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PETRÓLEO – Preços baixos não necessariamente implica em aumento do consumo.

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Quem conta com os baixos preços do petróleo como estímulo ao crescimento de países importadoras de energia, como os EUA e a Europa, tem de rever seus conceitos. O alerta foi dado ontem pelo vice-diretor gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Min Zhu, que chamou a atenção em Davos para uma mudança importante: antes, quando o preço de
combustíveis diminuía, americanos e europeus respondiam de imediato aumentando o consumo, devido à ampliação da renda disponível.
Não é mais assim. “Em vez de gastar mais no varejo, as pessoas estão poupando. É uma grande mudança no comportamento dos consumidores”, disse o economista chinês. Para ele, essa atitude é influenciada pelo trauma da crise de 2008 e pelo envelhecimento da população, que gasta menos para garantir as suas aposentadorias.
Resultado: em vez de impulsionar os países ricos, o derretimento dos preços pode ter efeito neutro – ou até negativo. Isso porque os grandes países produtoras vinham usando cerca de 90% de sua receita com petróleo em investimentos e consumo, segundo Min.
O diretor-executivo da Agência Internacional de Energia (AIE), Fatih Birol, reforçou esse argumento. Disse que a manutenção do barril abaixo de US$ 30 pode causar encolhimento do PIB na casa de 20% na Arábia Saudita e 10% na Rússia.
Para os que atribuem parte da queda dos preços à desaceleração da economia chinesa, as perspectivas traçadas por Eric Xin Luo, presidente da Shunfgeng International Clean Energy, podem despertar novas interrogações.
Ele disse que, em um processo rápido de transformação de sua matriz energética, a demanda por eletricidade atendida por fontes renováveis – basicamente usinas eólicas e solares – passará dos atuais 2% para cerca de 25% até 2030. Os impactos nas compras de óleo e gás fornecidos por outros países são imprevisíveis.
Xin deu uma dimensão da velocidade com que essa mudança tem acontecido. Nos últimos dois anos, o custo da geração solar caiu 25%. A eficiência também disparou. No mesmo período, um painel fotovoltaico de 60 píxels, que gerava 185 watts, teve seu potencial aumentado para 260 watts, usando a mesma área.
Os números são gigantescos. Só de usinas eólicas, a tendência é ter cerca de 500 mil megawatts em 2030, o equivalente a quatro vezes o parque instalado no Brasil – somando até hidrelétricas e térmicas. Esse movimento, diz o empresário chinês, não tem ver apenas com redução de preço ou conscientização ambiental. “A classe média chinesa não quer só riqueza material. Também quer qualidade de vida: ar limpo, terra limpa, água limpa”, afirma Xin. Serão tempos incertos para o petróleo.
Fonte: Valor Econômico

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Autor: carlosadoria

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