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NOVO HUB DE GÁS NATURAL.

INTERNACIONAL

Portugal e Espanha vão ter hub de Gás Natural entre setembro e outubro

 

Portugal e Espanha vão ter em funcionamento uma bolsa de gás natural, um ‘hub’, entre setembro e outubro, permitindo aos operadores dos dois países fazerem trocas, anunciou hoje o secretário de Estado da Energia português.

“Até ao final do mês de julho vamos publicar uma lei para permitir aos operadores porem em funcionamento um ‘hub’ de gás e em setembro ou outubro vamos ter em funcionamento trocas de gás”, anunciou hoje Artur Trindade, no decorrer da I Jornada Ibérica do Mercado da Energia, a decorrer em Madrid.

Artur Trindade acrescentou que “falta fazer muito pouco da parte portuguesa”.

“O objetivo desse ‘hub’ de gás, dessa bolsa, é estimular a concorrência, estimular os preços e, assim, beneficiar quem está no mercado de gás”, declarou.

O secretário de Estado reconheceu que nem tudo vai correr bem à primeira, mas afirmou que é necessário começar a trabalhar e corrigir erros à medida que se avança.

“Não há muitos ‘hubs’ de gás a funcionar bem na Europa, portanto, reconheço que nem tudo vai estar a correr bem logo no início. Mas temos de correr os nossos riscos e começar a trabalhar. Não tenho problemas em dizer que vamos acompanhar, monitorizar e mudar o que for preciso”, salientou.

Por outro lado, Artur Trindade adiantou que é um objetivo prioritário assinar um tratado sobre o mercado ibérico do gás, o MIBGAS.

“Já existe troca de correspondência entre os dois governos (Portugal e Espanha) e existe um texto. Estamos nos detalhes jurídicos e técnicos desse texto e a nossa intenção é poder assiná-lo em setembro”, revelou.

O governante declarou que um Tratado sobre essa matéria constitui um “edifício jurídico mais estável, previsível e mais forte”.

“Poderíamos fazer tudo sem um tratado, mas os operadores precisam de estabilidade e um tratado tem uma forca jurídica superior. É um compromisso de longo curso que fortalece as relações jurídicas”, vincou.

O secretário de Estado também reafirmou que Portugal e Espanha estão alinhados na necessidade de a Europa aumentar e financiar as interligações energéticas entre a Espanha e a França, para que a Península deixe de ser uma ilha energética.

“Temos de aumentar entre França e Espanha e, no debate europeu, Portugal e Espanha dizem ambos que é preciso. Para a procura atual não preciso de mais interconexões entre Portugal e Espanha”, disse.

A ideia é utilizar os terminais LNG (Gás Liquefeito) da Península Iberica para fornecer os países do Centro da Europa ou, pelo menos, dar segurança de abastecimento aos consumidores dessa região europeia.

Fonte: Notícias ao Minuto

 


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A ERA DO GÁS.

 

 

A Era do Gás

 

Utilizado como fonte de energia desde a Revolução Industrial, o gás vem redesenhando seu papel na matriz energética mundial. Este recurso único deixa de ser um combustível regional – e, muitas vezes, marginal – para se tornar um dos focos da discussão sobre oferta e demanda de energia em nível global. Quando se fala de geração de energia, eficiência e impacto ambiental há dois elementos fundamentais a observar. Com conteúdo total de carbono extremamente inferior ao diesel e ainda menor do que o carvão, o gás se posiciona como um rival importante destas que são as mais tradicionais fontes de energia termoelétrica.

Sua estabilidade, quando contraposta à natureza intermitente de fontes limpas, como a eólica, a solar e a extraída do tratamento de resíduos sólidos, faz com que o gás natural ofereça as sinergias necessárias para que seja um complemento seguro e estável na composição de uma matriz energética competitiva. Assim, o gás natural tem potencial para capturar uma fatia significativa da demanda mundial de energia. Hoje, é a terceira fonte mais utilizada, respondendo por 22% do consumo global, com expansão estimada para até 28% em 2025. “A principal vantagem do gás como fonte complementar é a estabilidade que traz para a matriz energética”, diz Viveka Kaitila, líder da divisão de crescimento global da GE na América Latina. “Mesmo que a capacidade de geração de outras fontes intermitentes como a hidráulica ou eólica varie, a parcela relativa ao gás fica garantida.”

As mudanças ocorridas no perfil de demanda e oferta de eletricidade exigem um novo modelo para o setor, onde a termoeletricidade irá desempenhar um papel cada vez mais importante na geração de base. Segundo o Boletim Mensal de Acompanhamento da Indústria de Gás Natural, publicado pelo Ministério de Minas e Energia, o consumo de gás no Brasil cresceu a uma taxa média de 15% ao ano, acompanhado pelo crescimento tanto das importações quanto da produção nacional, de forma que, em 2014, o gás natural já representava cerca de 12% da matriz energética brasileira.

A Associação Brasileira das Empresas Distribuidoras de Gás Canalizado (Abegás) fez um levantamento que demonstra um crescimento de 9,3% no consumo de gás natural em 2014. A Região Sudeste concentra o maior volume de consumo, com média diária de 48,5 milhões de metros cúbicos. Em seguida vem o Nordeste, com 15,5 milhões de metros cúbicos. E, por fim, as regiões Sul, Norte e Centro-Oeste, com 5,8 milhões, 3,5 milhões e 2,4 milhões, respectivamente.

ENERGIA EM TODO LUGAR

Essa aceleração se deve, em parte, à expansão e à diversificação da infraestrutura que conecta a oferta à demanda. O crescimento das redes de distribuição e a descoberta de novas opções, como o gás shale, combinados à inovação tecnológica, contribuem para criar um sistema energético mais flexível, seguro e robusto.

Há basicamente três maneiras de conectar as plantas de gás aos usuários finais. Os gasodutos são a mais tradicional delas, e entregam 89% do gás consumido no Brasil. Estendendo-se por mais de 9 mil quilômetros, a malha de dutos do país é composta por 16 sistemas e 100% gerida pela Petrobras. O segundo meio é o transporte marítimo, viabilizado pela conversão em grande escala de gás em gás natural liquefeito (LNG). São utilizadas embarcações especificamente projetadas para este fim, que respondem por cerca de 10% do fluxo de gás. A expectativa é que, até o fim desta década, o comércio internacional de LNG cresça aproximadamente 70%.

Por fim, 1% do gás produzido globalmente é escoado pelos chamados dutos virtuais. Comprimido (CNG) ou liquefeito (LNG) em pequenas plantas, é transportado por caminhões, trens ou pequenas embarcações. Os dutos virtuais são uma solução interessante para levar energia aos pontos mais remotos e a regiões de difícil acesso, como a Amazônia, por exemplo. 6

FONTE QUENTE

Complemento vital das fontes renováveis para construir uma matriz energética mais limpa e competitiva, o gás natural é de duas a seis vezes mais abundante que o petróleo, tem apenas 0,1% do conteúdo total de carbono do diesel e ainda menos do que o carvão. Terceira fonte de energia mais utilizada do mundo, responde por 23% do uso global.

FLEXIBILIZAR PARA EXPANDIR

Para que possa alcançar seu pleno potencial, é preciso que as tecnologias de suporte a uma extração segura, eficiente e confiável sejam implementadas. Uma das principais características das redes de distribuição de gás é que seu valor aumenta de acordo com o tamanho e com a quantidade de empresas e entidades que as compõem. Essa diversidade facilita a implementação de redes adjacentes e estimulam o surgimento de novas oportunidades de criação de valor, à medida que novas interligações vão sendo estabelecidas. Estados Unidos, Canadá e Alemanha expandiram suas redes adutoras a partir do momento que adotaram regulamentações únicas, que garantiram o livre comércio de gás. Não existe mercado de gás desenvolvido no mundo sem esse modelo, que possibilita investimentos e a maior participação de diferentes empresas.

Essa flexibilização fez com que esses países, que antes tinham apenas gasodutos do governo, hoje tenham todo o seu território coberto por essas linhas. Com mais de 210 sistemas de duros, os Estados Unidos contabilizam mais de 490 mil quilômetros de linhas. Altamente integrado, o gride de transmissão e distribuição permite que o gás seja transportado a praticamente qualquer ponto dos 48 estados que fazem parte da porção continental do país. O Canadá tem mais de 68 mil quilômetros de gasodutos.

Na Alemanha, a participação do gás natural na matriz energética passou de 9% em 1973 para 22% em 2010, sendo que 31% do consumo total é de uso residencial. Dividido em três níveis (produção, comércio e transporte e armazenamento), o mercado alemão tem mais de 700 instituições operando o seu gride. O crescimento e adensamento dessas redes as tornam mais robustas, menos sujeitas a volatilidades extremas de preço e mais resilientes às rupturas.

Cientes de que a infraestrutura representa o maior desafio dos países da América Latina e do Caribe quando se trata de implantar uma política energética competitiva, líderes como os presidentes Barack Obama, dos EUA, Dilma Rousseff, do Brasil, Enrique Pena Nieto, do México, e Juan Carlos Varela, do Panamá, dedicaram especial atenção ao tema, durante o VII Summit of the Américas, realizado no fim de abril, no Panamá. Em painel que contou também com a participação de empresários desses países, foram discutidas questões como o papel das fontes de energia para a competitividade, a importância da interconectividade e a urgência de um trabalho conjunto. Na ocasião, o presidente Barack Obama anunciou que havia solicitado ao Congresso americano US$ 1 bilhão em recursos para apoiar os desafios da América Central.

Reduzir os custos de energia por meio da interligação dos mercados de eletricidade da região é uma boa maneira de endereçar necessidades como o crescimento da geração, distribuída na matriz energética, de 47GW por ano em 2000 para 142GW por ano em 2012 – e que deve chegar a 200GW por ano em 2020, avançando 40% mais rápido do que o consumo globaJ de eletricidade. A disponibilidade abundante de gás natural, fator-chave na competitividade industrial renovada dos Estados Unidos, também beneficia países como Argentina, Brasil e México, que têm potencial geológico para trilhar o mesmo caminho. Além de ser economicamente interessante, o gás natural também pode se tornar um aliado de peso na luta pela redução de emissões de carbono na atmosfera: ele tem apenas 0,1% do conteúdo total de carbono do diesel para uma produção de energia equivalente.

Com a demanda de energia elétrica na região crescendo a 3,3% ao ano, em média, os desafios de infraestrutura só serão superados com uma combinação inteligente de investimentos públicos e privados – mais especificamente parcerias público-privadas (PPPs). “O foco na distribuição de forma independente deve ser central no processo de discussão das políticas de regulamentação, com vistas 7

ao crescimento e consequente fortalecimento do gás como fonte de energia relevante para a nossa região”, conclui Viveka Kaitila, líder da divisão de crescimento global da GE na América Latina.

Fonte: Época Negócios


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GASODUTO SILA SIBÍRI TRANSPORTARÁ GÁS PARA A CHINA.

Gazprom investirá US$ 8,8 bilhões em construção de gasoduto até 2017

 

Com 4.000 quilômetros de extensão, Sila Sibíri possibilitará transporte de gás para a China. Segunda maior petrolífera russa, Gazprom não concorda com permissão de uso para produtos independentes, conforme anunciado pelo Ministério da Energia russo.

O vice-presidente do conselho da petroleira russa Gazprom, Andrei Kruglov, declarou que, ao longo dos próximos três anos, a empresa planeja investir US$ 8,8 bilhões na construção do gasoduto Sila Sibíri (Força da Sibéria, em tradução livre).

O gasoduto em construção no leste da Sibéria tem 4 mil quilômetros de extensão e possibilitará o transporte de gás natural para as regiões russas de Iakútia e de Irkust, assim como para a China.

Em maio passado, o presidente Vladímir Pútin anunciou que as obras do gasoduto já haviam iniciado em território russo. No lado chinês, os trabalhos começaram apenas em junho.

Rixa pelo duto

Em fevereiro deste ano, o Ministério da Energia da Rússia declarou que produtores independentes, incluindo ligados a Rosneft, terão permissão para realizar o transporte de gás para a China através do Sila Sibíri.

Em resposta, a Gazprom declarou que a admissão de empresas independentes terá um impacto negativo sobre a economia da produção e do transporte de gás.

Fonte: Gazeta Russa

 


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PETROBRAS – Venda de Ativos.

Petrobras nos EUA começa em julho

 

A venda de patrimônio da Petrobras já caminha a todo vapor. A expectativa da diretoria é que esses ativos rendam US$ 57,7 bilhões nos próximos quatro anos, o equivalente a 98% do valor de mercado atual da estatal, cujas ações estão muito desvalorizadas.

Segundo a Folha apurou, a estatal inicia em meados de julho a venda dos blocos de petróleo no golfo do México (EUA). Nesta fase, serão distribuídos os convites para eventuais compradores. A Petrobras possui sete blocos na região, avaliados US$ 8 bilhões. O processo está a cargo do BNP Paribas.

Já a venda de blocos no Brasil chegou a uma fase avançada. Os compradores avaliaram os ativos e agora foram convidados a fazer ofertas “vinculantes”, ou seja, desde que estejam dispostos a desembolsar o valor. A estatal oferece fatias em 6 blocos de petróleo, 5 no pré-sal.

A lógica é conseguir sócios para blocos que ainda vão demandar muito investimento para produzir. Os ativos estão avaliados em US$ 4 bilhões. O processo é coordenado pelo Bank of America.

Também está adiantada a venda de postos de gasolina na América Latina, que pode render US$ 1 bilhão. O objetivo é vender o pacote para um mesmo comprador. O coordenador é o Itaú BBA.

Também estão à venda 49% das holdings que controlam as distribuidoras de gás e as termelétricas. O mais provável é que acabem com a Mistsui, já sócia da estatal neste ramo.

O caso das termelétricas é mais complicado. Os potenciais compradores não querem se tornar sócios minoritários e exigem um contrato vantajoso de fornecimento de gás natural, principal insumo das usinas, cuja única fornecedora é a Petrobras.

Ainda não houve definição sobre a BR Distribuidora. A diretoria quer fazer uma abertura de capital, mas não está descartada a entrada de um sócio minoritário, até para sinalizar para o mercado o quanto a empresa realmente vale.

Fonte: Folha de S. Paulo

 


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PETROBRAS -Carteira de Gás e Energia tem foco em E&P.

PETROBRAS

 

 

Escoamento de gás do pré-sal e processamento no Comperj têm US$ 5 bilhões

A carteira do Gás & Energia da Petrobras para os próximos cinco anos ficará concentrada na construção da UPGN do Comperj e das rotas de escoamento do gás da Bacia de Santos. O plano de negócios para 2015-2019, apresentado nesta segunda-feira (29/6), prevê investimentos de US$ 6,3 bilhões no período.

Mais de 80% (US$ 5 bilhões) dos aportes serão para a conclusão do Rota 2, que vai levar gás para o terminal de Cabiúnas, em Macaé, e Rota 3 que vai abastecer a UPGN do Comperj, via Maricá. Está incluída no valor a UPGN do complexo de Itaboraí, cuja previsão é começar a operar em outubro de 2017.

O restante dos investimentos é para conclusão de projetos e manutenção de ativos, totalizando US$ 1,3 bilhão, sendo US$ 0,9 bilhão para o parque de geração, US$ 0,3 bilhão para fertilizantes e menos de US$ 0,1 bilhão para terminais de regas.

O gás do Comperj será proveniente dos projetos da cessão onerosa, que também passaram por revisão. Agora, entram em operação três FPSOs na cessão onerosa em 2017 – Búzios 1 e 2, além do projeto integrado Lula Extremo Sul (concessão)/Sul de Lula (cessão onerosa – e mais quatro em concessões no pré-sal entre 2016 e 2017: Lula Alto, Lula Central, Lula Sul e Lapa.

Antes da mudança no cronograma, 12 novas plataformas iam produzir no pré-sal entre 2016 e 2017, incluindo a ampliação do sistema de Lula e a partida das unidades da cessão onerosa.

Fonte: Brasil Energia

 


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REVOLUÇÃO NA FORMA COMO GERA E CONSOME ENERGIA ELÉTRICA.

 

 

O mundo deve viver uma revolução na forma como gera e consome energia elétrica. Segundo estudo feito pelo Energy Outlook (NEO) em parceria com a Bloomberg New Energy Finance (BNEF), cerca de US$ 12,2 trilhões serão investidos na geração de energia mundial, entre 2015 e 2040.

As energias renováveis serão responsáveis por dois terços desse total. Até 2040, estima-se que as fontes de emissão zero respondam por 60% da matriz energética mundial, que hoje é dois terços composta por combustíveis fósseis.

E, falando neles, fontes como carvão e petróleo ainda estarão em alta, principalmente em países emergentes como China e Índia, o que mina as perspectivas de melhoras no combate ao aquecimento global.

Ainda assim, muitas mudanças prometem sacudir o tabuleiro energético mundial nos próximos 25 anos. Veja abaixo as cinco tendências principais identificadas pelo estudo.

Solar em todos os lugares

A maior redução do custo da tecnologia fotovoltaica irá estimular uma onda de US$ 3,7 trilhões em investimentos em energia solar, tanto em grande quanto em pequena escala. O estudo prevê um aumento de 17 vezes da capacidade mundial de sistemas fotovoltaicos distribuídos, integrados em edifícios e residências. Saltaremos dos atuais 104 GW (gigawatts) para quase 1.8TW (terawatts) em 2040.

Isso será possível graças a uma queda de 47% no custo de projetos de energia solar por megawatt, à medida que aumentem as eficiências de conversão e a indústria passe a usar novos materiais e métodos de produção mais simplificados.

Em 2040, quase 13 por cento da eletricidade mundial será gerada a partir de sistemas solares de pequena escala, prevê a pesquisa.

Geração descentralizada — o boom do teto solar

Cerca de US$ 2,2 trilhões deste montante vão para sistemas distribuídos e outros sistemas fotovoltaicos locais, proporcionando aos consumidores e às empresas a capacidade de gerar sua própria eletricidade, armazená-la usando baterias e – em partes do mundo em desenvolvimento – ter acesso à energia pela primeira vez.

Demanda mais baixa

A entrada de tecnologias de eficiência energética em áreas como iluminação e ar condicionado ajudará a limitar o crescimento da demanda de energia global para 1,8% ao ano, uma queda de 3% ao ano entre 1990 e 2012. Nos países da OCDE (a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico), a demanda de energia será menor em 2040 do que em 2014.

O gás será uma opção de curto prazo

O gás natural não será o “combustível de transição” para afastar o mundo do carvão natural. O xisto norte-americano irá mudar o mercado de gás no mundo, mas a troca do carvão natural pelo gás será mais forte nos Estados Unidos. Muitas nações em desenvolvimento vão optar por uma vertente dupla de carvão e energias renováveis, dizem os analistas.

Ainda assim continuaremos em apuros

Apesar do investimento de US$ 8 trilhões em energias renováveis, haverá um legado de usinas de combustível fóssil e investimento suficiente em nova capacidade de queima de carvão natural nos 11

países em desenvolvimento a ponto de minar as perspectivas de melhoras no combate ao aquecimento global.

Segundo a BNEF, as emissões globais de CO2 do setor de energia atingem um pico apenas em 2029 (veja no gráfico abaixo). Pior, em 2040, as emissões ainda estarão 13% acima dos níveis de 2014, a menos que uma ação política radical de redução de emissões seja tomada.

Fonte: Exame.com


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ENERGIA SOLAR – A esperança vem do sol.

 

A esperança vem do sol

 

Por Linda Murasawa*

Nenhuma nação está segura se deixar de aproveitar ao máximo seu potencial para a produção de energia. O Brasil é a prova disso: inigualável em disponibilidade de recursos, convive com uma ameaça crescente de escassez de energia.

A escassez hídrica é a face mais visível da crise que se avizinha. Em São Paulo, já é real a falta de água para as indústrias e até mesmo para a produção agrícola. Trata-se de uma ameaça à economia e à segurança alimentar no Estado que responde por 30% da produção nacional de riquezas. E o drama se repete em escala nacional. Enchentes no Norte contrastam com agonia dos reservatórios das hidrelétricas do Sul/Sudeste.

A água, de solução, parece ter virado problema – com origem no desmatamento florestal, que afeta o clima e nos obriga a utilizar fontes de energia poluentes, fechando o círculo vicioso.

O único caminho é a diversificação de nossas fontes de energia. Temos iniciativas louváveis em busca de mais autonomia e segurança, mas nenhuma solução se sustenta em uma só

modalidade de geração. A boa notícia é que o Brasil dá sinais de ter encontrado, na luz do sol, uma alternativa viável para sua matriz energética.

Nosso país tem a segunda maior energia solar incidente. Um recurso que, diferentemente da água e do vento, é abundante em qualquer parte do território nacional, durante todo o ano. O astro-rei precisa ser considerado nessa busca por saídas para a crise.

Alguns dos maiores especialistas do mundo em energias renováveis – os brasileiros Luiz Pinguelli Rosa, Emilio La Rovere, Ladislau Dowbor e o francês Ignacy Sachs – avaliaram o quanto a luz natural pode acrescentar à nossa matriz energética. Em um exercício teórico, eles calcularam o que aconteceria se instalássemos painéis fotovoltaicos em uma área equivalente à que seria inundada caso aproveitássemos todo o potencial hidrelétrico do país. Os 142 mil quilômetros quadrados de painéis gerariam 15 trilhões de kWh/ano, o equivalente a 20 vezes o potencial hidrelétrico estimado.

Os painéis fotovoltaicos de silício produzem, em vez de calor, energia elétrica. Seja no conceito de geração centralizada (na forma de fazendas solares) ou em microgeração (residências e empresas), podem inclusive devolver a energia excedente para a rede elétrica convencional. É o que ocorre, por exemplo, na Dinamarca, na Espanha e na Alemanha. Somente neste último país, a energia fotovoltaica está presente em 2,5 milhões de casas, com uma capacidade próxima de três usinas de Itaipu, com 38 mil MW por ano.

Com as políticas corretas, o prazo para tornar viável a alternativa solar no Brasil não deveria ser um problema. Tomemos o exemplo americano. Um dos poucos países com mais de 10 mil MW de potencial de geração fotovoltaica, os Estados Unidos instalaram 83% desta capacidade nos últimos três anos e meio. Com o ganho de escala, o custo médio caiu de US$ 6 para US$ 4,25,nos projetos residenciais, e para apenas US$ 3 na indústria. Foi criado um pool de empresas instaladoras, e garantiu-se que o custo dos equipamentos poderá ser deduzido do Imposto de Renda até 2016.

Por aqui, somos fartos nas principais matérias-primas da energia fotovoltaica sol e sílica -, mas a tecnologia ainda não existe em território nacional. Como resultado, o custo médio de instalação de placas fotovoltaicas em uma residência ainda é alto. Em geral, supera os R$ 40 mil. 15

A legislação brasileira já permite a “devolução” de energia para a rede elétrica e a utilização de créditos pelo excedente gerado desde dezembro de 2012, quando foi publicada a Resolução 482 da Agência Nacional de Energia Elétrica. Apesar disso, a infraestrutura na maioria das cidades ainda está longe dos sistemas inteligentes implantados em outros continentes – um bom exemplo do chamado smart grid é a Plataforma Sevilha, na Espanha, que atende a 180 mil residências.

Nosso desafio consiste em trazer para cá o know-how necessário para a produção local de painéis, capacitar mão de obra para a fabricação e instalação das placas nas residências e desenvolver a cadeia necessária de estímulos iniciais para dar escala e viabilidade comercial à modalidade.

O primeiro leilão de energia reserva de 2015, marcado para 14 de agosto, irá contratar exclusivamente fontes fotovoltaicas. O pregão pode estimular o desembarque de grandes fornecedores, mas a energia contratada só será entregue em 2017. Podemos, e devemos, desejar os benefícios da geração fotovoltaica em um futuro mais próximo.

A depender do modelo de comercialização de equipamentos e venda da energia excedente, é possível pensar nas placas fotovoltaicas como uma garantia de abastecimento em todos os rincões do país, principalmente nas áreas rurais. O Brasil, com seu imenso potencial agrário, tem na geração solar uma via para novos níveis de produtividade.

Devemos aperfeiçoar modelos de financiamento que, combinados com boas políticas de incentivo, permitam que a própria economia na conta de luz pague as parcelas do empréstimo, viabilizando o uso residencial em larga escala. As linhas de crédito para instalação de sistemas fotovoltaicos, disponíveis desde o fim de 2013, podem permitir a amortização completa do investimento a partir do oitavo ano, conforme o projeto.

O papel do setor financeiro vai além. Pode ser decisivo para estimular a atração de grandes fabricantes de equipamentos para o Brasil. Além do crédito de médio e longo prazo, o setor tem acesso aos diversos mecanismos de mercado de capitais.

A lista de tarefas e alianças parece extensa, mas é viável. Dados os passos iniciais, a conjunção da necessidade de alternativas energéticas com os benefícios da energia solar se encarregará de iluminar esse novo caminho para o futuro.

*Linda Murasawa é superintendente-executiva de desenvolvimento sustentável do Santander.

Fonte: Valor Econômico