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PETROLEO – Custo de Produção vai regular o mercado.

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Custo de produção vai regular o mercado

O direto da IHS no Brasil afirma que a Opep não tem mais a função de regular o mercado e que os
países que tiverem baixo custo de produção vão ditar as regras em 2016
Com o colapso no preço do barril, a IHS estima que a indústria de petróleo invista US$ 1,5 trilhão a
menos do que o planejado entre 2015 e 2019. De acordo com o IHS Energy Market Survey System,
uma boa parte desse volume de recursos, aproximadamente US$ 600 bilhões, deixará de ser
investida devido a postergação de projetos. O diretor da Área de Consulting da IHS para a América
Latina, Rodrigo Vaz, conversou com a Brasil Energia Petróleo logo após a última reunião da Opep,
que ele vê com descrença. Para o executivo, o cartel não tem mais a função de regular o mercado e
os países que tiverem baixo custo de produção vão ditar as regras em 2016. A consultoria prevê o
início da recuperação do preço do barril somente a partir do fim do ano. “Nossa projeção é que em
2020 vamos voltar aos US$ 80”, comenta.
O que a última reunião da Opep, realizada em dezembro, vai representar para o mercado de
petróleo e gás em 2016?
A reunião cumpriu um ritual político. A produção de baixo custo vai substituir a produção de alto
custo. O mercado agora não vai mais ser regulado pela Opep, mas pelo custo da produção e o preço.
Pelo menos até a próxima reunião, que vai ser em junho. A conclusão do mercado é que não há mais
por que falar em Opep. Ficou decidido manter os níveis de produção livres e esperar até a próxima
reunião no dia 2 de junho, em Viena, para avaliar com maior clareza o comportamento do preço do
óleo. Não foi sequer mencionado o teto de produção nesta 168ª reunião. Este teto estava fixado em
30 MMb/d desde a reunião de dezembro de 2011. Mohamed Hamel, da Argélia, foi apontado como o
chairman do conselho da Opep até dezembro de 2016, o que também já era esperado.
E o que esperar até a próxima reunião?
Até o próximo encontro, deixa de fazer sentido falar do cartel dos membros da Opep versus os países
não Opep. O mercado agora passa a ser regulado por custo de produção e preço do óleo, com todos
produzindo o seu máximo (com exceção da Arábia Saudita, que tem capacidade ociosa) para ganhar
mercado. Há uma divisão clara entre os membros da Opep: Irã e Venezuela (acompanhados de
Argélia e Nigéria) de um lado clamando por um corte de produção ou retomada do sistema de quotas
e de outro a Arábia Saudita com os países aliados do Golfo (que representam 50% da produção da
Opep) decidindo pela manutenção da prática de produção livre. Esse mesmo movimento de queda de
preço aconteceu em todos as outras commodities. A diferença é que as demais indústrias não têm
uma Opep por trás para controlar os preços com produção. Todas essas commodities foram
beneficiadas durante o período de “superciclo” da China. O óleo está apenas sendo o último a sair da
festa e agora irá disputar mercado por preço como todos os outros. O presidente de uma mineradora
australiana perguntou recentemente: “Por que eu devia fazer cortes na minha produção, e deixar um
produtor menos eficiente e de custos mais altos ganhar mercado no meu lugar?”. A Saudi Aramco
está tomando a mesma posição.
Qual é a expectativa da Opep?
A expectativa da Opep é que a demanda cresça com o óleo muito barato e que países de alto custo
de produção diminuam sua produção para rebalancear o mercado até o fim de 2016. Espera-se que a
China tire vantagem do preço para aumentar significativamente suas compras de estoque estratégico
em 2016. Cada barril produzido por um produtor de baixo custo como a Arábia Saudita e seus aliados
do Golfo (Qatar, Kuwait, Emirados) irá substituir um barril de alto custo em outro lugar do mundo ou
contribuir para que os preços diminuam ainda mais.
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O que podemos esperar da Arábia Saudita?
A mensagem é que eles seguirão com a estratégia clara de manter sua produção dentro da faixa de
10,2 a 10,6 MMb/d, mantendo também sua estratégia de segurança de deixar 1,5 a 2 MMb/d de
capacidade ociosa – basicamente toda a capacidade ociosa disponível para produzir do mundo. Eles
só cortarão produção se outros países e não Opep também cortarem. A Arábia Saudita representa
toda a esperança e ao mesmo tempo todo o medo do mercado de petróleo atual. Tem reservas
suficientes para manter essa guerra por mercado por mais um bom tempo. Outros países terão de
cortar sua produção antes que ela perca mercado.
E se o Irã voltar ao mercado?
A pressão do retorno do Irã, com mais 600 mil b/d no 1º trimestre de 2016 não sugere que a Arábia
Saudita aceite cortar sua produção tão cedo. O Irã deve oferecer fortes descontos nos seus contratos
para retomar o mercado perdido após as sanções de 2012. A Rússia é o principal concorrente pelo
market share asiático agora.
E os EUA?
Eles vão cortar mais. A produção já começou a cair do pico de 9.6 MMb/d em abril de 2015 e
estimamos que chegue a 8.7 MMb/d em abril de 2016. Atualmente existem 3.000 DUCs (drilled-butuncompleted)
poços perfurados e não completados somente nos três principais campos de shale.
Ainda há incertezas no comportamento da produção dos EUA nos próximos anos, especialmente
quando o preço voltar a se recuperar.
E o preço do barril?
A IHS estima que só no final de 2016 ou início de 2017 vamos conseguir balancear a oferta e a
demanda. Ainda teremos uma volatilidade grande no preço até lá. Nossa projeção é que em 2020
vamos voltar aos US$ 80.
A demanda crescerá até o fim da década?
A IHS prevê um aumento de 7 milhões de b/d na demanda mundial até 2020. A Opep está
produzindo próximo de 31,5 milhões de b/d, exatos 1,5 milhão de b/d acima do teto histórico de 30
milhões de b/d desde 2011. O mundo está com um excesso de oferta de 1,5 milhões de b/d, o que
representa 2% da produção mundial, hoje em 94 milhões de b/d.
Esse desmonte da Opep fez os EUA terem uma importância maior ainda no mercado mundial
de petróleo?
Parece que agora está caindo a razão para a existência da Opep. Eles não estão mais querendo
regular esse mercado. Os EUA estão fazendo esse papel, pois são muito sensíveis a preço. Não é
uma questão política.
E a China? Qual o papel da China hoje?
Entre 2004 e 2014, a China foi responsável por 45% da demanda de petróleo mundial. Ela não parou
de crescer. Só que agora não é o que era antes. Com essa desaceleração, ficou com sobreoferta.
Também tem a Índia. É preciso olhar para esse mercado.
Qual o impacto da geopolítica do petróleo mundial nos países da América do Sul?
A IHS enxerga o Brasil crescendo a produção, mesmo com a queda da preço do barril. Consideramos
que a curva de produção anunciada pela Petrobras até 2020 ainda experimente maiores reduções
devido a redução de investimentos e desinvestimentos de US$ 15 bilhões em ativos de downstream,
midstream e upstream.
E as mudanças políticas na Argentina?
O mercado deve se tornar mais atrativo com a entrada do novo presidente, sobretudo para os
produtores de shale gas na Bacia de Neuquém. Tem um mercado muito forte de gás.
O mercado colombiano foi dado como um novo eldorado do petróleo na América do Sul.
Não são atrativos como o Brasil em termos geológicos, mas conseguiram criar uma parte regulatória
bastante atrativa. Geraram emprego. Dobraram a produção. O problema deles é geológico. Não têm
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grandes descobertas. Depois, o México roubou esse lugar de queridinho. Abriu o mercado. Fez a
primeira licitação. Não foi bom. Estão ajustando. Aqui no Brasil fizemos o contrário. Fomos ficando
cada vez mais restritos. Está na hora de rever.
Perdemos o momento?
No tempo em que paramos de fazer leilões, os EUA dobraram a produção deles com shale.
Tecnologia e eficiência de custo foram fundamentais.
Fonte: Revista Brasil Energia

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Autor: carlosadoria

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