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PETRÓLEO – BG, fim de uma trajetória.

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Negócio com a Shell põe fim à trajetória do BG.

A aquisição do BG Group pela Royal Dutch Shell por US$ 50 bilhões, que deve ser concluída hoje,
encerra a trajetória de uma empresa que nasceu humilde para se tornar a terceira maior companhia
britânica de petróleo e gás natural.
Na sexta-feira, foi o último dia de negociação das ações da empresa na Bolsa de Londres, onde há
tempos ela era uma das principais a compor o índice FTSE 100.
Nos trinta anos desde que o BG surgiu de um desmembramento de uma empresa estatal britânica de
gás em dificuldades, ela se tornou uma companhia internacional de energia com ativos como os
valorizados campos de petróleo no Brasil, as enormes reservas de gás na costa da Tanzânia e uma
unidade gigantesca na Austrália para liquefazer gás natural. O seu negócio de gás natural liquefeito
(GNL) tornou-se pioneiro na comercialização do combustível mundo afora.
Os investidores também foram atraídos por promessas de crescimento impulsionadas pelo sucesso
na exploração e por uma cultura empresarial empreendedora que permitiu que a empresa crescesse
rapidamente em novas áreas onde as companhias maiores têm atuação mais lenta.
A qualidade dos ativos do BG e a recente queda na cotação das ações o tornaram há muito tempo
um excelente candidato para aquisição, segundo profissionais de bancos e analistas. A Shell
aproveitou a oportunidade em abril do ano passado, após os preços do petróleo terem caído cerca de
50%.
“O BG era um negócio pequeno de muito sucesso”, diz Chris Wheaton, gestor de portfólio da
empresa de investimentos Allianz Global Investors, que tem ações do BG e da Shell. “Ele se tornou
um grande gerador de caixa e depois foi vítima de seu próprio sucesso.”
Analistas têm dito que os ativos de gás do BG ajudarão a transformar a Shell em uma das maiores
produtoras de GNL do mundo. Com os campos de petróleo em águas profundas do Brasil, a gigante
anglo-holandesa vai recuperar suas reservas decrescentes, sob pressão das recentes quedas nos
preços.
A Shell comprou uma empresa que tem dado bom retorno aos acionistas. Desde 1990, a ação do BG
subiu cerca de 800% em comparação com os 165% das ações da Shell e da alta em torno de 200%
do índice de gás e petróleo do FTSE.
As ações do BG foram negociadas pela primeira vez em Londres, em 1986, a 63 pences (cerca de
US$ 0,92).
“O BG tem sido um criador excepcional de valor”, diz Ivor Pether, gestor de fundos do britânico Royal
London Asset Management e investidor do BG e da Shell. “Eles tiverem muito sucesso em
explorações e foram uma das primeiras empresas a globalizar suas oportunidades com o GNL”, diz
ele.
A consultoria Wood Mackenzie espera que o mercado global de GNL cresça 50% de agora até 2020,
apesar do atual excesso de oferta de GNL, porque as leis ambientais contra combustíveis poluentes
como o carvão e o petróleo estão levando a uma migração para alternativas mais limpas como o gás
natural.
As raízes do BG estão no GNL. Em meados da década de 50, dez anos antes das reservas de gás
do Mar do Norte serem descobertas, a predecessora do BG – a estatal britânica Gas Council –
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começou a analisar a importação de GNL como fonte de combustível para o país carente de energia.
Em 1959, a empresa realizou o primeiro transporte internacional do combustível, dos EUA para o
Reino Unido. A iniciativa abriu caminho para um contrato de 15 anos com a Argélia, para que o país
africano fornecesse cerca de 1 milhão de toneladas por ano de GNL ao Reino Unido.
O então diretor-presidente do BG, Frank Chapman, viu uma oportunidade para elevar seu negócio de
GNL com embarques para os Estados Unidos no início dos anos 2000, fazendo o leasing de
cargueiros e comprando capacidade nos EUA.
A empresa construiu um portfólio de contratos de longo prazo e de cargas de GNL de curto prazo. Ela
podia direcionar seus embarques aos mercados que pagavam o maior preço, como os asiáticos,
onde podia cobrar um preço à vista mais alto, enquanto honrava seus contratos de longo prazo em
outros lugares.
O BG tem hoje cerca de 30 navios de GNL e entregou 282 carregamentos do produto em 2015, mais
que o dobro do registrado no ano anterior. O sucesso da empresa ocorreu em meio a desafios. O BG
fracassou em projetos complexos e não conseguiu honrar prazos e metas de produção que ele
mesmo estabeleceu. Os custos estouraram na Austrália e os lucros diminuíram. Isso levou a grandes
baixas contábeis com o colapso dos preços do gás nos EUA.
Quando Chapman deixou o cargo, no fim de 2012, a ação da empresa acumulava queda de 30%
desde o início daquele ano.
Ela então atravessou um período turbulento. O diretor-presidente seguinte, Chris Finlayson, deixou o
cargo depois de apenas 16 meses, criando um intervalo de quase um ano até que o novo diretorpresidente,
Helge Lund, assumisse. A cotação da ação do BG caiu cerca de 35% em 2014. Poucas
semanas depois de Lund assumir o cargo, em fevereiro de 2015, a Shell apresentou sua oferta pelo
BG.
Fonte: Valor Online / The Wall Street Journal

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Autor: carlosadoria

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