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ARÁBIA SAUDITA -Investimentos em fontes de energia renováveis.

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Por Rasheed Abou-Alsamh*
A Arábia Saudita por muitos anos tem dito que quer se diversificar além da produção de petróleo, que é responsável por 70% da renda anual do país. Com a queda brusca do preço do barril no mercado internacional — de mais de US$ 100 em meados de 2014 para mais ou menos US$ 45 hoje —, o governo se vê obrigado a achar novas fontes de renda.
Com isso em mente, já anunciou que vai introduzir um imposto de consumo de 4%a5% em 2018, em conjunto com os outros países do Conselho de Cooperação do Golfo. Isso, por si só, já foi uma surpresa para a população saudita, que não está acostumada a pagar impostos de renda e consumo. Um imposto de renda ainda está fora de cogitação por causa do acordo entre a família real e a população, que, em troca de não pagar o tributo, dará seu apoio quase incondicional aos governantes.
Por décadas, parte deste acordo foi o subsídio ao preço dos combustíveis, à energia elétrica e à água, levando a uma situação em que muitos sauditas começaram a desperdiçá-los. Com a crise econômica, o governo aumentou o preço da gasolina, em dezembro, e as tarifas de energia elétrica e água, em fevereiro. Isso causou severas críticas nas mídias sociais. O preço da água subiu 500% de uma só vez, o que levou o rei Salman bin Abdulaziz a demitir o ministro de Água e Energia Elétrica, Abdullah Al Hasin, na semana passada. Segundo na linha de sucessão, o príncipe Mohammed bin Salman, também conhecido como MBS, se queixou do ministro, dizendo que a adoção da nova tarifa por Hasin não tinha sido satisfatória.
Ano passado, o rei Salman delegou ao seu filho MBS a tarefa de achar novos meios de cortar gastos e aumentar a renda. Trabalhando com um verdadeiro exército de funcionários públicos e consultores americanos e europeus, o príncipe, que é também o ministro da Defesa, elaborou um plano de ação chamado Visão 2030.
Numa entrevista de 40 minutos ao canal de noticias Al-Arabiyah na segunda feira, MBS divulgou seu plano de reformas econômicas para garantir o futuro do país até 2030. Para tentar aumentar a renda vinda de áreas não petrolíferas, o príncipe anunciou que menos de 5% do capital da estatal de petróleo — a Saudi-Aramco, que é a maior empresa de petróleo do mundo — seria oferecido a acionistas comuns na bolsa local e em Nova York. Estima-se que a Aramco valha mais de US$ 2 trilhões. Ele afirmou que um fundo soberano de US$ 2 trilhões vai ser instituído para investir em ações das melhores empresas do mundo. Com isso, espera-se ter uma renda anual de US$ 100 bilhões.
MBS também disse que quer aumentar a contribuição de pequenas e médias empresas para o PIB, de 20% para 35%, e baixar a taxa de desemprego de 11,6% para 7%. E destacou que mulheres são uma parte importante da economia local, formando mais de 50% dos estudantes em universidades. Mas afirmou que quer ver a participação feminina na força de trabalho crescer de 22% para 30%, apenas oito pontos percentuais, em 15 anos. Talvez isso seja uma admissão das dificuldades que mulheres sauditas ainda enfrentam para entrar no mercado de trabalho.
Numa outra entrevista, o príncipe admitiu que o governo não vai interferir no sentido de deixar mulheres dirigirem, afirmando que a sociedade terá que dizer quando está pronta para isso. A Arábia Saudita é o único país do mundo que ainda proíbe mulheres de dirigir.
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O príncipe afirmou que quer investir mais na extração de produtos minerais como fosfato, ouro, cobre e urânio. Ele planeja aumentar os investimentos em fontes de energia renováveis, especialmente a solar, reduzindo o consumo nacional de petróleo usado para gerir energia elétrica.
E deseja desenvolver a indústria local de armas e armamentos, ressaltando que apenas 2% do dinheiro direcionado a equipamentos militares são gastos no reino. A Arábia Saudita é hoje a terceira maior compradora de armas no mundo, gastando US$ 87 bilhões somente em 2015 com aviões caça e mísseis dos Estados Unidos e da Europa.
Num país com 50% da população abaixo de 25 anos, MBS, que tem 31, está agradando à juventude com seu jeito descontraído de falar sobre sua vida pessoal e os anseios dos sauditas mais jovens, que querem uma sociedade mais aberta e moderna. Numa entrevista reveladora à Bloomberg, o príncipe disse que deixava a mulher educar seus filhos e que trabalha 16 horas por dia. No dia em que ele anunciou o plano Visão 2030, mais de 13 milhões de mensagens em árabe comentando o plano foram postados no Twitter. Isso não é nenhuma surpresa, já que os sauditas são os maiores usuários per capita do Twitter na região.
Vários críticos já disseram que duvidam que o reino consiga atingir todas as metas anunciadas por MBS. Mas ninguém disse que vai ser fácil. E esses pessimistas de plantão parecem estar satisfeitos somente quando veem o reino se dar mal. Isso é fruto de pura inveja. Eu acho que as metas são ambiciosas, mas atingíveis. Ao contrário de muitos que dizem que o mundo vai parar de usar o petróleo de um dia para outro, não acho que isso vá acontecer. Estão anunciando o fim do petróleo há 30 anos, e não vejo uma queda significativa no uso desse bem precioso.
* Rasheed Abou-Alsamh é jornalista
Fonte: O Globo

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Autor: carlosadoria

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