Energia eólica: boas notícias, mas cuidado com as ilusões

 Autor: Fernando Brito

vento

O Brasil está avançando, e muito, na produção de energia elétrica a partir do vento.

Um boletim da Câmara de Comercialização de Energia, divulgado hoje, registra que  capacidade instalada das usinas eólicas em operação no Brasil passou de 2.250 MW para 2.758 MW entre fevereiro e março de 2014 – um crescimento de 22,6% em apenas um mês.

Só em março, entraram em operação 21 parques eólicos.

Em um ano, o aumento  foi de 36% frente aos 2.027 MW instalados em março de 2013.

Nos próximos meses, este total subirá para perto 3.400 MW, equivalentes à usina de Belo Monte, no período de seca, ou a um terço dela, nas chuvas.

Em tese, porque a geração efetiva destas plantas é de um terço de sua capacidade total.

Como é, em taxas até menores, em toda a parte do mundo.

Porque isso é da natureza da geração eólica: é preciso instalar uma capacidade de 3 para ter certeza de gerar 1, pela razão óbvia de que o vento é variável.

Isso é ruim? Claro, embora a média brasileira supere a média mundial de aproveitamento, que é de 21%. Nos tr~es primeiros meses deste ano, a geração média correspondeu a 35% da capacidade instalada, o que nos  coloca em patamar superior ao de países com maior potencial de geração eólica. Em 2012, os valores médios verificados para a China, Estados Unidos e Espanha, por exemplo, foram 18%, 33% e 24%, respectivamente.

Isso desqualifica a energia eólica? Não.

Até porque as usinas eólicas funcionam melhor nos meses de de menos chuva, o que amplia sua capacidade de funcionar como c0mplemento à geração hidráulica.

Toda a capacidade de geração da Alemanha, por exemplo, que é o país apontado como modelo no uso de energia eólica, teria uma capacidade de geração menor que 10% do consumo brasileiro de energia.

Nossa capacidade de geração de energia de origem eólica vai triplicar até 2018.

Ela é importante, importantíssima.

Ainda assim, vai representar menos de 10% da geração hidráulica.

Quem disser que a energia eólica, no curto e médio prazo, pode resolver os problemas energéticos do Brasil está sonhando ou mentindo.