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MERCADO TERMOELÉTRICO – Inadimplência afeta Petrobras.

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PETROBRAS
Inadimplência no mercado de energia afeta a Petrobras

Térmicas da estatal estão recebendo só metade do que deveriam.
SÃO PAULO – A inadimplência recorde vista nas liquidações financeiras do mercado de curto prazo de eletricidade nos últimos meses tem pesado sobre a petroleira estatal Petrobras, que costuma ter elevados valores a receber na Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE), segundo especialistas ouvidos pela Reuters.
Na liquidação dos contratos referentes a julho e agosto, realizada na quinta-feira pela CCEE, a inadimplência alcançou R$ 2,4 bilhões, ou 56% dos R$ 4,2 bilhões envolvidos na operação, que acerta diferenças entre a geração ou consumo das empresas em relação aos contratos de compra e venda de energia.
Os atrasos e inadimplências nas liquidações da CCEE têm acontecido desde agosto, quando diversas empresas de energia começaram a obter liminares na Justiça para evitar prejuízos com o déficit de geração registrado pelas hidrelétricas devido à seca.
Munidas de decisões judiciais que evitam que arquem com pagamentos relacionados ao déficit — a CCEE contabilizou 92 liminares envolvidas na liquidação de quinta-feira —, algumas companhias acabam deixando sem receber empresas como a Petrobras, que teriam valores a embolsar na liquidação.
— A Petrobras é um agente que está sendo bastante impactado por conta disso. (A petroleira) tem muitas usinas térmicas nessa situação — elas são chamadas a gerar e não recebem a totalidade de sua receita (devido à inadimplência na CCEE) — apontou o gerente de Regulação da Safira Energia, Fábio Cuberos.
TERMELÉTRICAS SEM CONTRATOS
Parte da exposição da Petrobras à inadimplência deve-se ao fato de a empresa possuir termelétricas sem contratos de venda de energia —conhecidas no mercado como “usinas merchant”, que vendem toda a produção no mercado de curto prazo — além de outras plantas ligadas a toda carga, gerando sobras de energia.
Empresas com valores a receber na liquidação da CCEE têm descontada da receita uma parcela equivalente ao percentual de inadimplência registrado.
— Essas usinas não estão recebendo os créditos por sua geração de maneira integral… estão recebendo aproximadamente metade — explicou o pesquisador Roberto Brandão, do Grupo de Estudos do Setor Elétrico da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Gesel-UFRJ).
A Petrobras possui 21 termelétricas próprias ou alugadas, com capacidade instalada de 6,6 gigawatts, o que faz da empresa a sexta maior geradora de energia do país, de acordo com dados da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).
A Petrobras também sofre efeitos indiretos da inadimplência, uma vez que muitas térmicas afetadas pelo calote compram combustível da petroleira.
Em junho, no início das negociações das geradoras com a Aneel para resolver o déficit das hidrelétricas, a Petrobras enviou carta em que levantava preocupação com eventuais problemas no fluxo de pagamentos na CCEE.
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“Os agentes termelétricos utilizam os créditos da liquidação (da CCEE)… para o pagamento dos custos associados à aquisição do combustível”, argumentou a petroleira.
A Petrobras alegou à época que, caso a disputa em torno do déficit hídrico impedisse os pagamentos na CCEE, haveria “desequilíbrio para os agentes termelétricos”, que teriam sérias dificuldades em honrar seus contratos de combustível e garantir sua continuidade operacional.
Para Brandão, da UFRJ, há muitas termelétricas que são de outras empresas, mas compram o combustível da Petrobras e podem ter dificuldades para honrar os compromissos por esse fornecimento sem receber a totalidade da receita na CCEE.
“Elas não vão ter como pagar o combustível. Não sei se isso ganha uma dimensão a ponto de ser um risco para a Petrobras, mas é um problema para ela, sem dúvida alguma. Seja no que ela tem a receber diretamente, seja indiretamente”, apontou.
Um estudo do Gesel-URFJ aponta os pagamentos para térmicas “merchant” ou que geraram acima do previsto representaram cerca de 41% dos créditos na liquidações da CCEE ao longo de 2014.
Procurada, a Petrobras não pôde comentar imediatamente.
PREJUÍZO QUE SE ARRASTA
Na liquidação de junho, que aconteceu em agosto, já havia sido registrado um calote de R$ 1,4 bilhão, ou 47% dos R$ 3 bilhões movimentados.
A operação referente a julho devia ter acontecido no início de setembro, mas foi adiada duas vezes e realizada em conjunto com a de agosto devido a uma guerra judicial entre os participantes do mercado.
Nas liquidações dos últimos três meses, a CCEE registrou inadimplência próxima de 50%, prejuízo esse que pode começar a ser acertado nas próximas operações da câmara, desde que as empresas retirem as ações judiciais.
— A judicicialização foi num nível tamanho que a solução para o problema não é trivial. Retiradas as ações judiciais, o elemento principal para desatar esse nó está dado, mas não é uma coisa tranquila e nem vai ser muito rápido — disse Brandão, da UFRJ.
A Aneel tem tentado fechar um acordo para compensar parcialmente as hidrelétricas pelas perdas, mas a demora para se chegar a um entendimento com as empresas travou o mercado.
Com a indefinição, especialistas chegaram a especular que a inadimplência na CCEE poderia bater até 90%.
— Não chegou a tanto, então a situação não está tão ruim como parecia. Mas, por outro lado, a situação ainda é horrível, porque não há ainda a menor perspectiva de se resolver isso — ponderou o sócio da comercializadora de energia Federal, Erick Azevedo.
Fonte: O Globo

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Autor: carlosadoria

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