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ENERGIA ELÉTRICA E A BOLÍVIA

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Com a Bolívia

 

Com a construção das hidrelétricas do Madeira, de Teles Pires e de Belo Monte entrando na reta

final, o país poderá ter um hiato na sua capacidade de geração. Até que as usinas do Tapajós saiam

do papel (e, para elas, a solução econômica viável parece ser sete anos), o que não deve ocorrer

antes do segundo semestre, algumas iniciativas são possíveis a curto prazo. A primeira seria acelerar

a conclusão da usina nuclear Angra 3, cujas obras estão paradas, mas isso dependerá de um

equacionamento financeiro. Há um empréstimo pendente na Caixa, porém, pode ser que a instituição

não tenha recursos disponíveis para tal. A outra seria um acordo de imediato com a Bolívia

ávida por aceitá-lo para que o Rio Madeira, a montante da hidrelétrica de Jirau, permaneça em sua

quota máxima quase o ano todo, e não só no período da cheia.

Sem praticamente investir um real a mais, as hidrelétricas do Madeira passariam a gerar mais

energia. Por esse acordo, a Bolívia se tornaria “dona” da metade dos megawatts adicionais que as

hidrelétricas iriam gerar.

É uma expansão de baixo impacto ambiental, porque as áreas ribeirinhas afetadas estão desabitadas

devido às cheias naturais do Madeira. Acima de Jirau, que fica a 128 quilômetros de Porto Velho,

hoje já não vive ninguém, junto às duas margens, por 30 quilômetros na direção de Abunã, do mesmo

modo que por sete quilômetros abaixo.

Seria o passo inicial de um entendimento mais amplo com a Bolívia. O Grupo de Estudos do Setor

Elétrico do Instituto de Economia da UFRJ está há anos debruçado na “costura” desse acordo. O

segundo passo seria construir uma grande hidrelétrica binacional no Madeira, entre as localidades de

Barras e Ribeirão. Seria quase uma cópia de Jirau, o que ajudaria a reduzir custos e a abreviar a

obra.

O modelo não seria uma repetição de Itaipu, que tem sido uma fonte de problemas e atritos com o

Paraguai. Do lado brasileiro, os sócios precisariam ser privados, preferencialmente as empresas que

já têm as concessões de Santo Antônio e Jirau, com uma pequena participação da Eletrobras. Do

lado da Bolívia, deverá ser uma estatal, mas, diferentemente do Paraguai, os bolivianos agora têm

recursos para bancar a parte deles na obra. A Bolívia quer se tornar uma grande exportadora de

energia elétrica. As novas usinas do Madeira são uma oportunidade para os departamentos de Beni e

Panda, na Bolívia, que estão entre os mais pobres do país. A Bolívia tem o segundo mais baixo

Índice de Desenvolvimento Humano da América do Sul. Mas acumulou reservas cambiais

consideráveis por causa das exportações de petróleo e gás. A economia boliviana tem crescido

ininterruptamente desde 2006. Nesse período, a renda média por habitante aumentou 30%, em

termos reais. Do lado de cá da fronteira, temos uma região também pouco assistida. A exportação de

eletricidade seria uma nova alavanca a impulsionar a economia boliviana, criando mercado também

para o Brasil.

O passo seguinte seria mais ousado: a participação brasileira em uma grande hidrelétrica (Cachuela

Esperanza) não mais na fronteira delimitada pelo Rio Madeira, mas sim totalmente em território

boliviano. Todos esses projetos exigiriam investimento da ordem de US$ 5 bilhões.

Cerca de 94% das águas dos rios bolivianos afluem para o Madeira. É um desperdício não utilizar

esse volume de água para gerar energia e construir uma grande hidrovia ligando a Bolívia ao

Atlântico. A hidrovia já existe entre Porto Velho, capital de Rondônia, e Belém do Pará.

Caso de polícia

A propósito das hidrelétricas do Madeira, nos últimos dias, as usinas têm contribuído pouco para o

sistema porque o rio está anormalmente baixo para a época do ano e devido à queda de 17 torres

17

das linhas de transmissão. As torres não caíram por acidente ou ventania. As autoridades investigam

se houve sabotagem ou vandalismo. Nem mesmo a hipótese de terrorismo está descartada.

Fonte: O Globo coluna George Vidor

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Autor: carlosadoria

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