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O SEQUESTRO DA PETROBRAS

É preciso evitar que a agenda da crise paralise e ensombreça o Brasil. 

Quem adverte são economistas simpáticos ao governo, preocupados com a prostração em que se encontra o debate do desenvolvimento. 

Seriam eles os últimos a subestimar o teor sistêmico da desordem internacional, cuja implosão, na verdade, previram e advertiram.

Mais que isso.

Atuam para mitigar seus efeitos no país. São ouvidos e consultados pelo governo na implantação de contrapesos estratégicos. 

Baixar as taxa de juros, reduzir o superávit primário e corrigir o câmbio, por exemplo. No limite, se necessário, adequar a meta de inflação.

O fundamental é assegurar a travessia do colapso mundial sem trazer a crise para dentro do Brasil, como anseia o conservadorismo. 

A agenda mercadista mal disfarça esse propósito. 

Com os meios generosos a sua disposição, difunde a fatalidade cinza em cada esquina. 

A ênfase sobressaltada atende a interesses de bolso, ideologia e palanque.

É um bloco respeitável. Exacerbado pelo poder desigual de vocalização que o monopólio midiático lhe confere. 

Tome-se o Brasil das manchetes, que não raro agridem o próprio texto. Tome-se a negligência diante das decisões estratégicas anunciadas na reunião dos BRICS, em Durban.(Leia reportagem nesta pág)

As cinco maiores economias emergentes criaram nada menos que um ensaio de FMI keynesiano; e um Banco Mundial de investimento, fora da hegemonia dos EUA. As manchetes preferiram espetar em Dilma a ‘negligência com a inflação’. 

Tome-se, ainda, o silencioso, mas expressivo processo de reindustrialização dos EUA, que está trazendo de volta a manufatura de alta tecnologia.

Enfim, a crise continua, mas o mundo se move. 

A prostração inoculada diuturnamente pelo noticiário econômico recusa ao Brasil a capacidade de dizer: ‘eppur si muove’.

É um objetivo político, não um recorte isento.

A escolha menospreza singularidades locais que podem subverter a dinâmica da crise entre nós, dizem os economistas.

Eles dispensam os exemplos mais notórios desses trunfos — o mercado de massa expandido nos últimos 11 anos e os níveis recordes de emprego.

Preferem se fixar em uma alavanca quase épica que foge ao estereótipo de um debate vicioso e datado sobre o desequilíbrio entre oferta e demanda, entre inflação e juros.

O passo seguinte do desenvolvimento brasileiro, dizem eles, está no impulso industrializante contido no pré-sal.

A paralisia da industrialização brasileira é real e afeta todo o tecido econômico.

Asfixiada pelo câmbio valorizado e pela concorrência chinesa, a indústria brasileira de transformação perdeu elos importante, em diferentes cadeias de fornecimento de insumos e implementos. 

Não é um fenômeno recente, mas é progressivo.

O PIB cresceu em média 2,8% entre 1980 e 2010; a indústria da transformação cresceu apenas 1,6%, em média. Sua fatia nas exportações recuou de 53%, entre 2001-2005, para 47%, entre 2006-2010 .

O mais preocupante é o recheio disso.

Linhas e fábricas inteiras foram fechadas. Clientes passaram a se abastecer no exterior. Fornecedores se transformaram em importadores. Apenas carimbam seu logotipo ao lado do fabricante estrangeiro. Empregos industriais foram eliminados; o padrão salarial do país foi afetado, para pior.

É possível interromper essa sangria, com redução de juros, incentivos, desonerações, protecionismo e ajuste do câmbio, como tem sido feito pelo governo.

Mas é difícil, muito, reverter buracos consolidados.

O dinamismo que se perdeu teria que ser substituído por um gigantesco esforço de inovação e redesenho fabril, a um custo que um país em desenvolvimento dificilmente poderia arcar. 

Exceto se tivesse em seu horizonte a exploração soberana, e o refino, das maiores jazidas de petróleo descobertas no século 21.

É esse bilhete premiado que o pré-sal representa para o Brasil.

São cerca de 50 bilhões de barris de petróleo, guardados a 300 km da costa e cerca de seis mil metros abaixo da superfície d’água.

O país tem tecnologia para tirá-lo de lá. Na verdade, a Petrobras detém a ponta dessa tecnologia no mundo.

Esse trunfo avaliza a possibilidade da reindustrialização, como resposta brasileira à crise.

A agenda enfatizada pelos economistas é o oposto do que alardeia o conservadorismo.

Seu empenho, neste momento, é sequestrar a Petrobras para o palanque da campanha sombria: o ‘Brasil que não dá certo’.

Os números retrucam.

O pré-sal já produz 300 mil barris/dia. Em quatro anos, a Petrobras estará extraindo 1 milhão de barris/dia da Bacia de Campos.

Até 2017, a estatal vai investir US$ 237 bilhões; 62% em exploração e produção.

Dentro de quatro anos, os poços do pré-sal estarão produzindo um milhão de barris/dia. Em 2020, serão 2,1 milhões de barris/dia. 

Praticamente dobrando da produção atual. 

O pré-sal mudou o tamanho geopolítico do Brasil. 

Não existe automatismo econômico que leve ao desenvolvimento: os efeitos virtuosos desse salto no conjunto da economia brasileira exigiam um lacre de segurança.

Ele foi fixado em lei, no governo Lula.

O marco regulador do pré-sal –aprovado com a oposição de quem agora agita a bandeira da defesa da Petrobras –- institui o regime de partilha e transfere o comando de todo o processo tecnológico, logístico, industrial, comercial e financeiro da exploração à estatal.

Todos os contratados assinados nesse âmbito passam a incluir cláusula obrigatória de conteúdo nacional nas compras –da ordem de 60% , pelo menos.

Esse é o ponto de mutação da riqueza do fundo do mar em prosperidade na terra.

Toda uma cadeia de equipamentos, máquinas, logística, tecnologia e serviços diretamente ligados, e também externos, ao ciclo do petróleo será alavancada nos próximos anos. 

O conjunto pode fazer do Brasil um grande exportador industrial nessa área.

É sobre isso que os economistas falam quando demonstram impaciência com o círculo vicioso de fatalismo embutido na pauta conservadora da crise.

O mais difícil foi feito.

O novo marco regulador transfere à Petrobras a responsabilidade soberana de harmonizar duas variáveis básicas: o ritmo da extração e do refino; e a capacidade brasileira de atender à demanda por plataformas, máquinas, barcos, sondas etc.

Se a exploração corresse livre, como gostariam a república dos acionistas e as multinacionais, o fôlego da indústria local seria atropelado.

Todo o efeito multiplicador vazaria na forma de importações e geração de empregos lá fora. 

Não são apenas negócios, portanto.

Cerca de 300 mil jovens brasileiros serão treinados nos próximos anos pelo Promimp, o Programa de Mobilização da Indústria Nacional de Petróleo e Gás Natural.

Sem o novo marco regulador, que sofreu um cerco beligerante do conservadorismo, eles seriam desnecessários.

A arquitetura da soberania pressupõe, ainda, forte expansão da rede brasileira de refinarias, estagnada desde 1980.

Cinco plantas estão sendo construídas, simultaneamente.

Tudo isso causa erupções cutâneas na pátria dos dividendos, que prefere embolsar lucros rápidos, com o embarque predatório de óleo bruto.

O parque tecnológico de ponta que está nascendo na Ilha do Fundão, no Rio de Janeiro, com laboratórios de todo o mundo, é um desperdício do ponto de vista dessa lógica. 

Ele é uma espécie de berçário da reindustrialização que se preconiza.

Dali sairão inovações e tecnologias que vão irradiar saltos de eficiência e produtividade em toda a rede de fornecedores nacionais do pré-sal.

É desse amplo arcabouço de medidas e salvaguardas que poderão jorrar os recursos do fundo soberano para erradicar as grandes iniquidades que ainda afligem a população brasileira. 

Tudo isso é sabido. Mas passa hoje por um moedor de memória e esperanças, destinado a triturar a reputação da estatal, que detém o comando sobre esse processo.

Desqualificá-la é um requisito para reverter a blindagem em torno de uma riqueza, da qual as petroleiras internacionais e o privatismo de bico longo ainda não desistiram.

A Petrobras passa por ajustes compreensíveis depois do gigantesco estirão desencadeado pelas descobertas do pré-sal. 

Uma crise planetária atravessou o seu caminho e o do seu faturamento, bem como o de todas as grandes corporações do planeta. Após o colapso de 2008, a cotação do barril de petróleo recuou de US$150 para US$ 35.

Ainda assim, seu lucro em 2012 foi de R$ 21,18 bilhões.

Ficou em R$ 8 bilhões, ao final do governo do PSDB.

A narrativa que ensombrece o país capturou a Petrobras para a pauta da crise sem fim.

Cabe ao governo, em primeiro lugar, pôr ordem no seu próprio salão.

E trazê-la de volta para a agenda do desenvolvimento.

Postado por Saul Leblon na Agência Carta Maior


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TEMPOS INTERESSANTES: GAZPROM QUER COBRIR A DÍVIDA CIPRIOTA.

Há uma possível explicação para isso: Chipre era o paraíso fiscal dos milionários russos.

Os tempos que vivemos são interessantes para um economista. Isto é dito do mesmo modo como um médico poderia dizer que um tumor é algo “interessante”. Os acontecimentos de Chipre ensinam lições. Em primeiro lugar deve-se assinalar o descalabro da Europa dos monopólios:   O confisco de depósitos bancários é algo mais próprio do Terceiro Mundo do que de um país da União Europeia. Terem eles chegado a medidas deste tipo mostra o desespero em que se encontra o capital monopolista e financeiro europeu. Em segundo lugar, deve-se verificar o fracasso dos seus planos. O endividamento é a forma moderna de submeter à servidão países como Chipre, Grécia, Portugal, etc. O objectivo é transformarem-nos em pasto do capital monopolista e financeiro para o saqueio (através de privatizações selvagens) e da extracção permanente de rendas. Isso fracassou porque não tiveram cash suficiente para cobrir a dívida cipriota. E agora surge a jogada de mestre russa, com a oferta da Gazprom de cobrir a dívida cipriota. Ela é digna dos melhores jogadores de xadrez. A UE queria reservar o saqueio de Chipre só para os monopólios da Europa ocidental – não para os russos. A oferta russa veio estragar-lhes os planos. Bruxelas terá de contorcer-se toda a fim de encontrar uma justificação para a recusa. E já vai dando instruções ao seu preposto local na presidência de Chipre para dizer que prefere uma “solução europeia”. Aguardemos os próximos capítulos.

Fonte: Resistir.info


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PARA NÃO ESQUECER.

 

PRIVATARIA – Para não esquecer.

 
Agora que as mesmas forças que não queriam a criação da Petrobras estão se mobilizando, com ataques diários na grande imprensa, sua eterna aliada, é bom recordarmos de vez em quando, a subserviência do governo FHC.

Documento oficial do governo FHC informa ao FMI que vão privatizar tudo: água, esgoto, minérios, energia, estradas, imóveis, até a Petrobras

 
Página oficial do Ministério da Fazenda do governo FHC de 8 de março de 1999 publica o Memorando de Política Econômica, com alguns ajustes que se tornaram necessários ao “programa do governo brasileiro apoiado pelo FMI Banco Mundial BID BIS e pela maioria dos países mais industrializados”, em 13 de novembro de 1998. O ajuste se fazia necessário porque em janeiro de 1999, primeiro mês do segundo mandato de FHC,houve a desvalorização do Real (que o governo sempre negara que iria fazer), que quase quebrou o país.

Numa parte do documento, que publico a seguir, fica claro que a opção preferencial do governo Fernando Henrique Cardoso era vender tudo para cumprir as metas feterminadas pelo FMI. Para tanto, no parágrafo 27 deixava claro:

27. O Governo pretende acelerar e ampliar o escopo do programa de privatização – que já se configura como um dos mais ambiciosos do mundo. Em 1999 o Governo pretende completar a privatização das companhias federais geradoras de energia e no ano 2000 iniciará o processo de privatização das redes de transmissão de energia. No âmbito dos Estados espera-se que a maioria das companhias estaduais de distribuição de energia seja privatizada ainda em 1999. O Governo também anunciou que planeja vender ainda em 1999 o restante de sua participação em empresas já privatizadas (tais como a Light e a CVRD) bem como o restantes de suas ações não-votantes na PETROBRAS. O arcabouço legal para a privatização ou arrendamento dos sistemas de água e esgoto está sendo preparado. O Governo também pretende acelerar a privatização de estradas com pedágios e a venda de suas propriedades imobiliárias redundantes. Estima-se que a receita total do programa de privatização para o ano de 1999 seja de R$ 27 8 bilhões (quase 2 8 por cento do PIB) (do total cerca R$ 24 2 bilhões serão gerados no nível federal) com mais R$ 22 5 bilhões no período 2000 – 2001.

Confira a íntegra do documento aqui. O título da página, para que não reste dúvida é “Acordo Brasil e FMI”.

Está aí a prova inconteste de que o governo do tucano Fernando Henrique Cardoso pretendia queimar a casa para vender carvão.

Dica do Stanley Burburinho (@stanleyburburin)


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UM ARTIGO PARA REFLEXÃO NO QUAL A PETROBRAS É CITADA.

 
 
De: Carlos Augusto de Araujo Doria (caad81@hotmail.com)
Enviada: sábado, 30 de março de 2013 13:04:50
SERIA O INSTITUTO MILLENIUM UM NOVO IBADE OU IPES?

A pergunta é pertinente, tendo em vista o papel desempenhado pelo IBAD e pelo IPES no golpe de 64. Como a oposição não tem propostas nem bandeiras, muito menos candidatos capazes de derrotar a presidente Dilma nas próximas eleições, a movimentação do Instituto Millenium pode ser um prenúncio de golpe no ar, ainda mais agora com a judicialização da política, como mostrou o julgamento do mensalão.

A aliança atual entre o judiciário e a grande imprensa dá margem a ocorrência de golpes tipo os que ocorreram em Honduras e mais recentemente no Paraguai.

Carlos Dória

O “INSTITUTO MILLENIUM” E AS LEMBRANÇAS

  

Não é mera coincidência a preferência dos integrantes do ‘Instituto Millenium’ pela subordinação do Brasil aos grandes centros financeiros internacionais e sua ojeriza diante das relações harmônicas entre governos latino-americanos.

 

 Por Laurindo Lalo Leal Filho

 

O economista Cristiano Costa foi recebido em fevereiro pelo pessoal do grupo “A Tarde”, em Salvador. A companhia de comunicação, que tem provedor e portal na internet, agência de notícias, jornal impresso, emissora de FM, gráfica, reuniu seus profissionais para servirem-se de uma palestra da série ‘Millenium nas Redações’.

Blogueiro e professor de uma universidade capixaba chamada “Fucape Business School”, Costa é também colaborador cativo do “Instituto Millenium”, articulador desses eventos destinados a “aprimorar a qualidade da imprensa no Brasil”.

A base de sua explanação são seus artigos reproduzidos no site do instituto, em que critica duramente a política econômica do governo e ataca sem rodeios o ministro da Fazenda, Guido Mantega.

Em um deles, cita o programa ‘Minha Casa, Minha Vida’ como um dos responsáveis por inflacionar o setor imobiliário. Isso num ambiente em que até os preços de imóveis de alto padrão dispararam.

As pessoas estão mais seguras no emprego e foram comprar, a queda dos juros levou mais gente a ter acesso a crédito, ou mais gente a tirar dinheiro de aplicações financeiras para investir em imóveis. Há muitos fatores em jogo, mas lá vai o programa federal destinado a famílias de baixa renda pagar o pato da especulação.

Outras redações de jornais e revistas foram brindadas pelo “Millenium” com palestras sobre assuntos variados, da reforma do Judiciário à assustadora “crise econômica”.

O currículo dos palestrantes, colaboradores do instituto, explica o objetivo real das palestras: consolidar no meio jornalístico o papel oposicionista da mídia brasileira.

Há algum tempo, os ambientes de redação eram conhecidos por ter profissionais críticos, independentes, e o direcionamento da informação era resultado da sintonia dos editores com os donos dos veículos.

Não era incomum a conclusão do jornal ou da revista acabar em atrito entre repórter e superiores. Agora, os donos dos veículos preferem formar “focas” que já cheguem às redações comprometidos com suas crenças.

Essas crenças, recheadas de interesses políticos e econômicos, vêm sendo difundidas de maneira afinada pelos meios de comunicação reunidos no “Millenium”. Resultado concreto desse trabalho pôde ser visto neste início de ano.

Laboratório do Instituto Millenium


Três assuntos, alardeados como ameaças ao país, ocuparam as manchetes dos grandes jornais e foram amplificados pelo rádio e pela TV: apagão, inflação e crise na Petrobras.
Além do noticiário parcial, analistas emitiam previsões catastróficas. Como elas não se confirmavam, o assunto era esquecido e logo substituído por outro.

No dia 8 de janeiro, o jornal “O Estado de S. Paulo” estampou na capa: “Governo já vê risco de racionamento de energia”. Um dia antes, a colunista da “Folha de S. Paulo” Eliane Cantanhêde chamava uma reunião ordinária, agendada desde dezembro, de “reunião de emergência” do “Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico” convocada às pressas por Dilma para tratar do risco de racionamento”.
Diante da constatação de que a reunião nada tinha de extraordinária, a “Folha” publicou uma acanhada correção. Como de costume, o tema foi sendo lentamente deixado de lado. O risco do “racionamento” desapareceu.

Pularam para o “descontrole” da política econômica e a ameaça de um novo surto inflacionário. “Especialistas” tentavam, a partir dos índices de janeiro, projetar uma inflação futura capaz de desestabilizar a economia.

Aproveitavam para crucificar o ministro Mantega, artífice de uma política que contraria interesses dos rentistas nacionais e internacionais: a redução dos juros bancários está na raiz da gritaria.
Não satisfeitos, colocaram a Petrobras na roda, responsabilizando a “incapacidade administrativa” dos dirigentes da empresa pela redução dos dividendos pagos aos acionistas.

Sem considerar que, dentro da estratégia atual de ação da Petrobras, os recursos de parte dos dividendos retidos passaram a contribuir para o desenvolvimento do país na forma de novos investimentos.

VARIAÇÕES DE UMA NOTA SÓ


Aparentemente isoladas, essas versões jornalísticas são, na verdade, articuladas a partir de ideias comuns que permeiam as pautas dos principais veículos.

No site do “Instituto Millenium” elas estão organizadas e publicadas de maneira clara. O “Millenium” diz ter como valores “liberdade individual, propriedade privada, meritocracia, Estado de direito, economia de mercado, democracia representativa, responsabilidade individual, eficiência e transparência”.

Faz lembrar a ex-primeira-ministra britânica Margaret Thatcher, que chegou a dizer que só o indivíduo existe, a sociedade é ficção.

Fundado em 2005, o “Millenium” foi oficialmente lançado em abril de 2006 com o apoio de grandes empresas e entidades patronais lideradas pela “Editora Abril” e pelo “grupo Gerdau”.

Trata-se de uma liderança significativa, pois reúne uma empresa propagadora de ideias e valores e outra produtora de aços, base de grande parte da economia material do país.

A elas juntam-se a locadora de veículos “Localiza”, a petroleira norueguesa “Statoil”, a companhia de papel “Suzano”, o “Grupo Estado” e a “RBS”, conglomerado de mídia que opera no sul do Brasil. A “Rede Globo”, como pessoa jurídica, não aparece na lista, mas um dos seus donos, João Roberto Marinho, colabora.

Essa integração entre empresas de mídia e empresários faz do “Millenium” uma organização capaz de formular e difundir programas de ação política em larga escala, com maior capacidade de convencimento do que muitos partidos políticos. Com a oposição partidária ao governo enfraquecida, ocupa esse espaço com desenvoltura.

Apesar do apego declarado à democracia, alguns dos colaboradores não escondem o desejo de combater o governo de qualquer forma.

É o que está explícito na fala de outro de seus colaboradores, o articulista Arnaldo Jabor, quando, num dos eventos promovidos pelo instituto, disse: “A questão é: como impedir politicamente o pensamento de uma velha esquerda que não deveria mais existir no mundo?”

Essa articulação faz lembrar a de organismos privados como o”Instituto Brasileiro de Ação Democrática” (IBAD), fundado em 1959, e o “Instituto de Pesquisas e Estudos Sociais” (IPES), nascido em 1961. Ambos uniram empresários e mídia conservadora na formulação e divulgação de ideias que impulsionaram o golpe de 1964.

IPES e IBAD não eram apenas instituições que organizaram uma grande conspiração para depor um governo legítimo. Elaboraram um projeto de classe. O golpe foi seguido por uma série de reformas no Estado para favorecer o grande capital”, lembra o pesquisador Damian Bezerra de Melo, da Universidade Federal Fluminense (UFF).

No cenário atual, de decadência do modelo neoliberal e de consolidação de políticas desenvolvimentistas no Brasil, o “Millenium” seria um instrumento ideológico para dar combate a esse processo transformador.

Nos anos 1990, ocorreu a disseminação da ideologia do pensamento único, de que o capitalismo triunfou, o socialismo deixou de existir como projeto político”, afirma a historiadora Carla Luciana da Silva, da Universidade do Oeste do Paraná. “Quando surgem experiências concretas que podem desafiar essas ideias, aparece em sua defesa uma organização como o ‘Millenium’ para manter vivo o ideal do pensamento único.”

A difusão dessas ideias não é feita por meio de manifestos ou programas partidários, observa a pesquisadora. “É muito difícil pegar uma revista como a ‘Veja’ ou um jornal como a ‘Folha de S. Paulo’ e conseguir visualizar os sujeitos que estão produzindo as ideias defendidas ali. Cria-se uma imagem do tipo ‘a’ Folha, ‘a’ Veja, como se fossem sujeitos com vida própria. É uma forma de não deixar claro em nome de que projeto falam, como se falassem em nome de todos.

CONTRA AS VERSÕES, FATOS

Conhecendo as ações do instituto e seus personagens, fica mais fácil compreender como certos assuntos tornam-se destaque de uma hora para outra. A presença nos quadros do instituto de jornalistas e “especialistas” com acesso fácil aos grandes meios de comunicação leva suas “notícias” rapidamente ao centro do debate nacional.

E fica difícil contra-argumentar com colaboradores do “Millenium”, não pela qualidade de seus argumentos, mas pela força de persuasão dos veículos pelos quais difundem suas ideias.

Como retrucar, com igual alcance, comentários de Carlos Alberto Sardenberg, na CBN, de Ricardo Amorim, na “IstoÉ”, na “rádio Eldorado” e no programa “Manhattan Connection”, da “GloboNews”, de José Nêumanne Pinto, no “Estadão” e no “Jornal do SBT”, de Ali Kamel, diretor de jornalismo da “TV Globo”, entre tantos outros?

Não é mera coincidência a preferência dos integrantes do “Millenium” pela subordinação do Brasil aos grandes centros financeiros internacionais e sua ojeriza diante das relações harmônicas entre governos latino-americanos.

Trata-se de tentativa de ressuscitar um projeto político implementado durante a ditadura que só passou a ser confrontado, ainda que parcialmente, a partir de 2003, com a posse do governo Lula.

Mas parece não haver espaço para uma hipótese golpista, apesar do já citado dilema de Jabor. Para a professora Tânia Almeida, da UNISINOS de São Leopoldo (RS) e diretora de relações públicas da Secretaria de Comunicação do Rio Grande do Sul, um dos ganhos da crise política de 2005, com a questão do chamado “mensalão”, foi ter forçado análises e estudos em busca de explicações de como o então presidente Lula conseguiu suportar tanta notícia negativa e manter elevados índices de aprovação.

Não era só carisma. Desde 2003, havia uma gestão de governo em funcionamento. Não existia somente aquilo de que os jornais e revistas tratavam, não era só escândalo. Outra proposta política estava acontecendo”, observa Tânia. Para a professora, os avanços sociais alcançados não permitem crer em crise que leve a uma ruptura institucional.

O Millenium é um agente articulador, social, político, que pode fomentar e aquecer debates, mas não teria potencial para causar uma crise nos moldes de 1964. O poder de influência da mídia ficou relativizado desde 2006 em função dessa política que chega lá na ponta e inclui quem estava fora.”

Damian Melo, da UFF, tem visão semelhante, mas com um pé atrás: “O Millenium não possui hoje estratégia golpista. Quer emplacar seu projeto, e isso pode ser pela via eleitoral mesmo. Muito embora nossa experiência nos diga que é melhor ficarmos atentos.

FONTE: escrito por Laurindo Lalo Leal Filho, sociólogo e jornalista, professor de Jornalismo da ECA-USP. É autor, entre outros, de “A TV sob controle – A resposta da sociedade ao poder da televisão” (Summus Editorial). Colaborou Rodrigo Gomes. Artigo publicado originalmente na “Revista do Brasil”, edição de março de 2013. Transcrito no site “Carta Maior” (http://www.cartamaior.com.br/templates/colunaMostrar.cfm?coluna_id=6027). [Imagens do Google adicionadas por este blog ‘democracia&política’].


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PEGADA ECOLÓGICA

  • Pegada ecológica ajuda a registrar e controlar impacto do consumo

Índice revela que área deve existir apenas para suprir estilo de vida.
Pessoas consomem 50% mais recursos naturais que deveriam.

 André Trigueiro

Todos nós deixamos rastros, pegadas, que marcam a nossa passagem pelo planeta. Agora imagine um jeito de calcular os impactos causados por todas essas pegadas: o tipo de alimentação que você come, o meio de transporte que você usa, a quantidade de bens que você possui, toda a energia elétrica consumida.

Tudo isso pode ser medido e transformado em pegada ecológica. A pegada revela que área do planeta deve existir apenas para suprir seu estilo de vida. E aí? Você sabe qual é a sua pegada ecológica?

A ferramenta foi criada há vinte anos por pesquisadores americanos. Trata-se de um questionário sobre os hábitos de vida e de consumo. Ao final, o cálculo das respostas mostra quantos planetas são necessários para sustentar uma pessoa.

A ideia deu tão certo que eles fundaram uma organização, a Global Footprint Network, especializada em medir a pegada ecológica de pessoas, empresas, cidades, países, e até da humanidade inteira.

Pelas contas da organização, a população do mundo consome 50% mais de recursos naturais do que o planeta é capaz de repor. Mas de quem é a culpa? “A gente está falando realmente de políticas públicas, ou seja, não dar toda a responsabilidade somente ao consumidor. Essas responsabilidades de agirmos de maneira sustentável cabem tanto ao governo quanto ao setor privado e ao consumidor”, diz Michael Becker, superintendente de conservação da WWF.

Qatar, Kuwait e Emirados Árabes são os países que lideram o ranking da pegada ecológica mundial. O Brasil é o número 53 do ranking. Se todos no mundo vivessem como a média dos brasileiros, um planeta só não seria suficiente. Precisaríamos de uma área 60% maior.

Em uma situação muito comum em supermercados, mercearias e hortifrutis no Brasil, há duas formas pelo menos de dispor os produtos nas prateleiras: a granel, o consumidor escolhe livremente, e os chamados produtos selecionados, em bandejinhas de isopor, com plástico.

“Os dois são tomates, mas a diferença é que, no segundo caso, ainda é necessário energia e outros recursos para produzir a bandejinha, o plástico e o armazenamento correto dele. A pegada ecológica desse produto específico, que tem mais embalagens, é muito maior do que o de um produto a granel”, diz o consultor do Ecossistemas, Fabrício Campos.

O mesmo acontece com o produto congelado. “A energia necessária para se resfriar esse alimento é um volume enorme de energia que se gasta nesse processo. Portanto, a pegada ecológica de um produto congelado é, sem dúvida, muito maior”, afirma Campos.

Convidamos artistas que fazem a diferença em favor do meio ambiente para fazer o teste da pegada. Christiane Torloni se tornou uma militante em favor das florestas. Marcos Palmeira já viveu com índios e cultiva orgânicos. Veja o resultado no vídeo.

Se produzir pegadas é inevitável, reduzir o impacto causado por elas é mais do que possível.
Para isso, só uma coisa é necessária: atitude.


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CARRO ELÉTRICO DOBRÁVEL

 

Carro dobrável promete acabar com congestionamentos

Empresa cria carro elétrico dobrável que pode reduzir o tráfego e diminuir emissões de carbono

Um projeto de uma empresa espanhola em parceria com o Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT, na sigla em inglês) promete revolucionar o trânsito nos grandes centros urbanos.

A empresa desenvolveu um carro elétrico dobrável que reduz o tráfego e de quebra ajuda a diminuir as emissões de carbono. Quando dobrado, o carro elétrico ocupa um terço do espaço que um carro normal. Ou seja, em uma vaga onde caberia um automóvel convencional, cabem três carros dobráveis.

O projeto segue uma tendência que vem se tornando comum nas grandes cidades: o esquema de uso coletivo de carros. Segundo alguns especialistas, o mundo vem se conscientizando de que o sistema de transporte deve passar por uma reestruturação e que possuir um carro particular pode acabar gerando mais custos do que benefícios.


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PETROBRAS RESPONDE AO NYT

 

RESPOSTA DA PETROBRAS ÀS CRÍTICAS DO JORNAL “NEW YORK TIMES”

 

“Com relação à matéria “Petrobras, Brazil’s Oil Giant, Struggles to Regain Lost Swagger” publicada pelo ‘New York Times’ (26/3) [ver abaixo, na “complementação”, a tradução do texto obtida em http://fatosedados.blogspetrobras.com.br/petrobras-gigante-brasileira-do-petroleo-luta-para-recuperar-o-prestigio-texto-do-new-york-times/%5D, a Petrobras reitera que tem capacidade, tecnologia, conhecimento e recursos necessários para transformar o potencial do pré-sal em riqueza para seus acionistas, e já ultrapassou o marco de 300 mil barris de petróleo por dia (bpd) produzidos no pré-sal. O “Índice de Sucesso Exploratório” foi de 64% em 2012 (82% no pré-sal), enquanto a média mundial é de 30%. Nos últimos 9 meses, houve quatro reajustes nos preços do diesel, totalizando aumento de 21,9%, e dois na gasolina, com alta acumulada de 14,9%.
 
Reconhecida por dispor do melhor portfólio de ativos de petróleo e gás entre empresas de capital aberto do setor, a Petrobras dispõe de 15,7 bilhões de barris de óleo equivalente (boe) em reservas provadas no Brasil. Com os volumes potenciais do pré-sal e da Cessão Onerosa, pode chegar a quase 30 bilhões de boe. As perspectivas são as mais positivas no longo prazo. O segundo semestre de 2013 será o momento de partida para recuperação da produção, com a entrada em operação das novas unidades, mantendo crescimento contínuo, e atingindo 2,5 milhões de bpd em 2016 e 4,2 milhões de bpd em 2020.
 
A produção de derivados será impulsionada com a entrada em operação das novas refinarias. Em 2020, a capacidade de refino será de 3,6 milhões de barris por dia, com demanda projetada de 3,4 milhões de barris por dia. Na medida em que os projetos do “Plano de Negócios e Gestão” entrarem em operação, a geração de caixa irá aumentar ainda mais. É importante destacar que os investimentos da indústria de petróleo e gás são de longa maturação.
 
Em relação à política de Conteúdo Local, a Petrobras esclarece que contrata bens e serviços no Brasil em bases competitivas e sustentáveis. Os índices exigidos são embasados em estudos que consideram a capacitação da indústria brasileira, características técnicas e prazos. A indústria nacional tem respondido à altura das demandas da Petrobras. Os principais benefícios para a Companhia são a redução dos custos operacionais, a proximidade da base de fornecedores, o aumento da capacidade de inovação da cadeia e a assistência técnica local.”