petroleiroanistiado

A great WordPress.com site

RÚSSIA -Futuro da indústria do petróleo é incerto.

Deixe um comentário

16
Futuro da indústria do petróleo da Rússia é incerto

Nos pântanos congelados da Sibéria, as sondas de perfuração da petrolífera OAO Lukoil estão ajudando a Rússia a elevar sua produção de petróleo para os níveis mais altos desde o fim da União Soviética, há 25 anos.
Mas a queda dos preços da commodity, as sanções lideradas pelos Estados Unidos e a redução da exploração ameaçam o setor na Rússia e põem em dúvida sua capacidade de continuar sustentando as ambições do presidente Vladimir Putin em casa e no exterior.
Embora os recentes aumentos na produção russa tenham ajudado a amenizar a forte queda nos preços, Putin necessita tanto de recursos que seu governo adiou uma redução no imposto sobre as exportações de petróleo, inicialmente prevista para este ano. Executivos dizem temer que o adiamento possa ser prorrogado, desviando para o governo fundos que poderiam ser investidos em novas perfurações e explorações.
“Teremos que limitar nossos gastos e isso vai levar à queda na produção”, disse o diretorpresidente da Lukoil, Vagit Alekperov, em entrevista ao The Wall Street Journal na sede internacional da empresa, em Viena.
As autoridades russas reconhecem que os impostos mais altos que o estimado podem causar uma queda nos investimentos e na produção, mas dizem que o governo precisa dos recursos para compor o orçamento.
As sanções impostas pelos EUA e a Europa ao longo dos últimos 18 meses também pesam sobre as perspectivas futuras da Rússia, pois reprimem os financiamentos do Ocidente para possíveis explorações no Oceano Ártico e nas formações de xisto da Sibéria.
As reservas de petróleo e gás natural respondem por cerca de metade da receita do governo russo e suas exportações representam um terço da produção econômica nacional. Os recursos obtidos no setor petrolífero são essenciais para o poder de Putin, num momento em que ele está se digladiando com o Ocidente por conta da Ucrânia e da anexação da Crimeia, em 2014. Ele também despachou forças militares para a guerra na Síria, em apoio ao presidente Bashar alAssad.
O dinheiro do petróleo amplia o alcance de Putin, dando a ele recursos financeiros para conceder empréstimos baratos aos líderes que apoia e bancar aventuras militares em outros países.
Putin liderou um rápido crescimento da indústria de petróleo russa, que tinha sido abalada pelo fim da União Soviética. A produção recuou para 6,1 milhões de barris por dia em 1996, ante um pico de 11,4 milhões em 1987, durante a era soviética.
Com o aumento dos preços do petróleo e da produção nos anos 2000, Putin ampliou os gastos sociais para elevar o padrão de vida dos russos, solidificando sua posição como autocrata e obtendo níveis de aprovação superiores a 80%.
No fim do ano passado, Putin disse que o preço do barril do petróleo a US$ 50, usado para calcular o orçamento da Rússia para 2016, era otimista demais. Nas últimas semanas, ministros russos têm falado sobre cortes de despesas e uma possível “estagnação controlada”. O governo divulgou, na segunda-feira, uma contração de 3,7% do PIB do país em 2015, após crescimento de 0,6% em 2014. O preço do petróleo foi abaixo de US$ 30 na semana passada.
Ontem, houve uma pequena recuperação, com o preço do barril do Brent, referência internacional, fechando em US$ 30,83.
17
A receita da Rússia com petróleo também é ameaçada por uma renovada concorrência na Europa, mercado para o qual fornece um terço do gás natural consumido. Os primeiros carregamentos de gás natural liquefeito provenientes dos EUA devem chegar à Europa neste semestre. Os russos dizem que o produto americano será caro demais para ser competitivo.
Poucos consideram que há uma ameaça imediata a Putin. As sanções foram bem sucedidas em impedir que a Rússia explorasse novas fontes de petróleo, mas tiveram pouco impacto sobre a produção no curto prazo.
A China, que não aderiu às sanções, fornece à Rússia os equipamentos que o país precisa para ampliar a produção dos campos existentes, como o Imilor, na Sibéria, cujos poços ajudaram o país a produzir 10,73 milhões de barris diários de petróleo e condensados de gás em 2015, ante 10,58 milhões em 2014.
A Lukoil e a petrolífera estatal OAO Rosneft maior produtora da Rússia estão com os cofres cheios e gerando recursos suficientes para pagar dividendos, enquanto algumas de suas rivais americanas e europeias têm dificuldades para arcar com seus gastos e pagar dividendos. As ações de algumas petrolíferas russas subiram. Já as de petrolíferas ocidentais vêm caindo.
Sem novos investimentos, porém, o futuro do petróleo da Rússia é menos brilhante. Na Sibéria Ocidental, onde é produzido cerca de dois terços do petróleo do país, as empresas registram quedas na produção após anos de exploração. “É improvável que possamos estabilizar a produção na Sibéria Ocidental”, disse Alekperov, da Lukoil. “Podemos apenas retardar o declínio.”
O Ministério da Energia da Rússia estima que a produção nacional de petróleo permanecerá nos níveis atuais até 2035. A Agência Internacional de Energia, que monitora as tendências do setor e tem sede em Paris, prevê que a produção russa pare de crescer este ano e caia a 10,5 milhões de barris por dia até 2020, chegando a 9 milhões em 2040. Uma razão para isso é que as petrolíferas russas têm se beneficiado de três fatores que não devem perdurar: um sistema fiscal favorável, baixos custos de produção e a desvalorização do rublo.
O sistema fiscal da Rússia tem ajudado a amenizar o impacto do preço do petróleo sobre as petrolíferas do país. As duas principais fontes de arrecadação do setor os impostos de exportação e de extração mineral são atreladas ao preço do petróleo. Em 2015, a fatia do governo caiu junto com os preços, mas as empresas ainda faturaram, depois de impostos, uma média de US$ 13 por barril, segundo relatório do Citigroup.
Mas o governo cogita mudanças fiscais. O Ministério da Fazenda afirmou que pode obter cerca de 200 bilhões de rublos (US$ 3,6 bilhões) com impostos adicionais no setor de petróleo neste ano, principalmente ao suspender temporariamente a redução prevista no imposto de exportação. Executivos do setor alegam que isso deve reduzir investimentos e também a produção.
Mesmo assim, algumas empresas acreditam que podem produzir mais porque grande parte do petróleo russo é explorado em terra, não em alto mar, o que reduz os custos de extração.
A Gazprom Neft, braço de petróleo da estatal de gás PAO Gazprom, afirma que pode obter lucro nos campos atuais mesmo que o preço do barril de petróleo caia para US$ 15.
A desvalorização do rublo ocorrida após a imposição das sanções, no início de 2014, e a primeira queda no preço do petróleo, também reduziram os custos para o setor na Rússia, que vende o petróleo em dólar e costuma pagar trabalhadores e comprar equipamentos na moeda local.
Em novembro, a Lukoil informou a investidores que seu custo de extração tinha caído mais de 30% nos primeiros nove meses de 2015 ante um ano atrás.
Fonte: Valor Econômico

Anúncios

Autor: carlosadoria

MANTÉM SUAS UTOPIAS DE 60 ANOS ATRÁS.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s