petroleiroanistiado

A great WordPress.com site

PETROBRAS – Protestos dos petroleiros.

Deixe um comentário

José Maria Rangel: os petroleiros vão protestar contra medidas do governo e defender a Petrobras e a democracia.

Em entrevista ao Blog do Zé Dirceu, o presidente da Federação Única dos Petroleiros, José Maria Rangel, fala sobre as manifestações de hoje, a venda de 25% do capital da BR Distribuidora e da luta contra a aprovação do Projeto de Lei 131/2015, do senador José Serra, para acabar com a exclusividade da Petrobras como operadora dos campos do pré-sal. Rangel se opõe a decisões do governo federal a respeito da empresa, como a de reduzir o plano de investimentos, o que vai gerar desemprego; ou a venda de ativos da Petrobras. E explica como se pode manifestar pela democracia e, ainda assim, ser oposição à Agenda Brasil e a políticas que jogam o custo da crise sobre os trabalhadores.
Blog do Zé Dirceu – O Conselho da Petrobras aprovou, dia 6 de agosto, a venda de 25% do capital da BR Distribuidora, unidade de distribuição de combustíveis da empresa. Por que o representante dos funcionários no conselho, Deyvid Bacelar, votou contra?
José Maria Rangel — A discussão que temos feito na Federação Única dos Petroleiros (FUP) e é um dos pontos da nosssa pauta política entregue à direção da Petrobras, é a manutenção da BR Distribuidora como uma empresa 100% Petrobras. Nós entendemos que a Petrobras tem que continuar a ser uma empresa integrada porque assim ela é mais rentável, como todo o segmento de petróleo reconhece. Além disso hoje há, mundo afora, cerca de US$ 1 trilhão de ativos sendo vendidos por parte das petrolíferas, ou seja, há uma oferta muito grande de ativos, o que deprecia seu preço. Então não há motivo para a Petrobras fazer isso. A gente vem insistindo que o governo brasileiro, que é o acionista majoritário da Petrobras, precisa financiar os projetos da companhia. O governo pode fazer isso por meio dos bancos públicos, como fez em 2008, ao criar uma linha de crédito específica do Banco do Brasil, Caixa Econômica e BNDES para financiar os projetos da Petrobras. Pode abrir mão de um percentual que recebe na Cide. Ainda que esteja com problema de caixa, se o governo abrir mão de uma parcela vai ter, em compensação, trabalhadores que não ficarão sem emprego, que vão continuar pagando imposto e INSS, as pessoas vão continuar comprando no comércio, o governo vai receber uma parcela gande do lucro da empresa porque é seu acionista majoritário. A roda da vida vai continuar girando, o governo vai ter arrecadação por outros meios e vai também contribuir para a produção de riqueza e sem gerar mais desemprego. Já estamos com cerca de 20 mil trabalhadores desempregados na indústria naval. É um número significativo.

O conselho votou quase inteiro a favor da venda. Por que isso acontece?
A exceção, além do representante dos funcionários, foi o presidente do conselho, Murilo Ferreira. O conselho tem orientação do governo, tem sete membros indicados pelo governo e, pelo menos na experiência que eu tive os votos do governo eram sempre unificados. Por isso é surpreendente o voto do presidente. E se houve a maioria votando pela venda é porque há orientação do governo, o que para mim é mais lamentável ainda.

Os petroleiros vão participar das manifestações de hoje Por Direitos, Liberdade, Democracia e Contra o Ajuste Fiscal? Por que?
Com certeza. Vamos nos mobilizar pelo país afora. Estamos contra o processo de ajuste, que tem colocado única e exclusivamente no lombo do trabalhador o ônus da crise que estamos vivendo. Esse é um dos pontos para os quais queremos chamar a atenção da sociedade. Outro ponto é que queremos a manutenção da democracia. Nós vimos as manifestações de domingo, com algumas pessoas pedindo a volta da ditadura sem sequer saber o que significa isso, pedindo o fim da corrupção mas não se indignando quando a Câmara aprova o financiamento privado de campanha, que é um dos pontos centrais, um ponto central da operação Lava Jato. As pessoas falam do desemprego, mas o desemprego na era Fernando Henrique Cardoso era estratosférico. A democracia, temos que estar nas ruas clamando por ela e demonstrando quanto ela é importante não só para a estabilidade política mas para a estabilidade econômica do país. Uma crise econômica a gente consegue, com luta e disposição, debelar. Mas em uma crise política todo mundo perde.

É uma manifestação governista?
Não. Quando a gente vai para as ruas pedir o fim do ajuste fiscal, este ajuste é uma proposta do governo. Como dizer que é uma manifestação governista se ela está batendo no governo? A Agenda Brasil proposta pelo presidente do Senado, Renan Calheiros, e que tem a simpatia da presidenta Dilma, pelo que a mídia informa, também não resolve nosso problema. Nós queremos a retomada dos investimentos na Petrobras e o governo, seu acionista majoritário, manda vender 25% das ações da BR. Está conivente com a puxada de freio dos investimentos na Petrobras. Então como pode ser uma manifestação governista? Vamos protestar também contra o governo, contra medidas que o governo está tomando.

Vocês precisaram pedir habeas corpus para poderem estar dentro do Senado nas discussões do PL 131/2015, do senador José Serra, que elimina a Petrobras como operadora única do regime de partilha e acaba com a obrigatoriedade de a empresa ter participação em todos os blocos do pré-sal. Há uma lei proposta pelo governo de tipificar terrorismo que, dizem especialistas, na verdade vai servir para reprimir movimentos sociais. O que você acha dessas medidas de restrição dos direitos de organização e manifestação?
Você vê as contradições que estamos vivendo. Ontem a Câmara dos Deputados aprovou a correção do FGTS pela poupança. Isso é pauta antiga do movimento sindical. No entanto, na outra ponta, a cada dia que passa eles pisam no acelerador nas pautas contra nossos direitos, inclusive contra o direito de manifestação. Na discussão da maioridade penal é assim, na discussão do PL da terceirização é assim, no financiamento privado de campanha. Isso acontece também na discussão sobre o petróleo. Se você analisar a Agenda Brasil, um dos itens colocado é a revisão do Marco Regulatório da Mineração para atrair mais investimentos, o mesmo argumento que o Serra usa para defender a revisão do modelo do pré-sal. No Senado o que eles estão fazendo conosco é um castigo, porque o PL 131 estava na pauta e seria aprovado. Nós fomos para lá e conseguimos retardar a aprovação. Eles nos propuseram uma solução de a Petrobras optar ou não por participar dos blocos. Nós não aceitamos. Agora não querem mais que entremos para acompanhar nada. É isso que está acontecendo. Estamos insistindo em ir para o Senado com nossas camisas laranja, os uniformes da Petrobras, porque temos orgulho dela. E os seguranças nos dizem escancaradamente que a ordem que receberam é de não deixar ninguém de laranja entrar. Então entramos com o habeas corpus e mesmo assim eles fazem um jogo de empurra, dizem que temos que ir na polícia do Senado, ir aqui ou ali. A sorte é que temos parlamentares com brio e estão do nosso lado, vão à portaria do Senado e conseguem fazer com que a gente entre para poder participar do debate.

Em que pé está a discussão do projeto?
Pelas normas da Casa, o Renan Calheiros pediu aos líderes para indicar os participantes da Comissão Especial. Na primeira indicação a composição ficou favorável para a gente. Então ele baixou o tacão e mudou a composição à revelia da indicação dos líderes, de forma que agora a composição é favorável a quem defende o projeto do Serra. Os senadores Requião, Lindbergh e Fátima Bezerra entraram com um Mandado de Segurança, de número 33.731, que anula a decisão do presidente do Senado de ele indicar os membros da comissão. Está no Supremo e será julgado pelo ministro Luiz Fux. O regimento do Senado é bem claro no sentido de como essas comissões devem ser compostas. Ontem haveria uma reunião da comissão mas foi cancelada, no final do dia, não se sabe por quê.

Como explicar para as pessoas que se pode lutar contra políticas do governo sem necessariamente querer derrubar o governo?
É aquela coisa binária, ou você ama o PT ou odeia o PT. Infelizmente essa discussão da criminalização do PT e dos movimentos sociais, aliada a toda a pauta contra os trabalhadores que a presidenta Dilma colocou, fazem com que uma massa se movimente no sentido de pedir impeachment e novas eleições. Hoje a gente compara a gente com a gente mesmo: o desemprego aumentou, está 7%, está alto. Mas foi 15% com Fernando Henrique. Mas o cara não quer saber, porque ele compara com o governo Lula, quando estava 4% e ele estava empregado. Quando um governo que nós elegemos coloca uma pauta onde tem restrições ao seguro desemprego, aos pescadores, é difícil para as pessoas entenderem. Isso move toda a massa que um dia acreditou no projeto do PT para o outro lado, para o lado da direita, que fala da questão da corrupção. O foco tem sido a corrupção na Petrobras, mas isso não é novo, acontece há muito tempo. No nosso dia a dia na companhia a gente sabe que diversos casos que cheiram à corrupção, mas não havia disposição do Ministério Público de apurar. Então as pessoas acham que o juiz Moro é o grande salvador da pátria, vai acabar com a corrupção do país. Em volta da Petrobras no Rio tem quatro, cinco bancas de jornal. Então o cara passa e vê matéria da Veja com a capa de Lula, está OGlobo falando de roubalheira, quando ele entra na Petrobras está de cabeça feita. E vai buscar outros meios de comunicação para ler, que dizem as mesmas coisas. Assim se faz a opinião das pessoas e infelizmente a gente não conseguiu quebrar esse poder da mídia tradicional. Agora pagamos um preço.

Anúncios

Autor: carlosadoria

MANTÉM SUAS UTOPIAS DE 60 ANOS ATRÁS.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s