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SHELL e o cenário atual na área de energia.

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Uma pitada de desespero tem feito maravilhas com a Royal Dutch Shell. O preço do petróleo caiu pela metade em dois anos, deixando o fluxo de caixa operacional da empresa bem abaixo do normalmente necessário para pagar dividendos e financiar atividades de exploração. Ao mesmo tempo, a compra da gigante britânica de gás natural BG Group, concluída em fevereiro, deixou a Shell atolada em dívidas.

Os investidores se prepararam para um corte no dividendo, o que derrubou o preço dos ADRs (American Depositary Receipts) da petrolífera anglo-holandesa e, consequentemente, fez com que o rendimento oferecido chegasse a 8% no início do ano. Mas, em vez de reduzir o dividendo, a Shell cortou investimentos em projetos e vendeu empresas com baixo retorno. Em junho, ela anunciou um plano de investimentos até 2020 que considera a venda de mais ativos e a imposição de um limite nos gastos de capital.

A ação subiu 24% neste ano, talvez impulsionada pela alta de 25% no preço do petróleo no período. E talvez os investidores estejam um pouco mais confiantes em relação aos dividendos. Seja qual for a razão, a ação da Shell, que ontem fechou em US$ 55,33, tem potencial para atingir US$ 70 em um ano, um retorno total de cerca de 30%. O pagamento de dividendos parece viável até o fim da década e no futuro, mesmo com um preço do petróleo menor. E com a queda na produção mundial, o preço pode subir nos próximos anos. Mais importante ainda é que o novo plano da Shell parece ir além das medidas de austeridade, soando mais como uma renovação de seu compromisso com o capitalismo.

O setor petrolífero passa por revisões financeiras de tempos em tempos. Quando os preços do petróleo estão altos, as grandes petrolíferas obtêm lucros robustos com a produção existente. Em vez de reinvestir o capital a taxas de retorno atraentes, elas gastam muito comprando e perfurando tudo o que parece ter potencial de renovar suas reservas, ao mesmo tempo em que competem por recursos escassos com firmas iniciantes e novas estatais ambiciosas. O resultado é um declínio do retorno sobre o capital aplicado, que o mercado acaba punindo com um preço menor da ação.

Os investidores tendem a pensar em ações de petrolíferas como algo para se comprar quando os preços do petróleo e gás parecem prestes a se recuperar. Uma estratégia ainda melhor pode ser comprá-las quando as condições do mercado fazem com que essas empresas adotem uma melhor disciplina de capital.

Doug Terreson, analista de petróleo da firma americana de serviços financeiros Evercore ISI, pesquisou o assunto. Nos últimos dez anos, as cinco maiores petrolíferas – Exxon, Shell, BP, Total e Chevron – gastaram US$ 1,2 trilhão em gastos de capital, quase o triplo do investido nos dez anos anteriores. O retorno sobre o capital aplicado caiu cerca de 70% em 2015 em relação a 2005, embora os preços praticados pelas empresas em suas vendas de petróleo e gás, descontadas as operações de hedge, terem sido similares.

O que foi diferente em 2005? Uma forte queda no preço do petróleo em 1997 e 1998 forçou o setor a passar por um longo período de restrições nos gastos e investimentos, o que elevou o retorno sobre o capital. Os investidores se saíram bem. O preço da ação da Exxon dobrou entre o fim de 1996 e 2005. Naquele momento, as ações das grandes petrolíferas já estavam sendo negociadas, em média, a uma proporção de 2,8 vezes o valor contábil de seus ativos. Então, uma alta nos preços do petróleo abriu caminho para uma década de preços majoritariamente altos, com exceção da queda recente e de um recuo expressivo, mas breve, em 2008. As empresas relaxaram com seus gastos. Os retornos caíram e as avaliações recuaram para 1,4 vez o valor contábil.

“Cada uma das grandes [petrolíferas] diriam que subestimaram o risco de investimento”, diz Terreson. “Muitos projetos surgiram tarde demais e estouraram o orçamento. Elas estavam muito mais interessadas em se tornar maiores do que mais valiosas.” 11

O novo compromisso da Shell em priorizar retorno sobre crescimento, que deverá ser mantido nos próximos anos mesmo se os preços do petróleo subirem, pode ser o início de um novo ciclo. As outras grandes petrolíferas também reduziram os investimentos. As ações da Shell estão na dianteira do grupo este ano e podem continuar levando vantagem, porque a empresa tem mais dívidas que as outras – e assim é avaliada de forma mais pessimista pelo investidor – e porque a compra da BG adiciona ativos atraentes e abre boas oportunidades para cortes de custos operacionais. Mas todas essas empresas parecem avaliadas de forma a superar o desempenho do mercado nos próximos anos.

Em 2014, a Shell promoveu o então diretor de refino Ben van Beurden a diretor-presidente. Com 58 anos, e mais de 30 anos de casa, ele é considerado responsável por transformar os prejuízos das operações químicas da Shell em lucros. Espera-se que ele possa repetir o feito em outras áreas que sofrem com baixos retornos crônicos.

Em abril de 2015, com o petróleo em torno de US$ 60 o barril, a Shell anunciou a compra da BG por US$ 70 bilhões, um prêmio de 50% sobre o preço da ação da empresa antes da notícia. Os investidores acharam o negócio caro e incerto e as ações da Shell caíram 6%. As da BG subiram 27%.

Charlie Price, gestor do fundo Aston/Pictet International, de US$ 1 bilhão, comprou ações da BG e lucrou com a conclusão do negócio. As ações da Shell hoje respondem pela maior fatia da sua carteira. “A BG é rica em ativos, especialmente em gás natural”, diz. “A Shell é pobre em ativos, mas tem infraestrutura e experiência. Juntas, elas formam a produtora de gás de menor custo do mundo.”

A Shell já começou a ampliar a participação do gás natural em seu fluxo de produção e vem investindo pesadamente em unidades para liquefazer e transportar gás de mercados de baixo custo como os Estados Unidos para outros de custos altos. A BG elevou a produção em 20% e as reservas totais de energia em 25%, incluindo depósitos cobiçados na Bacia de Santos, no litoral paulista, que se encontram abaixo de grossas camadas de sal, mas contam com petróleo de alta qualidade. Para uma especialista em águas profundas como a Shell, esses depósitos podem ser explorados a um custo relativamente baixo.

Após o negócio com a BG, avaliado em US$ 53 bilhões no seu fechamento, a Shell se tornou a maior produtora de gás do mundo e a maior empresa de gás natural liquefeito, ou GNL. Ela só perde para a Exxon em produção total, incluindo petróleo. Cerca de 40% de suas reservas podem ser caracterizadas agora como de longo prazo, segundo Jon Rigby, analista do banco suíço UBS. Isso ajuda a reduzir sua necessidade de reinvestimentos constantes.

O que pode dar errado? Os preços do petróleo podem permanecer baixos por anos. Os planos estratégicos da Shell consideram o preço do barril a US$ 60 até 2018, em linha com a estratégia de muitos analistas, devido a declínios da produção. O Departamento de Energia dos EUA calcula que a produção do país, de 9,4 milhões de barris por dia em 2015, cairá para 8,2 milhões de barris no próximo ano. A China também cortou sua previsão. Mas se o preço não subir, a Shell pode ficar bem aquém de sua meta de fluxo de caixa. A cotação das ações da empresa parece estar num nível aixo o suficiente para compensar esse risco. Mas é algo que não pode ser descartado.

Fonte: Valor Econômico / The Wall Street Journal

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Autor: carlosadoria

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