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PETRÓLEO – Mão do governo e o desempenho das estatais.

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Mão do governo pesa no desempenho de estatais do petróleo

 

A Saudi Arabian Oil Co. chamou a atenção da indústria do petróleo ao anunciar um plano para abrir seu capital que pode ajudá-la arrecadar mais de US$ 100 bilhões. Mas alguns investidores estão cautelosos, dado o histórico questionável de empresas de petróleo controladas por governos.

O plano de vender no mercado acionário até 5% da estatal saudita Aramco, a maior petrolífera do mundo, desencadeou uma disputa entre os bancos para assumir um papel na operação, que tem potencial de render US$ 1 bilhão em comissões o maior negócio de todos os tempos para bancos de investimento. O reino estima que o valor de mercado da empresa varie entre US$ 2 trilhões e US$ 3 trilhões.

Mas várias estatais de petróleo que abriram seu capital têm tropeçado, confirmando o temor dos investidores em relação aos riscos de apostar em empresas controladas por governos.

Nesse grupo, que inclui a Petrobras SA, a russa OAO Rosneft e, mais recentemente, a KMG EP, do Cazaquistão, só a norueguesa Statoil ASA conseguiu evitar uma forte queda na cotação de suas ações. Muitas acabaram golpeadas por governos que dão prioridade a interesses políticos, em detrimento dos retornos aos investidores.

Isso destaca o dilema que os potenciais investidores da Aramco, que é sediada em Dhahran, na Arábia Saudita, podem enfrentar: A estatal vai prestar contas aos acionistas ou ao reino árabe, que ainda manterá pelo menos 95% da firma?

“Investir em uma empresa controlada pelo governo, que atua meio como uma agência estatal, com enorme influência e prioridades que vão além da criação de valor, gera tensão”, diz Pascal Menges, que gerencia um fundo na gestora de recursos suíça Lombard Odier Investment Management. O fundo costumava manter pequenas participações em petrolíferas estatais, mas agora não tem mais.

A oferta pública inicial de ações da Aramco, que pode acontecer em 2018, é parte de um plano para levantar recursos e diversificar a economia saudita, após dois anos de queda nos preços do petróleo. Segundo as autoridades sauditas, as ações poderão ser negociadas nas bolsas de Londres, Nova York ou Hong Kong.

O Ministério do Petróleo da Arábia Saudita não quis comentar. O ministro Khalid alFalih disse, em junho, que a Aramco segue “os mais altos padrões de governança”. A abertura de capital exige que companhia abra seus livros, “e eu acho que a empresa fará isso e todo mundo verá, em primeira mão, como ela é ótima e isso contribuirá para sua avaliação” no mercado, disse.

Nos últimos anos, os ADRs (American Depositary Receipts) da Petrobras negociados em Nova York despencaram em meio à prolongada investigação sobre corrupção na empresa, aberta após a oferta de ações na bolsa de Nova York, realizada em 2010. O desejo do governo brasileiro de criar empresas locais que pudessem ser fornecedoras da indústria do petróleo e outros setores provocou um aumento nos custos e atrasou alguns projetos de petróleo enquanto parte da infraestrutura, como os estaleiros, era construída.

Já a russa Rosneft realizou uma oferta de ações na Bolsa de Londres, em 2016, captando US$ 10,7 bilhões junto a investidores ansiosos por tirar proveito das perspectivas de crescimento da empresa. Mas, em 2014 depois que a Rússia invadiu a Crimeia e os Estados Unidos decretaram sanções ao líder da estatal por suas ligações com o presidente Vladimir Putin, a Rosneft perdeu sua capacidade de assumir dívidas de longo prazo e conseguir recursos para investir em novos campos de petróleo.

Na China, a cotação das ações das três grandes petrolíferas estatais do país tem tido um desempenho melhor, mas os lucros da PetroChina Co., por exemplo, continuam a ser corroídos por 11

uma base de custos enorme. Isso inclui centenas de milhares de funcionários e campos locais de petróleo antiquados e com alto custo de operação.

As maiores petrolíferas independentes do mundo, como a Exxon Mobil Corp. e a Royal Dutch Shell PLC, também são propensas a altos e baixos, com suas ações oscilando conforme o preço do petróleo. Algumas enfrentaram eventos catastróficos que consumiram bilhões de dólares, como no caso do acidente no Golfo do México, em 2010, que provocou US$ 61,6 bilhões em custos legais e de limpeza para a petrolífera britânica BP.

Mas, de modo geral, as ações da empresa têm apresentado um desempenho mais estável dos que as das estatais.

Desde outubro de 2010, as ações da Chevron Corp. e da Exxon subiram mais de 30% e 52%, respectivamente, enquanto as da Rosneft e da KMG EP, também listadas em Londres, recuaram 22% e 55%. Os ADRs da Petrobras despencaram 78% no mesmo período.

As petrolíferas estatais têm potencial para ser verdadeiras máquinas de lucro. Elas controlam cerca de 75% das reservas comprovadas do mundo e mais da metade da produção global diária. Além disso, muitas possuem depósitos em terra cuja exploração é mais barata que as reservas localizadas em águas profundas, areias betuminosas e formações de xisto, das quais as gigantes ocidentais dependem.

Mas as prioridades divididas entre governos e investidores fazem com que algumas estatais sejam menos lucrativas. “Os objetivos dos governos podem nem sempre estar completamente alinhados com os dos acionistas”, diz o analista Stewart Williams, da firma britânica de dados de commodities Wood Mackenzie.

Os investidores dizem que veem um novo motivo para se preocupar com aberturas de capital envolvendo ativos estatais no Cazaquistão.

Há dez anos, a estatal de gás NC KazMunaiGas desmembrou a KMG EP e listou a empresa na bolsa. Ela captou US$ 2,3 bilhões com a operação e ainda manteve uma participação de 58% na nova companhia. Desde a abertura de capital na bolsa de Londres, em 2006, as ações da KMG EP perderam 50% do seu valor.

Agora, a KazMunaiGas está tentando assumir o controle das reservas de petróleo e gás da KMG EP e ter acesso mais fácil ao caixa de US$ 3 bilhões da empresa de capital aberto. A KazMunaiGas está se preparando para realizar sua própria abertura de capital em 2018. A queda no preço do petróleo, que afetou fortemente as finanças do setor, não ajudou.

Matthias Westman, sócio fundador do fundo de hedge Prosperity Capital Management, que se concentra na Rússia e é investidor da KMG EP, diz que a situação também mostra como as metas do governo podem entrar em conflito com acionistas, cujo foco está no lucro. “Quando as coisas ficam difíceis, alguns recorrem ao pior comportamento”, diz ele.

Fonte: Valor Econômico / The Wall Street Journal

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Autor: carlosadoria

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