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ENERGIA SOLAR – A esperança vem do sol.

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A esperança vem do sol

 

Por Linda Murasawa*

Nenhuma nação está segura se deixar de aproveitar ao máximo seu potencial para a produção de energia. O Brasil é a prova disso: inigualável em disponibilidade de recursos, convive com uma ameaça crescente de escassez de energia.

A escassez hídrica é a face mais visível da crise que se avizinha. Em São Paulo, já é real a falta de água para as indústrias e até mesmo para a produção agrícola. Trata-se de uma ameaça à economia e à segurança alimentar no Estado que responde por 30% da produção nacional de riquezas. E o drama se repete em escala nacional. Enchentes no Norte contrastam com agonia dos reservatórios das hidrelétricas do Sul/Sudeste.

A água, de solução, parece ter virado problema – com origem no desmatamento florestal, que afeta o clima e nos obriga a utilizar fontes de energia poluentes, fechando o círculo vicioso.

O único caminho é a diversificação de nossas fontes de energia. Temos iniciativas louváveis em busca de mais autonomia e segurança, mas nenhuma solução se sustenta em uma só

modalidade de geração. A boa notícia é que o Brasil dá sinais de ter encontrado, na luz do sol, uma alternativa viável para sua matriz energética.

Nosso país tem a segunda maior energia solar incidente. Um recurso que, diferentemente da água e do vento, é abundante em qualquer parte do território nacional, durante todo o ano. O astro-rei precisa ser considerado nessa busca por saídas para a crise.

Alguns dos maiores especialistas do mundo em energias renováveis – os brasileiros Luiz Pinguelli Rosa, Emilio La Rovere, Ladislau Dowbor e o francês Ignacy Sachs – avaliaram o quanto a luz natural pode acrescentar à nossa matriz energética. Em um exercício teórico, eles calcularam o que aconteceria se instalássemos painéis fotovoltaicos em uma área equivalente à que seria inundada caso aproveitássemos todo o potencial hidrelétrico do país. Os 142 mil quilômetros quadrados de painéis gerariam 15 trilhões de kWh/ano, o equivalente a 20 vezes o potencial hidrelétrico estimado.

Os painéis fotovoltaicos de silício produzem, em vez de calor, energia elétrica. Seja no conceito de geração centralizada (na forma de fazendas solares) ou em microgeração (residências e empresas), podem inclusive devolver a energia excedente para a rede elétrica convencional. É o que ocorre, por exemplo, na Dinamarca, na Espanha e na Alemanha. Somente neste último país, a energia fotovoltaica está presente em 2,5 milhões de casas, com uma capacidade próxima de três usinas de Itaipu, com 38 mil MW por ano.

Com as políticas corretas, o prazo para tornar viável a alternativa solar no Brasil não deveria ser um problema. Tomemos o exemplo americano. Um dos poucos países com mais de 10 mil MW de potencial de geração fotovoltaica, os Estados Unidos instalaram 83% desta capacidade nos últimos três anos e meio. Com o ganho de escala, o custo médio caiu de US$ 6 para US$ 4,25,nos projetos residenciais, e para apenas US$ 3 na indústria. Foi criado um pool de empresas instaladoras, e garantiu-se que o custo dos equipamentos poderá ser deduzido do Imposto de Renda até 2016.

Por aqui, somos fartos nas principais matérias-primas da energia fotovoltaica sol e sílica -, mas a tecnologia ainda não existe em território nacional. Como resultado, o custo médio de instalação de placas fotovoltaicas em uma residência ainda é alto. Em geral, supera os R$ 40 mil. 15

A legislação brasileira já permite a “devolução” de energia para a rede elétrica e a utilização de créditos pelo excedente gerado desde dezembro de 2012, quando foi publicada a Resolução 482 da Agência Nacional de Energia Elétrica. Apesar disso, a infraestrutura na maioria das cidades ainda está longe dos sistemas inteligentes implantados em outros continentes – um bom exemplo do chamado smart grid é a Plataforma Sevilha, na Espanha, que atende a 180 mil residências.

Nosso desafio consiste em trazer para cá o know-how necessário para a produção local de painéis, capacitar mão de obra para a fabricação e instalação das placas nas residências e desenvolver a cadeia necessária de estímulos iniciais para dar escala e viabilidade comercial à modalidade.

O primeiro leilão de energia reserva de 2015, marcado para 14 de agosto, irá contratar exclusivamente fontes fotovoltaicas. O pregão pode estimular o desembarque de grandes fornecedores, mas a energia contratada só será entregue em 2017. Podemos, e devemos, desejar os benefícios da geração fotovoltaica em um futuro mais próximo.

A depender do modelo de comercialização de equipamentos e venda da energia excedente, é possível pensar nas placas fotovoltaicas como uma garantia de abastecimento em todos os rincões do país, principalmente nas áreas rurais. O Brasil, com seu imenso potencial agrário, tem na geração solar uma via para novos níveis de produtividade.

Devemos aperfeiçoar modelos de financiamento que, combinados com boas políticas de incentivo, permitam que a própria economia na conta de luz pague as parcelas do empréstimo, viabilizando o uso residencial em larga escala. As linhas de crédito para instalação de sistemas fotovoltaicos, disponíveis desde o fim de 2013, podem permitir a amortização completa do investimento a partir do oitavo ano, conforme o projeto.

O papel do setor financeiro vai além. Pode ser decisivo para estimular a atração de grandes fabricantes de equipamentos para o Brasil. Além do crédito de médio e longo prazo, o setor tem acesso aos diversos mecanismos de mercado de capitais.

A lista de tarefas e alianças parece extensa, mas é viável. Dados os passos iniciais, a conjunção da necessidade de alternativas energéticas com os benefícios da energia solar se encarregará de iluminar esse novo caminho para o futuro.

*Linda Murasawa é superintendente-executiva de desenvolvimento sustentável do Santander.

Fonte: Valor Econômico

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Autor: carlosadoria

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