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ENERGIA LIMPA PARA REVOLUCIONAR O FUTURO.

Energia limpa para revolucionar o futuro

O Brasil pode ter sua matriz energética majoritariamente limpa até 2050 – se quiser. É o que mostra a 3ª edição do relatório [R]evolução Energética, elaborado pelo Greenpeace
 
Greenpeace / Carbono Brasil
 
A participação das fontes renováveis pode ser 47% maior na matriz energética brasileira, nos próximos 40 anos, do que o projetado pela política atual do governo. Segundo o relatório [R]evolução Energética, divulgado hoje pelo Greenpeace,  a matriz pode contar com 66,5% de fontes como vento, sol e biomassa para alimentar os setores elétrico, industrial e de transportes em 2050.

Ao considerar apenas a matriz elétrica, a projeção é ainda mais dramática: 92% da eletricidade que alimentará o Brasil em quatro décadas pode ser limpa. Atualmente, esse cenário e a tradição nacional de renováveis neste setor estão em risco devido a decisões equivocadas da administração federal, que tem abraçado fontes sujas, como o carvão.

Em sua 3a edição no Brasil, o [R]evolução Energética propõe uma matriz energética limpa e sustentável com base nos recursos disponíveis e tecnologias atuais. Este cenário atende à necessidade futura de energia para o país e concilia crescimento econômico com preservação ambiental.

O estudo também demonstra como o uso racional e eficiente de energia em edifícios, indústrias e meios de transporte pode reduzir a dependência dos combustíveis fósseis. Pelo cenário [R]evolução Energética, a demanda de energia é 25% menor em 2050 quando comparada com o cenário de referência, mesmo se o PIB crescer anualmente entre 2,5% e 3,7%.

O documento também indica caminhos para reduzir as emissões de CO2 do país. O conjunto de medidas proposto contribuiria para um corte de 60% dessas emissões até 2050 – de 777 milhões de toneladas por ano pelo cenário de referência para 312 milhões de toneladas pelo cenário proposto.

Até 2040, é possível abdicar da energia produzida pelas usinas nucleares, térmicas movidas a óleo combustível e carvão mineral, e evitar a construção de novas grandes hidrelétricas na Amazônia. Também é possível crescer sem explorar reservas não convencionais de gás e óleo, como o gás de xisto ou o pré-sal.

Para tornar isso realidade, o [R]evolução Energética prevê um significativo aumento do uso de fontes renováveis – serão 396 gigawatts de eletricidade em 2050 instalados, principalmente, por meio das fontes eólica, solar fotovoltaica, solar heliotérmica, biomassa e pequenas centrais hidrelétricas.

Em termos de investimento, a construção de menos termelétricas e a maior participação de renováveis poupará R$ 1,11 trilhão até 2050. Isso porque, apesar de um investimento maior – R$ 2,39 trilhões até 2050, R$ 690 bilhões a mais do que o governo pretende despender no mesmo período – as vantagens econômicas ficam evidentes ao se colocar na conta os altos gastos com combustíveis fósseis previstos no cenário de referência. Afinal, vento e sol são de graça, ao contrário de gás e óleo combustível.

Para o setor de transporte, o cenário prevê a necessidade que uma radical mudança do modal – hoje muito centrada no uso rodoviário e no automóvel – para o transporte por trilhos e coletivo. Também a indústria precisa adotar padrões mais rígidos de eficiência, com veículos menores e motores que consomem menos combustível. As energias renováveis responderão por 40% do consumo de combustíveis no setor de transporte até 2050. A participação da eletricidade chegará a 7% no mesmo ano.

“É técnica e economicamente possível atender à crescente demanda de energia do país de modo limpo e sustentável. E, neste sentido, o Revolução Energética é uma provocação pública pois tudo depende de vontade e visão política”, diz Ricardo Baitelo, coordenador da campanha de Clima e Energia do Greenpeace no Brasil.

“A iminência de uma crise climática coloca desafios sem precedentes a todas as nações. Há um forte movimento mundial para se reduzir a dependência dos combustíveis fósseis e aumentar a participação das energias renováveis”, diz Sven Teske, diretor de energias renováveis do Greenpeace Internacional. “O Brasil tem recursos naturais de sobra para se tornar uma potência energética limpa. Ao contrário do que acontecia no passado, as energias renováveis – em especial a solar fotovoltaica e eólica – são mais competitivas que o carvão e ainda utilizam recursos locais e criam mais empregos. Utilizar mais renováveis agora é mais uma vantagem econômica que um fardo e reduz a dependência de combustíveis importados”, conclui Teske.”


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MATRIZ ENERGÉTICA – UMA APOSTA NUCLEAR?

Matriz energética brasileira em transição. Uma aposta nuclear? Entrevista especial com Otávio Mielnik

“A diversificação das fontes energéticas é um imperativo para que haja uma evolução equilibrada da matriz elétrica”, declara o coordenador de estudos na área de energia da FGV Projetos.

Foto: http://bit.ly/192rfx3

Confira a entrevista.

“Há limites evidentes em prosseguir a expansão do sistema elétrico do país com base na hidroeletricidade”, diz Otávio Mielnik à IHU On-Line, em entrevista concedida por e-mail. Segundo ele, “a maior parte dos recursos hídricos a ser equipada com usinas hidrelétricas encontra-se na Amazônia e no Cerrado, áreas com grande sensibilidade ambiental, próximas de terras indígenas e situadas a grande distância (cerca de 2.000 km) dos centros de consumo”.

Autor do estudo realizado pela Fundação Getúlio Vargas – FGV, intitulado o Futuro Energético e a Geração Nuclear, Mielnik ressalta que a estimativa é de que “a demanda de energia elétrica cresça de 3 a 4% ao ano no período de 2013-2040. Isso significa que há necessidade de se organizar desde

já um processo de transição que permita atender o crescimento da demanda em bases sustentáveis. Sustentabilidade que seja física, mas também tecnológica, econômica e financeira”.

Mielnik aposta na “inovadora contribuição” da energia nuclear, e assegura que nas próximas duas décadas ela pode representar um percentual significativo na matriz energética brasileira, “tanto por seu desempenho operacional e confiabilidade (gerando energia 90% do ano), quanto por apresentar um custo de geração competitivo (fortalecendo a segurança econômica do sistema de geração elétrica) e por contribuir para a segurança ambiental (não emitindo gases de efeito estufa)”.

Otávio Mielnik é coordenador de estudos na área de energia da Fundação Getúlio Vargas – FGV Projetos.

Foto: http://bit.ly/17lx9dz

Confira a entrevista.

IHU On-Line – Em seu estudo, o senhor diz que o sistema de geração e desenvolvido de energia dos últimos 50 anos mostra sinais de saturação. Que sinais são esses? E por que a alternativa ao atual sistema energético é investir em usinas térmicas?

Otavio Mielnik – O sistema de geração de energia elétrica no Brasil tem sido predominantemente hidrelétrico (90% da geração anual entre 1970 e 2000). Desde o ano 2000, a geração hidrelétrica tem se mantido ao redor de 80% do total da geração elétrica anual do país. Mesmo considerando a importância dos recursos hídricos do Brasil (entre os maiores do mundo) e o custo competitivo da geração hidrelétrica, há limites evidentes em prosseguir a expansão do sistema elétrico do país com base na hidreletricidade. Isso porque a maior parte dos recursos hídricos a ser equipada com usinas hidrelétricas encontra-se na Amazônia e no Cerrado, áreas com grande sensibilidade ambiental, próximas de terras indígenas e situadas a grande distância (cerca de 2.000 km) dos centros de consumo. Essas restrições têm implicação tecnológica, econômica e regulatória. Ao mesmo tempo, estima-se que a demanda de energia elétrica cresça de 3 a 4% ao ano no período de 2013-2040. Isso significa que há necessidade de se organizar desde já um processo de transição que permita atender o crescimento da demanda em bases sustentáveis. Sustentabilidade que seja física, mas também tecnológica, econômica e financeira. Este é o desafio atual. Não pode ser adiado. A diversificação das fontes energéticas é um imperativo para que haja uma evolução equilibrada da matriz elétrica. Para que seja sustentável, essa transição deve priorizar a competitividade resultante da utilização de diversas fontes, considerando seu custo de geração (segurança econômica), seu desempenho operacional e confiabilidade (segurança energética) e as externalidades geradas (segurança ambiental) em um quadro de atratividade econômica e financeira.

IHU On-Line – Considerando o investimento nas usinas térmicas nos próximos anos, quais as mudanças previstas tanto no custo da geração de eletricidade quanto na expansão da oferta de energia?

Otavio Mielnik – No estudo Futuro Energético e a Geração Nuclear, realizado pela FGV Projetos e concluído em julho de 2013, foram desenvolvidos três cenários, que estabeleceram (1) a evolução estimada da demanda, (2) os limites para a expansão de cada tecnologia de geração elétrica e (3) os custos de geração elétrica. Com base nessas restrições, foi projetada a composição da oferta de energia elétrica para cada um dos três cenários. Foi aplicada a metodologia dos custos nivelados de geração elétrica, pela qual se determina a competitividade de cada tecnologia de geração ao longo de sua vida operacional. Na determinação dos resultados, foram considerados dois regimes possíveis: um regime de concorrência (que reflete as condições reais de retorno dos investimentos) e um regime regulado (sob o qual a taxa interna de retorno dos investimentos é determinada pelo regulador). Os resultados obtidos no regime de concorrência, mais realistas e consequentes em matéria de sustentabilidade econômica e financeira, indicam a seguinte estrutura de custos de geração para cada tecnologia de geração elétrica e para cada cenário (imagem abaixo):

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Fonte: FGV Projetos

IHU On-Line – As pesquisas apontam que o potencial de urânio no Brasil é de 800 mil toneladas. O que isso significa?

Otavio Mielnik – As reservas de urânio do Brasil são atualmente de 309.000 toneladas (a sétima maior reserva do mundo). No entanto, até o momento apenas 25% do território do país foi prospectado e estima-se que as reservas adicionais de urânio existentes no conjunto do território sejam de 800.000 toneladas. Isso fará com que as reservas de urânio do Brasil atinjam 1,100.000 toneladas, tornando-se a segunda maior reserva mundial, atrás da Austrália.

IHU On-Line – Que percentual da matriz energética deve ser composto de energia nuclear?

Otavio Mielnik – A geração nuclear tem uma importante e inovadora contribuição a dar na formação da matriz elétrica do Brasil nas próximas duas décadas, tanto por seu desempenho operacional e confiabilidade (gerando energia 90% do ano), quanto por apresentar um custo de geração competitivo (fortalecendo a segurança econômica do sistema de geração elétrica) e por contribuir para a segurança ambiental (não emitindo gases de efeito estufa). Nos cenários desenvolvidos no estudo, a geração nuclear terá uma participação de 8 a 15% na matriz elétrica até o ano 2040. Um dos obstáculos ao seu desenvolvimento, dado pelo custo de construção, deve ser superado com as orientações que estão sendo adotadas na construção de novas unidades em vários países. Além disso, a participação do setor privado será um componente decisivo no investimento, construção e operação das centrais nucleares a serem implantadas no Brasil.

IHU On-Line – Depois de casos como o de Fukushima, é seguro investir em energia nuclear? O que senhor aponta sobre o investimento em energia nuclear a partir das suas pesquisas sobre a evolução da energia nuclear no plano internacional?

Otavio Mielnik – O acidente de Fukushima determinou uma discussão sobre o papel da energia nuclear na oferta de energia elétrica em muitos países. O debate integrou aspectos técnicos do desenho e operação dos reatores, assim como sua relação e implicação com a oferta e demanda de energia elétrica. A questão ganhou contorno relevante ao integrar o longo prazo e verificar (1) a dificuldade de atender a demanda de energia elétrica sem o concurso da energia nuclear (que representa 20% a 30% do fornecimento de energia elétrica nos Estados Unidos, Japão e Alemanha, e 75% na França) e (2) a posição diferenciada da energia nuclear (em um contexto de redução da geração a carvão) para atender o crescimento da demanda de energia elétrica, especialmente nos países em desenvolvimento. China e Índia, por exemplo, têm poucas alternativas, a não ser o carvão cada vez mais oneroso tanto em termos logísticos, quanto ambientais, para atender a expansão de suas necessidades energéticas. Há 71 usinas em construção atualmente no mundo. Cabe assinalar que, no Japão, quatro empresas de geração de energia elétrica solicitaram, em julho de 2013, ao agente regulador da energia nuclear, uma autorização para que, após verificação das condições de segurança, 12 usinas nucleares, localizadas em 6 localidades, voltem a funcionar a partir de março de 2014.

Um efeito importante do acidente de Fukushima foi o impulso dado às medidas de segurança pela indústria nuclear mundial, com inspeções e verificações de equipamento e sua capacidade de resistir à ruptura no fornecimento de energia elétrica durante e após terremotos e inundações, bem como a reavaliação de protocolos de armazenamento do combustível utilizado. Outro aspecto relevante é a diferenciação entre as unidades nucleares, que apresentam características próprias em matéria de tempo de vida do reator, contexto geográfico e tipo de tecnologia. Ao mesmo tempo, como a indústria nuclear é global, a experiência em casos semelhantes para melhorar os mecanismos de inspeção e reforço das condições de segurança pode ser partilhada por diversos países.

IHU On-Line – Diante do seu estudo, como avalia o investimento em grandes hidrelétricas que estão sendo construídas no país, a exemplo de Belo Monte, Jirau e Santo Antônio?

Otavio Mielnik – São investimentos complexos, com riscos consideráveis ao longo do período de construção e impacto sobre seus custos de geração em razão das questões sociais e logísticas envolvidas.

IHU On-Line – O primeiro tópico do seu estudo trata da evolução da política energética no mundo, relacionando com a evolução brasileira. Como o Brasil se enquadra nessa análise? Acompanhou em alguma medida a evolução da política energética mundial? Por quê?

Otavio Mielnik – A agenda da política energética global tem sido orientada pela prioridade dada à segurança econômica (geração elétrica a custo competitivo), segurança energética (confiabilidade no fornecimento de energia) e segurança ambiental (restrição aos impactos ambientais resultantes da geração elétrica). Esses três níveis, que compõem a sustentabilidade das escolhas tecnológicas, econômicas, financeiras e regulatórias na formação da matriz elétrica, estão sendo aplicados na maior parte dos países. No Brasil, embora não haja um documento recente estabelecendo serem essas as prioridades da política energética do país, elas estão subjacentes ao discurso oficial. Ainda assim, cabe enfatizar a necessidade de estabelecer-se uma estratégia de longo prazo, com objetivos explicitados em matéria de oferta e demanda de energia elétrica, que sirvam como referência e indicação das oportunidades de investimento, permitindo que investidores privados possam planejar com maior segurança o desenvolvimento de projetos de médio e longo prazo.

IHU On-Line – Com a energia nuclear é contemplada no Plano Decenal de Energia brasileiro?

Otavio Mielnik – O Plano Nacional de Energia (PNE) 2030, publicado em 2007, apresentou cenários de longo prazo para a energia nuclear. No Cenário de Referência do PNE 2030, a energia nuclear terá 4.000 MWe de capacidade instalada até o ano 2030, correspondendo à instalação de quatro novas usinas com 1.000 MW de capacidade cada uma, em um quadro de redução gradual do potencial hidráulico. No entanto, o Plano Decenal de Expansão de Energia (PDE) 2021 não contempla a implantação de usinas nucleares.

IHU On-Line – Considerando a necessidade de ter mais energia no futuro, em que consistiria um bom plano de diversificação da matriz energética brasileira?

Otavio Mielnik – Um bom plano orientado à diversificação da matriz elétrica brasileira deverá contemplar a distribuição equilibrada da oferta entre as diversas fontes energéticas, em função de seus custos de geração, no quadro de uma estratégia de longo prazo, com objetivos explicitados em matéria de oferta e demanda de energia elétrica, que sirvam como referência e indicação das oportunidades de investimento.


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LEILÕES DO PRÉ-SAL – Debate no Congresso Nacional.

CAE e CI debatem leilões do pré-sal com diretora-geral da ANP

As Comissões de Assuntos Econômicos (CAE) e de Serviços de Infraestrutura (CI) realizam audiência pública na quarta-feira (28), às 7h30, para ouvir a diretora-geral da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), Magda Chambriard. O debate foi solicitado pela senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM). De acordo com requerimento, apresentado pela parlamentar em 4 de junho último, a audiência servirá para debater a primeira rodada de leilões de campos de petróleo do pré-sal sob o regime de partilha.
Logo após a audiência, a CI realiza reunião para votar a indicação de Waldyr Martins Barroso para o cargo de diretor da ANP. Ele é atualmente superintendente de Refino e Processamento de Gás Natural da Agência. No relatório sobre a indicação, lido na última reunião da CI, o senador José Pimentel (PT-CE) ressalta a ampla experiência profissional e acadêmica do indicado, como também seu “elevado conceito no campo de especialidade do cargo”. Waldyr Martins Barroso será sabatinado antes da votação. Se aprovado pela Comissão e, posteriormente, pelo Plenário, sua indicação completará o quadro da diretoria da ANP, que trabalha com pelo menos um cargo vago desde o final do ano passado.
CMA discute impacto econômico e ambiental da exploração gás natural não convencional
A inclusão de áreas de gás natural não convencional, no próximo leilão da Agência Nacional do Petróleo (ANP), em novembro, motivou o pedido de realização de audiência pública na Comissão de Meio Ambiente, Defesa do Consumidor e Fiscalização e Controle (CMA), marcada para esta terça-feira (27). Foram convidados o diretor de Recursos Hídricos do Ministério do Meio Ambiente, Marcelo Medeiros; o secretário executivo de Exploração e Produção do Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis, Antônio Guimarães; o secretário de Desenvolvimento Tecnológico e Inovação do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, Álvaro Prata; o chefe de Gabinete da Agência Nacional do Petróleo, Sílvio Jablonski; e Reginaldo Medeiros, presidente da Associação Brasileira dos Comercializadores de Energia, este último por sugestão do senador Delcídio do Amaral (PT-MS). O debate terá início às 8h30, na sala 6 da Ala Nilo Coelho, no Senado.


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O “FRACKING” É SEGURO?

Regulação e subsídios do governo fizeram com que a prática decolasse nos EUA
Fraturamento hidráulico

O ‘fracking’ é seguro?

O fraturamento hidráulico pode ser feito de maneira segura – a proibição desta prática parece uma reação exagerada

O fraturamento hidráulico, ou fracking, tem atraído protestos em todos os lugares, desde as Américas do Norte e do Sul até a Austrália. Vários países europeus proibiram totalmente a prática. Mas como o ‘fracking’ funciona e quão perigoso é, realmente?

Até os anos 70 o setor de energia americano parecia estar em um declínio terminal. As grandes empresas petrolíferas haviam há muito tempo se voltado para o exterior em busca de campos mais ricos. Mas uma técnica inventada nos anos 40 e adaptada décadas depois por George Mitchell, um petroleiro texano, podia franquear as reservas de petróleo e gás natural presos nas rochas de xisto à exploração. Mitchell descobriu que injetando água, areia e algumas substâncias químicas no solo, a alta pressão, ele poderia fraturar a rocha e criar caminhos para que o petróleo e o gás natural escapassem. Uma leve regulação e subsídios do governo fizeram com que a prática decolasse nos EUA. Os campos de xisto hoje produzem  um quarto do gás natural do país. No ano 2000, produziam apenas 1%. No ano passado o preço do gás natural nos EUA  havia caído para cerca de um quarto do preço na Europa e um sexto do preço na Ásia, ainda que tenha voltado a subir desde então.

Alguns pesquisadores receiam que as fraturas subterrâneas possam causar tremores de terra: um estudo ligou o fraturamento a pequenos tremores no norte da Inglaterra em 2011, mas quase não há evidencia desse tipo de tremor nos EUA, onde milhares de poços foram cavados.


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XISTO VIRA PIVÔ DE BATALHA

Extração de gás de xisto vira pivô de batalha em vilarejo da Inglaterra

 

Uma promessa de riqueza enterrada a 900 metros de profundidade pôs Balcombe, um vilarejo de menos de 2.000 habitantes no sul da Inglaterra, no centro do debate ambiental britânico.

Há um mês, moradores da região e ativistas de todo o país protestam contra a realização de testes para extrair gás de xisto do subsolo.

Os estudos são defendidos pelo governo David Cameron como uma luz no fim do túnel da crise energética que quase provocou um apagão no Reino Unido em março.

A reportagem é de Bernardo Mello Franco e publicada pelo jornal Folha de S. Paulo, 23-08-2013.

Do outro lado, os manifestantes dizem que o método de fratura hidráulica (“fracking“, em inglês) das rochas de xisto pode contaminar o lençol freático, poluir o ar e até provocar terremotos.

A polêmica ganhou força no domingo passado, quando uma marcha de 2.000 pessoas “dobrou” a população do vilarejo e levou a petroleira Cuadrilla a interromper os trabalhos de perfuração.

No dia seguinte, os manifestantes fecharam a rodovia que corta a região. A polícia prendeu 29 pessoas.

Ontem a empresa confirmou que as atividades no subsolo foram retomadas, sob forte proteção policial.Entidades ambientalistas, que não estiveram à frente da mobilização até aqui, prometem apoiar novos protestos.

“A Cuadrilla tem que aceitar que não pode invadir o interior da Inglaterra com caminhões e máquinas de perfuração sem dar nenhuma garantia à população local”, disse Leila Deen, uma das coordenadoras do Greenpeace britânico.

Em nota, a empresa afirma que se submete à fiscalização do governo e que contratou estudos independentes antes de perfurar o solo. “O último relatório não identificou nenhum impacto ambiental que possa ser causado pelas nossas atividades”, diz.

Na exploração do xisto, as rochas são bombardeadas com uma mistura de água, areia e produtos químicos. A pressão causa fissuras no subsolo e faz com que o gás suba em direção à superfície.

No fim de 2011, geólogos ligaram testes feitos pela Cuadrilla a tremores de terra em Blackpool, noroeste da Inglaterra. Diante da repercussão, o governo suspendeu o “fracking” em todo o país.

No mês passado, o ministro das Finanças, George Osborne, encerrou a proibição e prometeu incentivos à retomada dos testes. Para ele, o xisto pode baratear a energia e reduzir as importações de gás natural.

Manifestantes improvisam acampamento

As barracas modernas, usadas em ocupações nas grandes cidades, contrastam com o estilo hippie dos ativistas que tentam barrar os testes para a extração de gás de xisto no ambiente rural de Balcombe.

Anteontem, quando a reportagem visitou o acampamento, cerca de 120 pessoas ainda resistiam no local. Eles seguem uma cartilha ecologicamente correta para manter tudo limpo e evitar o consumo de produtos industrializados.

Ao passar pelo local, muitos motoristas reduziam a velocidade e buzinavam em apoio aos manifestantes.

Um morador chegou com comida e água mineral. Foi recebido com euforia pelos ativistas, que usam banheiros improvisados com madeira e dizem não se importar com o desconforto.


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XISTO MUDA GEOPOLÌTICA DA ENERGIA

Há uma “revolução do xisto” em curso nos Estados Unidos: ela já despertou investimentos de US$ 100 bilhões na indústria americana, derrubou as tarifas do gás e promoveu a abertura de um milhão de postos de trabalho em meio à maior crise econômica do país desde 1929. E essa “revolução” tende a culminar em uma nova geopolítica do petróleo: com um aumento contínuo de sua produção, a América do Norte deverá alcançar sua independência energética, em aproximadamente uma década. “Seremos exportadores e importadores ao mesmo tempo, mas o resultado líquido poderá ser zero”, disse o secretário de Energia dos EUA, Ernest Moniz.

A entrevista é de Daniel Rittner e publicada pelo jornal Valor, 20-08-2013.

Na sexta-feira, após um almoço com dezenas de empresários na sede da Confederação Nacional da Indústria (CNI) e de reuniões com autoridades brasileiras, ele fez um relato detalhado das transformações energéticas em andamento no país que mais consome combustíveis fósseis no planeta. Com a exploração de recursos não convencionais, o preço do gás natural está hoje em US$ 3,50 por milhão de BTU, menos da metade do que valia uma década atrás. Antigas usinas térmicas movidas a carvão, um insumo caro e poluente, estão sendo progressivamente substituídas por novas plantas que usam gás natural. E a indústria petroquímica vive um período de crescimento com a oferta de matérias-primas associadas ao gás de xisto.

Eis a entrevista.

Qual tem sido o peso do gás de xisto no esforço do governo americano em recuperar a economia dos Estados Unidos?

O gás de xisto tem tido um impacto enorme na economia, no mix energético e no desempenho ambiental dos Estados Unidos. Os preços do gás natural despencaram para US$ 3,50 por milhão de BTU, o que é metade ou até menos da metade de dez anos atrás, no Henry Hub [ponto de distribuição em Louisiana que baliza todo o mercado]. Essa queda de preços tem implicações enormes – deixe-me falar antes das ambientais. O presidente Obama apresentou uma meta de reduzir as emissões de gases-estufa em 17% até 2020, com base nas emissões de 2005, e já atingimos metade dessa meta. Da redução obtida até agora, cerca de 50% foram graças ao uso do gás de xisto no setor elétrico. Isso não ocorreu por causa de políticas públicas, mas pela dinâmica do mercado. Com o gás natural a esse preço, fica mais barato usá-lo como insumo em modernas usinas térmicas, o que gerou uma substituição de antigas termelétricas movidas a carvão.

Na indústria, quais foram os reflexos mais diretos?

Temos uma estimativa de que US$ 100 bilhões foram investidos em nova capacidade industrial, nos últimos cinco ou seis anos, devido à revolução do gás de xisto. Sem falar no que consumidores de gás residencial estão economizando diretamente por causa dos preços menores, por exemplo, para o aquecimento das casas. A nossa projeção é que um milhão de empregos, diretos e indiretos, foram criados com essa revolução do xisto. Os custos de energia caíram para qualquer indústria manufatureira. Mas outra questão importante, perdoe-me pelo tecnicismo, é a riqueza criada com o chamado “wet gas”.

O que é isso exatamente?

Há uma série de líquidos associados à extração do gás natural, como o propeno, o butano e o etano. Eles são indexados aos preços do petróleo e, portanto, valem mais do que o próprio gás. Explico: um barril de petróleo tem o equivalente a seis milhões de BTUs [unidade térmica britânica]. Quando dizemos que o milhão de BTU vale US$ 3,50, você multiplica esse valor por seis e tem US$ 21 por “barril” de gás. Ocorre que o petróleo custa US$ 100. Então, esses líquidos são cotados a um preço cinco vezes maior do que o gás ao qual estão associados. O propeno é uma commodity em si mesma. Mas veja o que ocorre com o etano. Ele é matéria-prima do etileno. E com o etileno você faz plástico. Então, o gás de xisto tem gerado insumos para impulsionar diretamente a indústria petroquímica. Temos visto novas plantas sendo construídas para usar esses insumos [o secretário esclareceu que o cálculo de US$ 100 bilhões inclui essas plantas].

A exploração de reservas de gás e petróleo não convencionais permitirá aos Estados Unidos entrarem na lista de exportadores?

Ainda somos importadores líquidos de petróleo e de gás. No caso do gás, ainda compramos alguma coisa do Canadá, mas isso mudará em poucos anos. No caso do petróleo, aumentamos a produção em cada um dos últimos quatro anos e as nossas importações estão no menor nível em muito tempo. O primeiro impacto disso é no balanço de pagamentos. Há alguns anos gastávamos US$ 1 bilhão por dia nas importações de petróleo. Isso diminuiu em centenas de milhões de dólares. É uma excelente notícia para a economia americana.

Os Estados Unidos também se tornarão autossuficientes em petróleo? Se isso for confirmado, obviamente terá implicações geopolíticas importantes…

A Agência Internacional de Energia prevê que seremos os maiores produtores globais de petróleo em 2020. Hoje em dia a Rússia, com pouco mais de 10 milhões de barris por dia, é a maior produtora. A Arábia Saudita caiu abaixo desse patamar recentemente. Somos os terceiros do mundo neste momento. Mesmo se chegarmos a 10 ou 11 milhões de barris por dia em 2020, talvez ainda estaremos importando algum petróleo, mas é importante notar de onde ele virá. Os nossos maiores fornecedores serão o Canadá e o México. Então, a ideia de uma independência energética da América do Norte, genericamente falando, não é nenhuma loucura. Em um prazo de uma década, ela é possível. Seremos exportadores e importadores ao mesmo tempo, mas o resultado líquido poderá ser zero.

Diante da desaceleração chinesa e do novo cenário energético dos Estados Unidos, qual é o cenário para os preços do petróleo?

Quem já se atreveu a prever um cenário de preços para o petróleo nos dez anos seguintes acabou se mostrando tolo. Os preços podem disparar e recuar, sem uma dinâmica clara. Daqui a dez anos, não dá para saber se a demanda global estará em 80, em 90 ou em 100 milhões de barris de petróleo por dia. Isso faz uma enorme diferença para o mercado e para os preços.

Por que não é possível fazer essa estimativa para a demanda de petróleo?

Veja o nosso caso. Somos os maiores consumidores de petróleo do mundo e há três fatores que se somam para reduzir o uso de combustíveis fósseis nos Estados Unidos. No ano passado, o presidente Obama negociou novos padrões de eficiência energética com as montadoras. Até 2024, haverá a necessidade de fazer 54 milhas por galão de gasolina [23 km/l], o dobro do índice de eficiência atual. Em segundo lugar, a produção de biocombustíveis passou por solavancos ultimamente, mas continua a avançar. Em terceiro lugar, há o avanço dos carros elétricos. Neste ano, pela primeira vez, talvez alcancemos o patamar de 100 mil veículos elétricos vendidos no mercado americano. Ainda é um número pequeno. Foram 40 mil no primeiro semestre, o dobro do mesmo período do ano passado, mas é um crescimento muito rápido. Mesmo nos Estados Unidos, os carros elétricos ainda são muito caros, custam US$ 80 mil. Precisamos de uma redução dos custos da bateria para transformá-los em um produto de massa, ainda é um mercado de nicho, mas é assim que muitos paradigmas foram quebrados.

O quadro que o sr. traçou nesta entrevista foi de independência energética da América do Norte e demanda incerta por petróleo em termos globais. Isso não reduz o interesse de empresas americanas na exploração do pré-sal brasileiro?

Eu acredito que não. Por um fato: as “supermajors” [grandes companhias petrolíferas da iniciativa privada] ainda preferem produzir petróleo ao gás. E isso tem a ver com o que eu disse antes: o barril de óleo vale mais do que seis milhões de BTUs de gás. A realidade é que as “supermajors” têm acesso limitado às reservas mundiais de petróleo. As maiores reservas estão sob o controle de empresas estatais. A Petrobras pode ser uma companhia estatal, mas o Brasil tem um ambiente muito mais competitivo e dá boas-vindas aos investimentos estrangeiros. Uma grande petroleira não pode ir à Arábia Saudita e produzir petróleo. As empresas americanas tiveram sucesso no leilão de maio [a 11ª Rodada da ANP] e certamente terão interesse nos contratos de partilha do pré-sal. Elas estão se acostumando a trabalhar em ambientes geológicos difíceis, como ocorre com o xisto e com o pré-sal.


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EQUADOR – EXPLORAÇÃO DE PETRÓLEO

Publicado por lalineadefuego 

La decisión del Presidente Rafael Correa, adoptada este jueves 15 de agosto, de clausurar los esfuerzos a favor de la iniciativa Yasuní – ITT, en la amazonia ecuatoriana, y en su lugar autorizar el inicio de la explotación petrolera en yacimientos ubicados dentro de una de las principales reservas de biodiversidad del continente americano, marca un hecho decisivo que a la par deja hacia atrás los principales planteamientos de transformación elaborados durante el proceso social y político de más de veinte años que vivió el Ecuador.

La mencionada resolución del poder  ejecutivo, que ahora pasa a la definición en un legislativo, donde la bancada gobiernista controla más del 75% de los votos parlamentarios,  tiene la contundencia de los hechos, donde el acto habla por sí solo, no requiere de mucha retórica para reconocer su esencia. Y los análisis  deben recoger esa contundencia: las consecuencias del camino designado y aquellos que fueron desechados o relegados.

El camino es avanzar en la explotación petrolera en concreto, ratifica la opción por el extractivismo de manera general que involucra principalmente a la minería y los agrocombustibles, bajo el lema planteado reiteradamente por Correa, la sui generis formula de: “superar el extractivismo con mas extractivismo”; el instrumento de esa política es inicialmente la empresa estatal de petróleos (PETROECUADOR, y su rama de explotación PETROAMAZONAS) y más adelante empresas transnacionales, preferentemente estatales o semiestatales, como es lo que ya está sucediendo en la minería con las corporaciones chinas.

La retórica que justifica el extractivismo es aquella nutrir las arcas fiscales para el “combate a la pobreza”, con mas carreteras, hidroeléctricas, aeropuertos, a las que se añaden políticas que afectan a los ingresos monetarios de la población, pero no pretenden topar las estructuras del poder económico y social. Incluso las clases del poder político se reciclan y se renuevan alrededor de clientelas de los herederos de los viejos caciques.

Se da a la faz pública, nacional e internacional,  el definitivo salto hacia atrás: se renuncia con una contundencia, digna de mejor causa,  a lo más avanzado que había logrado proponer y elaborar el proceso social ecuatoriano contemporáneo, en  veinte años de combate al neoliberalismo y el colonialismo.

Ahora si ya estamos en otra cosa;  quien pretenda decir que los pasos siguientes tienen algo que ver con respecto a un horizonte de buen vivir – sumak kawsay, o es un ingenuo, o  un embaucador.

Porque de eso se trata en última instancia: una estructura de poder político que se va extendiendo al poder económico, legitimada detrás de un enorme y valioso proceso social de alrededor de dos  décadas (que tuvo la enorme virtud de articular varios pilares, el movimiento indígena, que recuperaba las banderas de la plurinacionalidad e interculturalidad, los movimientos sociales de clase que interpelaban al neoliberalismo, y las posiciones críticas del posdesarrollismo, todas ellas lograron construir una propuesta de transformación radical, no solo de ruptura con el neoliberalismo, sino también con el desarrollismo, allí están planteamientos fuertes como derechos de la naturaleza, economía social y solidaria, soberanía alimentaria, buen vivir – sumak kawsay), renuncia a ese programa, uno de cuyos emblemas era la iniciativa Yasuní – ITT, e impone en su lugar un programa chato extractivista y desarrollista (¿Qué otro nombre puede tener la promesa de  mas petróleo por menos pobreza?), que remoza pero reproduce el viejo orden capitalista, ahora con rostro de modernidad.

A estas alturas Prebisch resulta más radical que Correa