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ETANOL – Queda do preço do petróleo ameaça sua retomada.

 

Queda do preço do petróleo ameaça retomada do etanol

 

A queda livre dos preços do barril de petróleo, que já operam abaixo de US$ 60 o barril, poderá colocar em xeque as políticas que estão sendo traçadas para dar maior competitividade ao setor sucroalcooleiro. Atoladas em dívidas, as usinas em operação no País aguardam, com muita expectativa, para o início do ano, duas medidas emergenciais que poderão dar fôlego ao caixa dessas empresas: o retorno da Contribuição de Intervenção sob o Domínio Econômico (Cide), tributo sobre a gasolina, e a elevação da mistura do etanol dos atuais 25% para 27,5% no combustível.

As duas medidas, se adotadas, juntas, dariam um respiro maior ao setor. A Cide tornaria o etanol mais atraente nas bombas ao consumidor, uma vez que o tributo incide sobre a gasolina, e a alteração da mistura geraria uma demanda extra anual de 1,1 bilhão de litros pelo etanol, enxugando a oferta do produto do mercado.

A grande dúvida, contudo, é como o governo federal vai equacionar essas duas questões com a queda dos preços do petróleo, segundo especialistas ouvidos pelo Estado.

Os preços da gasolina praticados no País estão, em média, entre 20% e 25% maiores do que no mercado internacional. “O ponto é saber como o governo vai se posicionar. A Petrobrás precisa gerar caixa. O movimento óbvio seria a redução dos preços da gasolina ao consumidor, mas provavelmente isso não vai ocorrer”, diz Plinio Nastari, presidente da Datagro, consultoria especializada em açúcar e etanol.

“Mas, se a volta da Cide for antes, tornará a gasolina mais cara, o que traz um problema com a inflação. Por isso, a adoção do tributo poderá ter outra recomposição”, afirma Adriano Pires, do Centro Brasileiro de Infraestrutura(CBIE).

O tributo era de R$ 0,28 sobre o litro da gasolina quando foi totalmente reduzido em meados de 2012. “A valores atualizados, equivaleria a R$ 0,42”, afirma Nastari.

Nastari e Pires acreditam que a Petrobrás poderá “absorver” parte da Cide para que o aumento do preço da gasolina ao consumidor seja menor. “Outra possibilidade é a Petrobrás absorver tudo, o que é mais improvável, uma vez que agora consegue recompor parte do caixa com os preços maiores da gasolina comparados ao mercado internacional”, diz Pires.

Segundo ele, os preços da gasolina no País oscilam contra as regras do mercado. “Enquanto as cotações do etanol na bomba variam de acordo com a oferta e demanda da safra de cana, com a gasolina tem sido diferente. O governo tem controle maior sobre o preço do combustível. Em 2008, quando o barril chegou a bater US$ 150, o governo subsidiou o preço da gasolina. Quando caiu a US$ 40, dois anos depois, não fez o repasse ao consumidor.”

“Com o nível de alavancagem alto, o mercado entende que a Petrobras precisa reajustar os preços do combustível (para cima) para melhorar o caixa”, diz Alexandre Figliolino, diretor do Itaú BBA, especialista em açúcar e etanol.

À frente da presidência do conselho da União da Indústria da Cana-de-Açúcar (Unica), Roberto Rodrigues, ex-ministro da Agricultura na primeira gestão do governo Luiz Inácio Lula da Silva, está discutindo com o ministro-chefe da Casa Civil, Aloizio Mercadante, a adoção dessas duas medidas para o setor sucroalcooleiro. Rodrigues também não acredita que a Cide poderá ser adotada como antes, uma vez que a nova equipe da presidente Dilma Rousseff tem uma preocupação central, que é promover o ajuste fiscal em 2015. “Mas precisamos entender qual a matriz energética que o Brasil quer ter. O governo tem de definir qual”, diz. Para o ex-ministro, essas medidas não salvam o setor, 15

que deve hoje 110% da safra, Ou seja, deve mais do que arrecada. “Medidas estratégicas de longo prazo precisam ser pensadas.”

Ao Estado, fontes do governo confirmaram que o retorno da Cide está na pauta do Ministério da Fazenda e a elevação da mistura do etanol na gasolina também continua em análise.

Menor impacto

Mas, dependendo de como for adotada, a Cide poderá correr o risco de não deixar o setor sucroalcooleiro tão mais competitivo como se imaginava. “Temos de entender primeiro como vai ser essa recomposição. Sabemos que o governo quer preservar a Petrobras”, diz Nastari.

A elevação da mistura, sozinha, não resolveria o problema das usinas, mas a medida aliviaria também a estatal, que teria como impacto direto redução da importação da gasolina. “Se a mistura for elevada, aumentaria a demanda por etanol em 1,1 bilhão de litros por ano e reduziria a demanda por gasolina na mesma proporção”, observa Nastari. Entre janeiro e novembro deste ano, a Petrobras importou cerca de 2 bilhões de litros de gasolina, gerando despesa de US$ 1,47 bilhão, de acordo com a Datagro.

Fonte: Estadão Conteúdo – informações do jornal O Estado de S. Paulo


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ETANOL – Cai o número de usinas em operação.

Nº de usinas em operação cai e afeta produção de etanol no centro-sul

O baixo número de usinas em operação na região centro-sul do Brasil impactou negativamente a moagem da cana-de-açúcar e a produção de etanol neste início da safra.
Segundo relatório divulgado nesta terça-feira (27) pela Unica (União das Indústrias de Cana-de-Açúcar), o resultado pode ter relação com a situação financeira ruim das empresas.
“Algumas sequer têm data prevista para início da safra”, disse, em nota, o diretor-técnico da Unica, Antonio de Padua Rodrigues.
De acordo com o relatório, o número de usinas operando até o momento é 7,1% menor do que no mesmo período do ano passado -de 268 para 249 empresas.
A moagem da cana, acumulada até 15 de maio, caiu 3,41% (para 79,34 milhões de toneladas), em relação ao período anterior, e a produção do etanol teve queda leva, alcançando 3,22 bilhões de litros, ante 3,28 bilhões de litros em 2013.
De acordo com o relatório da associação de usinas, o cenário da produção de cana neste início de safra também é negativo por causa da redução da produtividade.
Segundo o CTC (Centro de Tecnologia Canavieira), o rendimento médio da lavoura colhida na região centro-sul desde o início da atual safra até o momento alcançou 82,09 toneladas de cana-de-açúcar por hectare, queda de 7,10% em relação ao mesmo período do último ano.
PREÇOS
De acordo com a Unica, o uso do etanol hidratado passou a ser economicamente vantajoso em comparação ao da gasolina no Estado de São Paulo. Porém, segundo Rodrigues, a redução do preço ao produtor não foi repassada ao consumidor.
“Neste ano, o repasse da queda de preço está mais lento. Esperamos que nas próximas semanas o consumidor possa verificar preços ainda mais atrativos na bomba, estimulando o consumo do biocombustível”, disse Rodrigues, por meio de nota.
Em Ribeirão Preto (313 km de São Paulo), o preço médio do litro do etanol caiu 9,3% desde o começo de maio, segundo levantamento da ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustível).
Atualmente, o litro do combustível é comercializado a R$ 1,95. Em Franca (400 km de São Paulo), o preço do litro do etanol é de R$ 2,07, enquanto em São Carlos (232 km de São Paulo) é comercializado a R$ 1,89 e em Araraquara, a R$ 1,87, segundo a ANP.
Fonte: Folha Online


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O ETANOL E O SAMBA DE UMA NOTA SÓ.

O etanol e o samba de uma nota só da política econômica

É incompreensível a maneira como o governo Dilma Rousseff vem tratando a questão do etanol.

Nos vários planos de política industrial, um dos pontos centrais é o estímulo a setores nos quais o país tenha vantagens competitivas.

Não existe setor mais de acordo com a vocação brasileira do que o etanol:

Parte de um diferencial competitivo brasileiro, que é a produtividade da cana, os avanços tecnológicos do setor e a disponibilidade de terras.

É um produto industrializado, fugindo da maldição das commodities de baixo valor agregado.

Em que pesem os efeitos da crise mundial, é uma commodity que pode ser comercializada internacionalmente.

No entanto, o setor está sendo demolido pelo samba de uma nota só que passou a dominar a política econômica, a ênfase total no combate à inflação.

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Reajustes de preços essenciais – como os combustíveis – têm dois impactos sobre a inflação. Em períodos de reajustes generalizados de preços, podem colocar mais lenha na fogueira. Em períodos mais calmos, impactam apenas uma vez a inflação, no mês em que forem aplicados.

Por isso mesmo, em um quadro de reajustes disseminados de preços, evitam-se choques adicionais. Mas, passados esses momentos críticos, há que se trazer os preços de volta à realidade para evitar as sequelas.

Não é isso o que vem acontecendo.

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Até a crise de 2008 – e a descoberta do pré-sal – o mercado do etanol estava em franca expansão. O boom da economia mundial estimulava as campanhas pelo desenvolvimento sustentável. Os estímulos dos EUA ao etanol de milho abriam espaço para a criação de um mercado internacional. Havia planos de se avançar sobre a América Central e a África, levando não apenas o etanol, mas tecnologia agrícola, usinas, gestão agrícola e capitais.

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A crise derrubou provisoriamente o interesse internacional pelo meio ambiente e, automaticamente, pelo etanol.

Mas o combate primário à inflação fez o trabalho sujo. Para impedir pressão sobre os preços, o governo tirou a CIDE (Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico) da gasolina e segurou os reajustes. Ora, devido à diferença energética atual, o preço do etanol deve corresponder a 75% do preço da gasolina, para ser competitivo. Com o preço da gasolina sendo contido, o etanol não conseguiu manter a competitividade.

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A medida racional seria recompor os preços assim que cessassem as pressões sobre a inflação. Não foi feito.  Havia também um conjunto de medidas compensatórias que também foram deixadas de lado.

Por exemplo, o governo Dilma concedeu incentivos extraordinários à indústria automobilística, com a isenção de IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados). Bastaria um IPI diferenciado para induzir o setor a desenvolver motores com um fator de paridade superior a esses 75%.

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Mas a política econômica atual sofre de uma incapacidade crônica de atuar em ambientes complexos – como o da economia. Define-se uma prioridade – o combate à inflação – e lança-se mão de qualquer medida que esteja na prateleira, sem a menor capacidade de analisar as consequências.


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ETANOL – Preço deve ficar próximo ao teto.

Setor prevê ano com etanol mais caro depois de crise e seca

Preço do combustível deve ficar próximo ao ‘teto’ de 70% do valor do litro da gasolina
A crise nas usinas e a estiagem que reduziu a previsão da safra de cana-de-açúcar devem manter o preço do etanol próximo ao “teto” de 70% do valor do litro da gasolina.
A análise é de fontes do setor, que apontam a redução da oferta de etanol e o aumento da demanda, com o crescimento da frota flex, como os principais motivos.
“É de se esperar que neste ano a paridade [do preço do álcool em relação à gasolina] fique mais próxima dos 70%”, afirmou o sócio da consultoria FGAgro Willian Urzari Hernandes.
A Unica (entidades das usinas) previu uma redução de 2,84% na safra atual em relação à anterior. Além disso, ao menos dez usinas deixaram de operar nesta safra.
Além da redução, também é esperado que o preço do etanol volte a subir antes do início da entressafra, quando tradicionalmente diminui a oferta de cana.
“Mesmo que agora o preço fique abaixo de 65% [da gasolina], ele pode voltar a subir em novembro, em vez de janeiro [como normalmente ocorre]”, afirmou o presidente da Udop (União dos Produtores de Bioenergia), Celso Torquato Junqueira Franco.
Em Ribeirão Preto, o preço do etanol alcançou na última semana o patamar de 66% do valor da gasolina, a R$ 1,967, após as distribuidoras e os postos repassarem ao consumidor a queda de R$ 0,20 no valor cobrado pelas usinas.
Em São Paulo, levantamento da ANP (Agência Nacional de Petróleo) mostrou que o preço médio do etanol está em R$ 2, o que corresponde a 69% do valor do litro da gasolina.
Entre 17 de abril e a última sexta-feira (16), o preço do etanol nas usinas de São Paulo caiu R$ 0,23, de acordo com o indicador Cepea/Esalq.
Essa redução ainda não foi repassada aos consumidores paulistas, já que os preços caíram, em média, somente R$ 0,03 nos postos.
A pesquisadora do Cepea Ivelise Bragato afirmou que é comum um período de até quatro semanas até que a queda do preço chegue às bombas dos postos.
Isso porque as distribuidoras trabalham com estoques adquiridos com outra cotações de preços.
Franco, da Udop, afirmou que o controle do preço da gasolina pelo governo federal impede o investimento na ampliação da produção de etanol.
Fonte: Folha de S. Paulo


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ETANOL – África pode incrementar produção de etanol no mundo.

UNICA: África pode incrementar produção de etanol no mundo

Estudos coordenados pela FGV Projetos evidenciam o potencial de países africanos para produzir biocombustíveis, e devem servir de incentivo para que outras nações também invistam na produção de combustíveis limpos, especialmente o etanol de cana. A avaliação é do diretor Executivo da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (UNICA), Eduardo Leão de Sousa, sobre projetos apresentados pela instituição brasileira no Global Bioenergy Partnership (GBEP), evento que reuniu importantes lideranças entre os dias 5 e 9 de maio na cidade de Maputo, capital e a maior cidade de Moçambique.
Os projetos realizados por técnicos da FGV e financiados pelo governo brasileiro e a mineradora Vale, em Moçambique, Senegal, Zâmbia, Libéria, Guiné Bissau e Guiné Conakri, são frutos dos Memorandos de Entendimento entre os governos do Brasil e dos Estados Unidos para a realização de estudos de viabilidade para a produção de biocombustíveis na América Central, Caribe e Senegal e entre Brasil e União Européia. Sousa participou, quando ainda trabalhava no Banco Mundial, do primeiro estudo de desenvolvimento do etanol em solo africano.
“Na África encontramos países com forte tradição na produção de açúcar e que, com incentivos adequados, podem desenvolver um programa bem sucedido de produção e uso de etanol. A atividade, além de gerar mais empregos e renda no campo, reduzirá a dependência dos combustíveis fósseis e melhorará a balança comercial, seja pela redução das importações de derivados de petróleo ou por meio das exportações do etanol excedente,” explicou.
Segundo o especialista da Divisão África da FGV Projetos, Frederico Paiva, os estudos mapearam a totalidade do território dos países e indicaram a viabilidade para a produção de cana-de-açúcar e outras culturas como capim elefante, palma, pinhão manso e eucalipto. A FGV, como contribuição adicional, incluiu culturas alimentares nas análises, como milho, feijão, mandioca e soja, entre outras. Além de apontar a viabilidade das culturas, os estudos indicam a melhor localização para projetos de cana-de-açúcar, incluindo refinarias, além de fazer uma análise acerca do marco regulatório e dos impactos ambientais e sociais de investimento nos países africanos.
“O empresário brasileiro interessado em produzir bioenergia na África tem nesses estudos uma importante ferramenta para sua tomada de decisão. O potencial agrícola é enorme. A África quer substituir suas importações de petróleo e possui preferências comerciais com a Europa. Vale a pena pensar a respeito,” afirmou Paiva.
Para baixar os arquivos dos estudos, clique nos links abaixo:
Guiné: https://dl.dropboxusercontent.com/u/5793921/VALE/Guin%C3%A9.rar
Libéria: https://dl.dropboxusercontent.com/u/5793921/VALE/Lib%C3%A9ria.rar
Moçambique: https://dl.dropboxusercontent.com/u/5793921/VALE/Mo%C3%A7ambique.rar
Zâmbia: https://dl.dropboxusercontent.com/u/5793921/VALE/Z%C3%A2mbia.rar
Senegal: https://dl.dropboxusercontent.com/u/5793921/Projeto%20Senegal_total_Port_v2.rar
Fonte: Site da Unica


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FÓRUM SOBRE EXPLORAÇÃO DE GÁS NÃO CONVENCIONAL

Fórum vai debater exploração de gás não convencional no Brasil

O estado de Minas Gerais, visto como uma nova fronteira de gás natural, receberá um evento no próximo mês voltado para a exploração de gás não convencional no Brasil. Marcado para os dias 19 e 20 de agosto, na sede administrativa do governo estadual, em Belo Horizonte, o Fórum Nacional de Exploração de Gás Não Convencional contará com a participação do governador Antonio Anastasia (foto).
De acordo com a organização do fórum, as principais operadoras interessadas na produção de gás não convencional no Brasil estarão presentes, além de representantes dos órgãos reguladores e de entidades de classe.
Entre os confirmados para o encontro estão o CEO da Petra Energia, Winston Fritsch, a secretária de desenvolvimento econômico de Minas, Dorothea Werneck, e o diretor da ANP Helder Queiroz, entre outros.
Fonte: Petronotícias
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OUTROS ENERGÉTICOS
Novo etanol entra no mercado até março de 2014, dizem pesquisadores
Data: 21 de julho de 2013  VOLTAR AO TOPO
Fábrica de Araucária, no PR, contribuiu para desenvolver etanol de celulose. Combustível é produzido com os bagaços de cana, milho e eucalipto.
Os veículos que circularem pelo Brasil a partir do primeiro trimestre de 2014 vão poder usar um novo combustível. A notícia vem de uma multinacional com sede em Araucária, na Região Metropolitana de Curitiba, no Paraná. Além do álcool e da gasolina, surge o etanol de segunda geração, que está sendo produzido para colaborar com o meio ambiente, ser mais barato e com eficiência semelhante ao etanol comum, como explicam os pesquisadores.
De acordo com um dos gerentes da Novozymes, Ricardo Blandy, este combustível é feito à base de resíduos agrícolas, como o bagaço de cana-de-açúcar e o amido de milho. “Hoje, o álcool é feito da própria cana e do próprio milho. O que sobra desses materiais, não é utilizado. Nós encontramos uma tecnologia que converte esses resíduos em combustível”, explica.
“O trabalho não é igual a produção de álcool comum”, revela o gerente de desenvolvimento e pesquisa, Thomas Rasmussen. Há 10 anos, pesquisadores têm trabalhado para desenvolver o etanol de celulose ou de segunda geração. Ele conta que foi necessário buscar na natureza um fator que pudesse reagir e transformar os resíduos em combustível, que são as enzimas.
Segundo Rasmussen, com base nisso, a empresa desenvolveu uma matéria-prima, que deve ser negociada com as usinas interessadas em fabricar o novo etanol. Por enquanto, o trabalho está sendo feito em pequena escala, apenas para experimento.
A primeira usina a começar a produzir o etanol de segunda geração em larga escala é do estado de Alagoas, no nordeste do país. “Outras quatro empresas já anunciaram publicamente que devem produzir o combustível a partir do ano que vem”, conta o gerente.
Benefícios
Os pesquisadores afirmam: o etanol de celulose possui vários benefícios. Um deles é reduzir o impacto ambiental com a reutilização dos resíduos. “O Brasil tem disponível de biomassa [resíduos de produção] um volume suficiente que seria capaz de dobrar a produção de álcool atual”, explica Blandy. Segundo ele, este material está sendo jogado no lixo por não existir indústria que o reutilize.
O gerente conta que, na safra 2012/2013, a produção de álcool comum no país foi de 22 bilhões de litros. “A vantagem é a de que o produtor não vai precisar aumentar a área de plantação e vai utilizar apenas os resíduos que sobram na usina”, esclarece. Rasmussen complementa que o custo logístico será mínimo com um incremento de 30% no resultado da produção da usina.
Com a economia, é esperado também o benefício para o consumidor. Blandy conta que o custo de produção será de 10% a 15% mais barato do que o etanol de primeira geração, o que deve refletir no preço final do novo combustível.
Outra vantagem, segundo o gerente, é a de não competir com o setor de alimentos. “Quando você planta cana-de-açúcar para produzir álcool, você está deixando de produzir açúcar ou outros alimentos baseados em glicose. Mesma coisa com o milho. Você acaba competindo com um mercado, gerando impacto na alimentação da população. Quanto mais álcool, menos alimento”, explica. A utilização total da produção tende a não causar desperdícios.
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Para o professor do departamento de Química da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Luiz Pereira Ramos, a nova tecnologia vai trazer vantagens econômicas para o Brasil. “O país tem toda a condição do mundo de ocupar um lugar muito importante no mercado exterior. Novas indústrias podem se instalar aqui”, afirma. Ramos ainda acredita que o etanol de segunda geração vai diminuir o uso de petróleo, que será utilizado para outros fins.
Sem ciclo de cana
No Brasil, a cana-de-açúcar é a principal matéria-prima para a produção do álcool. Segundo Rasmussen, como o ciclo é curto – de abril a novembro -, a empresa sugere às usinas a produzirem etanol de celulose com o bagaço de eucalipto, para não ficarem inativas. “A tecnologia é a mesma em todo o mundo. O diferencial é de que aqui é possível utilizar uma matéria-prima que pertence à própria natureza”, acrescenta.
O professor também sugere a produção do novo etanol utilizando outras fontes. “Tendo como base a celulose, você pode aproveitar o lixo, como o papelão. Além disso, é possível reutilizar resíduos agroflorestais, casca de arroz, sabugo de milho, entre outros materiais”, comenta.
Fonte: G1 Paraná


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CONSUMO DE ETANOL NO BRASIL.

Consumo de etanol no Brasil sobe 24% em junho.

Resultado sinaliza mudança de hábito que irá ajudar a diminuir o excedente de açúcar no mercado e reduzir a dependência por gasolina importada
A demanda por etanol subiu 24 por cento no Brasil em junho ante o mesmo mês do ano passado, de acordo com as distribuidoras de combustíveis, sinalizando uma mudança nos hábitos dos motoristas que irá ajudar a diminuir o excedente de açúcar no mercado global e reduzir a dependência do país por gasolina importada.
Com o excedente global de açúcar empurrando os preços para a mínima de três anos, a União da Indústria de Cana-de-açúcar (Unica) poderá reduzir sua estimativa oficial para a produção de açúcar na atual temporada das 35,5 milhões de toneladas projetadas em abril para não mais do que o volume produzido no ano passado, de 34,1 milhões de toneladas, disse nesta terça-feira o diretor técnico da entidade, Antonio de Padua Rodrigues.
Analistas esperam que a crescente demanda por etanol no mercado local absorva um volume maior de cana e reduza o excedente global de açúcar.
A oferta de etanol, que compete diretamente com a gasolina, aumentou na esteira de uma colheita recorde de cana, em andamento. A oferta reduziu os preços do biocombustível e tornou-o uma boa opção para os motoristas em termos de custo-benefício.
O movimento é benéfico para a Petrobras, que tem sofrido prejuízos com a importação de gasolina a preços mais altos do que os praticados internamente, devido ao controle de preços imposto pelo governo.
Padua disse que a previsão da Unica para a produção de etanol em 2013/14 na região centro-sul do país poderia ser elevada para 26 bilhões de litros, ante 25,4 bilhões estimados em abril.
O sindicato nacional das distribuidoras de combustíveis (Sindicom), que reúne 60 por cento das empresas do setor, disse que o consumo de etanol subiu 24 por cento para 556,6 milhões de litros em junho ante o mesmo mês em 2012 e cresceu 10 por cento ante maio.
“O etanol começou a recuperar fatia de mercado ante a gasolina”, disse à Reuters o presidente do Sindicom, Alísio Mendes Vaz, atribuindo a melhora na competitividade do biocombustível à safra abundante e à eliminação de PIS/Cofins para o setor, anunciada em maio.
O açúcar bruto em Nova York atingiu a mínima de três anos nesta terça-feira, abaixo de 16 centavos de dólar por libra-peso.
Com o adoçante em baixa, as usinas destinaram 58 por cento da cana para a produção de etanol e 42 por cento para o açúcar no mês de junho. No ano passado, 52 por cento da cana foram para o etanol e 48 por cento para o açúcar, segundo a Unica.
Padua estimou que as vendas de etanol hidratado estão em alta de 12 por cento desde o início da colheita em abril até junho, na comparação com o mesmo período no ano passado. Ele projetou que as vendas encerrarão a temporada, em março de 2014, com alta de 20 por cento ante o período anterior.
“Não é algo que acontece da noite para o dia”, disse Padua sobre a mudança dos motoristas para o etanol quando o preço do biocombustível fica abaixo de 70 por cento do preço da gasolina, considerado o ponto em que o etanol torna-se atrativo economicamente.
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Embora as exportações de etanol terem subido mais de 100 por cento entre janeiro e junho na comparação com o primeiro semestre do ano passado, segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior, Padua disse que espera que o ano termine com uma queda de 20 por cento ante os 3,3 bilhões de litros embarcados em 2012.
“A janela para exportações de etanol para os EUA irá fechar abruptamente no final do ano, quando a grande safra de milho for colhida e transformada em etanol”, disse Padua.
Fonte: Reuters


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ETANOL – Quinze grupos dominam a produção.

Quinze grupos dominam produção de etanol.

O etanol, feito de cana-de-açúcar e milho, representa hoje 82% do mercado mundial de biocombustíveis. Dominado por EUA e Brasil, que têm quase 90% da produção total, a estrutura da produção do combustível se baseia em uma rede de relacionamentos bem urdida, com forte lobby das instituições que representam os usineiros para a aprovação de regras que beneficiem a indústria. Esses relacionamentos se tornam cada vez mais importantes para essa indústria, à medida que o benefício ambiental do combustível está sendo colocado em xeque, em favor de outras opções, como o carro elétrico.

O desenvolvimento do sistema de lobby do etanol foi facilitado pelo fato de o negócio estar concentrado na mão de poucos poderosos empresários – o que abre espaço para a criação dos chamados “czares” do setor. Segundo pesquisa do New England Center for Investigative Reporting e da ONG Connectas, 15 empresas detêm o reinado da produção de etanol no continente americano. A americana ADM é a líder isolada, seguida da brasileira Copersucar e de companhias como Poet e Valero Renewable Fuels, na América do Norte, e negócios como Odebrecht Agroindustrial e Raízen, no Brasil. Em vários casos, esses negócios se baseiam na figura de um forte líder.

Foi o poder desses “czares” com as esferas mais altas do poder que assegurou ao produto uma fatia importante do mercado de combustíveis americano e brasileiro. Hoje, a mistura mínima do álcool combustível à gasolina no Brasil é de 20%, enquanto nos Estados Unidos o porcentual é de 10%. Países “emergentes” nesta indústria do etanol, como Peru e Colômbia, também já asseguraram a mistura de etanol a derivados de petróleo, na proporção de 7,8% e 8%, respectivamente.

Nos dois países que dominam atualmente o mercado de etanol, a história deste mercado começou a ser construída no início dos anos 70, época da primeira grande crise do petróleo. Os EUA, que já tinham tido algumas experiências de produção de etanol de milho nos anos 40, voltaram a flertar com a experiência, com agricultores do Nebraska pedindo ajuda do governo. Já o Brasil criou em 1975 o Proálcool, programa do governo militar para reduzir a dependência do petróleo importado.

Craig Cox, da Environmental Working Group, uma organização não governamental americana focada em saúde e meio ambiente, se opõe a políticas favoráveis ao biocombustível produzido com milho. “A indústria de etanol gasta milhões de dólares contratando lobby para expandir o uso de seu produto”, afirma. “Não estamos convencidos de que os biocombustíveis são tecnicamente ou ambientalmente uma boa opção.”

No Brasil, a indústria da cana-de-açúcar também se esmera na criação de bons relacionamentos. Nas últimas eleições municipais, os registros do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) mostram que os principais industriais de etanol do País doaram pelo menos US$ 2,7 milhões a partidos políticos – especialmente em São Paulo, líder na produção de cana no País. Copersucar e Cosan lideraram essa lista, com montantes de US$ 525 mil e US$ 422 mil, respectivamente.

O lobby do etanol também ajudou as indústrias do setor a conseguir ajuda de entidades internacionais a seus projetos, aponta a pesquisa do New England Center for Investigative Reporting e da ONG Connectas. Nos Estados Unidos, durante anos os produtores de milho foram beneficiados por uma taxa que praticamente inviabilizava a entrada de etanol estrangeiro no mercado americano. O Brasil, por sua vez, conseguiu vender bem o apelo “verde” do etanol internacionalmente. Com um montante de US$ 988 milhões, o Brasil é o principal destino de créditos de organismos multilaterais como o Banco Mundial e o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID).

Viabilidade. Mesmo com tanto apoio, o ano de 2012 foi difícil para a indústria mundial de etanol. No Brasil, por exemplo, o mercado não conseguiu produzir o suficiente para atender à demanda de mercado, obrigando o governo a ampliar drasticamente a importação do produto. Atraídas pela alta do preço do açúcar no mercado internacional, as usinas acabaram perdendo uma fatia de mercado que haviam conquistado: o governo reduziu a mistura de etanol à gasolina de 25% para 20%.

Nos Estados Unidos, a seca de 2012 – uma das piores da história, segundo o National Climatic Data Center – também afetou a indústria do etanol de milho. O Estado de Iowa concentra 28% da produção americana do combustível e não conseguiu expandir sua produção pela primeira vez em dez anos, segundo a Iowa Renewable Fuels Association (IRFA). Houve até empresas que, diante dos prejuízos, tiveram de suspender temporariamente a produção. Foi o caso da Valero Energy, que fechou temporariamente usinas no Nebraska e em Indiana. A empresa perdeu US$ 73 milhões no terceiro trimestre do ano passado.

A expectativa é que, em 2013, o mercado de etanol se recupere. No Brasil, a indústria acredita que conseguirá retornar ao patamar de 25% de mistura à gasolina. Enquanto isso, as usinas continuam a incentivar políticas que impulsionem a venda de automóveis, ao mesmo tempo em que tentam expandir seu terreno para outras áreas, como o transporte aéreo, com o apoio de companhias como British Airways, Lufthansa e Air France/KLM.

Iniciativas pontuais à parte, a incerteza sobre o futuro do etanol ainda permanece, tanto por causa de sua dependência de estímulos externos quanto pela perda de apoio ao selo “verde”, que durante anos foi uma plataforma importante de diferenciação para essa indústria.

Com muito lobby e apoio oficial nos EUA e no Brasil, o etanol se tornou a mais viável alternativa ao petróleo, mas ainda enfrenta dificuldades para se firmar.
Fonte: O Estado de S. Paulo


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JAPÃO DESENVOLVE ETANOL A PARTIR DE RESÍDUOS AGRÍCOLAS.

A japonesa Kawasaki Heavy Industries Ltd disse na quinta-feira que desenvolveu tecnologia para produzir combustível para carros a partir de resíduos agrícolas a um custo competitivo com o etanol importado, inclusive do Brasil, feito a partir de produtos alimentícios, como cana-de-açúcar.
A substituição dos combustíveis fósseis por bioetanol para automóveis pode ajudar a reduzir emissões de dióxido de carbono (CO2), substância que contribui para o aquecimento global, mas o custo de produção e a competição com fontes de alimentos reduzem o seu apelo.
Um estudo de cinco anos, subsidiado pelo governo japonês, provou que a nova tecnologia da Kawasaki Heavy, se introduzida no mercado, pode produzir etanol a partir da palha de arroz, a um custo de 40 ienes (40 centavos de dólar) por litro, disse a empresa.
Se os custos de coleta dos resíduos de palha do cultivo de arroz no Japão forem adicionados, o custo seria de 80 ienes por litro, disse um porta-voz da empresa.
Isso se compara com 80 a 100 ienes por litro para a importação de etanol do Brasil, disse um funcionário do Ministério de Agricultura do Japão.
Companhias petrolíferas japonesas atualmente usam um aditivo feito a partir do etanol brasileiro para misturar com a gasolina para ajudar o quinto maior emissor de gases de efeito estufa do mundo nos esforços de reduzir o aquecimento global.
O porta-voz da Kawasaki disse que a empresa não tem um plano específico para a produção comercial e acrescentou que a tecnologia seria competitiva em um país com recursos de biomassa amplos, com custos trabalhistas mais baixos, como o Brasil e nações do Sudeste Asiático.
O governo japonês é mais cauteloso sobre as perspectivas para essa tecnologia.
Quando o Ministério da Agricultura traçou planos para a tecnologia de produção de bioetanol, em setembro, disse que levaria cerca de cinco anos antes que a produção comercial de etanol a partir de produtos não-alimentícios fosse economicamente viável.
Fonte: Reuters


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O PACOTE DO ETANOL.

O pacote de apoio ao etanol

Autor: 

Coluna Econômica

A crise do etanol tem razões distintas.

Alguns anos atrás, o etanol se tornou a grande bandeira nacional. A competitividade perante o petróleo, os pesados investimentos feitos no país – inclusive por grandes petroleiras internacionais – permitiam apostar em um grande mercado global, concorrente dos combustíveis fósseis, no qual o Brasil fosse a força dominante.

A Única ganhou expressão internacional, assim como seus Summits. E discutiu-se bastante a montagem de políticas industriais que juntassem usineiros, fabricantes de bens de capital, a tecnologia agrícola brasileira, na conquista de mercados de outros países que, descentralizando a produção, facilitassem a criação de um mercado global.

Nos últimos anos, em vez da conquista do mundo, sobreveio uma enorme crise no setor. Os investimentos no setor, que chegaram a US$ 6,4 bilhões em 2008, desabaram para US$ 250 milhões no ano passado.

Um dos problemas enfrentados pelo etanol foi o congelamento do preço da gasolina, que se manteve congelado por bom período. Com os carros flex, a gasolina acabou ocupando o lugar do etanol.

Houve também aumento dos custos agrícolas e problemas com o tempo que reduziram a produção.

Há um problema adicional, no fato da maior parte das usinas produzir tanto açúcar quanto etanol. Cria-se uma arbitragem complexa. De um lado, os preços do açúcar, definidos internacionalmente; do outro, o preço da gasolina, definida pela Petrobras, e que serve de teto para o etanol. Quando os preços internacionais de açúcar superam o teto do preço do etanol, as usinas redirecionam a cana para o açúcar.

Com todos esses problemas, a redução do consumo de etanol significou um aumento expressivo do consumo de gasolina, pressionando a balança comercial – já que obrigou à importação do combustível.

Ontem foram anunciadas diversas medidas destinadas a resolver os problemas atuais do setor.

Entre elas:

  1. Elevação do percentual de mistura do etanol na gasolina, de 20 para 25%.
  2. Zerar o PIS e o Cofins do etanol, que hoje representam R$ 0,12 por litro.  O objetivo, aí, é aliviar o caixa das empresas e estabelecer uma relação mais paritária com a gasolina.
  3. Redução de 9,5% para 5,5% ao ano na taxa de juros anual do Pró-Renova, financiamento para a renovação dos canaviais. No ano passado, o Pró-Renova ofertou R$ 4 bihões em recursos, com desembolso de R$ 1,3 bilhão. Este ano, a oferta sera a mesma.
  4. Redução de 10% para 7,7% nas linhas para investimento em estocagem de etanol.

 Os incentivos surgem em um momento em que espera-se uma safra melhor, com expansão de 8% na área plantada e projeção de 16% a mais na produção de etanol.

Mas a Fazenda continua desperdiçando oportunidades com seus sucessivos pacotes de bondades. Era hora de articular uma agenda maior, com definições claras do seu papel na matriz energética; definir estratégias conjuntamente com as entidades do setor, de maneira a destravar os investimentos.

Depois, soltar as benesses como corolário desse trabalho.

Mas insiste-se nas medidas soltas e pontuais.