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ENERGIA EÓLICA – O Brasil deveria ter uma grande participação de energia eólica na sua matriz.

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Por Alexandre Pereira *
Não é surpresa que o Brasil já seja um dos dez países que mais utiliza energia eólica no mundo. O
pais é privilegiado com relação à disponibilidade de recursos eólicos. As pesquisas recentes da
consultoria UL International GmbH (antes Dewi) estimaram que o potencial eólico brasileiro,
tecnicamente realizável, pode ser superior a 500 GW em terra e 350 GW no mar, para projetos
eólicos offshore em águas rasas.
O preço da energia eólica já contratada até o momento no Brasil, que nos últimos seis anos totalizou
mais de 16.000 MW de potência, mostra que esta fonte renovável é muito competitiva perante as
demais fontes de energia existentes no país.
Existem cadastrados na Aneel dezenas de milhares de MW de projetos eólicos em desenvolvimento
no país, e o reflexo disso é a indústria eólica, presente no país desde 1994, fortalecendo sua
presença local e se estruturando para produzir uma quantidade maior de equipamentos e oferecer
serviços de operação e manutenção visando atender às necessidades dos projetos brasileiros, tanto
do ponto de vista da logística de fornecimento quanto para conquistar melhores condições de
financiamento e seguros.
Entretanto, nos últimos anos, a escassez de energia oriunda das hidrelétricas, em função da
depreciação dos reservatórios de água das grandes usinas, sobretudo nas regiões castigadas pela
falta de chuvas, aliada à demanda crescente de energia, em consequência do crescimento
populacional e da mudança de hábitos de consumo, nem tanto pelo desenvolvimento e a produção
industrial, causaram uma situação indesejável ao país: a necessidade de utilização de todas as
usinas termelétricas existentes, com custos entre 6 a 10 vezes mais caros que a energia eólica, a
plena capacidade durante 100% do tempo. Todos sabem que o uso dessa energia de reserva,
extremamente cara e altamente poluente, da forma como está sendo despachada, trazendo
consequências imediatas para a conta de eletricidade da população e de longo prazo para a
natureza, não é sustentável nem inteligente.
O Brasil pode, neste momento, tomar uma decisão importante para reverter esse quadro,
espelhando-se no exemplo recente de outros países, como a Alemanha, que resolveu desenvolver
uma matriz energética renovável, abolindo fontes caras e poluentes (e com riscos associados à
segurança) e investindo nas fontes eólica e solar. Atualmente, a Alemanha, que tem um potencial
eólico e solar muito menor que o Brasil, já produz 20% de toda a eletricidade consumida no país a
partir dessas duas fontes de energia. Enquanto isso, as estimativas atuais indicam uma tímida
participação da energia eólica no Brasil de apenas 11,5% em 2023, com base no consumo elétrico de
hoje.
Para alcançar um desenvolvimento proporcional ao potencial existente, visto aqui como estratégico
para o Brasil, uma adaptação do planejamento do setor para os próximos dez anos deveria ser feita,
de forma que as fontes eólica e solar possam ter uma participação futura maior diante da demanda
crescente da energia elétrica, e também, aproveitando a conhecida complementaridade eólica-solarhídrica,
para minimizar os efeitos negativos causados pela baixa capacidade de armazenamento dos
reservatórios das hidrelétricas. O setor esperaria, por exemplo, um maior número de leilões e regras
estáveis para estimular investimentos em projetos de energias renováveis. Outro fator que o Dewi
considera essencial para o sucesso das energias eólica e solar no Brasil é o investimento em
pesquisa e desenvolvimento, pois este ainda é um mercado novo, carente de formação profissional
especializada e de desenvolvimento de tecnologia própria.
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Mas no cenário econômico atual, imprevisível e adverso, as exigências para financiamento de
projetos, não exclusivamente para projetos eólico e solar, serão maiores. Quando o risco aumenta,
mesmo grandes empresas do setor poderão não conseguir viabilizar seus projetos caso não
consigam provar a sua qualidade.
Como é um segmento relativamente novo, com pouco histórico de funcionamento, até mesmo
grandes projetos precisam de referências, precisam ser auditados e certificados com selos de
qualidade reconhecidos mundialmente, precisam de garantias para viabilizar um fluxo constante de
financiamentos. A análise de risco é um serviço primordial ao setor.
Quanto antes forem avaliados os riscos de cada fase de desenvolvimento do projeto, mais fácil será
evitar desvios e minimizar erros, garantindo um bom resultado econômico aos investidores.
* Alexandre Pereira é diretor presidente do DEWI do Brasil
Fonte: Revista Brasil Energia

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Autor: carlosadoria

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