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ENERGIA EÓLICA PODE CAPTAR R$ 8 BILHÕES EM DOIS ANOS.

Expectativa de crescimento do setor e demanda mais alta por geração de energia atraem investimentos nacionais e estrangeiros
Os bons ventos que sopram nos mais de 8 mil quilômetros do litoral brasileiro começam, afinal, a ajudar a captar recursos – muitos – para a geração de energia no país. Há expectativa de que nos próximos dois anos até R$ 8 bilhões sejam destinados ao setor para possibilitar que a energia eólica tenha chance de sair do patamar de 1% de participação na matriz energética do país.
“O Brasil hoje apresenta a maior possibilidade global para empresas e investidores na área de energia e a eólica, especialmente, tem se destacado cada vez mais”, diz Everaldo Feitosa, presidente da empresa Eólica Tecnologia e vice-presidente da Associação Mundial de Energia Eólica (WWEA, na sigla em inglês). Ele aponta que a liderança do governo nos leilões de energia traz garantias de segurança para os investidores e tem incentivado a chegada de recursos, ao mesmo tempo em que se tornam mais acessíveis as verbas liberadas por meio do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). O BNDES condiciona o crédito a um índice de componentes nacionais que progressivamente atinge 60%.
Com isso, tanto empresas nacionais como internacionais querem participar desse mercado. Segundo relatório recente da WWEA, a capacidade instalada de energia eólica brasileira quase triplicou entre 2010 e 2012. Entre 2010 e 2015, espera-se que a capacidade instalada cresça mais de 500%, ante apenas 14% da hidrelétrica, e atingiria mais de 5.000 MW, superando a nuclear, que deve atingir 2.000 MW.
“Nossa cadeia produtiva está em constante evolução e os problemas pontuais têm tudo para ser solucionados”, aponta Feitosa.
A previsão da Abeeólica é que a capacidade instalada no uso dos ventos para produzir energia elétrica cresça 141% em 2013, na comparação com 2012, chegando a 6 gigawatts. Ainda de acordo com a associação, o setor pode receber investimento de até US$ 10 bilhões entre 2013 e 2017.
As expectativas são pequenas, contudo, considerando a capacidade brasileira de geração de energia eólica que, segundo os especialistas, permitiria alcançar patamares semelhantes aos da Dinamarca ou Espanha, onde o vento responde por cerca de 28% da matriz de energia.
Ao mesmo tempo em que cresce rapidamente, o setor de energia eólica tem criado novas oportunidades e demandas para esse segmento. Para driblar gargalos de logística – como a dificuldade de enviar os pesados equipamentos produzidos na região Sudeste para o Nordeste (onde estão os parques eólicos) -, começa a ganhar força um movimento de instalação de parques fabris na Bahia e no Ceará, por exemplo. A produção eólica também já enfrenta dificuldade na contratação da mão-de-obra.
“Os principais gargalos estão associados à logística, tanto para o transporte de equipamentos quanto para a transmissão de energia. Mas há caminhos para a solução destas questões”, diz Elbia Melo, presidente da Abeeólica. De acordo com ela, uma solução para levar equipamentos fabricados no Sudeste para os parques eólicos nordestinos seria o aprimoramento do uso do transporte de cabotagem. “Em relação à transmissão, a solução deve vir no médio prazo, visto que, para a realização dos próximos leilões, é exigida a construção prévia de linhas de transmissão”, completa.
Avaliação da agência de classificação de riscos Moody’s já apontava no fim de 2012 que a expansão planejada da energia eólica na matriz elétrica brasileira em cerca de cinco vezes, até 2016, criaria desafios para o setor no país. A razão principal é que a energia eólica no Brasil tem sido viabilizada
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em contratos de longo prazo a preços considerados cada vez mais competitivos, provocando uma tendência de queda nas tarifas para os geradores.
Atualmente há 115 usinas eólicas instaladas no país, com possibilidade de responder, a partir do ano que vem, por cerca de 40% da demanda de crescimento anual por energia brasileira, conforme Elbia Melo apresentou no evento Brasil Wind Energy Conference, que termina hoje em São Paulo.
Fonte: Brasil Econômico


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GÁS VAI SUPERAR PETRÓLEO NO ORIENTE MÉDIO.

De acordo com estimativa da consultoria Deloitte, o gás vai ultrapassar o petróleo como fonte de energia na região em 2025.
A demanda por gás natural no Oriente Médio deverá superar a por petróleo em 2025, segundo o relatório Recursos e energia no Oriente Médio: gerenciando a escassez para o futuro, publicado pela consultoria britânica Deloitte, na segunda-feira (27). As informações são do site Ameinfo, de Dubai.
Em 2040, de acordo com o relatório, 50% da demanda de energia da região será suprida pelo gás natural. O documento informa que a maioria das estatais do setor no Oriente Médio tem planos de investimentos na produção e exploração de gás.
De acordo com a Deloitte, os países do Conselho de Cooperação do Golfo (GCC) especialmente os Emirados Árabes Unidos, Catar e Arábia Saudita, planejam contratos de mais de US$ 68 bilhões para aumentar a produção de gás nos próximos cinco anos.
Fonte: Agência de Notícias Brasil-Árabe


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LEILÃO DE EÓLICA.

Leilão de eólica vai testar humor dos investidores

As restrições feitas pelo governo federal para os novos parques eólicos são “positivas” e tornam o setor “mais confiável” para os investidores, como os fundos de private equity, afirmam os analistas do Boston Consulting Group (BCG), Pedro Fragoso e o Miguel Pita. Mas as mudanças regulatórias provavelmente farão com que a energia gerada a partir do vento, que se transformou em uma das fontes mais competitivas no país, fique mais cara daqui para frente.
Os efeitos serão sentidos n no dia 23 de agosto, quando a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) realiza o primeiro leilão de energia nova deste ano, para projetos que vão entrar em operação em setembro de 2015.
Para presidente da Associação Brasileira das Distribuidoras de Energia (Abradee), Nelson Fonseca, é esperado que haja demanda por parte das empresas. Isso porque as distribuidoras possuem atualmente um déficit em torno de 3 mil MW em suas carteiras, que terão de ser comprados nos próximos leilões.
Desse total, mil MW devem-se à suspensão dos contratos com o grupo Bertin, que não construiu as usinas térmicas leiloadas em 2008. As distribuidoras também ficaram subcontratadas em 2 mil MW depois do rateio da energia produzida pela hidrelétricas cujas concessões foram renovadas. As cotas não foram suficientes para cobrir toda a demanda das distribuidoras.
Mas, do lado da oferta, é esperado mais parcimônia por parte dos empreendedores. Na avaliação da presidente da Associação Brasileira de Energia Eólica (Abeeólica), Elbia Melo, os preços oferecidos no último leilão não tendem a se repetir, nem o número de projetos ofertados. Segundo ela, as estimativas apontam para um aumento entre 10% e 15% nos custos dos parques eólicos com as novas regras, o que obrigará os empreendedores a pedir preços mais altos.
Se no leilão realizado em dezembro foram ofertados um total de 14 mil MW, a expectativa da Abeeólica é que esse número caia “no máximo” para 3 mil MW este ano, diz Elbia.
Além de exigir mais garantias em relação à energia gerada pelos projetos eólicos, os empreendimentos também precisarão estar conectados à rede elétrica nacional para ir a leilão. O objetivo do governo é evitar críticas feitas à falta de planejamento nos leilões anteriores. Muitos parques eólicos ficaram pontos mas não podem fornecer energia devido aos atrasos na construção das linhas de transmissão.
Outro ponto crítico, segundo os analistas do BCG, é a falta de confiabilidade nas estatísticas apresentadas pelos empreendedores, o que afeta a percepção de risco por parte dos investidores. O governo dobrou as exigências. Agora, os parques eólicos precisam garantir 90% da energia esperada (P90), enquanto esse percentual era antes de 45% (P45). Isso obrigará os empreendedores a instalarem mais aerogeradores para o mesmo volume de energia, elevando os custos, diz Elbia.
De acordo com um levantamento do BCG, alguns parques construídos no país geraram um volume “consideravelmente” menor que o projetado. No Nordeste, as fazendas produziram, em média, um volume de energia 25% menor que o previsto nas estatísticas (fator de capacidade). Há parques onde a energia gerada correspondeu a apenas 22% da potência instalada, quando se projetava um índice de 32%. Devido à instabilidade dos ventos, o fator de capacidade dos parques eólicos é baixo, atingindo, na melhor das hipóteses, 50% da potência total instalada.
Fonte: Valor Econômico


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EÓLICA QUER ENTRAR NO A – 5.

Eólica quer entrar no A-5 para mitigar riscos com a mudança de regras

Parques poderiam vender a energia antecipada no mercado livre e melhorar o perfil de contratação ante a elevação de custos de 12% com P90 e regras do Finame
A presidente executiva da Associação Brasileira da Energia Eólica, Élbia Melo, voltou a defender a inclusão da fonte nos leilões A-5 como forma de trazer mais competitividade ao setor. Essa medida é vista como uma forma de rentabilizar os investimentos em eólicas diante do fato de que o governo aumentou exigências com o P90 e as novas regras do Finame, pois permitiria aos investidores entrar no mercado livre.
A executiva estimou que as duas novas medidas que serão exigidas por parte dos investidores elevará os aportes em 12% para cada uma das regras novas. Para ela, a presença de parques eólicos no A-5 seria importante para o atual momento pelo qual a fonte passa, classificando como de transição em função das medidas e das incertezas quanto à necessidade de investimentos adicionais que serão demandados em função das mudanças promovidas pelo governo federal.
“Para os anos de 2013 e 2014, precisamos de mecanismos como a participação no A-5 para enfrentar esse momento de mudanças”, declarou Élbia Melo.
Laura Porto, diretora da Iberdrola Renováveis, também defendeu o retorno da eólica ao A-5 como uma forma de mitigar os impactos das medidas sobre os aportes das empresas no país. Segundo ela, o leilão deve ser acessado porque permitiria a busca por um mix de mercado entre o ACL e o ACR, um perfil de contratação que agrega valor a esse tipo de investimentos. “Ter a eólica no A-5 é uma conquista interessante. A proposta é de insistir na participação [no leilão]. Precisamos aguardar o sinal econômico do governo. O preço precisa qualificar a exigência do P90, que é exagerada na minha visão, poderia ser o P75”, afirmou a executiva durante evento realizado em São Paulo nesta segunda-feira, 27 de maio.
O aumento do custo da energia, disse a presidente executiva da ABEEólica, não se trata de um movimento que pretende tirar a competitividade da fonte eólica no mercado nacional. Segundo ela, mesmo com a alteração das regras para a participação da fonte nos leilões de energia nova a eólica está em uma condição positiva. Élbia, qualificou essas mudanças apenas como uma nova orientação de política energética e que essas exigências podem ser atendidas pelo setor.
“O governo até separou os leilões, mas mesmo diante das térmicas a eólica está em situação favorável diante das demais fontes. Nossa competitividade ainda é forte”, afirmou a presidente da ABEEólica. Um dos fatores que levam otimismo à associação setorial é a estimativa de que o potencial brasileiro de energia eólica e que está em estudo pelo Cepel pode chegar a 300 GW de capacidade de geração. Um volume que, segundo ela, ainda poderá colocar a eólica por muito tempo no foco da atuação dos investimentos na matriz energética do país.
A questão principal para os investidores, disse ela, é a necessidade de que o governo indique para uma demanda de contratação. Demanda, continuou a executiva, é o que o setor precisa nesse momento para que o Brasil possa concentrar fornecedores de máquinas e equipamentos em função da necessidade dessas empresas em ter o que classificou como “sinais adequados de demanda”. Esse sinal, no passado, foi indicado como de no mínimo de 2 GW ao ano. Élbia não apontou esse número mas vem dizendo que o país não pode ter novamente um ano de 2012 de contratações que passou um sinal negativo para os fabricantes.
Para o representante da Abimaq, associação dos fornecedores de máquinas e equipamentos, Roberto Veiga, não existe investimento sem demanda. Ele elogiou a forma como o governo defendeu
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o mercado nacional dos importados, mas ressaltou que sem demanda não há investimentos e não há redução de custos. Porém, as medidas do Finame trazem a competitividade para os equipamentos nacionais.
Élbia Melo lembrou ainda que na semana passada, durante o Enase, o presidente da Empresa de Pesquisa Energética, Maurício Tolmasquim, sinalizou com a possibilidade de termos a eólica no A-5 para o final do ano. Porém, ela diz ainda que um dos problemas que podem ocorrer no país vem do fato de que com as regras atuais a oferta de parques deve somar cerca de 3 GW de capacidade instalada. Por isso, dependendo do volume contratado no LER, é possível que a eólica não consiga participar dos demais leilões planejados para 2013 por falta de projetos habilitados conforme as regras.
Fonte: Canal Energia


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UMA NOVA POLÍTICA ENERGÉTICA PARA O BRASIL.

 

Entidades lançam Frente por uma nova política energética para o Brasil

 

Dentro da programação do Seminário “Por uma Nova Política Energética no Brasil”, promovido pelo Fórum de Mudanças Climáticas e Justiça Social, foi realizado na noite desta quinta-feira, 23 de maio, um ato público em que se discutiu a necessidade de se construir e implementar um novo modelo de produção de energia limpa no país.

A informação é do Boletim da CNBB, 24-05-2013.

O ato foi coordenado por dom Pedro Luiz Stringhini, membro da Comissão Episcopal para o Serviço da Caridade, Justiça e Paz da CNBB. Estavam presentes representantes de entidades e movimentos que possuem posicionamento contrário ao uso da energia nuclear e da construção de novas hidrelétricas, e favoráveis ao uso de fontes de energia limpa e renovável. Por isso, lançaram neste ato a Frente por uma Nova Política Energética no Brasil.

De acordo com o assessor do Fórum, Ivo Poleto, o que promoveu o surgimento desta iniciativa foi a consciência de que a humanidade vive uma situação crítica. “Se nós descuidarmos, seja na escolha ou no uso das fontes a partir das quais nós vamos produzir, distribuir e consumir energia, do jeito que está agora, a Terra vai entrando em incapacidade de repor os bens naturais explorados. Ao mesmo tempo, vai se sentido a estrutura da atmosfera modificada, gerando o aquecimento e mudanças climáticas”, explica.

Por este motivo, segundo Ivo, é necessária a busca por um novo modelo, com o uso de fontes alternativas de energia que não foram usadas até agora, e que são realmente limpas, como o sol, os ventos, o movimento das ondas marítimas e a biomassa. “Alternativas existem, mas se a concepção do mundo não muda, não adiantará nada”, afirmou dom Leonardo Steiner, secretário geral da CNBB, que no ato público lembrou a necessidade de que a humanidade mude também a sua forma de se relacionar com a natureza. “A relação não pode ser de subjugação, mas de cuidado, de respeito”.

Estavam presentes no ato Juliana Malerba, da Federação de Órgãos para a Assistência Social e Educacional, que trouxe informações importantes sobre as consequências do uso da energia nuclear. Também o professor Helter Scalabrini, da Articulação Nuclear Brasileira, falou dos projetos do governo em relação à construção de usinas nucleares, e a consciência que já existe na população em torno deste tema. Cândido Munduruku, representante dos povos indígenas, falou da luta de seu povo contra a construção da usina de Belo Monte, no Pará. O procurador da República no estado do Pará, Felício Pontes, também prestigiou o ato político.

“No caso da energia nuclear – explica Ivo Poleto – sabemos que existe um planejamento do governo federal de que, além da produção a partir das usinas hidrelétricas, há o projeto de utilizar as reservas de urânio do país, que são suficientes para a conclusão do projeto de Angra, e a construção de outras, especialmente na região de Caetité, na Bahia”, explica Ivo. Ele, porém, lembra que o Brasil não possui um planejamento de segurança para o uso da energia nuclear, e que existe uma pressão em vários países para o desmonte das usinas existentes, especialmente no Japão e na França. “Todo o processo de produção é contaminador, e não se sabe mesmo o que fazer com os dejetos que resultam da produção da energia nuclear. Por isso, é urgente uma luta para proibir o uso dessa energia: por causa dos riscos, e porque ela não é necessária”.

O ato foi encerrado com a exibição de um documentário sobre dois grandes projetos hidrelétricos em andamento: Belo Monte, no Brasil, e Ilisu, na Turquia.


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GÁS DE XISTO NO BRASIL.

 

     Proibido em países da Europa, Brasil quer usar fraturamento hidráulico para explorar gás de xisto

 Uma polêmica técnica de extração de gás natural, proibida em alguns países da Europa, será testada pela primeira vez no Brasil. O fraturamento hidráulico (fracking, em inglês) é questionado pela falta de estudos sobre possíveis danos ambientais.

A extração de gás natural por meio de fraturamento hidráulico é considerada uma alternativa diante do esgotamento das reservas naturais mais acessíveis. Para extrair o gás, é preciso “explodir” as rochas. O processo começa com uma perfuração até a camada rochosa de xisto. Após atingir uma profundidade de mais de 1,5 mil metros, uma bomba injeta água com areia e produtos químicos em alta pressão, o que amplia as fissuras na rocha. Este procedimento liberta o gás aprisionado, que flui para a superfície e pode então ser recolhido.

A reportagem é de Magali Moser e publicada por EcoDebate, 21-05-2013.

Uma referênca sobre o tema é um estudo feito pela Duke University, na Pensilvânia, em que os cientistas chamaram a atenção para o aumento da concentração de metano na água potável em locais próximos aos poços usados para o fraturamento hidráulico.

Potencial promissor

De acordo com a Agência Internacional de Energia (IEA, na sigla em inglês), com o fraturamento hidráulico o Brasil poderia chegam à 10ª posição no ranking de maiores reservas mundiais de gás de xisto, também conhecido como gás não convencional. A Agência Nacional do Petróleo (ANP) pretende realizar em outubro um leilão sobre a exploração desse gás. As bacias cotadas para entrar nesta rodada são a do Parecis (MT), do Parnaíba (entre Maranhão e Piauí), do Recôncavo (BA), além das bacias do rio Paraná (entre Paraná e Mato Grosso do Sul) e do Rio São Francisco (entre Minas Gerais e Bahia).

Mas embora seja promissora economicamente, a técnica controversa é criticada por ambientalistas. “Há uma clara vontade política para que isso aconteça [a exploração por meio de fraturamento hidráulico], especialmente após as recentes avaliações muito otimistas sobre o potencial de gás de xisto em terra no Brasil”, disse à DW Brasil Antoine Simon, da divisão europeia da organização internacional Amigos da Terra. A entidade assinou, junto com o Greenpeace e outras organizações de proteção ao meio ambiente, uma carta pública em que expõe os motivos para o posicionamento contrário ao procedimento.

Para as entidades, parece não haver qualquer debate sobre as questões ambientais, sociais e de saúde sobre os impactos gerados por essa atividade. A própria ANP reconhece a falta de estudos sobre os impactos ambientais da prática. “O tema fraturamento hidráulico tem causado alvoroço na imprensa mundial, pois seus riscos não foram esclarecidos plenamente”, admitiu a assessoria de imprensa da entidade. Na avaliação da ANP, o método possibilita aumentar a produção de gás natural, mas ainda apresenta altos custos e complexidade nas operações.

Risco de contaminação

Entre os principais impactos ambientais alertados pelos especialistas estão a contaminação da água e do solo, riscos de explosão com a liberação de gás metano, consumo excessivo de água para provocar o fracionamento da rocha, além do uso de substâncias químicas para favorecer a exploração. Ainda há a preocupação de que a técnica possa estimular movimentos tectônicos que levem a terremotos.

Para o coordenador do programa Mudanças Climáticas e Energia da organização ambientalista WWF-Brasil, Carlos Rittl, os aspectos sociais e ambientais são totalmente ignorados: “o único argumento por trás da exploração é o econômico”, observa. “Essa tecnologia não se provou segura em nenhum lugar do mundo.”

Outro ponto questionado pelo especialista é o fato de o Brasil investir na exploração de combustíveis fósseis, em vez de apostar em fontes renováveis. Ele lembra que pelo menos 2/3 das reservas mundiais conhecidas precisam permanecer no subsolo para evitar o aquecimento global.

“O Brasil é muito abundante em fontes de energia de baixo impacto. O governo investe muito menos em energia eólica e solar, em aproveitamento da própria biomassa da cana-de-açúcar e de resíduos de madeira, por exemplo”, considera.

Proibido na França e na Bulgária

O fraturamento hidráulico é motivo de controvérsia em todo o mundo. De acordo com a organização Amigos da Terra, o método é permitido na Polônia e no Reino Unido, mas proibido na França e na Bulgária. Outros países europeus declararam moratória à técnica de extração, com o objetivo de fazer uma análise mais aprofundada sobre os impactos ambientais. É o caso da Irlanda, República Tcheca, Romênia, Alemanha e Espanha.

O Greenpeace se posicionou oficialmente contra o método. A instituição diz ter sérias preocupações com os impactos diretos e indiretos sobre a saúde individual e pública. Segundo a entidade, muitos desses impactos não são só locais, mas podem ser sentidos em nível regional e mesmo global.
Uma das preocupações é de que a técnica possa favorecer movimentos tectônicos que levem a terremotos

Produção de gás de xisto

De acordo com a ANP, há registros de operações de fraturamento hidráulico convencional desde 1950 no Brasil. A agência afirma que, desde então, mais de 6 mil operações foram realizadas utilizando baixas pressões e vazões, sem registros de incidentes graves. Não há experiência no Brasil de realização de fraturamento com volumes de fluido e potência hidráulica nos níveis utilizados nos Estados Unidos, onde se concentra a produção.

De acordo com a IEA, a experiência norte-americana mostra que o gás não convencional pode ser explorado economicamente. A produção de gás de xisto nos Estados Unidos aumentou de forma acentuada a partir de 2005. Cinco anos depois, o gás de xisto já representava mais de 20% da produção de gás do país.


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TRANSPORTE SUSTENTÁVEL.

 

                     

Cidades criam ações para transporte sustentável

   Autor: Jéssica Lipinski   –   Fonte: Instituto CarbonoBrasil
 

Participantes do grupo C40 como Rio de Janeiro, São Paulo, Bogotá e Madri desenvolvem estratégias de carros e ônibus elétricos e híbridos para reduzir emissões de dióxido de carbono e diminuir poluição das cidades

 

O que as cidades do Rio de Janeiro, São Paulo, Bogotá, Santiago do Chile e Madri têm em comum? Além de serem grandes cidades conhecidas mundialmente por suas oportunidades profissionais e variedade turística, elas agora também compartilham iniciativas que buscam tornar o transporte mais sustentável, mitigando as emissões de CO2 e a poluição.

Os projetos desenvolvidos por essas cidades fazem parte de ações do C40, grupo de grandes cidades mundiais que discute alternativas para combater as mudanças climáticas. Atualmente, cerca de 60 cidades participam do C40, entre elas Cairo (Egito), Pequim (China), Sydney (Austrália), Berlim (Alemanha), Paris (França), Nova York (EUA) e Buenos Aires (Argentina). Do Brasil, fazem parte as cidades de Curitiba, Rio de Janeiro e São Paulo.

Entre as estratégias desenvolvidas pelo grupo estão a construção de edifícios verdes, a criação de ciclovias e estímulo a meios de transporte alternativos, desenvolvimento de iniciativas para redução de emissões e de consumo de eletricidade e água, concepção de projetos de eficiência energética, gestão de resíduos etc.

Atualmente, alguns dos projetos que mais têm chamado a atenção são os de transporte sustentável, que visam reduzir as emissões de carbono e diminuir a poluição das cidades. Um desses é o Programa de Teste de Ônibus Híbrido e Elétrico (HEBTP), realizado em parceria com Iniciativa Climática Clinton (CCI) e o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), e que no último mês publicou um relatório com o parecer dos testes.

Segundo o documento do HEBTP, que avaliou a iniciativa nas cidades latino-americanas de Bogotá, Rio de Janeiro, Santiago do Chile e São Paulo, as tecnologias híbridas produzem volumes até 35% menores de emissões de gases do efeito estufa (GEEs) e de poluentes, e os ônibus são cerca de 30% mais eficientes em combustível do que os comuns, movidos a diesel.

Já os ônibus elétricos não produzem emissões e oferecem uma redução de 77% no consumo energético em relação ao uso de combustíveis fósseis. O texto também aponta que a nova tecnologia proporciona a redução de poluentes e outros problemas relacionados ao transporte público, como poluição sonora, o que traz não só benefícios ambientais, mas também sociais.

Além disso, o relatório indica que as tecnologias elétricas e híbridas são mais baratas em longo prazo. Isso porque apesar de os custos iniciais de compra dos ônibus de baixo carbono serem altos – 50% a 60% a mais para híbridos e 125% a 150% a mais para elétricos –, os gastos do ciclo de vida total, calculados para uma projeção de dez anos de operação, são iguais ou menores do que os valores dos ônibus convencionais à diesel. Os custos de manutenção de um ônibus elétrico, por exemplo, são cerca de 50% menores do que os de um convencional.

O documento enfatiza que esses números são excepcionalmente relevantes se considerarmos que o setor de transporte na América Latina é o maior emissor de CO2 por consumo energético, e é responsável por 35% das emissões totais do continente. Os valores são muito maiores do que a média mundial, na qual a participação desse setor nas emissões fica em 24%.

“Os resultados das provas com ônibus híbridos e elétricos […] demonstraram os benefícios econômicos e ambientais da utilização de veículos limpos. Nossa legislação municipal já exige o uso de 100% de veículos limpos em 2018 e acabamos de incorporar esses objetivos a nosso plano de governo. Vamos trabalhar duro para melhorar o transporte público na cidade”, colocou Fernando Haddad, prefeito de São Paulo.

“Os resultados do HEBTP são muito promissores e vamos continuar trabalhando com o C40-CCI para demonstrar que se pode criar um caso de negócios para a introdução dessas tecnologias. O uso das tecnologias baixas em carbono para os ônibus na cidade do Rio de Janeiro é parte de uma estratégia global para melhorar a mobilidade da cidade e seu desempenho em sustentabilidade”, acrescentou Eduardo Paes, prefeito do Rio de Janeiro.

A análise, entretanto, ressalta que esse não é o primeiro projeto a tentar implantar ônibus híbridos e elétricos no transporte urbano público. De acordo com o relatório, “cidades do C40 tais como Chicago, Curitiba, Londres, México, Nova York, São Francisco, Seattle, Xangai, Tóquio e Toronto foram pioneiras no uso de ônibus híbridos e estão colaborando com os fabricantes para que estes entendam suas necessidades e para melhorar as tecnologias”.

Curitiba, por exemplo, foi pioneira nacional na produção de ônibus elétricos pra transporte coletivo, e atualmente 30 veículos híbridos operam na cidade. A operação dos ônibus começou em setembro de 2012, e atualmente eles percorrem cinco linhas, atendendo mais de 20 mil passageiros por dia.

Como os ônibus testados pelo HEBTP, os veículos de Curitiba apresentam redução de 35% no consumo de combustível, 35% menos emissões de CO2, 80% menos óxido de nitrogênio (80%) e 89% menos fumaça.

E não são apenas os veículos do transporte público que estão ganhando alternativas mais sustentáveis nos municípios. Em Madri, uma das cidades mais visitadas por turistas de todo o mundo, a rede de hotéis NH, conhecida por ser líder em turismo sustentável, criou um acordo com a Respiro Car Sharing, do ramo de aluguel de carros, para implantar o serviço de car sharing com veículos elétricos em hotéis da cadeia.

A parceria ampliará um serviço já existente de car sharing desenvolvido pelas duas empresas desde janeiro. A diferença é que agora os veículos utilizados serão o modelo Nissan LEAF, o primeiro carro 100% elétrico fabricado em grande escala.

O car sharing se apresenta como uma alternativa sustentável pois prevê o compartilhamento de um único veiculo por mais de um usuário. Segundo a Respiro, cada carro multiusuário supõe a retirada de circulação de pelo menos 15 veículos privados, reduzindo o impacto na cidade. Quando o carro é elétrico, os benefícios ambientais seriam ainda maiores. Além disso, cada usuário, por não possuir um carro, economizaria uma média de €2 a €5 mil por ano.

“A transição para a mobilidade elétrica demorará mais ou menos, mais sem dúvida é o futuro da mobilidade no entorno urbano, e a grande alternativa aos veículos de combustão”, observou Juan Luis Plá de la Rosa, chefe de departamento de transporte do Instituto para a Diversificação e Poupança de Energia (IDAE), ao site Ecosectores.

“Após a experiência em Madri esperamos poder transpor o modelo de car sharing para Barcelona e outras cidades da Espanha, assim como complementar esse serviço com o do aluguel de bicicletas elétricas de que já dispõem vários hotéis de nossa cadeia na Europa”, concluiu Hugo Rovira, diretor geral dos Hotéis NH Espanha.

Crédito imagens: C40
Tabela: Redução de emissões e economia de combustível observadas em algumas cidades onde o HEBTP já foi testado.