petroleiroanistiado

A great WordPress.com site


Deixe um comentário

PETROBRAS – Início da produção em águas ultraprofundas do Golfo do México.

Início da produção do campo Hadrian South em águas ultraprofundas no Golfo do México norte-americano.

 

Foi iniciada, no último sábado, 28 de março, a produção do campo de Hadrian South, na área de Keathley Canyon, localizado a aproximadamente 370 quilômetros da costa do estado da Louisiana, nos Estados Unidos, a uma profundidade de água de 2.332 metros.

Detemos 23,33% do campo de Hadrian South, operado pela ExxonMobil, com 46,67%. A empresa Eni tem 30% de participação no campo.

O sistema de produção de Hadrian South consiste em dois poços submarinos produtores de gás natural, interconectados à unidade flutuante de produção no campo de Lucius, situada a 12 km de distância. A capacidade da plataforma de Lucius reservada para o campo de Hadrian South é de 8,5 milhões de metros cúbicos de gás por dia (50 mil barris de óleo equivalente por dia).

Líder em operações em águas ultraprofundas, adicionamos mais um ativo de produção ao nosso portfólio. Hadrian South é o nosso quinto campo em produção em águas ultraprofundas do Golfo do México norte-americano, precedido por Lucius, que começou a produzir no início de janeiro deste ano.

Fonte: Blog Fatos e Dados

 


Deixe um comentário

GÁS DA BOLÍVIA – qual a sustentabilidade da oferta?

 

Gás da Bolívia – qual a sustentabilidade da oferta?

 

Por Ieda Gomes

As importações de gás natural correspondem atualmente a 51% da oferta total de gás no Brasil, com a Bolívia respondendo por 32% do total. As distribuidoras de gás canalizado de São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul dependem do gás boliviano para abastecer o mercado consumidor. O estado de São Paulo possui outros pontos de abastecimento de gás nacional, através da planta de gás natural de Caraguatatuba, que processa gás dos campos marítimos de Mexilhão e Lula e do gasoduto Rio-São Paulo, que transporta gás da bacia de Campos. Os estados do Sul não dispõem de outras fontes de suprimento.

Em 2013, de acordo com a empresa canadense GLJ, a Bolívia detinha reservas provadas de 10.4 trilhões de pés cúbicos (Tcf), suficientes para sustentar a produção em 2013 por mais 15 anos até 2025. As reservas de gás boliviano têm permanecido estagnadas nos mesmos patamares desde 2009, uma queda brutal do volume anteriormente conhecido, de 28.9 Tcf, após rumoroso processo de recertificação. Em 2013 a reposição de reservas foi de 0.5 Tcf, inferior ao volume total produzido de 0.8 Tcf.

Em 2013, a produção bruta média de gás natural na Bolívia foi de quase 60 Mm3/dia. Para manter os volumes atualmente produzidos, de modo a atender o mercado local e as exportações para o Brasil e Argentina, a Bolívia precisaria adicionar reservas de aproximadamente 15.4 Tcf nos próximos 20 anos.

O governo boliviano trabalha com uma previsão de crescimento para 65 Mm3/dia em 2014 e 68 Mm3/dia em 2015. Nesse ritmo, o país necessitaria acrescentar cerca de 18 Tcf para manter seus compromissos com o Brasil e a Argentina e o mercado doméstico por 20 anos. A estatal boliviana YPFB anunciou no ano passado que as reservas atuais só seriam suficientes para o horizonte de 2023. Outros analistas mencionam o horizonte de 2020.

Após a nacionalização da indústria petrolífera em 2006, houve uma queda drástica do investimento em exploração e produção e das reservas de gás bolivianas. No período 2006-2010 foram investidos US$ 1,2 bilhão. Em contraste, o Peru atraiu investimentos de US$ 5,8 bilhões no mesmo período. Uma pesquisa do Fraser Institute com 864 empresários do setor de petróleo e gás elencou a Bolívia entre as dez regiões menos atraentes para investimento, por conta das expectativas sobre o risco político.

A YPFB tinha a expectativa de investimentos de US$ 3 bilhões na cadeia de valor do gás natural em 2014, dos quais US$ 1,8 bilhão por parte da YPFB e US$ 1,2 bilhão das operadoras, Petrobras, Total e YPF. O investimento quinquenal para repor e aumentar as reservas seria da ordem de US$ 12 bilhões, com as empresas internacionais contribuindo com a metade, dedicados exclusivamente às atividades de exploração e produção.

Em 2013 a Petrobras anunciou seu retorno ao investimento em E&P na Bolívia, sete anos após a nacionalização, após vencer uma licitação para explorar um campo de produção de gás no Departamento de Santa Cruz, por meio de um contrato de prestação de serviços com a YPFB. Na ocasião a YPFB anunciou que Petrobras, Total e Repsol investiriam US$ 670 milhões de um total de US$ 818 milhões em projetos de exploração e desenvolvimento de gás natural.

Existem dois fatores conspirando contra o plano de investimentos da YPFB e portanto de crescimento das reservas de gás da Bolívia. Os principais investidores estrangeiros, a Petrobras e a YPF, passam por conhecidas dificuldades financeiras e devem priorizar escassos recursos financeiros no 8

desenvolvimento da produção de hidrocarbonetos em seus próprios países, Brasil e Argentina. Além disso, a queda no preço do petróleo vai ocasionar uma redução no preço da commodity gás nos contratos da Bolívia com o Brasil e Argentina.

Estima-se que o preço do gás na fronteira, antes de chegar ao gasoduto Gasbol, caia de US$ 8/MMBtu para US$ 5/MMBtu, o que reduzirá a disponibilidade de investimentos da YPFB.

O vencimento do contrato de importação de gás boliviano em 2019 poderá colocar o Brasil em uma situação de risco de suprimento e também numa situação de risco de preço, porque, se a Bolívia conseguir negociar um aumento do suprimento para a Argentina, terá uma posição de barganha mais forte com relação ao Brasil.

As alternativas para o Brasil são a importação de GNL, que no médio e longo prazo deverá continuar mais caro do que o gás da Bolívia, ou definir políticas de encorajamento à produção de gás natural, sobretudo nas bacias em terra. Em um cenário pessimista, a Bolívia poderia tentar impor preços de gás em paridade ligeiramente inferior aos preços internacionais de GNL, o que encareceria enormemente os custos da indústria e dos consumidores no Brasil.

O Brasil não dispõe de muito tempo para definir ações estratégicas que garantam o suprimento de gás natural a preços competitivos. Projetos de gás natural e GNL levam de 3 a 5 anos para entrar em operação e a economia brasileira não pode se dar ao luxo de esperar até 2018. Em 2019 o contrato boliviano já deverá ter sido renegociado e assinado em novas bases e, dependendo das condições comerciais e dos volumes realmente disponíveis, poderá afetar a indústria e os consumidores das regiões Sul e Sudeste do Brasil.

Fonte: Revista Brasil Energia Petróleo & Gás – *edição de abril


Deixe um comentário

EUA – Boom de petróleo deve desaceelerar.

 

Boom de petróleo deve desacelerar nos EUA

 

A produção de petróleo nos EUA cresceu 1,2 milhão de barris por dia em 2014, a maior alta em mais de cem anos, atingindo a média diária de 8,7 milhões de b/d. O forte crescimento da oferta americana é um dos principais fatores que explicam o mergulho dos preços do petróleo, que caíram cerca de

50% desde meados do ano passado. Em termos relativos, houve alta de 16,2% na produção no país, a maior desde 1940, segundo dados da Agência de Informação de Energia (EIA, na sigla em inglês). Há dados disponíveis desde 1900.

A maior parte do aumento ocorreu nos campos de Dakota do Norte, Texas e Novo México, Estados onde a produção cresceu muito devido à extração do petróleo de xisto. Isso se tornou possível devido ao avanço das técnicas da fratura hidráulica e da perfuração horizontal ocorrido nos últimos anos.

Com o forte tombo nos preços do petróleo, muitas empresas americanas já reduziram significativamente o número de plataformas de perfuração em operação e fizeram cortes drásticos em

novos investimentos. Os volumes produzidos, contudo, ainda continuam a aumentar. Em fevereiro deste ano, a produção média ficou em 9,4 milhões de barris por dia, segundo estimativas preliminares da EIA.

Para o professor Mark Perry, da Universidade de Michigan, os volumes ainda seguem em alta pois as empresas se concentram agora nos poços mais produtivos, abandonando num primeiro momento os menos eficientes. Ao longo do ano, essa estratégia deverá se traduzir em expansão mais fraca da produção, diz ele. A EIA, por exemplo, projeta aumento de 8,1% neste ano e de 1,5% no ano que vem.

“A desaceleração do crescimento fica mais evidente quando se analisa a produção entre dezembro de 2014 e dezembro de 2015,”, diz nota da EIA, que prevê aumento de apenas 200 mil barris por dia nesse período. Em janeiro, já houve pequena queda da produção na Dakota do Norte, segundo os dados mais recentes sobre o Estado. 15

Com a chamada revolução do xisto, o panorama da produção de petróleo nos EUA mudou drasticamente. Ela aumentou continuamente desde 2009, depois de um período em que, entre 1985 e 2008, havia caído em todos os anos, com exceção de 1991. O volume médio produzido em 2014, de 8,7 milhões por dia, é o maior registrado desde 1985.

A queda dos preços do petróleo se acentuou a partir de novembro do ano passado, quando a Arábia Saudita deixou claro que não reduziria a sua produção mesmo num cenário de recuo das cotações, focando na manutenção de sua fatia de mercado. A jogada saudita pegou muitos produtores no contrapé, entre eles muitas companhias da indústria de petróleo de xisto nos EUA. Mas essas empresas têm ajustado rapidamente a sua estratégia, reduzindo investimentos e cortando custos.

“Este vai ser um ano difícil para o setor, especialmente para as pequenas empresas”, diz Perry, também pesquisador do American Enterprise Institute (AEI). Ele acredita, porém, que a maioria das companhias conseguirá passar pelas dificuldades, especialmente se os preços voltarem a subir um pouco, como espera a maior parte dos analistas. A EIA, por exemplo, estima que os preços do barril do West Texas Intermediate (WTI) ficarão em US$ 52 na média de 2015 e em US$ 70 na de 2016 – hoje o WTI está um pouco abaixo de US$ 49.

Fonte: Valor Econômico


Deixe um comentário

PETROLEIRAS VOLTAM A COBIÇAR AS RESERVAS DO IRÃ.

 

 

Na antecâmara da sala de reuniões na sede da BP, na requintada praça de St. James em Londres, uma vitrine abriga os dados geológicos de Masjid-i- Solaiman, o primeiro poço petrolífero do Irã.

A descoberta de petróleo bruto em 1908 assentou as bases para a empresa que se transformaria na British Petroleum e criou uma das maiores oportunidades de que as petroleiras ocidentais já desfrutaram no turbulento Oriente Médio. Desde então, o histórico do setor no Irã se entrelaçou com golpes militares apoiados pela CIA, a exploração colonial e o ressentimento anti-Ocidente que veio com a Revolução Islâmica de 1979.

Agora, com Irã e EUA mantendo negociações de última hora para chegar a um acordo envolvendo o programa nuclear de Teerã e a eliminação de sanções, o país do Oriente Médio está emergindo novamente como prêmio potencial para petroleiras ocidentais, como BP, Shell, Eni e Total. Também é possível esperar que os chineses entrem na corrida, enquanto as empresas americanas, sobrecarregadas pelas sanções e pelo passado, correrão atrás das demais.

O apetite pelo retorno à Pérsia é compreensível: o Irã contém 10% das reservas de petróleo do mundo – taxa que o coloca na quarta posição mundial, depois da Venezuela, da Arábia Saudita e do Canadá, e à frente do Iraque – e quase um quinto das reservas de gás – superado apenas pela

Rússia.

Para o Irã, a atração também é direta: o país precisa muito dos investimentos e técnicas estrangeiros para aumentar sua produção de hidrocarbonetos. A combinação tóxica entre décadas com pouco envolvimento do exterior, tanto antes quanto depois da proclamação das sanções, e o legado devastador da prolongada guerra Irã-Iraque na década de 1980 paralisou o setor de energia do país.

Nas entrevistas com antigos e atuais executivos do setor, consultores e diplomatas, emerge um consenso: embora as grandes petroleiras estejam ansiosas em retornar ao Irã caso surja um entendimento em torno do programa nuclear, a obtenção de um acordo comercial pode se revelar mais difícil do que a maioria pensa.

É fácil ver o desafio do Irã. Hoje, o país extrai 2,8 milhões de barris por dia, em comparação a 4,5 milhões uma década atrás e ao pico de 6 milhões em 1974. Seus grandes campos, entre eles Gachsaran e Marun, estão em produção há mais de 50 anos, e “precisam desesperadamente” de recuperação, segundo a Agência Internacional de Energia.

Ainda por cima, o Irã não desenvolveu grande parte das suas reservas de gás. Isso permitiu que países como a Argélia, a Austrália e o vizinho Qatar, com quem o Irã compartilha um campo, tomassem participação no mercado. Sem a tecnologia ocidental, é improvável que o Irã consiga construir as usinas de gás natural liquefeito (GNL) que passam o gás superfrio para uma forma

líquida para transporte marítimo. O último obstáculo é mais sutil, mas está firmemente arraigado: uma velha tradição de desconfiança.

Quando o Irã decidiu nacionalizar os interesses britânicos no petróleo em 1951, Londres respondeu primeiro com um embargo de petróleo e depois orquestrou um golpe com ajuda da CIA, de codinome “Operação Ajax”, para derrubar o primeiro-ministro nacionalista Mohammad Mossadegh.

As petroleiras estrangeiras e Teerã teriam que resolver esse passado turbulento que vai até o poço petrolífero de Masjid-i-Solaiman. A percepção entre as empresas é que a história seria deixada de lado. Nader Sultan, consultor de petróleo que dirigiu a estatal Kuwait Petroleum entre 1993 e 2004, diz que os líderes iranianos também cooperariam. “Há um novo impulso no Irã, e isso também inclui o desejo de mostrar sucesso na área do petróleo”, afirma ele.

Fonte: Bloomberg

 


Deixe um comentário

PETROBRAS – Artigo do ex-presidente Gabrielli

Interesse por trás do ataque à Petrobras

Por José Sergio Gabrielli de Azevedo, no jornal Le Monde Diplomatique-Brasil:

A Petrobras foi posta em uma encruzilhada histórica, e os desdobramentos da investigação da Justiça e de futuras decisões administrativas podem colocar em xeque não só o legado dos últimos anos, mas também a sobrevivência da companhia como big player do mercado e a política de Estado que projeta um futuro promissor garantido pelo pré-sal. Não se trata de uma previsão catastrofista, e sim de um alerta da real necessidade de depurar toda a onda de ataques à imagem e à reputação da estatal e defender seu papel estratégico para o desenvolvimento econômico do país, o legado construído nos últimos doze anos e a sobrevivência de toda sua cadeia produtiva.
Desde 2003, a gestão da Petrobras levou em consideração que o Estado brasileiro tinha uma política de longo prazo de fortalecer os interesses da União na exploração e produção de petróleo, fomentar o crescimento de vários setores da indústria brasileira e promover o desenvolvimento social. Com a potencialidade de desenvolvimento da produção de petróleo, o Estado brasileiro queria diminuir o risco da doença holandesa de ficar somente dependente dele. Havia a necessidade de fortalecer a cadeia de fornecedores, gerar emprego e renda em outros setores e expandir a tecnologia nacional. Com a descoberta do pré-sal, em 2006, essas possibilidades se potencializaram muito mais.

As diretrizes que guiaram a Petrobras até aqui – levando a resultados expressivos tanto financeiros quanto de know-how em tecnologia – contrariam sensivelmente aqueles que defendem o modelo privatista vigente até fins de 2002, o qual desejava a abertura da exploração de uma riqueza brasileira exclusivamente para mãos estrangeiras.

A Operação Lava Jato revelou que as regras de governança empresarial são insuficientes para detectar comportamentos criminosos. Por mais que, até aqui, se saiba que o esquema de corrupção, embora tenha começado confessadamente nos anos 1990, envolva pessoas em acordos ilícitos que ultrapassam as fronteiras de governança de uma empresa, somente a quebra de sigilo e as benesses de acordos de delação premiada foram capazes de trazer à tona o modus operandi e os valores e percentuais desviados de cada contrato.

A identificação de comportamentos criminosos por parte de alguns dirigentes da companhia vai forçar um maior controle dos processos internos, para fortalecer ocompliance com as regras da boa governança. A direção estratégica da companhia vai precisar, a curto prazo, se dedicar a reconquistar a confiança do mercado financiador de seus títulos, principalmente agora, depois do rebaixamento de seu rating no mercado. Isso significa que os processos decisórios serão mais lentos e cuidadosos, e os objetivos mais gerais de seu plano de investimentos serão submetidos à lógica de curto prazo. A construção de uma cadeia de fornecedores e seus impactos macroeconômicos serão secundarizados em relação à geração de caixa para reduzir seu endividamento, publicar seu balanço e satisfazer seus credores.

Numa segunda onda, não menos importante e ainda mais devastadora, há um risco sistêmico para a economia brasileira em razão da paralisia e inoperância dos principais fornecedores da cadeia produtiva da estatal – em destaque o risco de default das maiores empreiteiras brasileiras – e da contaminação do sistema financeiro, uma vez que a maioria das construtoras operava alavancada por empréstimos. Se a roda parar de girar, o sistema cai. A crise aberta na Petrobras pode ser a versão brasileira dos subprimes norte-americanos de 2008.

E sabemos, de antemão, qual é o discurso da oposição: a culpa pela perda de valor da companhia e os impactos sobre a cadeia produtiva cairão na conta do “projeto de poder do PT”, que se valeu do esquema de extorsão e desvio de dinheiro público para, mais uma vez, financiar a compra de apoio político. Estamos, portanto, diante de um jogo político que, no cenário internacional, mexe no status quo dos grandes players do mercado de petróleo.

Por que a Petrobras está sob ataque

É preciso, portanto, entender por que a Petrobras e o pré-sal são peças-chave nesse xadrez político e econômico. Poucos países têm a situação do Brasil na produção, distribuição e consumo do petróleo. Foi no Brasil a maior descoberta de novos recursos dos últimos anos, com a identificação das gigantescas reservas de petróleo do pré-sal. Os recursos ali identificados representam a principal fonte de novo petróleo convencional do mundo, com condições de produção muito favoráveis, apesar dos desafios tecnológicos – a maior parte deles já superada – de reservatórios especiais em águas profundas, distantes do litoral.

A Petrobras é hoje a vanguarda na exploração em águas profundas, o que fez do pré-sal um novo paradigma mundial. De forma surpreendente para os padrões mundiais, sete anos depois da descoberta, a produção diária já supera os 700 mil barris, quando o mesmo nível de produção requereu muito mais tempo depois da descoberta no Mar do Norte, no Golfo do México ou na costa leste da África. A Petrobras, praticamente como operadora única, foi um sucesso de realização, introdução de sistemas produtivos e produtividade. O pré-sal é viável com preços de equilíbrio inferiores aos atuais preços do petróleo, que caíram para um terço de seu valor em junho de 2014. Portanto, cai por terra o argumento muitas vezes divulgado pela imprensa de que o pré-sal é uma promessa para o futuro. Sua exploração é uma realidade – e muito bem-sucedida.

Poucos países têm a situação brasileira no refino e no consumo de combustíveis. É um mercado de derivados que cresce a taxas extraordinariamente altas em comparação com os mercados europeus, norte-americano e japonês, com uma presença significativa de etanol e biodiesel no fornecimento final dos combustíveis e com uma malha logística, em um país continental, que pode alcançar todo o território nacional. Além de ter uma taxa de crescimento bastante alta, é, em termos absolutos, um dos maiores mercados do mundo, o que garante, em âmbito nacional, a combinação de oferta de fontes de petróleo cru economicamente viáveis, em volume considerável, com parque de refino instalado e mercado consumidor ávido para utilizar os derivados produzidos.

Esse cenário só foi possível porque o Conselho de Administração da Petrobras soube se guiar com precisão nos últimos doze anos, orientando os investimentos onde eram de fato necessários – e sem perder de vista a política de Estado de fortalecimento interno da economia e desenvolvimento social.

Poucos países têm a situação brasileira de um sistema de geração de eletricidade que combina a fonte hidrelétrica com um parque termelétrico fortemente lastreado na utilização de gás natural, ao mesmo tempo que cresce a taxas expressivas a geração eólica. Conta com uma rede de gasodutos que liga a costa brasileira de norte a sul do país e é capaz de, conectada com a Bolívia, ter um fornecimento de gás que consolida a contribuição da produção brasileira, a importação via gasoduto da Bolívia e a importação de GNL com três terminais de regaseificação instalados.

Poucos países têm a situação brasileira de ter uma empresa como a Petrobras, que conta com o melhor conhecimento e experiência do mundo na produção em águas profundas, fato reconhecido pela terceira vez, dando à empresa este ano o Distinguished Award,da prestigiada Offshore Technology Conference (OTC), que ocorre todos os anos no Texas, Estados Unidos. A Petrobras tem um dos melhores corpos técnicos do mundo, tem instalada uma das maiores frotas mundiais de sistemas flutuantes de produção, com barcos de apoio e sondas de perfuração, além de operar os sistemas submersos e a logística de escoamento da produção de petróleo e gás de forma segura, eficiente e rentável.

Além de sua capacidade própria, a história da Petrobras a credencia a ser um parceiro desejado pelas grandes companhias de petróleo, com quem ela mantém relações produtivas de parceria. Ser a operadora única possibilita a melhor utilização da infraestrutura já instalada, a melhor eficiência na mobilização de recursos adequados para a solução dos desafios e a possibilidade de atrair os melhores agentes do mercado. Possibilita também obter vantagens da escala de compras e da definição de estratégias de longo prazo que necessitem de expansão da capacidade de produção do próprio setor de fornecimento de equipamentos especiais e dedicados, como sondas de perfuração de águas profundas, equipamentos submersos e sistemas de complementação dos sistemas de produção. Possibilita ainda a apropriação nacional dos desenvolvimentos tecnológicos que advêm da experiência concreta de fazer a produção funcionar.

A descoberta de grandes reservas de petróleo pode ser um bônus se permitir a criação de mais riqueza e tornar possível que o país supere suas limitações de crescimento, distribuição de renda e justiça social. Mas a mesma descoberta também pode ser uma maldição se não permitir que outros setores da economia cresçam, levando ao que se conhece como doença holandesa: um setor passa a ser hipertrofiado como gerador de renda, inibindo os outros. Como a fonte da renda é um recurso esgotável, seu fim condena todos à miséria.

É contra esse risco que a política de conteúdo nacional, utilizando a escala das compras para os sistemas de produção de petróleo no país, de forma a promover a expansão da capacidade produtiva das empresas localizadas no Brasil, possibilita a formação de uma forte cadeia de suprimento para o setor, que irradia a criação de emprego e renda, além da atividade de produção de petróleo e gás.

Esse modelo sempre teve opositores – o que vem desde os tempos de Getúlio Vargas. Inicialmente eles eram contra a própria existência da Petrobras e se opuseram à sua criação, defendendo que era melhor abrir o país para as operadoras internacionais. Depois, com a quebra do monopólio nos anos 1990, adotaram o modelo dos leilões de concessão, que, dado o risco exploratório alto, gerava receitas para o Estado baseadas nas expectativas que as empresas tinham sobre os ganhos futuros das concessões e balizavam os bônus, que elas ofereciam ao Estado pelo direito de produzir durante mais de 25 anos. A repartição de ganhos futuros estava predeterminada.

Com o pré-sal tudo se modificou. O risco exploratório de buscar e não encontrar petróleo era mínimo; portanto, basear o ganho futuro do Estado nessa avaliação riscada das empresas não era o modelo adequado. O governo brasileiro mudou o marco regulatório e instaurou o contrato de partilha de produção, em que o Estado partilha os ganhos futuros que surgirem da exploração, uma vez que os riscos subsistentes do pré-sal se relacionam com o desenvolvimento da produção, e não com a exploração.

Os opositores, claro, não querem isso. Querem mais garantias para as empresas e menos possibilidades de o Estado capturar parte dos excedentes de renda, que poderão advir da continuidade da produção da imensa riqueza descoberta. Querem retornar aos leilões de concessão, nos quais os ganhos do Estado dependem das expectativas das empresas de qual será a receita futura do petróleo a ser produzido. Esse é um ponto-chave para entender por que a Petrobras passou a ser alvo de tamanha artilharia. Na prática, o marco regulatório e o modelo de partilha dão solidez à política de Estado como diretriz da gestão da Petrobras e dos recursos do pré-sal. O ataque à reputação da companhia – e seu consequente efeito para o rating da estatal junto às agências de classificação de risco – tem o objetivo de “quebrar a espinha da Petrobras” e, assim, inviabilizar o modelo de partilha imposto pelo marco regulatório.

Outro grave desdobramento que se avizinha é comprometer os ganhos sociais que estão diretamente ligados à política vigente. Em 2010, o governo brasileiro foi sábio em criar um fundo para concentrar os ganhos advindos da exploração e produção do pré-sal, definindo que seus rendimentos deveriam se destinar a investimentos que transformassem o futuro do país: educação, ciência e tecnologia e meio ambiente. Os opositores também não querem isso e defendem apenas a manutenção dos royalties e da participação especial, contribuição adicional que as empresas petroleiras pagam nos leilões de concessão, para campos extremamente produtivos.

São essas conquistas que estão sob ameaça com a atual sanha “denuncista” da mídia nacional, que já começa a contaminar a mídia internacional. Não importam os fatos, mas as versões e as ilações sobre os fatos. Os únicos testemunhos que valem são dos acusadores. O ônus da prova, que deveria ser de quem acusa, passou a ser exigido de quem é acusado. Ninguém seria em princípio inocente, como define a Constituição. Se for dirigente da Petrobras e, principalmente, se for do PT, você é imediatamente condenado pela mídia, sem direito a defesa nem julgamento. É um linchamento público gigantesco. A voz dos delatores é considerada a verdade absoluta, sem provas e seletivamente divulgada.

Não se faz aqui, evidentemente, a defesa dos atos ilícitos que foram confessados. Muito pelo contrário: devem ser investigados, e os culpados, punidos. Sempre respeitando, porém, as regras de um Estado democrático de direito e, sobretudo, sem o viés político que se tem dado ao caso. Colocar todos os contratos da Petrobras e o trabalho de mais de 80 mil funcionários em suspeição é um atentado político contra a companhia e, por tabela, a toda a sociedade brasileira, que é, de fato, dona das riquezas do pré-sal.

Deve-se ter frieza para analisar os fatos sem a influência política de quem tem interesses em enfraquecer a Petrobras ou ainda em apagar o legado que se construiu nos últimos doze anos. O que se sabe até aqui é que os atos ilícitos confessados foram praticados fora da Petrobras, mas com a conivência de alguns poucos funcionários. Atos que seriam praticamente impossíveis de serem detectados por meio das regras rígidas de governança corporativa sempre adotadas pela Petrobras. Outras grandes empresas do mundo, tanto na área de petróleo quanto em outros setores da economia, viveram casos parecidos recentemente, e, em momento algum, colocaram-se em xeque suas operações. A holandesa SBM, fornecedora da Petrobras, é um exemplo. A Siemens e a Alston, envolvidas no escândalo do trensalão tucano em São Paulo, também.

Os supostos pagamentos ilícitos em contratos da Petrobras não podem colocar em suspeição a necessidade e a correção estratégica da companhia em executar cada uma das obras em questão. Todas foram decididas, corretamente, pelo Conselho de Administração da companhia, espelhando seu planejamento estratégico.

A construção das refinarias de Abreu e Lima e do Comperj, ou ainda a reforma da refinaria do Paraná (Repar), hoje demonizadas pela imprensa, são de vital importância para que o Brasil não sofra a longo prazo com o “apagão do refino”. São obras estratégicas para atender ao crescente mercado doméstico de derivados de petróleo, como a gasolina e o diesel. O país não construía uma refinaria desde 1980, e a demanda crescente, sobretudo após 2005, impôs a urgência de ampliação do parque de refino – mesmo se tratando de um investimento caro e demorado e com baixos índices de rentabilidade para os acionistas.

A construção de plataformas e de sondas de perfuração passa pela mesma lógica: sem esses investimentos, a Petrobras não teria condições de, como já assinalado, retirar mais de 700 mil barris por dia das reservas do pré-sal.

Os números da Petrobras são superlativos e espelham sua grandiosidade e papel estratégico para o país. Em fins de 2002, a companhia, que vinha sendo preparada para ser vendida, valia cerca de US$ 15 bilhões em valor de mercado. Durante o governo Fernando Henrique, a empresa registrou lucro líquido médio de R$ 4,2 bilhões por ano. Nos governos Lula e Dilma, a média anual passou para R$ 25,6 bilhões. O lucro anual da Petrobras seria suficiente, por exemplo, para custear o investimento de um ano do programa Bolsa Família. Nos últimos doze anos, o lucro líquido acumulado supera R$ 300 bilhões.

Os resultados financeiros refletem o trabalho do dia a dia. A produção de petróleo da companhia cresceu 50% de 2002 a 2014, sempre acima da média mundial. Apenas no ano passado, cresceu cerca de 7,5%, graças aos campos do pré-sal. A Petrobras é a única petrolífera que registrou crescimento de produção nos últimos anos em comparação com as gigantes do mercado, como Shell, Exxon, Chevron e BP, que estão sofrendo com a crise financeira internacional.

O número de plataformas da empresa mais que dobrou de 2002 até hoje: eram 36e agora são 82, resultado do forte investimento feito na última década. A Petrobras, que no passado investia US$ 2 bilhõespor ano, passou a investir mais de US$ 3,5 bilhõespor mês.

Essa é a empresa real – com números reais – que querem esconder valendo-se das denúncias que surgiram com a Operação Lava Jato, o que gerou o clima de forte especulação que fez a companhia perder tanto valor de mercado em tão pouco tempo. A Petrobras é uma empresa sólida, mas a campanha em curso – em discurso uníssono na imprensa – visa enfraquecê-la. Tentam reverter as mudanças do marco regulatório do pré-sal brasileiro, a que se adiciona o papel geopolítico de uma petroleira brasileira enfraquecida, com uma cadeia de fornecedores, em formação, destroçada e sem condições de continuar competindo para formar uma indústria com conteúdo nacional que gere emprego e renda no país.

O contexto internacional

Também não podemos perder de vista o contexto internacional do mercado de petróleo e o papel estratégico da Arábia Saudita. De 1973, com a crise da guerra árabes-Israel, até 2013, o mercado vinha atuando com a Arábia Saudita sendo o país que regulava a produção adicional sobre a demanda, de forma a impedir quedas acentuadas de preços ou seu aumento demasiado, via ajuste de sua produção nacional. A Arábia Saudita tem um custo de extração do barril do petróleo relativamente baixo em relação aos preços de venda internacional e, portanto, poderia suportar ajustes de preços maiores do que produtores com custos mais elevados.

A Opep, que reunia os países exportadores de petróleo, combinava essa dinâmica e internamente ajustava a produção excedente. Nos últimos anos, em especial a partir de 2008, esse esquema começou a ser questionado.

A produção adicional proveniente dos Estados Unidos, com a expansão das técnicas de fracionamento dos reservatórios no shale gase tight oil e a consequente disponibilidade, por meio da produção associada de condensados equivalentes a óleo leve, tornou esse país o maior mercado consumidor do mundo, praticamente autossuficiente de petróleo leve, ainda que continue a importar petróleo pesado.

Por outro lado, a oferta futura de petróleo não convencional – dos Estados Unidos e das areias betuminosas do Canadá – e do ultrapesado da Venezuela ameaçava o equilíbrio tradicional, em que a produção da Opep era chave. Junto com as perspectivas de crescimento do pré-sal brasileiro, a geopolítica do petróleo passou a considerar as mudanças de papéis de seus atores.

A Arábia Saudita se recusa a baixar sua produção para ajustar os preços, esperando que a queda nos valores tire do mercado – como já começa a acontecer – os produtores norte-americanos de óleo não convencional, colocando o preço do petróleo em níveis ameaçadores para a continuidade de alguns projetos de produção futura de não convencionais. Essa situação ainda não chegou a ameaçar o pré-sal brasileiro, mas já começa a afetar as economias do Irã, da Venezuela e da Rússia, tradicionais adversários dos Estados Unidos na política internacional.

A continuidade dos preços baixos, no entanto, associada aos impactos no mercado financeiro da campanha contra a Petrobras, tentando generalizar comportamentos individuais criminosos com o comportamento da corporação, podem tornar seu papel-chave no modelo de produção desenhado impossível de ser executado.

Essa situação fica ainda mais perigosa se as empresas que estão começando a se preparar para expandir a capacidade de produção da cadeia de suprimento do setor se inviabilizarem.

Isso é o que está em jogo com essa campanha. Os opositores são os mesmos que foram contrários à própria existência da Petrobras, desde seu início. O viés político que se vê em alta no ataque à companhia é infinitamente mais perverso para o futuro do país se comparado aos atos ilícitos até aqui descobertos. É dever cívico alertar e deixar claro a quem interessa que há uma Petrobras fragilizada em meio a tantas denúncias. É o futuro do Brasil que está em jogo.

* José Sergio Gabrielli de Azevedo é professor aposentado da UFBA e ex-presidente da Petrobras (2005-2012).


Deixe um comentário

ENERGIA : os possíveis caminhos para 2050.

Energia e os possíveis caminhos para 2050

Em encontro promovido para discutir o futuro energético do Brasil, Greenpeace apresenta cenário baseado em energia solar e com nível mínimo de emissão

A reportagem foi publicada no sítio Greenpeace Brasil, 26-03-2015.

Num contexto de mudança de produção de energia, a Plataforma Cenários Energéticos (PCE) surge para pensar novos rumos para a matriz energética brasileira nos próximos 35 anos, contemplando os estudos de instituições da sociedade civil. O primeiro encontro público foi realizado hoje, dia 26, em Brasília, com a participação de diversas organizações juntamente com o governo – este último representado pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE).

O Greenpeace foi uma das quatro instituições a apresentar um cenário para a matriz energética brasileira em 2050, baseado em seu estudo de 2013, o Revolução Energética. As outras três a exporem seus estudos e projeções foram a COPPE/UFRJ (Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-Graduação e Pesquisa de Engenharia da Universidade Federal do Rio de Janeiro, a SATC (Associação Beneficente da Indústria Carbonífera de Santa Catarina) e o ITA (Instituto Tecnológico de Aeronáutica).

Frente ao planejamento ainda em andamento do governo para 2050, as instituições se mostraram muito preparadas e capacitadas em suas exposições, embora vários pontos divergentes entre os quatro cenários tenham embasado a maior parte da discussão.

Dentre os quatro cenaristas, o Greenpeace é o que mais prioriza a energia solar. De modo geral, observa-se que os demais consideram como base da matriz energética do Brasil a fonte hídrica. Mesmo assim, todos os cenários indicam a importância de fontes renováveis como hidroeletricidade, solar e eólica e uma política de energia bastante calcada em eficiência energética.

“Apesar das diferenças entre as projeções, fica claro que o futuro do país depende do desenvolvimento e expansão da energia solar”, explica Ricardo Baitelo, coordenador da campanha de Clima e Energia do Greenpeace Brasil. Porta-voz da ONG no encontro, Baitelo alertou que esse investimento em solar é para ajudar a atender a demanda energética com baixas emissões de gases de efeito estufa, gerando de centenas de milhares de empregos verdes.

Todos os cenários incluem, mesmo que em distintas proporções, fontes de energia constantes (térmicas, gás, carvão e nuclear), como forma de complementar a intermitência das fontes renováveis predominantes. O cenário do Greenpeace é um exceção: ele não adiciona ao Plano de Obras térmicas a carvão nem usinas nucleares.

As projeções do Greenpeace apresentam uma expansão de fontes térmicas mais moderada em relação aos demais cenaristas, valendo-se apenas de usinas à gás natural enquanto as demais fontes fósseis são na maioria desconsideradas. Essa estratégia de expansão corresponde com o objetivo do Greenpeace de reduzir a emissão de gases de efeito estufa e erradicar os riscos nucleares.

Sobre a geração hídrica, o Greenpeace não inclui em seu cenário hidrelétricas de grande porte ou qualquer que tenha reservatório. A PCE supõe que nos Planos de Obras com grandes hidrelétricas, a área impactada será a Região Amazônica. Diante disso, seria possível interpretar que as matrizes da SATC, COPPE e ITA resultariam em impactos de distintas proporções na região.

“A iniciativa da Plataforma de Cenários Energéticos é extremamente positiva para propor soluções alternativas aos planos governamentais”, atesta Baitelo. Para ele, é essencial aumentar o debate sobre as escolhas necessárias para chegar a 2050 com uma matriz de baixos impactos socioambientais e baixas emissões de gases de efeito estufa.

Fora todo o debate e proposições, no final do evento os participantes pontuaram a necessidade de incentivos e políticas efetivas para o desenvolvimento maciço da energia solar no Brasil, como a desoneração do ICMS e a melhora das condições propostas pela resolução 482/2012 da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).


Deixe um comentário

PETROBRAS – Os interesses internacionais por trás da crise.

Os interesses internacionais por trás da crise na Petrobrás

Fonte: Pragmatismo Político
Autor: Eduardo Maretti

A queda do preço das ações da Petrobras e fatos que se originam em entidades do chamado mercado, como a perda de grau de investimento, em 24 de fevereiro, ou a exclusão do índice Dow Jones de sustentabilidade, como na última semana, fazem parte de uma estratégia deliberada de ataque à estatal brasileira, com motivações político-econômicas internacionais. A avaliação é do professor da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), consultor da ONU e economista Ladislau Dowbor.

“Essas coisas têm que ser vistas num plano geopolítico. Fazem parte da mesma guerra que levou à invasão do Oriente Médio, às tentativas de desestabilização do governo da Venezuela, outra grande fonte de petróleo. No nosso caso, é o pré-sal que desperta interesse internacional”, diz Dowbor. “A Petrobras está num processo de pressão internacional que se apoia em forças locais.”

O preço das ações preferenciais da Petrobras caiu 52%, considerando o preço em real convertido em dólar, na comparação entre o que valia em 19 de março de 2014 e um ano depois, 19 de março de 2015. “Não tem nada de incorreto nessa conta. O que é incorreto é achar que isso significa o que realmente a Petrobras está perdendo em valor”, afirma Dowbor.

O professor vê ingenuidade na crença largamente alimentada pela imprensa tradicional de que é apenas o mercado ou seus mecanismos que promovem fatos como a queda do preço do petróleo, que em junho de 2014 custava US$ 115 o barril e hoje está em US$ 54. Em artigo que publicou em seu blog, Dowbor afirma: “A visão que temos, em grande parte devida aos comentários desinformados ou interessados da imprensa econômica, é que as flutuações de preços da commodities resultam das variações da oferta e da demanda”.

“Não são mecanismos de mercado que fazem cair o preço para a metade. Isso tem que ser visto pela área política, e não pela econômica. É um sistema especulativo planetário. É a mesma coisa que aconteceu com a degradação do grau de investimento (da Petrobras, em fevereiro). Faz parte de um ataque”, completou à Rede Brasil Atual.

A conta do economista se baseia no fato real de que as reservas do pré-sal não se desvalorizaram e o estoque de petróleo continua sendo o mesmo. “Se, com todo o ataque, conseguirem mudar a situação política do país, com a troca de presidente ou o que seja, e conseguirem privatizar a Petrobras, as ações vão explodir e quem tiver comprado na baixa vai ganhar. São os mesmos especuladores. O ataque é esse, é um ataque nacional e internacional. Estão fazendo isso com a Argentina, com a Venezuela, com os países que não se dobraram aos interesses do ‘mercado’.”

O secretário de Relações Internacionais da Federação Única dos Petroleiros (FUP), João Antônio de Moraes, analisa da mesma forma os fatos gerados por entidades vinculadas ao mercado ou que refletem seus índices. “O Brasil está sob um cerco de ataques. A Petrobras, como maior agente econômico do país, está neste contexto. É uma ação internacional muito bem montada que busca abalar o Brasil.”

Moraes acredita que o governo brasileiro teria como, no mínimo, minimizar os efeitos dos ataques. Para ele, o país deveria se aproveitar do momento em que as ações da Petrobras estão baixas e comprar papeis da companhia. “Essa medida teria dois efeitos: aumentaria o controle do povo sobre a empresa, tão estratégica, e ajudaria a derrubar a tática deles de prejudicá-la.”