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ENERGIA ELÉTRICA – Bom momento para mudar.

O cenário mais favorável para o mercado livre está colocando a Associação Brasileira dos Agentes
Comercializadores de Energia (Abraceel) como protagonista da ampliação do ambiente de
contratação. As altas tarifas que estimulam consumidores a deixar distribuidoras incentivam a
instituição a pedir limites mais flexíveis de migração, inclusive chegando ao consumidor residencial: a
portabilidade da conta de luz.
Para o presidente da Abraceel, Reginaldo Medeiros, o mercado ainda tem potencial significativo de
crescimento. Pelo menos 12 mil consumidores ainda podem aderir ao mercado livre, o que elevaria a
participação de mercado dos atuais 25% para 46%.
Em entrevista à Brasil Energia, Medeiros conta que a chegada da geração distribuída é uma possível
concorrência saudável para o mercado, ao mesmo tempo que vê espaço para que esses novos
agentes possam exportar energia para o mercado livre, e não apenas compensar o produzido a mais
ao injetar na rede elétrica.
O momento atual é favorável para flexibilizar regras de migração ao mercado livre?
É muito adequado, sim. Na última reunião do CMSE [Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico], foi
sinalizada uma sobra estrutural significativa, de 9,4 GW médios. A diferença entre o preço das 10
maiores distribuidoras e o preço médio no mercado livre hoje, para um contrato de quatro anos, é
46% menor para o mercado livre. Existe um grande interesse para migrar. Projeta-se uma queda de
preços para os próximos três ou quatro anos.
Hoje existem cerca de 1.200 consumidores especiais e 623 livres. E neste momento, temos cerca de
1 mil consumidores em processo de migração. É um número significativo. Quando ele assina um
contrato de quatro anos, por exemplo, no mercado livre, ele está protegido, aquele preço está
garantido.
E o senhor atribui isso à diferença tarifária?
Fundamentalmente, à diferença de preços entre o mercado livre e o regulado. Lembrando que o
consumidor cativo ainda sofre pressão por causa do pagamento da Conta ACR, que tem deixado a
tarifa mais elevada. As distribuidoras estavam com problemas de caixa, e em vez de se ter o aumento
em 2014, foi feito empréstimo que está sendo pago agora pelos cativos, pressionando os preços para
os próximos anos.
O que permitiu esse aumento da migração?
Temos ainda algumas barreiras de entrada ao mercado livre, mas entre os avanços, a principal delas
foi a medição. Uma nova resolução da Aneel entrou em vigor a partir de 1º de fevereiro, que libera o
consumidor da obrigatoriedade do medidor de retaguarda, canal de comunicação exclusivo com a
CCEE, que onerava o custo de migração para o mercado livre além de criar uma barreira enorme.
Eram necessárias obras, em alguns casos, ou o consumidor não tinha espaço físico. Agora,
simplificou bastante o processo, porque ele pode usar o mesmo medidor que ele utilizava no mercado
regulado.
Outro elemento foi a regulamentação do consumidor varejista. Antes, para ir à CCEE, o consumidor
pequeno e médio tinha uma série de obrigações para as quais não tinha estrutura. Agora, esse
consumidor não precisa mais ser um agente CCEE. Evidentemente que as comercializadoras ainda
estão pedindo autorização, mas o varejista, de alguma forma, facilita a migração para o consumidor.
Ainda há alguma barreira?
Há, e uma delas a Aneel está revendo, que é o parecer de acesso ao ONS. Hoje, o consumidor que
quer ir ao mercado livre, muito embora já esteja conectado à rede, precisa desse parecer. Em função
desse número grande de migrações, o ONS tem apresentado dificuldades de conceder os pareceres
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numa velocidade adequada. Era muito tranquilo obter. Estamos levando essa proposta para a Aneel
e esperamos que ela dispense esse parecer – há um consenso de que é um parecer desnecessário.
Essas medidas teriam impacto relevante na migração?
Pela nossa avaliação, o número de consumidores que pode migrar é de 12 mil, sendo que 1 mil estão
saindo; então temos mais 11 mil possíveis consumidores para migrar. A gente acredita que a
eliminação de todas essas barreiras permitirá um grande número de migrações nos próximos dois ou
três anos.
Qual é o potencial de participação de mercado?
O potencial máximo para o mercado livre hoje, com as atuais regras, se os 12 mil consumidores
aderissem, seria da ordem de 46% do consumo nacional. O número hoje é 25%.
Como a Abraceel vê a mudança nas regras para incentivar a microgeração? Vocês a veem
como concorrente ou como uma oportunidade para oferta de novas soluções?
Se é um concorrente, será muito bem-vindo. O que queremos em relação à geração distribuída e que
hoje não é permitido é que o consumidor que instale um painel fotovoltaico ou uma central eólica
possa vender a geração excedente para o mercado livre. Neste caso, seria uma geração normal, uma
autogeração. É diferente do que existe hoje na regra do net metering, que é dentro de um sistema de
compensação de energia. O que a gente defende é a criação de uma nova categoria, é que o
consumidor seja estimulado a instalar a geração adicional e que possa vender o excedente. Se essa
regulamentação for aprovada – a decisão é da Aneel – nós teríamos aí um potencial muito grande
para o consumidor, e isso seria muito importante para o consumidor; para as indústrias pequenas,
comércio, instalar uma capacidade acima de seu consumo. Levamos uma proposta para a CCEE,
que fez uma nota técnica, a levou para a Aneel e a agência está analisando. É uma coisa positiva
porque traz competitividade e uma diversificação de fontes energéticas, especialmente no caso da
solar. É uma competição que nós adoraríamos.
A Abraceel está realizando um trabalho com a CNI e a Fiesp para incentivar a migração na
indústria. Qual tem sido a resposta dessas ações?
O Brasil tem 330 mil indústrias. Desse total, 15 mil estão autorizadas a migrar para o mercado livre.
Temos uma sobra estrutural de energia, e achamos que se deve dar preferência nesse processo de
abertura de mercado para a indústria. Para se ter uma ideia, 63% do consumo industrial brasileiro já
está no mercado livre e os 37% restantes não estão. E nesses 37%, nas outras 315 mil, há um
número enorme de indústrias, o grande número dos empregos, porque são indústrias de pequeno e
médio porte. É uma forma de criar competitividade para esse tipo de indústria. Conversamos com
CNI, Fiesp, com os ministros Armando Monteiro [Desenvolvimento, Indústria e Comércio], que gostou
muito, e Eduardo Braga, que fez algumas restrições. Ele tem duvidas sobre como isso afetaria o mix
das distribuidoras. A nossa proposta é que as distribuidoras possam vender excedentes via leilão.
Mas isso está sob avaliação do MME. Na CNI e da Fiesp, encontramos apoio, até porque a indústria
precisa de redução de custos para aumentar a competitividade.
Como você vê o mercado das comercializadoras no momento?
O momento é muito oportuno para os consumidores, em particular, a indústria, buscar aumento de
produtividade com a redução do custo da energia. Isso tem levado a uma procura muito grande pelas
comercializadoras, o mercado está mais dinâmico, é um mercado mais transparente. O que ainda
preocupa, não só as comercializadoras, mas do mercado, é a normalização das operações na CCEE.
No passado tivemos a paralisia por causa do GSF. É importante para a credibilidade do mercado a
retomada dessas liquidações. A CCEE está empenhada nisso. Quando a gente fala em migração
para o mercado livre, é importante que o consumidor entenda que é um mercado consistente. Por
isso, precisamos resolver a regularização das liquidações. Defendemos que o setor se desjudicialize,
especialmente no aspecto das liquidações da CCEE não só na questão do GSF, mas em outros
temas que trazem complexidade regulatória.
Fonte: Revista Brasil Energia

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ENERGIA: SUBSIDIÁRIA CHINESA ELEVARÁ INVESTIMENTOS NO BRASIL.

Enviado por Luis Nassif
Por Dê

ENTREVISTA-State Grid quer expansão em geração e distribuição no Brasil em 2013

Por Anna Flávia Rochas

RIO DE JANEIRO, 15 Mar (Reuters) – A State Grid Brazil Holding, subsidiária brasileira da gigante estatal chinesa de transmissão de energia, quer expandir a atuação no país para o segmento de distribuição e geração de energia em 2013 — ano em que investirá cerca de 1,5 bilhão de reais nos projetos de transmissão que já possui, disse o presidente da empresa Cai Hongxian, nesta sexta-feira.

“Neste momento, nossas estratégias são estabelecer uma plataforma de investimentos consistente em transmissão (de energia), mas também em geração e distribuição… Eu diria que as próximas ambições são em geração e distribuição”, disse o presidente em entrevista à Reuters, acrescentando que pretende iniciar a atuação nesses setores ainda neste ano.

“Temos um compromisso de muito longo prazo para fazer negócios no Brasil”, acrescentou.

Embora tenha interesse em adquirir grandes ativos de distribuição de energia no país, o executivo disse que a empresa ainda não tem um alvo específico para iniciar uma negociação. Segundo ele, a equipe do grupo tem se preparando para entender melhor o mercado e regulações do segmento de distribuição do país e “em breve” estará preparada para considerar esse setor mais fortemente.

Perguntado se a empresa tem interesse em ativos de distribuição da Eletrobras, caso a estatal brasileira os coloque à venda, o executivo foi taxativo.

“Não. Nós conhecemos o negócio (de distribuição)… Não acredito que podemos ter esse negócio, em uma área de baixa densidade (demográfica)”, disse.

Para o executivo, é o governo que deve subsidiar o negócio de distribuição em áreas de difícil operação e baixa densidade demográfica como a região Norte, onde estão as subsidiárias da Eletrobras.

A proposta de plano de reestruturação para a Eletrobras formatado pela companhia considera a venda de ativos de distribuição, segundo já afirmou o diretor financeiro da estatal, Armando Casado de Araújo. O esboço do plano está sendo agora avaliado pelo o governo, acionista controlador do grupo.

A State Grid chegou a avaliar o Grupo Rede Energia, que está em processo de aquisição por Equatorial Energia e CPFL Energia, e a entrada na Neoenergia, empresa que tem como acionista majoritária a espanhola Iberdrola.

Além da aquisição de negócios de distribuição, a State Grid tem interesse em atuar na modernização dos sistemas de distribuição de energia do país, oferecendo serviços e tecnologias de automação como as redes inteligentes.

Dentro dessa linha, a Nari Group Corporation, subsidiária de automação para o setor elétrico da chinesa State Grid, deverá se instalar no prédio da State Grid Brazil, no Rio de Janeiro.

GERAÇÃO E TRANSMISSÃO

A State Grid tem interesse nos projetos das hidrelétricas Sinop (MT) e São Manuel (MT) no segmento de geração, mas não descarta avaliar outros grandes projetos.

Cai Hongxian disse que a empresa chegou a disputar a concessão da hidrelétrica Sinop (400 MW) no leilão de energia nova A-5 ocorrido em dezembro de 2013, em consórcio com a Copel. A hidrelétrica acabou não sendo licitada diante da competição com um preço recorde mínimo da energia eólica, em leilão que teve baixa necessidade de contratação de energia pelas distribuidoras.

“A tarifa foi muito baixa”, disse ao acrescentar que os custos ambientais da usina, segundo avaliação da empresa, consumiriam cerca de 50 por cento do investimento total necessário no projeto.

Apesar disso, a empresa pretende disputar a licitação de Sinop, no futuro, se a tarifa for capaz de cobrir os investimentos necessários.

A State Grid também pretende avaliar investimentos em energia eólica e solar, mas no caso da energia eólica, o preço da energia de cerca de 100 reais por megawatt-hora (MWh) praticado nos leilões, atualmente, é considerado baixo pela empresa.

A State Grid iniciou as atividades no Brasil em 2010, com a compra de transmissoras da Plena Transmissora. No ano passado, adquiriu sete linhas da espanhola ACS. A State Grid também é responsável pela linha de transmissão que interligará as hidrelétricas do rio Teles Pires ao sistema, em consórcio com a Copel.

Também com Copel e Furnas, da Eletrobras, a State Grid venceu um dos lotes de transmissão do sistema que ajudará no escoamento da energia da hidrelétrica Belo Monte.

O presidente da State Grid disse que a companhia também mantém interesse no projeto do sistema principal para o escoamento da energia de Belo Monte, que deverá ser licitado neste ano. A empresa continua também avaliando oportunidades de aquisição no segmento de transmissão no país.

Na China, a holding State Grid Corporation of China fornece energia para uma área equivalente a 88 por cento do território do país, para uma população de mais de 1 bilhão de pessoas.


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RESCALDO DA PRIVATARIA TUCANA – O CALOTE DA AES

 

 

Gelio Fregapani

A AES, multinacional que comprou a Eletropaulo, sem colocar um centavo, deixa rombo bilionário. O Brasil pagará a conta. Ela recebeu dois empréstimos do BNDES, que totalizam US$ 1,2 bilhão. Não pagou, ofereceu em garantia as ações da própria Eletropaulo, que não valem um terço disto.

A AES afirmou que pagaria com os lucros da empresa, conseguidos por uma administração privada, portanto eficiente, e para acabar com o “cabide de empregos” da estatal demitiu 7 mil, mas contratou 17 vice-presidentes, quase todos americanos, com salário superior a R$ 30 mil, casa, carro, e uma série de outros benefícios.

A eficiência da administração privada era ilusão. Apenas eficiente a generosidade com os sócios controladores; as remessas de dividendos chegaram a US$ 320 milhões em três anos, às custas do caixa da empresa.

O caso Eletropaulo foi o exemplo das falhas da fúria da privatização/desnacionalização do FHC, em que se misturam traição e incompetência. A empresa será retomada, mas um novo leilão, agora pelo PT, já foi marcado pela venalidade. O BNDES recebeu orientação para emprestar recursos, novamente para um comprador estrangeiro.

Esta empresa distribuiu aos sócios resultados reais e fictícios. Nada contra as empresas privadas, mas dessa forma? O atual governo, neste ponto, precisa ser diferente do entreguista FHC e do covarde Lula. Há que apoiar os empresários nacionais e as empresas nacionais de capital nacional, mesmo amargando algum prejuízo.

Se temos empresários nacionais excessivamente ambiciosos, os estrangeiros se revelam verdadeiros bandidos, pelo menos no nosso território.


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USINA DE JIRAU – Greves e falta de linhas de transmissão.

Greves e falta de linhas de transmissão atrasam início de operação da Usina de Jirau

A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) aprovou a alteração do cronograma de implantação da Usina Hidrelétrica de Jirau, no Rio Madeira (RO). Com a mudança, o início da geração comercial de energia, prevista para 31 de janeiro deste ano, passou para o dia 1º de março.

A reportagem é Sabrina Craide e publicada pela Agência Brasil

A Energia Sustentável do Brasil, responsável pelo empreendimento, pediu prorrogação até maio, mas os diretores da Aneel entenderam que a geração deveria começar em março. Se a empresa não conseguir fazer os testes necessários até a data do início da produção de energia, o prazo poderá ser prorrogado para 1º de maio.

A empresa alegou que as greves de trabalhadores e os incidentes no canteiro de obras ocorridos no ano passado, como saques e depredações, atrasaram o cronograma, além da operação-padrão de auditores da Receita Federal, que retardou a entrega de equipamentos. A empresa argumentou também que as linhas de transmissão, que vão escoar a energia da usina, só ficarão prontas em abril. “Este alinhamento de datas é muito benéfico para o consumidor, porque não haverá nenhum desembolso por uma energia que não poderia ser entregue”, explicou a representante da Energia Sustentável do Brasil, Gerusa Magalhães.

Com investimento de mais de R$ 13 bilhões, a usina terá capacidade instalada de 3,75 mil megawatts (MW) e garantia física de 2,18 mil MW médios, suficiente para abastecer mais de 10 milhões de casas.


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A RAZÃO DA CRISE ELÉTRICA.

A razão da crise elétrica. Artigo de José Eli da Veiga

“A opção preferencial do lulismo foi se submeter aos lobbies favoráveis à construção de termelétricas movidas a combustíveis fósseis. Jogando no lixo a linha formulada pelo PT antes das eleições de 2002, sob a liderança e coordenação de Luiz Pinguelli Rosa (UFRJ) e Ildo Sauer (USP)”, afirma José Eli da Veiga, professor dos programas de pós-graduação do Instituto de Relações Internacionais da USP (IRI/USP) e do Instituto de Pesquisas Ecológicas (IPÊ), em artigo publicado no jornal Valor, 29-01-2013.
Segundo ele, “na contramão do lulismo, muitos estudos independentes demonstram que a melhor alternativa para o sistema elétrico brasileiro é oferecida pela dobradinha “hidroeólica”.
“Em suma – conclui Eli da Veiga – se a atual crise elétrica se deve a alguma falta, essa falta é de democracia e de transparência no planejamento energético. Neste caso, Dilma e Lula não se diferenciaram de FHC, Itamar, Collor e Sarney”.
Eis o artigo.

É versão corrente na mídia que a crise do sistema elétrico resulta de falta de planejamento. Até o diretor da Eletrobras, Valter Cardeal, precisou desmentir que tenha feito essa crítica ao também dilmista da gema Maurício Tolmasquim, presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE).

Isso é muito estranho, pois simples visita ao site da EPE mostra que o planejamento tem sido até frenético. Além do Plano Nacional de Energia 2030, concluído em 2008, estão disponíveis seis planos decenais de expansão elaborados entre 2006 e 2012, com o último – PDE-2021- ainda em forma de proposta.

Então, se não é por falta de planejamento, com certeza houve sérios erros de concepção nesses sete exercícios. E o principal é bem conhecido, pois todos os especialistas que não são chapa-branca concordam que as fontes renováveis modernas – como a eólica, a biomassa, ou mesmo a solar – foram vítimas do viés pró-fóssil de “lobistas, empresários, políticos, intermediários e atravessadores” que sempre controlaram o chamado “setor” elétrico.

O caso da eólica é exemplar, pois seu recente avanço nada teve a ver com os planos. Foi na raça, desde que alguns empreendedores farejaram que erguer cataventos podia ser bem rentável, além de viável, ao contrário do que afirmavam os planos preparados pela EPE para as pantominas do Ministério de Minas e Energia (MME). Daí a falta de linhas de transmissão que deixam tanta energia “parada” em parques eólicos, como mostrou Rodrigo Polito no Valor de 17/1.

Para compensar a forçosa insuficiência sazonal das hidrelétricas, a opção preferencial do lulismo foi se submeter aos lobbies favoráveis à construção de termelétricas movidas a combustíveis fósseis. Jogando no lixo a linha formulada pelo PT antes das eleições de 2002, sob a liderança e coordenação de Luiz Pinguelli Rosa (UFRJ) e Ildo Sauer (USP). Para entender tão grave “vira-casaca”, nada melhor que a entrevista dada por Sauer à “Revista da Adusp” de outubro de 2011.

Na contramão do lulismo, muitos estudos independentes demonstram que a melhor alternativa para o sistema elétrico brasileiro é oferecida pela dobradinha “hidroeólica”, como expôs Joaquim F. de Carvalho (UFRJ) no Valor de 01/11/12. Tese fundamentada em detalhe por Adilson de Oliveira (UFRJ) e Osvaldo Soliano (CBEM) em seus respectivos capítulos do livro “Energia Eólica”, lançado em outubro pela editora Senac. Também pelo amplo grupo de especialistas liderado por Gilberto Jannuzzi (Unicamp) que elaborou o relatório “Além de grandes hidrelétricas” para o WWF-Brasil. E no recente artigo “An assessment of wind power prospects in the Brazilian hydrothermal system”, publicado na “Renewable and Sustainable Energie Reviews” 19 (2013) 742-53 por Juliana F. Chade Ricosti e Ildo L. Sauer.

São incalculáveis os prejuízos causados pela guinada lulista em favor das máfias que controlam o “setor elétrico”. Além dos inúmeros “apaguinhos” e dos exorbitantes custos monetários do funcionamento das térmicas, precisam ser computadas suas emissões de carbono, incoerentes com a também lulista Política Nacional Sobre Mudança do Clima (PNMC), instituída pela lei 12.187, de 29/12/09.

Enquanto se aguarda os tétricos dados de 2012, é preciso saber que já em 2011 as emissões de gases de efeito estufa (GEE) das termelétricas se aproximavam dos 30 milhões de toneladas de dióxido de carbono equivalente (MtCO2 e), das quais é desconhecida a distribuição por tipo de combustível para os pouco mais de 10 MtCO2 e da autoprodução. Mas, para os quase 20 MtCO2 e dos sistemas integrado e isolados, sabe-se que os vários óleos (principalmente diesel) causaram quase 40% dessas emissões, o carvão pouco mais de 30% e o gás natural quase 30%. E que metade desse estrago foi obra de empresas Eletrobras, com destaque para a Amazônia-Energia, a gaúcha CGTEE e a Eletronorte.

Tão absurda situação teria sido evitada se os planos elaborados pela EPE tivessem sido submetidos a amplo debate público e a escrutínio parlamentar, mesmo que só no Senado. Assim, ao menos teriam sido convocados para audiência pública pesquisadores que há muito insistem que a confiabilidade do sistema exige renováveis modernas para a complementação da base hidráulica.

Em vez disso, o país é vítima de planejamento tecnocrático e autoritário, no qual prevalece a regra de que o papel aceita tudo. Para consolidar a linha pró-fóssil, é suficiente que um tecnocrata escreva que em 2011 as emissões de GEE do sistema elétrico nem atingiram a metade do que seria uma meta setorial para 2020. Pouco lhe importa que o uso de termelétricas seja considerado crime de “lesa-humanidade” pelo emérito da Unicamp Rogério Cezar de Cerqueira Leite (Folha, 31/03/09). Algo que com certeza importaria para a opinião pública e, consequentemente, para parte de seus representantes no legislativo.

Em suma, se a atual crise elétrica se deve a alguma falta, essa falta é de democracia e de transparência no planejamento energético. Neste caso, Dilma e Lula não se diferenciaram de FHC, Itamar, Collor e Sarney.


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ELETRICIDADE: UM NEGÓCIO RENTÁVEL NO BRASIL.

Entrevista especial com Dorival Gonçalves Júnior

“Durante a campanha eleitoral, o PT assumiu o compromisso de promover mudanças com vistas a assegurar a ‘atratividade’ dos investimentos em toda a cadeia, no caso da indústria de eletricidade, sem abrir mão dos fundamentos executados pelo governo do PSDB”, lamenta o engenheiro.

Confira a entrevista.

“As hidrelétricas no Brasil tornaram-se fábricas de produção de eletricidade, de risco de realização da receita nulo e elevada lucratividade”. É a partir dessa crítica que o engenheiro Dorival Gonçalves Júnior (foto) aponta as medidas políticas dos últimos anos, que têm transformado o setor elétrico brasileiro em uma fonte rentável para investidores nacionais e internacionais, e “a eletricidade em mercadoria internacional”. “Vender eletricidade produzida em base hidráulica, ao preço da produção térmica, transformou esta cadeia produtiva em fonte de elevada lucratividade e de intensa disputa de muitos setores capitalistas”, diz à IHU On-Line, em entrevista concedida por e-mail. E esclarece: “Desde 2004, com a lei 10.848, os novos empreendimentos hidrelétricos são licitados pelo Estado Brasileiro em leilões. Ganham o direito de construir e explorar economicamente o recurso hidráulico o consórcio de empreendedores que se dispõe a construir e vender no mínimo 70% da energia produzida, ao menor preço em reais por cada 1.000 KWh (R$/MWh) para as empresas distribuidoras. Estas últimas são as empresas que vendem eletricidade para a quase totalidade da população brasileira (consumidores residenciais, comerciais, médias e pequenas indústrias, correspondem por volta de 75% do consumo nacional)”.

Para ele, a aprovação da lei 12.783, consequência da MP 579, “é a continuidade de uma política que busca dar competitividade aos capitalistas que optarem por instalar seus negócios no Brasil”. Gonçalves Júnior também questiona a redução de 18% da conta de luz, porque não atende à proposta das classes trabalhadoras. Para ele, o anúncio de diminuição das tarifas tem “um forte apelo ideológico para as massas trabalhadoras de que o governo está trabalhando pelas causas populares ao diminuir o custo da tarifa das residências dos trabalhadores e na manutenção/criação de empregos. Por outro lado, todos os capitalistas sabem que a diminuição das tarifas para os trabalhadores – se ocorrer – significa a diminuição do custo de reprodução da força de trabalho, logo está se criando mais um espaço para a expansão do lucro”.

Dorival Gonçalves Júnior é Engenheiro Eletricista, especialista em Sistemas de Potência, pela Universidade Federal do Mato Grosso – UFMT, e em Pequenas Centrais Hidrelétricas – PCHs, pela Unifei-MG, mestre e doutor em Engenharia pela Universidade de São Paulo – USP. Atualmente leciona na UFMT.

Confira a entrevista.

IHU On-Line – Como avalia a Lei 12.783, oriunda da MP 579, sobre a renovação das concessões do setor elétrico?

Dorival Gonçalves Júnior – Antes de lhe responder preciso deixar claro que a minha avaliação é feita segundo a perspectiva da classe trabalhadora. Assim, a MP 579, agora Lei 12.783, é uma iniciativa do governo para tentar superar uma das contradições engendradas no interior da recente reforma industrial que aconteceu na cadeia produtiva de eletricidade. Estou falando dos elevados preços da eletricidade que atinge diretamente a classe trabalhadora, parcelas significativas da burguesia industrial e comercial brasileira. O processo de mudança patrimonial e política iniciado em meados de 1990, com a finalidade de resgatar o controle da exploração do trabalho através do processo de privatização e, consequentemente, o aumento da exploração dos trabalhadores através da demissão e intensificação do trabalho, concomitante à institucionalização da eletricidade como mercadoria com o seu preço internacionalizado, entre outras medidas tomadas, não tinham assegurado até o início dos anos 2000 a “atratividade” para os investimentos na geração. Isto acabou colaborando para o racionamento entre junho de 2001 e fevereiro de 2002. O governo do PSDB, que capitaneava este processo, apesar de ter estabelecido uma série de encaminhamentos, que mesmo sob o racionamento, garantiu a continuidade dos lucros, acabou perdendo credibilidade. Este evento associado a outros, permitiram ao PT credenciar-se para substituir o governo do PSDB.

Compra de eletricidade

Durante a campanha eleitoral, o PT assumiu o compromisso de promover mudanças com vistas a assegurar a “atratividade” dos investimentos em toda a cadeia, no caso da indústria de eletricidade, sem abrir mão dos fundamentos executados pelo governo do PSDB. Isto é, manter a indústria de eletricidade organizada pelos “sinais de preços”. O PT eleito, após mais de um ano em discussão com todos os setores da burguesia industrial, comercial, e financeira interessada na cadeia produtiva de eletricidade, institucionalizou, em março de 2004, as leis 10.847 (criação da EPE) e 10.848 (comercialização da energia elétrica). Estas leis consolidaram um conjunto de medidas que solidificaram a elevada lucratividade da indústria em toda a cadeia e, além disso, reduziram os riscos dos investidores na geração, ao ancorar os novos empreendimentos com contratos de longo prazo, na conta de eletricidade dos consumidores do “mercado regulado”. A partir de então, a venda da eletricidade é feita em dois ambientes. O primeiro é o ambiente de contratação regulada, onde a eletricidade tem a tarifa definida pela ANEEL através de uma metodologia que assegura o preço internacional para a eletricidade. É neste ambiente que os consumidores residenciais, comerciais, e médias/pequenas indústrias compram por volta de 70% da eletricidade vendida no país. O outro, é o ambiente livre, onde grandes consumidores compram sua energia diretamente dos geradores, e dependendo da maneira que estão ligados no sistema de transporte de eletricidade do país, pagam “pedágio” pela transmissão e/ou “pedágio” pela distribuição. Esta foi a forma que arquitetaram para garantir aos setores capitalistas uma forma de poder comprar sua eletricidade abaixo do preço internacional, especialmente, pela possibilidade de poder tirar partido da produção no período de chuvas.

Assim, neste quadro institucional, a segurança econômica dos projetos estava garantida para todos os agentes industriais, comerciais e financeiros participantes da cadeia. Fato que pode ser evidenciado no crescimento das instalações de produção. Entre 2004 e 2012 a potencia instalada no país saltou de 90 GW para 120 GW. Acrescenta-se ainda, as estes 120 GW, a existência 26,6 GW em construção. Em termos da expansão da indústria, destaca-se que os números da geração repercutem diretamente sobre a transmissão e a distribuição. Os inúmeros negócios na geração, na transmissão e na distribuição concomitante à venda da mercadoria eletricidade ao preço internacional, garantem a todos os participantes da cadeia, uma lucratividade inigualável no ramo, mundialmente.

Mas, a partir da crise econômica instaurada em 2009, começa a surgir do lado da demanda, um movimento dos consumidores industriais e comerciais que compram eletricidade no mercado regulado questionando os preços praticados no país. Estes, com o objetivo de resgatar a competitividade em seus negócios, articulados nas federações de comércio e indústria, passam a questionar os reajustes anuais e as revisões tarifárias concedidas pela ANEEL às empresas distribuidoras. No ano de 2011, estes setores ganham apoio dos consumidores eletrointensivos, tais como os setores de: alumínio, papel celulose, petroquímico e siderúrgico. Grupos como a Alcoa, a Gerdau, entre outros, em audiências com o executivo, passaram a ameaçar o fechamento de plantas de produção no Brasil. A permanência do quadro de crise econômica, associado ao peso da eletricidade, na bolsa dos trabalhadores, nos custos das atividades industriais, comerciais e serviços, em síntese, a densidade política destes interesses, obrigou o governo a encaminhar politicamente estas reivindicações.

Modelo mercantil

Contudo, como em 2004, o problema para o governo era como exercer uma ação política de controle – neste caso no preço – e simultaneamente afirmar que mantinha o modelo mercantil como forma de organizar a cadeia de eletricidade. No contexto do debate sobre a redução das tarifas, havia consenso entre todos os setores capitalista nas questões relacionadas à redução dos impostos e dos encargos setoriais. Todos os setores capitalistas e os trabalhadores organizados (MAB, sindicatos de eletricitários etc) tinham clareza do vencimento de concessões de empreendimentos – maioria de propriedade de empresas estatais – na geração e transmissão, já amortizados. Sobre esta questão, os setores capitalistas interessados na redução das tarifas advogavam a privatização através de licitação e com suas tarifas reduzidas por se tratar de empreendimentos amortizados. Já os setores capitalistas da indústria de eletricidade (geração, transmissão, distribuição), a questão não estava em renovar ou licitar as concessões. Para estes, a definição pelo estado dos preços da eletricidade dos empreendimentos amortizados, sinaliza uma intervenção direta na definição dos preços em toda cadeia produtiva da eletricidade.

Neste tema, os trabalhadores defendiam a renovação das concessões dos empreendimentos sob o comando das estatais e propunham que a venda da eletricidade dos empreendimentos amortizados, fosse destinada exclusivamente aos consumidores residenciais, como forma de reduzir acentuadamente as tarifas para este segmento de consumo. Além disso, os trabalhadores tinham pauta específica, em relação às condições de trabalho nas estatais. Então qual foi a saída arquitetada? Para compreender o encaminhamento dado, compete analisar o modus operandi do PT. O governo do PT tem, entre suas estratégias de poder, uma atuação política no Estado, no sentido de encaminhar medidas institucionais e econômicas com o objetivo de criar as condições para que interesses capitalistas nacionais/internacionais, tais como, os das cadeias produtivas ligadas: à mineração, energia, agronegócio, entre outras, sejam atraídas para instalar suas plantas de bens de produção, bens de consumo e bens de serviços no território nacional. Neste sentido, tirando partido da natureza privilegiada brasileira, que na ótica capitalista, esta natureza – combinada a tecnologias e à força de trabalho eficiente – é base de elevada produtividade do trabalho. Portanto, esta atuação política objetiva demonstrar às forças capitalistas que, ao realizarem os seus investimentos aqui, terão acesso a lucros superiores aos que obteriam em qualquer lugar do mundo. Esta política do governo do PT – de atração e expansão capitalista no Brasil – pode ser constatada:

1. Na busca incessante de reorganizar o Estado em novas bases institucionais onde o planejamento (criação das: Empresa de Planejamento Energético e Empresa de Planejamento e Logística) a regulamentação/fiscalização (fortalecimento das agências reguladoras: ANEEL; ANP; ANA etc) do Estado se realiza com princípios de mercado;

2. Na criação de políticas de controle do custo do crédito (redução de juros) e financiamento da produção e consumo ancoradas nos bancos estatais (Caixa; BB e BNDES);

3. No emprego das estatais como empresas que alavancam o desenvolvimento de cadeias produtivas (caso do papel da Petrobras para o desenvolvimento de polos petroquímicos, do agronegócio na produção de etanol e biodiesel e da ELETROBRAS nos consórcios de construção das grandes hidrelétricas e linhas de transmissão, são alguns exemplos deste apoio.) assegurando às empresas capitalistas os estágios de negócios mais lucrativos na cadeia de produção; e

4. Na expansão da oferta, através do Estado e da iniciativa privada, de uma rede de cursos de formação e especialização da força de trabalho (aumento massivo do número de vagas para a classe trabalhadora em escolas técnicas, universidades públicas e privadas) com vistas a aumentar a produtividade do trabalho dos trabalhadores brasileiros.

Projeto político do PT

Assim, o governo do PT, orientado por seu projeto político, supõe que, por um lado, atende a maioria dos segmentos capitalistas (nacional e internacional) que, atraídos por este cenário de oportunidades aos lucros extraordinários, veem no PT o partido político da ordem e defendem sua permanência no poder e, por outro lado, também tem apoio dos trabalhadores, pois mantido as políticas de aperfeiçoamento da produtividade da força de trabalho concomitante ao ambiente de crescimento econômico, independente das taxas de exploração do trabalho, grandes contingentes de trabalhadores são incorporados em processos produtivos. Isto aparenta aos trabalhadores a existência de melhores condições de trabalho, quando cotejadas as que existiam no passado recente.

Competitividade

Então, recuperando a entrevista da Dilma no final de 2012, para o governo, este ano é “o ano da competitividade …”. Portanto, a MP 579 (lei 12.783) é a continuidade de uma política que busca dar competitividade aos capitalistas que optarem por instalar seus negócios no Brasil. Esta norma atende a expressivos setores capitalistas. Isto pode ser verificado nas medidas políticas contidas na MP. A extinção da Reserva Global de Reversão – RGR e a redução da Cota de Consumo de Combustíveis – CCC Cota de Consumo de Combustíveis e da Cota de Desenvolvimento Energético – CDE atende sem distinção a todos os setores capitalistas, sejam os da cadeia produtiva de eletricidade, sejam os que têm a eletricidade como um insumo em seus negócios. A renovação das concessões dos empreendimentos amortizados permite a diminuição das tarifas que varia entre 16% (para os consumidores residenciais) e 28% (consumidores industriais) no ambiente de contratação regulada.

Assim, apesar de não atender a parcela organizada dos trabalhadores (MAB e sindicatos de eletricitários, entre outros), tem no anúncio de diminuição das tarifas um forte apelo ideológico para as massas trabalhadoras de que o governo está trabalhando pelas causas populares ao diminuir o custo da tarifa das residências dos trabalhadores e na manutenção/criação de empregos. Por outro lado, todos os capitalistas sabem que a diminuição das tarifas para os trabalhadores – se ocorrer – significa a diminuição do custo de reprodução da força de trabalho, logo está se criando mais um espaço para a expansão do lucro.

Interesses capitalistas

Embora, o governo tenha feito um enorme esforço para não desagradar aos interesses capitalistas da cadeia produtiva de eletricidade, bancando os custos econômicos decorrentes da diminuição das tarifas nas empresas estatais, isto não impediu o descontentamento do setor que viu nesta MP, uma ação intervencionista de Estado e limitadora do mercado.

Este cenário oportunizou ao PSDB, que vem de sucessivas derrotas políticas, a tentar se credenciar de novo como o partido político que melhor representa os interesses capitalistas. Por isso tomou a decisão política de não aceitar a renovação das concessões dos empreendimentos das empresas estatais (CEMIG, COPEL e CESP) nos estados (Minas Gerais, Paraná, São Paulo) em que este partido detém o poder. Então, a MP 579 (lei 12.783) expressa o resultado momentâneo desta disputa política e econômica intercapitalista. A forma como a mídia tem “criado” um estado de elevado risco de operação e desabastecimento da eletricidade no país é prova de que a disputa continua. E esta reação contrária à lei 12.783 tende a aumentar à medida que for se aproximando o período de renovação das concessões dos empreendimentos amortizados, que estão sob controle das empresas privadas. No capitalismo, não existe empresa que reduz o preço de suas mercadorias porque os seus meios de produção já estão amortizados. Pois, o trabalho dos trabalhadores em instalações, máquinas e equipamentos amortizados são fontes de lucros extraordinários que os capitalistas não abrem mão.

IHU On-Line – Qual a implicação de construir hidrelétricas nos rios do Pantanal?

Dorival Gonçalves Júnior – Para falar em hidrelétricas no Pantanal, antecede caracterizá-lo em termos de suas principais peculiaridades físicas e bióticas. Limitando-se ao Pantanal no território brasileiro, o Pantanal mato-grossense localiza-se nos estados de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, numa extensa planície banhada pela bacia do Alto Paraguai. Nas bordas da planície se estende uma estreita região de Planalto, divisora de águas das principais bacias brasileiras. No noroeste e norte de Mato Grosso, próximo ao divisor de águas do Pantanal com a bacia Amazônica, região que nasce o rio Paraguai, destacam-se os rios: Jauru, Cabaçal e Sepotuba. Na região norte, nordeste e leste de Mato Grosso, próximo ao divisor de águas do Pantanal com a bacia Amazônica e bacia do Tocantins está situada a bacia do rio Cuiabá, principal afluente do rio Paraguai na bacia do Pantanal. O rio Cuiabá se destaca pela dimensão de sua bacia de drenagem bem como pelos seus afluentes, como: o rio Manso; o São Lourenço e o rio Correntes. Outro rio afluente do rio Paraguai que se destaca é o rio Taquari, com sua bacia localizada no leste de Mato Grosso do Sul.

Na região do Pantanal, a pluviometria média anual está em torno de 1.250 milímetros. O modo como ocorre o período seco e de chuvas acaba determinando o regime das águas na região que marcam as estações do Pantanal. Por isso, os habitantes nativos costumam dividir as estações no Pantanal em: “enchente” de outubro a setembro; a “cheia” de janeiro a março; a “vazante” de abril a maio; e a “seca” de junho a setembro. Os rios na região de planície são dotados de muitos meandros e canais que interligamos rios e as lagoas, constituindo grandes áreas de inundação nos períodos de cheias. É esta característica particular, como diz a pesquisadora da Embrapa Débora Calheiros, o “pulso das águas do Pantanal”, durante o período de cheias que faz os rios atingirem cotas suficientes para alimentar lagoas e as extensas áreas de alagamento, as quais determinam habitat especial responsável por uma rica e particular fauna e flora no pantanal mato-grossense.

Impactos das hidrelétricas

Com estas considerações iniciais sobre o Pantanal é possível avaliar os impactos da construção de hidrelétricas nos rios do Pantanal. As hidrelétricas construídas estão localizadas na região de planalto da bacia de drenagem do Pantanal. A quase totalidade dos empreendimentos são usinas hidrelétricas a fio d’água e apenas uma delas é de reservatório de acumulação. Cabe destacar que as hidrelétricas a fio d’água são aquelas que a vazão afluente é igual à vazão de fluente. Isto é, a água que chega a montante das instalações da hidrelétrica, independente do volume, é lançada à jusante da instalação. Daí decorre o argumento de que este tipo de empreendimento causa baixo impacto, pois, segundo os que assim argumentam, este tipo de instalação não altera o regime hidrológico do rio.

Esta argumentação, em geral se mostra falsa na realidade, especialmente, quando se trata das hidrelétricas construídas na bacia de drenagem do Pantanal. Um exemplo típico é o caso do rio Jauru, em Mato Grosso, afluente do rio Paraguai. Neste rio foram construídos seis empreendimentos sucessivos em uma extensão aproximadamente de 60 Km. De modo que, considerando as hidrelétricas instaladas da nascente para a foz, a água a jusante da primeira hidrelétrica está praticamente na cota da barragem da segunda hidrelétrica e assim sucessivamente até a sexta hidrelétrica. Constituindo uma cascata de seis barramentos sucessivos, que mesmo sendo todos empreendimentos a fio d’água,estes, proporcionaram um grande impacto direto ambiental e social no rio Jauru. Cerca de 60 km do curso do rio Jauru que eram – sem a construção das hidrelétricas -, dotados de pequenas cachoeiras combinadas às corredeiras foram transformados num conjunto de seis reservatórios sucessivos. Limitando a análise sobre o que ocorreu no curso original do rio Jauru, verifica-se que, por um lado, pôs fim a declividade natural do rio na extensão em que foram construídas as hidrelétricas atingindo diretamente as espécies de peixes migratórias e, por outro lado, os reservatórios individualmente – apesar de terem reduzida capacidade de armazenamento – por estarem dispostos de maneira sucessiva, possibilita ao conjunto de hidrelétricas uma capacidade de armazenamento na cascata que determina um novo regime hidrológico a jusante do complexo. O que mostra a fragilidade do argumento de que as hidrelétricas a fio d’água não alteram a vazão natural dos rios.

Efeitos

A dimensão dos impactos sociais e ambientais pode ser contatada na extinção do pescado e o desaparecimento da atividade dos pescadores do município de Porto Esperidião, em Mato Grosso, proporcionada pelas hidrelétricas construídas nestes últimos dez anos no rio Jauru. Situação muito semelhante a do rio Jauru -hidrelétricas construídas sucessivamente – já está parcialmente materializada nos rios: Juba – afluente do Sepotuba -; São Lourenço e afluentes; Correntes e afluentes; e o rio Itiquira, todos pertencentes à bacia do Pantanal. Mas, a condição de maior impacto ambiental e social, produzido diretamente por um empreendimento hidrelétrico localizado no Pantanal, é o caso da hidrelétrica Manso. Esta Hidrelétrica está localizada na foz do rio Casca com o rio Manso a cerca de 80 km da foz do Manso no rio Cuiabá. A hidrelétrica Manso é de reservatório de acumulação, cuja área de inundação se estende por mais de 43.000 hectares, seu reservatório tem uma capacidade de acumulação de volume útil de aproximadamente três bilhões de metros cúbicos. Os impactos diretos determinados por esta hidrelétrica são muitos.

Segundo o Movimento dos Atingidos por Barragens – MAB, por volta de 1000 famílias foram diretamente impactadas pelo empreendimento. Outro grande impacto verificado pela construção de Manso está no novo regime hidrológico imposto ao longo do curso do rio Cuiabá, principalmente, no trecho compreendido entre a foz do rio Manso no rio Cuiabá até a foz do rio São Lourenço no Cuiabá. Pois, como o rio Manso é o maior contribuinte nesta extensão – extensão do rio Cuiabá contida na região denominada baixada Cuiabana – com a construção da hidrelétrica a vazão do rio Manso, e por sua vez a do rio Cuiabá, ficou praticamente regularizada. Explicando a regularização. Com a construção da hidrelétrica o rio Manso não apresenta mais o seu regime natural, pois no período de “cheia” a maior parte da água afluente a barragem fica armazenada no reservatório para ser utilizada no período de seca. O rio Manso, a jusante do local onde está a hidrelétrica, tinha vazões de mais de 1.200 metros cúbicos por segundo, hoje as vazões neste período não ultrapassam 350 metros cúbicos por segundo, e, no período de seca, as vazões chegavam a menos de 20 metros cúbicos por segundo estando agora – após a construção da hidrelétrica – em torno de 150 metros cúbicos por segundo.

Assim, com a regularização, o rio Manso que a jusante da barragem tinha durante o período de cheias vazões máximas superiores a 1.200 metros cúbicos por segundo e que durante a seca tinha vazões mínimas menores que 20 metros cúbicos por segundo passou, com a construção da hidrelétrica de Manso, a ter uma vazão que oscila entre o valor máximo e mínimo respectivamente de 350 e 150 metros cúbicos por segundo. Aqui, está a razão do grande impacto ambiental e social produzido pela hidrelétrica de Manso na região da baixada cuiabana. A construção da hidrelétrica alterou profundamente o regime hidrológico do rio Manso e do rio Cuiabá, especialmente, no trecho entre a localização da foz do rio Manso no rio Cuiabá e na foz do rio São Lourenço no rio Cuiabá. Ou seja, neste extenso curso do rio Cuiabá desapareceu o “pulso das águas”, com gravíssimas consequências, principalmente, para as áreas de planícies. Pois, o rio Cuiabá sofre significativa influência da regularização do rio Manso proporcionado pela Hidrelétrica Manso, de modo que, as águas em seu leito já não atingem as cotas capazes de através dos canais que ligam o rio às lagoas alimentá-las nos períodos de cheias. Assim, nesta área – baixada Cuiabana – as estações: “enchente”, “cheias”, “vazante” e “seca” foram intensamente modificadas. Para registrar é suficiente constatar o fim da atividade pesqueira em inúmeras comunidades ribeirinhas que se estendiam desde a cidade de Nobres até a cidade de Barão de Melgaço em Mato Grosso. As secas registradas nas Lagoas Siá Mariana e Chacororé, após a construção da hidrelétrica de Manso, são o testemunho inequívoco dos impactos ambientais produzidos no meio físico, biótico e social na região.

IHU On-Line – De acordo com os pesquisadores que estudam o Pantanal, as hidrelétricas e PCHs instaladas ao longo do bioma utilizam 70% do potencial hidrelétrico da Bacia do Alto Paraguai. O que esse valor significa e representa considerando a peculiaridade do bioma?

Dorival Gonçalves Júnior – Atualmente, a potência instalada pelo conjunto das 37 hidrelétricas (Usinas Hidrelétricas – UHE’s – são as instalações com potência instalada acima de 30 MW – e as PCH’s– são as denominadas Pequenas Centrais Hidrelétricas cujas instalações tem potência instalada compreendida entre 1 MW e 30 MW –) existentes na bacia do Pantanal está em torno de 1.140 MW, que corresponde exatamente à potencia instalada na UHE de Machadinho, localizada no rio Pelotas na divisa de Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Este valor equivale – hoje – acerca de 1,2% da potência instalada em PCH’s e UHE’s no Brasil. Mas, cabe destacar, que o parâmetro geralmente utilizado – potência instalada em usina hidrelétrica – não é uma noção que mostra a produtividade da hidrelétrica. Este indicador diz respeito apenas à quantidade que a instalação poderá produzir. O parâmetro que indica a produtividade de uma usina é a sua energia firme. De maneira simplificada, energia firme – de uma usina de produção de eletricidade – equivale à quantidade de potência elétrica média que a usina assegura durante o período de um ano.

Para exemplificar considere duas situações concretas. A primeira, a usina hidrelétrica de Manso, localizada no rio Manso na bacia do pantanal mato-grossense, que tem 210 MW de potência instalada e sua energia firme é de 92 MWmédios. A segunda, a usina hidrelétrica Serra do Facão, localizada no rio são Marcos – em Goiás – afluente do rio Paranaíba, com potência instalada de 210 MW, mas a sua energia firme é de 182 MWmédios. O que se procura mostrar aqui? Procura-se evidenciar que para compreender se uma usina hidrelétrica é produtiva é necessário saber a sua energia firme e não a sua potência instalada, como em geral, as propagandas para a viabilização de empreendimentos hidrelétricos fazem. Assim, pelo exemplo, as hidrelétricas de Manso e Serra do Facão, apesar de terem a mesma potência instalada – 210 MW –, Serra do Facão produz duas vezes mais eletricidade, em média por ano, do que a hidrelétrica de Manso. Então, utilizando a noção de energia firme verificamos a baixa produtividade média das hidrelétricas instaladas na bacia do pantanal, uma vez que, a produção na bacia não ultrapassa a 600 MWmédios. Este valor corresponde apenas a cerca de 1,1% da produção nacional, quando referenciado na produção hidrelétrica no Sistema Interligado Nacional em 2011.

Contudo, a irrelevância da produção das hidrelétricas do Pantanal não está materializada apenas no reduzido percentual de sua contribuição ao sistema interligado nacional, mas sim, no período que a sua produção é considerada significativa. As hidrelétricas localizadas na bacia do Pantanal operam todas interligadas ao Sistema Elétrico Nacional, e o período em que elas conseguem produzir maisé no período de maior pluviosidade na região Sudeste. E este período é exatamente quando existe excedente de eletricidade no sistema, pois as hidrelétricas do Sudeste, especialmente as da bacia do Paraná, estão “vertendo energia”. Para esclarecer, energia vertida é a operação – na hidrelétrica – no período em que a vazão afluente possibilitaria a produção da potência instalada. Mas como as cargas (residenciais, industriais, comerciais etc) não demandam esta capacidade de energia que a usina pode produzir e como o seu reservatório não tem capacidade de armazenamento para reservá-la para o período de baixa afluência, os operadores da hidrelétrica se veem obrigados a descartar parte da vazão afluente através dos vertedouros e não a direcionando aos grupos turbo-geradores, que produzem eletricidade. Esta operação – vazão lançada aos vertedouros – é denominada na usina hidrelétrica de energia vertida.

Para ter a dimensão do quanto de energia é vertida nas hidrelétricas localizadas no Sudeste brasileiro, basta utilizar apenas os dados da hidrelétrica de Itaipu. Nesta, a média anual de energia vertida nos últimos seis anos (2006 a 2011), é maior que toda a energia que pode ser gerada pelo potencial hidráulico (construídas e levantadas) da bacia do pantanal. Assim, se nos referenciarmos: nas características de baixa produtividade das hidrelétricas do Pantanal; na insignificante contribuição que as hidrelétricas do Pantanal podem dar ao sistema interligado nacional; e, principalmente, nos impactos que estes empreendimentos estão provocando na bacia do Pantanal, não existem argumentos para dar continuidade à implantação de empreendimentos hidrelétricos no pantanal mato-grossense.

IHU On-Line – Quais são os interesses econômicos e políticos que tentam viabilizar a construção de novas hidrelétricas e PCHs no Pantanal?

Dorival Gonçalves Júnior – Para responder esta pergunta, exige recuperar alguns aspectos marcantes, relacionados ao processo de reforma na indústria de eletricidade brasileira. A crise de reprodução do capital na indústria de infraestrutura estatal nos anos 1980/90 – aqui, falo especialmente da indústria de eletricidade brasileira – resultante das políticas de utilização das empresas estatais pelas forças econômicas acabaram esgotando o modelo de estatal de produção de eletricidade. Isto impôs aos setores capitalistas ligados à cadeia de produção da eletricidade uma atuação política no sentido reorganizá-la em novas bases, com vistas a recuperar a acumulação de capital.

Neste sentido, controlar diretamente todo o processo produtivo com vistas a resgatar a lucratividade, requeria a transferência do patrimônio estatal para o controle direto do capital. Por isso, o encaminhamento do processo de privatização das empresas elétricas e a organização das empresas estatais em bases de gestão privada. Outra medida política fundamental neste contexto foi a transformação da eletricidade em mercadoria internacional. Isto é, a eletricidade no Brasil, por ser predominantemente produzida a partir de recursos hidráulicos, tinha no período estatal – em acordo com os mais diversos interesses capitalistas – os seus preços vinculados aos custos da cadeia produtiva hidráulica. Isto fazia da tarifa de eletricidade brasileira, na época da produção sob a gestão do Estado, uma das mais baratas mundialmente. Então, outra medida central para resolver a crise de reprodução do capital era à institucionalização da mercadoria eletricidade ao preço de mercado, isto é, ao preço internacional. E, em 1994, o governo da época institucionalizou o preço da eletricidade brasileira, vinculando-a ao custo da cadeia produtiva térmica. Isto elevou as tarifas de eletricidade no Brasil ao dobro do que se pagava no período estatal. Vale lembrar que isto foi feito no exato momento em que se implantava no país um plano econômico – Plano Real – que reduziu praticamente à zero a inflação, fato que, permitiu obscurecer a manobra de exploração realizada.

Venda de energia

Vender eletricidade produzida em base hidráulica, ao preço da produção térmica, transformou esta cadeia produtiva em fonte de elevada lucratividade e de intensa disputa de muitos setores capitalistas. Desde então, os segmentos capitalistas ligados à indústria de eletricidade, organizados segundo os seus interesses específicos e gerais, atuam em várias frentes, sobretudo, no interior do estado brasileiro, procurando institucionalizar e regulamentar uma cadeia industrial para a eletricidade, aglutinada em negócios de baixo risco e fonte de lucros inigualáveis neste ramo da produção no mundo.

Na atualidade, são quatro os segmentos de negócio: geração, transmissão, distribuição e comercialização. Desde 2004, com a lei 10.848, os novos empreendimentos hidrelétricos são licitados pelo Estado Brasileiro em leilões. Ganham o direito de construir e explorar economicamente o recurso hidráulico o consórcio de empreendedores que se dispõe a construir e vender no mínimo 70% da energia produzida, ao menor preço em reais por cada 1.000 KWh (R$/MWh) para as empresas distribuidoras. Estas últimas são as empresas que vendem eletricidade para a quase totalidade da população brasileira (consumidores residenciais, comerciais, médias e pequenas indústrias, correspondem por volta de 75% do consumo nacional). Aqui, é importante destacar que, quem ganha o leilão, conquista o direito de explorar economicamente o recurso hidráulico licitado por trinta e cinco anos. Em geral, cinco anos para construir o empreendimento e trinta para explorar economicamente sem riscos, pois, no leilão o grupo empreendedor conquista um contrato de venda de pelo menos 70% de sua produção para as empresas distribuidoras por trinta anos. Por isso, as hidrelétricas no Brasil tornaram-se fábricas de produção de eletricidade, de risco de realização da receita nulo e elevada lucratividade. Risco de realização de receita nulo, porque o grupo que ganha o leilão, já tem assegurado antes de construí-la, a venda de sua produção durante 30 anos com os contratos assinados e endossados pelo estado brasileiro com as empresas distribuidoras, que são obrigadas a comprar a sua energia nestes leilões. Elevada lucratividade, pois de um modo geral, estes empreendimentos tem sido conquistados, referenciados no custo de produção térmica.

Hidrelétricas no Pantanal

No caso das hidrelétricas construídas na bacia do Pantanal, estas têm contratos de venda a preços que se constituem um verdadeiro assalto ao bolso dos trabalhadores brasileiros. Pois, a maioria dos empreendimentos foi construída tirando partido de formas contratuais carregadas de benesses proporcionadas pelo Estado, a exemplo do PROINFA. Este programa instituído em 2004, no bojo do clima do pós-racionamento 2001-02, em nome de aumentar a produção de eletricidade através de fontes alternativas (pequenas centrais hidrelétricas, biomassa e eólica) o Ministério de Minas Energia elaborou um programa definindo o valor econômico de cada fonte de eletricidade e incumbiu a ELETROBRAS de celebrar contratos de compra de eletricidade por 20 anos, com os candidatos à produção, com preços por MWhanálogos ao custo das térmicas. Oito PCH’s construídas na bacia do pantanal durante os anos 2000 têm contratos com o PROINFA. Este é caso das PCH’s José Gelasio (26,6 MW) e Rondonópolis (23,7 MW), localizadas no município de Rondonópolis, em Mato Grosso, no ribeirão Ponte de Pedra, pertencente à bacia do rio São Lourenço. São empreendimentos que somam receita anual em torno 30 milhões de reais (para comprovar esta informação basta recorrer ao site da ANEEL no seguinte endereço eletrônico: http://www.aneel.gov.br/cedoc/areh20121385_2.pdf). Como os investimentos realizados não ultrapassaram a 100 milhões nos dois empreendimentos, estas PCH’s – com contratos de 20 anos de venda de sua produção – tiveram os investimentos recuperados em pouco mais de três anos com a receita assegurada pelo PROINFA. Aqui, cabe a pergunta: Quem paga esta conta? Cabe destacar que os custos do PROINFA são rateados entre todas as classes de consumidores do Sistema Interligado Nacional e, evidentemente, quem paga é a classe trabalhadora, pois só com muita luta esta consegue transferir os custos de sua reprodução para a sua mercadoria – força de trabalho.

Até meados de 2010, todos os locais com potenciais para instalação de PCH’s foram muito disputados como negócios de lucros garantidos. Atualmente, com a crise capitalista acentuada a partir de 2008, a indústria eólica mundial, com a suspensão de muitos contratos de venda de seus equipamentos, passou a disputar todos os mercados. O Brasil, considerada a organização institucional da indústria de eletricidade com a garantia do retorno ao capital investido, atraiu, em curto espaço de tempo, um grande número de montadoras de equipamentos eólicos. Estas, ao final de 2012, totalizavam no território nacional oito montadoras com uma capacidade de produção anual em torno de 3,9 GW. Estas empresas, associadas a outros grupos de interesse, passaram a participar dos leilões de novos empreendimentos, colocando os seus preços bem abaixo das Pequenas centrais hidrelétricas e das térmicas de biomassa. No último leilão de compra de eletricidade, ao final de 2012, as eólicas venderem eletricidade a menos de R$ 89,00/MWh, fato que, inviabilizou 22 projetos de PCH’s e 10 projetos de térmicas a biomassa que participaram do leilão. Assim, momentaneamente, a concorrência intercapitalista está detendo a expansão de empreendimentos hidrelétricos na bacia do Pantanal.

Para ler mais:

•07/12/2012 – A política energética e a MP 579: um debate político e corporativista. Entrevista especial com Célio Bermann
•09/11/2012 – MP 579: um programa de privatização pior do que o do governo FHC’. Entrevista especial com Joaquim Francisco de Carvalho
•31/10/2012 – MP 579 e a dualidade de comportamento. Entrevista com Ildo Sauer
•23/01/2013 – Bandeiras tarifárias: o novo equívoco do setor elétrico. Entrevista especial com Heitor Costa
•07/12/2012 – Governo ensaia recuo na MP 579, mas decide manter prazos
•31/10/2012 – MP 579 e os apagões elétricos
•19/10/2012 – Relator preserva MP 579 de pressões estaduais