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O NOVO GIGANTE DAS TÉRMICAS.

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O novo gigante das térmicas

 

Boa parte do setor elétrico foi pega de surpresa em dezembro passado quando o Grupo Bolognesi negociou de uma só vez duas térmicas a gás no leilão A-5, após um hiato de mais de dois anos na contratação de usinas desse tipo. Com 1.238 MW cada e negociadas a R$ 206,50/MWh, as plantas foram projetadas para ser construídas no Rio Grande (RS) e em Suape (PE), abastecidas por GNL, regaseificado em dois novos terminais, num investimento de aproximadamente R$ 6 bilhões. Ao mesmo tempo em que recebeu elogios por acabar com a dependência da Petrobras, o tamanho da empreitada e o fato de a Bolognesi não ser originalmente do setor elétrico motivaram imediatamente comparações com o Grupo Bertin – frigorífico que negociou em leilão e deixou de entregar mais de 5 GW com graves consequências para o setor elétrico. Mas as situações – e as empresas – são bem diferentes, como faz questão de demonstrar o vice-presidente do Grupo Bolognesi, Paulo Cesar Rutzen, nesta entrevista exclusiva. O conglomerado gaúcho, apesar de ter sua base na construção civil, atua há 15 anos no setor elétrico e tem um respeitável portfólio de 1,3 GW de usinas em operação. A companhia também se move rapidamente, reduzindo as margens para especulação. Fechou contrato para a instalação das térmicas com GE/Duro Felguera e, segundo Rutzen, está perto de assinar acordo de fornecimento de GNL com “um dos três maiores produtores do mundo”, diz o executivo. “Entendo o temor, mas nós estamos bem, nossos parceiros são de primeira linha. O que pode atrapalhar agora é uma questão muito mais burocrática do que qualquer outra coisa.”

Como foi a decisão pelos investimentos em geração com GNL?

Vínhamos estudando esse mercado há pelo menos cinco anos. A decisão veio de uma análise interna, avaliação entre acionistas e executivos de que a geração pós-hidrelétrica seria feita por térmicas e de uma geração térmica mais barata. Analisando mercado, perspectivas de reservas de gás, efeitos do shale gas, deduzimos que o gás seria o grande combustível nos próximos 30 anos e que seria o combustível para térmicas no Brasil.

Além disso, eólica e solar são importantes, mas não firmam a matriz, têm intermitência. Tanto as usinas PCH quanto eólicas e solares precisam de um combustível forte em abundância, e nesse caso a melhor opção é o gás natural. O Brasil não é tão rico em gás natural, não tem tanta oferta quanto se imaginava. Como há muita oferta no mundo, na forma de GNL, percebemos que seria uma grande fonte de energia, seria um filão, um nicho que estaria para ser iniciado e que seria firmado nas próximas décadas.

O GNL tem uma característica: ele precisa de escala, por isso usinas desse tamanho. Usinas pequenas não têm economicidade, não se consegue conectá-las a unidades de regaseificação. Precisamos de uma térmica grande para ancorar um FSRU (unidade flutuante de armazenagem e regaseificação), de modo que depois, com essa escala de tamanho, possamos transportar a quantidade de GNL necessária.

Não havia alternativa de oferta?

Não se consegue colocar térmicas hoje no Brasil sem oferta de gás firme e o gás que vem da Bolívia já está no patamar de 28 milhões de m3/dia e não vai ser aumentado. Observamos que a produção de gás no Brasil hoje está no limite, e para que haja mais oferta, de forma a não depender de FSRU, deveria haver um pré-sal, um aumento nos campos das bacias do Atlântico, onshore e offshore. Mas vemos que a tendência dessa produção não é de crescimento.

E o pré-sal, pelo custo de extração que existe, acreditamos que deve ser viabilizado daqui a 10, 12 anos, mas ninguém sabe quando. Vimos o MME dizendo que não haverá tsunami de gás e já estávamos prevendo isso. Tudo isso para dizer que não teremos térmicas se não for com gás importado. Para importar gás, vai ser necessário fazer negócio com produtor de GNL no mundo para suprir a quantidade de combustível suficiente para fazer a geração.

Estão contando com uma demanda firme para as térmicas? Ou estão esperando que, daqui a alguns anos, essas térmicas possam gerar de forma mais esporádica?

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Não, nós consideramos isso, sim. Nossa curva de produção é a curva que o mercado todo enxerga, que a EPE enxerga. Mas é claro que o despacho hoje de uma térmica como a nossa fica entre 25% e 30%, em média. E é isso que consideramos. Quando decidimos o investimento, consideramos essa média. Lógico que, no início, ela vai despachar mais e depois isso deve diminuir. Há quatro ou cinco anos, se alguém pegasse um estudo de despacho, iria encontrar praticamente zero de despacho hoje, e estamos vendo que as térmicas estão despachando 100%.

Mas qual é o plano? Colocar um terminal FSRU? Afretar essa embarcação?

Sim, ele vai ser fretado. Nós temos um contrato PPA de longo prazo, de venda de energia de 25 anos. Uma parte desse contrato será utilizada para alocar a venda de um terminal. Dia 30 do mês passado encerramos todas as negociações comerciais com grupo produtor de GNL. Estamos aguardando a aprovação final e aí divulgaremos, acredito que em 30 ou 40 dias (entre julho e agosto) isso deve ser divulgado.

Vocês já encomendaram as turbinas a gás?

Sim. Nós fechamos o EPC com a GE dos EUA em consórcio com a Duro Felgueras.

Vocês estão negociando outros equipamentos para usina, como turbina a vapor?

Não. O pacote é fechado. Contratamos o EPC turn key, isto é, agora é por conta deles. Todo o suprimento dos equipamentos está a cargo do consórcio, nós fechamos preço e agora eles vão entregar as usinas funcionando.

Então já contrataram tudo?

Sim, já está tudo contratado.

E qual é a previsão para início das obras?

A previsão é uma janela entre setembro e novembro. Até lá há outros passos, como licença ambiental que sai neste mês, mês passado foi o contrato EPC, no próximo é o contrato de gás – data de divulgação, porque ele já estava como pré-contrato, senão não poderíamos ir ao leilão, agora ele foi esmiuçado em todas as condições, porque são muitas opções em um relacionamento de 25 anos. Depois de EPC, licença e GNL, vem a aprovação financeira final e a ordem de início de obras.

Como é a estruturação financeira desse projeto? Capital próprio?

Nós estamos considerando aporte dos sócios e também alienação de ativos existentes do setor elétrico. Faz parte da nossa estratégia. Estamos em parceria com a IFC (Private Equity and Investment Funds), braço privado do Banco Mundial, que já manifestou interesse e está sendo negociada sua entrada no equity. E também está sendo gestado um FIP para investidores institucionais.

O déficit de longo prazo, na proporção de 70% dívida e 30% equity (podendo variar um pouco), vai ser dividido entre BNDES, nas condições que foram divulgadas para o leilão na proporção dos itens financiáveis, e o restante, como são equipamentos importados dos Estados Unidos, será financiado pelo Exim Bank (Export-Import Bank of the United States)

A Excelerate Energy vai ser responsável pelos dois terminais de gás?

A Excelerate tem uma opção para um dos terminais, e provavelmente vai ser um dos fornecedores de um dos terminais, não necessariamente dos dois.

Consideram antecipar a geração para vender no mercado livre?

Olha, se isso acontecer teremos uma janela muito pequena, mas estamos considerando, sim.

Vocês estão trabalhando com a capacidade excedente de gás. No Nordeste, os planos estariam relacionados ao gasoduto da Petrobras, o Nordestão?

A ideia é atender o mercado local. Nosso projeto foi construído para que tivesse economicidade com a térmica e o FSRU, porque eles são de 14 milhões de m3/d. Então obviamente vai ter uma capacidade ociosa de regaseificação que estará disponível ao mercado, para distribuidoras, consumidoras, autoprodutores. 18

Neste momento, não consideramos esse upside do projeto, é um complementar, para colocar as térmicas em funcionamento. Mas é óbvio que imaginamos o mercado local e onde houver gasoduto de transporte e for preciso negociação com a Petrobras, ela vai ocorrer. Acredito que isso é saudável e complementar à Petrobras.

Lá no Rio Grande a expansão de negócio também seria comercialização de gás excedente?

Sim. Faz parte da expansão do negócio pós-térmica. Hoje o mercado do Sul, tanto do Rio Grande Sul quanto de Santa Catarina – nem vou falar do Paraná porque já seria um passo distante – não consegue ser atendido pelo Gasbol por falta de capacidade, mesmo que houvesse o “tsunami de gás” no país não conseguiria atender os dois estados por uma questão física. Essa capacidade ociosa do nosso terminal atenderia a térmica e os dois estados com tranquilidade.

Voltando aos projetos firmes, a ideia no Porto do Açu é colocar uma térmica de 5 milhões de m3 ?

Lá a ideia é desenvolver um gas hub, ou seja, a gente está mirando o gás que vai ser produzido nas bacias em frente, ali no Atlântico. Estamos em processo de licenciamento de térmicas para o próximo leilão ou assim que for possível, quando houver leilão de novo. Estamos planejando colocar uma FSRU, não sei de que porte ainda, primeiro vamos fixar uma térmica lá através do leilão, uma FSRU, mas também visamos o gás que virá das bacias ali do Atlântico.

Você mencionou térmicas. A Bolognesi e a Prumo têm negociado mais de uma térmica para o Açu, é isso?

Térmicas, porque uma vez que você tem um FSRU e cogita receber de uma bacia como a de Pão de Açúcar, que está lá, se você conseguir implementar um gasoduto submarino que entre pela costa e se for colocado em Açu, você necessariamente vai fazer mais de uma térmica. Tantas térmicas quantas forem necessárias, em vez de fazer uma térmica de 1.200 MW, você pode fazer quatro de 300 MW. E não precisam ser feitas no mesmo momento.

É um processo que está em estudo, então…

A ideia é que se tenha uma térmica o mais rápido possível no Açu, não sei dizer de que tamanho. A licença que está sendo licitada hoje no Rio de Janeiro é de 1.500 MW, aí vamos instalar tanto quanto pudermos dentro dessa capacidade.

Vocês têm algum interesse nesse próximo leilão de reserva de gás?

Não, não estamos preparados para isso.

Com esse investimento em térmicas a gás, qual é a intenção da Bolognesi, em termos de capacidade, de chegar até o próximo leilão?

Lá em Açu estamos associados à Prumo e temos uma parceria bem consistente para desenvolver novos empreendimentos. Estamos focados agora, com toda a honestidade, em concluir esses projetos de térmicas e fechar todas as negociações necessárias para colocá-los em construção. Diria que não estamos mirando agora novos empreendimentos, porque precisamos colocar em construção esses projetos que são muito importantes. Agora, uma vez dada a ordem de início de obra… Isso não significa que novas negociações não estejam ocorrendo, elas ocorrem naturalmente, novas licenças estão acontecendo. Mas a decisão de prosseguir depende de estruturar o que temos na mão agora.

Tem havido no setor certo temor, especialmente pela identidade da Bolognesi como empresa da área civil, sobre esse novo investimento em geração térmica…

Estamos no setor elétrico desde o ano 2000, passamos por PCH, eólica, diesel, geração a óleo pesado, a gás. Agora estamos nas térmicas de grande porte. Temos uma carteira de 15 empreendimentos em operação, gerando mais de 1.300 MW, fazemos importação de óleo do Golfo do México para duas usinas nossas do Nordeste. Não somos tão novos assim nesse mercado. Acho que o questionamento é sobre alguma possibilidade de essas usinas, por serem de grande porte, ficarem desabastecidas por algum problema eventual com o produtor de GNL…

Nosso produtor está entre os três maiores do mundo. Acho que assim que ele for divulgado, essas dúvidas serão dissipadas. Se faltar gás para um desses produtores, muito antes já vai ter acabado 19

tudo aqui. Entendo o temor, mas estamos bem, nossos parceiros são de primeira linha. Está sob confidencialidade, mas o produtor de GNL vai ser divulgado em breve. Nosso sócio hoje é o FI-FGTS, que já fizemos parceria em 2008, também temos o apoio do Banco Mundial, com apoio do BNDES, assim que este aprovar o projeto. Acho que o que pode atrapalhar agora é uma questão muito mais burocrática do que qualquer outra coisa, algo que não dependa da nossa vontade, mas de algum órgão ou outra coisa.

Fonte: Revista Brasil Energia

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Autor: carlosadoria

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