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PETRÓLEO – Principal fonte energética até 2040.

Apesar da vertiginosa queda do preço do barril observada no último ano e o cenário negativo que se desenha para o setor petróleo, o energético não perderá a posição de liderança no abastecimento mundial tão cedo. De acordo com o último relatório World Energy Outlook, da ExxonMobil, o combustível se manterá como responsável pelo atendimento a um terço do consumo energético do planeta até 2040.
Atualmente, cerca de 95 milhões de barris de petróleo são usados diariamente como fonte de energia. Impulsionado pela demanda associado ao transporte e pela indústria química, em 24 anos o seu uso deve crescer aproximadamente 20%.
Em paralelo, a preocupação com as emissões de gás carbônico impulsionará o aumento da demanda por gás natural. Cerca de 40% do crescimento do consumo energético mundial até 2040 será suprido pela fonte, cuja queima é a mais limpa dentre os principais combustíveis.
Juntos, o gás natural e o petróleo corresponderão a quase 60% dos suprimentos globais de energia, enquanto as fontes renováveis e nuclear serão responsáveis por 25% da demanda total.
A América do Norte, que hoje é importadora de petróleo, se tornará exportadora do combustível por volta de 2020, com o aumento na produção de tight oil, areias betuminosas e GNL.
Já o Pacífico Asiático aumentará em 50% a importação de petróleo até 2040. A região, que já é a maior importador do combustível no mundo, manterá a produção estável enquanto a demanda pela fonte tenderá a crescer por conta da melhoria no padrão de vida de sua população.
Fonte: Brasil Energia


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PETRÓLEO – Banco Mundial reduz estimativade preços.

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Banco Mundial reduz estimativa para preços de petróleo

Preço do barril deve fechar ano a uma média de US$ 37.
Em outubro, estimativa para commodity era de US$ 51.
O barril de petróleo cru deve encerrar o ano de 2016 vendido a um preço médio de US$ 37, segundo estimativa divulgada nesta terça-feira (26) pelo Banco Mundial (Bird). O valor é mais baixo que o estimado em outubro, de US$ 51, mas superior à cotação atual, de menos de US$ 30.
“A estimativa menor reflete um número de fatores de oferta e demanda”, diz a entidade. “Esses incluem a retomada das exportações pelo Irã mais cedo que o esperado, ganho de eficiência e corte de custos na produção dos EUA, um inverno mais ameno no hemisfério norte e baixa perspectiva de crescimento em grandes mercados emergentes”.
PREÇOS DO PETRÓLEO
Estimativas, em US$ por barril
Fonte: Banco Mundial
Ainda de acordo com o Bird, os preços do petróleo recuaram 47% em 2015, e devem cair, na média anual, outros 27% ao longo de 2016. “Entretanto”, diz o texto, “uma recuperação gradual nos preços do petróleo é esperada ao longo do ano”.
O Banco Mundial aponta que a queda acentuada nos preços neste início de ano não parece ser devidamente fundamentada na oferta e demanda, e deve sofrer uma reversão parcial. Além disso, produtores de alto custo devem registrar perdas persistentes, e realizar cortes de produção. Em terceiro lugar, a demanda deve ter alguma alta com a retomada modesta do crescimento global.
Apesar da retomada, os preços médios do petróleo cru não devem voltar tão cedo aos patamares de 2013, quando o barril estava em US$ 104. Até 2020, o preço deve chegar a apenas US$ 58,80.
“A recuperação dos preços do petróleo deve ser menor que as retomadas que seguiram as quedas acentuadas em 2008, 1998 e 1986. A estimativa de preços permanece sujeita a riscos negativos consideráveis”, diz o Bird.
Fonte: G1


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PETRÓLEO – Previsão para o preço do Brent.

Goldman Sachs reduz previsão para preço do Brent até 2018

Barris de petróleo: o influente banco norte-americano de investimentos reduziu a previsão para os preços do Brent em 2016, 2017 e 2018
O banco Goldman Sachs reduziu nesta terça-feira sua previsão para os preços do petróleo Brent devido à expectativa de que o mercado está entrando numa fase em que os preços menores resultarão em ajustes nos fundamentos.
O influente banco norte-americano de investimentos reduziu a previsão para os preços do Brent em 2016, 2017 e 2018 para 45, 62 e 63 dólares por barril, respectivamente, ante projeção anterior de 50, 65 e 65 dólares, refletindo uma diferença mais apertada entre o Brent e o WTI (petróleo norte-americano).
O Goldman manteve a previsão para o WTI no mesmo período em 45, 60 e 60 dólares por barril, respectivamente.
A previsão de uma diferença menor entre Brent-WTI reflete o declínio da produção dos Estados Unidos e uma oferta resiliente da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), entre outros motivos citados pelo banco, em nota.
Fonte: Reuters


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RÚSSIA -Futuro da indústria do petróleo é incerto.

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Futuro da indústria do petróleo da Rússia é incerto

Nos pântanos congelados da Sibéria, as sondas de perfuração da petrolífera OAO Lukoil estão ajudando a Rússia a elevar sua produção de petróleo para os níveis mais altos desde o fim da União Soviética, há 25 anos.
Mas a queda dos preços da commodity, as sanções lideradas pelos Estados Unidos e a redução da exploração ameaçam o setor na Rússia e põem em dúvida sua capacidade de continuar sustentando as ambições do presidente Vladimir Putin em casa e no exterior.
Embora os recentes aumentos na produção russa tenham ajudado a amenizar a forte queda nos preços, Putin necessita tanto de recursos que seu governo adiou uma redução no imposto sobre as exportações de petróleo, inicialmente prevista para este ano. Executivos dizem temer que o adiamento possa ser prorrogado, desviando para o governo fundos que poderiam ser investidos em novas perfurações e explorações.
“Teremos que limitar nossos gastos e isso vai levar à queda na produção”, disse o diretorpresidente da Lukoil, Vagit Alekperov, em entrevista ao The Wall Street Journal na sede internacional da empresa, em Viena.
As autoridades russas reconhecem que os impostos mais altos que o estimado podem causar uma queda nos investimentos e na produção, mas dizem que o governo precisa dos recursos para compor o orçamento.
As sanções impostas pelos EUA e a Europa ao longo dos últimos 18 meses também pesam sobre as perspectivas futuras da Rússia, pois reprimem os financiamentos do Ocidente para possíveis explorações no Oceano Ártico e nas formações de xisto da Sibéria.
As reservas de petróleo e gás natural respondem por cerca de metade da receita do governo russo e suas exportações representam um terço da produção econômica nacional. Os recursos obtidos no setor petrolífero são essenciais para o poder de Putin, num momento em que ele está se digladiando com o Ocidente por conta da Ucrânia e da anexação da Crimeia, em 2014. Ele também despachou forças militares para a guerra na Síria, em apoio ao presidente Bashar alAssad.
O dinheiro do petróleo amplia o alcance de Putin, dando a ele recursos financeiros para conceder empréstimos baratos aos líderes que apoia e bancar aventuras militares em outros países.
Putin liderou um rápido crescimento da indústria de petróleo russa, que tinha sido abalada pelo fim da União Soviética. A produção recuou para 6,1 milhões de barris por dia em 1996, ante um pico de 11,4 milhões em 1987, durante a era soviética.
Com o aumento dos preços do petróleo e da produção nos anos 2000, Putin ampliou os gastos sociais para elevar o padrão de vida dos russos, solidificando sua posição como autocrata e obtendo níveis de aprovação superiores a 80%.
No fim do ano passado, Putin disse que o preço do barril do petróleo a US$ 50, usado para calcular o orçamento da Rússia para 2016, era otimista demais. Nas últimas semanas, ministros russos têm falado sobre cortes de despesas e uma possível “estagnação controlada”. O governo divulgou, na segunda-feira, uma contração de 3,7% do PIB do país em 2015, após crescimento de 0,6% em 2014. O preço do petróleo foi abaixo de US$ 30 na semana passada.
Ontem, houve uma pequena recuperação, com o preço do barril do Brent, referência internacional, fechando em US$ 30,83.
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A receita da Rússia com petróleo também é ameaçada por uma renovada concorrência na Europa, mercado para o qual fornece um terço do gás natural consumido. Os primeiros carregamentos de gás natural liquefeito provenientes dos EUA devem chegar à Europa neste semestre. Os russos dizem que o produto americano será caro demais para ser competitivo.
Poucos consideram que há uma ameaça imediata a Putin. As sanções foram bem sucedidas em impedir que a Rússia explorasse novas fontes de petróleo, mas tiveram pouco impacto sobre a produção no curto prazo.
A China, que não aderiu às sanções, fornece à Rússia os equipamentos que o país precisa para ampliar a produção dos campos existentes, como o Imilor, na Sibéria, cujos poços ajudaram o país a produzir 10,73 milhões de barris diários de petróleo e condensados de gás em 2015, ante 10,58 milhões em 2014.
A Lukoil e a petrolífera estatal OAO Rosneft maior produtora da Rússia estão com os cofres cheios e gerando recursos suficientes para pagar dividendos, enquanto algumas de suas rivais americanas e europeias têm dificuldades para arcar com seus gastos e pagar dividendos. As ações de algumas petrolíferas russas subiram. Já as de petrolíferas ocidentais vêm caindo.
Sem novos investimentos, porém, o futuro do petróleo da Rússia é menos brilhante. Na Sibéria Ocidental, onde é produzido cerca de dois terços do petróleo do país, as empresas registram quedas na produção após anos de exploração. “É improvável que possamos estabilizar a produção na Sibéria Ocidental”, disse Alekperov, da Lukoil. “Podemos apenas retardar o declínio.”
O Ministério da Energia da Rússia estima que a produção nacional de petróleo permanecerá nos níveis atuais até 2035. A Agência Internacional de Energia, que monitora as tendências do setor e tem sede em Paris, prevê que a produção russa pare de crescer este ano e caia a 10,5 milhões de barris por dia até 2020, chegando a 9 milhões em 2040. Uma razão para isso é que as petrolíferas russas têm se beneficiado de três fatores que não devem perdurar: um sistema fiscal favorável, baixos custos de produção e a desvalorização do rublo.
O sistema fiscal da Rússia tem ajudado a amenizar o impacto do preço do petróleo sobre as petrolíferas do país. As duas principais fontes de arrecadação do setor os impostos de exportação e de extração mineral são atreladas ao preço do petróleo. Em 2015, a fatia do governo caiu junto com os preços, mas as empresas ainda faturaram, depois de impostos, uma média de US$ 13 por barril, segundo relatório do Citigroup.
Mas o governo cogita mudanças fiscais. O Ministério da Fazenda afirmou que pode obter cerca de 200 bilhões de rublos (US$ 3,6 bilhões) com impostos adicionais no setor de petróleo neste ano, principalmente ao suspender temporariamente a redução prevista no imposto de exportação. Executivos do setor alegam que isso deve reduzir investimentos e também a produção.
Mesmo assim, algumas empresas acreditam que podem produzir mais porque grande parte do petróleo russo é explorado em terra, não em alto mar, o que reduz os custos de extração.
A Gazprom Neft, braço de petróleo da estatal de gás PAO Gazprom, afirma que pode obter lucro nos campos atuais mesmo que o preço do barril de petróleo caia para US$ 15.
A desvalorização do rublo ocorrida após a imposição das sanções, no início de 2014, e a primeira queda no preço do petróleo, também reduziram os custos para o setor na Rússia, que vende o petróleo em dólar e costuma pagar trabalhadores e comprar equipamentos na moeda local.
Em novembro, a Lukoil informou a investidores que seu custo de extração tinha caído mais de 30% nos primeiros nove meses de 2015 ante um ano atrás.
Fonte: Valor Econômico


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PETROBRAS -Venda da Gaspetro sob judice.

Japonesa Mitsui pagou R$ 1,9 bilhão pela participação de 49% da Petrobrás na sua subsidiária de gás
RIO – A Justiça Federal da Bahia suspendeu a venda da participação da Petrobrás na Gaspetro para a empresa Mitsui Gás e Energia do Brasil. A decisão, concedida em liminar pelo juiz federal João Paulo Pirôpo de Abreu, da cidade de Paulo Afonso, foi dada dia 25, em resposta a ação popular movida por José Gama Neves, membro da Comissão Executiva do diretório estadual do Democratas na Bahia.
Além de determinar a imediata suspensão da transação, a liminar concedida pelo juiz ainda intima a multinacional japonesa Mitsui sobre o impedimento da empresa para executar e operar as atividades de distribuição de gás provenientes do negócio. A Justiça determina ainda que Mitsui, Petrobrás e Gaspetro apresentem em cinco dias a cópia de toda a documentação relativa à transação.
A Mitsui pagou R$ 1,9 bilhão pela fatia minoritária de 49% da Petrobrás na sua subsidiária de gás, após aprovação da operação em outubro de 2015 pelo conselho de administração da estatal. A negociação entre as duas companhias foi antecipada em junho pelo Broadcast, serviço de notícias em tempo real da Agência Estado. A operação foi a primeira a sair do papel dentro do plano de desinvestimentos da petroleira brasileira.
A Petrobrás informou que ainda não foi intimada da decisão judicial e que promoverá, oportunamente, sua defesa mediante as medidas judiciais cabíveis. A estatal lembrou ainda que a operação de venda da fatia na Gaspetro “foi realizada dentro da absoluta legalidade e aprovada, sem restrições, pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade)”.
O juiz Pirôpo de Abreu listou na liminar uma série de pontos que considera controversos na operação, entre eles a ausência de licitação para a venda e suposta falta de transparência, uma vez que o governo da Bahia, maior acionista da Bahiagás, da qual a Gaspetro é sócia, teve de entrar com uma ação para ter acesso aos documentos da transação. O Estado da Bahia chegou a conseguir a suspensão da operação em dezembro, mas depois desistiu do pleito.
“Chegou a hora de o Poder Judiciário definir se a Petrobrás seguirá adotando as mesmas práticas nas suas transações comerciais de venda de ativos, ou seja, sem licitação, negócios sigilosos, com suspeitas de preços subfaturados, com fortes suspeitas de ilegalidades, a serem posteriormente investigados, tal como está acontecendo com a Operação Lava Jato, gerando prejuízos bilionários, não só a própria empresa, como para a União e para toda a sociedade”, afirma na decisão.
O juiz menciona o caso Pasadena ao apontar a possibilidade de perda aos cofres públicos na operação.
Procurada, a Mitsui Gas & Energia informou que não comentaria a decisão.
Fonte: O Estado de S. Paulo


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PETROBRÁS – Novos indícios de óleo em Libra.

Novos indícios de óleo em Libra

A Petrobras encontrou novos indícios de óleo em Libra, no pré-sal da Bacia de Santos, por meio do poço 3-BRSA-1322-RJS. A perfuração foi iniciada em 26 de setembro de 2015, em lâmina d’água de 1.911 m, pela sonda West Carina, da Seadrill. A ANP ainda não divulgou informações sobre a completação.
O poço faz parte das atividades firmes do plano de avaliação da descoberta (PAD) da área, ainda não aprovado pela ANP, que antecipou a liberação da atividade. Até o momento, a Petrobras cumpriu todas as atividades firmes do programa exploratório de Libra, com exceção do teste de longa duração (TLD), que está programado para o primeiro trimestre de 2017.
No ano passado, foram encontrados três indícios de gás e óleo na área de Libra e um somente de gás, por meio dos poços 3-BRSA-1305A-RJS, 3-BRSA1310-RJS e 3-BRSA-1267A-RJS (2).
O consórcio de Libra é operado pela Petrobras (40%), em parceria com Total (20%), Shell (20%), CNPC (10%) e CNOOC (10%).
Fonte: Brasil Energia


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PETROBRAS -“Não vão conseguir privatizar a Petrobras”.

‘Não vão conseguir privatizar a Petrobras’

O economista Francisco Soriano lembra que, apesar da crise, a companhia aumentou sua produção em quase 5% no ano passado.

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Darío Pignotti

Petrobras

Brasília – “Não vão conseguir privatizar Petrobras”, a certeza parte do economista e diretor do Sindicato dos Petroleiros do Rio de Janeiro, Francisco Soriano, que respalda sua afirmação com cifras: “apesar das crises interna e externa, nós aumentamos a produção em quase 5% em 2015, com 2,1 milhões de barris por dia, e superamos as previsões no plano de negócios da empresa, com um desempenho excelente da área do pré-sal (águas ultraprofundas)”.


– Analistas do mercado dizem que será inevitável fazer reformas na Petrobras.


– São opiniões interessadas, parte de uma série de ataques que vêm de todas as partes, como os que fazem os acionistas estrangeiros que iniciaram causas na justiça norte-americana. A verdade é menos dramática, a Petrobras é uma empresa forte, inclusive depois dos ataques que visam, há anos, levar à sua privatização. Não se pode usar o argumento de que está quebrada, porque ela vem aumentando sua produção todos os meses, e já estamos perto de 1 milhão de barris extraídos dos poços da área do Pré-sal (descobertos em 2007). Isso anula o que dizem os meios e as agências internacionais que anunciavam que não seria possível tirar um produto rentável de tanta profundidade, porque se necessitava uma tecnologia muito cara. Nós fizemos. Tiramos petróleo de mais de 5000 metros de profundidade, porque temos tecnologia de ponta, engenheiros reconhecidos no mundo todo.




– O Pré-sal é a joia da coroa.


– Sim, falando de 90 bilhões de barris de óleo cru comprovados, e nossos engenheiros consideram que podemos ter outras reservas gigantes enterradas, é uma possibilidade que poderia duplicar, triplicar, quem sabe multiplicar até mais as reservas comprovadas. São recursos muito cobiçados por outras companhias e pelos países centrais, onde há recursos insuficientes, por isso eles estão com os olhos sobre o nosso litoral marítimo, uma zona econômica das mais importantes neste momento. Não se trata só da riqueza, é um tema geopolítico. Quando o Pré-sal foi descoberto, os Estados Unidos moveu sua IV Frota para perto das costas do Rio de Janeiro, onde estão os campos gigantes.


– Até onde chega a pressão norte-americana?


– Os ataques contra a Petrobras nascem de várias forças aliadas do exterior, e claro que os Estados Unidos fazem parte disso, mas não somente. Eles têm apoios dentro do nosso país. É uma engrenagem grande. Falamos de um poderoso lobby estrangeiro, da participação de serviços de inteligência como a NSA (Agência Nacional Segurança estadunidense), que pactuam com os grupos golpistas do Brasil: há empresários participando, o setor financeiro e os partidos de direita, que pedem o impeachment da presidenta Dilma Rousseff.

– A disputa pela Petrobras explica o impeachment (juízo político)?


– São gigantescos os interesses gigantescos envolvidos na campanha pela queda de Dilma, uma presidenta que nunca foi simpática com as grandes petroleiras privadas, desde os tempos em que era ministra de Lula e supervisou o novo marco regulatório do petróleo. Uma presidenta que não fez os leilões de campos que as estrangeiras pediram. Ela autorizou sim o leilão do megacampo de Libra, que foi vencido por um consórcio formado pela Petrobras e por empresas da China e de outros países, num leilão onde as empresas norte-americanas ficaram de fora.


– Esse leilão foi depois das escutas ilegais da NSA.


– Isso foi um escândalo muito grave, porque a NSA invadiu as comunicações da presidenta e da Petrobras, e nunca disseram que informações foram roubadas. Não será que essa informação é a que se usa agora para atacar a Petrobras? Eu acho que essa pergunta deve ser feita. A presidenta pediu a Barack Obama que entregasse a informação que foi roubada pela NSA, mas nunca se devolveu nenhum dado, algo bastante raro. Foi um caso gravíssimo, e depois disso Dilma teve a altivez de rejeitar um convite de Obama para uma visita de Estado (marcada para meados de 2013). Foi algo inédito, uma mandatária sul-americana rejeitando uma visita a Washington. Antes, os presidentes iam correndo, independente da situação.


– O marco regulador do petróleo é um ponto central?


– As corporações internacionais perderam toda esperança com Dilma assim que o governo deu sinais de que não vai retroceder no caso do marco regulador do petróleo. Há muitas críticas à presidenta que são justificadas, mas no caso da política para o petróleo eu acho que ela não vai dar o braço a torcer, e não permitirá que voltemos à legislação entreguista de Fernando Henrique Cardoso. Durante aqueles dois mandatos (entre 1995-2003) o modelo de concessões foi imposto a pedido das multinacionais, o que acarretou problemas seríssimos. As forças Armadas ocuparam refinarias e houve repressão pesada contra os trabalhadores. Também houve a demissão de centenas de companheiros petroleiros. FHC passou com um rolo compressor sobre o movimento sindical, suspendeu nossas fontes de financiamento, que eram absolutamente legais.


– O que querem mudar da atual lei?


– Eles querem alterar a legislação que surgiu no segundo governo de Lula (2007-2011), para ter acesso às nossas reservas. O que eles querem? Que haja mais leilões, restabelecer o regime de concessões do FHC, quando a Shell, a British Petrolium e a Chevron ganhavam os campos e se tornavam donas do petróleo. Agora isso não acontece mais, porque temos um regime de participação compartilhada.


– Onde está a diferença central?


– Agora também há leilões, mas a lei obriga que mesmo quando uma petroleira estrangeira vence, a extração seja realizada em conjunto com a Petrobras, e a Petrobras decide quanto será extraído e é a dona do recurso. As multinacionais já não podem levar tudo o que querem a qualquer momento. Agora o petróleo é tratado como um bem não renovável, estratégico, destinado ao desenvolvimento da indústria energética e do país em geral.


Ações em baixa


Nesta sexta-feira (22/1), as ações da Petrobras caíram 7% na Bolsa de Valores de São Paulo, quando se cotizaram a menos de cinco reais, o valor nominal mais baixo desde 2003.

Soriano relativizou a importância do “sobe e desce da bolsa”, pois a “empresa real é saudável, e em caso de mais oscilações, de que o preço do barril siga caindo, é possível contar com alguma ajuda do governo brasileiro ou dos nossos sócios do BRICS – a China, por exemplo, que já fez fortes investimentos”.


– A Petrobras anunciou uma redução de 32 bilhões de dólares em investimentos.
 
– Devemos esclarecer que isso não será em um ano, que é dentro do período 2015-2019, e que haverá investimentos de 98 bilhões de dólares que não serão afetados os investimentos nos campos da área do Pré-sal. Não queremos dizer com isso que a diminuição nos investimentos é boa, ou que estamos indiferentes, nós estamos categoricamente contra a venda de ativos da empresa, que agora alguns chamam “desinvestimentos”, e especialmente contra a venda de campos do Pré-sal, isso é inaceitável, mas por enquanto não está ocorrendo. Mas também é preciso dizer que há vendas de ativos que são lógicas, como quando se vendem navios antigos ou unidades que perderam sua capacidade de produção e não vale a pena reformá-las.


– Haverá demissões devido à crise?


– Não estamos enfrentando problemas de demissões dos trabalhadores permanentes neste momento, e somos mais de 80 mil. O que está ocorrendo é a demissão de trabalhadores terceirizados, que aumentaram muito nos últimos anos, algo que nosso sindicato vem criticando de forma geral.


Sobre o escândalo de corrupção: “Eram uma minoria”


O jornal paulista O Estado de S. Paulo publicou uma matéria dizendo que o arrependido Nestor Cerveró, o ex-diretor da Petrobras condenado por corrupção, declarou à Procuradoria que recebeu 300 mil dólares de propina pela venda da empresa Transener às argentinas Electroingeniería e Enarsa. Embora o processo pelo chamado “Petrolão” esteja sob segredo de justiça, o matutino reproduziu parcialmente essa confissão, na qual o ex-responsável da área internacional da Petrobras – a qual a Transener pertencia – menciona reuniões com o ex-ministro argentino Julio De Vido, mas não o indica como responsável pelos subornos, a maior parte dos quais “vieram da Argentina”. E comenta que o governo de Néstor Kirchner considerava “estratégico” que a transmissão de energia ficasse em mãos argentinas, impedindo que fosse operada por norte-americanos.

Néstor Cerveró se refere também a um almoço no qual participou, entre outros, o ex-ministro argentino Roberto Dromi – do governo de Carlos Menem. Consultado sobre as declarações de vários ex-hierarcas da Petrobras processados ou condenados por corrupção, o sindicalista Francisco Soriano declara que “a conduta desviada de alguns poucos não deve manchar o coletivo de trabalhadores e diretores da Petrobras”.

“Houve manobras obscuras de parte de altos funcionários, eram uma minoria dentro dos 80 mil trabalhadores que somos honestos, que defendemos a Petrobras e que consideramos que a corrupção é uma forma de atacá-la. Muitos desses corruptos vêm da época do governo de Fernando Henrique Cardoso. O que o Cerveró diz deve ser analisado com muito cuidado, porque ele busca a recompensa da delação premiada que o juiz Sérgio Moro entrega arbitrariamente, algo que me faz lembrar o modo de atuar da ‘República do Galeão’.”


– Por que a República do Galeão?


– Em 1954, pouco depois de criar a Petrobras, o presidente Getúlio Vargas sofreu um ataque sistemático das foras reacionárias, que promoveram uma investigação judicial liderada por um juiz da Força Aérea, algo absurdo do ponto de vista institucional. Era parte do plano golpista. Depois, o tribunal da Aeronáutica ordenou a prisão de gente próxima a Getúlio. Todo esse processo foi repudiado pelas forças populares, que usaram a expressão “República do Galeão” para denunciar o que acontecia. Hoje, está ocorrendo algo parecido com o processo do chamado “Petrolão”, porque é um caso típico de estado de exceção judicial. Um atentado judicial claro. Temos agora no Brasil um grupo de juízes e promotores que são parte de um plano para atacar a Petrobras e dar um golpe contra Dilma. O juiz (Sérgio) Moro (encarregado do “Petrolão”) realizou cursos financiados pelo Departamento de Estado norte-americano, está relacionado com os Estados Unidos, e sabemos que é simpatizante do PSDB. Moro é parte de uma engrenagem, conta com a simpatia dos meios de comunicação hegemônicos, os quais recebem informação filtrada pelos promotores. Assim chegam as confissões dos corruptos, declarações que partem de pessoas interessadas não confiáveis, e que se publicam de forma parcial, também segundo os interesses ideológicos da imprensa. É curioso que tudo o que sai nos diários seja os ataques ao PT e a ministros, e que quase nunca saia uma linha de declarações que mencionam políticos da oposição ou o próprio ex-presidente FHC. Na semana passada, o próprio Cerveró confessou que foi entregue uma propina de 100 milhões de dólares ao governo FHC, estamos falando de uma cifra muito alta. Mas nenhum meio deu maior importância, e o assunto morreu no dia seguinte.

Tradução: Victor Farinelli


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PETRÓLEO – Quem tem medo do petróleo barato?

Preços em baixa deveriam ser uma injeção de ânimo para a economia; mas não são para aquelas que dependem da produção Assim como as quebradeiras de bancos e os crashes dos mercados de ações, os choques do petróleo têm a rara capacidade de abrir a jaula de monstros assustadores. Desde o embargo imposto pelos árabes em 1973, as pessoas sabem que elevações repentinas nos preços do petróleo causam graves turbulências na economia. Em contrapartida, nas ocasiões em que a superprodução leva os preços lá para baixo como aconteceu em 1986, o mundo é imensamente beneficiado. Acreditase que uma queda de 10% no preço do barril do petróleo faz a economia mundial crescer entre 0,1% e 0,5%.
Nos últimos 18 meses, o preço do petróleo caiu até 75%. Desta vez, porém, os benefícios são mais incertos. Embora os consumidores tenham tido ganhos, os produtores estão comendo o pão que o diabo amassou. O impacto foi tão forte que ultrapassou os limites do segmento, contagiando os mercados financeiros. E a confiança dos consumidores também pode ser afetada. É possível que os benefícios gerados por esse petróleo tão barato ainda venham a superar os custos, mas os mercados caíram de forma tão brusca e pronunciada que nem isso está garantido.
A nova lógica econômica do setor petrolífero. O mundo está com petróleo pelo pescoço. A Arábia Saudita vem mantendo sua produção perto do máximo. Poucos duvidam que o objetivo é pôr para fora do negócio os produtores que operam com custos mais elevados, incluindo parte das empresas que exploram o petróleo de xisto nos Estados Unidos – e que fizeram a produção americana saltar de 5 milhões de barris por dia (bpd) em 2008 para mais de 9 milhões bpd atualmente. Os sauditas também estão dispostos a aguentar o
tranco para esmagar o arquirrival Irã, que, com a suspensão das sanções nucleares na semana que passou, tem potencial para despejar no mercado outros 3 milhões ou 4 milhões bpd.
Apesar dos esforços dos sauditas, os demais produtores resistem. No segmento de petróleo de xisto, as empresas estão tirando leite de pedra: exploram toda e qualquer possibilidade de aumentar a eficiência, receando abandonar seus poços e então ver o bloco vizinho colher os frutos quando os preços se recuperarem. Não desistirão enquanto conseguirem cobrir os custos diários, coisa que, em alguns casos, significa que só entregarão os pontos se o petróleo ficar abaixo de US$ 15 o barril.
Não bastasse isso, em outubro os estoques de petróleo dos países da OCDE correspondiam a 267 dias de importações líquidas, nível 50% superior ao observado há cinco anos. Esses estoques continuarão a aumentar, sobretudo se a demanda cair mais que o previsto na China e no restante da Ásia.
Fazer previsões sobre o comportamento dos preços do petróleo é tarefa ingrata (tendo dito, em março de 1999, que o petróleo poderia cair a US$ 5 o barril, The Economist fala por experiência própria), mas poucos esperam que a commodity comece a se recuperar antes de 2017. É possível que a baixa tenha chegado ao limite. Mas há quem acredite num barril a US$ 10.
Quanto mais barato melhor, dirão alguns. Basta ver o impulso proporcionado pela baixa aos importadores, da Europa ao sul da Ásia. Na zona do euro, de meados de 2014 para cá, a conta das importações de petróleo recuou 2% do PIB. E a Índia tornouse a economia de grande porte que mais cresce.
Ocorre que o último tombo nos preços também é fonte de apreensão. A queda acentuada pode gerar instabilidade política em áreas do mundo já marcadas por fragilidades socioeconômicas, como a Venezuela e os países do Golfo Pérsico, além de alimentar rivalidades no Oriente Médio.
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No curto prazo, o petróleo barato faz bem ao meio ambiente, pois arrasta consigo os preços mundiais do gás natural, que passa a ser usado no lugar do carvão, um combustível mais sujo. No longo prazo, porém, combustíveis fósseis baratos diminuem os incentivos à adoção de medidas destinadas a combater as mudanças climáticas. O que mais preocupa, porém, é a corrosiva lógica econômica com que o setor petrolífero vem operando.
No passado, o petróleo em baixa punha a economia mundial para trabalhar porque, de cada dólar a mais que tinham no bolso, os consumidores gastavam parcela muito mais significativa do que os produtores. Hoje, essa conta não é tão exata. É possível que os consumidores americanos estejam poupando mais que o esperado. As nações produtoras estão tendo de apertar os cintos, pois foram perdulárias quando os preços estavam altos. Depois da mais recente queda no valor do barril, a Rússia anunciou um corte de 10% nos gastos públicos. Até os sauditas, cujo déficit chegou a 15% do PIB, vêm promovendo cortes orçamentários.
Os efeitos deletérios para a demanda não param por aí. Quando os preços estavam acima de US$ 100 o barril, fazia sentido investir na exploração de regiões de difícil acesso, como o Ártico, a África Ocidental e o présal da costa brasileira. Com os preços em queda livre, os investimentos também despencaram. Projetos no valor de US$ 380 bilhões foram temporariamente suspensos.
Nos EUA, os gastos com ativos fixos do setor caíram pela metade em relação a seu patamar mais elevado. E o veneno proliferou: o índice dos gerentes de compra, que fechou em 48,2 em dezembro, registra contração cada vez mais acelerada. No Brasil, o efeito dos preços baixos para a Petrobrás foi exacerbado por um escândalo de corrupção que paralisou o governo.
O prejuízo gerado pela retração nos investimentos e nos preços dos ativos é ainda maior por ter acontecido de forma tão abrupta. Como a economia mundial ainda inspira cuidados, o colapso do setor pode provocar uma onda de calotes.
É difícil aquilatar as possíveis repercussões financeiras disso. De 2007 para cá, grande parte da elevação de US$ 650 bilhões no endividamento corporativo dos países emergentes se concentrou nos setores de petróleo e commodities. O petróleo é fundamental para algumas economias desse grupo que volta e meia estão em dificuldades. Com o PIB em queda, o governo russo pode se ver diante de uma crise orçamentária em questão de meses. A Venezuela, onde a inflação está acima de 140% ao ano, decretou um estado de emergência econômica.
Outras nações produtoras de petróleo estão sujeitas a passar por um ciclo similar, ainda que mais brando, de baixo crescimento econômico, desvalorização cambial, inflação importada e política monetária restritiva. Os bancos centrais de Colômbia e México elevaram suas taxas de juros em dezembro. A Nigéria implementou controles cambiais, num esforço desesperado (provavelmente fadado ao fracasso) de valorizar sua moeda.
Nos países ricos também há pontos de tensão. A rentabilidade dos títulos corporativos de grau especulativo saltou do patamar de 6,5%, observado em meados de 2015, para 9,7% na última quintafeira. Em pouco tempo, a cautela dos investidores com as empresas de energia foi transferida para todo tipo de tomador. Com os mercados de ações tomados por maus pressentimentos, os índices globais atingiram os níveis mais baixos em 30 meses. As autoridades monetárias dos países desenvolvidos temem que a continuidade das baixas taxas de inflação crie a expectativa de que os preços permanecerão sempre estáticos ou em queda – resultando, na prática, numa elevação dos juros reais. A margem de manobra da política monetária é pequena, já que, próximas de zero, os juros não têm como cair muito mais do que já caíram.
Do limão, a limonada. A queda nos preços do petróleo cria um número enorme de vencedores na Índia e na China. Dá a economias dependentes do produto, como Arábia Saudita e Venezuela, um motivo urgente para implementar reformas. Oferece a nações importadoras de petróleo, como Coreia do Sul, uma oportunidade para acabar com dispendiosos subsídios à energia – ou para provocar um pouco de inflação e conter seus déficits com a elevação de impostos.
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O problema é que esse choque do petróleo vem numa hora em que a economia mundial ainda lida com as sequelas deixadas pela crise financeira de 20072008. Alguns devem pensar que não poderia haver hora melhor para a economia receber um empurrãozinho. O fato, porém, é que o mundo talvez tenha de se manter encolhido enquanto houver um monstro petrolífero à solta por aí.
Fonte: Valor Econômico / The Economist


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INTEGRAÇÃO ENERGÉTICA – Bolívia chama Brasil e Argentina para discutir o assunto.

a Argentina e o Brasil sobre integração energética

Autoridades de Brasil e Argentina chegarão esta semana à Bolívia para dialogar com seus pares do país andino sobre a venda de eletricidade e de gás natural, informou na segunda-feira (25) o ministro dos Hidrocarbonetos e Energia boliviano, Luis Alberto Sánchez.
Sánchez disse aos meios de comunicação que nesta quarta-feira se reunirá na cidade boliviana de Santa Cruz com o ministro de Energia e Mineração da Argentina, Juan José Aranguren, para tratar a construção da linha de transmissão que permitirá à Bolívia exportar eletricidade ao mercado argentino.
Dentro desse projeto, pelo qual se estenderá uma linha de transmissão entre a cidade de Yaguacua, na região sulina de Tarija, e a cidade argentina de Tartagal, se prevê que a Bolívia venda a seu vizinho 440 megawatts de energia elétrica.
Na área de hidrocarbonetos, o ministro boliviano indicou que se espera “definir os volumes da venda de gás liquidificado de petróleo (GLP) e de gás natural liquidificado (GNL)” à Argentina.
Ambos países também dialogarão sobre o interesse que a estatal argentina YPF tem em desenvolver projetos de exploração de hidrocarbonetos na Bolívia, concretamente em três áreas no sul e no leste do país andino.
Já na quinta-feira também chegará ao país o secretário-executivo do Ministério de Minas e Energia, Luis Eduardo Barata, junto a executivos de Eletrobrás e Petrobras para dialogar sobre a construção de hidrelétricas e a ampliação do contrato de venda de gás boliviano ao Brasil, acrescentou Sánchez.
A Bolívia vende à Argentina pouco mais de 16 milhões de metros cúbicos diários de gás e cerca de 32 milhões ao Brasil.
Fonte: G1


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ENERGIA SOLAR – Transportadores de cargas poderão ter preços reduzidos.

Material desenvolvido na Suíça tende a deixar energia solar mais barata

Novo equipamento promete maior eficiência energética por 20% do preço atual
RIO — O alto custo de compra e instalação de painéis fotovoltaicos é um dos grandes entraves para a disseminação do uso de energia solar no Brasil e no mundo. No entanto, um novo material desenvolvido por cientistas da Escola Politécnica Federal de Lausanne (EPFL), na Suíça, promete mudar radicalmente este cenário. Por meio de engenharia molecular, eles criaram moléculas de FDT (sigla em inglês para fluoreno-ditiofeno dissimétrico), material capaz de transportar cargas positivas dentro dos painéis solares. Esta função é essencial para que as placas funcionem, mas, até hoje, os transportadores de carga eram muito caros. De acordo com os cientistas, o FDT custa um quinto do preço dos outros produtos e eleva a eficiência energética em 20,2%, enquanto os painéis que estão hoje no mercado conseguem 14%.
O FDT pode, também, ser facilmente modificado, segundo os pesquisadores. Isso permitiria o aumento do leque de opções para construir vários modelos de placas fotovoltaicas.
As novas placas de FDT são formadas a partir da perovskita, um tipo de mineral que assume a forma de cristais e é largamente utilizado para equipamentos de energia solar. Segundo um de seus criadores, o professor Mohammad Nazeeruddin, elas são mais fáceis de fabrificar e purificar.
No Brasil, com a tecnologia atual, gasta-se em média R$ 17 mil para ter energia solar em casa. A redução no preço fica ainda mais atraente quando se percebe como este novo tipo de placa é mais eficiente do que as que são usadas hoje em dia.
O coordenador da campanha de Clima e Energia do Greenpeace, Ricardo Baitelo, lembra que existem outras tecnologias ainda em laboratório que permitem aumentar a eficiência da energia solar em até 40%, mas todas elas são mais caras do que as que temos no mercado.
— A grande novidade dessa descoberta é a possibilidade de fazer a eficiência crescer ao mesmo tempo em que se reduz o custo — destaca. — O grande salto vai ser conseguir produzir placas com esse material em larga escala.
Para Baitelo, além de reduzir o preço dos equipamentos, é preciso encontrar uma forma de baratear os serviços — instalação e manutenção — e a logística.
— O Brasil importa todos os equipamentos relacionados a energia solar. Se começarmos a fabricá-los, gastaremos menos com logística — destaca.
Fonte: O Globo