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PETROBRAS – Entrevista com o ex-diretor Guilherme Estrella.

Notícias

Estrella torce para que o Executivo vete projeto que tira exclusividade da estatal no pré- sal

Fonte: Estadão
Autor: Antonio Pita e Fernanda Nunes

Após o Senado aprovar o o ex-diretor de Exploração e Produção da petroleira, Guilherme Estrella, que chefiou, de 2003 a 2012, a equipe que descobriu o pré-sal, disse em entrevista ao Estado torcer pelo veto da presidente Dilma Rousseff ao novo marco legal, que acaba com a obrigatoriedade de a estatal participar de todos os blocos do pré-sal. Para o geólogo que ingressou na estatal ainda monopolista de 1965, as multinacionais “só querem ficar com o filé mignon”. Disse ainda que “não pode uma empresa petrolífera ser gerenciada como um banco”.

O País deve o pré-sal à Petrobrás? 

Não digo que deva à Petrobrás. A empresa cumpriu sua missão. Essa grande transformação do Brasil num país independente, com autonomia em energia, fertilizantes e petroquímicos foi o trabalho dos últimos 15 anos. O pessoal (funcionários) está de cabeça baixa (por causa das denúncias de corrupção). Vamos separar as coisas. Fizemos um grande trabalho. Aliás, eu vim aqui dizer isso.

Quanto as denúncias da Operação Lava Jato afetaram as conquistas com o pré-sal? 

Se afetou, foi do ponto de vista emocional. O pré-sal é uma realidade concreta. Não há como dizer: não temos mais o pré-sal por causa da corrupção. A empresa continua tendo sustentação de longo prazo. E tem uma coisa que só a Petrobrás tem: a hegemonia do mercado brasileiro. Foi a Petrobrás que investiu. Vai no Alto Amazonas. Não tem a Shell lá, tem a BR. Essas empresas só vêm para o filé mignon.

A Petrobrás correu risco investindo no pré-sal? 

Uma empresa privada não faria o que a Petrobrás fez. A quebra do monopólio foi em 1998. Qual a grande descoberta que essas empresas fizeram? Eu ficaria extremamente decepcionado, entraria numa profunda depressão se o pré-sal tivesse sido descoberto por outra empresa que não a Petrobrás. Nas nossas barbas. Em frente a São Paulo, principal centro econômico brasileiro. Eu não saberia o que fazer.

Como é essa história? 

Cheguei lá (na diretoria) em 2003 e a Petrobrás estava concentrada na Bacia de Campos. Espalhamos as sondas. Na primeira licitação que participei, perdemos um bloco. Cinco minutos depois, toca o telefone. Era a ministra de Minas e Energia (Dilma Rousseff). Ela disse: estou sabendo que a Petrobrás perdeu um bloco. Eu comecei a dar explicações. Ela respondeu: só quero pedir que esse fato não se repita. O recado era: todas as áreas que a Petrobrás tem interesse, tem de ganhar. Como a empresa chegou ao pré-sal? A Petrobrás é uma empresa sem aversão ao risco exploratório. A gente não sabia de onde vinha a rocha geradora (do petróleo brasileiro). Li, então, um artigo de um francês naturalizado americano que me chamou atenção. Ele veio ao Rio e disse: vocês estão errados. A rochanão é a que vocês estão pensando. Desse estudo até a perfuração no campo de Lula (o primeiro do pré-sal), foram 24 anos.

Por que não foi feito antes? 

Havia um carimbo de estéril na Bacia de Santos. Quando descobrimos primeiro o pós-sal em Santos, vimos que havia uma grande camada de sal e que as interpretações todas se ligavam. Foi configurada uma oportunidade. Percebemos que estávamos diante de algo diferente, que precisava ser tratado diferentemente. A probabilidade de encontrar petróleo é de praticamente 100%.

O sr. participou da formulação do marco do pré-sal? 

Eu só disse ao governo: é um fato novo. Constituiu-se um grupo de trabalho, coordenado pela ministra de Minas e Energia (Dilma). Sou testemunha de como o pré-sal foi discutido até chegar ao texto central que instituiu o regime de partilha, a formação da PPSA (Pré-sal Petróleo SA) e a Petrobrás como operadora única. Foi mais de um ano de discussão. Houve muitos depoimentos contrários.

Qual era a posição da então ministra Dilma? 

A Dilma era coordenadora (do grupo de trabalho). Ela deixava discutir. Foi construindo a opinião na cabeça dela, informando ao presidente e aí chegou-se ao texto final. Foi uma construção democrática, que posicionou a Petrobrás como operadora, que conduz o negócio e tem o sentimento de propriedade.

É emblemático que seja a presidente Dilma a sancionar as mudanças (que acabam com a obrigatoriedade de a Petrobrás participar de todos os blocos), nove anos após defender o marco?

Democracia é isso mesmo. Temos os poderes constituídos e o presidente tem a função de harmonizá-los. As circunstâncias mudam. O presidente tem a capacidade, o direito de vetar. Não sei como ela vai agir.

O senhor acha que ela veta? 

Pessoalmente, prefiro que ela vete. Isso é de tal forma importante que, na minha visão, como cidadão, devemos retornar ao Congresso para, com um voto mais qualificado, apreciar o veto presidencial.

Houve pressão após a descoberta do pré-sal? 

A pressão é constante. O cônsul geral norte-americano no Rio parabenizou o trabalho, mas, falando em nome de empresas estrangeiras, questionou a operação única, fazendo o trabalho dele de forma absolutamente legítima. A descoberta mais importante dos últimos 50 anos na indústria petrolífera mundial e os caras ficarem de fora? Eles tinham muito interesse, é algo absolutamente normal.

Não configura lobby? 

Nada desonesto. Fui presidente do conselho de administração do IBP (Instituto Brasileiro de Petróleo). Me retirei da presidência desse conselho porque entendia que defendia o interesse das estrangeiras, combatendo o novo marco regulatório. Havia um conflito de interesses gritantes.

A Petrobrás dá conta da operação, mesmo em crise financeira? 

Temos de gerenciar o pré-sal a longo prazo. Não interessa, com o barril de petróleo a US$ 30, exportar 1 milhão de barris.

Para que abrir licitações agora? 

O País tem uma situação confortabilíssima de soberania energética. Isso não pode ser medido monetariamente. É um valor de sustentação do País.

Esse patamar de preços mantém as áreas viáveis? 

A Petrobrás produz 2 milhões de barris por dia nas bacias de Santos e Campos, na frente do mercado consumidor. Nós produzimos a US$ 8 o barril no pré-sal por usar a infraestrutura vizinha da bacia de Santos. É uma vantagem competitiva. As grandes empresas mundiais produzem 4 milhões de barris por dia em campos espalhados no mundo, com operação caríssima.

A mudança na operação única abre brecha para pressão sobre o conteúdo local? 

Desistir do conteúdo nacional é o fim da picada. Temos uma riqueza, descoberta em território nacional por empresa nacional. Chega na hora de gerar empregos, você vai levar para fora?

O senhor participou da criação da Sete Brasil? 

Do conceito. A construção de sondas completa o ciclo de reestruturação da indústria naval. As águas ultraprofundas são a última fronteira de exploração petrolífera do mundo e vão demandar sondas. São equipamentos de elevado nível tecnológico. Produzi-los daria à indústria brasileira competitividade internacional. E havia a necessidade de cumprir os níveis de conteúdo nacional.

Onde deu errado? 

Não sei, já não estava lá. Era necessário uma estruturação financeira que desse sustentação a um projeto de tão longo prazo. O modelo era bom.

Diante das denúncias, é possível defender a Sete Brasil? 

Não tem nada a ver com corrupção. As empresas têm de ser preservadas. Nas empresas estão nossos engenheiros, o conhecimento, a tecnologia. Os Estados Unidos, em 2008, não destruíram suas empresas. Com a queda das cotações e da taxa de afretamento, ainda considera bom o modelo? Com US$ 30 o barril, toda a estrutura financeira precisa ser revista. O problema atingiu não só a Petrobrás. Há outras descobertas, em Sergipe e Espírito Santo, e as sondas serão necessárias. A Petrobrás tem reduzido a exploração.

A produção futura está comprometida? 

É natural, mas tem um jeito de gerenciar a empresa, reunir as pessoas e dizer: não vamos parar a interpretação geológica. As pessoas vão ver que não estamos no fundo do poço, num beco sem saída.

E qual a saída? 

Alongar o perfil da dívida. Temos de avançar em operações como a firmada com a China, que é excelente (captação de US$ 10 bilhões em troca de óleo). Dinheiro existe. A solução é mais política. Nossa base de sustentação está no mercado interno. Partir para a venda de ativos onde somos hegemônicos é precipitado. Não dá para decidir muita coisa em cima de uma crise. Quando o senhor assumiu a direção em 2003, disse que a Petrobrás tinha se tornado uma empresa financeira atuando no setor de petróleo.

Essa lógica está em curso novamente? 

Se há alguém que tem aversão absoluta ao risco é o banqueiro. Se você tem grande dívida, chama o banqueiro para negociar. Não pode, na minha opinião, uma empresa petrolífera ser gerenciada como um banco. Mas não acho que isso esteja sendo feito na Petrobrás.

Como era sua relação com Paulo Roberto Costa e Renato Duque? 

Não vou falar sobre isso. As pessoas não foram pegas na esquina, eram funcionários há décadas. Para as denúncias, temos a Justiça.

Como a Lava Jato afetou sua vida pessoal? 

A Petrobrás não é um simples emprego, a gente se liga a um sonho. Essas ocorrências me atingiram profundamente.

 

Como se sobrevive a isso? 

Na consciência do empenho de nossa equipe durante esses anos todos. E por isso descobrimos o pré-sal. Isso é o que nos deixa de cabeça erguida

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PETROBRAS – Posição do Senador Requião a respeito do projeto do Serra.

Querem dar a Petrobras a alguma das 7 irmãs.

Fonte: site 247 Autor: site 247

O Senador Roberto Requião (PMDB-PR) criticou o projeto que retira a obrigatoriedade da Petrobras de participar de todos os consórcios na exploração do pré-sal; segundo ele, a proposta foi apresentada “aos brasileiros e aos tolos do Congresso como possibilidade de investimentos das Sete Irmãs que a Petrobras não poderia fazer”, em referências às sete maiores companhias de petróleo no mundo; “Mentira absoluta”, rebateu; em discurso durante ato contra a Globo e pela liberdade de expressão, Requião disse que é preciso se mobilizar para “resistir à direita orquestrada internacionalmente através dos meios de comunicação”; “A mídia é um instrumento de amortecimento da consciência nacional, um instrumento de precarização da utilidade, do Estado, do Congresso e das leis que protegem os trabalhadores”

 

 

Paraná 247 – O senador Roberto Requião (PMDB-PR) voltou a criticar o projeto que retira a obrigatoriedade da Petrobras de participar de todos os consórcios com 30% na exploração do pré-sal. O projeto é de autoria do senador José Serra (PSDB-SP) e foi aprovada pela Casa. De acordo com o parlamentar, “o dinheiro, o capital financeiro que se organiza contra o estado social”.

 

“O petróleo objeto de guerra geopolítica de países que querem domínio das reservas, é apresentado aos brasileiros, e aos tolos do Congresso como possibilidade de investimentos das Sete Irmãs que a Petrobras não poderia fazer. Mentira absoluta”, disparou ele, nesta segunda-feira (7), em evento no Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo.

 

A expressão “Sete Irmãs” se refere às sete maiores companhias internacionais de petróleo, que, segundo Requião, não é apenas um combustível que move 95% dos transportes. “O petróleo se compõe de mais de três mil derivados que influenciam a indústria de forma ampla. Mas a tolice passou pelo Congresso” disse. Na avaliação de Requião, os defensores do projeto querem entregar a Petrobras “a um dos sete bandidos das sete irmãs”.

 

De acordo com o senador, é preciso fazer mobilização, não no sentido de buscar conflito, mas para “resistir a direita orquestrada internacionalmente através dos meios de comunicação”. “A mídia é um instrumento de amortecimento da consciência nacional, um instrumento de precarização da utilidade, do Estado, do Congresso e das leis que protegem os trabalhadores”, complementou.

 

O peemedebista também afirmou há um movimento, capitaneado pela mídia, para fazer com que se pensa que o ex-presidente Lula é bandido, que PT é culpado por tudo”. “Mas quando você sai da mobilização da mídia, você raciocina”, disse.

 

Segundo Requião, “Lula é símbolo de mudanças”. O senador disse, ainda, que é preciso mobilizar “todos os que têm o Brasil no coração, que têm a luta pela Petrobras, pelos direitos trabalhistas, para quebrar hegemonia direita e colocar Lula no governo”. “Temos que sustentar essa posição nas ruas. Não esperem nada do governo nem do Congresso. É mobilização e pressão”.


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PETROBRAS -Entrega do pré-sal.

01/03/2016 – Copyleft

Mais entreguista do que o Serra? Só o Cunha!

Cunha pretende aprovar uma versão ainda pior do que a apresentada por Serra, que simplesmente entrega de uma vez o pré-sal às petrolíferas estrangeiras.

1.5K

Najla Passos

Edilson Rodrigues / Agência Senado

A Frente Parlamentar em Defesa da Petrobrás promove nesta quarta (2), no Plenário 1 da Câmara, às 10h, o primeiro ato contra o Projeto de Lei 131/2015, do senador José Serra (PSDB-SP), depois que ele foi aprovado pelo Senado, na semana passada, com a ajuda do inusitado acordo entre o PSDB, PMDB e o governo Dilma Rousseff. A proposta legislativa, que retira da Petrobrás a prerrogativa de ser a exploradora única do pré-sal e abre espaço para que a extração do recurso seja feita por multinacionais estrangeiras, agora depende de aprovação da Câmara. E o risco de que ela saia da casa presidida por Eduardo Cunha (PMDB-RJ) ainda pior do que entrou é real.

Já confirmaram presença no evento centrais sindicais, movimentos sociais e ativistas políticos que defendem a manutenção do regime de partilha atual, pactuado em 2010, durante o governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, após ampla discussão com a sociedade e o parlamento. O regime atual prevê que a Petrobrás atue como operadora única, sendo detentora de pelo menos 30% dos consórcios firmados para exploração do pré-sal. Já o PL do Serra propunha que a estatal poderia participar ou não de cada consórcio, a depender de decisão aprovada pelo Conselho Nacional de Política Energética (CNPE).

O texto aprovado pelo Senado foi uma espécie de meio termo entre as duas coisas: um substituto do senador Romero Jucá (PMDB-RR), construído com o aval do PSDB, PMDB e governo, que obriga o CNPE a consultar a Petrobrás sobre sua intenção de participar ou não de cada consórcio e só abre à exploração ao capital internacional caso a estatal se recuse a fazê-lo. Uma política menos nociva do que a proposta por Serra, mas ainda assim preocupante porque dependerá muito mais dos interesses do governo de plantão do que necessariamente das condições técnicas e financeiras da estatal a ele vinculada.

O Petroléo é nosso!

A exemplo dos setores progressistas e nacionalistas que, no final dos anos 40, lançaram a campanha “O Petroléo é nosso!” para viabilizar a criação da Petrobrás, entidades como a Central Única dos Trabalhadores (CUT), a Federação Única dos Petroleiros (FUP) e o Movimentos dos Trabalhadores Sem-Terra (MST), além de parlamentares progressistas, querem promover uma mobilização nacional para assegurar que o petróleo continue em mãos brasileiras e para que a maior estatal do país, já combalida por sucessivas denúncias de corrupção, não venha a ser desmontada.

Dentre os muitos argumentos favoráveis à manutenção do controle do petróleo brasileiro pelos brasileiros, está o de que o recurso ainda é a grande locomotiva do desenvolvimento mundial. Portanto, trata-se de uma questão geopolítica da qual o Brasil não pode abrir mão. Não por acaso, a maior parte dos países detentores de petróleo controlam a exploração de suas reservas. Hoje, cerca de 75% das reservas internacionais provadas de petróleo estão nas mãos de operadoras nacionais.

Os defensores da estatal brasileira como operadora única do pré-sal também apontam que só a Petrobrás têm condições de fazer a extração do petróleo no mar a preços competitivos e com segurança operacional, justamente porque controla a tecnologia necessária melhor do que qualquer concorrente. A Petrobrás, hoje, consegue extrair um barril de petróleo do pré-sal por algo entre US$ 8 e US$ 9, enquanto as concorrentes não o fazem por menos de US$ 14. E com preços mais baixos na operação, sobravam mais lucros para os royalties e, consequentemente, para a saúde e a educação.

“A extração no pré-sal é mais barata na média por causa da alta produtividade do sistema desenvolvido pela Petrobrás”, sustentou a senadora Gleise Hoffmann (PT-SC), durante os debates no Senado.

Ela também rebateu o argumento dos defensores da mudança de que o atual nível de endividamento da empresa a impede de investir na extração do recurso imediatamente, o que, segundo eles, ajudaria o Brasil a sair da crise e retomar o crescimento econômico. “Mesmo que os leilãos sejam realizados hoje, a extração demoraria de cinco a sete anos. Então, no que isso ajudaria?”, questionou.

Outros colegas somaram-se a ela. “A Petrobras e as outras empresas que tiverem investido no pré-sal, no instante em que o pré-sal começar a jorrar, serão ressarcidas de todas as despesas. Então, como é que a Petrobras não tem condições de enfrentar isso?”, questionou o senador Edison Lobão (PMDB-MA), ex-ministro das Minas e Energias nos governos Lula e Dilma.

O senador Roberto Requião (PMDB-PR) lembrou que a entrega da exploração do pré-sal às estrangeiras resultará em desemprego e desindustrialização do país. “Retirar a exclusividade da Petrobrás na extração do pré-sal irá levar a empresa à falência”, afirmou. Ele argumentou ainda que  a cadeia de produção da estatal é responsável hoje por cerca de 15% e todos os empregos gerados no país, que já sofre com a alta do desemprego.

O argumento mais debatido no Senado foi o que remete à conjuntura internacional de crise do petróleo, em que o barril, que já foi cotado a mais de US$ 130, hoje alcança, em média, US$ 30. Portanto, vender o petróleo neste cenário é entregar o maior recurso brasileiro ao capital internacional. “Nós estamos querendo entregar o pré-sal a preço de banana para as multinacionais do petróleo. Isso é entreguismo sim”, resumiu o senador Lindberg Farias (PT-RJ).

Mais entreguista do que Serra, só Cunha!

O primeiro desafio do movimento em defesa da Petrobrás é garantir que, ao contrário do que ocorreu no Senado, a tramitação da matéria na Câmara não se dê no afogadilho. No Senado, devido à aprovação do regime de urgência,  o PL do Serra não seguiu a tramitação normal nas diversas comissões. E isso impediu que a matéria fosse devidamente discutida não só pelos próprios senadores, mas pela sociedade em geral, em audiências públicas e outros fóruns. O PL do Serra foi debatido apenas por uma comissão especial mista, criada no âmbito da Agenda Brasil.

E é esta receita que o presidente Cunha quer seguir. Nesta segunda (29), ele disse à imprensa que pretende aprovar o projeto ainda neste semestre. Para isso, vai criar uma comissão especial destinada a debatê-lo em, no máximo, 30 dias. Com isso, o projeto não terá que passar pelas comissões de Constituição e Justiça, Minas e Energia, Direito Econômico e Finanças, como seria de praxe e demandaria todo o ano legialtivo.

Mas o melhor termômetro para saber em que velocidade se dará a tramitação da matéria na Câmara será a reunião de líderes desta terça (1). Embora o Regimento Interno determine que caiba ao presidente da casa definir quais matérias entrarão para a pauta de votações da semana, a boa prática democrática exercitada na Câmara historicamente diz que estas definições devam ser feitas coletivamente e em consenso, pelos líderes partidários. O problema é que Cunha não é muito chegado às boas práticas democráticas.

O segundo desafio do grupo é evitar que o presidente da Casa coloque em prática os planos que já divulgou à imprensa: aprovar uma versão ainda pior do que a apresentada por Serra, que simplesmente entrega de uma vez o pré-sal às petrolíferas estrangeiras. “Não vi o texto que veio de lá, não sei se vai ter ou não apoiamento. Pelo que li nas notícias jornalísticas, achei o texto muito ruim, pior que o da Câmara”, disse ele à imprensa, após a aprovação do PL do Serra no Senado.

O texto da Câmara a que Cunha se referia é o Pl 6723/2013, do deputado Mendonça Filho (DEM-PE), que propõe a retomada do regime de concessão implantado durante o governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e adotado no país até 2010, quando o governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou a atual Lei de Partilha. Em termos gerais, o regime de concessão prevê que o lucro do Petróleo a ser explorado é do concessionário definido em leilão, enquanto o regime de partilha prevê que o excedente fique com o Estado.

Pelo modelo de concessão, o concessionário assume os riscos e investimentos de exploração e produção – que no caso do pré-sal já foram quase todos eles feitos pela Petrobrás -, e passa a ser proprietário do petróleo e do gás, depois de pagar à União royalties e impostos. Por isso, ele é recomendado pelos técnicos para os casos em que há alto ou médio risco na exploração.

Já o modelo de partilha é usado em caso de baixo risco exploratório, como é o caso do pré-sal, em que o óleo já foi descoberto e a tecnologia necessária para extrai-lo já está desenvolvida. Ele também prevê que o contratado exerça as atividades de exploração e produção, mas determina que vença a licitação quem oferecer maior bônus ao Estado detentor das reservas. No caso brasileiro, o regime de partilha prevê que a Petrobras atue sempre como operadora do consórcio, com uma participação mínima de 30%.

Como vencer entre os mais conservadores?

O maior de todos os desafios, porém, é compor maioria contrária ao projeto em uma casa que consegue ser ainda mais conservadora do que o Senado, por mais incrível que isso possa parecer. A avaliação unânime dos setores mais progressistas da sociedade é a de que se Cunha conseguir firmar acordo com o PSDB, o PMDB e o governo Dilma, como ocorreu no Senado, a guerra já estará vencida antes de qualquer batalha.

Entidades sindicais do porte da FUP prometem greve geral caso o projeto avance. O MST também ameaça ocupar a frente do Palácio do Planalto. Mas mesmo àqueles que colocam mais peso na força do povo nas ruas, entendem que a posição do governo Dilma, a exemplo do que já ocorreu no Senado, poderá ser mais uma vez o grande fiel da balança para aprovação ou não do projeto. E a julgar pelo histórico anterior, as perspectivas não são as melhores.

Por hora, o que os ministros Jaques Wagner (Casa Civil) e Ricardo Berzoini (Secretaria de Governo) têm afirmado é que a mudança de posição do governo no Senado foi meramente conjuntural e destinada a evitar o “mal maior”, que seria a aprovação do texto original proposto pelo Serra. Segundo eles, com a retomada do debate na Câmara, o governo manterá sua posição original de defender a manutenção do regime de partilha, conforme promessa reiterada pela presidenta Dilma ao longo de 2015.

Contribuem para isso a forte pressão que os movimentos sociais, as centrais sindicais e o próprio partido da presidenta, o PT, vem fazendo sobre o governo. Apesar do acordo firmado pelo Planalto com o PSDB e PMDB, a bancada do PT votou contra o projeto de Serra no Senado. E no dia seguinte o presidente da legenda ainda publicou nota oficial reforçando o compromisso do partido com a defesa da Petrobrás e do pré-sal.

Do outro lado da corda, porém, estão setores golpistas do PMDB e de outros partidos da base aliada que têm transformado a sobrevivência do governo de coalisão da presidenta Dilma Rousseff em um verdadeiro inferno. A ameaça do impeachment perdeu fôlego, mas ainda paira no ar da Câmara que tem seu presidente apontado como um dos maiores corruptos do país, embora ele continue livre, leve e solto para ditar – ou elo menos tentar ditar – a política nacional.


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PETROBRAS – Venda de ativos.

Venda de ativos da Petrobras ganha força para tentar reduzir dívida

Depois aceitar sair de áreas de negócio e oferecer mais ativos ao mercado, a Petrobras começou a
progredir no seu plano de venda de patrimônio. O processo, no entanto, continua mais lento que o
esperado.
A Folha apurou que estão em estágio avançado as negociações para venda de dois campos de
petróleo e dos 81% da estatal na subsidiária que controla a malha de gasodutos Sul e Sudeste, além
da fatia de 49% na Braskem.
Além disso, a Petrobras comunicou aos investidores nesta quarta-feira (2) que negocia com a Pampa
Energia a venda das operações na Argentina e que buscará interessados em campos terrestres de
petróleo.
As vendas fazem parte do plano da Petrobras de arrecadar US$ 14,1 bilhões neste ano para reduzir
sua dívida, que chega a US$ 100 bilhões. Até agora, a empresa só conseguiu vender 49% da
Gaspetro por US$ 1,9 bilhão.
As negociações exclusivas com a Pampa Energia para a venda da subsidiária argentina têm um
prazo de 30 dias, renováveis pelo mesmo período. O pacote incluiu refinarias, postos de combustíveis
e campos de petróleo.
Conforme apurou a reportagem, a Pampa Energia ofereceu US$ 1,2 bilhão pela operação, mas a
avaliação interna da Petrobras é que seus ativos no país vizinho valem US$ 1,5 bilhão. A YPF
também chegou a fazer uma proposta, mas em valor menor.
Para chegar a um acordo com a Pampa, a Petrobras contratou consultorias externas que vão estimar
o valor do negócio. Outra dificuldade é livrar a estatal de uma cláusula que prevê que eventuais
passivos descobertos após a venda sejam descontados do preço inicial.
A Petrobras também avançou na venda de dois campos de petróleo, após a decepção com o primeiro
pacote que ofereceu ao mercado –todos campos em fase de exploração, que demandam altos
investimentos.
Os dois campos que atraíram compradores já estão em produção: Golfinho, na bacia do Espírito
Santo, e Baúna, em Santos. Pelo menos duas empresas, a PetroRio e a australiana Karoon,
entregaram propostas por essas áreas.
Baúna vale cerca de US$ 500 milhões, mas há dificuldades para a venda de Golfinho. Como se trata
de uma área madura, é preciso avaliar se a quantidade de petróleo que ainda é possível tirar de lá
compensa o custo de desmobilização das máquinas quando o óleo acabar.
A Petrobras também informou ao mercado que aprovou a venda de campos terrestres. São projetos
de menor produção, já em final da vida útil, a sua maioria na região Nordeste. A estratégia é vender
pacotes desses campos, que podem atrair petroleiras de menor porte.
GASODUTOS
Outro processo que pode render um bom dinheiro à Petrobras é a venda da malha de gasodutos, a
antiga TAG. Para atrair a atenção dos compradores, a empresa foi dividida em duas: NTS (gasodutos
do Sul e do Sudeste) e NTN (gasodutos do Norte e Nordeste).
Fundos de investimento e empresas do ramo têm interesse no negócio, que recebe um pagamento
mensal fixo pelo transporte de gás, funcionando quase como uma renda fixa.
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Segundo a Folha apurou, a estatal recebeu nesta semana propostas para a NTS –uma delas da
Engie (antiga Suez). A estatal, no entanto, não definiu ainda se vai vender apenas a NTS ou se
tentará incluir também a NTN.
O principal problema é a dívida da antiga TAG. Conforme o último dado disponível, no fim de 2014, a
empresa tinha R$ 23 bilhões em dívida, sendo R$ 18 bilhões em dólar. Com a desvalorização do real,
esse valor já deve ter subido significativamente.
Ainda não há definição de quanto a NTS assumiria dessa dívida. Dependendo do valor, a receita
pode não compensar a dívida, tornando a operação inviável para o futuro comprador. Procurada, a
estatal não comentou.
Fonte: Folha de S. Paulo


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PETROBRAS – Pai do pré-sal quer que a Dilma vete a mudança no marco regulatório.

Pai do pré-sal quer que a Dilma vete

Estrella participou ao lado da Presidenta da política para a Petrobras no Governo Lula

O ex-diretor da Petrobras e geólogo, Guilherme Estrella, afirmou esperar que a Presidenta Dilma Rousseff vete o projeto do senador José Serra (PSDB-SP) que acaba com a obrigatoriedade legal da estatal ter participação mínima de 30% em todos as áreas do pré-sal.O projeto foi aprovado no Senado, na noite da última quarta feira (24), por 40 votos a favor e 26 contrários. A versão aprovada foi um acordo entre o Governo, Renan Calheiros (PMDB-AL)e José Serra.

Na entrevista que concedeu ao Estadão, Estrella lembrou que a Presidenta era a coordenadora do grupo de trabalho sobre o pré-sal, já que foi ministra de Minas e Energia, e participou desde o inicio da política para a Petrobras.

Estrella trabalhou na estatal por mais de 40 anos, quando exerceu vários cargos no Brasil e no exterior. De 2003 a 2012, foi diretor de exploração e produção da petroleira. Foi neste período que a Petrobras e o Governo Federal divulgaram as informações sobre as imensas reservas brasileiras de petróleo e gás em águas profundas, o que valeu a Estrella a designação de “descobridor do pré-sal” ou “pai do pré-sal”.

Ao Estadão desta quinta-feira (2):

http://economia.estadao.com.br/noticias/geral,as-multis-so-querem-ficar-com-o-file-mignon,10000019090

(…)

Como é essa história?

Cheguei lá (na diretoria) em 2003 e a Petrobrás estava concentrada na Bacia de Campos. Espalhamos as sondas. Na primeira licitação que participei, perdemos um bloco. Cinco minutos depois, toca o telefone. Era a ministra de Minas e Energia (Dilma Rousseff). Ela disse: estou sabendo que a Petrobrás perdeu um bloco. Eu comecei a dar explicações. Ela respondeu: só quero pedir que esse fato não se repita. O recado era: todas as áreas que a Petrobrás tem interesse, tem de ganhar.

O sr. participou da formulação do marco do pré-sal?

Eu só disse ao governo: é um fato novo. Constituiu-se um grupo de trabalho, coordenado pela ministra de Minas e Energia (Dilma). Sou testemunha de como o pré-sal foi discutido até chegar ao texto central que instituiu o regime de partilha, a formação da PPSA (Pré-sal Petróleo SA) e a Petrobrás como operadora única. Foi mais de um ano de discussão. Houve muitos depoimentos contrários.

Qual era a posição da então ministra Dilma?

A Dilma era coordenadora (do grupo de trabalho). Ela deixava discutir. Foi construindo a opinião na cabeça dela, informando ao presidente e aí chegou-se ao texto final. Foi uma construção democrática, que posicionou a Petrobrás como operadora, que conduz o negócio e tem o sentimento de propriedade. É emblemático que seja a presidente Dilma a sancionar as mudanças (que acabam com a obrigatoriedade de a Petrobrás participar de todos os blocos), nove anos após defender o marco? Democracia é isso mesmo. Temos os poderes constituídos e o presidente tem a função de harmonizá-los. As circunstâncias mudam. O presidente tem a capacidade, o direito de vetar. Não sei como ela vai agir.

O senhor acha que ela veta?

Pessoalmente, prefiro que ela vete. Isso é de tal forma importante que, na minha visão, como cidadão, devemos retornar ao Congresso para, com um voto mais qualificado, apreciar o veto presidencial.


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PETRÓLEO – A maior sócia da Petrobras.

O CEO da Shell, Ben Van Beurden, iniciou do Brasil a operação global da empresa já com os ativos
da BG incorporados
A Shell que nascerá após a fusão com a BG começou a ser desenhada no último mês de fevereiro,
com o início da operação integrada dos ativos das duas empresas. O mercado assiste ao nascimento
de uma gigante ainda maior, agora focada em projetos de águas profundas e GNL.
No Brasil, a nova companhia não apenas vai marcar a entrada da Shell em projetos em produção no
pré-sal, como já vai contar com uma produção de quase 200 mil b/d, atrás apenas da Petrobras, que
produz mais de 2 milhões de b/d.
O CEO da Shell, Ben Van Beurden, iniciou pelo Brasil a operação conjunta das duas empresas. A
estratégia mostra quanto a petroleira está apostando no pré-sal, onde também é sócia da Petrobras
na área de Libra, a primeira de partilha da produção do país, e opera o bloco BM-S-54, onde foi feita
a descoberta de Gato do Mato.
A presença de Ben van Beurden no Brasil na data em que a empresa inicia a operação com a
integração dos ativos da BG é significativa. A empresa mostra ao governo, à indústria e à ANP seu
forte interesse no país. “O Brasil será a principal área de Upstream da Shell”, comentou Ben van
Beurden.
A aposta no país é fruto da crença nos fundamentos econômicos e na geologia do país. A empresa
pode inclusive aumentar sua participação no Brasil. Vai considerar, por exemplo, os ativos de GNL
que a Petrobras pode colocar à venda. Mas não tem interesse, segundo Ben van Beurden, em ativos
de refino no Brasil.
Mundialmente, a Shell é maior que a BG, em volume de produção, valor de mercado e na quantidade
de ativos – o negócio da BG resume-se a produção de petróleo e gás natural e a sua presença no
mercado de produção e comercialização de GNL, enquanto a Shell é uma petroleira integrada, do
poço ao posto.
No Brasil a situação se inverte e a fusão das empresas vai colocar a Shell em outro patamar, ao
englobar os ativos da BG no pré-sal. Atualmente, a BG produz no país cerca de 160 mil b/d, nos
campos de Lula (25% de participação) e Sapinhoá (30%), operados pela Petrobras no pré-sal de
Santos. A companhia também é sócia em Berbigão e Oeste de Atapu, com 25%.
A Shell é operadora do Parque das Conchas, que rende 20 mil b/d para a empresa, considerando a
parcela de 50% dos contratos, e de Bijupirá e Salema, cuja venda para a PetroRio foi cancelada
também em fevereiro e que adicionam outros 12 mil b/d ao portfólio da Shell, totalizando 32 mil b/d.
É uma parcela pequena perto dos 3 milhões de barris de óleo equivalente/dia (boe/d) produzidos
globalmente pela Shell. A BG produziu, em média, 704 mil boe/d em 2015, sendo 145 mil boe/d no
Brasil, fonte de 20% do óleo da companhia e um patamar já superado com a conexão do quarto
FPSO de Lula, o Cidade de Itaguaí.
Nos próximos três meses os técnicos da empresa vão se debruçar sobre sinergias para definir a
estrutura que será montada. Já é certo que um corte de quase 3 mil funcionários será feito.“O Brasil é
um país-chave para nós”, concluiu Ben van Beurden.
Juntas, as companhias lucraram, em 2015, US$ 3,64 bilhões, uma queda de 80% em relação ao
resultado de 2014, de US$ 18,91 bilhões. Para superar a nova realidade da indústria, Shell e BG
planejam uma série de reestruturações a partir de 2016.
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Apenas com as sinergias provocadas pela fusão das operações, é esperada uma economia de US$ 3
bilhões nos investimentos em 2016 e outros US$ 3 bilhões com cortes de gastos operacionais. As
companhias investiram, juntas, quase US$ 50 bilhões em 2014. Em seguida, houve um corte de mais
de US$ 10 bilhões em 2015, sendo US$ 8 bilhões por parte da Shell.
A Shell já conduziu um extenso programa de venda de ativos entre 2014 e 2015, liquidando mais de
US$ 20 bilhões. Com a fusão com a BG, pretende ampliar o desinvestimento para US$ 30 bilhões no
biênio 2015-2016.
Fonte: Revista Brasil Energia


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PETROBRAS – Cessão de direitos de exploração em terra.

A Petrobras informou nesta quarta-feira, em fato relevante, que a diretoria da estatal
aprovou o início do processo de cessão dos direitos de exploração, desenvolvimento e produção de
petróleo e gás natural de um conjunto de campos terrestres.
A companhia, no entanto, não informou quais campos estão incluídos no processo.
Além da cessão, a diretoria da Petrobras também aprovou a venda de ativos ligados às concessões
dos mesmos campos terrestres.
Segundo comunicado entregue à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), a operação faz parte do
plano de desinvestimento da Petrobras e será realizada por meio de processo competitivo.
Conforme informou o Valor em fevereiro, a companhia está desligando sondas de perfuração
terrestre próprias e contratadas de terceiros nos Estados da Bahia, Espírito Santo, Sergipe, Alagoas,
Rio Grande do Norte e Ceará.
Os desligamentos estão inseridos no corte de US$ 32 bilhões no plano de investimentos da
companhia.
Fonte: Valor Econômico