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PETRÓLEO – Sauditas tentam reconquistar sua fatia no mercado.

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O petroleiro Monte Toledo transportou a primeira carga de petróleo cru iraniano para a Europa depois de anos, este mês, entregando-a em um porto da Espanha, e os executivos da companhia estatal de petróleo da Arábia Saudita provavelmente observaram a operação atentamente.
A Espanha está entre os mais importantes clientes da Saudi Aramco, mas também é um mercado no qual a companhia perdeu terreno para rivais nos últimos três anos, de acordo com dados da consultoria de energia FGE.
Em meio ao excedente de petróleo que vem causando prolongada queda de preços, os países que são os maiores consumidores mundiais de petróleo cru têm escolhas de sobra. Países produtores de petróleo, com a Rússia na liderança, colocaram na mira nações antes dominadas pelas exportações da Arábia Saudita, o maior exportador mundial de petróleo.
O Iraque acelerou sua produção de petróleo, enquanto combate o Estado Islâmico no Iraque e no Levante (EIIL), e a perspectiva de exportações em larga escala de petróleo cru iraniano, depois da suspensão das sanções internacionais contra o país, em janeiro, deve aumentar a pressão sobre a Arábia Saudita.
“Não creio que os sauditas estivessem cientes de que o Iraque voltaria ao mercado tão rápido”, disse Ali Aissaoui, pesquisador do Instituto Oxford de estudos da Energia. “Eles também foram surpreendidos pela aceleração das exportações russas a alguns desses mercados. Não levaram em conta esses desdobramentos”.
A maneira pela qual a Saudi Aramco, a principal fonte de poder e riqueza para a família al-Saud, que reina na Arábia Saudita, manobra em um mundo de preços baixos interessa muito.
Pois embora Ali al-Naimi, o ministro do Petróleo saudita, continue ditando boa parte da política petroleira do país, cabe à Saudi Aramco realizar muitos de seus objetivos. A empresa tem papel central nos esforços de Naimi para manter a participação saudita no mercado de petróleo cru, apesar da queda nos preços do petróleo.
A Saudi Aramco tem cartas importantes a jogar – especialmente em termos de poderio financeiro.
No Fórum Econômico Mundial, em janeiro, Khalid al-Falih, presidente do conselho da Saudi Aramco, disse que a empresa não tinha dívidas e nenhuma necessidade de captação. “Podemos manter e expandir nossa capacidade sem necessitar de empréstimos”, ele disse à audiência em Davos.
Trata-se de um contraste imenso para com muitas outras estatais de petróleo, a exemplo da brasileira Petrobras, que tem a maior dívida entre todas as companhias petroleiras de capital aberto.
Isso também faz com que a Saudi Aramco se destaque de diversas grandes empresas petroleiras ocidentais, que viram alta significativa em sua captação por conta da queda em seus fluxos de caixa causada pela baixa acentuada nos preços do petróleo.
A companhia reforçou seu foco na Europa, fechando acordos de fornecimento com tradicionais compradores de petróleo russo, como a refinaria sueca Preem e as polonesas PKN Orlen e Lotos.
“É economia básica”, disse uma fonte informada sobre a Saudi Aramco. “Há muito petróleo cru no mercado. Os russos e iraquianos estão em busca de novos mercados, e os iranianos evidentemente tentarão reconquistar seus antigos compradores. Nós [também] estamos tentando fazer o máximo nesse ambiente”.
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Mas dado o crescente consumo interno de petróleo da Arábia Saudita e as limitações em sua produção, alguns observadores do setor questionam a capacidade do país para elevar as exportações.
Isso importa porque, de acordo com dados da FGE sobre importações de petróleo, a Arábia Saudita perdeu participação no segmento de petróleo cru em nove de seus 15 principais países clientes, entre 2013 e 2015. Entre eles estão importantes parceiros comerciais como a China e os Estados Unidos.
A Arábia Saudita conseguiu um avanço limitado em sua participação no segmento mundial de petróleo cru, em 2015, ante 2014, de acordo com cálculos baseados em números do banco de dados Jodi e da Agência Internacional de Energia (AIE), uma organização estatística internacional. Mas sua participação no mercado mundial de petróleo cru em 2015 ficou abaixo da registrada em 2013.
Alguns analistas afirmam que o jogo da Arábia Saudita é de longo prazo.
A Saudi Aramco está usando seu poderio financeiro para adquirir mais participações em refinarias estrangeiras, o que garante vendas de petróleo cru.
A empresa – que este mês anunciou planos de adquirir controle integral de uma refinaria no Texas, a maior da América do Norte – está em busca de novas instalações petroleiras na China, onde já tem presença, bem como na Índia, Indonésia, Malásia e Vietnã.
“Essa é a futura estratégia de exportação saudita”, disse Jim Keane, pesquisador do Instituto Baker de Política Pública, na Universidade Rice. “Criar mercados cativos em países importadores importantes tomando o controle de refinarias neles. Dessa forma, sua fatia de mercado fica protegida”.
A iniciativa também destaca a maneira pela qual a Saudi Aramco vem buscando um modelo de negócios mais equilibrado.
A companhia está priorizando a produção de produtos refinados de margem mais alta, como o diesel – as exportações desses combustíveis cresceram rapidamente, para mais de um milhão de barris ao dia no ano passado.
A Saudi Aramco tem planos ambiciosos para quase dobrar sua capacidade de refino, a 10 milhões de barris diários, o que estaria mais em linha com a capacidade de produção do país.
“Temos de ser mais robustos em futuros ciclos de queda”, diz um executivo da Saudi Aramco, que acrescenta que a queda nos preços do petróleo concentrou a atenção da empresa em ganhar competitividade na produção de combustíveis refinados e petroquímicos. “Precisamos tirar o máximo de cada barril”.
“É claro que os sauditas querem acelerar a produção de produtos [refinados]”, diz Amrita Sen, analista da consultoria de energia Energy Aspects. “Mas pelo futuro previsível, o petróleo cru ainda será o pão com manteiga do reino. É por isso que a estratégia de participação de mercado de Naimi sempre teve o petróleo cru em posição central”.
O esforço da Saudi Aramco para criar um modelo de negócios mais balanceado vem sendo estimulado por Mohammed bin Salman, príncipe herdeiro adjunto e poderoso filho do rei Salman bin Abdul Aziz al-Saud.
O príncipe Mohammed, que supervisiona a Saudi Aramco, está ansioso por monetizar os recursos naturais do país o mais cedo possível, dizem pessoas informadas sobre o assunto por executivos da empresa. Isso inclui uma possível abertura de capital das subsidiárias de refino e petroquímicos da companhia.
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Eles acrescentam que os líderes do país estão cada vez mais preocupados com as ameaças ao domínio petroleiro saudita, em parte pela possibilidade de que a demanda por petróleo cru atinja um pico, bem como por conta dos esforços mundiais para combater a mudança do clima.
Em meio a essas incertezas, Sadad al-Husseini, antigo vice-presidente de exploração da Saudi Aramco, diz que a empresa está simplesmente tentando encontrar a melhor defesa para a posição do país como grande potência petroleira.
“O objetivo é ter estabilidade em termos de fatia de mercado e estabilidade de operações”, ele acrescentou.
Fonte: Folha de S. Paulo / Financial Times

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Autor: carlosadoria

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