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PETRÓLEO – Excesso de oferta derruba preços.

Com excesso de oferta, petróleo cai a US$ 44 o barril, mínima em seis anos.

 

Data: 30 de janeiro de 2015

  O tombo do petróleo em janeiro foi forte, com o pessimismo do fim de 2014 se acentuando no primeiro mês do ano. Em Nova York, o WTI caiu 16% e, em Londres, o Brent perdeu 14%. Enquanto os principais produtores reafirmavam, em diversas ocasiões, que vão manter o ritmo de produção no ano, os estoques da commodity cresciam nos Estados Unidos. Analistas de bancos refizeram suas contas e passaram a prever preços bem mais baixos. Ontem, o WTI chegou a ser negociado abaixo de US$ 44 o barril, o que não acontecia desde 2009. No entanto, subiu 0,2% em relação ao dia anterior – quanto estava no menor nível em seis anos – e fechou em US$ 44,53 o barril. O Brent terminou o dia a US$ 49,53 o barril, alta de 1,4%. O J.P. Morgan, que estima um excedente de produção de 1,6 milhão de barris por dia no mercado, calcula que o preço médio do Brent pode chegar a US$38 por barril em março. O Bank of America Merrill Lynch prevê que, num cenário ruim, existe a possibilidade de um preço inferior a US$ 31 por barril ainda no primeiro trimestre deste ano. No relatório “The New Oil Ordem” (ou “A Nova Ordem do Petróleo”), que teve grande repercussão no mercado, o Goldman Sachs diz que a “busca por um novo equilíbrio” no mercado continua e que o crescimento da oferta ainda será maior do que o corte de produção. O banco estima um grande aumento dos estoques da commodity até o segundo trimestre deste ano, mas uma gradual diminuição depois. Para o preço, projeta uma média de US$ 47 para o barril do Brent no primeiro trimestre deste ano, US$ 42 no segundo, US$ 48 no terceiro e US$ 64,50 no quarto. O Commerzbank, na mesma linha, estima um preço médio de US$ 45 de janeiro a março e de US$ 75 de outubro a dezembro. As expectativas são de um primeiro trimestre sem recuperação da cotação, com demanda sazonalmente mais fraca e aumento da oferta. No entanto, como companhias do setor estão cortando investimentos em produção, o resultado das decisões atuais deve ser sentido no segundo semestre, levando a uma redução do excesso da oferta e dos estoques. Nos EUA, os estoques atingiram volume recorde de 406,7 milhões de barris na quarta-feira. Além do aumento da produção do petróleo, contribui para esse excesso o crescimento da exploração do óleo não convencional, o “shale oil”, ou xisto. Analistas afirmam, porém, que a queda do preço do petróleo já inviabiliza uma parte relevante da produção de xisto. Segundo o analista Virendra Chauhan, da consultoria Energy Aspects, com o WTI abaixo de US$ 60 o barril, três das seis mais importantes áreas de produção de xisto nos EUA ficam sem viabilidade econômica. Mesmo com a expectativa de cortes de produção, os bancos estimam que haverá excesso de oferta de petróleo no mercado neste ano e também em 2016. O Goldman prevê oferta equivalente a 36,7 milhões de barris diários da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) neste ano e mais 57,7 milhões dos demais países, totalizando 94,5 milhões de barris diários. Enquanto isso, a demanda está estimada para todo o ano de 2015 em 93,8 milhões de barris ao dia, uma diferença de 689 mil barris ao dia. No ano que vem, o excesso cai para 309 mil, segundo as contas do banco. Fonte: Valor Econômico


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PETROBRAS – Sair da crise com forças revitalizadas.

 

Sair da crise com forças revitalizadas

Haroldo Lima

Foi muito positivo a Petrobras ter encerrado o ano de 2014 com dois feitos retumbantes: no dia 16 de dezembro, na província do pré-sal, chegou a extrair 700 mil bep, um recorde e, cinco dias depois, em 21 de dezembro, outro recorde, o da produção diária de 2,3 milhões de bep. A grande estatal mostrava, pela ação de seus 80 mil petroleiros, que não se deixou alquebrar pela sanha das quadrilhas que a saqueavam.

O desmonte do esquema corrupto que operava na Petrobras deve ser completo, identificando responsáveis e punindo, de forma exemplar, os que agiam dentro da Petrobras e fora dela, nas 23 empresas apontadas como vinculadas ao esquema. Segundo um dos delatores, o esquema desbaratado funcionava há quinze anos, por isso que tem de ser vasculhado em profundidade.

No ambiente embaçado que nessas horas se forma, correntes procuram aproveitar a oportunidade para agitar bandeiras enfraquecedoras da Petrobras, como o fim da partilha da produção no pré-sal e, “se couber”, a própria privatização da companhia. São posições que nada têm a ver com a crise atual e tocam em pontos que devem permanecer inalterados na estatal.

Contudo, quadrilhas se estruturaram na Petrobras e seguramente criaram hábitos, costumes e conceitos a serviço do saque, que funcionaram, “dentro das normas”, anos a fio, sem despertar suspeita. É provável que tenha sido criada uma “legalidade da fraude”, nas entranhas da empresa. A governança revelou-se permeável à corrupção e por isso deve ser submetida à mais rigorosa devassa. A Petrobras, as estatais brasileiras e todo o esquema oficial que contrata o setor privado podem sair dessa crise devidamente revitalizados e mais preparados para cumprir suas atribuições. Os recordes apontados acima mostram que a Petrobras, livrando-se das quadrilhas de falsários, pode dar monumental volta por cima.

O processo de investigar crimes, punir culpados e impermeabilizar estruturas vulneráveis ao furto correspondem ao interesse nacional, pois que a Nação precisa de empresas fortes e saudáveis, públicas e privadas, para se desenvolver.

No momento, organismos jurídicos e políticos discutem procedimentos aplicáveis à situação. Dependendo do que for feito, resultados diferentes ocorreriam. Isto nos permite examinar cenários díspares que podem advir de caminhos legais em debate.

Um cenário é o das 23 grandes empresas brasileiras, citadas na fase investigatória, serem declaradas “inidôneas” e, por força de legislação existente, ficarem impossibilitadas de firmar contratos com o poder público. Aí, de uma só tacada, todas, ou quase todas as grandes empresas brasileiras de construção pesada ficariam fora das grandes obras a serem feitas no Brasil, praticamente todas contratadas pelo poder público. Em consequência, essas grandes obras brasileiras seriam “entregues” às empresas estrangeiras do ramo, enquanto as brasileiras, mesmo com o prestígio internacional que têm, caminhariam para o cadafalso. A desindustrialização precoce da economia brasileira cresceria e com ela sua desnacionalização.

Nesse cenário, a batalha contra a corrupção na Petrobras, mesmo que exitosa, teria dado um fruto desastroso – o fim da indústria nacional de construção pesada, ou sua transformação em um grupo de importância residual.

Apesar de frequentemente essas grandes empreiteiras abusarem do poder que têm no Brasil, sua liquidação seria um prejuízo para o país. Nisso ficamos de pleno acordo com a posição expressa da presidenta Dilma. Seria uma “ingênua” forma de combate à corrupção, que não levaria em conta as repercussões para a Nação. Veríamos, constrangidos, o entusiasmo das empresas estrangeiras assumindo sozinhas nossos maiores projetos. Passaríamos a impressão de termos concluído que, pelo menos na construção pesada, os empresários brasileiros são corruptos, e os estrangeiros, vestais impolutos.

O outro cenário partiria da convicção de que país algum se desenvolveu sem contar com indústrias nacionais sólidas e reafirmaria a disposição de não abrir mão do desenvolvimento como objetivo maior da nossa política. Repudiaria, como balela, a ideia de que a Petrobras foi envolvida em corrupção por ser estatal, como se, há pouco, fraudes monumentais não tivessem posto abaixo a gigante americana de energia, a Enron, que não era estatal, e que faliu em meio a escândalos, numerosos e graves, que levaram de roldão outras tantas companhias. Defenderia, finalmente, que a punição em pauta deve ser rigorosa com diretores e funcionários corruptos, da estatal e das empresas privadas onde agiam, mas não poderia sacrificar as forças produtivas empresariais, seu acúmulo, sua tecnologia e sua força de trabalho.

A devastação a que se chegaria no primeiro cenário, lembra-nos as palavras do oficial norte-americano William Haley, após a destruição da aldeia My Lai no Vietnam: “foi necessário destruí-la para salvá-la”. A situação a que se chegaria no segundo cenário recorda-nos o adágio chinês que diz ser “necessário tratar a doença para salvar o doente”.

O esquema corrupto que vai sendo desmascarado mostrou tentáculos, ainda a serem comprovados, com diretores de empresas, funcionários graduados, políticos. Delegados, promotores e juízes têm dado as cartas até aqui. Quando interesses nacionais começam a ser tocados, é hora de entrar em ação outras esferas de Poder, para encontrar as fórmulas que garantam que a impunidade não prevaleça, mas que tampouco os interesses nacionais sejam desrespeitados.

Haroldo Lima – é consultor na área de petróleo e foi diretor-geral da Agência


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PETROBRAS – Muitos oportunistas querem ganhar com a corrupção na Empresa.

Petrobras precisa de acionista que faça sua defesa.

Por Ana Paula Ragazzi

Atingida duramente por uma série de denúncias de corrupção, falta à Petrobras um acionista que a defenda. Dos Estados Unidos já surgiram investidores e até mesmo de uma cidade buscando a Justiça para serem ressarcidos pela empresa em razão dos prejuízos causados pelo esquema que teria beneficiado pessoas e partidos políticos. No Brasil, também já apareceram os primeiros movimentos de pequenos acionistas no mesmo caminho.
“Quem tem que ser ressarcida é a Petrobras. A empresa foi tão ‘ assaltada’ quanto seus acionistas minoritários”, afirma André Gordon, sócio da gestora GTI. “Os acionistas deveriam brigar na Justiça para que o dinheiro desviado volte para a empresa, pois se isso acontecer, eles também serão beneficiados”, afirma. A GTI deixou de ser acionista da Petrobras há alguns anos, mas agora, diante da queda dos preços, voltou a comprar.
A Associação de Investidores no Mercado de Capitais (Amec), voz dos acionistas minoritários institucionais, não se manifestou até o momento sobre a Petrobras. Mauro Cunha, presidente da Amec, é um dos conselheiros independentes da petroleira. Cunha não participa das discussões entre os associados da entidade sobre o assunto, apurou o Valor. A Amec poderá manifestar-se sobre o tema Petrobras no final deste mês, após sua reunião de conselho. Não será Cunha o porta-voz e tampouco a manifestação é dada como certa. A Amec se manifesta sobre questões de mercado, mas esse caso, entende, é de esfera criminal.
Isoladamente, os acionistas institucionais brasileiros, tais como gestores de fundos que costumam brigar pelas empresas, alguns deles chamados ‘ativistas’, não têm abraçado o tema e por algumas razões. Desde a megacapitalização da empresa, em 2010, os locais ficaram descontentes com os rumos da petroleira e muitos se desfizeram dos papéis. Passaram a pensar em Petrobras como um ‘short” (aposta na venda), diante dos problemas que enxergavam em sua estrutura de capital. Além disso, é difícil ser um acionista relevante da Petrobras, uma das maiores empresas do país, e grandes mudanças na empresa, como o êxito na eleição de conselheiros de administração independentes, só vieram com o apoio de investidores estrangeiros, com mais fôlego para compras. Os fundos passivos, que replicam os índices da bolsa, e estão com os grandes bancos, concentram boa parte das ações.
Uma outra razão é simplesmente o cansaço, resume Fabio Fuzetti, sócio do Antares Capital, que fez várias reclamações à CVM, que resultaram na abertura de processos, para investigar as refinarias e a política de preços da Petrobras, além de ter se colocado à disposição para colaborar com as investigações da SEC. Desesperançoso com a empresa, Fuzetti vendeu suas ações logo após as eleições, ano passado.
“Eu cansei. Não vejo resultado das queixas, nem depois de tantas evidências das irregularidades reveladas na companhia nos últimos anos”, diz. Para Fuzetti, os fundamentos da empresa foram “destruídos” e ele teme pelas dificuldades financeiras sem um balanço auditado. Ele acredita que o governo terá de capitalizar a Petrobras, o que deverá representar nova diluição para os acionistas minoritários. Mas não descarta voltar a apresentar questionamentos sobre o abuso de poder por parte da União, controladora da Petrobras.
O desânimo e o cansaço de muitos no mercado com o resultado das investigações é resumido pelo fato de a atual diretoria da empresa não ter sido afastada durante as investigações, medida que, acreditam, seria uma das primeiras, fosse a Petrobras uma empresa privada.
Gustavo Villela, sócio do Villela e Kraemer Advogados, iniciou uma ação contra a Petrobras e a União em nome de pequenos acionistas, diz que as pessoas que investiram na empresa querem o ressarcimento por se sentirem enganadas. “São pessoas comuns, que investiram economias e perderam seu dinheiro. Algumas aplicaram recursos do fundo de garantia”, diz. “Tudo o que se vê agora no noticiário causou a eles indignação com a empresa”.
Ele afirma que não citou pessoas na ação, como conselheiros ou diretores, o que poderia incluir até mesmo a presidente Dilma Rousseff, porque isso poderia atrasar o processo. A Petrobras tem se declarado como vítima e a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) deverá trabalhar avaliando possível abuso de poder de controle pela União e a falta do dever de lealdade e diligência dos administradores.
A visão de quem se sentiu enganado e não quer ser mais sócio da empresa é legítima, mas existem um questionamento possível sobre essas ações que buscam ressarcimento. A queda das ações da Petrobras não é explicada apenas pela corrupção. Houve a megacapitalização, a queda do preço do petróleo e principalmente a política de preços da estatal, influenciada pelo governo para conter a inflação – declarações recentes do ministro da Fazenda, Joaquim Levy, deram alguma esperança de que isso deixe de acontecer. Resta saber se os investidores voltarão a confiar na Petrobras.
Mas nenhum desses fatores conjunturais dá a oportunidade de os acionistas irem à Justiça contra a empresa buscando ressarcimento, medida que se torna possível por conta das denúncias de corrupção e da falta de controles internos na companhia. Além de todos os seus problemas, a empresa possivelmente terá de dispor de recursos para indenizar acionistas.
Nos Estados Unidos, a lei ampara esse tipo de iniciativa. Até o momento, oito escritórios de advocacia daquele país entraram com ações, que deverão ser unificadas. O prazo final para investidores aderirem à ação coletiva é 6 de fevereiro. A proliferação de escritórios declarando interesse no caso mostra que por lá esse existe uma certa indústria por trás dessas ações. Segundo um advogado, na maioria dos casos, a iniciativa do processo parte dos próprios escritórios, que buscam investidores para que possam entrar com as ações à espera das comissões.
A partir do primeiro escritório, a causa chama a atenção de outros, e o tema cresce. Por aqui, um gestor ouvido pelo Valor e que prefere não se identificar diz ter sido procurados por um advogado para encabeçar uma ação indenizatória contra a empresa. Ele recusou. “Esse dinheiro tem que voltar para a Petrobras”, diz.

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GÁS – Prioridade pelos projetos de gás natural.

 

Gás: fonte salvadora apenas no médio prazo

 

O pedido de alívio de carga que o Operador Nacional do Sistema Elétrico fez na segunda-feira, 19 de janeiro, as distribuidoras de 11 estados expôs novamente uma das fragilidades do setor, a alta dependência do regime hidrológico. Em momentos de crise hídrica, como a que o país atravessa, volta à tona um assunto que é fonte de debates há anos: o aumento da capacidade de geração térmica. No foco das atenções estão os projetos a gás natural, apontados como os melhores entre as fontes, mas que nos últimos anos têm encontrado dificuldades para disputar os certames promovidos pela Agência Nacional de Energia Elétrica. O problema não é apenas de regulação, mas de preço e de disponibilidade do insumo no país. No curto prazo a perspectiva é de manutenção do cenário atual com a escassez do combustível e poucos projetos viabilizados.

O governo já havia acusado esse golpe da natureza já no ano passado, tanto que no PDE 2023 há uma mudança de rumo no que diz respeito à contratação de térmicas. Do plano decenal anterior para o atual a expansão passou de 1,5 GW para 7,5 GW a ser contratada para os anos de 2019 a 2020. O destaque é para a que a prioridade se dê pelos projetos a gás natural, usados para efeitos de simulação e apresentação de resultados do plano ao CVU teto de R$ 250/MWh o mesmo do leilão A-5 de 2014.

Considerando as perdas, queimas, consumo próprio e reinjeções do gás natural, segundo o PDE, em 2020, a produção líquida potencial do insumo no Brasil é de pouco mais de 118 milhões de metros cúbicos diários e até o final do período do PDE está estimada em 134,31 milhões de metros cúbicos. Já no plano estratégico da Petrobras 2013 a 2030, apresentado pela companhia em 26 de fevereiro do ano passado, a oferta de gás natural em 2018 será de 146 milhões de metros cúbicos ao dia. Em 2020, esse volume poderá chegar a 157 milhões de metros cúbicos enquanto a média projetada para próxima década é de 168 milhões de metros cúbicos.

Enquanto isso, a produção nacional real do combustível registrado pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis está em um patamar menor. De acordo com os dados consolidados da agência, em novembro a produção ficou em 91,7 milhões de metros cúbicos ao dia. De qualquer forma, a produção vem aumentando em todos os meses na comparação com o mesmo período do ano anterior.

A oferta nacional de gás natural é dividida entre a produção doméstica, as importações da Bolívia e a regaseificação de GNL. Dessa divisão, o gasoduto Brasil-Bolívia está em seu limite operacional com 30 milhões de metros cúbicos ao dia, assim como a capacidade dos terminais de regaseificação que estão em 41 milhões de metros cúbicos. Por isso, o aumento da oferta virá por meio da produção em campos nacionais. A estatal estima que sua produção passará de 41 milhões de metros cúbicos no ano de 2013 para 86 milhões no ano de 2020. E a média na década seguinte é projetada em 97 milhões de metros cúbicos.

A diretora da Thymos Energia, Thaís Prandini, diz que todas as fontes térmicas apresentam as vantagens de gerar na hora em que se precisa o que agrega segurança ao sistema. Além disso, é justamente o gás natural que apresentaria as melhores condições de preços e de impactos ambientais.

Ela lembra que o governo tem essa percepção, tanto que houve uma grande comemoração diante do resultado do último A-5, quando o maior vencedor do certame foi o Grupo Bolognesi com suas duas térmicas a GNL. Mas, acrescentou que a obtenção do combustível é uma tarefa das mais árduas que se tem atualmente. “Hoje o que se tem de gás nacional é da Petrobras ou onshore, algumas empresas estão viabilizando projetos, mas não está fácil”, disse. 6

Em sua avaliação, uma importante parte do gás natural que o Brasil terá nos próximos anos vem mesmo da Petrobras e com destaque dos campos do pré-sal. É até possível que a derrubada dos preços do barril de petróleo neste ano atrase o andamento dos projetos da estatal. Isso porque essa retração pode impactar na economicidade dos investimentos. Além disso, lembrou há questões referentes à operação da Polícia Federal Lava Jato que imputam mais dúvidas sobre o atendimento do cronograma estimado pela empresa no ano passado.

Mas, essa mesma queda de preços do petróleo no mercado internacional que pode atrasar os aportes na exploração por aqui pode ajudar a amenizar o problema ao viabilizar a sua importação e atender a demanda específica de UTE. Ela cita o modelo de negócios similar ao que se verificou no último leilão A-5 de 2014, quando duas térmicas do Grupo Bolognesi saíram vencedoras no certame. E, no médio prazo, podemos ter um outro modelo viabilizado, mas esse ainda com alto grau de incerteza que é o da usina na boca do poço, assim como fez a Eneva no Maranhão.

Esse mesmo fenômeno deverá se repetir no país, mas isso, na melhor das hipóteses, no início da próxima década com as empresas que arremataram blocos de exploração de gás natural onshore no último leilão que a ANP promoveu no país, em 2013. Mas, em função do processo normal de prospecção e exploração de uma reserva de gás natural – e ainda a construção de uma térmica por meio do leilão A-5 – é possível de se ver usinas na modalidade ‘na boca do poço’ apenas de 2020 em diante, ou mais.

Na busca por suprimento próprio há empresas que entraram no segmento de exploração do insumo no último leilão da ANP, realizado em 2013 para campos terrestres. Na 12ª rodada de licitações, diretamente ligadas ao setor elétrico, além da Petrobras, apareceram a Copel e a GDF Suez, as duas últimas como participantes de consórcios. A companhia paranaense disse à época que a sua intenção também é a de produzir o insumo para a geração de energia. Para isso fundou uma subsidiária chamada de Paraná Gás.

De acordo com o novo presidente da elétrica estadual, Luiz Fernando Vianna, a empresa ainda não iniciou os estudos de potencial de gás convencional para a prospecção nas áreas de exploração da Bacia do Paraná. E não indicou em quanto tempo essa atividade deverá começar. Ele disse que a exploração de reservas próprias é uma alternativa sim para qualquer empreendedor que planeja investir em geração térmica no país, confirmando a impressão da diretora da Thymos. “Contudo, não temos subsídios para caracterizar esse movimento da Copel como uma tendência para outras empresas que queiram investir nessa modalidade de geração”, disse Vianna.

Na avaliação do especialista Adriano Pires, do Centro Brasileiro de Infraestrutura, o Brasil vive uma janela de oportunidade para inserir o gás natural na geração de base. “O Brasil precisa de gás”, definiu. Ele aponta que um dos fatores que impedia a participação do combustível na expansão da matriz elétrica nacional era o preço. Hoje, essa situação mudou, o que hoje impede a fonte é que não há o volume suficiente no país. Além disso, o gás que se importa atualmente é caro por se tratar de compras no mercado spot ao valor de US$ 16 por milhão de BTUs ao invés de se fechar contratos de longo prazo. Um outro fator é a regulação do setor. “Para o Brasil ter gás vai demorar. Hoje a Petrobras aplica um desconto que leva o preço do GN a um patamar entre US$ 7 a US$ 8 por milhão de BTUs, contudo com essa política não dá para planejar, como é desconto, você pode conceder como de uma hora para outra, tirar”, afirmou ele.

Com o atual preço do petróleo, no patamar de US$ 50 o barril, o gás vindo da Bolívia recua de preço entre 30% e 40%. Então, é natural que o preço do gás nacional também caia, assim como o do GNL que é importado. Com essa tendência de recuo nos preços do insumo, afirmou, é possível que se viabilize a importação do GN e com isso algumas térmicas que estão à espera do combustível possam sair do papel. “Se o governo for inteligente, colocará térmicas a gás na base e aí sim começamos a dar uma solução estrutural de energia elétrica no Brasil” acrescentou.

Em sua avaliação, estamos vendo que a crise atual do setor elétrico é decorrente de um gerenciamento malfeito. Entre os fatos ele aponta a demora para ligar as térmicas e quando o 7

governo decidiu não o fez para atuar na base. “Se tivesse sido assim, os reservatórios não estariam tão vazios quanto estão atualmente. Como o país adotou de vez a UHE a fio d´água não vejo alternativa a não ser com a térmica a gás que é a menos poluente. Temos ainda a nuclear, mas disso ninguém quer ouvir falar”, acrescentou.

Na contramão das opiniões, o presidente executivo da Associação Brasileira das Empresas Distribuidoras de Gás Canalizado, Augusto Salomon, se mostra otimista quanto ao futuro com o plano decenal. Para ele, o Brasil terá disponibilidade de gás natural crescente nos próximos anos, como pode ser verificado no PDE 2023. Porém, continua, o modelo de geração de energia elétrica atual requer flexibilidade no despacho termelétrico, necessitando de uma fonte flexível, o que não é compatível com o aumento de produção de gás natural. E aponta que ao se considerar a oferta inflexível e a demanda firme, haverá uma sobra de 30 milhões de metros cúbicos/dia do combustível em 2023.

“No cenário atual, em que as térmicas estão despachando 100% para recuperar os reservatórios hídricos, não há maiores consequências, porém se os reservatórios estiverem recuperados em dez anos e tivermos que reduzir o despacho termelétrico, o que faremos com os 30 milhões de m³/dia?”, questionou ele. Tanto para Salomon quanto para Adriano Pires, uma das formas de se ter viabilizada a entrada do gás natural na matriz elétrica nacional é na cogeração na Geração Distribuída.

O presidente da Abegás lembra que enquanto a eficiência de uma térmica é de aproximadamente 60%, a eficiência da cogeração pode chegar a 95%. Por isso é necessário que se incentive soluções mais inteligentes para o uso do combustível. E há outras vantagens, com a possibilidade de injetar parte da energia gerada na cogeração para o sistema. “Desenvolvendo a cogeração, teríamos como contra partida o crescimento da demanda firme, onde poderíamos alocar o aumento da produção de gás natural”, sugeriu Salomon.

Mas, para desenvolver a geração a gás natural é necessário promover algumas medidas, tais como aumentar a geração de energia elétrica na base, seja via Geração Distribuída ou por termelétrica e reduzir o VR (Valor de Referência) para permitir a entrada destes projetos nos próximos leilões. E ressaltou ainda que, se o governo quer ter térmicas na matriz de geração, precisa entender as necessidades do setor de gás, não somente do setor elétrico.

Enquanto essas questões não forem resolvidas, o país terá que conviver com a existência de diversos projetos autorizados mas que permanecem à espera do combustível. Entre essas empresas estão grandes geradoras como a AES Brasil, que possui duas térmicas no estado de São Paulo com cerca de 500 MW de capacidade instalada cada uma. Nesse caso, o investimento estimado seria de R$ 2 bilhões. Outra empresa é a EDP que também possui licença para a instalação de uma térmica de 500 MW no município de Resende (RJ). O CEO da empresa no Brasil, Miguel Setas, disse no ano passado que é necessário que se tenha um gás natural mais competitivo para que essas usinas saiam do papel e possam contribuir com o sistema elétrico nacional.

Essa posição vai ao encontro do que disse o advogado especialista no setor elétrico José Roberto Oliva Júnior, do escritório Pinheiro Neto. Ele afirma que não adianta realizarmos os ajustes regulatórios necessários se o gás natural não se mostrar economicamente viável, bem como não termos preços teto em leilões de energia que viabilizem a maior inserção das UTEs na matriz elétrica nacional.

Para Oliva Júnior, hoje há poucas empresas atuando na produção de gás natural e que por consequência a Petrobras concentra cerca de 80% de todo o mercado. Outro fato que favorece esse cenário é que a maioria do gás nacional está associado ao petróleo em campos marítimos. O que dificulta ainda mais novos entrantes haja vista a instabilidade regulatória que se viu nos últimos anos no Brasil e a não linearidade na realização de leilões para novos campos exploratórios.

Segundo ele, a nova lei do gás ainda está em maturação e vem sendo discutida desde que foi sancionada em março de 2009. Nessas discussões, lembrou, estão as possibilidades de 8

compartilhamento de infraestrutura. O tema estará na pauta ao longo deste ano e vai melhorar a harmonização entre as competências estaduais e federais. E com o passar do tempo os investidores terão uma menor percepção do risco de investimento por aqui.

Até porque esse considera que a regra para a participação de projetos térmicos da Aneel é adequada. Em sua avaliação, as condições são rígidas, mas necessárias para que se tenha a garantia de que o processo de implantação e geração de uma central térmica seja cumprido. Por essa razão, apesar de indicar que ainda há a instabilidade regulatória, o maior problema que o país tem nesse campo é realmente a disponibilidade do insumo.

Fonte: Agência CanalEnergia


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ENERGIA EÓLICA – A revolução silenciosa.

 

Energia eólica: Brasil vive revolução silenciosa

 

Em meio a críticas e previsões da oposição e da imprensa de que o País está à beira de um racionamento, por falta de energia, uma revolução silenciosa acontece em estados como Rio Grande do Norte, Bahia, Ceará, Rio Grande do Sul e Piauí; é o avanço da energia eólica, que traz junto com ela uma forte geração de empregos, aumento da arrecadação e capacidade eólica instalada de cerca de 15 GW até 2018, mais que Itaipu ou Belo Monte; essa fonte abastece hoje cerca de 12 milhões de pessoas – o equivalente à cidade de São Paulo; até o final desse ano, o Brasil estará entre os dez maiores geradores de energia eólica no mundo; dados, pouco ou nada divulgados na mídia, descartam especulação sobre racionamento

As previsões de racionamento de energia no Brasil, intensificadas na mídia recentemente devido ao apagão ocorrido em dez estados e no Distrito Federal na semana passada, vêm acompanhadas, desde 2012, do argumento de falta de chuvas no Sudeste. Ignoram, porém, dados importantes sobre uma verdadeira revolução silenciosa que vem acontecendo, há vários anos, nas regiões Sul e Nordeste do País.

A evolução da energia eólica, produzida em maior parte nos estados do Rio Grande do Norte, Bahia, Ceará, Rio Grande do Sul e Piauí, traz números impressionantes, capazes de descartar especulações sobre racionamento por falta de energia no Brasil. O ano de 2014 foi concluído com cerca de 5 GW instalados no País, que chegará em 2018 com, no mínimo, 15 GW já oficialmente autorizados, mais que as usinas de Itaipu ou Belo Monte.

Existem ainda novas usinas eólicas sendo frequentemente liberadas para operação comercial em dezenas de municípios, como mostra o site Energia Mapeada, que compila dados oficiais da Aneel sobre energia limpa. “Até o fim de 2015, o Brasil já estará entre os dez maiores geradores de energia eólica no mundo”, afirma o engenheiro eletricista Alarico Neves Filho, responsável pela página.

Atualmente dependente das chuvas para gerar 70% da energia elétrica, o Brasil tem potencial eólico capaz de abastecer quase três vezes a sua demanda, segundo estimativas mais recentes do setor. Além de ser hoje a fonte de expansão mais barata, a energia produzida através da força dos ventos é também a mais ecologicamente correta.

Viabilidade

Pesquisada há mais de 50 anos, a energia eólica economicamente viável tem pouco mais de 20 anos. Os países precursores dessa tecnologia ficam na Europa: Dinamarca e Alemanha. Recente no Brasil, ela vem contribuindo significativamente para o desenvolvimento do País, abastecendo hoje cerca de quatro milhões de casas, ou 12 milhões de pessoas – o equivalente à cidade de São Paulo – segundo dados da Associação Brasileira de Energia Eólica.

Presente no Senado em um debate sobre o assunto, a presidente da entidade, Élbia Melo, defendeu que o Brasil precisa superar uma “visão turva” sobre essa fonte de energia, que a coloca em desconfiança sob o argumento de que esse recurso seria “sazonal e intermitente”. Ela destacou que toda fonte que vem da natureza é, por definição, sazonal e intermitente, mas que é possível conter riscos no caso da eólica por meio do aumento da quantidade de geradores montados.

Foram contratados desde 2009, a partir do primeiro leilão competitivo com participação eólica, mais de 12 GW de capacidade eólica instalada, o que representa cerca de 10% de toda a matriz energética brasileira, incluindo as fontes nuclear, hidrelétrica, carvão, biomassa e outras. A energia eólica hoje instalada representa cerca de 4% do total de energia para o sistema e deve crescer fortemente nos próximos anos, podendo chegar a 10% em 2018.

Fonte: Brasil 247

 


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Petrobras – Que a urubóloga não leia isso.

“PETROBRAS TEM FUTURO INTERESSANTE NA BOLSA”



“PETROBRAS TEM FUTURO INTERESSANTE NA BOLSA”

“A análise é da corretora ‘Coinvalores’, que leva em consideração que as cotações do barril de petróleo irão manter a exploração comercial do pré-sal viável; que nem a estatal e tampouco o Brasil deixarão de ser grau de investimento; e que a diretoria de governança, risco e conformidade da estatal irá desempenhar papel importante. Segundo a corretora, tanto a Petrobras como o setor de petróleo terão futuro interessante,

Por Arthur Ordones

SÃO PAULO – Apesar de toda a volatilidade e da forte queda recente, por conta dos escândalos de corrupção com que envolvem a Petrobras (PETR4), de acordo com a “Coinvalores”, se assumirmos que as cotações do barril de petróleo irão manter a exploração comercial do pré-sal viável; que nem a estatal e tampouco o Brasil deixarão de ser grau de investimento; e que a diretoria de governança, risco e conformidade irá desempenhar papel importante; tanto a Petrobras, como o setor de petróleo terão futuro interessante.

O setor de petróleo vive mais um momento histórico e, desta vez, a queda de preços é notícia. Mesmo com a situação não sendo das melhores no oriente médio e norte da África, em 2014 ficou bem claro que estamos diante de um movimento de queda estrutural dos preços de petróleo. Não por conta de uma tendência de paz mundial, mas por condições estruturais de oferta e demanda. Não custa lembrar, que, após o segundo choque do petróleo de 1979, o preço médio do barril “explodiu” chegando a US$ 40, e atualmente as cotações entre de US$ 70 e US$ 80 têm preocupado.

É notório que a comparação acima foi meramente ilustrativa, sobretudo porque se tratam de momentos históricos distintos. Também é verdade que ao longo do tempo a tecnologia avançou, novos produtores surgiram e novas reservas foram descobertas, o Brasil que o diga. A questão é que daqui para a frente, o fator “geopolítico” na precificação do ouro negro deve ser cada vez menor. Nesse sentido, destaca-se a produção dos EUA, que associada a outros fatores modificaram dramaticamente o cenário de precificação do petróleo.

O “turn point” da produção norte-americana originou-se há pouco mais de uma década atrás, quando algumas empresas desenvolveram sistemas de exploração combinando perfuração horizontal com a tecnologia do fraturamento hidráulico. Entre 2008 e 2012, a produção de “shale gas” cresceu mais de 10 vezes, enquanto que, no caso do petróleo, a produção de fontes não-convencionais aumentou quase quatro vezes entre 2008 e 2013, segundo relatório da Associação Nacional do Petróleo (ANP).

Assim, daqui por diante, a corretora espera continuidade de crescimento da produção dos EUA, alguma resistência por parte dos países pertencentes à OPEP, que de forma alguma querem perder mercado para os norte-americanos, ao menos no curto prazo, refletindo-se em continuidade de pressão nas cotações.

A questão em voga é interpretar as consequências da decisão tomada pela OPEP de não diminuir a oferta de petróleo. Países como Venezuela, Irã, Rússia e Líbia, por exemplo, são economias em que as receitas do petróleo são parte importante do orçamento público. Caso o patamar de preços continue muito baixo, pode haver maior pressão por parte desses países para que os outros países produtores decidam pela redução da oferta. Resta saber se até o meio deste 2015 (quando haverá o próximo encontro da OPEP) os EUA continuarão aumentando sua produção. Se continuarem na mesma toada, serão os novos “agentes estabilizadores”; caso contrário, poderemos observar alguma recuperação de preços, tanto por conta de menor avanço produtivo nos EUA como por “pressões de orçamento público” de países da OPEP.

Assim, no curto/médio prazo, a pressão sob as cotações permanece e, no longo prazo, o dilema “share” no mercado de petróleo versus saúde econômica dos países da OPEP pode determinar um cenário de sustentação de preços num patamar um pouco maior. Estimativas da “U.S. Energy Information Administration” (EIA) indicam que os preços ficarão em torno de US$ 70/barril ao longo de 2015.

Nesse contexto, a Petrobras se beneficia no curto prazo, incorrendo em menores custos de importação de derivados (segmento de abastecimento que tem sido o “tendão de Aquiles” da companhia há um bom tempo), mas pode ver-se numa situação complicada (de redução de investimentos e até inviabilidade da exploração do pré-sal) no longo prazo, caso as cotações atinjam patamares muito mais baixos. Não é o caso. O “número mágico” da Petrobras gira em torno de US$ 50/ barril [A Petrobras já informou valores menores]. Cotações acima desse valor mantêm a viabilidade da exploração do pré-sal.

A “Coinvalores” lembrou ainda que o plano de investimentos da companhia para os próximos 5 anos é de US$ 220,6 bilhões, sendo que cerca de 70% desse montante destina-se somente à exploração e produção. Além desse “detalhe”, alguns outros problemas se colocam, a saber: Divulgação do balanço auditado; Risco de perda do grau de investimento; Atualização / Diminuição do plano de investimentos ao longo dos próximos anos. Até o desfecho dessas situações, a companhia deverá sofrer em bolsa, sobretudo pela desconfiança desencadeada pelos “escândalos de corrupção” [envolvendo seus fornecedores e ex-diretores. Muito amplificado pela mídia e oposição, que defendem interesses de petrolíferas estrangeiras, especialmente dos EUA]. Enquanto isso, o setor continua sendo destino da maior parte dos investimentos previstos para 2015. Segundo expectativas do BNDES, no horizonte 2015-2018 deve haver investimentos da ordem de R$ 509 bilhões, crescimento de 42,1% frente ao realizado entre 2010 e 2013.”

FONTE: escrito por Arthur Ordones no “Infomoney”. Transcrito no jornal digital “Brasil 247”    (http://www.brasil247.com/pt/247/economia/167485/%E2%80%98Petrobras-tem-futuro-interessante-na-Bolsa%E2%80%99.htm).[Trechos entre colchetes acrescentados por este blog ‘democracia&política’]


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PETROBRAS – Não confunda alhos com bugalhos.

Não confunda alhos com bugalhos

Diretoria da AEPET responde aos críticos do regime de partilha da exploração do pré-sal

 

Em relação à Petrobrás e a correlação oportunista e descabida entre as revelações da operação Lava Jato e o regime de partilha da exploração do pré-sal, com garantia de participação mínima de 30% e operação única pela estatal. Esse artigo é um contraponto aos repetitivos editoriais, artigos de opinião e de “notícias”, melhor definidas como propagandas, que têm sido divulgadas pelos meios empresariais de comunicação no Brasil. Em especial, um esclarecimento ao senhor Sacha Calmon que assina o artigo “Quem tudo quer, tudo perde” no caderno de opinião do Jornal o Estado de Minas em 18/01/15 [1].

 

Pode-se criticar a mídia empresarial e seus porta-vozes com diversos argumentos, mas esse pequeno grupo de brasileiros não pode ser chamado de incoerente. Têm sido historicamente coerentes contra a Petrobrás, mesmo antes da sua criação, fruto de uma das maiores mobilizações populares da história da república, a campanha “O Petróleo é Nosso”. Sempre promovendo a propaganda de que primeiro, não haveria petróleo no Brasil, e depois de que não seriamos capazes técnica, econômica e financeiramente de produzi-lo com recursos brasileiros. Mais de 60 anos após a criação da Petrobrás e mesmo com seu pleno sucesso em abastecer e desenvolver o mercado brasileiro, eles ainda mantêm o oportunismo e o histórico viés entreguista ocupando os meios privados de comunicação. Desde a linha editorial do Estado de S. Paulo na época da criação da Petrobrás[2] ao artigo a que já fiz referência, as argumentações podem ser entendidas como resultado do interesse material, do sentimento antinacional ou, na melhor das hipóteses, da ignorância de uma elite que insiste em manter características coloniais sob o velho eufemismo da “defesa da modernidade”.

 

Existem diversos modelos de regulação da atividade petroleira, foram e são utilizados em diferentes países, atendendo a vários interesses que disputam no interior dos estados nacionais, e na geopolítica internacional, a sua hegemonia ante os demais.

 

O modelo do monopólio estatal exercido pela Petrobrás desde sua criação foi um absoluto sucesso até 1997 (quando, através da lei 9.478/97, foi regulamentada a quebra do monopólio, aprovada pelo Congresso em 1995). O desenvolvimento das forças produtivas da indústria, liderado pela Petrobrás, e o desenvolvimento de tecnologias de ponta, reconhecidas internacionalmente, na produção de petróleo em águas profundas, além do domínio das principais tecnologias de refino são provas indeléveis do sucesso do modelo. Com o monopólio o país descobriu e desenvolveu uma nova fronteira exploratória em termos mundiais, o petróleo sob águas profundas. Também implantou todo o parque de refino e petroquímico responsável pela industrialização nacional.

 

Em 1995, o governo FHC, em polêmica medida alvo de julgamento controverso no Supremo Tribunal Federal quebrou o monopólio constitucional da União exercido pela Petrobrás. Desde então a Petrobrás passou a disputar ou se associar a outras companhias nacionais e internacionais para garantir o acesso a novas reservas de petróleo. Ainda nesse modelo, a Petrobrás investiu e assumiu o risco de procurar petróleo em nova fronteira exploratória, a camada do pré-sal. Mais uma vez teve sucesso e liderou a indústria internacional no desenvolvimento de campos nunca alcançados. O sucesso no pré-sal deve ser entendido como o sucesso do desenvolvimento tecnológico obtido durante os 42 anos do monopólio estatal sem o qual não haveria sido possível edificar o conhecimento hoje a serviço da companhia.

 

Com tamanha descoberta responsável pelo aumento ainda não plenamente quantificado mas estimado em mais de 5 vezes da reserva nacional de petróleo, e conhecido o seu baixo risco exploratório, o governo Lula decidiu reavaliar o marco regulatório da exploração petrolífera.

 

Foi adotado para o pré-sal o regime de partilha no qual a União possui maior participação na propriedade do petróleo produzido. Foi garantida participação mínima de 30% e a operação única para a Petrobrás, principal responsável pela descoberta da riqueza em disputa. Sem dúvida um avanço em relação ao regime anterior, o das concessões, mas ainda aquém do bem sucedido monopólio exercido durante 42 anos pela Petrobrás. O juízo de valor, na comparação entre os diferentes modelos, expresso nesse artigo diz respeito ao interesse popular, da maioria da população, dos chamados 99% em contradição com o dos 1% que no Brasil e no mundo concentram cada vez mais poder econômico e político.

 

A sabedoria dos portugueses é realmente exemplar e suficiente para nos dispor de muitos ditados entre os quais pode-se escolher aqueles de nosso interesse particular e apresentar ao conjunto da sociedade como de interesse geral. Foi isso o que fez, de forma consciente ou não, o senhor Sacha Calmon e não cabe aos portugueses nenhuma responsabilidade. Escolho o ditado “Não confunda alhos com bugalhos” mas aqui apresento os argumentos que sustentam o interesse da maioria dos brasileiros e não escondo que são contraditórios ao interesse de uma minoria que sempre se compôs com a exploração de nossas riquezas, em benefício do império e dos centros do capitalismo, desde a colônia à república.

 

Não conheço nenhuma criança que confunda o céu e o mar. Da mesma forma que não vejo sentido na identificação “disfuncional” ao regime de partilha que é utilizado amplamente em diversos países do mundo. A descoberta do pré-sal não pode ser creditada a terceiros pois foi feita pela Petrobrás, com tecnologia e recursos próprios e assumindo todos os riscos da empreitada em fronteira antes inexplorada mundialmente. Com a descoberta do pré-sal, pela Petrobrás, estima-se que as reservas brasileiras se multiplicaram por cinco. Para garantir o atendimento ao nosso mercado não são necessários novos leilões em benefício de empresas multinacionais.

 

Em qualquer corporação de natureza privada, os acionistas têm apenas dois objetivos, obtenção de dividendos ou crescimento refletido no valor patrimonial das ações. A Petrobrás é uma empresa estatal e tem outros objetivos, de caráter social, como a garantia de abastecimento do mercado nacional, o controle de preços evitando volatilidade internacional no mercado interno, e o desenvolvimento de fornecedores, de tecnologia e do emprego qualificado no Brasil. O colunista do Estado de Minas lista defeitos na gestão em prol do interesse dos acionistas, não necessariamente no atendimento ao interesse social, da maioria dos brasileiros, do qual também existiram falhas nos governos Lula-Dilma. Entre as graves falhas, a fragilidade da Petrobrás na relação com fornecedores de bens e serviços, empresários cartelizados que fraudaram a Petrobrás como tem sido revelado pela Operação Lava Jato.

 

A estratégia e o planejamento energético de um país soberano devem ter como objetivo primordial o atendimento as necessidades nacionais. O número de poços perfurados por ano não é um bom indicador da qualidade do planejamento energético. A relação entre a reserva e a produção é um indicador muito mais adequado e neste aspecto o Brasil avançou muito com a descoberta, pela Petrobrás, do pré-sal. A alta produtividade dos poços do pré-sal, operados pela Petrobrás, demonstram que o domínio tecnológico alcançado pelo Brasil permite que com menor número de poços, e de investimentos, se possa produzir mais em termos proporcionais. Neste aspecto, o melhor indicador seria produção por poço e não número de poços perfurados por ano.

 

A Petrobrás, em seu mais recente planejamento estratégico e de negócios, priorizou os investimentos na Produção em comparação com os investimentos relativos em Exploração (procura de petróleo), ao Abastecimento (refino) e outros. A decisão visa atender um ambicioso programa de investimento com o objetivo de acelerar a curva de produção e a geração de excedente para exportação até 2020. A decisão é questionável mas não sob os aspectos do interesse das multinacionais prestadoras de serviços instaladas no Brasil. É necessário revisar o plano no sentido de atender o interesse e as necessidades da maioria dos brasileiros no curto, médio e longo prazos. O que atualmente caracteriza os preços do petróleo no mercado internacional é sua oscilação e não os seus preços altos ou baixos. O custo de produção tem aumentado enquanto a capacidade da economia mundial em arcar com eles não é ilimitada, este é o fato novo, a questão do nosso tempo.

 

Todos os gestores responsáveis por atos lesivos à Petrobrás, em benefício de empresários corruptores, organizados em cartel, para obter contratos super lucrativos, devem responder à lei. Que sejam julgados e, se comprovados os delitos, punidos os corruptos e corruptores. Que os recursos desviados sejam ressarcidos à Petrobrás. O oportunismo de reclamar por novos leilões ou pela mudança do regime de exploração do pré-sal não se justifica, é confundir alhos com bugalhos.

 

A Petrobrás é a maior produtora mundial de petróleo entre as companhias com ações negociadas em bolsa de valores, tendo recentemente ultrapassado a ExxonMobil. O endividamento da companhia corresponde ao maior potencial exploratório descoberto no mundo recentemente. A aceleração acentuada da curva de produção, com o objetivo de exportação, deve ser questionada mas as perspectivas da Petrobrás são melhores do que todas as demais companhias de capital aberto. O endividamento e o desinvestimento são a realidade da indústria internacional do petróleo, a Petrobrás reúne melhores condições graças a qualidade do seu corpo técnico e ao potencial natural brasileiro. Patrimonialismo é subjugar a Petrobrás ao interesse de curto prazo de alguns acionistas, empresários cartelizados, multinacionais do petróleo ou ao sistema financeiro. Defender a Petrobrás e coloca-la a serviço da maioria dos brasileiros. Corruptos, corruptores e entreguistas não passarão!

 

[1] http://www.em.com.br/app/noticia/politica/2015/01/18/interna_politica,609169/quem-tudo-quer-tudo-perde.shtml

[2] A criação da Petrobras nas páginas dos jornais O Estado de S. Paulo e Diário de Notícias, dissertação de Celso Carvalho Jr http://memoria.petrobras.com.br/artigos-e-publicacoes/a-criaao-da-petrobras-nas-paginas-dos-jornais#.VMZkCmA5BlY