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PETROBRAS – Expectativa quanto a novos números do plano de investimentos.

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Novo plano de investimento da Petrobrás será ainda mais enxuto que o de
2015

Orçamento da estatal para os próximos cinco anos, que deve ser anunciado em fevereiro, reforça o
novo perfil da companhia, com mais foco em produção em águas profundas e menos em exploração;
lista de ativos à venda pode aumentar
RIO – Após um ano de ajustes nas contas e dois cortes no orçamento, em meio à forte depreciação
cambial e à queda nas cotações de petróleo, a Petrobrás planeja divulgar até o próximo mês um novo
plano de investimentos para o período de 2016 a 2020. Segundo fontes envolvidas na elaboração do
documento, o orçamento de 2016 será ainda mais enxuto do que os US$ 19 bilhões anunciados em
outubro, na última revisão do plano de negócios.
Os investimentos devem reforçar o novo perfil da empresa, focado na produção em águas profundas
e com gasto menor na atividade exploratória. Blocos em terra ou em águas rasas já não estão no
radar da empresa, ao contrário do que acontecia até o ano passado, quando passou a rever seu
portfólio diante da restrição de caixa em meio à crise da indústria. Como resposta, a estatal colocou
áreas menos atrativas à venda e apostou na produtividade das áreas do pré-sal.
“A empresa terá de pagar por um profissional. É melhor pagar quem atua no pré-sal, que produz 20
mil barris por dia ou quem atua em outra área, onde a produção é de 2 mil barris por dia? No pré-sal,
é claro”, ressaltou o executivo, que pediu anonimato. Ele destacou que, ainda que os desafios
logísticos e tecnológicos encareçam o pré-sal, a empresa ganha em escala.
No segmento de produção e venda de combustíveis, a petroleira considera até mesmo perder
participação de mercado para concorrentes. Os preços praticados pela estatal estão mais altos que o
valor cobrado no exterior – medida adotada para recompor o caixa da petroleira. Como
consequência, outras distribuidoras passaram a ampliar importações de combustíveis para revender
em suas redes a preços mais competitivos, ampliando sua presença no mercado doméstico. Ainda
assim, a avaliação na Petrobrás é que entre investir e perder participação de mercado, a empresa
prefere a segunda opção.
Além de investir menos, a petroleira pode ainda aumentar a lista de ativos à venda, caso perceba que
a meta de arrecadação com essas vendas não será atingida. Depois de se desfazer da participação
na Gaspetro e com o adiamento da abertura de capital da BR Distribuidora, a estatal ainda tem 26
ativos em negociação para alcançar a meta de US$ 59 bilhões até 2018. “Se percebermos que não
vamos cumprir a meta, aumentaremos a lista de ativos”, disse outra fonte a par do assunto.
A venda de ativos continua como a principal arma da estatal para reduzir sua alavancagem, indicador
que mede a relação entre o endividamento e a capacidade de geração de receita da companhia. No
terceiro trimestre de 2015, a empresa declarou endividamento total acima de R$ 500 bilhões.
Apesar da situação delicada, a fonte comentou que a Petrobrás tem caixa suficiente para honrar
compromissos até julho de 2017. A avaliação é que a situação de caixa é mais confortável neste ano
e, por isso, não há necessidade de captar recursos com emissão de títulos no mercado financeiro.
Outras alternativas estão em estudo, como a securitização da receita de exportações de petróleo,
operação na qual os recursos são antecipados com a emissão de títulos associados à venda de óleo
no exterior.
Cortes. Em junho de 2015, a estatal divulgou o plano de negócios de cinco anos. Para 2016, a
previsão inicial era investir US$ 27 bilhões. Em outubro, a companhia reviu números e indicou que,
para este ano, os gastos seriam de US$ 19 bilhões. O novo corte previsto para o próximo plano de
5
negócios, a ser divulgado em fevereiro, sinaliza o esforço da diretoria para equacionar a frágil
situação financeira da empresa, que sofre desde 2014 os efeitos da queda nas cotações do petróleo.
Nesta quarta-feira, 6, o barril de óleo foi negociado nas bolsas de Londres e Nova York, em média, a
US$ 34. Até agosto de 2014, os valores estavam em cerca de US$ 110. A mudança no cenário global
provocou uma revisão nos investimento da indústria de petróleo em todo o mundo – desde venda de
ativos, cancelamento de investimentos até demissão de funcionários.
Fonte: O Estado de S. Paulo

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Autor: carlosadoria

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