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PETROBRAS – Redução do déficit nas vendas de combustíveis.

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Petrobras reduz déficit gerado nas vendas de combustíveis

As perdas da Petrobras com a venda de combustíveis abaixo dos preços internacionais voltam aos níveis de 2012, abaixo dos R$ 40 bilhões pela primeira vez desde dezembro daquele ano. No ritmo observado nos últimos meses, em que a empresa vem conseguindo recuperar cerca de R$ 3 bilhões ao mês, seria possível eliminar o déficit em 12 meses. A zeragem, no entanto, deve levar um pouco mais de tempo, já que a expectativa é de leve recuperação dos preços do petróleo no médio prazo, reduzindo a vantagem da Petrobras em relação aos preços externos.
“Como a expectativa é de alta do preço do petróleo no mercado externo, a recuperação das perdas deve continuar ocorrendo, embora em ritmo mais lento. Isso se a Petrobras não decidir baixar os preços dos combustíveis”, diz o diretor de pesquisa da GO Associados, Fabio Silveira. Para ele, os preços do petróleo no mercado externo devem chegar perto de US$ 50 o barril nos próximos meses. Quanto ao fortalecimento do real, que também ajuda nessa conta, no movimento de conversão dos preços externos, Silveira avalia que o impacto daqui para frente será neutro, já que a moeda deve se manter mais ou menos onde está.
Nas contas da GO Associados, após alcançar o pico de R$ 76,5 bilhões em outubro de 2014, as perdas acumuladas pela estatal com a política de preços mais baixos – processo iniciado em janeiro de 2011 – chegaram a R$ 39,2 bilhões no mês passado, R$ 25,4 bilhões a menos do que em março de 2015 (R$ 64,6 bilhões).
Já para a Tendências Consultoria, o “crédito” remanescente da Petrobras associado à venda de gasolina e diesel abaixo dos preços internacionais é ainda menor, de apenas R$ 10,7 bilhões. O diferencial se dá porque a Tendências considera o período desde maio de 2008 – data do último reajuste de combustíveis antes da mudança da política de preços no pós-crise de 2008.
Segundo Walter de Vitto, analista de energia da Tendências, é importante considerar maio de 2008 como início do período porque a empresa praticou preços bastante acima das cotações internacionais de 2009 a 2010. “Considerar apenas o período em que perdeu, de 2011 a 2014, inflaria as perdas associadas à mudança da política de preços”, diz Vitto, para quem o elevado diferencial de preços favorável à empresa desde dezembro de 2015 acelerou a recuperação das perdas. Para ele, se o atual patamar de defasagem permanecer, a empresa pode recuperar todas as perdas em, “no máximo”, seis meses.
Esse quadro de recuperação poderia ser interrompido pela queda dos preços dos combustíveis no mercado interno – algo que chegou a ser ventilado no início de abril -, mas os especialistas não acreditam que a estatal levaria o plano adiante. “Embora tecnicamente seja possível promover a queda de preços dos combustíveis para acelerar a queda da inflação, o desgaste com o mercado seria grande e poderia colocar em risco a recuperação da credibilidade da empresa”, diz Silveira.
Como a Petrobras encontra-se muito endividada, diz Vitto, esse não seria um bom momento para restringir sua geração de caixa. Zerado o crédito, diz ele, seria possível pensar no estabelecimento de regras de reajuste que tenham as variações do mercado internacional de referência como gatilho. Vitto não conta com reajuste de preços neste momento, embora não descarte a possibilidade, dado “o caráter discricionário da política de reajuste de combustíveis da Petrobras”. Em sua avaliação, isso seria mais razoável no segundo semestre, após a zeragem dos créditos que a empresa faz jus, afirma.
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Segundo Vitto, há duas semanas a gasolina estava 21,7% mais cara no mercado local e o diesel, cujo peso no faturamento da estatal é maior, 37,1% mais caro. Em março, diz Silveira, a gasolina foi vendida 28% mais cara no mercado interno, após uma diferença de 58% em favor da Petrobras um mês antes (a maior desde janeiro de 2015). Já o diesel foi vendido em março com uma vantagem de 62% (era de 71% em fevereiro).
Distante das outras avaliações, o economista Adriano Pires, do Centro Brasileiro de Infra Estrutura (CBIE), faz uma conta diferente ao calcular atualmente uma defasagem ainda bilionária, de R$ 223,7 bilhões. A divergência se dá porque Pires considera não só o quanto a empresa deixou de ganhar ao vender combustíveis com preço abaixo da paridade de importação, mas também o dinheiro que a Petrobras tirou do caixa para importar combustíveis vendidos abaixo do preço de aquisição. Fonte ouvida pelo Valor diz que a estatal precisou captar no mercado internacional cerca de US$ 40 bilhões para subsidiar os preços.
Para Pires, com o atual prêmio de U$ 19,9 por barril, considerando a média de preço da gasolina e do diesel, esses valores seriam recuperados em cinco anos. “Se assumirmos o prêmio médio de US$ 6 por barril desses combustíveis desde janeiro de 2015, o período de recuperação seria de 12 anos”, diz.
O preço dos combustíveis vendidos pela Petrobras sempre foi controverso e nada fácil de ser acompanhado. Controlados pelo Departamento Nacional de Combustíveis (DNC) na época do monopólio, só em 2002 a estatal conseguiu equalizar os preços de venda dos diversos derivados com os preços internacionais. A partir de 2003 a política de preços ficou dúbia. O gás de cozinha, por exemplo, ficou 13 anos sem ter aumento, de 2003 até setembro de 2015. A gasolina e o diesel não tiveram nenhum aumento em 2006 e 2007. Os preços foram reajustados em 2008, de 10% na gasolina e 15% no diesel, e em 2009 foram reduzidos em 4,5% e 15%, respectivamente.
Uma fonte qualificada com acesso à direção da estatal vê problemas com a atual política de preços da companhia, mesmo admitindo que é benéfica para o caixa da companhia. “Esse preço não é sustentável ao longo do tempo, e está sendo mantido politicamente. Amanhã um presidente pode mandar baixar para reduzir a inflação. Se o Cade funcionasse seria fácil provar que se trata de um exercício de poder de monopólio. Se a Petrobras tivesse competição, esses preços já teriam caído. Agora, o que está acontecendo é o exercício do poder de monopólio, só que ao contrário”, diz a fonte, se referindo ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica.
Para Silveira, seria preciso começar a formular uma “regra de saída”, com maior flexibilidade na formação de preços domésticos. Segundo ele, supondo que a estatal consiga zerar nos próximos 18 meses as perdas obtidas com a venda de gasolina barata, uma regra de transição mais adequada
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deveria ser estabelecida, que permitisse reajustes automáticos, independentes de decisão da direção da empresa. “Seria um mercado com oscilação maior de preços, como hoje é o petroquímico, por exemplo, em produtos como o nafta e o querosene.”
Fonte: Valor Econômico

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Autor: carlosadoria

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