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PETRÓLEO – Limite dos preços na atual conjuntura.

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 Blog do Roberto Moreno

 

Petróleo: limite máximo e mínimo do preço na atual fase – 3 maiores produtores mundiais – estratégias geopolíticas e o “ciclo petro-econômico”

Nesta terça-feira, o preço do petróleo brent ficou em torno dos US$ 46, o barril. Hoje, está em US$ 47. Assim, tem oscilado no último mês abaixo dos US$ 50. Observando o cenário do ciclo do petróleo e tudo o que o cerca é possível, hoje, afirmar que no curto prazo, um limite superior e inferior deve ter se estabelecido.

Se ele cai demais para abaixo dos US$ 40, o barril, muitas unidades produtoras param aproveitando para fazer manutenção, para rearrumar suas equipes de trabalho, renegociar contratos de aquisição de insumos e prestação de servições e o preço tende novamente a subir, mesmo que lentamente.

Se ele chega aos US$ 50 e ameaça ter um preço um pouco maior, novas sondas entram em funcionamento nos EUA e em outras partes do mundo, a produção rapidamente se eleva e o preço tende a cair, como se vê nestes últimos dias.

Há hoje ainda, um excesso diário de produção na casa dos 1,3 milhão de barris, que oscila conforme os problemas nas nações e corporações produtoras. Assim, assistimos ao caso do incêndio no Canadá, greve dos petroleiros no Kuwait e saques nos oleodutos da Nigéria, etc.

Estes casos reduziram pontualmente os estoques, os excesso de produção e contribuíram para oscilações temporárias nos preços. É neste período que as tradings – que fazem a intermediação entre produtores e consumidores – mais ganham com a diferença entre o valor da compra e da venda do óleo cru ou derivados.

Com o prosseguimento da fase colapso do “ciclo petro-econômico” devido aos preços ainda baixos, comparados aos anteriores, as petroleiras reduzem quase a zero a procura de novas reservas com menos perfurações, apenas extraindo o petróleo já descoberto.

Assim, as demissões no setor petrolífero são estimadas em 300 mil em todo o mundo e dezenas de megaprojetos foram suspensos e centena de bilhões de dólares retirados de investimentos no setor.

Produção e exportação de petróleo da Rússia, Arábia Saudita e EUA
A despeito da suspensão dos investimentos em perfuração, a produção segue em alta pelo mundo. A produção diária da Rússia chegou a 10,8 milhões de barris por dia (mbpd) em abril, a maior do mundo neste mês.

Neste caminho a Rússia segue para bater seu recorde de exportação de petróleo este ano. Só no primeiro semestre de 2016, elas chegaram a 5,55 mbpd, mais que a metade de sua produção total.

Os estoques de óleo bruto e derivados os EUA ainda estão muito altos, mesmo que tenham reduzido. A produção média diária dos EUA em maio foi de 8,7 mbpd, quase 500 mil bpd a menos que no final de 2015.

Rússia, Arábia Saudita e EUA disputam atualmente a condição de maior produtor de petróleo do mundo, mas em abril foi liderada pela primeira. Com 10,8 mbpd, a Rússia liderou a produção mundial com 10,8 mbpd, seguida da Arábia Saudita com 10,2 mbpd. Em terceiro lugar, os EUA com 8,7 mbpd.

Em termos de exportações, a Arábia Saudita exportou em abril deste ano, 7,44 mbpd, equivalente a 72% de sua produção total de 10,2 mbpd. A Rússia vem em seguida com 5,55 mbp, equivalente 51% de sua produção total de 10,8 mbpd.

Os EUA só recentemente voltou a autorizar as exportações, já que grande parte de sua produção visa atender a demanda interna e à reserva estratégica. Em maio deste ano, as exportações de petróleo dos EUA somaram 662 mil bpd, equivalente a menos de 8% de sua produção total.

As relações estratégicas e geopolíticas entre China – Rússia e A. Saudita-EUA
Há uma disputa entre Rússia e Arábia Saudita por volumes exportados para a China de óleo cru segue. Entre janeiro e maio deste ano a Rússia exportou para a China um volume de 22 milhões de toneladas (161,7 milhões de barris), ultrapassando a Arábia Saudita com o volume de 21,8 milhões de toneladas (160,3 milhões de barris).

O fato pode indicar negociações no campo geopolítico, como é comum no setor, mais do que uma tendência comercial, considerando as amplas e atuais negociações em vários projetos, entre a Rússia e a China, envolvendo não apenas comércio de petróleo e gás, mas participações em grandes projetos estratégicos deste setor de energia e infraestrutura.

Assim, a Arábia Saudita líder da produção no Oriente Médio e que controla também a Opep, ampliou seus problemas fiscais. Em 2015 ele chegou a US$ 98 bilhões. O orçamento dos sauditas é altamente dependente (72%) das rendas petrolíferas. Sua renda não petroleira no ano passado foi de apenas US$ 43,6 bilhões.

Aliás, a disputa pela manutenção e ampliação dos mercados de óleo cru, em especial na Ásia, foi um dos pontos mais importantes, junto da questão geopolítica que determinou a liberação da produção e que jogou o preço do petróleo no, seu ponto mais baixo, em janeiro/fevereiro deste ano, por decisão especial da Arábia Saudita e EUA.

A Arábia Saudita jogou pesado nesta estratégia mais pelo viés de mercado, mas parece não ter se dado conta de todas as repercussões geopolíticas, que a alteração do ciclo petro-econômico poderia gerar.

Os países produtores são mais dependentes da renda do petróleo e seus regimes perdem força com a escassez de recursos. As fases do ciclo petro-econômico podem se adiantar, mas não são completamente controláveis. Desta forma, a Arábia Saudita já começou a vender títulos no mercado financeiro e preparar a venda de ações de sua poderosa estatal petrolífera, Saudi Arabian Oil Co. (Aramco) até 2018.

Demanda e produção diária de petróleo no mundo e sua relação com o preço dentro do ciclo
A demanda diária de petróleo no mundo está em torno de 94,2 milhões de bpd, sendo aproximadamente, 35% dos países da Opep e 65% dos países não Opep. Considerando uma produção 1,5 mbpd a mais que a demanda, ela pode ser considerada em 95,8 milhões bpd.*

Com a economia patinando na maior parte do mundo com juros negativos na Europa, os EUA com ligeiro avanço e a Ásia em crescimento mais lento, a demanda de petróleo não tende a aumentar, além dos 1,2 mbpd em 2016.

Desta forma é possível estimar que a menos que se tenha conflitos regionais nas áreas de produção, há grande tendência dos preços se manterem por mais alguns anos, relativamente estabilizados entre US$ 45 e US$ 55.

Assim, uma nova fase de expansão dos preços em novo “ciclo petro-econômico” como se viu pela primeira vez na história em seguidos quatro anos (entre 2011 e 2014) acima dos US$ 100 dólares, o barril não está no horizonte, antes de 2020. A não ser que se tenha fortes conflitos regionais ou geopolíticos mais amplos.

A disputa pela renda petrolífera entre Estados e corporações
A produção de petróleo no mundo é hoje, cada vez mais uma disputa pela sua “renda petrolífera” entre os governos e as corporações transnacionais do setor. Disputa por alocação em fundos soberanos e investimentos públicos ou lucros e acumulações privadas.

Nesta fase de colapso do “ciclo petro-econômico”, as rendas petrolíferas ficam escassas. Assim, diante da crise diante da crise, as petroleiras reclamam da regulação dos governos, da política de conteúdo local e das tributações.

Assim, elas buscam manter subsídios e isenções fiscais. Vão além. Apelam através das suas entidades, a necessidade de redução do tamanho das estatais de petróleo. Usando as mídias comerciais insistem na necessidade do fatiamento destas estatais e de privatização.

Enfim, esta é a estratégia das corporações petroleiras privadas para acessar aos 90% das reservas provadas (e existentes, mas ainda não certificadas) descobertas e de posse das petroleiras estatais, sem precisar investir um centavo sequer, em perfuração.

Assim, preferem pagar as mídias, bancando as vulnerabilidades políticas dos países produtores, incentivam os golpes militares, ou as guerras híbridas (ou soft) com os golpes midiático-jurídico- parlamentares contras os Estados-nação que oferecem resistência e se opõem aos seus interesses.

Quaisquer semelhanças, não serão meras coincidências.
São fatos que descrevem e provam a realidade!

PS.: Atualizado às 21:42, 21:53 e 22:05: * A produção (oferta) de petróleo cru no mercado no 1º semestre de 2016 foi de 95,8 milhões bpd, e não 95,5 milhões bpd. Assim, o excesso no mercado para uma demanda de 94,2 milhões bpd, seria de 1,6 milhões de bpd e não 1,3 milhão de bpd.

Este dado reforça a ideia da estabilização do preço, nos próximos anos, mesmo com a previsão de aumento de demanda em torno de 1,5 milhão de bpd este ano, e de 1,4%, ou mais 1,3 milhão de bpd para 2017.

Se o aumento de demanda elevar o preço acima do atual, a produção e a oferta tendem a aumentar dentro dos limites que foi comentada na primeira parte deste texto. Assim, as ofertas e demandas se aproximarão ainda mais, o que pressupõe um período maior de relativa estabilidade nos preços.

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Autor: carlosadoria

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