementos combustíveis dos reatores. Constrói sua terceira usina em Angra dos Reis, provavelmente a última no bojo do acordo com a Alemanha. Novas tecnologias, mais econômicas e mais seguras, estão disponíveis em consequência da retomada de investimentos em usinas nucleares por parte dos Estados Unidos e da Inglaterra, entre outros.

Constava do planejamento do setor energético a construção de um conjunto de quatro usinas, com capacidade de geração de 4 mil megawatts, em uma área na região Nordeste. Por questão política, e não econômica, tais usinas deixaram de constar do planejamento. Está mais do que na hora de reincluí-las no futuro da matriz elétrica.

Fonte: O Globo – editorial

 


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NECESSIDADE DE NOVAS USINAS NUCLEARES NO BRASIL.

NECESSIDADE DE NOVAS USINAS NUCLEARES NO BRASIL

Por Danilo Fariello, no “O Globo”

REFORÇO ATÔMICO

O acionamento de térmicas faz o governo voltar a discutir a ampliação do uso de usinas nucleares. Trabalhos interrompidos. A construção da usina de Angra 3 foi afetada pelo acidente de Fukushima, que provocou escassez de crédito internacional para o setor.

Passados quase dois anos desde o acidente de Fukushima, no Japão, o governo voltou a discutir a instalação de novas usinas nucleares no Brasil, pressionado pela necessidade de uso cada vez maior de usinas térmicas, percebida neste verão. A última edição do Plano Nacional de Energia(PNE), de 2007, indicou a construção de quatro novas usinas nucleares, mas depois do vazamento no Japão, em março de 2011, o assunto foi parar na gaveta. Agora, quando ficou nítido que as hidrelétricas já não dão conta da necessidade contínua de fornecimento do país, a ideia ressurgiu acompanhada do debate sobre como empresas privadas poderiam ser sócias da “Eletrobras Eletronuclear” nesses novos empreendimentos. Para que isso ocorra, será preciso mudar a Constituição e quebrar o monopólio da União nesse segmento.

Ainda este ano deve ser publicado um novo PNE, que vai apontar as necessidades brasileiras de abastecimento até 2050, abrindo espaço para a ampliação dessas usinas. Hoje, o único empreendedor de usinas nucleares no Brasil é a “Eletrobras Eletronuclear”, que contrata consórcios para serviços específicos que não se relacionam à operação da usina e ao domínio do ciclo do combustível. É com uma mudança na Constituição que o governo vislumbra a possibilidade de abrir espaço para o setor privado nesse setor, suprindo a escassez de crédito internacional para o segmento nuclear após o acidente de Fukushima, que acabou prejudicando até a construção de Angra 3.

– “Há entendimento de que a iniciativa privada pode participar em algumas etapas do Programa Nuclear Brasileiro (PNB). Precisamos adaptar nossa legislação, porque a experiência brasileira dos últimos anos de construção de usinas e linhas de transmissão por ‘sociedades de propósito específico’ (SPE), em que o Estado entra com 49%, e o setor privado, com 51%, foi muito bem-sucedida. No caso da energia nuclear, é uma alternativa que tem de ser considerada. A iniciativa privada ficaria restrita à parte mais convencional da usina e, no ciclo do combustível, continuaria uma política de Estado. Deveríamos começar a discutir isso” – disse uma fonte do Ministério de Minas e Energia (MME).

DESTINO DE RESÍDUOS AINDA É UM OBSTÁCULO

Particularmente o item 23 do artigo 21 da Constituição, que assegura à União o controle do setor nuclear, inibe potenciais investidores a se associarem ao Estado nessa área, mesmo se convidados.

Recentemente, empreiteiras e fornecedores do setor nuclear fizeram chegar ao governo e a parlamentares uma minuta de Projeto de Emenda Constitucional (PEC) para rever esse e outros artigos da Carta, inclusive o que transfere do Legislativo para o Executivo a escolha do local de novas instalações.

O “Greenpeace”, organização não governamental ambiental [estrangeira] que, desde sua origem, faz oposição às usinas nucleares [no Brasil], reconhece que a necessidade de geração de energia no Brasil, no melhor dos cenários de eficiência energética e redução de desperdícios, triplicará até 2050, mas continua a condenar a opção pela energia nuclear.

– “O Brasil deve suprir a necessidade futura de energia com uma mistura das fontes disponíveis, exceto nucleares, carvão, diesel e óleo combustível” – afirmou Ricardo Baitelo, coordenador de energia do “Greenpeace”.

O governo já tem claro que serão ampliadas, no PNE, as previsões para geração a partir de biomassa e energia eólica, cujos preços foram reduzidos nos últimos anos, mas entende que outras fontes menos instáveis, como a nuclear, sejam necessárias para manter a segurança do abastecimento. Ao se voltar para 2050, o novo PNE deverá mostrar que a carga deverá crescer até quatro vezes, enquanto o plano anterior, de 2007, apontava necessidade de dobrar a geração até 2030.

– “O nosso potencial hidrelétrico se esgota entre 2025 e 2030. O Brasil terá de expandir o sistema, principalmente com as usinas térmicas, que hoje são carvão, gás natural e nuclear. Todas as três têm suas dificuldades. Na questão nuclear, as dificuldades são os rejeitos radioativos, a opinião pública, a segurança e o fato de que ela leva dez anos para ficar pronta” – disse a fonte.

Esses pontos já têm sido enfrentados pelo governo nos últimos meses. No quesito segurança, por exemplo, depois de tramitar por oito anos, em outubro o governo conseguiu aprovar – sem alarde e prévio conhecimento de opositores – uma renovação do “Sistema de Proteção ao Programa Nuclear Brasileiro” (SIPRON), órgão ligado ao Gabinete de Segurança Institucional da Presidência e responsável pela prevenção de danos nucleares, assim como pela articulação para socorro diante de um desastre. O texto torna a lei brasileira adequada às cláusulas da “Convenção de Segurança Nuclear”, assinada pelo Brasil em 1994.

Sobre a demora das construções, a fonte do MME explica que o Brasil pode avançar da tecnologia atual, a PWR, para um modelo que já está em implantação na China e nos EUA, o AP1000. Essa nova tecnologia pode reduzir o prazo de construção de uma usina de dez para até quatro anos, graças a um modelo de montagem modulado. Esse implica um custo novo, mas poderia chegar ao país com investidores que já detêm essa tecnologia lá fora.

A destinação dos resíduos nucleares cancerígenos, porém, ainda é um grande obstáculo para o setor. Há discussões no governo sobre a busca de um destino permanente, mas os resíduos de Angra, por exemplo, continuam alojados submersos nas proximidades do complexo energético em caráter temporário. No que se refere à opinião pública, o último dos obstáculos para o governo, o “Greenpeace” admite que há forte volatilidade da população sobre o tema entre um acidente e outro.

– “Acredito que isso (destinação dos resíduos) seja definido nos próximos dois anos, mas é um dos maiores problemas, talvez até maior do que os acidentes, porque ainda não há projeção arquitetônica para o destino dos rejeitos” – disse Baitelo, do Greenpeace. – Quanto às opiniões, a única constante é a do lobby da indústria nuclear.

O setor nuclear mantém uma rede mundial de troca de informações em defesa do uso do poder atômico. Um dos argumentos é que há 65 usinas em construção hoje, todas com cuidado reforçado após Fukushima. Defendem também que a emissão de carbono é praticamente nula, uma vantagem diante das demais térmicas.

– “O país domina a tecnologia, temos a sexta maior reserva de urânio do mundo, e as usinas são seguras, tanto que levei minha família para viver em Angra quando fui trabalhar lá” – disse Antonio Müller, presidente da “Associação Brasileira para o Desenvolvimento das Atividades Nucleares“ (ABDAN).

A entidade defende, ainda, que o governo retome o projeto de transformação da “Comissão Nacional de Energia Nuclear” (CNEN) em agência reguladora. Hoje, a CNEN engloba os papéis de fomentadora e fiscalizadora do setor, o que suscita pedidos de mudanças regulatórias até pela própria comissão.”

FONTE: escrito por Danilo Fariello, no jornal “O Globo”. Transcrito no site “DefesaNet”  (http://www.defesanet.com.br/tecnologia/noticia/9639/ENERGIA—Reforco-atomico). [Imagem do Google adicionada por este blog ‘democracia&política’].