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Escândalo! Governo está obrigando Petrobras a produzir petróleo!

 
Do Tijolaço – 30 de setembro de 2013 | 10:51
 globpetro

 

por Fernando Brito

Ficamos sabendo, graças ao O Globo, que a “ingerência política” do Governo está obrigando a Petrobras a apressar a instalação de nove unidades de produção, vão representar um acréscimo de um milhão de barris de petróleo por dia de capacidade instalada no país a partir do ano que vem. Ou, “apenas” mais 50% em nossa produção de óleo cru.

Deu para perceber que coisa escandalosa? Uma empresa de petróleo produzir mais petróleo e mais rápido para ter recursos para procurar e extrair mais petróleo?

Ora, qualquer um sabe – até o “consultor” de O Globo, Adriano Pires – que empresas de petróleo, quando possuem condições técnicas e financeiras, buscam antecipar ao máximo a entrada em produção de seus campos. Exatamente porque o petróleo que sai dali gera caixa para fazer frente a novos investimentos.
É curioso que, em abril deste ano, o mesmo jornal anunciava, com grande destaque, que tudo na Petrobras estava atrasado, em matéria de produção

“(…)a estatal enfrenta atrasos na construção em seis de dez projetos de produção previstos para este ano e o próximo — elevando, assim, segundo analistas, os riscos de não cumprimento de suas metas. De acordo com o Plano de Negócios 2013/2017, a situação mais crítica ocorre nos sistemas planejados para 2013: dos sete, cinco estão fora do cronograma. Para 2014, um dos três previstos está atrasado”.

E aí, claro, começa a cantilena pelo aumento do preço dos combustíveis, que estão baratos demais, embora O Globo não pare de publicar matérias sobre como é cara a gasolina brasileira.
Tudo para ir dourando a pílula e chegar num ponto que não pode ser dito diretamente, e que é o central para essa gente.

“A outra opção seria o governo não exigir que a Petrobras tenha, no mínimo, 30% de participação na exploração do pré-sal. Caso contrário, segundo Ana, o desenvolvimento da indústria petrolífera terá seu ritmo ditado pela capacidade de investimentos limitada da Petrobras.”

Capacidade limitada de investimentos que, como se vê, foi capaz de acelerar a construção e equipagem de navios e sistemas para poder ampliar, em pouco mais de um ano, em 50% a produção. E falar em desenvolvimento da indústria petrolífera, você sabe, é igual àquela história da Vale: tudo lá fora.

Ou você leu sobre alguma petroleira que esteja encomendando um navio, uma plataforma, algum equipamento pesado aqui?

É por isso que esse onirismo de “deixa o petróleo lá” esperando que tudo seja um mar de rosas é, quando não é puerilidade, é irresponsabilidade.

Ou, pior, um ardil para que, amanhã, possam voltar ao esquema entreguista do passado, que está fazendo o possível para tentar passar a imagem de “fracasso” de nossa política de exploração de petróleo e de nossa petroleira, a maior ferramenta de progresso econômico do Brasil, a Petrobras.


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A GRANDE FARSA DO GÁS DE XISTO.

 

Nafeez Mosaddeq Ahmed

 

A grande farsa do gás de xisto

 

Se acreditarmos nas manchetes da imprensa norte-americana anunciando um boom econômico graças à “revolução” do gás e do petróleo de xisto, o país já estará banhando em ouro negro. O relatório de 2012, “Perspectivas energéticas mundiais”, da Agência Internacional de Energia (AIE), informa que por volta de 2017 os Estados Unidos arrebatarão à Arábia Saudita o primeiro lugar na produção mundial de petróleo e conquistarão uma “quase autossuficiência” em matéria energética.
Por Nafeez Mosaddeq Ahmed*

Segundo a AIE, a alta programada na produção de hidrocarbonetos, que passaria de 84 milhões de barris/dia em 2011 para 97 milhões em 2035, proviria “inteiramente dos gases naturais líquidos e dos recursos não convencionais” – sobretudo o gás e o óleo de xisto –, ao passo que a produção convencional começaria a declinar a partir de 2013.

Extraídos por fraturamento hidráulico (injeção sob pressão de uma mistura de água, areia e detergentes para fraturar a rocha e deixar sair o gás), graças à técnica da perfuração horizontal (que permite confinar os poços à camada geológica desejada), esses recursos só são obtidos ao preço de uma poluição maciça do ambiente. Entretanto, a sua exploração nos Estados Unidos criou várias centenas de milhares de empregos, oferecendo a vantagem de uma energia abundante e barata. Conforme o relatório de 2013, “Perspectivas energéticas: um olhar para 2040”, publicado pelo grupo ExxonMobil, os norte-americanos tornar-se-ão exportadores líquidos de hidrocarbonetos a partir de 2025 graças aos gases de xisto, num contexto de forte crescimento da procura mundial do produto.

Mas e se a “revolução dos gases de xisto”, longe de robustecer uma economia mundial convalescente, insuflar uma bolha especulativa prestes a explodir? A fragilidade da retoma, tanto quanto as experiências recentes, deveria convidar à prudência perante tamanho entusiasmo. A economia espanhola, por exemplo, outrora tão próspera – quarta potência da zona do euro em 2008 –, está hoje em maus lençóis depois de a bolha imobiliária, à qual se agarrava cegamente, ter explodido sem aviso prévio. A classe política não aprendeu muito com a crise de 2008 e está a ponto de repetir os mesmos erros no campo das energias fósseis.

Em junho de 2011, uma investigação do New York Times revelava já algumas fissuras no arcabouço mediático-industrial do boom dos gases de xisto, atiçando assim as dúvidas alimentadas por diversos observadores – geólogos, advogados, analistas de mercado – quanto aos efeitos da publicidade das companhias petrolíferas, suspeitas de “sobrestimar deliberadamente, e mesmo ilegalmente, o rendimento de suas explorações e o volume de suas jazidas”(1). “A extração do gás do xisto existente no subsolo”, escreveu o jornal, “poderia revelar-se menos fácil e mais cara do que afirmam as empresas, como se vê pelas centenas de e-mails e documentos trocados pelos industriais a esse respeito, além das análises dos dados recolhidos em milhares de poços.”

No início de 2012 dois consultores norte-americanos soaram o alarme na Petroleum Review, a principal revista britânica da indústria petrolífera. Incertos quanto à “confiabilidade e durabilidade das jazidas de gás de xisto norte-americanas”, observam que as previsões dos industriais coincidem com as novas regras da Security and Exchange Commission (SEC), o organismo federal de controlo dos mercados financeiros. Adoptadas em 2009, essas regras autorizam as empresas a calcular o volume de suas reservas como bem entendam, sem precisar da verificação de uma autoridade independente(2).

Para os industriais, sobrestimar as jazidas de gás de xisto permite colocar em segundo plano os riscos associados à sua exploração. Ora, o fraturamento hidráulico não apenas tem efeitos prejudiciais sobre o meio ambiente como coloca um problema estritamente económico, uma vez que gera uma produção de vida muito curta. Na revista Nature, um ex-consultor científico do governo britânico, David King, esclarece que o rendimento de um poço de gás de xisto diminui de 60% a 90% após seu primeiro ano de exploração (3).

Uma queda tão significativa torna evidentemente ilusório qualquer objetivo de rentabilidade. Depois de um poço se esgotar, os operadores devem escavar imediatamente outros para manter seu nível de produção e pagar as suas dívidas. Sendo a conjuntura favorável, essa corrida pode iludir durante alguns anos. Foi assim que, combinada com uma atividade económica decrescente, a produção dos poços de gás de xisto – frágil a longo prazo, vigorosa por algum tempo – provocou uma baixa espetacular dos preços do gás natural nos Estados Unidos: de US$ 7 ou 8 por milhão de BTU (British Thermal Unit) para menos de US$ 3 ao longo de 2012.

Os especialistas em aplicações financeiras não se deixam enganar. “A economia do fraturamento é destrutiva”, adverte o jornalista Wolf Richter na Business Insider (4).“A extração devora o capital a uma velocidade impressionante, deixando os exploradores em cima de uma montanha de dívidas quando a produção cai. Para evitar que essa diminuição engula seus lucros, as companhias devem prosseguir bombeando, compensando poços esgotados com outros que se esgotarão amanhã. Cedo ou tarde esse esquema choca-se contra uma parede, a parede da realidade.”

Arthur Berman, um geólogo que trabalhou para a Amoco e a British Petroleum, confessa-se surpreso com o ritmo “incrivelmente acelerado” do esgotamento das jazidas. E, dando como exemplo o sítio de Eagle Ford, no Texas – “É a mãe de todos os campos de óleo de xisto” –, revela que “a queda anual da produção ultrapassa os 42%”. Para garantir resultados estáveis, os exploradores terão de perfurar “quase mil poços suplementares todos os anos no mesmo sítio. Ou seja, uma despesa de US$ 10 biliões a 12 biliões por ano… Se somarmos tudo, isso equivale ao montante investido para salvar a indústria bancária em 2008. Onde arranjarão tanto dinheiro?”(5).

A bolha do gás já produziu os seus primeiros efeitos sobre algumas das maiores empresas petrolíferas do planeta. Em Junho último, o diretor-presidente da Exxon, Rex Tillerson, queixou-se de que a queda dos preços do gás natural nos Estados Unidos era sem dúvida uma boa notícia para os consumidores, mas uma maldição para sua companhia, vítima da diminuição drástica dos lucros. Se, diante dos acionistas, a Exxon continuava fingindo que não perdera um centavo por causa do gás, Tillerson desfiou um discurso quase lacrimoso diante do Council on Foreign Relations (CFR), um dos fóruns mais influentes do país: “Logo, logo, perderemos até as calças. Não ganhamos mais dinheiro. As contas estão no vermelho” (6).

Mais ou menos na mesma ocasião, a companhia de gás britânica BG Group encontrava-se às voltas com “uma depreciação de seus ativos referentes ao gás natural norte-americano da ordem de US$ 1,3 bilhão”, sinónimo de “queda sensível em seus lucros intermediários” (7). No 1º de Novembro de 2012, depois de a empresa petrolífera Royal Dutch Shell ter amargado três trimestres de resultados medíocres, com uma perda acumulada de 24% num ano, o serviço de informações da Dow Jones divulgou essa notícia funesta, alarmando-se com o “prejuízo” causado ao conjunto do sector de ações pela retração do gás de xisto.

Da panaceia ao pânico

A bolha não poupa sequer a Chesapeake Energy, que, no entanto, é a pioneira na corrida aos gases de xisto. Esmagada por dívidas, a empresa norte-americana precisou vender parte de seus ativos – campos e gasodutos a um valor total de US$ 6,9 bilhões – para honrar os seus compromissos com os credores. “A empresa está a andar um pouco mais devagar, muito embora o seu CEO a tenha transformado num dos líderes da revolução dos gases de xisto”, deplorou o Washington Post (8).

Como puderam cair tanto os heróis dessa “revolução”? O analista John Dizard observou, no Financial Times de 6 de Maio de 2012, que os produtores de gás de xisto haviam gasto quantias “duas, três, quatro ou mesmo cinco vezes superiores aos seus fundos próprios a fim de adquirir terras, escavar poços e levar a bom termo os seus projetos”. Para financiar a corrida do ouro foi necessário pedir emprestadas somas astronómicas “em condições complexas e exigentes”, lembrando que Wall Street não se afasta nunca de suas normas de conduta habituais. Segundo Dizard, a bolha do gás deveria, porém, continuar a crescer devido à dependência dos Estados Unidos desse recurso economicamente explosivo. “Considerando-se o rendimento efémero dos poços de gás de xisto, as perfurações devem prosseguir. Os preços acabarão por se ajustar a um nível elevado, e mesmo muito elevado, para cobrir não apenas dívidas antigas, mas também custos de produção realistas.”

Não se descarta, contudo, que diversas companhias petrolíferas de grande porte se vejam simultaneamente na iminência da ruína financeira. Caso essa hipótese se confirme, diz Berman, “assistiremos a duas ou três falências ou operações de compra de enorme repercussão; cada qual resgatará os seus papéis, os capitais evaporar-se-ão e teremos o pior dos cenários”.

Em suma, o argumento segundo o qual os gases de xisto protegeriam os Estados Unidos ou a humanidade contra o “pico do petróleo” – nível a partir do qual a combinação das pressões geológicas e econômicas tornará a extração do produto bruto insuportavelmente difícil e onerosa – não passa de um conto de fadas. Diversos relatórios científicos independentes, divulgados há pouco, confirmam que a “revolução” do gás não trará nenhum alívio nessa área.

Num estudo publicado pela revista Energy Police, a equipe de King chegou à conclusão de que a indústria petrolífera sobrestimou em um terço as reservas mundiais de energia fóssil. As jazidas ainda disponíveis não excederiam 850 biliões de barris, enquanto as estimativas oficiais falam de mais ou menos 1,3 trilhão. Segundo os autores, “imensas quantidades de recursos fósseis permanecem nas profundezas da terra, mas o volume de petróleo explorável pelas tarifas que a economia mundial tem o costume de suportar é limitado, devendo além disso, diminuir a curto prazo” (9).

A despeito dos tesouros em gás arrancados do subsolo por fraturamento hidráulico, a diminuição das reservas existentes prossegue num ritmo estimado entre 4,5% e 6,7% por ano. King e seus colegas repelem, pois, categoricamente a ideia de que o boom dos gases de xisto poderá resolver a crise energética. Por sua vez, o analista financeiro Gail Tverberg lembra que a produção mundial de energias fósseis convencionais não aumentou depois de 2005. Essa estagnação, na qual vê uma das causas principais da crise de 2008 e 2009, anunciaria um declínio susceptível de agravar ainda mais a recessão atual – com ou sem gás de xisto (10). E não é tudo: numa pesquisa publicada em conjunto com o relatório da AIE, a New Economics Foundation (NEW) prevê que o pico do petróleo será alcançado em 2014 ou 2015, quando os gastos com a extração e o abastecimento “ultrapassarão o custo que as economias mundiais podem assumir sem causar danos irreparáveis às suas atividades” (11).

Submersos pela retórica publicitária dos lobistas da energia, esses trabalhos não chamaram a atenção dos media nem dos políticos. É lamentável, pois podemos entender perfeitamente a sua conclusão: longe de restaurar a prosperidade, os gases de xisto inflam uma bolha artificial que camufla temporariamente uma profunda instabilidade estrutural. Quando ela explodir, provocará uma crise de abastecimento e um aumento de preços que talvez afetem dolorosamente a economia mundial.

* Nafeez Mosaddeq Ahmed é cientista político e diretor do Institute for Policy Research and Development, Brighton, Reino Unido

Fonte: odiario.info


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EXPLORAÇÃO DO ÁRTICO POR PETROLEIRAS.

Campanha chama a atenção sobre a exploração do Ártico por petroleiras
 
 Adital

Foto:Alejandro SanzNeste domingo, 15 de setembro, mais de 75 cidades em 30 países realizarão uma marcha de bicicletas para chamar a atenção sobre a situação de exploração do Ártico. A ação faz parte da campanha “Salve o Ártico”, realizada pela organização ambientalista Greenpeace com o objetivo de defender a região que tem sido ameaçada pelas empresas petrolíferas. Estas estão perfurando poços na zona no intuito de extrair petróleo. Os participantes da bicicleata deverão vestir camisetas brancas e portar cartazes com mensagens em defesa do Ártico.

Na Argentina, sete cidades participarão do movimento: Buenos Aires, Bahia Blanca, Rosário, Mar del Plata, Paraná, Córdoba e Mendoza. A bicicleata coincide com um fim do verão no Ártico, quando a extensão do gelo marinho alcança seu ponto máximo de retrocesso. No ano passado, a perda de gelo bateu recorde e a tendência é que sejam registrados os níveis mais baixos dos últimos 10 anos.

Mauro Fernández, coordenador da campanha de Clima e Energia do Greenpeace Argentina, afirma que as petroleiras são as principais responsáveis pela mudança climática, pois aproveitam o derretimento do gelo para extrair mais petróleo na zona de alto risco. “Se não atuamos a tempo, a Shell e seus aliados não só aprofundarão o aquecimento global, mas colocarão em perigo as comunidades originárias que habitam a região e também os ursos polares”.

Para o Greenpeace pedalar pelo Ártico é importante porque a região é a mais afetada pela mudança climática no mundo. Nos últimos 30 anos, 75% do volume de seu gelo flutuante já foi derretido. Em pouco tempo, o Polo Norte será apenas água.

 


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EQUADOR – Denúncia contra Chevron.

 

Denúncias contra a Chevron serão apresentadas ao Tribunal Internacional de Haia
 
 
 
Adital

Foto: Divugação/ Divulgación O governo do Equador anunciou uma contraofensiva contra a multinacional petroleira estadunidense Chevron durante a Assembleia Geral da ONU, em Nova Iorque. Segundo informou o chanceler equatoriano, Ricardo Patiño, até o fim deste ano, serão apresentados à Corte Penal Internacional de Haia relatórios referentes aos danos meio-ambientais provocados pela companhia durante os 26 anos em que explorou petróleo na Amazônia equatoriana.

O anúncio foi feito apenas cinco dias depois que a própria Corte de Haia emitiu uma sentença em favor da Chevron e sua filial Texaco Petroleum Company (TexPet). Na avaliação do tribunal, a petroleira estadunidense não é responsável por nenhuma reclamação coletiva por danos ambientais, com base nos acordos de Liberação de Responsabilidades que o governo do Equador firmou com a TexPet em 1995 e 1998. Essa decisão respondeu a uma demanda da Chevron, de setembro de 2009, contra o Equador, baseada no Tratado Bilateral de Proteção de Investimentos entre EUA e Quito.

“O jogo acabou. Esse laudo ditado por um eminente tribunal internacional confirma que as reclamações fraudulentas contra a Chevron não deveriam ter sido apresentadas desde o começo. Agora, não resta dúvida de que os esforços dos advogados estadunidenses dos demandantes e do governo do Equador para executar essa sentença fraudulenta violam o direito equatoriano, estadunidense e internacional”, afirmou Hewitt Pate, vice-presidente e conselheiro geral da Chevron através de um comunicado.

Nesta semana, durante a Assembleia da ONU, centenas de equatorianos residentes nos EUA foram até a sede da Organização para apoiar o governo de seu país na luta contra a transnacional. Muitos sujaram as mãos de preto em referência ao presidente Rafael Correa, que, na semana passada, visitou a região contaminada pela Chevron, pegando com as mãos uma espécie de lama negra deixada pela empresa no solo da Amazônia. Os manifestantes pleitearam que em todo o mundo se deixe de consumir os produtos da petroleira, que se recusa a indenizar as pessoas afetadas.

Em 2011, a Corte Superior de Justiça de Sucumbíos, uma das províncias afetadas pela contaminação, condenou a petroleira a pagar uma multa de 19 bilhões de dólares por poluir a região da Amazônia. Patiño relatou que a atuação da Chevron deixou sequelas em cerca de 30 mil moradores da região. Em torno de 680 mil barris de óleo foram derramados nos rios, na flora e sobre a fauna das províncias de Orellana e Sucumbíos. Uma pesquisa realizada pelo governo constatou que a população dessa área tem três vezes mais câncer, e 147% mais abortos que os habitantes do restante do país. Mais de 80 mil análises comprovam a existência de produtos tóxicos no solo e na água.


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REVERTER A ENTREGA DE LIBRA.

Reverter a entrega de Libra

– Enquanto o Brasil prepara a entrega do seu petróleo ao capital transnacional, em discurso na ONU a sua presidente finge indignação pela espionagem da NSA — mas nem sequer fala na possibilidade de romper os acordos militares e policiais que submetem o país aos EUA

por Adriano Benayon [*]

Protesto junto ao consulado dos EUA no Rio de Janeiro.1- Continuam entregando tudo. Quando se dará mais importância à realidade que ao discurso? Que se pode fazer para reverter o presente curso de destruição do Brasil? Certamente, não é coisa convencional. 

2- Estamos diante da entrega às petroleiras lideradas pelo cartel angloamericano das reservas de petróleo da plataforma continental e da camada do pré-sal. 

3- Também, diante do descalabro na infra-estrutura, de que são exemplos gritantes a energia elétrica e os transportes. Cada um desses caos nos custa trilhões de reais por ano e decorre de sacrifícios de setores vitais no altar do falso deus mercado. Na verdade, entregas graciosas a carteis estrangeiros. 

4- Além disso, está exposta a completa insegurança das telecomunicações, à mercê das tecnologias de espionagem de empresas e de agências governamentais dos EUA, sem mencionar que, desde há mais de quinze anos, quando a EMBRATEL foi entregue à estadunidense Verizon, essa segurança pouco vale, devido à privatização tucana, intocada pelos governos petistas. 

5- Os brasileiros não se devem iludir com discursos nem com o enviesado noticiário da grande mídia. Tanto no petróleo, como na energia elétrica, nos transportes e nas comunicações, o País cai para um patamar intolerável de submissão e de degradação socioeconômica. 

O CASO DO CAMPO LIBRA 

Localização do campo Libra.6- No caso do campo de Libra, da área do pré-sal, cujo leilão a Agência Nacional do Petróleo (ANP) quer realizar, de qualquer maneira, em 21 de outubro, apesar das numerosas ilegalidades do edital, denunciadas ao Tribunal de Contas da União pela Associação dos Engenheiros da Petrobrás, trata-se do maior campo já descoberto no Mundo, com mais de 40 mil milhões de barris de reservas in situ. No mínimo, 12 mil milhões de barris de reservas recuperáveis. 

7- Como o preço atual do petróleo está em US$ 100 por barril, o valor desse campo são US$ 1,2 milhões de milhões, equivalentes a R$ 3 milhões de milhões. 

8- Ora, na medida em que a Petrobrás estará alijada do leilão, até por ter investido para viabilizar produção em prazos menores que os possíveis na zona do pré-sal, onde também investiu para pesquisar Libra e outros campos, as companhias do cartel angloamericano ficam com tudo, mesmo porque a ANP resolveu, beneficiando-as, exigir do consórcio vencedor um bônus no valor de R$ 15 mil milhões. 

9- Essa quantia é ridícula comparada ao valor do campo, mas é demasiado elevada para a Petrobrás desembolsar de uma vez, devido às dificuldades de caixa em que foi envolvida, até por subsidiar os preços dos derivados no País. 

10- Ao contrário da propaganda governamental propícia ao cartel angloamericano, o bônus nem constitui receita para o governo, mas tão somente adiantamento, que devolverá em parcelas ao consórcio ganhador do leilão. 

11- Ao denunciar o autoritarismo e a prepotência dos órgãos decisórios do setor, o Eng. Paulo Metri nota que o Estado brasileiro está loteado, e o capital internacional, no comando da energia e mineração. 

12- Provas disso e do absurdo de entregar 70% da reserva conhecida de Libra a empresas estrangeiras são, conforme Metri: 1) elas exportarão o óleo bruto, sem adicionar valor algum; 2) nunca contribuirão para o abastecimento do País; 3) dificilmente contratarão plataformas no Brasil – o item de maior peso nos investimentos; 4) não gerarão empregos qualificados aqui; 5) não pagarão impostos, graças à lei Kandir; 6) só pagarão os royalties e uma parcela “combinada” do lucro. 

12- Cabe esclarecer sobre este último ponto: 
a) os royalties, embora de, em princípio, 15%, conforme a Lei do Pré-Sal, 12.351/2010 – maiores, portanto, que os 10% da famigerada lei de FHC, 9.478/1997 – são, na realidade, reduzidos por brechas criadas nas emendas do Congresso à lei de 2010; mesmo em países sem a capacidade de exploração da Petrobrás, os royalties costumam ser, em média, 80%; 
b) a parcela combinada são os 30% a que Petrobrás faz jus, de acordo com a Lei 12.351/2010, a qual, desde a proposta do ex-presidente Lula, garante à Petrobras a condição de operadora única, com 30% do resultado, ficando, porém, os 70% para o ganhador do leilão, no caso o cartel estrangeiro, sem correr riscos. 

13- O atual governo não aplica em favor do País o que deve decorrer das leis do Pré-Sal, deixando de fazer cessão onerosa do campo de Libra à Petrobrás, conforme a Lei nº 12.276/2010, e agindo como caudatário dos interesses anglo-americanos, mesmo ciente da espionagem de agências públicas dos EUA, como a NSA e a CIA, tendo como alvos o petróleo e o pré-sal. 

15- O Eng. Fernando Siqueira lembra que, já no 11º leilão, a Petrobrás teve participação pífia, tendo comprado menos de 20% das áreas ofertadas e sendo operadora só em três delas. Como essas áreas não são do pré-sal e se regem pela Lei 9.478/1997, todo o petróleo fica para quem ganhou o leilão. 

16- Acrescenta: “Creio que, propositadamente, exauriram a capacidade financeira da Petrobrás com leilões desnecessários, pois o país está abastecido por mais de 40 anos. A partir da 11ª rodada, o capital internacional irá sempre ganhar vários blocos, graças a plano maquiavélico com aprovação do governo do Brasil.” 

17- Ainda conforme Siqueira, o governo está abrindo mão de parte da parcela destinada ao Fundo Social. Também troca lucros de centenas de milhares de milhões de dólares por um oneroso empréstimo de quantia irrisória. 

18- Siqueira esclarece que a Petrobrás tem previsão de produzir 4 milhões de barris em 2020, e não, há, pois, necessidade alguma de leiloar o pré-sal. Menos ainda, nas condições altamente danosas ao País, em que está sendo feito. 

19- A 11ª rodada de leilões, já realizada, e a 12ª, marcada para breve, implicam amarrar o Brasil à condição de país sem autodeterminação, definitivamente inviabilizado para o desenvolvimento, condenado a exportação primária e poluente, controlada pelas transnacionais do petróleo e rendendo-lhe vultosas divisas que farão suplantar a das automotivas no posto de donas do País. 

20- Outras consequências: agravar a desindustrialização, a concentração de renda [NR] nas mãos da oligarquia estrangeira e marginalizar mais brasileiros. 

21- O que ocorre com o petróleo basta, por si só, para afundar o Brasil. Ao mesmo tempo, a derrocada do País é puxada pelo que acontece na infra-estrutura. 

22- O setor da energia elétrica está deteriorado, com frequentes apagões – num país de excelente potencial de fontes. Grande parte dos insuficientes investimentos é desperdiçada e são cobrados preços extorsivos aos usuários (exceto às privilegiadas eletrointensivas). 

23- Deliberadamente, desde FHC, deu-se espaço às absurdas e caras centrais térmicas, subinvestindo e investindo mal na hidroeletricidade, sem aproveitar plenamente a capacidade das bacias hídricas, nem construir eclusas (prejudicando também a navegação fluvial). 

24- O setor elétrico exemplifica a grande fraude das concessões e privatizações, realizadas para proporcionar ganhos a predatórias empresas financeiras, através de supostos leilões (sempre a ficção do mercado) sob critérios abstrusos, para ninguém entender. 

25- Conforme dados da ANEEL, mostrados pelo Eng. Roberto d’Araújo, os componentes, em percentuais, do preço da energia são: geração 31,3%; transmissão 6,3%; distribuição 29%; tributos 33,5%. 

26- Há abusos incríveis em todas essas etapas. As empresas de distribuição concentram a maior parte dos lucros, tendo o economista Gustavo Santos verificado que a rentabilidade média delas sobre o patrimônio líquido superou 30%, ou seja, 700% em oito anos. 

27- Esclarece d’Araújo que o governo, sem coragem para enfrentar os próprios erros e as distribuidoras, resolveu atacar a parcela produtiva. Em suma, está sendo completada a destruição da Eletrobrás – mais um pilar do projeto de Getúlio Vargas derrubado a mando do império angloamericano.

[NR] No Brasil chamam de renda a qualquer espécie de rendimento. 

Ver também: 


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LIBRA – A desistência das petroleiras.

JANIO DE FREITAS E A DESISTÊNCIA DAS PETROLEIRAS.

 
O jornalista Janio de Freitas, da Folha de S. Paulo, considera positivo que empresas como Exxon, BP e BG tenham desistido dos leilões do pré-sal; segundo ele, tais companhias são “geradoras de problemas, onde quer que estejam”; líderes tucanos, como José Serra, criticam o suposto fracasso do programa de concessões do PT

 

247 – O jornalista Janio de Freitas, da Folha, afirma que o Brasil não deve lamentar a desistência de empresas estrangeiras dos leilões do pré-sal. Segundo ele, tais companhias trazem mais problemas do que investimentos. Leia abaixo sua coluna:

CIAO, BELAS

Vista pela ótica da história das relações internacionais, as americanas Exxon (ainda Esso, para nós) e Chevron e as britânicas BP e BG fizeram uma gentileza ao Brasil, com sua desistência de participar dos leilões do pré-sal. Preferem investir para a desnacionalização do petróleo mexicano.

As três primeiras são o que se pode definir como empresas geradoras de problemas, onde quer que estejam. A Exxon ou Esso ou Standard Oil tem um histórico de presença no centro de conflitos armados, inclusive entre países, sem equivalente. E seus interesses sempre se tornaram interesses do governo americano, para todo e qualquer efeito.

Passem bem todas quatro, o que não acontecerá ao México.


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LIBRA – Americanos e ingleses foram embora.

 

LIBRA: AMERICANOS FORAM EMBORA ? ÔBA !

 
Fernando Brito lambuza os urubólogos com a mancha de óleo da Chevron.
AMERICANOS E INGLESES SE FORAM DE LIBRA. VAMOS PERDER A CHANCE DE QUE FIQUEM FORA?

 

Desculpem os amigos se corro o risco de me repetir, mas é tanto, tanto dinheiro envolvido – e dinheiro tão importante para o Brasil – que acho importante esclarecer o quanto possa, e a quantos possa, sobre tudo o que está acontecendo nesta preparação do leilão de Libra.
 
Em primeiro lugar, um acréscimo que só confirma o que disse antes: a Chevron, outra gigante americana, juntou-se à Exxon, a British Petroleum e a British Gás na sua retirada. Americanos e ingleses agiram coordenadamente, numa atitude claramente política.
 
Governo americano e petroleiras vivem em tamanho mutualismo que é impensável que esta ação em bloco não tenha o beneplácito – senão a inspiração – dos dirigentes dos EUA.
 
Segundo, que todo mundo sabe que há um esqueleto de acordo firmado entre a Petrobras e os chineses para entrarem juntas no leilão como força virtualmente imbatível. Porque os chineses querem “remuneração” em vendas firmes de petróleo bruto ao seu país.
 
Então isso seria ruim para o Brasil? Não seria muito melhor refinar o petróleo e vender derivados refinados? Em alguns momentos – e essa é uma tendência mundial pela insuficiência global de parques de refino – sim.
 
Mas a questão é que, pelo investimento e prazo de implantação de refinarias, se tudo correr bem,chegaremos a 2020 com uma capacidade de refino de cerca de 3,6 milhoes de barris/dia, apenas o suficiente para suprir o mercado interno de derivados. Mas a produção de petróleo já terá chegado perto de 6 milhões de barris diários, o que produz um excedente de perto de 2 milhões diários de petróleo bruto, que terá de ser exportado em cru.
 
Mas não deveríamos, então, investir mais em refinarias? Sim, mas de volta o problema: é caro e demorado fisicamente e o retorno econômico do investimento é lentíssimo, de uma década ou mais. Justamente por isso, no mundo, há um déficit de refinarias e, não por acaso, fazer refinaria não está sequer nos planos das petroleiras estrangeiras para o Brasil.
 
Além disso, um refinaria não opera com qualquer tipo de petróleo, ela só pode utilizar óleo com determinada densidade. Antes do pré-sal, 85% do petróleo que hoje produzimos é pesado. O do pré-sal, que vai corresponder ao aumento de produção, é leve.
 
A inconveniência do leilão de Libra está no valor do bonus iniciial – de R$ 15 bilhões – que vai obrigar a uma descapitalização lesiva à Petrobras, que só pelos seus 30% obrigatórios na nova lei, terá um desembolso de R$ 4,5 bilhões. Se, como tudo indica, a participação da brasileira for de 60% ou pouco mais que isso, o desembolso será em torno de R$ 9 a 11 bilhões. Dinheiro que sai da sua capacidade de investir para formarmos o tal – e mau – superavit fiscal.
 
Mas, frente à conjunção política que se formou, isso acaba sendo aceitável, se nos garante o controle majoritário do maior campo de petróleo do mundo, hoje.
 
Escrevo no início da madrugada, ainda sem ver as manchetes desta sexta.
 
Mas já deu para ver com que espanto e indignação a nossa mídia trata a saída de americanos e ingleses do leilão, falando em “fracasso” e “esvaziamento”.
 
E pergunto aos setores nacionalistas que ainda advogam o adiamento do leilão: não era isso o que o país desejava, sobretudo depois da revelação da espionagem americana sobre a Petrobras?
 
Vamos perder, por puerilidade, a oportunidade histórica de controlar hegemonicamente o maior campo de petróleo deste país e, hoje, do mundo? Tudo dentro da lei, das regras por ela lixada, com tal solidez que balizará o desenvolvimento exploratório do enorme tesouro do pré-sal ainda por ser descoberto ou delimitado?
 
A resposta a isso só pode ser um não!
 
Por: Fernando Brito