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PLATAFORMAS – CONTEÚDO LOCAL

Petrobras – Fatos e Dados

CONTEÚDO LOCAL EM PLATAFORMAS: ESCLARECIMENTO À AGÊNCIA ESTADO

A respeito da matéria veiculada pela Agência Estado em 22/02/13 sob o título “Petrobras recorre a serviços na China para evitar atrasos na produção” (Parte1 e parte2), a Petrobras esclarece que:
– A realização de obras das plataformas P75, P76, P77 (Cessão Onerosa) e P67 (FPSO Replicante) na China não implicará em descumprimento das regras ou dos percentuais de conteúdo local estabelecidas nos contratos. A maior parte dos serviços será executada nos estaleiros nacionais. Os serviços a serem realizados na China representam menos de 3% do valor total dos contratos para construção dos 4 FPSOs da Cessão Onerosa e dos 8 FPSOs Replicantes. No caso dos 8 FPSOs Replicantes, apenas metade (50%) de um dos cascos contratados será construída na China.
– Além da P-74, todos os demais cascos para a Cessão Onerosa (P-75, P-76 e P-77) virão para o Brasil, para continuação das obras de conversão e posterior integração no país com os módulos, que estão sendo contratados.
– Em relação ao edital de licitação para conversão dos cascos para a Cessão Onerosa, este não impedia que, respeitados os requisitos de conteúdo local, parte do escopo fosse executada no exterior, a critério da contratada. A proposta vencedora, respeitando o conteúdo local exigido, foi 30% menor que a do segundo colocado.
– Não existem negociações em andamento para realização de outros serviços na China relativos aos cascos dos FPSOs Replicantes ou da Cessão Onerosa.
– A Petrobras não decidiu afretar FPSOs para utilização na Cessão Onerosa. A Petrobras não está negociando afretamento de FPSOs com conteúdo local zero. Desde 2010 a Petrobras vem exigindo que os FPSOs afretados atendam requisitos de conteúdo local similares aos praticados para as unidades próprias.
A Petrobras reafirma seu compromisso com o conteúdo local e com o desenvolvimento da indústria naval brasileira. A Companhia vem investindo fortemente nas obras de construção do Estaleiro Rio Grande e na revitalização do Estaleiro Inhaúma, que se encontrava desativado há mais de 10 anos.
O índice de conteúdo local contratado é imutável e a Petrobras não cogita alterá-lo.


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AÇÕES DA PETROBRAS

Diferença entre ações PN e ON da Petro não durará muito tempo, diz Planner

De acordo com Planner Corretora, mercado precificou exageradamente diferença no pagamento de dividendos; em 2014, situação deverá melhorar e governo não deve ser prejudicado por muito tempo

Por Lara Rizério

SÃO PAULO – Com a surpresa do mercado em relação ao pagamento de dividendos, as ações ordinárias da Petrobras (PETR3) passaram, pela primeira vez em 13 anos, a custar menos do que os ativos preferenciais (PETR4) da companhia. Isso acontece por conta da diferença entre o dividendo muito menor a ser pago para os ativos ON, de R$ 0,47, ante R$ 0,96 por preferencial, mas essa disparidade não deve permanecer por muito tempo.

Desde o dia 4 de fevereiro – dia de divulgação do resultado e do pagamento de dividendos – até o fechamento do pregão desta quarta-feira (20), as ações PETR3 caíram 11,88%, atingindo os R$ 15,95, ante R$ 18,00 na véspera da divulgação dos dividendos. Enquanto isso, os ativos PETR4 tiveram leve alta no mesmo período, passando de R$ 18,00 para R$ 18,10, com ganhos de 0,55%.

Entretanto, esta diferença não deve se sustentar por muito mais tempo, de acordo com a Planner Corretora. “Não cremos que as ONs devam custar mais que as PNs, mas a diferença atual superior a R$ 2 entre as ações, de 12%, não nos parece justificável”, avalia o analista Luiz Caetano, em relatório. De acordo com ele, esta diferença entre as cotações é muito maior do que o diferencial dos dividendos, o que indica que o mercado vê as preferenciais recebendo proventos bem maiores por um longo período.

Diferença entre ações PN e ON irá diminuir, afirma analista (Tânia Rêgo/ABr) Contudo, Caetano discorda desta perspectiva, ressaltando que a diferença entre os pagamentos de dividendos das ações não se dará por muitos exercícios. Entre os motivos apontados para a queda dos dividendos dos papéis ON, está a economia de caixa da Petrobras ao pagar um menor valor.

A expectativa é de que a Petrobras tenha economizado R$ 3,6 bilhões ao pagar menos proventos, “o que faz todo o sentido para a companhia neste momento difícil”. Porém, a projeção é de dias melhores para a petrolífera a partir de 2014, o que não tornaria justificável a continuidade de pagamentos de baixos dividendos para os papéis PETR3.
Governo não será prejudicado por muito tempo

Outro motivo apontado pelo analista é o fato de que, quando a Petrobras paga menos dividendos para os detentores das ações ordinárias, o maior prejudicado é o governo, uma vez que ele é o controlador da companhia ao deter 60,5% dos papéis ON.

Como o governo conta obviamente com estes dividendos para melhorar o seu orçamento, a expectativa de Caetano é de que o governo não deva renunciar a tão necessários recursos por um período longo de tempo. A projeção da Planner Corretora é de que a União tenha deixado de receber R$ 1,8 bilhão pela diferenciação de dividendos no exercício de 2012. “Assim, insistimos que não vemos as PETR4 custando mais que PETR3 por um longo período”, finaliza.
Fonte:Infomoney


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GABRIELLI SE MANIFESTA SOBRE CRÍTICAS À PETROBRAS

Até que enfim o ex-presidente resolveu se manifestar, ele que tem sido citado em vários artigos nos quais a Petrobras vem sido atacada, às vezes, de maneira irresponsável.

Por Lara Rizério

SÃO PAULO – Em meio aos diversos problemas que a Petrobras (PETR3;PETR4) vêm enfrentando, o ex-presidente da gigante petrolífera, atual ministro do Planejamento da Bahia e candidato do PT (Partido dos Trabalhadores) à sucessão ao governo da Bahia, José Sérgio Gabrielli, minimizou a situação crítica passada pela companhia.

De acordo com o jornal “O Estado de São Paulo”, na chegada ao evento comemorativo dos dez anos do PT, Gabrielli afirmou que a companhia enfrenta um problema de curto prazo e que as críticas feitas à gestão não têm embasamento, sendo “mais espuma do que realidade”.

Segundo ele, a Petrobras passa por um problema de curto prazo, uma vez que “investe muito”. Assim, a teoria de que ela estaria descapitalizada é “uma falsa polêmica”, já que os problemas de caixa enfrentados ocorrem devido ao investimento feito para a ampliação da capacidade de refino, afirmou.
Gabrielli, quando era presidente da Petro: agora, ele ressalta que problemas são de curto prazo (Divulgação Petrobras) Gabrielli, quando era presidente da Petro: agora, ele ressalta que problemas são de curto prazo (Divulgação Petrobras)

O ex-presidente da Petro defendeu a construção de novas refinarias de modo a suprir os gargalos do setor de combustíveis no País, que é atender o crescimento da demanda por gasolina, diesel e óleos. Ele rebateu as críticas do mercado financeiro com relação às margens menores de investimento em refino sobre os de produção de petróleo.

“Companhia toma decisões corretas”
Segundo ele, a decisão da companhia é correta, mesmo que o mercado financeiro ache um problema, uma vez que o que dá mais lucro é o petróleo. “A Petrobras é uma petroleira, mas também é produtora de derivados e para isso precisa da refinaria”, afirmou.

Gabrielli defendeu ainda o reajuste dos preços de gasolina e diesel, mesmo com a posição contrária do governo. Vale ressaltar que, no final de janeiro, a petrolífera anunciou um aumento de 6,6% para os preços da gasolina e de 5,4% para o diesel nas refinarias, ajuste considerado baixo pelo mercado. Entretanto, de acordo com o ex-presidente, a política de preços de longo prazo é estabilizadora e cria, às vezes, problemas de caixa da empresa.
Fonte:Portal Infomoney


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PROGRAMA PROGREDIR: OFERTA DE CRÉDITO PARA FORNECEDORES DA PETROBRAS

O Programa Progredir, que viabiliza a oferta de crédito com maior agilidade e a custo reduzido para fornecedores e subfornecedores da Petrobras e de suas subsidiárias, ultrapassou a marca de mil operações. Desde junho de 2011, os dez bancos que integram a iniciativa emprestaram R$ 5,2 bilhões a 450 empresas, localizadas em 21 estados do país. O valor médio dos financiamentos é de R$ 5 milhões.

Em 2012, houve crescimento significativo no número de operações de financiamento realizadas por meio do portal do programa, que conta com uma elevada taxa de sucesso na obtenção de recursos. Das empresas que buscaram financiamento pelo Progredir, 85% obtiveram êxito.

Sobre o Progredir

O Progredir permite que empresas integrantes da cadeia de suprimentos da Petrobras e subsidiárias obtenham empréstimos junto aos bancos parceiros (Banco do Brasil, Bradesco, Caixa Econômica Federal, Itaú, HSBC, Santander, BicBanco, Banrisul, Citibank e Safra), tendo como garantia os contratos de fornecimento de bens e serviços assinados com a Companhia.

Como as solicitações de financiamento são enviadas por meio do Portal Progredir simultaneamente aos dez bancos participantes, há aumento da competitividade entre os bancos. Esse fator, somado à maior transparência das informações e à segurança, tem como consequência redução do custo financeiro para o fornecedor. A redução do custo dos empréstimos varia de 20% a 50%.

O programa está baseado na concessão de crédito lastreado nos recebíveis dos contratos de bens e serviços firmados entre os participantes da cadeia de suprimentos e a Petrobras ou subsidiárias. Assim, qualquer fornecedor ou subfornecedor da Companhia está apto a integrar o Progredir e poderá antecipar uma parcela dos seus recebíveis por meio dos bancos parceiros do programa.

Para saber mais sobre o Programa Progredir e conhecer o passo a passo para que o fornecedor ou subfornecedor obtenha financiamento, acesse http://www.progredir.petronect.com.br


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REFINO – Respostas da Petrobras à FSP

REFINO: RESPOSTAS À FOLHA DE S. PAULO

Leia a matéria “Nova greve complica refino da Petrobras” (versão online), publicada nesta quinta-feira (14/02) na Folha de S. Paulo, e as respostas enviadas ao jornal.

Pergunta: Estamos preparando uma matéria sobre o segmento de refino da Petrobras e gostaríamos de esclarecer as seguintes dúvidas. Quais foram os motivos para o atraso nas obras das refinarias Abreu e Lima, de Pernambuco, e Comperj, no Rio de Janeiro?

Resposta: Diversos fatores contribuem para variações de prazo, como contingências técnicas, greves, condicionantes ambientais e urbanas e intempéries climáticas, entre outros. Em relação à Abreu e Lima, a obra sofreu impacto das chuvas acima do previsto e dificuldade de obtenção de mão de obra qualificada, além de greves. No Comperj, as principais questões enfrentadas até o momento dizem respeito a greves e processos de desapropriações para implantação do acesso de equipamentos especiais. No entanto, os cronogramas são constantemente monitorados e analisados, gerando ações para correção dos desvios.

Pergunta: Qual era o valor dessas unidades inicialmente e quanto custarão agora?

Resposta: No início das obras, a previsão de investimento inicial era de US$ 13,4 bilhões para a Abreu e Lima e de US$ 8 bilhões para o Comperj. As estimativas atuais de investimento total são de US$ 17,1 bilhões para Abreu e Lima e US$ 12,7 bilhões para o Comperj.

Pergunta: Qual o motivo do aumento do custo?

Resposta: As estimativas de custos iniciais foram realizadas levando em consideração o contexto da época em que estes empreendimentos foram programados. As primeiras estimativas são feitas com base em projetos preliminares, e os custos finais podem exceder aqueles que foram previstos inicialmente. Alguns dos fatores que contribuíram para esse novo patamar de investimento foram variação cambial, maior nível de detalhamento da infraestrutura dos empreendimentos, aquecimento do mercado, alterações de projeto em função de exigências ambientais, entre outros.

Pergunta: Como está o processo de avaliação das refinarias Premium I e II? O que está sendo feito? Quando elas devem sair do papel?

Resposta: As refinarias Premium I e II estão no Plano de Negócios e Gestão (carteira em avaliação), com cronogramas compatíveis com a fase em que se encontram e estudos em andamento para alinhamento dos custos às métricas internacionais e adequação das condições de financiabilidade da carteira de investimentos da Petrobras.

Pergunta: Analistas criticam o fato das refinarias Premium I e II não serem mais para exportação e continuarem previstas para o Maranhão e o Ceará, longe dos principais centros de consumo, argumentando que o melhor lugar seria o Centro-Oeste. Por que foram escolhidos os dois Estados? É possível a Petrobras mudar a localização?

Resposta: Conforme consta no Plano de Negócios e Gestão, a localização das duas refinarias está mantida nos estados do Maranhão e do Ceará. A escolha das localidades foi baseada em critérios técnicos e econômicos que se mostram vantajosos para os negócios da Companhia.

Pergunta: Quando termina a fase de avaliação das refinarias Premium I e II?

Resposta: Já respondida no item 4.

Pergunta: A refinaria no Rio Grande do Norte, no pólo de Guamaré, está próxima de uma área que, segundo dados da Companhia de Pesquisa de Recursos Mineral, sofre forte erosão, o que poderá no longo prazo comprometer a segurança da unidade. Vocês confirmam essa informação? O que a empresa pensa em fazer para solucionar o problema?

Resposta: A Refinaria Potiguar Clara Camarão – RPCC está situada a cerca de 4,5km da praia, sobre a formação geológica denominada Formação de Barreiras. Não existem problemas de erosão na área dessa Unidade, portanto não há qualquer ameaça à sua segurança.

Fonte: Blog da Petrobras – “Fatos e Dados”


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O JOGO SUJO NEOLIBERAL NA CAMPANHA CONTRA A PETROBRAS.

Há uma pergunta que não é feita, na recente onda de avaliações negativistas sobre o desempenho da Petrobras em 2012: qual é o papel de uma empresa estatal de infraestrutura do porte petroleira brasileira?

O alarmismo dos jornalões conservadores, dos comentaristas “econômicos” ligados à especulação financeira e dos consultores de investimentos descreve em cenário quase falimentar para a Petrobras. Equiparam os lucros menores alcançados em 2012 a um prejuízo que não ocorreu. A realidade é inversa; embora tenha ficado 36% abaixo da expectativa, a Petrobras teve lucro de R$ 21,2 bilhões, o que não é pouco.

Em entrevista coletiva nesta terça-feira (5) a presidenta da estatal, Maria das Graças Foster, referiu-se aos problemas enfrentados em 2012 e que, em sua avaliação, persistirão neste primeiro semestre. O recuo nos lucros em 2012 resultou, disse, do “aumento da importação de derivados a preços mais elevados, pela desvalorização cambial, que impacta tanto nosso resultado financeiro como nossos custos operacionais, pelo aumento de despesas extraordinárias como a baixa de poços secos e pela produção de petróleo” que, embora dentro da meta “foi de 1.980 mil barris por dia no Brasil, 2% inferior à de 2011”. Em sua avaliação, a produção de 2013 ficará no mesmo patamar de 2012, mas vê perspectiva de crescimento com a entrada em operação, no segundo semestre, de seis novas plataformas de extração de petróleo.

As avaliações sobre a saúde financeira da Petrobras fazem parte de um jogo que envolve um conjunto contraditório de interesses financeiros, especulativos e mesmo ideológicos.

O foco dos jornalões e seus comentaristas tem sido a contenção, pelo governo, do preço da gasolina para impedir o crescimento da inflação no ano passado. Chamam isso de “interferências do governo na gestão da Petrobras”.

A queda no lucro em 2012 não pode ser negligenciada; ela gera um problema para os acionistas privados da Petrobrás; a União é dona de 50,26% das ações ordinárias, com direito a voto, tendo, portanto, o controle da empresa; acionistas privados são donos de 39,6% dessas ações e, ganham menos do que esperavam. A presença do capital privado é muito maior entre os acionistas preferenciais, que não têm direito a voto, mas são privilegiados na distribuição dos dividendos e na devolução do capital, quando for o caso. Eles são donos de 73% do total destas ações. A direção da Petrobras decidiu pagar dividendos de 47 centavos de real para cada ação ordinária, menos da metade do que vai pagar para as ações preferenciais (97 centavos).

Esta redução nos lucros dos acionistas explica parte do “problema” gerado pelo desempenho em 2012 – embora a Petrobras tenha tido um lucro líquido que supera os R$ 20 bilhões (correspondendo a 9% do de seu valor de mercado calculado pela Corretora Economatica), o ganho é bastante inferior ao esperado pelos investidores. Eles podem perder dinheiro se ficarem atemorizados pelo noticiário alarmista: compraram ações a um preço que correspondia a uma expectativa de lucro mais alta e, agora, são induzidos a vendê-las a preços mais baixos.

Há inclusive analistas que se referem a especulações que acompanham este movimento: existem aplicadores que torcem pela criação de um clima pessimista para induzir muita gente a vender suas ações, permitindo aos espertalhões comprá-las na baixa, para acumular a possibilidade de maiores lucros futuros.

Essa possiblidade é concreta devido aos reconhecidamente sólidos “fundamentos” da Petrobras que podem levar à recuperação no preço de suas ações em médio e longo prazos.

A Petrobras é uma empresa que não corre o risco de quebrar, muitos dizem. Ao contrário, a perspectiva promissora ancora-se no cenário de crescimento da Petrobras, cujo tamanho pode dobrar nos próximos anos.

Contra os pessimistas de plantão pode-se argumentar que a Petrobras vive dores de crescimento e, na verdade, se fortalece. Sua lucratividade da estatal vem crescendo; nos três últimos meses de 2012 teve lucro de R$ 7,7 bilhões, muito acima dos 5,22 bilhões esperados pelos analistas, e 53% mais alto do que o registrado no mesmo período em 2011. Quase 80% do lucro no final de 2012 (6,12 bilhões) foi operacional, muito acima do lucro financeiro (1,6 bilhões).

Contrapondo-se às análises catastrofistas, é preciso registrar – ao lado da queda de 36,3% no lucro líquido de 2012 – os resultados positivos do ano. A receita líquida foi de R$ 281,3 bilhões, 15% maior do que a de 2011, que ficou em R$ 244,1 bilhões. O valor alcançado em 2012 não é negligenciável e pode relativizar outro problema real, o salto de 43% na dívida líquida, que chegou a R$ 147,817 bilhões (que corresponde a pouco mais da metade da receita líquida alcançada no ano), e que a presidenta da Petrobras prevê que vai continuar crescendo em 2013, pois a estatal precisa garantir os investimentos programados para 2013, na altura de R$ 97,7 bilhões.

Outro ponto positivo foi o cumprimento da meta de produção para 0 ano de 2012, de 1,98 milhão de barris por dia de óleo e gás natural.

O caráter ideológico da campanha contra a Petrobras foi registrado com clareza num editorial onde o jornal O Globo defendeu os sócios privados da estatal. A grande parcela de acionistas privados da empresa reforça suas obrigações com o “mercado”, disse o diário da família Marinho. “Não fosse assim, seu capital deveria ser fechado, para que pudesse prestar contas somente à União”, criticou.

Este é o ponto e ajuda a responder à pergunta formulada no início destas reflexões. O papel de uma empresa controlada majoritariamente pelo governo é remunerar o capital privado investido em suas ações ou ser instrumento de política econômica?

Para o dogma neoliberal impõe o respeito sacrossanto aos interesses do capital – é a ele que a empresa deve prestar contas, e não à sociedade através de seu instrumento, o governo. São os interesses privatistas que devem prevalecer, pensam.

Na série de governos inaugurada por Luiz Inácio Lula da Silva em 2003, o pensamento que prevalece é outro. O governo e o Estado têm um papel essencial no fomento e apoio ao desenvolvimento e, nesse sentido, devem intervir na economia. E empresas do porte da Petrobras são ferramentas insubstituíveis para isso. É necessário que as empresas do governo, ou controladas por ele, intervenham na formação dos preços, no aumento da oferta de bens e de crédito, na redução dos juros, na criação das condições para o crescimento econômico e o desenvolvimento. E legítimo, e necessário, usar uma empresa como a Petrobras para segurar o preço dos combustíveis e conter a inflação!

O noticiário alarmista não passa de uma campanha para, enfraquecendo a Petrobras, atingir também o governo da presidenta Dilma Rousseff, acusou o deputado federal Fernando Ferro (PT-PE). Trata-se de “uma crítica desonesta, um mau jornalismo, que não ajuda a democracia e muito menos o povo brasileiro”.


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“HÁ INTERESSES POLÍTICOS EM DESVALORIZAR A PETROBRAS” diz consultor.

 

“Existe um interesse político, de quem já quis privatizar a Petrobras, de diminuir os investimentos na empresa e assim, enfraquecê-la, mas há também uma vontade de quem quer comprar ações mais baratas. Sempre vão ter aqueles que vão acreditar nesse discurso, de que a Petrobras tá indo mal, e vender seus papéis”.
A análise, na contramão de tudo o que vem sendo falado com relação à estatal brasileira do petróleo, é do engenheiro Ivo Pugnaloni, investidor na empresa e consultor da Enercons para o setor de energia.

A empresa fechou o ano de 2012 com lucro de R$ 21,18 bilhões, o menor dos últimos oito anos. Com isto, os investidores, que viram os dividendos serem reduzidos em 3%. Se não bastasse, a própria presidente, Graça Foster, em entrevista admitiu que o ano de 2013 ainda será de dificuldades. Tudo junto fez com que as ações da estatal atingissem, na terça-feira (5) o seu menor patamar desde 2005, fechando o pregão em queda de mais de 8,29%. Nesta quarta-feira (6) a queda continuou: 2,65%.

Processo de desvalorizar a empresa

Nada disto, porém, assusta Pugnaloni. Para ele, o corte de dividendos servirá para melhorar a capitalização da Petrobrás.

“A empresa tem uma demanda de investimento muito grande para os próximos anos, tanto para o fornecimento de gás, por exemplo, que em momentos de insegurança energética como o que aconteceu agora pode ser fundamental, mas também para o desenvolvimento de energias renováveis, de exploração do pré-sal. A importância da Petrobras para o Brasil é inegável”, lembra o especialista.

Para ele, o desespero dos acionistas é exagerado e desnecessário, pois o processo atual, de corte no lucro dos acionistas para aumentar a capitalização, é natural e importante para a Petrobras. Pugnaloni detecta um movimento para tentar diminuir o valor e a imagem da estatal e assim, lucrar na compra das ações a preços mais baixos.

Importância indiscutível

A importância da Petrobras na economia brasileira, segundo o engenheiro, é fundamental. “A Petrobras é tudo, por isso que, para quem não pensa no Brasil, ela precisa ‘ser destruída’. Não só na questão energética, que a sua presença é indiscutível, mas também na produção de tecnologia, projetos, energia e pesquisa, não tem como discutir”, destaca.

O especialista aproveitou ainda para criticar a Aneel, por atrasar a liberação de obras de infra-estrutura energética, como a construção de novas hidrelétricas. “Se a gente depender deles, não construiremos nada. Mais um motivo para apoiarmos a capitalização da Petrobras”, conclui.”


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GEOPOLÍTICA -CHINA GARANTIU FORNECIMENTO DE PETRÓLEO BRUTO BRASILEIRO E VENEZUELANO.

Isto através, no caso do Brasil, da linha de crédito de US$ 10 bilhões aberta pelo Banco de Desenvolvimento da China para a Petrobras. No que diz respeito a Venezuela, a linha de crédito é de US$ 12 bilhões, envolvendo a troca de produtos chineses por petróleo venezuelano. É o que mostra o artigo a seguir.

 

Beijing multiplica presença econômica na região e seria alternativa a EUA e Europa. Mas velhos desequilíbrios marcam as novas parcerias Por Christophe Ventura | Tradução: Inês Castilho A América Latina poderia converter-se, nos próximos anos, numa “plataforma extraterritorial” da China, cuja função seria permitir a esta última assegurar e ampliar suas exportações – notadamente nos setores de eletrônica, indústria automobilística e têxtil – para os mercados norte-americanos, europeus e latino-americanos? Este risco seria ainda mais claro num cenário em que há tendência irreversível ao aumento dos salários chineses, ao encarecimento de seus produtos? As hipóteses acima foram suscitadas pela Comissão Econômica da ONU para a América Latina e o Caribe (Cepal), em um relatório recente, dedicado ao estudo das relações entre a China e a América Latina e Caribe1. Um estudo da evolução quantitativa e qualitativa dos investimentos diretos externos (IDE) feitos pela segunda potência econômica mundial na América Latina, entre 2003 e 2009, reforça essa análise. As economias latino-americanas recebem agora 13% do total dos IDE da China no mundo2. Isso representa um montante estimado em 31 bilhões de dólares. Ainda que 90% desses IDE dirijam-se aos setores bancários de dois paraísos fiscais notórios – as Ilhas Cayman e os Ilhas Virgens Britânicas – a Cepal indica que, durante esses seis anos, 24 bilhões de dólares teriam sido diretamente investidos pelas empresas chinesas nos setores de recursos naturais, da indústria e dos serviços na América Latina. Participação em companhias latino-americanas e acordos de cooperação entre regiões chinesas e países latino-americanos asseguram às empresas chinesas uma penetração crescente nas economias latino-americanas. O México e os países do Mercosul (Argentina, Brasil, Paraguai, Uruguai) constituem a principal base para atividade produtiva de empresas chinesas na América Latina. Destacam-se os setores de produtos manufaturados, da eletrônica, automobilístico e de telecomunicações. “A porta de entrada na Argentina, Brasil, México e Uruguai deve ser vista como primeira etapa para organizar um avanço futuro em direção aos mercados dinâmicos constituídos pela Área de Livre Comércio da América do Norte (Nafta) e o Mercosul, informa o relatório. Desde já, 50 mil empregos dependeriam diretamente dos investimentos chineses na economia real latino-americana. Por que escolher a América Latina como potencial “plataforma extraterritorial”? O setor de eletrônica oferece uma imagem emblemática dessa estratégia. Segundo a Cepal, três fatores explicam a atração exercida pela América Latina sobre os investidores chineses: “1. A demanda interna (chinesa) é fragilizada pela concorrência no próprio território nacional; os lucros diminuíram, levando os empreendedores do setor a buscar novos mercados na América Latina, onde uma classe média emergente está em expansão. 2. Diversos países da América Latina passaram a adotar medidas antidumping contra produtos fabricadas na China. Estabelecer uma unidade de produção na região pode ajudar os empresários chineses a atenuar os conflitos comerciais. 3. Os empresários chineses não são atualmente capazes de estabelecer unidades de produção nos países desenvolvidos; esta é a razão por que a América Latina e a África tornaram-se zonas de destino importantes para seus IDE.” Por sua vez, os IDE latino-americanos na China – e portanto a inserção das empresa da região na economia produtiva no país – continuam muito marginais. Os sete países que mais investem na China (Argentina, Brasil, Chile, México, e em menor medida, Colômia, Peru e Venezuela) contribuem com menos de 0,1% do total de IDE naquele país. Isso representa um montante acumulado de apenas 70 a 80 milhões de dólares… Qual o retrato da relação comercial entre entre a América Latina e a Ásia? Em 2009, o volume do comércio bilateral entre as duas regiões elevou-se a 120 bilhões de dólares. As exportações latino-americanas (largamente constituídas por matérias-primas e produtos primários) para a Ásia representavam um total de 103 bilhões de dólares, ou 15% do total de exportações da região. Por sua vez, o mercado norte-americano recebia 42% das exportações latino-americanas e a União Europeia, 14%. Vale notar que a China absorve quase a metade das exportações latino-americanas para a Ásia. Segundo a Cepal, o Império do Meio poderá, tornar-se, já em 2014, o segundo mercado mais importante para as exportações da região, desbancando a União Europeia. No caso do Brasil, a Ásia converteu-se, já no primeiro semestre de 2012, no principal destino das exportações – 27,8% do total. A China, sozinha, importou no período 14,3% das vendas externas do país e se tornou seu principal parceiro comercial. Como parte deste mesmo movimento, o perfil geral do comércio entre a América Latina e a Ásia modificou-se na última década. A China ultrapassou o Japão, como principal parceiro asiático dos países latino-americanos; e agora, os seis países membros da Associação das Nações do Sudeste da Ásia (Asean) [Filipinas, Indonésia, Malásia, Singapura, Tailândia e Vietnã] disputam com a Coreia do Sul o lugar de terceiro parceiro. O comércio sino-latino-americano é marcado por sua natureza desequilibrada. Os países latino-americanos são essencialmente exportadores de produtos primários e matérias-primas de baixo valor agregado (soja, ferro, cobre, petróleo etc.), enquanto a China exporta seus produtos manufaturados (têxteis, papel, automóveis, produtos eletrônicos e tecnológicos etc.). A China tornou-se um mercado de exportação chave para seis países: Argentina, Brasil, Chile, Costa Rica, Cuba e Peru. Entre 2005 e 2008, cinco países latino-americanos eram, sozinhos, responsáveis por 86% das exportações da região para a China: Brasil (33%), Chile (25%3), Argentina (12%), México (9%), Peru (7%). Ao mesmo tempo, Argentina, Brasil, Chile, México, República Dominicana, Paraguai e Peru4 tornaram-se mais dependentes da China para suas importações. Entre 2000 e 2009, a parcela chinesa no total das importações argentinas passou de 4,6% para 12,4% (as importações provenientes dos Estados Unidos recuaram, no mesmo período, de 18,9% para 13,2% do total; e as europeias, de 23,5% para 16,8%). No Brasil, a tendência é a mesma: suas importações da China representam 15,2% das compras externas totais (eram 2,2% em 2000), enquanto que as importações provenientes dos Estados Unidos passaram de 23,3% para 14,5%. No México, apenas 2,2% do total importado vinha da China, em 2000; mas a taxa subiu para 13,9% em 2009. Ao mesmo tempo – e isso é histórico – a parcela das importações mexicanas provenientes dos Estados Unidos despencou de 71,2% para 48,1% e a da União Europeia, de 8,4% a 11,7%. Em valores, o México é o principal importador de produtos manufaturados chineses. Ela garante 48% do total de compras provenientes da China na região, seguida pelo Brasil (20%), Argentina e Chile (6% para cada um). A nova estratégia de expansão da China na América Latina é facilitada pelas economias mais dinâmicas do subcontinente. Estas necessitam do mercado chinês para suas exportações de matérias-primas. É o caso especialmente da Argentina e do Brasil que, contrariamente ao México e aos Estados Unidos, reconheceram a China como “economia de mercado”. A estratégia de Beijing baseia-se também na busca de assinatura de acordos de livre comércio. Entre 2006 e 2010, a China assinou três: com o Chile, o Peru e a Costa Rica. Os planos envolvem ainda estabelecimento de acordos de cooperação entre Estados, notadamente no setor petrolífero. Em 2009, o Banco de Desenvolvimento da China (BDC) abriu uma linha de crédito de 10 bilhões de dólares para a Petrobras, em troca da garantia de fornecimento de petróleo bruto.  Além disso, a petroleira chinesa Sinopec adquiriu, em 2010, 40% do capital da filial brasileira da Repsol, a principal exploradora de petróleo espanhola. Ao mesmo tempo, China e Venezuela estabeleceram um Fundo de Desenvolvimento Comum que hoje alcança 12 bilhões de dólares. Os dois países estão igualmente ligados por um acordo que prevê uma troca de produtos chineses por petróleo venezuelano. O Equador firmou um contrato semelhante, envolvendo 1 bilhão de dólares. A China tornou-se membro oficial do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), com objetivo de converter a instituição num grande instrumento da cooperação financeira sino-latino-americana. Beijing também é parte do Banco de Desenvolvimento do Caribe (BDC). Enfim, as autoridades chinesas contam com uma política diplomática ofensiva e dispõem de 21 embaixadas e seis consulados na região. Somente 15 desses 21 países dispõem de representação diplomática na China. O relatório da Cepal conclui: “a taxa de crescimento econômico elevada (na China) e o processo de reconversão industrial das regiões rurais do país engendram um aumento da necessidade de infraestrutura e energia, assim como de alimentos. Essa situação é um poderoso motivo de aproximação com os países latino-americanos exportadores de recursos naturais.  A China tem, igualmente, necessidade de assegurar o livre acesso de suas exportações na região e de ser aí reconhecida como “economia de mercado” (…). Nesse quadro, ela deve abrir um espaço para a assinatura de acordos comerciais na América Latina, a fim de garantir acesso preferencial a seus produtos nesse mercado. E isso de maneira a não perder em competitividade face aos produtos norte-americanos – resultado de acordos de livre comércio bilateral assinados por esses últimos na região – ou europeus, antecipando negociações da União Europeia com o Mercosul e a Comunidade Andina de Nações (CAN).” Na reconfiguração constante do comércio internacional, em meio à globalização econômica e financeira, o comércio entre países do chamado Sul Global intensifica-se e representa parte cada vez mais significativa das trocas comerciais no planeta. O comércio Sul-Sul representava 6% do comércio internacional em 1985, para alcançar 24% em 2010. Desse total, 85% das trocas ocorrem entre os próprios países asiáticos, ou entre eles e outros países do Sul. Embora participe desse importante movimento global, a América Latina continua largamente prisioneira de uma integração à economia internacional pelo aumento da “primarização” de sua economia. Sua relação com a China confirma essa tendência. – Christophe Ventura é cientista político e integrante da rede internacional Memória das Lutas — Medelu (www.medelu.org) – 1 “China e América Latina / Caribe – Rumo a uma relação econômica e comercial estratégica”, Osvaldo Rosales e Mikio Kuwayama, Cepal, 2012 (http://www.eclac.org/publicaciones/xml/9/46259/China_America_Latina_relacion_economica_comercial.pdf) 2Segundo o fundo de investimento A Capital, citado pelo Le Monde (9/6/2012), os investimentos diretos externos da China somariam 68 bilhões de dólares em 2011. 43% deles seriam dirigidos à América Latina, o que tornaria a região o primeiro destino de tais capitais. O fundo estima que a soma poderia chegar a 800 bilhões de dólares em 2016. 3 O couro tornou-se o principal produto de exportação chileno. A China absorve 55% das exportações de couro latino-americanas, das quais 30% provêm do Chile 4 Além de principal parceiro comercial do Brasil e do Chile, a China é o segundo parceiro da Argentina e Peru. Ler, sobre o assunto, texto do autor, no Le Monde Diplomatique francêsdoença sarampo


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RESPOSTA DE UM PETROLEIRO AO ESTADÃO.

 

Antonio Callado

Prezado Jornalista Hélio Fernandes,

Celso Ming publicou, vomitou, uma série de bobagens na coluna dele no jornal Estado de São Paulo, não sei se você as conhece, referem-se à Petrobras. Como empregado dessa Empresa, Maiúscula mesmo, me senti na obrigação de responder, certamente o Estadão não publicará. Se achar oportuno publicar e esmiuçar o artigo e minha contribuição, o Brasil e este cidadão agradecem.

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A PETROBRAS E O “DESASTRE DE 2012″

Celso Ming (O Estado de S.Paulo)

Depois que a própria direção reconheceu o desastre de 2012 e previu que resultados ainda piores podem vir em 2013, é preciso entender que a Petrobrás não está dando conta das tarefas de que foi investida.

É areia demais para seu caminhão. Não consegue cumprir todas as metas impostas pelo governo. Não se mostra capaz de, ao mesmo tempo, aumentar a produção, ajudar no combate à inflação, fazer caixa para o enorme programa de investimentos, servir de alavanca para a indústria nacional de fornecimentos e, ainda, contribuir decisivamente para as contas públicas de Estados e municípios, com polpudos pagamentos de royalties.

Essa múltipla trombada entre objetivos de política econômica é recorrente no governo Dilma – que também quer derrubar os juros a níveis recordes, puxar o câmbio para dar competitividade à indústria, emplacar um “pibão grandão” a cada ano, manter a inflação mais ou menos controlada, investir centenas de bilhões de dólares por ano sem ter poupança para isso e continuar gastando à vontade para fazer uma política anticíclica e, além disso, tentar ostentar um mínimo de austeridade fiscal.

O resultado é a progressiva desarrumação da economia, provavelmente nas mesmas proporções em que estão sendo desarrumadas as finanças da Petrobrás. Pelo menos a presidente, Graça Foster é mais sincera sobre estragos na área dela do que tem sido o ministro da Fazenda, Guido Mantega, sobre os estragos na área dele.

A política de congelamento de preços dos derivados de petróleo é da mesma qualidade que a política de congelamento de preços e salários imposta pela presidente da Argentina, Cristina Kirchner. Mas não é só por isso que ela é condenável. É, também, por sabotar a capacidade de investimentos da Petrobrás. Ou o governo Dilma revê o Plano de Negócios da Petrobrás ou revoga esse regime de preços dos combustíveis.

Há seis anos não é realizada nova licitação de áreas para exploração de petróleo. O governo Dilma finalmente concordou em fazer mais duas: uma na área do pós-sal (acima da camada de sal), agendada para maio, e outra, no pré-sal, prevista para novembro.

O novo marco regulatório exige que, nas licitações do pré-sal, onde o regime de concessão será de partilha, a Petrobrás será obrigada a entrar em todos os projetos com participação de, ao menos, 30% em cada um. Entre as áreas a serem licitadas está o Campo de Franco, comprovadamente uma jazida gigantesca de óleo e gás. Significa que o prêmio a ser pago pelos vencedores da licitação dessa área pode chegar a dezenas de bilhões de dólares. Ou a Petrobrás será obrigada a concorrer com novos e enormes desembolsos ou a licitação será novamente adiada – até que a capacidade de investimentos da Petrobrás seja recomposta. Outra hipótese será a revogação da exigência dos 30%.

Não só os governos Dilma e Lula devem ser responsabilizados pelo desmanche da Petrobrás. Seus funcionários, sempre grandes parceiros no processo de engrandecimento da empresa, hoje se omitem. Mobilizam-se para greves com o objetivo de elevar sua participação nos lucros da empresa. Mas não se mostram empenhados em que a Petrobrás se restabeleça e volte a apresentar bons resultados.

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A PETROBRAS E “A REPÚBLICA SINDICALISTA”

Antonio Callado

Ilustre senhor, não é areia demais para a Petrobras dar conta de todas as responsabilidades que ela tem, muito pelo contrario, tem competência e tecnologia de sobra para dar conta desses e de muitos outros desafios. Os problemas da Petrobras são outros, talvez o senhor os conheça e poderia de fato ajudar se de boa fé os colocasse claramente ao invés de fazer considerações sem fundamentos.

A trombada entre objetivos e política de governo a qual o senhor se refere tem fundamento, toda vez que se utiliza uma empresa estatal para governar, é quase certo cometer erros maiores ou menores. Querer que a Petrobras alavanque a economia sequer é preciso, pois a atividade e os investimentos que estão por serem feitos falam por si. O que o senhor não menciona e deveria mencionar é o apagão tecnológico da educação técnica que o Brasil enfrenta, a mão de obra especializada inexistente e o parque tecnológico sem capacidade de atender o volume de demandas produzidas pela Petrobras.

O senhor também esquece que a iniciativa privada no Brasil não gosta e não corre riscos como em outros países, aqui a iniciativa privada quer investir com contrato de venda nas mãos. Risco de investimentos e aplicações em tecnologia de ponta, só se o governo financiar, ou seja, a grande maioria dos empresários continua trabalhando como se estivéssemos ainda em plena ditadura, quando os governos bancaram a nacionalização de equipamentos e a Petrobras e outras estatais pagaram o preço exorbitante que as indústrias “nacionais” cobravam para atenderem as demandas das estatais.

O senhor se refere à progressiva desarrumação da economia e da Petrobras, mas não tem a coragem de dizer por que isso acontece e em passado recente. Fale com todas as letras, ilustre jornalista, mostre os pecados deste e de outros governos que o antecederam. O que eles cometeram contra o Brasil. Não precisa ir muito longe, fale dos dois últimos, como conseguiram enganar uma Nação inteira. Um desnacionalizando o que nunca deveria ter sido privatizado, vendendo pelo preço aviltante as estatais, e o outro governo, que o substituiu, conseguiu enganar a todos tendo sido apoiado por segmentos econômicos que nunca ganharam tanto em tão pouco tempo.

O senhor menciona e compara a política de congelamento dos derivados de petróleo e principalmente da gasolina com a Argentina de Cristian Kirchhner, uma comparação sem nexo, não há como se comparar. Aqui a filosofia adotada era criar uma república sindicalista sem pé nem cabeça, manter artificialmente os preços e não permitir que a Petrobras repassasse a elevação dos custos de importação ao valor da gasolina e outros derivados.

Ao mesmo tempo colocaram em postos estratégicos sindicalistas incompetentes que não têm o preparo técnico para ocuparem os postos que por força políticas acabam ocupando. Essa ocupação sindicalista é um veneno para a gestão da Petrobras a curto, médio e longo prazo.

OS EMPREGADOS HONRAM A PETROBRAS

O ilustre jornalista deveria assuntar melhor este problema e ver que os empregados da Petrobras que sempre honraram e continuam honrando a camisa da Petrobras, não sabem mais a quem apelar. A presidente está fazendo a sua parte, precisa correr mais e botar para correr essa cambada de sindicalistas incompetentes que tomou de assalto a Petrobras, como fazer isso e continuar presidente é a equação que deve ser resolvida.

Quanto às novas licitações, para que fazer mais? Se até hoje as que foram realizadas apenas as que sabidamente a Petrobras conhecia tecnicamente muito bem e que estão começando a trabalhar, as demais sequer se provaram seu potencial produtivo e a economicidade.

Diferente do que o senhor coloca no inicio do artigo, o problema é muito maior do que o senhor pensa, entre descobrir, perfurar, provar capacidade produtiva e tornar um poço produtivo são necessários anos contínuos de trabalho, conhecimento, investimento e tecnologia e é exatamente aí que as concorrentes da Petrobras ficam no meio do caminho, quem tem a tecnologia para fazer tudo isso é a Petrobras.

Não adianta chorar e espernear ou a Petrobras faz ou quem quiser fazer vai ter que fazer junto com a Petrobras, ou será que o senhor deseja que a tecnologia que a Petrobras consolidou ao longo da vida da empresa seja repassada gratuitamente, assim como foram tomados os poços que a Petrobras já havia descoberto e feito todo o trabalho de identificação de potencial produtivo?

Não me espantaria que o senhor advogasse também essa possibilidade, afinal o que as grandes companhias de Petróleo interessadas no Petróleo brasileiro desejam é exatamente isso, receberem tudo de graça e ainda passarem recibo de terem resolvido os problemas que a Petrobras não consegue resolver, não é mesmo?

Quanto ao marco regulatório que faz a Petrobras entrar em todos os projetos é para garantir que a tecnologia desenvolvida pela Petrobras possa ser compartilhada e ajudar esse bando de empresas que não possui e nem investiu um tostão nessa tecnologia possa imediatamente lançar mão sem ter gasto um único centavo. O lobby feito para que assim ficasse, o senhor sabe muito bem quanto custou, quem ganhou e vai ganhar com isso.

Por fim o senhor deseja que o governo atual e o passado, e os funcionários da Petrobras, sejam responsabilizados pelos desmandos que têm ocorrido. O ilustre jornalista esqueceu-se dos governos anteriores por quê? Qual foi ou quais formam os governos que deixaram a Petrobras mais de quinze anos sem efetuar um único concurso público para repor a mão de obra necessária e admitir novos profissionais para fazer frente a todos os desafios que ela superou?

TERCEIRIZANDO E FAZENDO A FESTA

Segundo seu entendimento, de que forma uma empresa passa a produzir em dobro e ao mesmo tempo reduzir a metade o seu contingente de empregados próprios? Lógico, como queriam os governos de então e os amigos da riqueza do Estado, terceirizando e fazendo a festa de um poucos empresários que da noite para o dia abriram empresas e passaram a fornecer mão de obra para a Petrobras, e como resultados dessa festança ficaram ricos intermediando o que não precisa de intermediação.

Quanto a última observação, o senhor confirma estar de fato equivocado a respeito dos empregados da Petrobras, estivemos, estamos e estaremos sempre empenhados em fazer a Petrobras cada vez maior e produzindo cada vez mais, para o bem do Brasil e de todos que de alguma forma tem interesses na Petrobrás.

Aproveito o ensejo para pedir que senhor se informe melhor sobre os empregados, salários e as condições de trabalho na qual desenvolvem suas atividades, particularmente quando clamam para que melhores condições de trabalho e ocorrem acidentes de graves consequências.


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PETROBRAS E OS PORTA-VOZES DA PRIVATARIA.

 

 

por Renato Rabelo, no Vermelho, sugestão de Franco Atirador

Quantas empresas no mundo podem ostentar a cifra de R$ 21 bilhões em lucro líquido?

A resposta desta questão pode elucidar sobre o que está por trás da tentativa, insólita e desonesta, da mídia e da oposição de desestabilizar não somente a Petrobras e o governo, mas principalmente o nosso país.

A tática é simples e simplista.

Observa-se a queda da taxa de lucros de uma grande empresa em relação ao ano anterior.

O passo seguinte é espalhar uma onda capaz de atingir milhões de pessoas – utilizando grandes meios de comunicação e assim provocar uma corrida pela venda de papéis da empresa e assim beneficiar (financeiramente) a especulação.

E a especulação sobre uma empresa com grandes expectativas de futuro é um negócio muito rentável, quase risco zero.

Política e especulação financeira andam lado a lado não somente neste caso.

O PSDB governou em função dos interesses da especulação financeira a ponto de ter transformado o BNDES numa agência de repasse de dinheiro público ao financiamento de privatizações (e que foi pensado para financiar a privatização e desnacionalização completa da própria Petrobrás).

Sendo a Petrobras um grande símbolo de competência nacional que ganhou muita força durante o governo Lula, não é de surpreender que os porta-vozes da privataria tentem utilizar esta grandiosa empresa num dos calcanhares de Aquiles do governo.

E o oportunismo ganhou relevo diante do “problema” gerado aos acionistas privados (a União é dona de 50,26% das ações ordinárias e os acionistas privados contam com 39,6%).

É muito claro que com a queda de rendimentos da empresa é seguida pela queda de lucros dos acionistas privados e é esse filão que a oposição tenta encampar com o discurso da excessiva interferência do Estado na Petrobras.

E essa “interferência” do Estado é explicável ao menos por dois motivos.

Um é óbvio, pois o controle da maioria das ações pertence ao Estado, portanto é mais do que normal que o Estado tenha maior poder de decisão.

O outro motivo está relacionado com o fato de nenhuma empresa do mundo que opera num setor tão estratégico quanto a energia estar fora do escopo da própria estratégia nacional de seus respectivos Estados Nacionais.

Portanto existe somente uma explicação para este nível de gritaria: oposição política.

Todos querem ter uma carta na manga do porte da Petrobras, seja para desestabilizar o governo, seja como moeda de troca com os especuladores e o capital estrangeiro interessados no futuro quase certo de uma empresa deste nível de solidez.

São porta-vozes e herdeiros da privataria e a Petrobras deve ser a bola de vez desta gente caso alcancem o governo central.

Porém, o campo da análise deve ser mais amplo e deve envolver que tipo de Estado e projeto de nação queremos – do ponto de vista estratégico.

Existe um fato concreto a ser assinalado: uma potência da estatura do Brasil, prestes a se transformar num grande produtor e exportador de petróleo, ainda importa gasolina.

Trágico e cômico ao mesmo tempo se esse tipo de observação não fosse lastreado pela própria explicação dada pela presidenta da Petrobras, Maria das Graças Foster, afirmando que a queda dos lucros teve como causa “o aumento da importação de derivados a preços mais elevados, pela, desvalorização cambial, que impacta tanto nosso resultado financeiro como nossos custos operacionais”.

Dois problemas objetivos relacionados a falta de planejamento que acomete nosso Estado desde a década de 1990.

Ao invés de lamentar a desvalorização cambial, dever-se-ia ter uma resposta – buscando meios e maneiras de aproveitar esta situação criada pelo aumento de demanda de gasolina e da própria desvalorização cambial – que induzisse a substituição deste tipo de importação dado o impacto não somente na balança de pagamentos da Petrobras, mas do país como um todo. Este mesmo raciocínio vale para a dita “inflação de alimentos” que ocorre num dos gigantes mundiais da produção de cereais.

O delicado momento político deve servir para sistematização de um discurso político ofensivo contra a oposição.

Mas a história ensina que momentos-limite são ótimos para se repensar os nossos próprios limites, a história destes limites e a necessidade de recolocação tática e estratégica.

Certamente, a Petrobras e o governo Dilma estão sofrendo este ataque justamente num momento de transição na política monetária cuja consequência é a própria recomposição da política macroeconômica do país diante da herança maldita da década de 1990.

Renato Rabelo é presidente nacional do PCdoB