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DEBATE SOBRE A PRODUÇÃO DE BIODIESEL.

DEBATE SOBRE PRODUÇÃO DE BIODIESEL MOVIMENTA A EXPODIRETO COTRIJAL NO RS

A importância da agroenergia na produção de biodiesel foi tema do debate que reuniu o diretor de Biodiesel da Petrobras Biocombustível, Alberto Fontes, e o ministro do Desenvolvimento Agrário, Pepe Vargas, nesta quinta-feira (7/3), durante a Expodireto Cotrijal, no município de Não me Toque (RS). Também participou do debate, realizado na Casa da RBSTV, o diretor presidente da BSBIOS, Erasmo Carlos Battistella.

O diretor Fontes destacou as ações da Petrobras Biocombustível para o aumento da produtividade e o desenvolvimento do mercado de biodiesel no Brasil em uma plateia composta por mais de cem pessoas, entre elas, lideranças políticas, entidades representativas do setor do agronegócio e agricultores.

Questionado sobre o pré-sal, que caminha em paralelo ao Programa Nacional de Biodiesel (PNBD), Fontes destacou que a Petrobras trabalha no sentido da complementaridade entre os segmentos. “O pré-sal vai colocar o país no primeiro mundo, ao mesmo tempo em que o Brasil consolida papel de destaque na área do biocombustíveis”, afirmou.

Pela primeira vez na feira internacional Expodireto Cotrijal, o ministro Pepe Vargas falou sobre os incentivos à produção do biodiesel no país. O Brasil é hoje o segundo maior produtor mundial e já ultrapassou a Alemanha, que ocupa o terceiro lugar. Em primeiro lugar estão os Estados Unidos.

O ministro também comentou os benefícios da produção de biodiesel nacional para o desenvolvimento da sociedade. Ele acredita que o trabalho de produção de oleaginosas pela agricultura familiar é um importante fator de inclusão social.

No evento, promovido pela BSBIOS e Associação dos Produtores de Biodiesel do Brasil (APROBIO), ainda estiverem presentes o presidente da FETAG, Elton Weber, e o Secretário Adjunto da Secretaria Estadual da Agricultura, Pecuária e Agronegócio, Claudio Fioreze.

Sobre a Petrobras Biocombustível

Uma das maiores produtoras de biodiesel e etanol do país, a Petrobras atua no setor por meio da subsidiária Petrobras Biocombustível desde julho de 2008. No etanol, tem participação em 10 usinas, sendo nove no Brasil e uma na África, por meio de sociedades com as empresas Guarani (SP), Nova Fronteira Bioenergia (GO) e Total Agroindústria Canavieira (MG), com capacidade de produção de 1,3 bilhão de litros de etanol. No biodiesel, opera três usinas próprias – Candeias (BA), Quixadá (Ceará) e Montes Claros (MG) – e duas em parceria com a empresa BSBIOS: uma em Marialva (PR) e outra em Passo Fundo (RS). Somadas, as unidades apresentam capacidade de 765 milhões de litros/ano.

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O FUTURO DOS BIOCOMBUSTÍVEIS.

O futuro dos biocombustiveis XV: A difícil transição em 2012 e o caso da Metabolix

Em biocombustíveis21/01/2013 às 00:58

Por José Vitor Bomtempo e Fabio Oroski*

vitor012013O começo do ano é sempre o momento de alguma reflexão e balanço. O ano de 2012 foi sem dúvida muito mais de dificuldades do que de realizações para os projetos inovadores na bioeconomia. Numa revisão do que teria ocorrido de importante em 2012 em inovação em energia, o MIT Technology Review destacou como os avanços dos renováveis, mesmo se alguns deles possam ter sido notáveis, parecem pálidos diante do impacto do shale gas nos EUA.

shale gas tem atraído inclusive o interesse de empresas com projetos em biocombustíveis que tentam reconverter os seus processos para o uso de gás natural no lugar de biomassa. É o caso, por exemplo, da Coskata que decidiu substituir em sua primeira planta de escala comercial a biomassa por gás natural. O gás natural será convertido em  gás de síntese que será transformado por fermentação em etanol e outros produtos.  Calysta Energy , umastartup anunciada recentemente, pretende aplicar a biotecnologia para converter gás natural em diesel.

Para começar 2013, uma das primeiras notícias é o adiamento  de parte dos projetos da Dow  Mitsui no Brasil para a produção de polietileno verde. A razão? Mais uma vez as oportunidades muito mais atraentes  do shale gas nos EUA para a produção de químicos e plásticos. O projeto Dow Mitsui tem um custo estimado de US$1,5 bilhões e prevê a produção integrada de cana, etanol (2,7 milhões de toneladas de cana\ano), conversão de etanol em eteno e produção de biopolímeros. As etapas de plantação de cana e produção de etanol continuam em desenvolvimento.

Ainda na mesma linha de balanço de 2012, um outro artigo destaca a redução de recursos de venture capital disponíveis nos EUA para as chamadas clean tech. Os recursos aplicados pelos investidores caíram 32,8% em relação a 2011. Boa parte da queda é explicada pelo amadurecimento do setor de energia solar que tinha sido nos últimos anos o principal demandante de recursos. Os biocombustíveis receberam cerca de 15% do total aplicado em 2012, o que corresponde a quase US$ 1 bilhão. Entretanto, como destaca o autor do artigo, a sensação para as startups oscila entre o copo meio cheio ou meio vazio.

Esses fatos – o shale gas abundante, a queda de recursos de venture capital – trazem à tona algumas das dificuldades da transição tecnológica que vivemos, em particular o difícil processo de crescimento e viabilização das startups de base tecnológica que lançam os mais ousados projetos inovadores. O caso da Metabolix é também um fato marcante de 2012.

Metabolix foi criada em 1992 a partir de pesquisas desenvolvidas no MIT e  atualmente conduz um dos projetos mais importantes de produção de polihidroxialcanoatos (PHA), apontados como um dos bioplásticos de maior demanda projetada.  Durante os primeiros anos de vida, Metabolix foi financiada por recursos governamentais, principalmentegrants, além de prestações de serviços de P&D. Nesse período, a empresa acumulou grande conhecimento na biotecnologia para a produção de bioplásticos, incorporando inclusive as patentes da ICI que foi pioneira nos anos 1980 na produção de PHAs. ICI chegou a comercializar o produto, mas os custos de produção eram muito elevados e a empresa abandonou o projeto.

Na década de 2000, o interesse pelos bioplásticos e pelas alternativas de baixo carbono começou a crescer e a Metabolix despertou a atenção da BP e da ADM. Em 2004, a Metabolix assinou um acordo que celebrou uma aliança tecnológica e um contrato de opção com a ADM Polymer Corporation (“ADM Polymer”), subsidiária da ADM (Archer Daniels Midland). Metabolix forneceria tecnologia, licenças e serviços de P&D e a ADM ofereceria prestação de serviços de produção e capital financeiro, necessários para a produção do biopolímero em escala comercial.

O contrato de opção referia-se à possibilidade de um acordo comercial entre as empresas a partir da criação de uma joint venture. A parceria permitiria o financiamento da planta em escala comercial de 50.000 t/ano, partindo de uma planta piloto com capacidade de 120 t/ano.

A entrada da ADM como sócio investidor no projeto da Metabolix foi estimulada, segundo declarações oficiais da empresa, pelo ambiente, no qual os preços elevados e a volatilidade do petróleo impulsionaram as grandes empresas a estudarem novas alternativas, como também, por uma estratégia de diversificação e orientação para a formação de joint ventures tecnológicas. No relatório anual de atividades da ADM em 2004, lê-se:

“O que poderia orientar uma expansão contínua da demanda por combustíveis alternativos? Os preços do petróleo provavelmente são o fator mais relevante, em razão da demanda e de outras variáveis. Entre os componentes do preço de cada barril de petróleo, há premissas geopolíticas e ambientais que podem mudar drasticamente de um dia para o outro. Para mitigar o risco – e maximizar a oportunidade –, a ADM está voltada para essas chances de negócio em diversas frentes. Investimentos diretos, joint ventures, licenciamento e outras abordagens fornecem os meios para capturar potenciais fluxos de receita e lucratividade, sob a cuidadosa gestão de cada iniciativa. A ADM intensificou a ênfase em licenciamento e joint ventures tecnológicas como um meio de diversificar suas linhas de produtos, aumentar o fluxo de valor em instalações já ativas e distribuir o risco entre múltiplos investimentos (ADM ANNUAL REPORT, 2005). ”

A entrada da ADM representava para a Metabolix um passo fundamental na direção da produção comercial. A joint venture Telles, criada em 2006, era a união do desenvolvimento tecnológico, promovido pela Metabolix e o acesso à matéria-prima, milho (biomassa) e recursos financeiros da gigante do setor de produção de alimentos ADM. Ainda em 2006, houve o anúncio da construção de uma unidade de fermentação para a produção de 50.000 toneladas/ano que entraria em operação no ano de 2008. A planta seria construída no estado americano de Iowa, dentro das instalações industriais da ADM.

A ADM assumiu a responsabilidade pelo financiamento da construção das instalações de produção comercial (montante de US$ 433 milhões), além de arcar com as necessidades de capital de giro da Telles. Após o início das vendas comerciais, a Telles pagaria royalties à Metabolix por todo bioplástico vendido e à ADM pelos serviços de produção (detentora da planta produtiva). Além disso, a Telles pagaria à Metabolix pelas atividades de pesquisa e desenvolvimento de novas tecnologias e formulações.

Ainda em 2006, a Metabolix realizou uma oferta pública inicial (IPO) de suas ações para levantar recursos para o financiamento e a compra de equipamentos para as plantas piloto e comercial, cobrir suas necessidades de capital de giro, incluindo as atividades de marketing e produção durante a fase pré-comercial, pesquisas e desenvolvimento de novas tecnologias, produtos e outras biomassas e a contratação de pessoal adicional para atividades de pesquisa e desenvolvimento. A empresa levantou recursos no total de US$ 95 milhões.

De 2006 a 2011, Metabolix se prepara para a fase comercial, ampliando a sua estrutura organizacional e de pesquisa. Os esforços são concentrados em ampliar o número de aplicações possíveis para seu material, atuando em diversos segmentos. Em seus relatórios anuais de 2007 a 2010, a Metabolix declarou a intenção de prospectar mais de 100 clientes para o desenvolvimento destas aplicações. Em 2006, a empresa já tinha mais de 60 aplicações diferentes em desenvolvimento para o PHA em 40 diferentes potenciais utilizadores finais. Ao fim deste período, a Metabolix acumulou o depósito de 480 pedidos de patentes nos EUA, 230 em outros países e mais de 50 patentes licenciadas.

Como “valor” para seus clientes, além da biodegradabilidade e da origem renovável (conceito biobased), a empresa percebeu uma oportunidade de diferenciação através de ações voluntárias, como a criação da marca registrada Mirel, que permitiu a identificação do material nas embalagens dos produtos comercializados pelos seus clientes. A certificação internacional do produto com conteúdo de origem renovável e biodegradável, recebida pela instituição belga Vinçotte, permitiu sua comercialização com os selos “ok biodegradability soil” e “ok biodegradability water”, evidenciando sua biodegradabilidade em condições específicas no solo e na água.

A planta em escala comercial foi construída e iniciou sua operação em 2010.  Entretanto, menos de dois anos após a partida da planta em Iowa, a ADM, em janeiro de 2012, informou o término da aliança comercial com a Metabolix. Em um comunicado oficial ao mercado, a ADM declarou sua decisão de sair do projeto após uma revisão no portfólio de seus negócios e priorização em áreas com entrega de resultados mais rápidos e de menor incerteza:

“Analisamos o nosso portfólio de negócios, identificando áreas que não estão entregando resultados suficientes no momento ou que não se esperam resultados suficientes dentro de um prazo razoável”, disse Mark Bemis, representante da ADM.  “Infelizmente, a incerteza em torno de custos projetados de capital e de produção, combinada com a taxa de adoção do mercado, levou a retornos financeiros projetados para a ADM muito incertos. Por isso, decidimos sair do negócio, conforme permitido pelo acordo de aliança comercial com Metabolix. ” (ADM ANNUAL REPORT, 2012)

A ADM permaneceu no negócio por sete anos, dos quais menos de dois anos com a planta em operação comercial. Sua declaração mostra um perfil impaciente com o crescimento quando justifica sua saída pelas incertezas nos custos projetados e nas taxas de adoção do PHA. É razoável admitir que o desenvolvimento comercial de um novo material não tenha um ciclo curto, pois vários investimentos e adaptações são necessários em produto e ativos complementares para permitir sua adoção pelos processadores e utilizadores finais.

A curta e acelerada curva de crescimento do tamanho da empresa foi interrompida com o término da parceria com a ADM. A empresa perdeu seu viés operacional (a planta produtiva), tendo que desmobilizar sua equipe de vendas e marketing. Embora tenha declarado a manutenção de seu time principal (core team), houve uma notável redução em sua equipe de P&D, que depois de atingir o pico de 75 funcionários em 2011, rapidamente decresceu para 59 pessoas em 2012.

Com o fim da aliança estratégica, a unidade de fermentação localizada dentro das instalações da ADM permaneceu como seu ativo e os direitos sobre os ativos tecnológicos (patentes) permaneceram com a Metabolix, que partiu em busca de novos parceiros. Em julho de 2012, a firma assinou um acordo para a produção do PHA em uma planta de demonstração da firma Antibióticos, que está sendo adaptada por um custo em torno de US$ 10 milhões.

A perda da planta de Iowa levou a firma a reduzir seu mercado alvo para 10.000 t/ano, focando em segmentos que valorizassem a biodegradabilidade: uso em agricultura (filmesmulch, estufas, envoltórios de fardos, controle de erosão, outros), embalagens para compostos orgânicos, como adubos, resíduos e aplicações em que a degradação marítima é um requisito.

A forte redução de suas ambições comerciais marca para a Metabolix a volta a um nicho de atuação cinco vezes menor do que almejava até o começo de 2012. Suas ações, que chegavam a US$ 20 em 2011, estão hoje a US$ 1,57. Acredita-se que a capacitação adquirida ainda pode dar à Metabolix um futuro de sucesso comercial. As previsões de mercado sugerem um crescimento dos bioplásticos nos próximos a taxas acima de 20% aa. Mas alguns pontos devem ser destacados como lições sobre o processo de inovação, em particular sobre a dificuldade da transição tecnológica da base produtiva atual para a bioeconomia.

O caso da Metabolix chama a atenção principalmente sobre a qualidade e origem dos recursos que são investidos na inovação. Existe uma adequação fina entre os desafios  que uma empresa inovadora deve enfrentar e a qualidade dos recursos que utiliza. A impaciência de investidores que vislumbram uma oportunidade de diversificação num momento, e pouco tempo depois passam a se desinteressar do investimento, sugere o que alguns autores denominam o “dinheiro ruim”. A capacidade financeira da ADM ultrapassa em muito as necessidades do projeto Metabolix mas pode-se perguntar se uma grande empresa do agronegócio, com forte inserção na indústria de alimentos e em atividades de trading, teria uma visão realista da natureza do processo de inovação em que se lançou.

O financiamento da inovação, principalmente em processos de construção de novas indústrias como no caso das empresas que exploram as oportunidades da economia baseada em biomassa – biocombustíveis, químicos e plásticos – continua sendo um desafio a exigir não só volumes substancias de recursos, mas também recursos pacientes com a dinâmica de crescimento dos novos negócios. O recuo da Metabolix é uma das marcas de 2012.

*a pesquisa sobre a Metabolix faz parte da pesquisa de doutorado de Fábio Oroski, Escola de Química da UFRJ, sobre o tema Modelos de negócios e transição de sistemas tecnológicos: o caso dos bioplásticos.