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PETROBRAS – Como Pedro Parente devasta a Petrobras.

Como Pedro Parente devasta a Petrobrás

 

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Depois de vender ativos estratégicos a preço de banana, presidente da empresa liquida política de “conteúdo local” — que reergueu estaleiros, estimulou desenvolvimento tecnológico e gerou milhares de empregos qualificados

Por Luis Nassif, no GGN

Peça 1 – Pedro Parente e as lições esquecidas

Em entrevista recente, o presidente da Petrobras Pedro Parente não viu diferenças entre empresas nacionais e estrangeiras. Deu como exemplo a indústria automobilística.

Parente foi um dos grandes quadros gerados no serviço público. Depois, saiu para o setor privado, presidiu multinacionais do setor agrícola e se tornou um quadro da internacionalização. Deixou de ser um homem público. E, por tal, não se entenda apenas o brasileiro que trabalha no setor público. O Brasil já deu diversas vocações esplêndidas de empresários e executivos que, mesmo trabalhando apenas no setor privado, não perderam a dimensão de país: continuaram grandes brasileiros.

Não é o caso de Parente. Depois de uma carreira brilhante no setor público, inclusive como peça central para corrigir os estragos do “apagão”, foi para o setor privado, passou pela RBS, tornou-se presidente da Bunge e perdeu a dimensão de Brasil.

No blitzkrieg do mercado, logo após o golpe parlamentar, coube a ele o desafio mais relevante: o de assumir a presidência da Petrobrás e desmontar as missões que recebeu de ser a ponta de lança de uma nova política industrial.

Para cumprir adequadamente sua missão, Parente combinou a venda de ativos em um mercado recessivo com o uso do caixa para quitação antecipada de financiamentos. Jamais aplicaria essa dupla combinação na Bunge, por ir contra todos os princípios de gestão financeira responsável.

Como técnico preparado, Parente sabe bem as diferenças fundamentais entre empresas de capital nacional e estrangeiro. Sabe que, no caso da indústria automobilística, a globalização das cadeias produtivas liquidou com os fornecedores nacionais de autopeças.

Como integrante da geração dos técnicos que beberam os ensinamentos de Michael Porter, sabe que a produção nacional é fundamental para o desenvolvimento tecnológico do país, para assegurar o crescimento, a geração de empregos de qualidade, as políticas de inovação, para permitir às pequenas empresas inovadoras serem a semente para os futuros grupos dinâmicos nacionais.

Mesmo com eventuais exageros, a política de conteúdo nacional da cadeia do petróleo e gás estava permitindo não apenas o fortalecimento de grandes fornecedores nacionais, mas o surgimento de um sem-número de pequenas empresas inovadoras, através do Prominp e de parcerias com o Sebrae. Além disso, promoveu parcerias tecnológicas entre fornecedores globais e empresas brasileiras, tendo como moeda de troca o poder de compra da Petrobras.

Se Parente não sabia, com um ano à frente da Petrobras, certamente já sabe.

Sabe – por ser bem informado – que estava sendo criada uma tecnologia nacional de ponta para prospecção em águas profundas, inclusive com a transferência, para o Brasil, de laboratórios de grandes multinacionais para trabalhos conjuntos com institutos de pesquisas e fornecedores internos.

Parente sabe, também, que sem desenvolvimento autônomo, o máximo que as empresas brasileiras aspirarão será o fornecimento de produtos de menor valor agregado, sem relevância tecnológica, com empregos de baixa qualidade.

No caso da licitação apenas com empreiteiras internacionais, nem isso. Terminado o trabalho, a empreiteira se retira do país não deixando nenhum legado.

Se não sabia, certamente já conhece o relatório do Banco Mundial, que realizou um mapeamento completo das experiências de Conteúdo Local (CL) em diversos países.

Foram analisadas as experiências da Noruega, Inglaterra e Austrália, África, Ásia e América Latina em diferentes períodos da história recente.

Os estudos do BM constataram as seguintes vantagens:

(1) aumenta o valor adicionado na economia;

(2) corrige eventuais falhas de mercado;

(3) auxilia na geração de empregos e outros objetivos sociais.

É exemplar a experiência da Noruega que desenvolveu empresas de classe mundial do setor e hoje exporta serviços de alto conteúdo tecnológico para todo o mundo. Descobriu sua vocação em um mundo globalizado.

No entanto, mesmo sabendo – ou tendo por obrigação saber – preferiu aliar-se ao  ínclito Eliseu Padilha (ou seria o contrário) em uma posição que em nenhum momento leva em conta o chamado interesse nacional.

Vamos entender o que está em jogo na discussão sobre o CL (conteúdo local).

Peça 2 – a política de conteúdo nacional

Quem define a política de conteúdo nacional é o CNPE (Conselho Nacional de Petróleo e Energia).

Debaixo dele existe o Pedefor (Programa de Estímulo à Competitividade da Cadeia Produtiva, ao Desenvolvimento e ao Aprimoramento de Fornecedores do Setor de Petróleo e Gás Natural) e o Comitê Técnico Operativo.

Segundo o site do Pedefor, “os Comitês são formados por representantes da Casa Civil, Ministério da Fazenda, Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços, Ministério das Minas e Energia, Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, ANP, BNDES e FINEP. A Secretaria-Executiva do Comitê Diretivo está a cargo do MDIC, sendo que essas instituições acompanharão e avaliarão permanentemente as políticas, trazendo novos elementos focados no estímulo do setor”.

No âmbito dos Comitês e do CNPE (nível de ministros), há dois posicionamentos:

1.     O grupo de Eliseu Padilha – com Fazenda e Minas e Energia – defende um “Modelo Global de Conteúdo Local – CL”. Nele, se pretende um percentual de 10% de conteúdo nacional na fase de exploração e 23% na de desenvolvimento e produção, sem definição de áreas estratégicas. Esses números já são atendidos pela indústria nacional, sem necessidade de políticas públicas.

A proposta do MDIC é de um índice maior de CL definido por áreas:  (1) Exploração, (2) Construção de Poço, (3) Coleta e Escoamento da Produção e (4) Planta de Processo. Os índices variam de acordo com o ambiente operacional (terra, até 100 m de lâmina d´água e acima de 100 metros de lâmina d´água).

Exploração Construção de poço Coleta e escoamento Planta de processo
Até 100 m 25% 35% 55% 40%
Acima de 100 m 20% 35% 50% 35%

Os números nasceram a partir de estudos técnicos em cima de uma base de dados com informações fornecidas pela indústria operadora, indústria fornecedora, certificadoras (empresas contratadas que certificam se uma empresa atingiu ou não o índice de CL para um determinado produto); relatórios de investimentos das operadoras; e ofertas das operadoras com pesos e índices de conteúdo local nas 11ª e 13ª rodadas de licitações de blocos exploratórios. Depois, houve duas audiências públicas com associações do setor.

Já as propostas negociadas por Padilha não vieram acompanhadas de nenhum estudo técnico.

No caso brasileiro, o CL levou em conta critérios de competitividade em custo, prazo de entrega e qualidade. Os operadores levaram em conta parâmetros técnicos internacionais, a tecnologia existente, prazo de entrega, capacidade de oferta da cadeia de fornecedores.

Peça 3 – os problemas do setor

Os problemas que ocorreram nos últimos anos – explorados com estardalhaço pela mídia – foram muito mais decorrentes da conjuntura internacional e de problemas internos da Petrobras do que do CL.

No período 2000 a 2014, com o boom do petróleo, houve um aumento inédito do investimento, com alta utilização da capacidade da indústria e atrasos frequentes na entrega de bens e serviços globalmente. A consequência foi uma inflação de preços e, em 2014,  o maior faturamento global da cadeia de fornecedores da história.

Brasil, mais especificamente nos três últimos anos, os problemas de gestão da Petrobras na sua relação com fornecedores chaves impactaram a construção offshore nacional, envolvendo inclusive a suspensão de pagamentos e interrupção de contratos.

De um lado, devido à compressão das tarifas. De outro, devido ao atabalhoamento de Graça Foster que, assumindo a presidência da empresa, cheirou a corrupção que se instalara, mas sem experiência para identifica-la, acabou concentrando em seu gabinete a liberação de todos os pagamentos, provocando um congestionamento inédito no fluxo de pagamentos da empresa.

Mesmo assim, os operadores sempre tiveram à mão o instrumento do “waiver”, a possibilidade de não seguir o CL em casos justificados.

Nada disso tem relação com a política de conteúdo local. Os atrasos nas entregas e preços excessivos foram um fenômeno global.

Peça 4 – as propostas racionais

O fim do CL vai afetar segmentos relevantes da indústria nacional, que não terão sequer condições de honrar seus passivos. Haverá o sucateamento do setor com grande impacto sobre a inadimplência bancária, e enorme desperdício dos recursos públicos já empregados na reconstrução do setor. O desmonte da indústria naval está queimando empregos altamente qualificados por todo o país, destruindo regiões que tinham renascido. Dia desses, o Miguel Nicolelis me dizia que, em uma viagem à Coreia, o renascimento da indústria naval brasileira, competitiva, era fonte de preocupação geral (a Coreia ocupou o lugar do Brasil quando a indústria naval brasileira foi destruída nos anos 80).

Um pacto sério de aprimoramento do CL contemplaria os princípios abaixo, já apresentados nas reuniões técnicas:

(1) compromisso com o aumento da competitividade geral da indústria e dos setores priorizados;

(2) formas transparentes de medição do desempenho (produtividade e/ou exportação, por exemplo);

(3) cláusulas bastante claras da duração do apoio governamental;

(4) um conjunto de intervenções adicionais entregue pelo governo ao setor privado (como infraestrutura, regulação e educação), e;

(5) uso de estratégias ativas de atração de investimento com vistas a atualização tecnológica em certos setores em parceria com empresas estrangeiras.

No entanto, o Brasil entrou em uma era de trevas, na qual Parente e a Lava Jato ajudam a destruir setores inteiros da economia. Depois, celebram o retorno à Petrobras, de sobras da corrupção, que não chegam a um milésimo do que o país está perdendo com a destruição de riqueza.


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PETROBRAS – Mais e melhor petróleo, mais dependência energética e industrial.

Brasil: mais e melhor petróleo; mais dependência energética e industrial

comperj

Quem quiser ter uma panorama do “crime continuado” que se está fazendo ao país com a reorientação da Petrobras neste governo (um aprofundamento intenso que vem, aliás, desde antes, com a crise de liquidez em que a empresa foi mergulhada) e do que significa a renúncia a ter o controle da exploração do pré-sal deve ler a reportagem de Marta Nogueira, da Agência Reuters.

Alguns trechos já nos dão uma ideia:

O crescimento da produção de petróleo no pré-sal brasileiro, mais leve do que a média do Brasil, permitiu à Petrobras, monopolista no refino no país, aumentar o uso do óleo nacional em suas refinarias para mais de 90 por cento, reduzindo seus custos operacionais e logísticos.(…)Em dezembro de 2016, 32 por cento da produção brasileira foi de um petróleo considerado leve, contra 7 por cento um ano antes, sob influência da extração do pré-sal, que garante um produto com menor concentração de enxofre e menor acidez, proporcionando maior rendimento de derivados de maior valor agregado, como gasolina, diesel e querosene de aviação.

Com isso, a participação do petróleo importado, que é necessário para que o perfil do refino se adeque ao perfil da demanda de derivados – pois cada tipo de petróleo produz um espectro diferente de refino – caiu ao mínimo. Logo, diminui nossa necessidade de importação e diminui, também o custo do óleo, que não precisa atravessar longas distâncias até as refinarias

Mas, tendo petróleo para refinar, teremos refinarias para fazê-lo? Só por enquanto, porque a crise econômica reduziu o consumo de combustíveis e outros derivados.

Apesar dessa situação, entretanto, o Brasil deverá seguir dependente de importações de combustíveis no futuro, em meio à lentidão no aumento da capacidade brasileira de refino em volumes necessários para atender a crescente demanda esperada, com vários projetos de refinarias, como a Abreu e Lima, em Pernambuco, e Comperj, no Rio de Janeiro, atingidos pelo escândalo de corrupção, o que atrasou as obras.

O especialista Alexandre Szklo, professor do Programa de Planejamento Energético da Coppe/Universidade Federal do Rio de Janeiro, disse à Reuters que a pressão por maior capacidade de refino no Brasil reduziu nos últimos anos, por causa da retração da demanda interna por combustíveis, mas que irá retomar assim que a economia reagir.

A atual gestão da Petrobras, no entanto, já afirmou que não está disposta a investir em novas refinarias sem parceiros, após amargar prejuízos com obras que não foram finalizadas.

Só que, ao contrário dos poços do pré-sal, onde há várias petroleiras de boca aberta atrás de um petróleo de boa qualidade e que jorra em proporções gigantescas, não há estrangeiras para investir em refinarias. O motivo é simples: o investimento á alto e o retorno é lento e baixo. Esperar a retomada da economia para retomar investimento em refino significa, por baixo,dar ao país por seis ou sete anos a insuficiência na produção de derivados. Porque a construção de uma refinaria leva, no barato, quatro a cinco anos para ser executada e há os tempos de projeto, antes e testes e comissionamento depois, processos lentos e delicados.

A outra questão, tão importante quanto: o impacto causado pela paralisia da empresa que, na prática, acaba eternizado pela redução das exigências de conteúdo nacional fere de morte não só a industria naval como toda a cadeia de fabricação vinculada à exploração de petróleo: dutos especiais, tanques, válvulas, compressores, e até as montagens industriais. Não é apenas o fechamento de empresas e empregos, mas a perda da curva de conhecimento que o país ia lentamente construindo, que os tão admirados coreanos levaram meio século para levar ao ápice.

Gerir a Petrobras como uma quitanda, onde o importante é vender o máximo para aumentar a féria do dia é pior do que uma cegueira negocial, é um crime contra o desenvolvimento brasileiro.


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PETRÓLEO – Conteúdo local.

Notícias

Fim do conteúdo local reduzirá em cerca de 90% o impacto do setor de exploração e produção no PIB e na geração de empregos

Data: 17/02/2017
Fonte: Petronotícias Autor: Daniel Fraiha

As novas regras de conteúdo local para a indústria de petróleo e gás devem ser definidas até o fim do mês pelo governo. O assunto foi discutido na última quinta-feira (16), em uma reunião entre o ministro de Minas e Energia, Fernando Coelho Filho, o ministro-chefe da Casa Civil, Eliseu Padilha, e o ministro da Indústria, Comércio Exterior e Serviços, Marcos Pereira, mas o governo ainda não chegou a um consenso sobre a questão.

Pelo histórico das decisões do atual governo, a tendência é que as regras sejam flexibilizadas em favor das empresas estrangeiras. Caso se confirme a desestruturação dessa política, os impactos serão extremamente negativos, como mostra a matéria a seguir.

 

Fim do conteúdo local pode reduzir em mais de 90% o impacto do setor de exploração e produção no PIB e na geração de empregos no país

“Está sendo encaminhado para um ponto de convergência. Temos a ideia de criar algumas medidas para promover a competitividade da indústria, para que a gente possa ser cada vez mais competitivo no futuro. Estamos convergindo para uma posição única, não é nem a deles, nem a nossa”, disse Coelho, após a reunião. Segundo ele, os dois ministérios estão “mais próximos do que vocês imaginam” de um acordo sobre o tema.

A indústria de óleo e gás está com todos os olhos voltados para o que vai sair da reunião marcada para esta quinta-feira (16), o dia D que vai definir o futuro do conteúdo local no Brasil, mas um estudo da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) traz novas informações importantes para serem levadas em conta no encontro coordenado pelo ministro-chefe da Casa Civil, Eliseu Padilha (foto), com outros representantes do comitê nacional que revisa a política. Os dados levantados pela federação mostram que se as regras forem descartadas o impacto será gigantesco no Brasil, podendo representar uma queda de 92,2% na contribuição do setor de exploração e produção para o Produto Interno Bruto (PIB) nacional e de 90,6% na geração de empregos no País.

Os números são um vislumbre das perdas que uma decisão irresponsável contra o conteúdo local pode acarretar, vitimando uma indústria já muito combalida pela crise econômica e política que acometeu o Brasil nos últimos anos, além de tornar os horizontes ainda mais escuros para os mais de 12 milhões de desempregados que lutam por novas oportunidades no País atualmente.

A pesquisa indica que, para cada R$ 1 bilhão de investimento na exploração e produção de petróleo e gás, são gerados R$ 551 milhões para o PIB hoje em território nacional por meio da produção de bens e serviços, além da criação de 1.532 empregos. Caso acabem com o conteúdo local e esses recursos sejam destinados a compras no exterior, como defende o presidente da Petrobrás, Pedro Parente, que pediu 100% de isenção para os FPSOs de Libra e Sépia, seriam gerados R$ 44 milhões para o PIB, apenas 7,8% do que é gerado hoje, e 144 empregos, apenas 9,4% das vagas criadas com a atual política. Para a arrecadação do governo, a mudança drástica também teria um forte impacto, com uma queda de 94%, passando dos atuais R$ 521,5 milhões para R$ 31 milhões. Veja na tabela abaixo:

Tabela estudo Fiesp conteudo local

“Mudanças para aperfeiçoamento da regra atual de conteúdo local, com redução da burocracia, de penalidades e da quantidade de itens para certificação, entre outras, serão benvindas. Mas, desde que se mantenha o conceito de adensamento da cadeia, como foi feito em países que aproveitaram a oportunidade de produzir e explorar suas reservas de petróleo e gás, como Estados Unidos, Noruega e Reino Unido”, afirma o sumário executivo do estudo assinado pelo Vice-Presidente da Fiesp, José Ricardo Roriz Coelho, lembrando que a cadeia de fornecimento de bens e serviços para a exploração e desenvolvimento da produção de petróleo e gás representa 3,7% do PIB total da economia nacional, empregando cerca de 700 mil pessoas – 0,7% do emprego total no País.

O documento atesta ainda que cerca de 75% dos países em desenvolvimento e 30% dos países desenvolvidos possuem políticas de conteúdo local. Dentre eles, os três já citados e o Canadá, assim como a Arábia Saudita, o maior produtor de petróleo da Opep (Organização dos Países Exportadores de Petróleo), que estabeleceu regras de 70% de conteúdo local.

“Por outro lado, países produtores de petróleo e gás que não adotaram regras claras e bem definidas de conteúdo local, como Angola, Bolívia, Equador, Líbia e Venezuela são exemplos de má utilização de seus recursos naturais e enfrentam sérios problemas socioeconômicos”, afirma o texto, ressaltando que o Brasil não pode ser somente exportador de petróleo sem que se agregue valor na cadeia de suprimentos e aproveitamento de derivados: “Atividades extrativas e exportadoras valorizam o câmbio, o que vai desindustrializar ainda mais o país. Por isso, alguns autores referem-se a esse fato como ‘maldição do petróleo’”.

O estudo lembra que o pré-sal foi viabilizado com alto índice de conteúdo local, representando 46% da produção de petróleo no país atualmente, sendo que as duas principais plataformas de petróleo do Brasil, P-58 e FPSO Cidade de Itaguaí, têm, em média, 65% de conteúdo nacional – juntas, elas respondem por 15% de toda produção de petróleo no país.

A P-58, com produção de 189,6 mil barris de óleo equivalente (petróleo e gás) por dia em dezembro de 2016, que teve 64% de conteúdo local e foi construída no país, gerou cerca de 4.500 empregos diretos e 13.500 indiretos, enquanto que o FPSO Cidade de Itaguaí, com produção de 182,8 6 mil barris de óleo equivalente por dia no mesmo período, teve 65% de conteúdo local e 12 módulos construídos no Brasil.

Além disso, o documento contradiz os argumentos alardeados pela Petrobrás de que a indústria nacional não consegue atendê-la em termos de preço e prazo, ressaltando que o Brasil entregou 9 plataformas dentro do prazo, enquanto 12 sondas importadas tiveram atraso médio de 2 anos e ficaram 500% acima do orçamento.

“Muitas encomendas efetuadas no Brasil sofrem atrasos ou mudanças nos orçamentos em razão da interferência da Petrobrás, que muitas vezes promove sucessivas modificações nos projetos e realiza interferências sistemáticas nos processos de supervisão”, afirma o relatório, relembrando uma questão que há anos gera problemas contínuos para as empresas que trabalham com a estatal e foi responsável por uma boa parte dos problemas nos projetos que sofreram atrasos ou impactos nos orçamentos.

A Fiesp destaca também que outro fator que pesa contra a indústria nacional é o custo de se produzir no país, lembrando que a própria Petrobrás é vítima do Custo-Brasil: “Tanto que aqui o preço do litro da gasolina na bomba é 27% superior ao da média dos países também grandes produtores de petróleo, e o preço do diesel 31% superior ao mesmo conjunto de países”.

O estudo mostra que a política de conteúdo local não é o fator determinante a impactar o resultado dos leilões de blocos exploratórios, já que mesmo após a instituição das regras as rodadas seguintes apresentaram um aumento relevante no percentual de áreas adquiridas. Veja a tabela na imagem abaixo, com valores atualizados com referência a 2016:

Tabela estudo Fiesp conteudo local - leiloes

“O preço internacional do petróleo é o fator que influenciou mais fortemente os resultados dos leilões no Brasil e não o Conteúdo Local”, afirma o texto, destacando que o preço do petróleo passou de uma média de US$ 27,17 entre 1999 e 2004 (período da 1ª a 6ª rodada), para US$ 83,04 entre 2005 e 2015 (período da 7ª a 13ª rodada). E, justamente a partir da 7ª rodada (2005), foram arrematadas mais áreas e arrecadados mais valores em bônus das licitações.

A Fiesp afirma ainda que, a partir de 2014, a interrupção do crescimento do setor foi dada por fatores não relacionados à regra de conteúdo local, como o início das investigações da Lava-Jato, a forte queda no preço do barril do petróleo, as consecutivas revisões nos Planos de Negócios da Petrobrás, com forte redução nos investimentos programados, entre outros fatores.

Com isso, entre 2014 e 2015, o número de trabalhadores no setor fornecedor de bens industriais para o mercado de petróleo recuou 14%, enquanto que em toda a indústria de transformação o recuo foi de 7,3%. Já o valor da produção do setor obteve queda de 14,5%, ao mesmo tempo em que o valor da produção de toda a indústria de transformação caiu 10,8%.

A Fiesp também recapitula o passo a passo das negociações de revisão da política de conteúdo local, que começou a ser debatida de maneira a tentar ouvir todos os elos da cadeia no ano passado, inclusive com uma proposta de simplificação feita pelas federações empresariais (de reduzir os 90 itens certificáveis para 5 macrosegmentos: Serviços; Infraestrutura; Máquinas e Equipamentos; Sistemas e Engenharia de Projetos), mas as petroleiras acabaram tentando resolver o assunto sozinhas, em conversas diretas com o governo.

A proposta da indústria havia sido parcialmente aceita pelas operadoras, que sugeriram a redução dos macrosegmentos de cinco para três. Nesse novo modelo, haveria medidas compensatórias ao invés de aplicação de multas. A indústria concordou, desde que fossem individualizados em bens e serviços. As operadoras, aparentemente, estavam aceitando a segmentação do conteúdo local e também exigiam medidas compensatórias ao invés da aplicação de multas, também com concordância da indústria. Após a fase de negociação, no entanto, as operadoras começaram a negociar diretamente com o governo um índice único e global de conteúdo local, relata o documento.

Os dados apresentados pela federação são a reiteração do que os empresários e trabalhadores brasileiros vêm tentando mostrar ao governo, que precisa ser sensível à economia nacional e pensar nos riscos de se levar adiante um processo de desindustrialização do País, como pode acontecer caso seja aprovada a quebra do conteúdo local. Em vista disso, a Fiesp faz um apelo no relatório, lembrando os esforços já dispendidos pelas empresas brasileiras e estrangeiras que vêm apostando no mercado de petróleo nacional na última década:

“A indústria fornecedora de bens investiu nos últimos anos mais de 20 bilhões de dólares na ampliação da capacidade instalada, de forma a atender às futuras demandas do setor de petróleo e gás, o que gerou centenas de milhares de novos empregos. Postos de trabalho já existentes que estão em risco, caso a política de conteúdo local seja aniquilada”, sentencia a federação


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PETRÓLEO – Brasil terá maior alta na oferta de petróleo fora da Opep.

Brasil terá maior alta na oferta de petróleo entre os países fora da Opep em 2017

Produção brasileira vai na contramão da estratégia do cartel de diminuir a oferta para tentar estancar a queda dos preço

São Paulo (SP) – A Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) previu em relatório mensal divulgado nesta terça-feira, 9, que a maior elevação da oferta da commodity em 2017 entre os países que não fazem parte do cartel será do Brasil. O País deve registrar um incremento de 250 mil barris por dia (bpd), para 3,4 milhões de bpd. Na sequência, as elevações de mais destaque previstas para este ano virão dos Estados Unidos (240 mil bpd), Canadá (180 mil bpd), Cazaquistão (140 mil bpd), “outros” países da África (40 mil bpd) e Congo (30 mil bpd).

A produção brasileira vai, portanto, na contramão da estratégia do cartel de diminuir a oferta para tentar estancar a queda dos preços que durou mais de dois anos. Um pacto de redução de 1,2 milhão de barris por dia foi feito entre os países membros no fim do ano passado para entrar em vigor em 2017. Alguns produtores que não fazem parte da Opep também aderiram ao corte. Na sexta-feira, a AIE considerou que 90% do acordo está sendo cumprido. Entre os maiores declínios de produção previstos no documento divulgado hoje para este ano estão China, México, Rússia, Colômbia, Omã, Azerbaijão, Noruega e Indonésia.

Em relação aos países em desenvolvimento, a estimativa da Opep é que a redução da oferta em 2016 tenha sido de 60 mil bpd na comparação anual, para uma média de 12,13 milhões de bpd – a projeção feita anteriormente era de 20 mil bpd. “A principal razão para essa contração foi a menor produção na América Latina em comparação com os últimos anos”, considerou a entidade no relatório. Em outro trecho do documento, a Organização diz: “Na América Latina, a oferta total de petróleo foi decepcionante, depois de uma queda notável no resultado anual brasileiro em comparação com o ano anterior, bem como um maior declínio anual na Colômbia”.

A expectativa do cartel é a de que a oferta da commodity este ano entre os países que não fazem parte da Organização cresça 240 mil bpd, um aumento de 20 mil bpd em relação ao documento anterior, em função, principalmente dos Estados Unidos por causa da elevação dos preços.

No caso brasileiro, a Opep projeta uma produção crescente ao longo do ano, com uma média de oferta de 3,3 milhões de bpd no primeiro e no segundo trimestres do ano; de 3,4 milhões de bpd no terceiro, chegando a 3,5 milhões de bpd nos últimos três meses de 2017. Se as previsões do cartel se confirmarem, haverá um novo incremento da produção local, que foi estimada hoje em uma média de 3,15 milhões de bpd no ano passado, o que já representou uma elevação de 80 mil barris por dia ante 2015.

A produção líquida total brasileira em dezembro subiu 70 mil bpd ante novembro, para uma média de 3,33 milhões de bpd. “A Petrobras, após a criação de três unidades de produção em 2016 e, mais recentemente, na Cidade de Caraguatatuba, dará início a mais quatro plantas: Tartaruga Verde e Mestiça, Lula Norte (P-67), Lula Sul (P-66) e Libra”, citou a entidade. A produção de petróleo deverá aumentar em 250 mil bpd, para uma média de 3,4 milhões de bpd, quando esses projetos se materializarem ainda este ano, segundo o relatório.

Para 2017, a Organização prevê que a oferta do produto entre os países em desenvolvimento cresça 160 mil bpd, para uma média de 12,29 milhões de barris por dia, um aumento ante a projeção anterior de 12 milhões de bpd. “A região chave para o crescimento deverá ser a América Latina, com incremento 170 mil bpd, principalmente do Brasil, para uma média de 5,29 milhões de barris por dia”, destacou. Em menor grau, conforme o documento, o resultado será influenciado pela África, que deve ampliar em 70 mil barris por dia sua produção (2,18 milhões de bpd). Já a Ásia deve registrar queda na oferta de 40 mil bpd, para uma média de 3,58 milhões de barris por dia.

Economia. A Opep manteve a projeção de que o Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil crescerá 0,4% em 2017 no documento divulgado hoje, o qual cita o País 31 vezes. A entidade enfatizou que o superávit comercial nacional subiu de US$ 900 milhões em janeiro de 2016 para US$ 2,7 bilhões no mês passado, o melhor resultado no início de um ano desde 2006, e que foi fruto de elevação de 18% das importações e de 32,6% das exportações, com destaque para a venda de minério de ferro e soja para a China.

O relatório salientou que o real teve valorização de 4,6% em janeiro e que a inflação foi inferior a 7% no ano passado pela primeira vez desde 2014 (6,6%), o que abriu espaço para a queda da taxa básica de juros, atualmente em 13,00% ao ano. Já sobre o mercado de trabalho, foi registrado o aumento da taxa de desemprego em dezembro para o nível recorde de 12%.

Desde meados do ano passado, a Opep já previa que, após dois anos de recessão, o Brasil seria o principal destaque da produção este ano entre os países que não fazem parte da Opep. No fim da semana passada, a Agência Internacional de Energia (AIE) também deu destaque à produção doméstica e avaliou que, assim como no Canadá, o aumento da oferta local se daria por causa da maturação de investimentos de longo prazo que começaram a entrar em operação agora.

Em dezembro de 2016, a previsão da Organização já era a de que o Brasil incrementaria sua produção este ano em 250 mil bpd, para 3,4 milhões de bpd – seis meses antes era de 260 mil bpd.

O Estado de São Paulo


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PETRÓLEO – A “sede” que mundo tem sobre o nosso petróleo.

A Opep confirma as razões sobre a “sede” que o mundo tem sobre o nosso petróleo

A Opep cada vez tem desenvolvido estudos mais detalhados sobre a geopolítica do petróleo e da energia que utiliza para que a organização tome decisões.

Assim, a Opep hoje acompanha não apenas a exploração e a produção de seus 14 países membros, mas também dos demais.

Desta forma divulga bons e densos relatórios mensais. Neste último estudo, divulgado ontem, a Opep voltou a confirmar a colossal ascensão de produção de petróleo no Brasil, apesar de toda a pressão contra a Petrobras.

O Brasil será o país – fora Opep – com o maior crescimento de produção de petróleo no mundo, com cerca de mais 250 mil barris por dia.

Para a Opep, o Brasil poderá chegar à uma produção diária de 3,5 milhões de barris por dia. Isto se dá por um planejamento anterior que garantiu a entrada em funcionamento de três unidades de produção (plataformas) em 2016.

Outros países fora da Opep deverão ter também aumento de produção, embora inferior ao Brasil: EUA, Canadá, Cazaquistão na Ásia, Congo e outros países da África.

Enquanto isto, outros tradicionais países produtores perderão capacidade este ano como: México, Noruega, Rússia, China, Colômbia entre outros.

Já insistimos aqui por diversas vezes que o atual excesso de produção de petróleo no mundo, está consumindo as reservas que estão sendo menos prospectadas, por conta da redução de investimentos derivados do baixo preço.

Trata-se de ciclo petro-econômico.

Desta forma, uma nova fase de expansão dos preços se apresenta no horizonte para daqui a três a cinco anos, que pode ser antecipado por conflitos regionais.

Assim, diariamente, se coleciona dados e indicadores que confirmam a enorme sede do mundo sobre o nosso pré-sal, a maior fronteira petrolífera descoberta na última década.

O Brasil possui, nada mais, nada menos que seis dos maiores campos de petróleo descobertos nos últimos dez anos.

Desta forma, não é difícil compreender o que se tem feito para que outras nações, corporações e fundo financeiros – agindo em conjunto – têm articulado e executado para ter acesso a tamanho manancial.

E tudo isso com ajuda de uma elite econômica, sem projeto de nação, apenas preocupada com seus interesses em se apropriar de um mínimo percentual disto tudo – como rentistas – e sem nenhuma preocupação em assumir a condição de dependência e de consentida subordinação.

Postado por Roberto Moraes


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PETRÓLEO – As consequências do entreguismo do governo Temer.

Setor de petróleo nacional ficará sem conteúdo local, sem empregos, sem dinâmica econômica e sem tributos!

Hoje o governo Temerário está decidindo o fim da política de conteúdo local que gerou milhares de empregos na indústria para atender ao setor de petróleo e gás.

Só recentemente a Fiesp e a Firjan – cujos presidentes há muitos não são mais industriais – “perceberam” que estavam sendo engolidos.
O estrago será enorme e faz parte da sanha golpista.
A disputa coloca de um lado as corporações que exploram e produzem (petroleiras) e de outro a indústria de bens e serviços do setor.
As petroleiras (todas, especialmente as estrangeiras) querem trocar as exigências atuais que vem desde 2005, estruturadas e fiscalizadas pela ANP que exige percentuais nacionais em 90 itens das instalações, por uma vaga exigência de 40% de índice global e único.
A indústria de bens e serviços diz que com esta mudança, o conteúdo local (nacional) será zero. Repito zero porque tudo será importado.
Por quê? Porque os serviços no setor de petróleo já respondem sozinho por 50% da demanda, cabendo aos bens os demais 50%, na instalação de plataformas, sondas e embarcações especiais.
Agora que o pato (Fiesp e Firjan) foi pressionado pelos donos das indústrias, eles descobriram que isso irá reduzir o PIB do setor em 13 vezes, os empregos e salários cairão mais de 11 vezes e os impostos arrecadados pelo governo em 17 vezes.
Sim, e assim querem um esforço fiscal apenas cortando direitos, mais uma vez abrindo mão das receitas.
O resultado disto é a repetição em nível muito mais grave do que se via no governo FHC, com a construção de plataformas movimentando a economia, gerando empregos e tributos no exterior.
A situação hoje é muito pior, porque a nossa indústria naval já chegou a ter mais de 80 mil empregos e o setor de petróleo e gás chegou a alcançar 13% do PIB brasileiro, quando na década de 90, não chegava a um terço disto.
A pressão das petroleiras estrangeiras sobre o “acessível e comprometido” governo Temerário é enorme e começa com uma organização que tem o Brasil apenas no nome: o Instituto Brasileiro de Petróleo (IBP).
Para se ter uma ideia do que está vindo por aí, apenas nos últimos dias, o ministro da Minas e Energia e seu secretário de Petróleo e Gás receberam em audiências os presidentes e representantes das petrolíferas: Shell, Esso, BP, Total, Statoil, etc. De quebra, também o embaixador dos EUA.
É o Brasil descendo a ladeira e assumindo mais e mais sua dependência e subordinação.
Neste rumo, a Petrobras será, após esquarteja, paulatinamente, apenas uma empresa que produz algum petróleo, da mesma forma, que se dá com a petroleira da Nigéria, Angola e outros países que abriram mão de agregar valor neste setor que possui uma imensa cadeia produtiva.
E olha que foi a Petrobras que descobriu o pré-sal que está agora sendo entregue. É a Petrobras que tem e desenvolveu boa parte do know-how de exploração offshore, especialmente, em águas profundas.


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A DESTRUIÇÃO DA PETROBRAS

Clube de Engenharia conclama unidade contra destruição da economia

 

 

 

Com Pereira Passos tivemos importante contribuição na modernização do Centro do Rio. Participamos das discussões do Plano Agache, em 1928; discutimos o código de água nos anos 30 e a proposta de eletrificação, de aproveitamentos hidroelétricos do Vale do Paraíba que deram origem ao Complexo de Ribeirão das Lajes. Participamos da defesa do minério de ferro brasileiro; da constituição da Companhia Vale do Rio Doce e, no momento seguinte, da constituição da Petrobras. Atuamos ativamente na discussão do Plano Doxiadis, no governo Carlos Lacerda, e da discussão do Metrô, tanto na década de 60 como na década de 70.

Esse é o papel do Clube: contribuir, criticar, formular. E não seria diferente agora, frente ao desmonte da engenharia brasileira, quando acontecem reuniões Brasil afora com profissionais, empresários, trabalhadores e representantes da academia, indústrias e poder público, mobilizados com lideranças das principais entidades de engenharia do Rio de Janeiro e do país para fazer ecoar a voz de protesto das engenharias e da sociedade contra a destruição em curso da nossa economia.

Urge uma proposta de desenvolvimento que gere emprego e que nos retire dessa situação calamitosa de depressão econômica, com um número crescente de empreendimentos comerciais e fabris fechados em todo o território nacional. Inacreditavelmente o Rio de Janeiro, que até os anos 50 era a principal base industrial do Brasil, e que só perdeu essa posição para São Paulo na segunda metade dos anos 50, caminha para ser uma cidade fantasma! A cidade que sedia a Petrobras, empresa que ao longo de seis décadas de existência se responsabilizou pela formação de uma cadeia de mais de 5.000 fornecedores nacionais e estrangeiros, e que recentemente acolheu aqui centros de pesquisa da Halliburton e da GE, está submetida a um processo sistemático de destruição. É neste cenário que se perde o emprego, a ciência, a tecnologia e a engenharia.

Com o amesquinhamento e a desvalorização da engenharia pública, responsável pela formulação do nosso planejamento ao longo de décadas, também deixamos que se perca a nossa reconhecida competência.

Cresce o movimento que tem entre seus principais objetivos preservar as empresas e garantir o emprego, sensibilizando os poderes públicos, a prefeitura do Rio de Janeiro, os governos do estado do Rio de Janeiro, do Espírito Santo e de São Paulo, estados lindeiros da maior província de petróleo já descoberta nos últimos 30 anos, exatamente os mais prejudicados com a destruição de empresas e empregos. O movimento em defesa da Petrobras não é um movimento xenófobo, que se contrapõe à participação das empresas estrangeiras, desde que se comprometam com a geração de emprego e tecnologia e que paguem impostos aqui. O Brasil caminhará para uma convulsão social se não houver a compreensão de que é importante entender o Petróleo como garantia do desenvolvimento e da soberania.

Muitos outros problemas se agravam ao longo do tempo, como saúde, educação, habitação e mobilidade urbana. É inadmissível, por exemplo, que o Rio, cidade âncora do desenvolvimento cultural e educacional, dotada da mais formidável rede de escolas públicas do país, veja o ensino público desvalorizado e enfrente hoje uma luta feroz para que a Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) se mantenha como universidade pública.

São compromissos dos quais o Clube de Engenharia não pode abrir mão, em defesa do Estado Democrático de Direito, por um desenvolvimento soberano, sustentável e socialmente inclusivo.


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O ENTREGUISMO DO GOVERNO TEMER.

Engenharia brasileira vive uma tragédia


Por Clovis Nascimento*

Uma das medidas mais graves é a renúncia da política de conteúdo local, que garante a participação de empresas nacionais nos empreendimentos. A Petrobras anunciou licitação para a retomada das obras do COMPERJ e beneficiou apenas as empresas estrangeiras, num total de 30. Nos últimos dias, a estatal contratou uma empresa chinesa para assumir contratos de sistemas de ancoragem para seis navios-plataforma, num total de 50 milhões de dólares. O governo federal ignorou a política de conteúdo local, que pode gerar milhares de empregos em nosso país. Além disso, a Petrobras – uma empresa estatal – está sendo fatiada e vendida aos poucos para outros países. O nosso petróleo gera renda para milhares de brasileiros, estimula a economia e eleva o Brasil a patamares internacionais. A defesa da Petrobras precisa ser garantida pela visão de soberania nacional por todo o povo brasileiro.

Até mesmo a indústria e os empresários brasileiros avaliam como fracassada essa política de favorecimento ao mercado internacional. Essas medidas oneram a economia brasileira. Isso porque as empresas internacionais utilizam mão de obra barata, exploram nossos recursos naturais, não contratam engenheiros brasileiros e ainda remetem seus lucros para fora do Brasil. O nosso país tem empresas de engenharia com excelência em capacidade técnica e tecnológica e muitas, inclusive, estão com seus trabalhos paralisados por conta de processos jurídicos. A corrupção é um mal que devemos combater na raiz, responsabilizando culpados e gestores. Fechar empresas nacionais e paralisar o ciclo produtivo são ações desastrosas e irresponsáveis para qualquer economia no mundo.

O Brasil passa por uma grave crise política e econômica. Isso é um fato, mas a solução não está no berço do mercado internacional. Uma das saídas é a retomada dos investimentos no desenvolvimento do país. Quando temos desenvolvimento, criamos um ciclo virtuoso, no qual as empresas giram capital, geram empregos, produzem insumos, elevam o PIB e fortalecem os indicadores sociais e econômicos. A quem interessa a paralisação dos investimentos no país? Não ao povo brasileiro. Abrir mão da política de conteúdo local só interessa às empresas estrangeiras. O Brasil não pode voltar a ser o quintal do mercado internacional.

A Fisenge conclama toda a sociedade brasileira a construir uma ampla aliança capaz de retomar a economia e defender a engenharia brasileira e a soberania nacional. Podemos, juntos, evitar uma das maiores tragédias de nossa história. Precisamos de engenharia para superar a crise e alavancar o desenvolvimento.

Clovis Nascimento é engenheiro civil e sanitarista e presidente da Federação Interestadual de Sindicatos de Engenheiros (Fisenge)


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PETRÓLEO – Produção offshore.

Produção de petróleo offshore tem cada vez mais vantagens sobre o xisto

A conceituada consultoria norueguesa especializada em dados e indicadores do setor de petróleo e gás, Rystad Energy, confirma, em publicação divulgada hoje, com indicadores e gráficos, que a exploração de petróleo offshore teve maior redução de custos do que a produção de xisto em terra.

Esta realidade refuta aquelas hipóteses ventiladas no auge da produção americana de xisto, de que esta fonte empurraria as reservas offshore de petróleo pelo mundo, para um segundo plano, deixando o Brasil pra trás, como alguns analistas do mercado tanto ventilaram.

Porém, o processo se desenvolveu de outra forma. A Rystad Energy confirmou também que as duas fontes deverão receber cada uma cerca de US$ 70 bilhões de dólares de investimentos (capex) em 2017, apenas nos EUA.
Assim, o gráfico abaixo elaborado pela consultoria mostra que poderemos estar entrando num processo de migração em que mais investimentos serão feito em exploração/produção de petróleo offshore do que em xisto (shale).
O relatório da Rystad diz ainda que os programas de redução de custos na cadeia de valor do petróleo no mar (ambiente offshore), entre 2016 e de 2017, mostram grandes avanços na competitividade sobre a exploração e xisto:
Muitos pensavam que os projetos offshore não teriam como competir com xisto, porém, os operadores offshore conseguiram transformar projetos não comerciais em projetos altamente competitivos com a ajuda de empresas de serviços. Projetos offshore que não seriam comerciais com o barril a US$ 110 em 2013 estão agora comercial a um preço do petróleo de USD 50, o barril”.

Ainda assim para a consultoria, as empresas de E&P de petróleo nos EUA não devem ainda priorizar entre uma e outra fonte nos EUA. Bom lembrar que isto está se dando nos EUA e não em todo o mundo. É bom lembrar que esta é a média mundial. Aqui no Brasil, a comercialidade da produção se dá bem abaixo dos US$ 50.

Assim, no geral, a exploração de petróleo offshore tende a avançar mais no mundo. Atualmente, os EUA importa quase metade de todo o petróleo que consome e nunca teria condições de ser auto-suficiente mantido o atual nível de consumo. O que faz com que os EUA estimule (invista) em produção em outros canos do mundo. Que é o mesmo que faz e cada vez mais a China que está com produção interna declinante.

A Rystad analisou ainda os gastos com os serviços de engenharia de petróleo e tecnologia por setor (operação e manutenção; equipamentos; engenharia submarina; contratações de sondas sísmica e preparação de poços) e mostrou, no gráfico abaixo, que as reduções de custos para exploração no ambiente offshore caiu bem mais que para a exploração com a fonte de xisto, mesmo no continente.

A Rystad Energy informou ainda em seu relatório que os 10 melhores projetos offshore em 2017 representam quase 70% de todo o investimento. Eles priorizam os projetos melhores (best-in-class) que terão decisões dentro deste ano.
Estes são os casos dos projetos do campo de Libra no Brasil; do MAD, fase 2, da BP, no Golfo do México; Coral FLNG, da petroleira italiana ENI, em Moçambique e do campo de gás natural, Leviatã, da Noble, no Mar Mediterrâneo, no litoral de Israel. Em 2018, a perspectiva é de ampliação destes trabalhos em ambientes offshore e do aumento de receita por parte destas empresas de engenharia de petróleo (que são grande players globais)

É fato que as experiências no desenvolvimento da tecnologia e serviços de engenharia de petróleo offshore no litoral brasileiro, feito por grandes corporações globais do setor, estão sendo hoje, fundamentais para a exploração e produção, também, em outras reservas offshore mundo afora.

Este fato produz uma redução dos preços unitários dos projetos offshore. Ele também caíram com a diminuição das taxas diárias dos contratações de aluguel das sondas de perfuração, onde os preços caíram até 50%. Tudo isso ajudou a otimizar o “breakeven” (preço mínimo do barril a partir do qual a produção é economicamente viável) da produção offshore no mundo.

O Brasil e a Petrobras como inovadores nas tecnologias offshores em águas profundas
Pouca atenção se tem dado a esta realidade de desenvolvimento da nossa capacidade em tecnologia e engenharia. Expertise nacional sendo repassada, depois de desenvolvida, mesmo que em conjunto, sem nenhum ganho de royalties para a Petrobras e nossa engenharia, que está sendo dizimada após a Operação Lava Jato.

No esforço de produzir uma leitura mais totalizante, para além das questões técnicas e comerciais, analisando mais profundamente (esta nota e anterior “aqui” deste blog), se vê que não há sustentação a argumentação da estratégia de mercado escolhida pela atual direção da Petrobras.

Eles dizem estar reduzindo a dívida da estatal, mas a qualquer custo, vendendo vários ativos valiosos a preços de feira, quando a Petrobras, é no mundo da energia, uma das que possui maior potencial de crescimento, e portanto tem crédito, à disposição para ampliar a sua produção e sua estrutura comercial de forma integrada – do poço ao posto – de forma constante e consistente em diferentes cenários da economia e do setor petróleo.
Pré-sal é a joia roubada através do golpe político
Assim, mais uma vez fica claro que foi o tiro no coração do setor de petróleo e da Petrobras que se puxou a estratégia do golpe político no Brasil.
As informações e os dados expostos aqui, quase diariamente, trazem mais e mais evidências sobre o crime de lesa-pátria que se está cometendo sobre a joia da coroa.
São dados de consultorias internacionais. Informações do próprio mercado que confirmam os prejuízos que vão muito para além dos desvios da Lava-Jato.
O fim da exigência de conteúdo nacional que está sendo decidido nestes dias em Brasília, é mais uma pá de cal sobre o este processo que elimina as chances de participarmos desta cadeia produtiva, não apenas com produção de petróleo, mas fornecendo aquilo que é até mais valioso que o produto petróleo em si, que são os equipamentos, as tecnologias e os serviços de engenharia que o Brasil em que a empresa é reconhecia e premiada internacionalmente.
Não há outro caminho. Resistir é urgente e necessário. Todos os dias!


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PETROBRAS – EUA vêm a Serra exigir a entrega do pré-sal.