petroleiroanistiado

A great WordPress.com site


Deixe um comentário

NOVA FORMA DE ENERGIA: O HIDRATO DE METANO NO SOLO DO ÁRTICO.

No solo ártico, uma nova fonte de gás

Cientistas do Japão e dos Estados Unidos comunicaram que estão chegando mais perto de explorar uma nova fonte de energia: o hidrato de metano, uma forma cristalina de gás natural encontrado no solo do Ártico e no leito dos oceanos.
À temperatura ambiente, o cristal emite um calor intenso, o que lhe rendeu o apelido de “gelo inflamável”, e faz dos estimados 19,8 quatrilhões de metros cúbicos da substância espalhados pelo mundo uma fonte de combustível com potencial imenso, contendo mais energia do que todo o conjunto do petróleo e gás já descoberto, segundo pesquisadores do Serviço Geológico dos EUA.
A produção comercial do hidrato de metano deve demorar pelo menos uma década – se é que vai se realizar. Estão em testes diversas tecnologias para extrair o gás, mas até agora nenhum método já foi aperfeiçoado, e o preço continua proibitivamente alto. Mas a grande demanda por energia na Ásia, que está estimulando projetos gigantescos para liquefazer gás natural na Austrália, no Canadá e na África, também está impulsionando os esforços para extrair os aglomerados de hidrato de metano congelado, misturados aos sedimentos em camadas profundas do leito marinho.
A maior preocupação é que o sedimento que contém o hidrato de metano é inerentemente instável, o que implica que um acidente de perfuração pode desencadear um deslizamento de terra e liberar grandes quantidades de metano, um poderoso gás de efeito estufa, que subiria borbulhando através do oceano até a atmosfera.
As empresas de exploração de petróleo e gás que montam plataformas de perfuração em águas profundas normalmente procuram evitar os depósitos de hidrato de metano, disse Richard Charter, membro do grupo ambientalista The Ocean Foundation, que há muito estuda os hidratos de metano.
Mas o governo do Japão – onde o custo do gás natural é atualmente de US$ 16 por milhão de B.T.Us, quatro vezes o custo nos EUA – prometeu iniciar a exploração comercial de hidrato de metano em 2023, após um teste bem-sucedido de perfuração feito em março.
Nesse teste, realizado pelo governo ao largo da costa sul da principal ilha do Japão, Honshu, uma plataforma perfurou quase 600 metros abaixo do leito marinho. Equipamentos especiais reduziram a pressão em torno dos cristais de hidrato de metano, dissolvendo-os em forma de água e gás, e, em seguida, bombeou cerca de 119.000 metros cúbicos de gás para a superfície. Embora não fosse uma quantidade tão grande, bastou para convencer os pesquisadores japoneses de que é possível extrair mais gás natural.
Se o Japão concretizar sua intenção de produzir gás natural de maneira econômica a partir dos depósitos de hidrato de metano no seu litoral, poderia iniciar um boom de gás natural equivalente ao atual boom gerado pelas reservas de gás de xisto na América do Norte, diz Surya Rajan, analista da IHS CERA.
O sucesso no desenvolvimento dos hidratos de metano poderia prejudicar megaprojetos de gás natural liquefeito, tais como o Gorgon, projeto de US$ 50 bilhões na Austrália liderado pela Chevron Corp., dizem especialistas.
“Isso me faria pensar melhor antes de investir bilhões de dólares num terminal de exportação de GNL”, diz Christopher Knittel, professor de aspectos econômicos da energia no MIT, Instituto de Tecnologia de Massachusetts.
Nem todos creem que o custo possa baixar a ponto de tornar o hidrato de metano comercialmente viável. Mas muitos países, em especial na Ásia, planejam tentar. A China vai sediar uma conferência internacional sobre o hidrato de metano em 2014.

A Índia está estudando uma iniciativa para extrair a vasta quantidade de hidrato de metano descoberta em 2006 no seu litoral, no Oceano Índico, segundo o Serviço Geológico dos EUA (USGS, na sigla em inglês).
Nos EUA, cientistas exploraram em maio a parte norte do Golfo do México para mapear parte dos 190 trilhões de metros cúbicos de aglomerados de hidrato de metano que, segundo se acredita, jazem no fundo do mar. O consórcio de Liderança Oceanográfica, grupo de pesquisa sem fins lucrativos, está tentando convencer o Departamento de Energia dos EUA a lhe emprestar um navio de pesquisa de perfuração para realizar mais testes.
“Há uma quantidade enorme de pessoas no mundo trabalhando nessa área”, diz Carolyn Ruppel, chefe do projeto de hidratos de gás do USGS. “Muitos países estão entrando no jogo.”
Fonte: The Wall Street Journal


Deixe um comentário

ÁRABES INVESTEM EM ENERGIA RENOVÁVEL

Árabes investem bilhões em energia renovável

Dois dos maiores produtores de petróleo do mundo estão preparando a primeira grande iniciativa no Oriente Médio rumo à energia renovável, planejando usinas de energia solar que necessitarão mais de US$ 1,5 bilhão em financiamentos até o fim de 2014.
A Arábia Saudita, maior membro da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), e os Emirados Árabes Unidos (EAU), o quarto maior do grupo, estão com planos para gerar mil megawatts de capacidade baseada em energia solar, o suficiente para eletrificar 200 mil casas. A expansão exigirá tomada de empréstimos e créditos à exportação, disse Vahid Fotuhi, presidente da Emirates Solar Industry Association, com sede em Dubai.
Governos em todo o Oriente Médio e no Norte da África consideram o sol e a energia eólica como cruciais para a satisfação das necessidades de crescentes populações e economias, e a Arábia Saudita está liderando a iniciativa. Os produtores de petróleo querem desenvolver energias renováveis para economizar mais petróleo bruto para exportação, ao passo que os países que dependem de combustível importado veem a energia verde local como uma alternativa mais barata. O apoio estatal a usinas geradoras de eletricidade e um crescimento na demanda regional de energia da ordem de 5% ao ano significam que empresas como a Abu Dhabi National Energy podem tomar empréstimos a taxas que são 100 pontos base, ou 1 ponto percentual, menores do que as pagas pela espanhola Abengoa Solar SA.
Os investimentos renováveis no Oriente Médio e no norte da África cresceram 40% no ano passado, para US$ 2,9 bilhões de dólares, segundo a Agência Internacional de Energia Renovável (Irena). Os gastos em mais de cem projetos em desenvolvimento, inclusive aqueles de energia solar, eólica e geotérmica, poderão disparar para cerca de US$ 13 bilhões em poucos anos, disse na segunda-feira a Irena, com sede em Abu Dhabi, em relatório divulgado em associação com o governo dos EAU e um grupo de pesquisas denominado Rede de Políticas Energéticas Renováveis.
A Arábia Saudita, maior exportador de petróleo do mundo, planeja investir mais de US$ 100 bilhões para gerar cerca de 41 mil megawatts de energia solar, ou um terço da sua produção energética total, em 2032. Atualmente, a Arábia Saudita tem uma capacidade geradora originada de energia solar de cerca de 16 megawatts, um nível que coloca o reino atrás do Egito, Marrocos, Argélia e dos EAU, segundo a Bloomberg New Energy Finance. Abu Dhabi anunciou planos de construção de uma usina que empregará tecnologia fotovoltaica, que utiliza painéis para converter a luz solar diretamente em eletricidade. Fotuhi, da Emirates Solar Industry Association, disse que os primeiros contratos para uma série de projetos atualmente em fase de planejamento serão definidas no próximo ano.
Fonte: Valor Econômico


Deixe um comentário

INVESTIMENTOS EM ENERGIA NO BRASIL.

R$ 1 trilhão de investimentos em energia nos próximos dez anos

R$ 1 trilhão de investimentos na área de energia. Esse é o valor previsto dos empreendimentos no PAC para esse setor nos próximos dez anos, segundo o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão. É um número muito expressivo que dá conta dos desafios e do que vem sendo feito pelo governo nessa área.

Lobão ainda disse que o primeiro leilão do pré-sal, que ocorre em outubro, “é um grande negócio” para os empresários. “Os empresários praticamente não correm risco. É quase impossível colocar uma sonda no pré-sal e não extrair petróleo.”

O ministro também deixou claro que os fundos setoriais têm recursos para pagar indenizações às empresas do setor elétrico que aderiram ao pacote de renovação antecipada das concessões de geração e transmissão. Reportagem do Estadão de ontem havia sustentado que não haveria recursos para isso.

A renovação antecipada das concessões possibilitou baixar o preço das contas de luz. Mas o governo teve que indenizar as empresas pelos ativos ainda não totalmente depreciados.

“Os fundos setoriais têm recursos e naquilo que eventualmente não tiver, nós acudiríamos de outro modo, temos o fundo setorial, mas também temos o Tesouro Nacional”, disse Lobão.


Deixe um comentário

CUSTO DE ANGRA 3

 

Custo de Angra 3 pode ultrapassar R$ 13 bilhões, segundo Eletronuclear

Prazo para conclusão das obras da usina nuclear também foi alterado de 2016 para 2018. O custo final da construção da usina nuclear de Angra 3, no Rio de Janeiro, pode superar a estimativa atual de R$ 13 bilhões devido a atrasos nas obras e contratações da unidade, segundo o assessor da presidência da Eletronuclear, do grupo Eletrobras, Leonan Guimarães.

A reportagem é publicada pelo portal Ig com informações da agência Reuters, 30-07-2013.

A projeção de custo da usina foi reavaliada recentemente de aproximadamente R$ 10 bilhões para R$ 13 bilhões e o prazo de conclusão passou de 2016 para 2018. A atualização dos custos incluiu correção de preços pelo IPCA.

Durante o processo de construção, houve uma série de problemas nos processos licitatórios da usina, alterando custos e prazos.

“Por uma série de fatores esse cronograma não vem sendo cumprido. A própria mudança para 2018 já nos obriga rever o contrato da obra civil. Quando se estende uma obra dessas um aumento de custo vai acontecer”, disse Guimarães.

Segundo ele, o aumento será percentualmente pequeno e não terá a mesma proporção da última revisão. Ao final do ano, quando se tiver uma definição sobre o contrato de montagem eletromecânica da usina, a Eletronuclear terá uma noção mais clara sobre novos prazos e custos, adicionou.

Um dos contratos mais importantes da usina, a escolha do consórcio que vai fazer a montagem eletromecânica, é mais um motivo de atraso e de disputa judicial. A entrega das propostas comerciais para a definição do consórcio vencedor pelo serviço deveria ter ocorrido em 24 de julho, mas foi adiado e não tem prazo oficial para acontecer. O processo está em análise no Tribunal de Contas da União (TCU).

“A empresa vencedora tem que estar no canteiro de obras já em janeiro de 2014. Se isso não acontecer vai complicar (o prazo de conclusão em 2018)”, disse Guimarães.


Deixe um comentário

EXPLORAÇÃO DE GÁS NÃO CONVENCIONAL SERÁ DISCUTIDA EM ENCONTRO INTERNACIONAL>

14º Encontro Internacional de Energia será realizado nos dias 5 e 6 de agosto no hotel Unique, em São Paulo
A produção de gás não convencional está prestes a ser explorada no Brasil. Mas o País está preparado para isso? Essa é uma das questões a serem discutidas no 14º Encontro Internacional de Energia, promovido pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), nos dias 5 e 6 de agosto, no hotel Unique, na capital paulista.
A modalidade já é explorada nos Estados Unidos, obtendo sucesso com o aumento de produção, que barateou fortemente o preço do gás natural, atraindo investimentos, gerando empregos e ajudando o país a sair da crise em que estava desde 2008. No Brasil, o gás está prestes a ser explorada. A Agência Nacional do Petróleo (ANP) marcou para os dias 30 e 31 de outubro de 2013 o primeiro leilão de gás xisto.
“Queremos avaliar qual o papel do gás não convencional na oferta mundial de gás natural, entender como foi a trajetória dos Estados Unidos para exploração, analisar perspectivas pra o Brasil e avaliar se o País terá uma virada de jogo com aconteceu com os americanos”, afirmou Carlos Cavalcanti, Diretor do Departamento de Infraestrutura (Deinfra) da Fiesp.
Tendo ou não sucesso na exploração de gás não convencional, para a iniciativa ser viável o Brasil terá que definir um conjunto de regras e políticas que fomentem a atividade no seu início, como a criação de um marco regulatório específico e legislação própria.
Serviço:
14º Encontro Internacional de Energia
Data: 5 e 6 DE AGOSTO – das 8h30 às 18h
Local: Centro de Convenções do Hotel Unique – Av. Brigadeiro Luis Antônio, 4700 – Jd Paulista – São Paulo
Fonte: Agência Indusnet Fiesp


Deixe um comentário

BG APOSTA NO BRASIL E NA AUSTRÁLIA

O BG Group reiterou que está bem encaminhado para concluir seus projetos na Austrália e Brasil dentro do prazo e orçamento, e mostrou disposição em ampliar os investimentos, apesar de o lucro trimestral ter diminuído com a queda na produção e dos preços do petróleo.
A empresa de petróleo e gás manteve a previsão de lucro anual, embora tenha reconhecido que a produção do terceiro trimestre vai ser afetada pelas atividades de manutenção programadas no Mar do Norte e por problemas na administração de reservatórios de gás no Egito.
O executivo-chefe da empresa, Chris Finlayson, disse estar “acompanhando com atenção o Egito” e que até agora está satisfeito com os esforços para enfrentar a queda na produção e para manter as exportações de gás natural liquefeito (GNL) do país dentro do esperado. Em 2012, o Egito representou 20% da produção do grupo 15% dos lucros.
Finlayson acrescentou que a avaliação das perfurações no Brasil indicou mais potencial nos campos em que o BG está investindo com a Petrobras. Na Austrália, o projeto de GNL em Curtis Island, em Queensland, de US$ 20,4 bilhões, teve 75% dos poços perfurados, com o início da produção sendo esperado para o fim de 2014.
Os investimentos em bens de capital, concentrados na Austrália e Brasil, subiram de US$ 2,4 bilhões para US$ 2,6 bilhões na comparação entre o segundo trimestre de 2012 e o deste ano.
O plano de gastos em bens de capital do BG para os próximos dois anos gira em torno a US$ 12 bilhões anuais. Depois, o investimento vai encolher, enquanto os fluxos de caixa desses projetos importantes começarem a impulsionar as contas do grupo. O BG encerrou junho com endividamento líquido de US$ 11 bilhões.
O BG atualizou as estimativas de gás bruto recuperável nos campos na Tanzânia, que eram de 10 trilhões a 11 trilhões de pés cúbicos, para 13 trilhões de pés cúbicos. Finlayson disse que houve progresso nas conversas com o governo e a Statoil, que opera um bloco adjacente rico em gás, para que se chegue a um plano conjunto para exportar GNL no país.
As receitas consolidadas caíram de US$ 4,6 bilhões para US$ 4,4 bilhões entre o segundo trimestre de 2012 e o deste ano. O lucro, excluindo itens extraordinários e variações cambiais, caiu de US$ 1,8 bilhão para US$ 1,7 bilhão. O lucro antes dos impostos, afetado em 2012 por baixa contábil de US$ 1,3 bilhão, foi de US$ 519 milhões para US$ 1,4 bilhão.
Fonte: Valor Econômico


Deixe um comentário

ENERGIA – FUTURO AGORA

Futuro agora

Ao longo dos próximos meses, técnicos da Empresa de Pesquisas Energéticas (EPE), órgão estatal de planejamento do setor de energia, se debruçarão sobre o Plano Nacional de Energia (PNE) 2050, o planejamento do setor para as próximas quatro décadas, buscando identificar a potencial composição da matriz energética até 2050, o consumo e a demanda da população. A expectativa é de que o estudo possa ser concluído e divulgado ao público no próximo ano.
Detentor de uma das matrizes energéticas mais limpas do mundo, baseada no etanol e na hidreletricidade, o país terá como desafio manter a trajetória sustentável ao longo dos próximos anos, o que não será fácil. No setor de cana-de-açúcar, será preciso destravar um ciclo de investimentos para que o país possa atender à demanda crescente. O Brasil tem atualmente 5,5 habitantes por veículo, enquanto nos EUA essa paridade é de 1,6, na Europa, de 1,9, e na Argentina, de 3,7. Já, no setor elétrico, 70% do potencial hidrelétrico está na região Amazônica, em que nos últimos anos tem prevalecido a construção de usinas a fio d’água.
“Estamos iniciando as discussões para o PNE 2050 e nossa intenção é de que ele seja publicado no primeiro semestre de 2014. Queremos privilegiar as fontes renováveis”, afirma o presidente da EPE, Mauricio Tolmasquim. “O Brasil tem um desafio positivo e diferente do resto do mundo. Nossa matriz é mais renovável do que a dos outros países e podemos ter várias saídas ainda para mantê-la nessa posição”, destaca Nivalde de Castro, coordenador do Grupo de Estudos do Setor Elétrico da UFRJ. As fontes renováveis representam 45% da energia produzida, por conta do etanol e das hidrelétricas, percentual muito acima dos 10% apurados nos países que integram a Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).
Apesar da posição privilegiada, o futuro apresenta vários obstáculos. O primeiro deles se refere à hidreletricidade, que representa cerca de 80% da geração de energia elétrica no país. Desde a década de 1990, por conta de pressões ambientais, o Brasil tem privilegiado investimentos na construção de hidrelétricas sem grandes reservatórios de armazenagem. “Antes tínhamos reservatórios que permitiam que pudéssemos guardar água por dois ou três anos. Sem isso, viramos reféns da chuva”, afirmou o físico José Goldemberg, professor do Instituto de Eletrotécnica e Energia da Universidade de São Paulo (USP).
Neste ano, com os reservatórios nos níveis mais baixos nos últimos dez anos, para aumentar a segurança no abastecimento, o governo tem recorrido à geração de gás natural para térmicas e já sinalizou com a contratação de carvão para construir novas térmicas nos próximos anos. “A sustentabilidade da matriz elétrica, hoje calcada na geração hidrelétrica, está em xeque, o que evidencia a importância de se investir em biomassa de cana-de-açúcar para gerar eletricidade, por exemplo”, destaca o físico.
Mesmo com reservatórios menores, a construção de hidrelétricas enfrenta dificuldades. Exemplo pode ser visto na usina de São Manoel, no rio Teles Pires. O governo tenta há mais de dois anos obter licenciamento para o empreendimento. Em outubro de 2011, durante processo de audiência pública de discussão da obra, quatro funcionários da Funai, dois da EPE e um antropólogo foram sequestrados pela tribo indígena Kururuzinho, que não quer a usina. “Se conseguirmos avançar com as hidrelétricas, mesmo que sejam a fio d’água, será um progresso, mas temos visto muitas dificuldades. São Manoel não tem reservatório e seu impacto sobre a comunidade indígena é nulo”, diz Tolmasquim.
Esse tipo de problema pode reduzir a participação dessa fonte ao longo das próximas décadas. Isso é o que aponta estudo da FGV Projetos sobre o cenário do setor elétrico até 2040. “Começamos a viver uma transição na matriz de energia elétrica, o custo marginal de expansão hidrelétrica será crescente e a fronteira de expansão, no Cerrado e na Amazônia, trará uma grande sensibilidade ambiental, então deveremos ver uma diversificação maior de fontes”, afirma Otavio Mielnik,
23
coordenador do estudo. Com base em três cenários e em diferentes projeções de crescimento da demanda até 2040, a participação das hidrelétricas, hoje em cerca de 80%, poderá cair para 57% a 46% da geração de energia elétrica.
“Energia de usinas eólicas, de biomassa de cana e nucleares deverão ganhar espaço”, ressalta. O gás natural poderá ampliar sua presença. Portaria da Agência Nacional do Petróleo (ANP) determina que, a partir de 2015, a queima de gás terá de ser apenas de 3% nos campos de petróleo. Isso se combina ao cenário do pré-sal, em que há gás associado ao óleo. “O gás terá de ser mais usado, mas existem algumas incógnitas, como o custo de transporte e a eventual adoção de novas regras ambientais, já que a emissão de dióxido de carbono poderá ser precificada nas fontes em algum momento do futuro, o que poderá ter impacto”, destaca o especialista da FGV Projetos.
Outro desafio será dosar o avanço gradual de cada fonte alternativa na matriz, permitindo que cada uma consiga espaço de forma equilibrada ao longo dos anos. As Pequenas Centrais Hidrelétricas (PCH), vedetes do setor elétrico no início da década de 2000, agora passam por um momento de entressafra. Os projetos de biomassa de cana também estão com baixa atratividade, enquanto o destaque está com as usinas eólicas. Entre dezembro de 2009 e dezembro de 2011, foram contratados 6.759 MW de capacidade instalada de eólica, que poderá chegar até o fim da década com potência superior a 12 mil MW, o tamanho de Itaipu.
Destravar um ciclo de investimentos no setor sucroalcooleiro, que responde por cerca de 20% da energia nacional principalmente do abastecimento de etanol, é outra questão importante. Estima-se que a demanda pelo combustível poderá saltar dos atuais 22 bilhões de litros 47 a 68 bilhões de litros em 2020. Em 2012, o país registrou um déficit de 4,6 bilhões de litros no etanol hidratado. Esse déficit poderá aumentar quase cinco vezes até o fim da década.
Fonte: Valor Econômico


Deixe um comentário

BRASIL VAI LEILOAR TERMELÉTRICAS A CARVÃO.

China e EUA, os dois maiores emissores de gases do efeito estufa, divulgaram nas últimas semanas amplo plano de ação para reduzir suas emissões, incluindo aumento da eficiência energética, desenvolvimento de redes elétricas inteligentes e forte incentivo às fontes alternativas e renováveis.
Quase ao mesmo tempo, o Banco Europeu de Investimento decidiu não mais financiar usinas movidas a carvão. Os gigantes da poluição mundial começam a fazer inflexão na trajetória, para se alinhar na luta contra o aquecimento global e as mudanças climáticas.
No Brasil, o avanço é o do retrocesso. O governo prepara-se para um leilão de energia daqui a um mês e inclui as termelétricas a carvão, agora não mais na condição de reservas acionadas em caso de emergência, mas como parte do que chama de energia de base no “planejamento estratégico”.
As emissões de carbono diminuíram no Brasil nos últimos anos graças, exclusivamente, ao plano de combate ao desmatamento, que iniciamos há quase dez anos, e já dá sinais de esgotamento devido à má gestão, à falta de atenção às demandas da sociedade e dos movimentos socioambientais e aos retrocessos na mudança do Código Florestal.
Em todos os outros setores, a emissão de gases-estufa aumentou. No setor elétrico, atingiu 28 milhões de toneladas no primeiro semestre deste ano, um aumento de 132% em relação ao mesmo período de 2012, que já era maior que a do ano anterior.
No ano que vem, o Brasil sediará uma conferência internacional sobre adaptação às mudanças climáticas e poderá repetir o fiasco da Rio+20, com palavreado evasivo para esconder o retrocesso na prática.
Talvez os psicanalistas expliquem a resistência do governo a todas as alternativas para aproveitar com inteligência os abundantes recursos naturais e redirecionar o desenvolvimento do país para um padrão de baixo carbono, adaptado às novas condições globais.
Uma explicação puramente econômica não resiste à análise. O modelo atual acumula crises, agora com ameaças de retorno da inflação e do desemprego. A opção pelas termelétricas não ajuda nesse contexto, pois é mais cara que a eólica e não aponta para um posicionamento do país em relação às tendências tecnológicas.
Colocado em posição de liderança pela riqueza ambiental e pela diversidade criativa de seu povo, o Brasil recua e se coloca a reboque dos países que mais emitem gases-estufa, entregando-lhes a responsabilidade de encontrar soluções para uma crise que é de todos.
A produção de energia está submetida, hoje, a esse equívoco estratégico. Estamos comprometendo nosso futuro com opções energéticas do passado, em vez de abraçar as oportunidades e potenciais que temos pela frente.
Fonte: Folha de S. Paulo – Coluna de Marina Silva


Deixe um comentário

ENERGIA DO ERRO

Sabe quanto paga de luz?
Tenho uma ideia… Toda vez que saio na rua ou quando tem algum problema de energia, o pessoal diz: “Fala com o Maurício”. Mas eu não trabalho na Light, nem na Ampla… (risos)
A eficiência energética não deveria ser mais incentivada?
A eficiência é importante e acho que podemos fazer mais. Mas não devemos superestimar. Pode-se fazer mais, mas teremos que continuar ampliando a oferta. Sou contra aquele discurso de que, se tivesse mais eficiência, poderíamos abrir mão de Belo Monte. Não é verdade. É necessário, a gente pode fazer mais, mas não existe milagre.
Mas deveria haver mais incentivo à geração descentralizada ou à redução do uso do chuveiro elétrico, por exemplo?
O chuveiro elétrico é o grande terror do setor elétrico. Todo mundo chega a mesma hora em casa, acende a luz e vai tomar um banho. A alternativa imediata é o gás, mas poucas cidades têm canalização. Solar é mais difícil. É claro que é interessante, mas quais são os prédios que têm condição de colocar? A gente fez uma coisa importante, que foi colocar coletor solar em todas as casas do Minha Casa Minha Vida. Minha proposta era para o Sudeste, porque no Nordeste as pessoas não usam água quente. Mas levei uma bronca, porque tem a questão social. Hoje todas as casas do Minha Casa Minha Vida têm coletor solar.
É possível incentivar a eficiência na indústria ou ela já está em um patamar elevado?
A indústria eletrointensiva tem equipes para fazer isso, porque energia pesa muito nos custos. O problema são pequenas e médias empresas. E as residências. Nossa classe média desperdiça muito. Mas não podemos generalizar, porque a média do consumo per capita é muito baixa, o que significa que tem uma grande parte da população que consome muito pouco. E que vai naturalmente aumentar o seu consumo. O fato de termos espaço para melhorar a eficiência na classe média não significa que não vai precisar ampliar a oferta. Tem mais gente querendo consumir e isso é legítimo. Não é verdade que, se tiver eficiência e botar eólica e solar, não precisa mais construir hidrelétrica ou termelétrica. E não é só no Brasil, é no mundo inteiro. Nesse sentido, entra a questão da hidreletricidade. Entre botar térmica e hidrelétrica, prefiro uma hidrelétrica. Agora, se não dá para botar, tem que complementar com térmica. Não pode é deixar sem fornecimento.
Fonte: Brasil Econômico
30
Energia do erro
Data: 26 de julho de 2013  VOLTAR AO TOPO
China e EUA, os dois maiores emissores de gases do efeito estufa, divulgaram nas últimas semanas amplo plano de ação para reduzir suas emissões, incluindo aumento da eficiência energética, desenvolvimento de redes elétricas inteligentes e forte incentivo às fontes alternativas e renováveis.
Quase ao mesmo tempo, o Banco Europeu de Investimento decidiu não mais financiar usinas movidas a carvão. Os gigantes da poluição mundial começam a fazer inflexão na trajetória, para se alinhar na luta contra o aquecimento global e as mudanças climáticas.
No Brasil, o avanço é o do retrocesso. O governo prepara-se para um leilão de energia daqui a um mês e inclui as termelétricas a carvão, agora não mais na condição de reservas acionadas em caso de emergência, mas como parte do que chama de energia de base no “planejamento estratégico”.
As emissões de carbono diminuíram no Brasil nos últimos anos graças, exclusivamente, ao plano de combate ao desmatamento, que iniciamos há quase dez anos, e já dá sinais de esgotamento devido à má gestão, à falta de atenção às demandas da sociedade e dos movimentos socioambientais e aos retrocessos na mudança do Código Florestal.
Em todos os outros setores, a emissão de gases-estufa aumentou. No setor elétrico, atingiu 28 milhões de toneladas no primeiro semestre deste ano, um aumento de 132% em relação ao mesmo período de 2012, que já era maior que a do ano anterior.
No ano que vem, o Brasil sediará uma conferência internacional sobre adaptação às mudanças climáticas e poderá repetir o fiasco da Rio+20, com palavreado evasivo para esconder o retrocesso na prática.
Talvez os psicanalistas expliquem a resistência do governo a todas as alternativas para aproveitar com inteligência os abundantes recursos naturais e redirecionar o desenvolvimento do país para um padrão de baixo carbono, adaptado às novas condições globais.
Uma explicação puramente econômica não resiste à análise. O modelo atual acumula crises, agora com ameaças de retorno da inflação e do desemprego. A opção pelas termelétricas não ajuda nesse contexto, pois é mais cara que a eólica e não aponta para um posicionamento do país em relação às tendências tecnológicas.
Colocado em posição de liderança pela riqueza ambiental e pela diversidade criativa de seu povo, o Brasil recua e se coloca a reboque dos países que mais emitem gases-estufa, entregando-lhes a responsabilidade de encontrar soluções para uma crise que é de todos.
A produção de energia está submetida, hoje, a esse equívoco estratégico. Estamos comprometendo nosso futuro com opções energéticas do passado, em vez de abraçar as oportunidades e potenciais que temos pela frente.
Fonte: Folha de S. Paulo – Coluna de Marina Silva


Deixe um comentário

ENERGIA ELÉTRICA – AINDA A GRANDEZA DE ITAIPU

Ainda a grandeza de Itaipu

Por Antonio Dias Leite*

Acompanho a história de Itaipu há mais de quarenta anos. Na qualidade de ministro de Minas e Energia, tive a incumbência de apresentar o Tratado de Itaipu ao Congresso Nacional, no dia 24 de maio de 1973, e atender aos questionamentos feitos por 32 parlamentares. (Diário do Congresso Nacional, secção I, 3.06.73, p. 3743-3750).
Aqui no Valor (14/8/2009), escrevi artigo no qual analisei mais uma reivindicação do governo do Paraguai quanto às bases econômicas do Tratado de 26 de abril de 1973. Antes disso, o governo brasileiro já atendera solicitações recorrentes do Paraguai para que não fossem alterados o texto e o espírito desse documento e que resultou em significativos benefícios para o país vizinho. E agora fomos surpreendidos há pouco tempo com novo e inusitado episódio, originado com o relatório de uma entidade estranha aos dois países. Como sobrevivente, devo analisá-lo.
O estudo em questão, “Aprovechamiento de la Energía Hidroeléctrica del Paraguay para el Desarrollo Económico Sustentable”, foi preparado por entidade intitulada Vale Columbia Center on Sustainable International Investment (VCC), ligada ao Earth Institute da Universidade de Columbia, em Nova York, que tem como diretor o economista americano Jeffrey Sachs. O site dessa entidade explica que o trabalho resulta de pedido de aconselhamento feito pelo Ministério das Finanças do Paraguai a respeito da forma de alavancar a sua energia hidrelétrica, com o propósito de desenvolver a respectiva economia de forma sustentável.
Parte do estudo, dedicada ao empreendimento da usina hidrelétrica Itaipu Binacional, retoma questionamentos e contém propostas concentradas nas controvérsias da dívida e da tarifa, desprezando ou demonstrando desconhecimento das condições prevalecentes à época em que foram discutidas as bases originais do Tratado de 1973, bem como as vicissitudes econômicas e financeiras do mundo real nos últimos quarenta anos. Essa parte do estudo, que mais parece um exercício intelectual do que uma contribuição realista, já foi examinada e criticada por vários conhecedores de Itaipu, inclusive pela própria direção da Binacional, por meio de comentários enviados à VCC, no prazo por ela estipulado, 15 de julho. A história é longa e não é simples.
Retornando no tempo. Procurava-se entendimento entre dois países soberanos, detentores de recurso natural compartilhado, que haveriam de ser tratados como iguais. Não obstante, era impossível deixar de reconhecer as disparidades no tocante à experiência na condução de empreendimentos de grande vulto; ao tamanho da demanda por eletricidade e quanto à capacidade de assumir responsabilidades financeiras na construção da maior hidrelétrica do mundo. Na ocasião, o Brasil tinha dimensão econômica muitas vezes maior que a do Paraguai. Essas condições foram determinantes na construção de um formato institucional e um arcabouço jurídico originais. Assim, Itaipu constituiu-se em um empreendimento energético singular, que transformou o Paraguai no único país do mundo a ter suprimento de eletricidade assegurado no longo prazo, sem investir recurso próprio algum.
À época do Tratado, a disparidade financeira foi contornada mediante constituição de um capital mínimo, quase simbólico, de modo que o Paraguai tivesse condições para integralizá-lo. O investimento foi realizado com empréstimos garantidos pelo Tesouro Nacional brasileiro. A viabilidade da contratação desses financiamentos no exterior se sustentou no compromisso da aquisição, conjunta ou separadamente, do total da potência instalada pelos dois países.
A disparidade da demanda de energia exigiu o estabelecimento de regras relativas à destinação da parte que cabia ao Paraguai e que excedesse o próprio consumo. Foi reconhecido o direito de cada uma das partes contratantes de aquisição da energia não utilizada pela outra parte, firmando-se o valor a ser pago pela cessão dessa energia. No contexto do Tratado, a obrigação de compra da
20
totalidade da energia e a preferência de aquisição do excedente paraguaio são inseparáveis. O governo do Paraguai recebe indenização por essa cessão.
Quanto ao sistema tarifário, a ideia central era o reconhecimento do caráter não repetitivo do empreendimento. Tratava-se do equilíbrio econômico de uma única usina hidrelétrica e de sua operação durante longa vida útil previsível. Optou-se pelo regime de caixa. Itaipu teria que equilibrar receitas e desembolsos, nestes últimos compreendidos os custos operacionais; o pagamento às partes contratantes de rendimentos de 12% sobre o pequeno capital social; as amortizações e os encargos financeiros relativos aos empréstimos contraídos; os royalties devidos aos governos pelo uso do recurso natural compartilhado; além de outros itens de menor significado. Ao longo das primeiras décadas de vida as tarifas resultantes foram consideradas ora baratas ora caras, avaliadas pelas partes mediante critérios variados.
Lançado por Jeffrey Sachs em meio à crise política no Paraguai, o relatório, no que diz respeito às suas consequências para o relacionamento Brasil-Paraguai em torno de Itaipu, foi um episódio negativo que é melhor esquecer.
*Antonio Dias Leite, professor emérito da Universidade Federal do Rio de Janeiro, era ministro de Minas e Energia à época do Tratado de Itaipu.
Fonte: Valor Econômico