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ENERGIA EÓLICA – Quer crescer na crise e pode representar 12% da matriz em 10 anos.

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Eólica quer crescer na crise

Fonte consolida posição diante de mau quadro hidrológico e pode representar 12% da matriz em 10 anos

Em um momento desfavorável para a geração hidrelétrica, devido ao ritmo hidrológico atípico e à baixa nas afluências, as eólicas conseguiram demonstrar que têm capacidade de complementar a produção de base, num país bem suprido de ventos como o Brasil, especialmente no Nordeste. Essa é a percepção de quem observa o setor eólico, diante da momentânea melhora no quadro climático e hídrico verificada recentemente.

O presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Maurício Tolmasquim, afirmou durante o evento Brazil WindPower 2015, realizado no início de setembro, no Rio de Janeiro (RJ), que, “sem o parque eólico no Nordeste, estaríamos racionando energia na região”.

O nível de armazenamento dos reservatórios hidrelétricos na região vem registrando níveis de armazenamento abaixo de 20% há várias semanas. A produção eólica, por sua vez, ficou em média emparelhada com a geração das fontes hidrelétrica e térmica, consideradas de base, entre 2 mil e 3 mil MW médios no mês. Entretanto, o quadro de baixa hidrologia poderá ser aliviado até o fim deste ano, com a perda de força do fenômeno climático Oscilação Decadal do Pacífico (ODP).

De acordo com a diretora de Pesquisa e Desenvolvimento do Climatempo, Gilca Palma, apesar das chuvas, o Nordeste permanecerá seco no primeiro semestre do ano que vem, o que contribuirá para o funcionamento das eólicas.

O diretor geral do Operador Nacional do Sistema Elétrico, Hermes Chipp, afirmou que se encontra em fase experimental no operador uma nova metodologia para aprimorar a previsão de ventos. Segundo o executivo, estão em teste três modelos, da consultoria Meteológica, com a qual o operador trabalha desde janeiro deste ano. Com o novo modelo, o órgão espera trazer maior precisão à programação da geração eólica.

A fonte no país tem experimentado crescente expansão, com expectativa de chegar ao fim deste ano a 9 mil MW de capacidade, segundo previsões da Associação Brasileira de Energia Eólica (Abeeólica).

Atualmente, são 7,07 mil MW instalados, a partir de 281 usinas, e mais 11 mil MW contratados até 2019. Não só a associação, mas o próprio governo demonstra otimismo em relação à fonte. Tanto é que Tolmasquim acenou com um ajuste para cima do preço da próxima concorrência, o segundo leilão de energia de reserva, previsto para novembro. No leilão anterior, o preço-teto ficou estabelecido em R$ 184/MWh, considerado não tão atrativo para investidores.

Segundo o diretor comercial da Gamesa, Mauro Bittencourt, o valor não foi adequado e, por isso, dificultou a atração dos investidores. A Voltalia, por exemplo, que, de acordo com o diretor-geral, Robert Klein, conta com até 300 MW prontos para o próximo leilão de reserva, condiciona sua participação ao preço-teto e às condições para investimento e financiamento.

Ajustes

Mesmo sendo considerado um caso de sucesso, o setor eólico ainda busca resolver seus desafios. Um dos principais pedidos do setor, o reajuste do valor inicial dos leilões deverá considerar a elevação cambial e a variação nas condições de financiamento, afetadas pela conjuntura econômica nacional. Se tais condições forem precificadas, haverá real chance do segmento de contratar os 3 mil MW esperados. Até agora, foram negociados apenas 1,753 MW nos leilões deste ano. 14

De acordo com o presidente da EPE, são esperados ainda 24 mil MW a partir de eólicas em 2024, de forma que a participação da fonte na matriz nacional subirá de 4% em dezembro de 2014 para 12% até aquele ano.

Os dados são os mais recentes para a expansão do setor e vão compor o Plano Decenal de Energia (PDE) 2024.

Além do preço-teto em leilões, o setor possui ainda diversos pleitos, considerados desafiadores pelos agentes. Deles, o financiamento para novos projetos eólicos no país está sendo considerado com uma certa cautela pelos bancos, sobretudo por conta do atual cenário macroeconômico, que inclui dólar mais caro, efeitos da desaceleração da China e crise financeira brasileira.

O quadro tornou-se mais sombrio depois que a agência de classificação de risco Standard & Poor’s retirou o grau de investimento do Brasil, rebaixando-o ao nível de países considerados mais arriscados. Essa situação eleva a percepção de risco de investidores e financiadores, o que, no final, eleva as taxas de juros para diversas operações de crédito. A notícia veio em má hora, no momento em que o governo tem elevado a Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP) e o BNDES tem sido mais restritivo na concessão de novos financiamentos.

Segundo Marcelo Girão, chefe de project finance do setor de energia no Itaú BBA, eventuais mudanças nas regras de financiamento também influenciam, mas não excluem um maior apetite dos investidores. “Aumento de custo financeiro e maior aversão ao risco acabam se refletindo numa taxa de retorno e, como consequência, o preço deve acomodar esse tipo de volatilidade”, explicou o executivo.

Fornecedores

Já na visão dos fornecedores, apesar da conjuntura desfavorável, há otimismo quando se olha a expectativa de projetos eólicos futuros no país. Segundo o diretor da Acciona, Christiano Forman, a companhia não tem dúvidas sobre o potencial do mercado brasileiro a longo prazo, mas afirmou que o momento requer cautela.

“A situação econômica no momento é ruim; no curto prazo a solução é a previsibilidade. Precisamos entender o cenário, entender o que mudou no mercado brasileiro para que os leilões possam ser precificados e a cadeia produtiva continue em andamento”, frisou.

Para isso, uma estratégia bem analisada e tida como favorável pelos fornecedores foi a proposta de entrega escalonada. “Criar uma flexibilidade, uma janela de implementação, contribui para condições melhores”, comentou João Paulo Gualberto Silva, diretor de energia eólica da WEG.

A entrega escalonada é uma saída segundo a qual os parques eólicos não teriam de colocar todos os aerogeradores em implantação ao mesmo tempo, mas sim de forma paulatina. A medida, avaliam agentes, evitaria uma sobrecarga sobre a indústria eólica em um determinado período, alternado por outros de ociosidade nas instalações.

A entrada escalonada já foi uma medida utilizada por grandes projetos hidrelétricos, como Belo Monte, Santo Antônio e Jirau – esses dois últimos com mais de 40 turbinas cada.

Entretanto, Renato Volponi, diretor da EDP Renováveis, acredita que o escalonamento deve ser muito bem planejado. “Caso contrário, poderá impactar desde o planejamento da conexão até a cadeia produtiva. Deve ser regrado, estabelecer os limites de flexibilidade, senão pode tumultuar todo o movimento de leilão”, ponderou.

Mercado livre

As eólicas do mercado livre, ainda travadas muito em função dos contratos de menores prazos quando comparados àqueles do ambiente regulado, receberam um novo incentivo. 15

O ministro de Minas e Energia, Eduardo Braga, viabilizou revisões anuais de garantia física pelos empreendimentos livres que desejarem participar de leilões do governo federal. A medida está prevista na Portaria 416/2015, assinada no início de setembro. “Isso permitirá atualizar a geração de acordo com a tecnologia e com a oferta de mercado”, afirmou Braga.

A ideia do governo, no entanto, é abrir a possibilidade de atrair usinas que estejam contratadas com clientes livres e que decidam, no fim dos contratos, negociar no mercado cativo. O movimento elevaria a disputa nos leilões regulados e uma conseqüente queda nos preços da energia.

O presidente da Comerc, Christopher Vlavianos, ressaltou que o mercado livre depende de novas regras de financiamento para crescer, inclusive para projetos de geração eólica.

Segundo o executivo, o tema está em debate e alguns mecanismos estão em estudo entre a Abraceel e o BNDES para a criação de sistemáticas de financiamento para o setor.

“A expansão vai depender de como o BNDES ou outros bancos financiadores entenderem o valor da energia no futuro para que seja viável fazer contratos ‘rolantes’ [vários contratos de curto e médio prazo], que não seja necessariamente um PPA de longo prazo que determine o lastro de toda a operação”, explicou o executivo.

Já as debêntures de infraestrutura têm sido vistas como um mecanismo que pode viabilizar um mix de financiamentos para favorecer custos e prazos das operações.

O problema, neste caso, será garantir a atratividade num cenário econômico que teima em se manter adverso. Sólido, o setor já mostrou que é: só depende de algumas correções de rota e que a economia do país ajude. A parte dele, garantem, já está sendo feita.

Fonte: Revista Brasil Energia – Edição Outubro

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Autor: carlosadoria

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