petroleiroanistiado

A great WordPress.com site

PETRÓLEO – Xisto, o fator de mudança do mercado.

Deixe um comentário

Por Manuel Mueller-Frank *
Um dos eventos econômicos mais notáveis dos últimos dois anos ocorreu no mercado de petróleo internacional. O preço por barril caiu de US$ 114, em junho de 2014, para US$ 28, em janeiro de 2016. Há dois principais motivos para essa queda drástica no preço. O primeiro são as inovações tecnológicas relacionadas à extração de petróleo de xisto, que permitiram à indústria petrolífera dos Estados Unidos praticamente dobrar sua produção diária desde 2009. O segundo motivo, que também influenciou na queda do preço do barril nos últimos 18 meses, foi a decisão da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) de concorrer por participação de mercado, em vez de tentar estabilizar os preços. Mas para onde vão rumar as cotações a partir de agora?
Uma abordagem comum para prever o futuro é avaliar o passado. Uma vez definido que a queda nos preços foi motivada principalmente pela oferta, é natural perguntar-se quanto duraram no passado outros casos de impactos positivos na oferta.
Desde o início dos anos 80, observaram-se dois grandes tombos anteriores ao atual nos preços do petróleo, ajustados pela inflação. Um deles aconteceu em meados dos anos 80 e outro durante a crise financeira de 2008-2009.
Está claro que o de 2008-2009 foi decorrente da queda na demanda provocada pela piora das condições econômicas.
Mas qual foi o principal motivo da queda dos preços nos anos 80? Assim como o atual declínio nas cotações, essa queda também foi decorrente de um choque positivo no lado da oferta, principalmente depois do forte aumento na produção dos países de fora da Opep. Diferentemente da queda provocada pela demanda, quando os preços se recuperaram rapidamente, o declínio decorrente do choque positivo na oferta nos anos 80 prolongou-se por 15 anos. Em vista disso, a perspectiva para os preços do petróleo parecem ser sombrias. Antes de tirar conclusões, no entanto, é prudente considerar a questão por diferentes ângulos.
Primeiramente, em 2015, a oferta de petróleo superou sistematicamente o consumo. O superávit na produção foi comprado e armazenado, o que levou aos atuais níveis recorde de estoques no mundo. Esses estoques vão, em algum momento, voltar ao mercado, potencialmente limitando o aumento dos preços no curto prazo.
Outro fator que afeta os preços do petróleo é a política monetária mundial. Um aperto mais forte do que o esperado na política monetária do Federal Reserve (Fed, banco central dos EUA) vai aumentar a pressão de desvalorização sobre as moedas de regiões e países consumidores importantes, como as da União Europeia, China, Índia e Japão, que já perderam valor em relação ao dólar em 2015.
Novas desvalorizações cambiais nas regiões consumidoras vão reduzir o consumo de petróleo, cotado em dólar. Ao mesmo tempo, uma valorização do dólar em relação às moedas dos países produtores de petróleo aumenta suas margens de lucro, incentivando-os a produzir mais. Como o efeito da valorização do dólar tanto na demanda quanto na oferta segue a mesma direção, essa apreciação iria aumentar ainda mais a pressão de queda sobre os preços do petróleo. O enfraquecimento do dólar teria efeito oposto.
Nenhuma análise do mercado de petróleo é completa, no entanto, se não considerar a Opep. Até agora, a Opep reagiu competitivamente à entrada no mercado dos novos concorrentes (os
17
produtores de petróleo de xisto), o que contribuiu para a forte queda nos preços. Um dos motivos por trás da decisão é o objetivo de tirar do mercado os concorrentes cujo custo de produção é maior. Essa estratégia parece estar funcionando, a julgar pelo número de plataformas de perfuração ativas nos EUA.
Embora possa ser economicamente viável extrair petróleo de xisto dos poços em operação mesmo com os atuais preços, claramente não é lucrativo perfurar novos poços com cotações tão baixas. O curto período de vida dos poços de petróleo de xisto explica a queda repentina em seus números.
A Opep poderia decidir, como alternativa, reduzir os níveis de produção para elevar os preços. A revolução do petróleo de xisto, contudo, não apenas introduziu uma nova tecnologia. Também alterou a microestrutura do mercado de petróleo. Os custos para criar um poço de petróleo de xisto são muito menores (assim como seu tempo de vida) do que os dos convencionais, o que permite a entrada no mercado de participantes e, em consequência, intensifica a concorrência.
Quanto mais competitivo é um mercado, mais difícil é controlar os preços de forma unilateral por meio de mudanças na produção. Além disso, uma queda geral nos níveis de produção da Opep parece um pouco improvável em meio à volta do Irã ao mercado de petróleo mundial.
A Arábia Saudita, a não ser no passado muito recente, desempenhou o papel de produtor de equilíbrio dos preços. Quando as cotações caíam excessivamente, a produção era reduzida, o que traçava um limite de queda para os preços. O grande número de produtores potenciais de petróleo de xisto pode, coletivamente, assumir esse papel de produtor de equilíbrio; isso, entretanto faria com o que os preços do petróleo fossem limitados na alta. O argumento é o seguinte: assim que os preços comecem a subir para um nível em que seja lucrativo desenvolver novos poços de petróleo de xisto, serão desenvolvidos muitos poços e sua produção será rapidamente levada ao mercado. Isso vai limitar fortemente a alta dos preços.
Qual poderia ser o limite de alta dos preços do petróleo? Seja qual for a resposta, vai ser cada vez menor porque a inovação nas extrações de petróleo de xisto é contínua. Uma vez que o gênio sair da garrafa, a Opep não vai ser capaz de voltar a colocá-lo dentro.
* Manuel Mueller-Frank é professor of Economics, IESE Business School
Fonte: Valor Econômico

Anúncios

Autor: carlosadoria

MANTÉM SUAS UTOPIAS DE 60 ANOS ATRÁS.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s