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PETROBRAS – O papel geopolítico estratégico do Brasil no século XXI.

O papel geopolítico estratégico do Brasil no século XXI

Fonte: Clube de Engenharia

O Senado aprovou dia 26 de fevereiro último o Projeto de Lei nº 131, que modifica a Lei que instituiu o Regime de Partilhas (Lei n° 12.351/2010) e a manutenção da Petrobras como operadora única do Pré-Sal. Na ocasião, repercutiu na WEB a entrevista do geólogo Guilherme Estrella, conselheiro do Clube de Engenharia, um dos responsáveis pela descoberta do Pré-Sal à frente da Diretoria de Exploração e  Produção do Pré-Sal, ao diretor Francisco Soriano e à jornalista Fátima Lacerda, do Sindicato dos Petroleiros do Estado do Rio de Janeiro (Sindipetro). Em discussão, os objetivos contrários aos interesses da nação brasileira como causa principal dos ataques à Petrobras.

 

Na opinião de Estrella, o que está sendo proposto pelos que defendem o PLS nº 131 é uma reorganização da sociedade brasileira e das relações entre a sociedade e o estado brasileiro a partir de um modelo que já deu errado no mundo. “A adoção desse modelo político e ideológico na organização da sociedade e da nação como um todo naufragou na Europa, naufragou na crise de 2008.  Essa experiência maléfica e destruidora em outros países ressurge no Brasil. E não é à toa. É pela importância geopolítica gigantesca do país em um mundo em transformação no século XXI, que seguramente será o século da reorganização da sociedade. Está claro que não dá para continuar com essa barbárie, com países soberanos sendo dominados e destruídos”.

 

Com a perspectiva de que no século XXI a humanidade tenha que passar por um “rearranjo”,  o Brasil surge no cenário internacional com um papel absolutamente chave e com condições concretas de contribuir para essa mudança, já que conta com fontes de energia que permitem e garantem um desenvolvimento autônomo. Por ser um protagonista geopolítico mundial, “desabam” sobre nosso país os grandes interesses “não brasileiros” tendo o Petróleo como questão central, registra Estrella.

 

“O Brasil é um país diferenciado, pela sua territorialidade, pelo seu povo, por suas riquezas naturais estratégicas imensas e, em meio a tudo isso, chega o Pré-Sal, a energia. Até 2002 nós éramos um país dependente de energia. Construímos outro país. Com o trabalho de brasileiros e empresas brasileiras, descobrimos o Pré-Sal, descobrimos grandes reservas em Sergipe, Espírito Santo e Rio Grande do Norte, que nos dão a base de energia absolutamente imprescindível para enfrentarmos o século XXI com desenvolvimento genuinamente brasileiro”, comemora o ex-diretor da Petrobras.

 

É nesta linha de raciocínio que Estrella defende:

 

1. É importante que cada brasileiro discuta e interaja para que se consiga de uma forma ou de outra tentar impedir o que está se configurando como um  enorme salto para trás não só no setor petrolífero nacional como em toda a organização do estado brasileiro e suas relações com a sociedade;

 

2. Brasileiros e empregados da Petrobras têm que ter consciência da obra que a Petrobras  realizou nesses últimos anos, transformando o Brasil, de um país dependente da importação de energia de fornecedores externos, em um país autossuficiente em energia de transporte, em gás natural para indústria, para   consumo doméstico e para matéria prima de fertilizantes e petroquímicos.

 

3. O salto que o Brasil deu é fruto de investimentos da Petrobras. A dívida da Petrobras resulta desse grande esforço. Os problemas? Vamos tratar dos problemas. Mas impossível esquecer que nos últimos 12 anos a Petrobras construiu uma obra inestimável para o futuro brasileiro no século XXI.

 

E conclui: “Somos hoje um país independente, soberano, diferente do que éramos – um país dependente e obrigatoriamente alinhado com os grandes interesses internacionais. Íamos assinar a Alca – Área de Livre Comércio das Américas! Não podemos ser ingênuos: a potencialidade de produção do Pré-Sal brasileiro entrou nas considerações para nos neutralizar como país geopoliticamente importante na cena mundial desse século XXI”.


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PETROBRAS – Oportunismo contra o pré-sal.

Carlos Tautz

Adital

Agora os conglomerados da comunicação se aproveitam da Lava Jato para defender a mudança do sistema de partilha na exploração das megareservas do pré-sal – aliás, como fizera Aécio. Argumentam que a Petrobras, atingida pelas denúncias, deveria ser escanteada do pré-sal porque os mercados internacionais não lhe emprestariam os bilhões de dólares necessários para explorá-lo. Continuam, dizendo que a queda dos preços do petróleo afogaria as pretensões da estatal.

Estes são argumentos “técnicos” de qualquer botequim barato em Irajá.

Petroleiras operam sob riscos extremos e continuam a tomar empréstimos. Principalmente aquelas que, como a Petrobras, têm reservas imensas (16 bilhões de barris, numa estimativa conservadora) e podem dar garantia aos bancos.

Riscos são inerentes à indústria do petróleo, que causam gravíssimos desastres no meio ambiente e por isso têm os seguros mais caros. E mudanças nos preços de mercado são frequentes. Primeiro, porque os EUA, maior consumidor mundial, estão sempre dispostos a invadir algum país produtor, o que faz disparar as cotações. E, também, devido à variação de preços imposta pela Opep, o cartel dos grandes produtores.

A Petrobras leva em conta esses riscos. Mas, de fato, precisa incorporar as perdas decorrentes das muito necessárias investigações, que ainda precisam alcançar todas empreiteiras. A Odebrecht, a maior delas, ainda está ilesa. E os políticos envolvidos do PSDB e do DEM continuam protegidos pelos conglomerados de comunicação.

Já era previsto que o faturamento da Petrobras cairia. Conforme o engenheiro Paulo Metri, “há um quadro de superprodução de petróleo no mundo, com a concomitante diminuição da demanda, o que acarreta a queda no preço do barril. Assim, o barril, que custava US$ 115, durante o conflito no Iraque, passou a custar US$ 85, em outubro último, e existe a perspectiva que irá decrescer mais ainda.

A Agência Internacional de Energia, após a quarta redução da projeção do consumo de petróleo para 2014, chegou à média anual de 92,4 milhões de barris por dia (MM bpd) e a oferta em setembro deste ano foi de 93,8 MM bpd”.

Na segunda (15), o barril fechou a 61 dólares. A Petrobras o estima em 60.

Outra estranheza é a repentina crise ética da PriceWaterhouseCoopers em firmar a auditoria na estatal. Há quase uma década audita as contas da petroleira e nunca se negou a prestar o serviço. Se só agora viu irregularidades, demonstra inépcia.

A Petrobras sempre sofreu coisas do tipo. Ainda mais quando se tornou partícipe obrigatório no modelo de partilha do pré-sal – como o fazem todos os países com megareservas facilmente encontráveis.

Não espanta, portanto, o oportunismo. Fizeram o mesmo quando Getúlio criou a Petrobras e Jango encampou refinarias.

Estranha mesmo é a leniência de Dilma e do PT em revidar no mesmo tom.

Carlos Tautz

Jornalista e coordenador do Instituto Mais Democracia – Transparência e controle cidadão de governos e empresas. Monitora políticas públicas para organizações da sociedade desde 2001


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PETROBRAS DERRETE?

Petrobrás derrete?

Adital

Por Emanuel Cancella*

O jornal O Dia de hoje, 16/12, em sua chamada principal alardeou a seus leitores: “A Petrobras derrete. Acionistas perdem quase 10% em um dia por causa da corrupção na empresa e da queda no preço internacional do petróleo.” É verdade que a Petrobrás vem sendo saqueada pela corrupção que se consolida a cada novo governo, mas a história de luta que construiu essa empresa não derrete assim.

Muito pelo contrário, a descoberta do pré-sal e o brilhantismo na operação do petróleo, ambos protagonizados pelo corpo técnico de trabalhadores da Petrobrás, tornaram o Brasil autossuficiente e nos alavancou a potência mundial na indústria mais lucrativa do mundo. Então, precisamos olhar a realidade por completo para tomar as ações corretas.

Importante começar registrando que as ações de todas as petroleiras caíram nos últimos 15 dias na bolsa de Nova York: Shell -9,72; Chevron -9,73%; Total -13,23%; Petrobrás -31,35%; Gasprom -28,82%. Essa queda surpreende todos os analistas de geopolítica do mundo que afirmavam que após atingir o pico máximo de produção de petróleo e sem perspectivas de novas descobertas de petróleo no mundo posteriores ao pré-sal do Brasil, o preço do barril de petróleo não cairia para menos de U$ 100 o barril. Estranhamente, o preço do barril no mercado internacional caiu de U$100 para U$ 60, só explicada por uma manobra dos EUA e dos países europeus, juntos com a OPEP, para retaliar a Rússia, por conta da guerra com a Ucrânia, o que acaba atingindo todos os países produtores. No Brasil o caso acaba sendo mais grave por conta da propaganda negativa diária da mídia.

Defendemos que a presidente Dilma Rousseff deveria aproveitar esse momento para comprar as ações da Petrobrás. Os analistas do mercado financeiro recomendam aos acionistas da petroleira brasileira a não venderem suas ações. A principal matriz energética no mundo continuará a ser o petróleo pelo menos pelas próximas décadas. A Petrobrás com a descoberta do pré-sal acumulou reservas em torno de 60 BI de barris de petróleo o que garante ao Brasil a auto suficiência de petróleo pelo menos pelos próximos 50 anos.

Absurdo hoje sermos reféns da Bolsa de NY graças a sanha privatista do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Precisamos sim recuperar o controle estatal da companhia e tornar sua gestão verdadeiramente pública, com transparência, democracia e controle popular. Destacamos que a radicalização da democracia é a melhor forma de combater a corrupção que assola a Petrobrás.

Rio de Janeiro, 16 de dezembro de 2014.
*diretor do Sindipetro-RJ e da Federação Nacional dos Petroleiros (FNP).
http://fnpetroleiros.org.br/?p=7631


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O BRASIL E A PETROBRAS.

 Adriano Benayon * – 10.12.2014

1. O Brasil vive batalha decisiva de sua História: a da sobrevivência da Petrobrás como empresa nacional. E isso com qualquer resultado, pois a eventual derrota poderá ser o marco, a partir do qual o povo brasileiro resolva partir para o basta e reverter o lastimável processo dos últimos 60 anos em que praticamente só acumula derrotas do ponto de vista estrutural.

2. Principalmente desse ponto de vista, porque, mercê da estrutura que se formou na Era Vargas, ainda foram colhidas – por muito tempo e até os dias de hoje – grandes vitórias em termos de desenvolvimento de tecnologia e capacidade produtiva no País.

3. O progresso estrutural do Brasil ocorreu, até 1954, não apenas em função de investimentos do Estado, mas também por ter este agido como promotor da indústria privada, tendo, antes daquele ano fatídico, surgido firmas nacionais de ótima qualidade, algumas das quais já se tinham tornado grandes.

4. Essas foram as primeiras e grandes vítimas do modelo de dependência financeira e tecnológica adotado desde 1955 e no quinquênio de JK, quando o Estado, foi usado como promotor da desnacionalização da indústria, o que gradualmente levou à da dos demais setores da economia.

5. Os governos militares (1964-1984), embora se tenham submetido às regras e imposições do sistema financeiro mundial – criaram estatais importantes, como a EMBRAER, em 1969, possibilitada pela criação, no âmbito da Aeronáutica, do Centro Técnico Aeroespacial (CTA), em 1946, e do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), em 1950.

6. A EMBRAER foi uma das inúmeras grandes estatais criminosamente privatizadas pela avalanche de corrupção dos anos 90, que atingiu também a TELEBRÁS, fundada em 1972, a qual igualmente gerara excelentes resultados em produções realizadas com tecnologia nacional, e foi  totalmente esvaziada pelas concessões entreguistas  do sistema de telecomunicações.

7. Em 1990, Collor, o primeiro presidente eleito pelo voto direto – de resto,  mediante incríveis manipulações, negadoras da essência da democracia – encaminhou a Lei de Desestatização, juntamente com denso pacote de legislação antibrasileira, formulado em Washington e meteoricamente aprovado pelo complacente Congresso.

8. Interessante que os governos militares – não só haviam mantido as estatais da Era Vargas – mas criaram várias outras. Entretanto, os indivíduos  ideologicamente amestrados atribuem comunismo ou esquerdismo aos que, em favor do desenvolvimento, reconhecem  a importância de empresas e de bancos estatais.

9.  Se não estivessem mentalmente controlados pelo sistema de poder mundial veriam que as estatais, além do que realizam diretamente, são fundamentais para viabilizar, ao abrir concorrências,  encomendas e financiamento a empresas privadas nacionais, que, com isso, geram empregos qualificados e elevam o padrão tecnológico do País.

10. Ademais, acabar com as estatais significa deixar à mercê dos carteis e grandes grupos privados o grande espaço estratégico – como é o caso da indústria do petróleo e derivados – inevitavelmente ocupado por empresas de grande porte, nos quais a dimensão inviabiliza a concorrência honesta entre empresas privadas.

11. Antes de explicar por que a corrupção não é inerente à natureza das estatais – ao contrário do que imaginam os impressionados pelos inegáveis escândalos de corrupção que têm assolado a Petrobrás – convém lembrar a incoerência dos que se escandalizam com a brutal concentração de renda, cada vez mais acentuada em todo o mundo, e propõem privatizações, cujo efeito tem sido tornar a concentração econômica ainda mais aguda e sociamente insuportável.

12. De fato, todos estão tendo acesso a informações de que, neste mundo de mais de seis bilhões de habitantes, pouco mais de cinquenta grupos financeiros controlam praticamente todas as transnacionais em atividade no Planeta. Fosse isso pouco, o analista da moda, Thomas Piketty, tem observado que  a concentração de riqueza tem sido grandemente subestimada,  mesmo nos países sedes da oligarquia financeira mundial.

13. E por que foi implantada a corrupção na Petrobrás? Porque a estrutura de poder político já se tornara dominada pelos interessados em desmoralizá-la e eventualmente privatizá-la e/ou liquidá-la. Amiúde, o primeiro passo dos agentes imperiais é minar e desmoralizar a administração estatal, para justificar a privatização.

14 De fato, a corrupção foi intensificada durante governos aqui instalados (Collor e FHC) com o projeto de tornar definitivo e irreversível o atraso do Brasil e sua submissão aos centros de poder mundial, na vil posição de fornecedor de recursos naturais, presidindo a abertura de buracos no lugar das estupendas reservas de minerais estratégicos e preciosos, sem que isso sequer impedisse o crescimento vertiginoso dos déficits de comércio exterior e do endividamento público.

15. A desnacionalização predadora não começou com os dois que foram os primeiros eleitos sob o novo regime pretensamente democrático.  Mas eles fizeram profundas reformas na estrutura de mercado –  com o usual beneplácito do Congresso – para torná-la ainda mais  talhada de acordo com os interesses dos carteis transnacionais.  E o PT não fez reverter essa tendência.

16. Em relação à Petrobrás, FHC promoveu a aprovação da Lei 9.478, de 06.08.1997,  que eliminou, na prática, a norma constitucional do monopólio da União na  produção,  refino e transporte do petróleo, não formalmente revogada.

17. Essa lei permitiu, assim, a exploração de imensas jazidas descobertas pela Petrobrás na plataforma continental,  por carteis transnacionais, liderados pelas gigantes empresas angloamericanas – que,  há mais de um século,  têm preponderado no produto de maior expressão no comércio mundial.

18. Ademais, dita Lei criou a Agência Nacional do Petróleo (ANP) no esquema de esvaziar a administração do Estado, terceirizando-a para  agências ditas públicas, dotadas de autonomia e postas sob a direção de executivos e técnicos ligados à oligarquia financeira angloamericana.

 

19. Um desses, genro de FHC, David Zylberstajn, foi nomeado diretor-geral da ANP. Como lembrou o engenheiro Pedro Celestino, em excelente artigo, teve início, sob o comando de Zylberstajn,  ”o leilão das reservas de petróleo brasileiras, em modelo que não se aplica no mundo desde o primeiro choque do petróleo, permitindo à concessionária apossar-se do petróleo produzido, remunerando o Governo com royalties, ao invés de receber por prestação de serviços.” 

 

20. As constatações de corrupção nas encomendas da Petrobrás –  em inquérito da Polícia Federal, ainda não terminado –  estão servindo de tema para a campanha de desestabilização e impeachment da presidente da República, e também de argumento favorável à privatização.

 

21. Nenhum desses objetivos sustenta-se em bases justificadas, pois o autor da delação premiada tornou-se diretor da Petrobrás no governo de FHC, mentor do partido que se pretende beneficiar com a derrubada de Dilma Roussef ou sua transformação em títere completo do capital estrangeiro, o qual tem no PSDB seus principais serventuários locais.

 

22. Ademais, o delator Paulo Roberto Costa praticou, ele mesmo,  os crimes que denuncia,  em prejuízo do patrimônio público e em ofensa à moralidade da Administração, como também cometeram políticos de diversos partidos que têm exercido cargos diretivos na Petrobrás.

 

23. Paulo Metri, outro competente e experiente engenheiro da Petrobrás, reafirma ser indispensável investigação profunda na estatal.  Ressalva, porém, que a exposição antecipada de fatos  investigados pode ter tido por meta somente  derrubar as intenções  de votos pró-Dilma.   

 

24. Assinala que a presidente não tolheu as ações da Polícia Federal, nem tem um engavetador para sumir com os processos. Nota: alusão ao PGR de FHC, conhecido como  engavetador-geral da República.

 

25. Metri considera imprescindível punir, com rigor, os agentes públicos comprovadamente corruptos e também os esquecidos corruptores. Até porque, mais que o desvio de dinheiro, a corrupção com a Petrobrás atinge a auto-estima de que o País precisa para realizar seu projeto nacional.

 

26. Em relação à Petrobrás, é fundamental corrigir os vícios nela implantados e viabilizar seus investimentos, cuja enorme rentabilidade está assegurada em função das colossais descobertas que a estatal obteve na plataforma continental e no pré-sal.

27. A  Petrobras – aduz  Metri – tem vencido  obstáculos, como extrair, de grandes profundidades e a distâncias da costa cada vez maiores, petróleo escondido abaixo de camadas incomuns, mercê de tecnologias especiais desenvolvidas  por técnicos da estatal.

28. A qualidade destes  depende da motivação e  de que não sejam preteridos por políticos em cargos de direção nem por terceirizados.

29. Lembram Celestino e Metri que FHC elevou desmesuradamente o salário de gerentes e superintendentes, o que os fez, por demais, temerosos de perder seus empregos, e omissos em resistir contra decisões suspeitas, tal como ocorre com terceirizados. Ademais, FHC liberou a  Petrobrás de  cumprir a Lei de Licitações, apoiado por decisão do ministro Gilmar Mendes, no STF.

30. Não basta, porém, para reverter o descalabro, evitar que Dilma seja substituída por alguém ainda mais propenso a aceitar as imposições imperiais. Há que dar passos na restauração da soberania nacional, ferida inclusive pela alienação, quase graciosa, de grande parte das ações preferenciais da Petrobrás, logo após a promulgação da Lei 9.478/1997, e pelos leilões do petróleo da plataforma continental e do pré-sal, nos governos do PT.

 

* – Adriano Benayon é doutor em economia e autor do livro Globalização versus Desenvolvimento.


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PETROBRAS – Sob as leis americanas.

Por J. Carlos de Assis, no site Outras Palavras
 Somos um país que se contenta com aparências. Quando o Governo Fernando Henrique decidiu colocar a Petrobrás sob a ordem jurídica americana, nos anos 90, não nos demos conta de que era irrelevante mudar o nome de Petrobrás para Petrobrax, ou para Petrobras sem o acento no a, como acabou prevalecendo. O que muitos não perceberam é que, por trás da troca de nomes para “facilitar” a internacionalização da empresa via lançamento de ações na Bolsa de Nova Iorque, havia a inevitável consequência de mudança de soberania sob a qual a empresa passaria a atuar. Não me atrevo a dizer que havia um propósito deliberado de colocar a Petrobras, a maior empresa da América Latina, sob a ordem jurídica norte-americana. Havia, sim, o propósito econômico de internacionalizar a empresa. A questão jurídica seria mera consequência, aparentemente sem maiores problemas na visão dos economistas neoliberais da época. Dado que nos anos 90 se tinha como consumado o processo de globalização sob a doutrina neoliberal, os ideólogos econômicos do Governo FHC acharam natural aproveitar a onda da internacionalização sem medir as consequências jurídicas disso. Aliás, há muito se sabe nesse círculo que o que é bom para os EUA é bom para o Brasil! Agora essas consequências estão aí. A Petrobras, uma empresa de economia mista sob controle do Estado brasileiro, está sob investigação do Departamento de Justiça dos Estados Unidos por conta do escândalo Paulo Roberto. Se os economistas que internacionalizaram a Petrobras acham que também isso é irrelevante, atentem-se para o que aconteceu com o pagamento pela Argentina dos credores de sua dívida externa renegociada. O acordo foi questionado porque os títulos haviam sido registrados em Nova Iorque. Os juízes norte-americanos se acham donos do mundo. Não há ordem superior à deles. Fazem o que querem, sem medir consequências sociais e econômicas, ou com relação a soberania. Se o Departamento de Justiça norte-americano identificar como irregularidades de mercado, reais ou inventadas, certos procedimentos da diretoria da Petrobras, poderá propor multas da ordem de bilhões de dólares, abalando a situação econômico-financeira da empresa. Para se ter uma ideia, Citigroup e Bank America se submeteram, cada um, a multas de 20 bilhões de dólares por conta de fraudes no mercado de títulos imobiliários no contexto da crise financeira. No caso da Petrobras, acionistas individuais que se sintam lesados também terão cobertura da SEC, a agência de regulação, para propor ações judiciais, entupindo a capacidade de resposta da empresa que terá de manter um batalhão de advogados em Nova Iorque. Nacionalistas, como eu, se sentirão ultrajados. Mas o que poderemos fazer diante de uma situação criada pelos economistas de FHC quando tinham a liberdade de não fazer a internacionalização da empresa? De fato, as vantagens trazidas pela internacionalização da Petrobrás – venda na Bolsa de Nova Iorque de mais de 30% de suas ações – eram ínfimas em relação aos riscos incorridos. Note-se que a indústria automobilística americana tem ganhado bilhões aqui e nunca abriu seu capital para brasileiros. Só quem acredita que a ordem jurídica do país hegemônico deve ser a ordem universal, sem contestação, pode encarar como normais, e suportáveis, as consequências jurídicas da internacionalização da Petrobrás. Se antes havia dúvida quanto aos riscos, a situação atual, que qualquer advogado razoável poderia prever, revela friamente que a internacionalização da Petrobras foi um crime de lesa-pátria. Não se diga que era imprevisível. Houve muitos protestos, interpretados na época como estatizantes e anacrônicos. O resultado agora é que a “causa” da Petrobras está nas mãos de uma Justiça discricionária, privatista, anti-setor público, regulada pelo princípio do Direito consuetudinário, não do Direito positivo, e que se arvora, não raro, prerrogativas de extraterritorialidade. Uma Justiça desse tipo pode tentar quebrar a Petrobras em nome dos interesses do acionista minoritário americano, e da ideologia neoliberal anti-Estado. Objetivamente, temos como fato concreto, ainda a ser definitivamente apurado, fraudes bilionárias articuladas por um diretor bandido em favor de si mesmo e de alguns partidos políticos por ele mencionados, mas por enquanto sem provas. Consideremos que todas as acusações sejam verdadeiras. A Petrobrás é vítima, não autora do crime. Ela seria implicitamente conivente, como foi o caso do Bank of America e do Citigroup, se decidisse acobertá-lo com o pagamento de multa para se livrar do processo criminal. Não é o caso da Petrobras, que não fez nenhum movimento para acobertar do crime seu ex-diretor. Contudo, uma Justiça privatista pode torcer os fatos. Seria melhor não estar subordinado a ela. Para isso, talvez teremos que comprar as ações da internacionalização de volta ao custo de um valor substancial de nossas reservas internacionais. Postado por Miro

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PETROBRAS – Caso Venina.

Caso Venina-Petrobras: contando outra história

A reportagem do Valor Econômico de 12/12/2014, com as declarações de Venina Velosa da Fonseca é uma enorme mistura de dados, personagens e, principalmente, datas. A ordem cronológica é atropelada e tenta envolver a atual presidente da Petrobras, Graça Foster, com o escândalo da Operação Lava Jato. Quando se colocam nomes, fatos e datas em sequência lógica, outra história é contada.

Antes de qualquer coisa, algumas datas e personagens são importantes:

Sergio Gabrilelli – presidente da Petrobras de 2005 a 13FEV2012. Substituído por Graça Foster a partir de então.

Graça Foster – diretora de óleo e gás até FEV2012 e presidente da Petrobras a partir de 13FEV2012.

Paulo Roberto Costa – diretor de abastecimento da Petrobras a partir de 2004. Responsável pelas obras da Refinaria Abreu e Lima. Demitido por Graça Foster em 02MAI2012.

Operação Lava Jato da Polícia Federal – deflagrada em 17MAR2014, Paulo Roberto Costa é preso em 20MAR2014.

Venina Velosa da Fonseca – gerente da Petrobras durante a gestão de Paulo Roberto Costa e por ele afastada em OUT2009. Em FEV2010 assume a chefia do escritório da unidade da Petrobras em Cingapura, cargo que manteve até NOV2014 quanto foi afastada da função.

Jornal Valor Econômico – 12DEZ2014 – Venina denuncia que alertou a presidente Graça Foster do que ocorria na Petrobras.

Contando outra história.

Venina é geóloga e foi gerente de uma área técnica da Petrobras – a Diretoria de Abastecimento sob a direção de Paulo Roberto Costa. Gerente de que setor, não logrei identificar em nenhuma matéria que li sobre o caso. Mas é certo que era poderosa a ponto de interferir na condução das obras que a diretoria realizava e que era muito, muito próxima de Paulo Roberto Costa – o diretor.

Pelo menos é o que se depreende de seu email a ele em 16JAN2009.

Nele, diz que desde 1999, quando conheceu o então diretor, teve muitas oportunidades de crescimento. Destaca que “tendo a sorte de trabalhar com ele, saí de uma situação de extrema pobreza e dificuldade na infância para o cargo de gerente executiva da Petrobras, atuando na diretoria de abastecimento”.

Venina aparentemente havia batido de frente com outros gerentes da diretoria de abastecimento. Questionava vários valores relacionados às obras da Refinaria de Abreu e Lima, começadas em 2007. Denunciava-as :

“Nos últimos tempos tenho vivido momentos difíceis… diariamente me deparo com situações que geram um grande conflito de valores. Não vou entrar em detalhes porque sei que você sabe do que estou falando… Quando me deparei com a possibilidade de ter de fazer coisas que supostamente iriam contra as normas e procedimentos da empresa, contra o Código de Ética e contra o modelo de gestão que implantamos não consegui criatividade para isso. Foi a primeira vez que não consegui ser convencida a fazer. Não consegui aceitar a forma. No meio do diálogo caloroso e tenso ouvi palavras como ‘covarde’, ‘pular fora do barco’ e ‘querer me pressionar’. Confesso que eu esperava mais apoio e um pouco mais de diálogo”.

Procurava apoio do Diretor:

“Jamais foi a minha intenção forçar a implantação de alternativas de forma irresponsável, sem entender o contexto e abrangência das consequências, o que te colocaria numa situação difícil. Durante o período que trabalhei na diretoria da Abastecimento, eu ‘cresci’ e entendo perfeitamente o contexto político do nosso negócio. Naquele momento em que expus meu ponto de vista eu queria dizer que aquela forma poderia nos colocar numa situação de risco e numa exposição desnecessária.”

Mas deixava claro que não estava para brincadeiras e queria conservar a sua posição:

 “Se for necessário falar coisas que vão contra o que você está dizendo, eu falarei. Sempre com a intenção de construir, nunca de emperrar ou de criticar.”

Entenda-se o que se quiser, para o bem e para mal, com uma frase, tal como, “…entendo perfeitamente o contexto político do nosso negócio”. A verdade é que de nada adiantou, pois Paulo Roberto Costa afastou Venina em outubro de 2009 e a enviou para Cingapura em fevereiro de 2010.

O interessante é que Venina nada relata a Sergio Gabrielli, então, o presidente da Petrobras. E parte para Cingapura, onde fica quietinha, fazendo cursos de aperfeiçoamento profissional e cuidando da vida. Estamos em 2010, lembremos.

Em 2011 Dilma assume o poder e a situação de Gabrielli se complica. Em fevereiro de 2012 ele é substituído por Graça Foster. Sabendo da ascensão eminente de Graça Foster, Venina tenta se aproximar da futura presidente. Não é possível saber se por revanche, por dever de ofício ou se em uma ação preventiva, Venina, em um email de outubro de 2011 para Graça Foster, ainda diretora da área de óleo e gás, entrega Paulo Roberto Costa:

Do imenso orgulho que eu tinha pela minha empresa passei a sentir vergonha… Diretores passam a se intitular e a agir como deuses e a tratar pessoas como animais. O que aconteceu dentro da Abast (Diretoria de Abastecimento) na área de comunicação e obras foi um verdadeiro absurdo. Técnicos brigavam por formas novas de contratação, processos novos de monitoramento das obras, melhorias nos contratos e o que acontecia era o esquartejamento do projeto e licitações sem aparente eficiência… Gostaria de te apresentar a documentação que tenho, parte dela eu sei que você já conhece. Gostaria de te ouvir antes de dar o próximo passo”.

O que Graça Foster, diretora de óleo e gás, poderia fazer com essas informações eu não sei, trata-se de uma comunicação quase pessoal, sobre um assunto que não é da sua alçada, nada pede e mais insinua do que relata. Agora, o que Graça Foster faz a partir de assumir a presidência da Petrobras é sabido de todos: Paulo Roberto Costa é demitido por ela em 2 de maio de 2012.

Com Paulo Roberto Costa fora da Petrobras, Venina retorna ao Brasil e tenta reassumir sua função. Talvez confiasse em uma recompensa pelos bons préstimos à presidente. Não obteve sucesso e voltou para Cingapura.  O Valor Econômico relata assim: “Em 2012, a geóloga voltou ao Rio, onde ficou por cinco meses sem nenhuma atribuição. A alternativa foi retornar a Cingapura, agora, como chefe do escritório”.

De 2012 até março de 2014, nada mais se sabe de Venina. Esteve por mais 2 anos cuidando de sua vida.

Fim da história? Não.

Acompanhemos a cronologia:

17 de março de 2014 – deflagrada a Operação Lava Jato pela Polícia Federal.

20 de março de 2014 – Paulo Roberto Costa é preso e busca uma delação premiada.

25 de março de 2014 – depois de 4 anos em Cingapura e dois anos após assumir a chefia do escritório, Venina envia um email a José Carlos Consenza – substituto de Paulo Roberto Costa na Diretoria de abastecimento da Petrobras. Venina encaminhou um e-mail a Cosenza sobre perdas financeiras em operações internacionais da estatal que ela identificou a partir do trabalho em Cingapura. As perdas ocorrem quando previsões no ponto de carga não refletem o que foi descarregado.

O interessante aqui é como Venina ficou sabendo das irregularidades. Segundo o Valor Econômico, “A geóloga contratou um escritório em Cingapura que obteve cópias das mensagens das tratativas entre os bunkers [negociadores de óleo com a Petrobras] com “fortes evidências” de desvios”.

Como é que se contrata um escritório desses? E como é que eles atuam sem violar as leis de proteção à privacidade?

Bem, seja lá como for, aparentemente não tem nada a ver com a operação Lava Jato. Mas a essa altura, a Lava Jato já tinha extrapolado de muito o superfaturamento da Refinaria Abreu e Lima e se espraiado para toda e qualquer suspeita de corrupção envolvendo funcionários da Petrobras. E mais uma vez, no limite, Venina entrega uma situação que já poderia ser do seu conhecimento há muito tempo. E se previne documentando-a através de um email.

Sabemos que a Petrobras contratou empresas de auditoria externa e formou comissões internas para fazer um pente fino em todas as suas operações.

Alguns meses depois, quando Venina, em 20NOV2014, envia novo email à Graça Foster, agora presidente da Petrobras, nele relata:

“Desde 2008, minha vida se tornou um inferno, me deparei com um esquema inicial de desvio de dinheiro, no âmbito da Comunicação do Abastecimento. Ao lutar contra isso, fui ameaçada e assediada. Até arma na minha cabeça e ameaça às minhas filhas eu tive… Tenho comigo toda a documentação do caso, que nunca ofereci à imprensa em respeito à Petrobras, apesar de todas as tentativas de contato de jornalistas… Levei o assunto às autoridades competentes da empresa, inclusive o Jurídico e a Auditoria, o que foi em vão”.

A citação “Até arma na minha cabeça e ameaça às minhas filhas eu tive…” se dá porque Venina teria sofrido um assalto ou ato de intimidação no bairro do Catete-RJ. O Valor Econômico não relata que Venina tenha feito um boletim de ocorrência desse atentado.

Interessante a frase de 2014 dirigida a Graça Foster: “Tenho comigo toda a documentação do caso, que nunca ofereci à imprensa em respeito à Petrobras, apesar de todas as tentativas de contato de jornalistas”. Parece-se muito com a de 2009, então dirigida a Paulo Roberto Costa: “Se for necessário falar coisas que vão contra o que você está dizendo, eu falarei”. Aparentemente, Venina não mudou nada desde os tempos da Diretoria de Abastecimento.

O porquê do email?

No dia anterior, 19 de novembro de 2014, Venina foi afastada do cargo que ocupava.

Em nota de 12DEZ2014, a Petrobrás afirmou que Venina foi responsabilizada por “não conformidades relevantes” pela comissão interna que apura os procedimentos de contratação nas obras da RNEST – a Refinaria Abreu e Lima e que ela fez ameaças a seus superiores para se manter na gerência.

Nesse mesmo dia o jornal Valor Econômico circulara com as declarações de Venina. Apenas apresentando-as em uma ordem cronológica bastante suis generis.

Referências:

http://www.valor.com.br/politica/3814406/diretoria-da-petrobras-foi-alertada-de-desvios

http://g1.globo.com/jornal-nacional/noticia/2014/12/funcionaria-alertou-presidente-da-petrobras-sobre-irregularidades.html

http://www1.folha.uol.com.br/poder/2014/11/1548049-entenda-a-operacao-lava-jato-da-policia-federal.shtml

http://www.petrobras.com.br/fatos-e-dados/esclarecimento-sobre-as-materias-publicadas-na-imprensa-a-respeito-de-denuncias-feitas-pela-empregada-venina-velosa.htm


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PETROBRAS – Os pecadores convertidos.

Por Fernando Brito, no blog Tijolaço:

Ontem, ia escrever sobre o suposto aviso de uma gerente – Venina Fonseca – de que havia gastos irregulares na área de comunicação da Diretoria de Abastecimento e, depois, na Refinaria Abreu e Lima.

Desisti porque a resposta da Petrobras havia sido pífia, tratando os fatos com uma contenção inadmissível a quem está sendo atacado com acusações desta natureza.

Como a empresa, depois, deu maiores informações e, agora, já é possível tratar do episódio, com fatos e lógica, sem cometer leviandades ( adoto o termo de Aécio, para que não restem dúvidas).

Aos fatos e às versões, para que os leitores julguem.

A Folha descreve assim o primeiro caso denunciado pela funcionária:

As primeiras denúncias de Venina Fonseca referiam-se a pagamentos de R$ 58 milhões por serviços que não foram realizados na área de comunicação, em 2008. Segundo a gerente, ela procurou Costa para reclamar dos contratos. Este teria apontado uma foto do presidente Lula e questionado Venina se ela queria “derrubar todo mundo”, relata a reportagem.

O leitor do jornal, portanto, fica supondo que manteve-se a irregularidade.

O que só se reforça, ao final da matéria, quando a Folha vai ouvir “o outro lado” e limita-se a registrar que a empresa “diz ter instaurado comissões internas em 2008 e 2009 para averiguar os indícios de irregularidades em contratos e pagamentos da gerência de Comunicação da diretoria de Abastecimento e que o resultado das análises foi “encaminhado às autoridades competentes”.

Sem que isso implique qualquer desconsideração pelo que teria dito a ex-gerente, era dever da Folha ter registrado que a Petrobras, mesmo numa resposta pífia, que o “ex-gerente da área” (assim, sem o nome, que é Geovane de Moraes) teria sido demitido em abril de 2009, embora tenha conseguido adiar o afastamento com sucessivas licenças médicas. Como, aliás, faz hoje.

E porque não o fez de imediato, quando já sabia que o caso não fora “deixado para lá”, mas tornou-se objeto de apuração na empresa – ao contrário do que diz Venina – e da decisão de demitir o responsável pela “área de comunicação”? Tanto que a própria Folha o publicou em 22 de junho de 2009, inclusive com insinuações nada suaves de que o gerente Geovane de Moraes teria beneficiado interesses petistas.

Repito, não uso de acusações ou defesas levianas, mas de fatos publicados.

E, aliás, recentemente republicados, pela Época, em setembro, onde se fica sabendo que o cidadão é filiado ao PMDB, não ao PT, foi objeto de investigação por ordem da Presidência da Petrobras e que o assunto foi mandado, como deveria ser, à Polícia, mais especificamente à 10a. Delegacia Policial, onde consta do Procedimento 005.07275 do mesmo ano de 2009.

Se o caso era para “derrubar todo mundo”, inclusive o Presidente Lula – cujo retrato, diz Venina, Paulo Roberto Costa apontou – parece que não se teve medo de apurar, não é?

Se a demissão de Geovane levou tanto tempo para se consumar, por força de licença psiquiátrica, é o caso de saber-se se havia acordo coletivo impedindo demissões durante licença – sei que há garantindo complementação do INSS até por quatro anos, justo o prazo em que ele voltou e foi mandado embora – ou se seu chefe, Paulo Roberto Costa, passou-lhe a mão na cabeça até sua própria demissão, em 2012.

Esclarecido o caso inicial, que é objetivo, passemos ao perfil da denunciante.

Foi, durante muitos anos, pessoa de confiança de Paulo Roberto Costa, muito antes do governo Lula. Trabalhou com ele, no período FHC e foi ele quem a levou, como pessoa de estrita confiança, para a Diretoria de Abastecimento. Coisa que ela própria descreve, no e-mail mostrado ontem no Jornal Nacional:

“Diz que desde 1999, quando conheceu o então diretor, teve muitas oportunidades de crescimento. Destaca que “tendo a sorte de trabalhar com ele, saí de uma situação de extrema pobreza e dificuldade na infância para o cargo de gerente executiva da Petrobras, atuando na diretoria de abastecimento”.

Lá, dirigiu licitações, foi do conselho da refinaria Abreu e Lima e tudo o que se podia esperar de proximidade com alguém que a tirou ” de uma situação de extrema pobreza e dificuldade na infância”.

Durante dez anos, portanto, Venina foi unha e carne com Costa e aceitou suas falcatruas, como parece ter ocorrido ?

E agora, quando a Comissão Interna da Petrobras lhe aponta responsabilidades nos casos que podem, em tese, levar à sua demissão ou arrolamento em processos criminais (além daqueles que responde no TCU), é acometida de uma crise de honestidade e começa a usar um suposto e-mail dirigido a Graça Foster como álibi?

Porque o e-mail divulgado no JN mostra, sem nenhuma dúvida, que Venina foi cúmplice de Costa: “me deparei com a possibilidade de ter de fazer coisas que supostamente iriam contra as normas e procedimentos da empresa, contra o Código de Ética e contra o modelo de gestão que implantamos não consegui criatividade para isso. Foi a primeira vez que não consegui ser convencida a fazer. Não consegui aceitar a forma. No meio do diálogo caloroso e tenso ouvi palavras como ‘covarde’, ‘pular fora do barco’ e ‘querer me pressionar’. Confesso que eu esperava mais apoio e um pouco mais de diálogo”.

Como assim “diálogo”?

– Ah, querida, é só mais uma roubadinha, vai… Eu sei que você é honesta, que aceita eu roubar só por gratidão, e sabe que eu roubo só porque preciso, porque eu estou enojado, já te contei…

Ainda bem que a imprensa brasileira não é levada a sério. Porque, senão, íamos ter uma inflação de santos, tanta gente safada que se “converte” à moralidade quando sabe que, por razões políticas, vai ganhar perdão por suas “delações premiadas”.


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PETROBRAS – Produção de concorrentes poderá beneficiar a Petrobras.

Companhia avalia que poderá se beneficiar nos próximos anos do crescimento da produção de petróleo de concorrentes
A Petrobras avalia que poderá se beneficiar nos próximos anos do crescimento da produção de petróleo de concorrentes e sócias instaladas no Brasil, ao aumentar suas compras de óleo no mercado interno em meio à expansão de seu parque de refino.
Aliada ao crescimento de sua própria produção, essa poderia ser uma alternativa para a Petrobras reduzir as importações, que têm afetado negativamente as suas finanças e o resultado da balança comercial do país.
O volume adquirido atualmente no mercado interno é ainda muito pequeno, menos de 1 por cento da produção nacional, mas a estatal tem interesse em absorver parte da produção crescente das demais empresas que operam no país.
A produção dessas petroleiras saltou 164 por cento em abril, na comparação com o mesmo período do ano passado, para 393,6 mil barris de óleo equivalente ao dia (boe/d), segundo dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), enquanto a extração da Petrobras cresceu 1,3 por cento na mesma comparação, para 2,273 milhões de boe/dia.
“A Petrobras tem interesse em absorver esses volumes, e espera aumentar suas compras na medida em que essas produções se tornarem mais significativas”, disse a estatal, acrescentando que com o aumento da sua capacidade de refino, a empresa se beneficiará da maior disponibilidade de matéria-prima para suprir seu sistema.
A empresa comprou de terceiros, parceiros ou não, cerca 15,8 mil barris por dia em 2013, ante uma produção nacional de quase 2 milhões de barris/dia.
Com um crescimento expressivo da produção das outras petroleiras que atuam no Brasil, a participação da Petrobras no total produzido de petróleo e gás no país recuou para 85,2 por cento da extração nacional em abril, ante uma fatia de 93,8 por cento uma ano antes.
Importações
A Petrobras ressaltou que por enquanto as suas importações de petróleo não têm caído de forma relevante. “Tomando-se por base o período de janeiro a abril, a diferença do volume de petróleo importado entre 2013 e 2014 foi aproximadamente de 3 por cento”, afirmou em nota enviada à Reuters.
Compras de combustíveis no mercado internacional, a preços superiores aos de venda no mercado interno, estão por trás de perdas gigantes da estatal na sua divisão de abastecimento.
A definição da quantidade de petróleo importado depende do volume de petróleo nacional produzido pela estatal e do nível de processamento de óleo cru nas refinarias, que têm operado a pleno vapor para fazer frente ao consumo interno.
A Petrobras destacou que possui um parque de refino, com unidades distribuídas pelo país, com capacidade de processamento de petróleo superior a 2 milhões barris por dia, com perspectivas de expansão.
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Ao final de 2014, deverá entrar em operação unidade da Refinaria do Nordeste (Rnest), com capacidade para 115 mil barris/dia. A segunda unidade da Rnest, em Pernambuco, não deve começar antes de meados de 2015.
Uma unidade de refino no Comperj, no Rio de Janeiro, deve começar a produzir em 2016.
Com o crescimento na produção no país projetado para este ano, após dois anos de recuo na extração, a estatal disse que prevê elevar suas exportações em 2014, após ter exportado quase 200 mil barris/dia de petróleo em 2013. A empresa não fez uma estimativa do aumento.
Fonte: Reuters


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PETROBRAS NA ERA FHC.

CPI da Petrobras investigará FHC?

 
Por Altamiro Borges

A oposição demotucana e a mídia venal levaram um baita susto no final da tarde de terça-feira (3). Os integrantes da CPI da Petrobras aprovaram o pedido de acesso a documentos que envolvem a situação na estatal no triste reinado do PSDB – inclusive sobre o grave acidente da plataforma P-36. Chocado, o Estadão registrou: “Oposição ‘cochila’ e CPI da Petrobras pede papeis da gestão FHC”. A comissão foi criada com o objetivo de desgastar o governo Dilma num ano de eleição presidencial. Diante da arapuca, a base governista decidiu dar o troco e partir para a ofensiva. Uma investigação profunda sobre a trajetória recente da poderosa estatal poderia resultar num tiro no pé dos partidos da direita.

Segundo Ricardo Brito, do jornal Estadão, os demos – fiéis aliados dos tucanos – ainda tentaram evitar o contragolpe. “Durante os debates, o deputado de oposição Onyx Lorenzoni (DEM-RS) pediu a exclusão de votação de quatro requerimentos que pediam cópia de relatórios e demais documentos referentes ao acidente da plataforma P-36, que afundou em março de 2001 durante o governo FHC, e dos processos que tramitam no Superior Tribunal de Justiça, que envolvem a troca de ativos entre a Petrobrás e a companhia ibero-americana Repsol YPF, referente à refinaria de Bahia Blanca, no mesmo ano. Eles foram numerados como 440, 447, 525 e 528”. Mas a manobra não deu certo!

O pedido de investigação foi feito pelos relatores das CPIs mista e exclusiva do Senado – deputado Marco Maia (PT-RS) e o senador José Pimentel (PT-CE). Eles argumentaram que a tragédia da P-36 tirou a vida de 11 trabalhadores e gerou um custo para a estatal de US$ 2,2 bilhões. Já sobre a refinaria Bahia Blanca, eles alegaram que a operação pode ter causado um prejuízo de US$ 2,5 bilhões à Petrobrás. Diante da pressão do demo, os relatores até aceitaram excluir os pedidos. “Ocorre que não foi retirado da lista o requerimento de número 520, que pedia à Agência Nacional de Petróleo (ANP) cópia de relatórios relativos ao acidente na P-36. Ou seja, esse pedido foi aprovado sem que os oposicionistas percebessem”.

A decisão da CPI deve jogar os tucanos da defensiva. Aécio Neves, o cambaleante presidenciável do PSDB, terá maiores dificuldades para atrair os holofotes da mídia com os seus falsos discursos sobre “ética”. A tendência, segundo os próprios jornalões, é a do esvaziamento das duas comissões de inquérito. É uma pena! Seria uma ótima oportunidade para analisar o desastre causado pelo governo FHC na Petrobras, que quase foi privatizada. Também seria uma excelente chance para desvendar os crimes cometidos pelo tucanato. O parlamento até poderia solicitar uma impressão extra do livro “A privataria tucana”, do jornalista Amaury Ribeiro Jr., que ajudou a desvendar os crimes dos PSDB.


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O PETRÓLEO TEM DE CONTINUAR SENDO NOSSO.

 

O petróleo tem de continuar sendo nosso

Sandra Starling

Acompanho os anúncios dessa novela chamada “CPI da Petrobras”. Quantos capítulos terá? Qual será, afinal, o enredo? Quem é o vilão? Conseguirá chegar ao fim depois de uma Copa do Mundo e da campanha eleitoral? Não sei.

É difícil imaginar que numa empresa como a Petrobras não possam ocorrer irregularidades, que não haja traços de tráfico de influência em suas rotinas, uma vez que interesses políticos motivam as indicações de seus diretores. Quem não se lembra das dificuldades de FHC em afastar Joel Rennó de sua Presidência por conta das resistências do PFL? Será que já nos esquecemos do ex-presidente da Câmara dos Deputados Severino Cavalcanti, reivindicando o direito de apontar o responsável por aquela diretoria “que fura poço”?
O que mais me irrita é que toda essa trapalhada dos governos Lula e Dilma em torno da compra da refinaria de Pasadena, nos Estados Unidos, sirva para alimentar os interesses dos oligopólios internacionais, como sói acontecer.

A capacidade de essas petroleiras se imporem não pode ser desprezada. João Goulart disse, à beira do túmulo de Getúlio Vargas, em agosto de 1954, que dirigentes de petroleiras internacionais tinham as mãos sujas de sangue porque, menos de um ano antes de seu suicídio, o presidente da República instituíra o monopólio estatal da exploração das jazidas existentes no território nacional. O próprio Jango seria deposto, em 1964, pouco mais de três meses após estender o monopólio estatal para a importação e exportação de petróleo e derivados.

AS SETE IRMÃS

Desde a década de 1920, Standard Oil, Shell, Texaco e Atlantic criavam todos os tipos de dificuldade ao domínio do ciclo do petróleo pelos brasileiros. Mesmo com a vaga nacionalista dos anos 30, Getúlio Vargas se ajustava aos interesses das grandes irmãs. Basta lembrar que, desde 1938, o general Horta Barbosa, presidente do Conselho Nacional do Petróleo, insistia na adoção do monopólio estatal de exploração, aos moldes do que vira na Argentina e no México, mas isso só viria a ocorrer com a sanção da Lei 2.004, de 3 de outubro de 1953, após fabulosa campanha popular.

Tudo isso posto, creio que as multidões que tomaram gosto por ir às ruas deveriam pautar a defesa de uma Petrobras genuinamente voltada para os interesses de nosso povo. Tenho dúvidas se o acerto entre nossa estatal, os chineses e duas petroleiras ocidentais para a exploração do pré-sal, como vimos no primeiro leilão sob regime de partilha, nos proporcionará os melhores resultados. Mas é melhor do que a concessão pura e simples.

Enfim: que possa o povo se articular novamente em comitês populares na defesa do petróleo e ir maciçamente às ruas para proteger a Petrobras da cobiça externa e de políticos inescrupulosos. Como foi feito na memorável jornada “O petróleo é nosso”, de que apenas ficou, como registro – lamentável – a perseguição sofrida pelo comitê mineiro, quando à época governava Minas Gerais Juscelino Kubitschek! Que ninguém se esqueça de nossa história. (transcrito de O Tempo)