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PETROBRAS – Sua importância como operadora única.

A Petrobrás como operadora única inibe os dois maiores focos de corrupção da produção mundial de petróleo, que são:

 

1) o superfaturamento dos custos de produção, ou seja, todos os gastos com equipamentos, plataformas e outros insumos são superdimensionados porque a produtora é ressarcida desses gastos em petróleo, recebendo, assim, muito mais petróleo do que o devido;

 

2) A medição fraudulenta do petróleo produzido. Em ambos os casos, a produtora vai ficar com um montante de petróleo muito acima do que teria direito, sendo que este montante será isento de impostos, de pagamento de royalties e participação especial, já que teoricamente não existe.

 

A Petrobrás sendo operadora única, dificulta sobremaneira esse tipo de corrupção. Quanto à sua capacitação para essa função, a Companhia acaba de ganhar dois prêmios que atestam sua competência, o Offshore Technology Conference (OTC, considerado o “Oscar” da indústria do petróleo) e o Society of Petroleum Engineers (SPE, prêmio máximo da Sociedade Mundial dos Engenheiros de Petróleo).O controle dessas atividades é tão importante que o governo criou uma empresa estatal para fiscalizar essas atividades, que é a Pré-sal Petróleo S/A, mas a presidente Dilma Rousseff nomeou para a diretoria quatro indicados pela Shell.


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ORGULHO DE TRABALHAR NA PETROBRAS.

Orgulho de trabalhar na Petrobrás

Michelle Daher Vieira, analista de comercialização e logística

A engenheira metalúrgica e socióloga Michelle Daher Vieira vai completar 10 anos como funcionária da Petrobrás, agora em abril, onde  trabalha como analista de comercialização e logística, na diretoria de abastecimento. Tem orgulho do seu emprego.  E teve coragem de desmentir uma reportagem publicada em O Globo, em 15 de fevereiro, que usou foto sua retirada do facebook, para tentar provar uma rotina de medo e tensão entre os funcionários.

Michelle ficou sabendo da reportagem, através de uma amiga, apenas na quarta-feira de cinzas. E decidiu que não iria ficar calada. Escreveu uma carta que foi enviada ao jornal e à jornalista que assinou a matéria. Até agora, sem resposta. Mas também postou seu desabafo em sua página no facebook, que logo ganhou repercussão.

Michelle conta que decidiu escrever a carta porque está cansada de ver os empregados da Petrobrás sofrendo injustiças e hostilidades, como se todos os quase 90 mil funcionários da empresa fizessem parte da quadrilha que levou à atual crise. E esta percepção, segundo ela é estimulada pela grande mídia, especialmente O Globo, como escreveu em sua carta: “o negócio do jornal é falar mal, é dar uma conotação negativa, denegrir a empresa na sua jornada diária de linchamento público da Petrobras. Não é de hoje que as Organizações Globo tem objetivo muito bem definido em relação à Petrobras: entregar um patrimônio que pertence à população brasileira à interesses privados internacionais”.

As fotos utilizadas pelo jornal, foram feitas por sua irmã, Simone. Elas retratam um grupo de funcionários que tiveram a iniciativa de criar o movimento “Eu sou Petrobrás”, para demonstrar o orgulho de trabalhar na empresa.

Sem filiação partidária, Michele, contudo, tem um discurso politizado, de uma pessoa que busca a justiça social. Está sim, indignada com o esquema de corrupção revelado pela operação Lava Jato e quer a punição dos culpados. Mas quer também mostrar que a Petrobrás não está parada e que seus funcionários seguem em suas rotinas com responsabilidade e confiança no futuro da empresa.

“Depois que publiquei a carta, recebi o apoio de muitos colegas. E senti que as pessoas estão carentes de que algo seja feito em nossa defesa”, confidenciou Michelle.

Torcedora do Vasco da Gama – gosta de ir a jogos -, Michelle curte viagens, praia e bons livros. Uma vida simples e digna, como a da maioria absoluta dos empregados da Petrobrás. Este é o seu orgulho!


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RÚSSIA AMEAÇA CORTAR GÁS PARA A UCRÂNIA.

Busca de acordo entre Rússia e Ucrânia sobre abastecimento de gás

 

A ameaça de novo corte no abastecimento de gás da Rússia para a Ucrânia levou a Comissão Europeia a rapidamente agendar uma reunião, em Bruxelas, na próxima segunda-feira (2), com os ministros de Energia dos dois países. A Europa teme as consequências, para todo o continente, de uma interrupção no fornecimento, já que boa parte do gás que importa da Rússia passa pela Ucrânia.

Ontem (25), o presidente da Rússia, Vladimir Putin, alertou que, se a Ucrânia não fizer o pagamento adiantado do gás, cortará o fornecimento, conforme previsto em acordo celebrado em outubro do ano passado. A Ucrânia tem fornecimento de gás garantido até o fim desta semana.

O executivo chefe da Naftogaz, companhia estatal de gás da Ucrânia, Andriy Kobolyev, disse hoje (26), em entrevista à imprensa, que a Rússia estava entregando volume de gás inferior ao contratado. Segundo ele, a Ucrânia tem os recursos para fazer o pagamento adiantado, mas não pode “continuar pagando por algo que não receberá”.

O porta-voz da Gazprom, Sergey Kupriyanov, disse que a companhia russa não pretende cobrar do governo ucraniano o gás que está fornecendo diretamente para as regiões dominadas por forças separatistas no Leste do país.

A Europa compra da Rússia cerca de 30% do gás que consome. Do total, em torno de 70% passam por gasodutos localizados na Ucrânia.

Mediado pela União Europeia, o acordo celebrado em outubro do ano passado previa que o governo ucraniano fizesse o pagamento, em duas parcelas, de boa parte da dívida de 4,2 bilhões de euros (cerca de R$ 13,4 bilhões) que tinha com a companhia russa Gazprom. Além disso, ficou acertado que novas remessas de gás só seriam garantidas mediante pagamento adiantado, com base em preço predefinido.

Fonte: Agência Brasil

 


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PETROBRAS – A tentativa de desmontar a Petrobras.

“A tentativa de desmontar a Petrobrás”

Luís Nassif (Jornal GGN)

O editorial do jornal O Globo de ontem é claro. O interesse maior não é o de punir malfeitos, prender corruptos e corruptores: é mudar o sistema de partilha do pré-sal. Trata-se de uma bandeira profundamente rentável, a se julgar pelo afinco com que veículos se dedica a ela.

A geopolítica do petróleo não é uma mera teoria da conspiração: é um dado da realidade, por trás dos grandes movimentos políticos do século, especialmente em países que definiram modelos autônomos de exploração do petróleo. E as mídias nacionais sempre tiveram papel relevante, não propriamente por convicções liberais e internacionalistas.

Para o editorial, o Globo certamente teve o auxílio do ectoplasma de algum editorialista dos anos 50. Os bordões são os mesmos: “O PT, ao reagir ao petrolão, ressuscita um discurso da década de 50 e recoloca o Brasil na situação de antes da assinatura dos contratos de risco, no governo Geisel: o petróleo era “nosso”, mas continuava debaixo da terra. Agora, do mar”.

Valia nos anos 50, antes que a Petrobras conseguisse sucesso nas suas prospecções. É uma piada em 2015, quando a empresa consegue extrair 700 mil barris diários do pré-sal. Aliás, é o segundo erro do jornal. O primeiro é supor que a Petrobras ou o sistema de exploração do petróleo é bandeira do PT.

Trata-se de um pilar de política industrial e social que vai muito além dos jogos partidários.

As propinas pagas são caso de polícia. Corruptores e corrompidos precisam ser identificados, processados e presos. Pretender atribuir a corrupção à empresa ou ao modelo de exploração do pré-sal é malandragem política.

Diz o editorial: “Se a Petrobras, em condições normais, já tinha dificuldades para tocar esse plano de pedigree “Brasil Grande”, agora é incapaz de mantê-lo. Não tem caixa nem crédito para isso. Não há como sustentar o modelo”.

A empresa enfrenta problemas momentâneos de caixa, que poderão ser resolvidos com desmobilizações, com a entrada em operação de vários dos investimentos e assim que houver um mínimo de competência política do governo, para deslindar o novelo policial-financeiro criado pela Lava Jato.

Ao longo das últimas décadas, os avanços proporcionados pela Petrobras foram muito além da atividade principal, de tirar petróleo. Hoje em dia, a prospecção em águas profundas é a única tecnologia global na qual o país se destaca, ao lado da aeronáutica.

A política de conteúdo nacional fortaleceu toda uma cadeia de fabricantes de máquinas e equipamentos. O transporte de combustíveis e as plataformas permitiram recriar a indústria naval. A pesquisa brasileira avançou uma enormidade através das pesquisas em rede com as principais universidades nacionais.

Nos últimos anos, a Petrobras foi vítima de três atentados. Do PT, ao permitir e ampliar a permanência de esquemas de financiamento de campanha, destruindo os sistemas internos de controle da empresa. Do governo Dilma, ao conferir responsabilidades inéditas à empresa e, ao mesmo, tirar-lhe o oxigênio com os sub-reajustes tarifários. E, agora, da oposição e da velha mídia, valendo-se do álibi da corrupção para bancar campanhas pouco nítidas para seus patrocinadores.


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ALIANÇA PELO BRASIL EM DEFESA DA SOBERANIA NACIONAL.

ALIANÇA PELO BRASIL: Tiro dos golpistas pode sair pela culatra

Reunidos no Clube de Engenharia, Rio, na tarde-noite de quarta-feira (25), no lançamento da campanha Aliança Pelo Brasil, em defesa da Petrobras e da Engenharia e Soberania nacionais, diversos representantes de entidades e movimentos da sociedade civil, liderados pelo próprio Clube, AEPET e entidades sindicais, entre outros, disseram um sonoro NÃO à corrupção e à tentativa de desestabilização política e econômica do País através do enfraquecimento da maior empresa do Brasil, a Petrobras, de seu corpo técnico e da engenharia nacional.

As propostas giraram em torno da formação de uma unidade para a resistência à campanha sistemática de uma mídia golpista e seus financiadores, locais e estrangeiros, interessados principalmente em acabar com o regime de partilha, bem como atacar a Petrobras como operadora única do pré-sal e as políticas de conteúdo nacional. A estratégia golpista, além de não ser novidade, estaria em curso também na Argentina e na Venezuela, segundo alguns oradores.

O presidente do Clube de Engenharia, Francis Bogossian , classificou o momento como “gravíssimo”, com possíveis desdobramentos futuros. “Não se pode punir os filhos pelos erros dos pais”, disse, referindo-se ao risco da paralisação dos investimentos da Petrobras para o emprego 500 mil trabalhadores do ramo de engenharia. A Petrobras responde por 10% do PIB e 80% dos investimentos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), que envolve, sobretudo, obras de infraestrutura. “Para salvar bancos, criou-se no Brasil o Proer. Por que não criar um programa para a engenharia nacional, obviamente sem deixar de punir corruptos e corruptores?”, indagou Bogossian.

Já Felipe Coutinho, presidente da AEPET, lembrou que o Brasil não foi convidado a ter engenheiros e teve que desafiar uma injusta divisão internacional do trabalho. “Defendemos a função social das empresas de engenharia, que pré-supõe o afastamento dos cartéis, que ficaram com 90% do que foi superfaturado, e dois caminhos para essas empresas: a gestão direta dos trabalhadores e a estatização de pelo menos uma, para que o Estado tenha parâmetros inclusive para contratar futuramente empreiteiras privadas”, defendeu o presidente da AEPET.

“O tiro dos golpistas pode sair pela culatra, pois a Petrobras é patrimônio do povo. O processo regressivo instalado com a Carta aos Brasileiros e com a aliança PT-PMDB pode se inverter”, resumiu Coutinho, que sonha ver a Petrobras 100% pública, controlada socialmente.

Por sua vez, o ex-ministro Roberto Amaral, avalia que já houve um golpe de Estado no País, que estaria, segundo ele, sendo dirigido atualmente por um Congresso conservador ancorado pela mídia, em detrimento do que o povo decidiu nas últimas eleições.

O físico Luiz Pinguelli Rosa, da Coppe/UFRJ, lembrou que a Petrobras foi alvo da espionagem dos Estados Unidos, enquanto o presidente do Crea-RJ contabilizou em 30% do PIB a participação conjunta dos setores de óleo, gás e engenharia na economia nacional.

Discursaram também representantes do Sindipetro, da UNE, da CUT e de outras entidades. Houve unanimidade nas análises a respeito do grave momento político, que inclui a tentativa de um golpe branco, em detrimento de princípios constitucionais elementares e do Estado democrático de direito.

Leia abaixo o manifesto que inaugura a ALIANÇA PELO BRASIL

EM DEFESA DA SOBERANIA NACIONAL

A Nação se defronta com um dos maiores desafios de sua história abalada que está por forças internas e externas que ameaçam os próprios alicerces de sua independência e de sua soberania. As investigações policiais em torno de ilícitos praticados contra a Petrobras por ex-funcionários corruptos e venais estão dando pretexto a ataques contra a própria empresa no sentido de transformá-la de vítima em culpada, assim como de fragilizá-la com o propósito evidente de torná-la uma presa fácil para a fragmentação e a desnacionalização.

A Petrobras é a espinha dorsal do desenvolvimento brasileiro. A cadeia produtiva e comercial do petróleo e do setor naval, por ela liderada, representa mais de 10% do produto interno bruto, constituindo a principal âncora da indústria de bens de capital. É uma criadora e difusora de tecnologia, de investimentos e de produtividade que beneficiam toda a economia brasileira. Foi graças aos esforços tecnológicos da Petrobras que se descobriram, em 2006, as reservas do pré-sal, e é ainda graças a sua tecnologia original de produção que o Brasil já retira do pré-sal, em tempo recorde, cerca de 700 mil barris diários de petróleo, que brevemente alcançarão mais de 2 milhões, assegurando autossuficiência e a exportação de excedentes.

Deve-se à Petrobras a existência de uma cadeia produtiva anterior e superior do petróleo e da indústria naval, induzindo o desenvolvimento tecnológico da empresa privada brasileira, gerando emprego e renda que, no caso de empresas nacionais, significa resultados que aqui mesmo são investidos, desdobrando-se em outros ciclos de produção e consumo na economia.

Tudo isso está em risco. E é para enfrentar esse risco que o movimento social e político que estamos organizando conclama uma mobilização nacional em favor da Petrobras, instando o Governo da República a colocar todos os instrumentos de poder do Estado em sua defesa, de forma a mantê-la íntegra, forte e apta a continuar desempenhando o seu papel de líder do desenvolvimento nacional e a enfrentar, por outro lado, o desafio do seu enfraquecimento planejado por forças desnacionalizantes e privatistas internas e externas.

Ao lado da defesa da Petrobras vemos o imperativo de proteger a Engenharia Nacional, neste momento também ameaçada de fragmentação e de liquidação frente ao risco de uma desigual concorrência externa. Repelimos com veemência eventuais atos de corrupção ocorridos na relação entre empresas de engenharia fornecedoras da Petrobras, e seremos os primeiros a apoiar punições para os culpados, mas somos contra a imputação de culpa sem provas, e a extensão de culpa pessoal a pessoas jurídicas que constituem, também elas, centro de geração de centenas de milhares de empregos, de criação de tecnologia nacional e de amplas cadeias produtivas, e de exportação de serviços com reflexos positivos na balança comercial.

Todos que acompanham negociações internacionais conhecem as pressões que recaem sobre o Brasil e outros países em desenvolvimento no sentido de abertura de seu mercado de construção pesada a empresas estrangeiras. Somos inteiramente contrários a isso, em defesa do emprego, da renda e do equilíbrio do balanço de pagamentos. Se há irregularidade na relação entre as empresas de construção e a autoridade pública que sejam sanadas e evitadas. Mas a defesa da Engenharia Brasileira implica a preservação da empresa brasileira à margem de qualquer pretexto.

Não é coincidência os ataques à Petrobras, ao modelo de partilha da produção que a coloca   como operadora única do pré-sal, à política de conteúdo local, à aplicação exclusivamente na educação e na saúde públicas dos recursos do pré-sal legalmente destinados a esses setores,   à Engenharia Brasileira como braço executivo de grande parte de seus investimentos, e também ao BNDES, seu principal financiador interno, que tentam fragilizar rompendo sua relação com linhas de financiamento do Tesouro: tudo isso faz parte não propriamente de ataques ao governo mas de uma mesma agenda de desestruturação e privatização do Estado em sua função de proteger a economia nacional.

É nesses tópicos mutuamente integrados que concentramos a proposta de mobilização nacional que estamos subscrevendo, e que está aberta à subscrição de outras entidades e de todos os brasileiros que se preocupam com o destino de nossa economia e de nosso país. Estamos conscientes de que o êxito dessa mobilização dependerá da participação do maior número possível de entidades da sociedade civil, de partidos políticos e das cidadãs e cidadãos individualmente. E é da reunião de todos que resultará a afirmação da Aliança pelo Brasil em defesa da Petrobras, do Estado social-desenvolvimentista e de um destino nacional de prosperidade.


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A PETROBRAS É DO POVO BRASILEIRO.

25/02/2015 – Copyleft

A Petrobrás é do povo brasileiro: não se aceita nem corrupção, nem entreguismo.

Os petroleiros são a liderança incontestável da tarefa de dar a linha para tirar a Petrobrás do atoleiro e defender a empresa dos ataques especulativos.


Antonio Lassance

Fernando Frazão / Agência Brasil

O ato em defesa da Petrobrás, organizado pela Federação Única dos Petroleiros (terça, 25), demarcou o terreno progressista da disputa que se faz sobre a narrativa e o desenlace do escândalo que abala a empresa.
Realizado sob o abrigo da emblemática Associação Brasileira de Imprensa (ABI), no Rio de Janeiro, o ato pode ser resumido em uma bandeira: a Petrobrás é do povo brasileiro.
Foi um momento fundamental para deixar clara a posição do campo progressista em relação à crise que ameaça a credibilidade da Petrobrás e o papel da empresa para o futuro do País.
A palavra de ordem é: em defesa da Petrobrás, nem corrupção, nem entreguismo.
Foi bom ver os petroleiros à frente do ato. Ninguém tem maior autoridade moral para defender a empresa do que os petroleiros. Eles são a vanguarda desse processo e devem ser reconhecidos enquanto tal por todos os que lutam por um desfecho que permita que a Petrobrás saia muito mais forte desse episódio.
Eles são agora nossa força e nossa voz para defendê-la, mais do que a direção da própria empresa se mostrou capaz de fazê-lo. Seus rostos, suas falas, suas propostas e principalmente sua disposição de luta devem se tornar conhecidos de cada um de nós, cada vez mais.
Os petroleiros são a liderança incontestável da tarefa de dar a linha para tirar a Petrobrás do atoleiro e defender a empresa dos ataques especulativos que pretendem destroçá-la.
O mais incrível é que, diante de um escândalo que afetou a principal empresa do País, o cartel midiático tenha imposto um cala-boca a quem nela trabalha – os petroleiros -. Tem sido assim o tempo todo, inclusive ontem.
Mesmo com todo o peso político do ato, a mídia tradicional preferiu dar destaque a uma briga de rua. Óbvio. Faz parte de sua profissão de fé desqualificar o debate e priorizar o espetáculo da ignorância.
Foi bom ouvir os petroleiros e sua denúncia de que interessa ao povo brasileiro moralizar, e não desmoralizar a empresa.
Foi bom ver a blogosfera e a imprensa alternativa mobilizadas, repercutindo o ato e reproduzindo as falas de intelectuais, artistas, jornalistas, ativistas sociais e do ex-presidente Lula.
Foi bom relembrar a história da Petrobrás, seu papel estratégico e o que ela significa para o futuro do país, como fez Luis Nassif logo no início do ato.
Foi bom ter Wadih Damous, presidente da Comissão Nacional de Direitos Humanos do Conselho Federal da OAB, exigindo das autoridades cumprir o dever de respeitar o Estado democrático de Direito.
Não se pode contemporizar com uma investigação de meia tigela, que investiga uns e preserva outros, indecorosa e inexplicavelmente. Uma investigação parcial que coloca na cadeira só os malvados favoritos, e não todos os que roubaram a Petrobrás e guardaram seu dinheiro na Suíça, desde os anos 1990. Para uns, o inquérito e as grades; para outros, um processo na gaveta e um cofre cheio nos Alpes.
Foi bom ouvir Lula deixar claro que não se admite que se ouse pensar em transformar o escândalo em uma crise institucional, ou vai ter troco.
O pior erro que se pode cometer na atual conjuntura é o de se deixar intimidar.
Não se pode abaixar a cabeça diante de uma legião de hipócritas e canalhas, cada qual com sua conta na Suíça, desde os anos 1990. Os pilantras que se arvoram campeões da moral e da ética, durante o dia, à noite conferem seu saldo em Genebra com a sensação de alívio e êxtase.
Queremos a Petrobrás. Não abrimos mão da Petrobrás. Nem para corruptos, nem para entreguistas – sejam eles políticos, donos de meios de comunicação, policiais, delegados, juízes, especuladores, enfim, para nenhum pilantra, não interessa a que espécie da fauna do país pertença.


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PETROBRAS E HSBC: só queremos entender.

Petrobras e HSBC: não precisam explicar, só queremos entender

Por que a Velha Mídia brasileira repercute apenas os casos de corrupção da Petrobras e ‘esquece’ os do HSBC? Sonegação fiscal para eles não é crime?


José Carlos Peliano*

reprodução

Há coisas na vida que dispensam explicações. Outras que as requerem, embora fiquem na balança das opiniões, juízos e ideias pré-concebidas. Afinal a verdade se traveste de muitas interpretações, mal entendidos e mentiras, deixando as coisas mais complicadas ainda de entender. Quiçá engolir.

Do antigo programa humorístico de TV Planeta dos Macacos, década de 80, tomo emprestado a frase singular, no singular, “não precisa explicar, só queria entender”. Profundamente irônica, ela reflete a realidade travestida de clareza e naturalidade, mas nunca objetiva porque enganosa, maledicente, corrompida.

A corrupção na Petrobras e a do HSBC caminham juntas na ordem do dia do noticiário mundial. Só que a primeira não sai das manchetes e noticiários do Brasil, nas mãos da Velha Mídia Corrompida, já a segunda é estampada diária e abertamente apenas na mídia de outros países e continentes.

Enquanto isto o governo federal brasileiro, seus representantes, militantes, aliados e simpatizantes, se calam inexplicavelmente vendo o circo apresentar sinais visíveis de fumaça aqui e ali. O risco do fogo surgir e se alastrar é grande. Pior, carrega o governo debaixo do braço medidas econômicas impopulares, contrárias ao programa eleitoral, que já desembocam no desemprego, no recuo nas atividades econômicas e na perda de renda.

O samba do crioulo doido. Salve Stanislaw Ponte Preta! Um governo dito de esquerda com um pacote econômico escrito pela direita. Austeridade que não é austeridade, como disse a Presidente, apenas uma correção rápida e necessária de rumo para ajeitar as coisas. As velhas coisas, que não se sabem bem quais são e porque têm que ser mudadas agora, e desta maneira, se antes funcionavam, pelo menos até o final do 1º mandato do mesmo governo.

Então, por que a Petrobras não sai do noticiário nacional e o HSBC não entra? Bem, as explicações, de novo, são muitas. Certamente a Velha Mídia Corrompida irá dizer que o mal que a corrupção faz na maior empresa brasileira é mais importante do que o que se passa com o banco. O impacto da malversação pelos dutos do petróleo afeta mais a nós do que as operações ilícitas nas contas correntes do HSBC.

Essa explicação encobre o fato que muitos depositantes do banco, em contas secretas da Suíça e alhures, são naturais do Patropi onde mantém residência e negócios – cerca de R$ 20 bilhões em contas secretas. Por quê secretas? Se são oriundas de negócios de Hong Kong, da Suíça ou contrabandos, armas e drogas, ainda não se sabe. Mas o escândalo global, os brasileiros por aqui só ficam sabendo nas redes sociais, não na TV e demais veículos.

Denegrir o Brasil, diária e insistentemente, é prática comum e corriqueira da Velha Mídia Corrompida. Leva de roldão os anseios, expectativas e esperanças dos brasileiros comuns e junto ao governo federal eleito democraticamente por eles. Para ela, o país está mal, o governo, a Petrobras e tudo o mais.

H, de hábitos, S, de secretos, B, de bancários, C, de corruptos. Este o banco descoberto recentemente com enormes fraudes contra a legislação dos países nos quais opera. Inclui desde evasão fiscal até sonegação de impostos, passando por financiamentos a atividades ilícitas, entre as quais drogas, armas e contrabandos, quiçá prostituição.

Membro mais importante pelo tamanho de suas operações e atividades, o banco se apresenta como o líder mundial da banda privada de um sistema financeiro que colocou a Zona do Euro em maus lençóis se valendo da mesma visão econômica antipopular.

Ao mesmo tempo que participa do programa de austeridade da tríade (FMI, BCE e CE) pela recepção de recursos baratos, selecionando a liberação deles para os países e cobrando juros extorsivos dos mais vulneráveis, o HSBC entorna moedas de muitos zeros à direita para operações ilícitas e lucrativas a juros menos amargos. E, neste esquema, Grécia, Espanha, Irlanda, Itália e Portugal que se lixem.

A despeito de toda a corrupção na Petrobras, ela alcançou inegáveis recordes de produção e excelência de tecnologia em águas profundas ano passado por prêmios de entidades internacionais reconhecidas do ramo. Os resultados seriam os mesmos sem o tumulto da propina embora a custos menores. Suas operações principais e estratégicas são bem sucedidas, cumpre seu papel, apesar dos rombos localizados.

Já o HSBC lava dinheiro de ditadores, facilita fraudes fiscais, trafica armas e drogas, abre empresas fantasmas off-shore, entre outras atividades do gênero, enquanto atua no sistema financeiro como um banco comum e qualquer. O certo de menor expressão encobre o duvidoso de maior vulto.

Outros bancos certamente fazem o mesmo, não é novidade. Grandes encrencas já ocorreram em vários países por conta de esquemas de transações irregulares. O prêmio de maior escândalo bancário, no entanto, vai até agora para o HSBC, pelo seu protagonismo nos períodos de bonança e caos financeiro que assolam o furor capitalista.

Pois então, a tentativa de destruição da Petrobras pela Velha Mídia Corrompida segue trilha idêntica a mapeada no HSBC. Atuar na clandestinidade das informações e das coberturas fraudulentas para ganhar mais tanto na veiculação de escândalos quanto na facilitação de negócios ilícitos e prejudiciais aos cidadãos dos países atingidos.

Não precisam explicar, só queremos entender. A permanência da Petrobras nas telas de TV, nas primeiras páginas de jornais e nos noticiários dos rádios contribui para diminuir o governo tornando-o acuado, sem vez e voz. Não por coincidência irromperam as denúncias de corrupção junto às eleições. Oposição e mídia querendo tomar posse, nem que fossem juntos ao 3º turno.

A insistência de jogar sujeira no ventilador todos os dias, de manhã, de tarde, de noite e de vez em quando, faz parte do bloco do “este governo não vale seu voto”. E a Velha Mídia Corrompida vale nossa credibilidade? Vale a nossa paciência e exaustão? Vale os “bomboners” patéticos espalhados pelos vídeos? Vale nos enchermos de porcarias para arrotar porcarias? Não é a toa que o Jornal Nacional atinge seu menor Ibope dos últimos tempos.

Ainda bem que há gente que não engole sapo. Mas eles, os da Velha Mídia, são estóicos ou pervertidos capitães, afundam junto aos seus navios em águas de mentiras, infâmias, acobertamentos e falsos comentários.

* economista, colaborador da Carta Maior


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PETROBRAS – As intenções da ofensiva contra a Petrobras.

A ofensiva demolidora que ora desaba sobre a Petrobras pretende, no imediato, a tomada dos campos do pré-sal. Vai muito além, todavia.


Centro Celso Furtado

A Petrobras tem uma história rica e densa, de mais de sessenta anos, que a faz, indiscutivelmente, um símbolo do desenvolvimento do Brasil ou, mais que isso, um símbolo da própria Nação Brasileira.

Desde o tempo primeiro, quando a melhor técnica do mundo afirmava que o Brasil não tinha petróleo, até a fantástica descoberta do pré-sal, passando pelos primeiros campos da Bahia e pelos da Bacia de Campos, o êxito incontestável e brilhante, exclusivo da Empresa, das suas equipes técnicas e administrativas, constituiu-se numa vitória exemplar que se erigiu em um verdadeiro símbolo da capacidade brasileira, da competência técnica e gerencial dos brasileiros, um símbolo do Desenvolvimento do Brasil. Um símbolo, sim, da afirmação nacional capaz de silenciar o cantochão derrotista dos que nunca acreditaram no Brasil, e acachapar o grupo dos espertos que se associaram aos interesses da dominação, nutrida do atraso do País.

A Petrobras é muito mais do que a nossa maior empresa, a maior empresa da América Latina, uma das maiores do mundo; é um símbolo que esplende como um atestado firme da capacidade empreendedora e científico-tecnológica dos brasileiros.

É símbolo também da luta histórica, da luta política da afirmação nacional, uma luta que arregimentou multidões para enfrentar poderes gigantescos, e que venceu: a Petrobras é o símbolo do nacionalismo brasileiro.

A ofensiva demolidora que ora desaba sobre ela pretende, no imediato, a tomada dos campos do pré-sal. Vai muito além, todavia, e visa a apequenar a desenvoltura que o Brasil tomou no mundo: na América do Sul, na África e na aliança dos Brics, esta que abre uma nova alternativa de desenvolvimento capaz de superar aquela imposta pelo grande capital através do Banco Mundial e do FMI.

Esses objetivos ficam evidentes diante da gritante desproporção entre a massa de denúncias desfazedoras produzidas, ampliadas e trombeteadas diariamente pela grande mídia, e o real conteúdo de toda essa barulhada.

Houve corrupção na empresa? Sim, inegavelmente, e é indispensável que seja apurada e punida. É de agora essa corrupção? Não; as mesmas denúncias mostram que é antiga; só cresceu muito nos últimos anos. Descoberta só agora toda esta ladroagem, por quê?

Primeiro porque cresceu muito, cresceu com o próprio movimento financeiro da Empresa e tronou-se obviamente mais visível.

Segundo, porque o empenho em combater a corrupção também cresceu nos últimos anos, com o afastamento dos engavetadores e com a liberdade de atuação dada à Polícia Federal. Prova deste avanço é o número recorde de desbaratamentos de quadrilhas de roubo e fraude que atuavam no País.

Mas há um terceiro fator importante: a espionagem sofisticada que se concentrou sobre a Petrobras depois da aprovação da Lei do Pré-sal e começou a enviar drones, vindos não se sabe de onde, com mensagens informativas para a nossa “mídia investigativa”.

Bem, é mais um episódio desta luta histórica que criou e desenvolveu a Petrobras, que fez dela um símbolo nacional tão importante quanto a nossa bandeira e o nosso hino, um símbolo mais consistente porque construído sobre o esforço e a competência do trabalho dos brasileiros. É mais um episódio que, como os outros, será vencido pelos brasileiros, que já se mobilizam para o enfrentamento.

Registro, com orgulho, a bela e enérgica iniciativa tomada pelo Clube de Engenharia em conjunto com outras entidades brasileiras de grande prestígio: a Aliança pelo Brasil.

Venceremos, com certeza; e o símbolo ganhará mais força e mais brilho, para continuar iluminando e balizando o desenvolvimento do Brasil.
_________

Roberto Saturnino Braga, 83, é engenheiro. Com votos da cidade e do estado do Rio de Janeiro elegeu-se vereador, prefeito, deputado federal e senador da República.


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PETROBRAS É PRETEXTO PARA PRIVATIZAÇÃO E IMPEACHMENT DE DILMA

Wagner Iglecias: Petrobras é pretexto para privatização e impeachment de Dilma

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Petrobras é pretexto

Wagner Iglecias, especial para o Viomundo

Vamos combinar: há muita gente indignada com as denúncias de corrupção na Petrobras. Mas talvez haja muito mais gente que não esteja nem aí pra isso. E apenas vê nesse caso, como viu no mensalão, a chance do sonho tão desejado: botar o PT pra correr. Porque se corrupção fosse realmente motivo de indignação de boa parte dos brasileiros, ela não seria seletiva. Como é, na maioria dos casos. A rejeição de alguns setores ao petismo se dá não pelo que ele tem de ruim, ou seja, ter chegado ao poder e convivido (gostosamente?) com os esquemas do arco-da-velha na relação entre público e privado deste país.

A rejeição, ou melhor, o ódio que muitos têm pelo petismo se dá pelo que ele tem de bom: ter sido o melhor administrador que o capitalismo brasileiro já teve. Ou não foi sob os governos do partido que algumas dezenas de milhões de pessoas sairam da miséria e entraram no mercado de consumo, dinamizando nossa economia como há décadas não se via? E tudo em meio a um clima de estabilidade política e lucros estratosféricos de bancos e grandes empresas. Lucros, aliás, gerados por um mercado aquecido e crescente ou por uma selic nas alturas, tanto faz.

Mas é ai que reside uma das raízes do problema: país de herança escravista, o Brasil não está de fato preparado para um capitalismo de massas.

Exemplo: turista brasileiro vai aos EUA e volta maravilhado com a pujança da economia norte-americana, com o tamanho da classe média gringa. Mas aqui quer continuar pagando salário de fome para a empregada. Quem não conhece alguém assim? Um vizinho, um parente, um colega do trabalho, o que seja. Exemplos não faltam.

Fato é que boa parte da nossa classe média, por exemplo, não está p da vida com o PT só por causa do noticiário ou do preço da gasolina. Está p da vida porque a empregada não aceita mais ganhar uma merreca e ainda por cima de uns tempos pra cá anda dizendo que quer fazer faculdade. E porque o pedreiro já não quer mais ser pedreiro. E assim por diante. Parece que livre iniciativa, mobilidade social, meritocracia etc. são bacanas só em teoria. Parece coisa pra gringo, não pra nós. A impressão é que por aqui há muita gente saudosa do bom e velho “manda quem pode, obedece quem tem juízo”. Ou então do tão nosso “você sabe com quem tá falando?”.

Mas por outro lado, para tristeza do petismo, a empregada querer fazer faculdade ou o pedreiro já não querer arrebentar a mão no serviço bruto em troca de uns caraminguás não tem nada de revolucionário. Certa vez, ainda moleque, li uma entrevista em que Lula dizia que o brasileiro é um sujeito tranquilo, que no fim das contas que mesmo é poder tomar sua cervejinha e fazer seu churrasquinho no fim de semana. E é isso mesmo. E o brasileiro pobre, que melhorou de vida nos últimos anos, é brasileiro também.

Padece das mesmas mazelas de uma sociedade conservadora como a nossa, com um nível deficiente de educação formal e ainda pior de educação política. E a lástima é que o lulismo não politizou ninguém. Mandar essa turma pro shopping center ou dar condições para que de uns tempos pra cá todo fim de semana dê pra assar uma carne, tomar uma gelada e ouvir um pagode ou um sertanejo foi muito importante. Uma revolução. Mas foi pouco. Agora que a economia engessou e o governo não tem mais condição de manter o ganha-ganha do bem bolado criado por Lula, o bicho tá pegando. E o pobre, que já não compra tanto quanto comprava até um tempo atrás, tá começando a botar a culpa em quem? Na “roubalheira do PT”, lógico. Eureka!

E tem detalhes velhos e novos no jogo que está sendo jogado: o velho, chato até de tão repetitivo, é a pancadaria dia sim outro também da grande imprensa no petismo, enquanto a corrupção alheia permanece pouco noticiada. Mas até ai, tá mais fácil ver as torcidas de Flamengo e do Vasco de mãos dadas no Maracanã do que o telejornal A ou a revista B se comportarem de maneira diferente do que têm feito há anos em relação ao petismo.

Trata-se quase de um dado da natureza já. Sem qualquer estratégia de comunicação, o governo e seus simpatizantes vão se escorando nas redes sociais, onde a guerra de guerrilha tenta desmontar as versões oficiais que os inimigos do petismo propagam através de seus canhões. E aqui, nas redes, apesar de tudo, o jogo é relativamente equilibrado.

Mas a direita, que está hoje a anos-luz do despreparo da eleição de 2006, quando caiu na armadilha retórica da privatização, saltou na frente e hoje dá de 7 a 1 fácil no governo e no petismo quando se trata de usar os zapzaps da vida, como bem notou Luiz Carlos Azenha aqui no Viomundo. É por ali que a mensagem do seu candidato viralizou aos milhões na véspera do 1º turno e é por ali que se propagam agora convocatórias para o ato pelo impeachment de Dilma marcado para 15 de março. Aos milhões também. E, pior para o petismo, chegando inclusive nos celulares da moça e do rapaz aí de cima: a empregada que quer fazer faculdade e o pedreiro que não quer mais ganhar uma merreca. O impeachment está à mão e o que não falta, de cima a baixo na sociedade, é gente para querer botar as coisas de volta naquilo que julga ser o seu devido lugar: o PT fora do comando e as coisas como elas sempre foram. Petrobrás é pretexto.

Wagner Iglecias é doutor em Sociologia e professor da Escola de Artes, Ciências e Humanidades da USP.


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EUA – Produção de shale gas – crescimento ou declínio?

Produção de shale gas nos Estados Unidos – crescimento ou declínio?

 

Em dezembro de 2014, a revista norte-americana Nature publicou um artigo apontando divergências importantes entre as projeções de produção de shale gas da Universidade de Texas-Austin e a Energy Information Administration (EIA), do Departamento de Energia dos Estados Unidos. Estudos da universidade chegaram à conclusão de que a produção de shale gas em quatro das principais formações produtoras (Marcellus, Fayeteville, Barnett e Haynesville) atingiria um pico de 600 milhões de m3/dia em 2020, caindo para 460 milhões de m3/dia em 2030, enquanto as previsões da EIA indicam que a produção atingiria 850 milhões de m3/dia em 2020, mantendo-se constante até 2040. Ou seja, uma diferença de 390 milhões de m3/dia! A universidade do Texas alega que fez um estudo mais detalhado sobre as formações e sobre a localização dos chamados “sweet spots”, enquanto a EIA afirma que suas projeções contêm diversos cenários e que os pesquisadores de Austin são adeptos da teoria do “peak oil”.

Quais seriam as consequências para o comércio internacional de gás se as previsões da Universidade do Texas estivessem corretas? Nesse caso, a produção total de gás doméstico em 2030 seria de 2,3 bilhões de m3/dia, em vez dos 2,7 bilhões de m3/dia previstos pela EIA.

O consumo de gás no mercado doméstico é atualmente da ordem de 2,0 bilhões de m3/dia. Além disso, o Departamento de Energia dos EUA está analisando pedidos de exportação de GNL totalizando 1,2 bilhões de m3/dia. O consenso da indústria é de que 6-7 desses projetos deverão ser efetivamente comissionados, demandando 310 milhões de m3/dia. Ou seja, se as estimativas da Universidade do Texas estiverem corretas, a produção de gás doméstica será suficiente para atender apenas o consumo doméstico e um punhado de projetos de exportação de GNL, com o risco de os EUA voltarem a importar gás natural.

Isso sem dúvida afetaria o nível de preços no mercado doméstico e internacional. Em 5 de janeiro de 2015 os preços de gás em Henry Hub (HH) estão cotados a $ 3,14/MMBtu. Em outubro de 2014 a EIA publicou um estudo sobre o impacto das exportações de GNL no mercado de energia nos EUA. Em um cenário de exportação de 220 milhões de m3/dia, ou seja, inferior ao consenso, o preço HH chegaria a $ 4,0/MMBtu em 2030, enquanto num cenário de oferta mais restrita o preço em 2030 chegaria a $ 8,0/MMBtu. Nesse último caso, os preços de exportação de GNL americano para o mercado asiático seriam de no mínimo $ 15,2/MMBtu. Isso teria ramificações importantes na precificação do GNL, porque os compradores asiáticos têm demonstrado preferência por preços “cost plus” em lugar de preços indexados ao petróleo Brent. Mas se o preço do petróleo subir para $ 80-85/barril e se mantiver nesse patamar até 2030, o preço do GNL indexado a HH seria superior à paridade com o petróleo, com implicações importantes na competitividade do gás natural com os derivados de petróleo.

Isso também impactaria o mercado brasileiro de GNL, porque o preço para o Brasil no mercado spot é similar ao preço no mercado asiático, e porque preços para contrato de longo prazo estariam atrelados a HH.

A recente decisão do Departamento de Comércio americano de autorizar exportações de petróleo deverá garantir um folego renovado aos produtores de petróleo produzido em associação ao shale gas. A entrada de volumes adicionais de petróleo leve em um mercado já superabastecido deverá pressionar ainda mais para baixo os preços internacionais de petróleo. Caso isso se mantenha no longo prazo, poderá haver um descolamento inverso entre HH e os preços do petróleo. De toda sorte, é inegável que existe um declínio pronunciado da produção de poços de shale gas após o primeiro ano de produção, que tem sido contrabalançado pelo aumento de produtividade dos poços horizontais e, apesar de anos prolongados de baixos preços HH, a produção de shale gas nos EUA tem aumentado continuamente. 10

Além disso, mesmo que haja um declínio de produção de shale gas a partir de 2020, ainda assim a produção americana de gás seria fenomenal quando comparada à de outros países, cerca de 2 bilhões de m3/dia. O país teria ainda se beneficiado por mais de 10 anos de preços baixos de gás natural, com tremendos impactos na economia americana – existem estimativas de que o impacto do shale gas no PIB americano contribuiria com 0,75 pontos percentuais para o crescimento do PIB em 2020. A revista Forbes estima que o setor de shale (petróleo e gás) poderia turbinar ao PIB anual de 2%-4% em 2020, equivalente a $ 380-$ 690 bilhões.

Fonte: Revista Brasil Energia Petróleo & Gás – * a revista é publicada mensalmente