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Os caras estão de olho no pré-sal.

Por Carlos Tautz, no site da Adital:

Agora os conglomerados da comunicação se aproveitam da Lava Jato para defender a mudança do sistema de partilha na exploração das megareservas do pré-sal – aliás, como fizera Aécio. Argumentam que a Petrobras, atingida pelas denúncias, deveria ser escanteada do pré-sal porque os mercados internacionais não lhe emprestariam os bilhões de dólares necessários para explorá-lo. Continuam, dizendo que a queda dos preços do petróleo afogaria as pretensões da estatal.

Estes são argumentos “técnicos” de qualquer botequim barato em Irajá.

Petroleiras operam sob riscos extremos e continuam a tomar empréstimos. Principalmente aquelas que, como a Petrobras, têm reservas imensas (16 bilhões de barris, numa estimativa conservadora) e podem dar garantia aos bancos.

Riscos são inerentes à indústria do petróleo, que causam gravíssimos desastres no meio ambiente e por isso têm os seguros mais caros. E mudanças nos preços de mercado são frequentes. Primeiro, porque os EUA, maior consumidor mundial, estão sempre dispostos a invadir algum país produtor, o que faz disparar as cotações. E, também, devido à variação de preços imposta pela Opep, o cartel dos grandes produtores.

A Petrobras leva em conta esses riscos. Mas, de fato, precisa incorporar as perdas decorrentes das muito necessárias investigações, que ainda precisam alcançar todas empreiteiras. A Odebrecht, a maior delas, ainda está ilesa. E os políticos envolvidos do PSDB e do DEM continuam protegidos pelos conglomerados de comunicação.

Já era previsto que o faturamento da Petrobras cairia. Conforme o engenheiro Paulo Metri, “há um quadro de superprodução de petróleo no mundo, com a concomitante diminuição da demanda, o que acarreta a queda no preço do barril. Assim, o barril, que custava US$ 115, durante o conflito no Iraque, passou a custar US$ 85, em outubro último, e existe a perspectiva que irá decrescer mais ainda.

A Agência Internacional de Energia, após a quarta redução da projeção do consumo de petróleo para 2014, chegou à média anual de 92,4 milhões de barris por dia (MM bpd) e a oferta em setembro deste ano foi de 93,8 MM bpd”.

Na segunda (15), o barril fechou a 61 dólares. A Petrobras o estima em 60.

Outra estranheza é a repentina crise ética da PriceWaterhouseCoopers em firmar a auditoria na estatal. Há quase uma década audita as contas da petroleira e nunca se negou a prestar o serviço. Se só agora viu irregularidades, demonstra inépcia.

A Petrobras sempre sofreu coisas do tipo. Ainda mais quando se tornou partícipe obrigatório no modelo de partilha do pré-sal – como o fazem todos os países com megareservas facilmente encontráveis.

Não espanta, portanto, o oportunismo. Fizeram o mesmo quando Getúlio criou a Petrobras e Jango encampou refinarias.

Estranha mesmo é a leniência de Dilma e do PT em revidar no mesmo tom.
Postado por Miro


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PETRÓLEO – A queda de braço suicida dos preços.

Autor: Fernando Brito

Ontem, escrevi aqui sobre a pressão que o bloco liderado pela Arábia Saudita (além dela, os Emirados Árabes Unidos, o Qatar e o Kuwait) estão jogando sobre a indústria do shale oil nos Estados Unidos.

custo shaleO preço de extração do shale, dependendo da região onde é extraído tem a variação mostrada pelo gráfico ao lado, numa média de 60 a 61 dólares, aos quais se deve acrescer os custos iniciais de extração: aquisição de terras ou licenças de extração, estudos sísmicos e outros. Isso soma entre cinco e dez dólares ao custo por barril.

Hoje, mostro alguns dados sobre a capacidade dos sauditas (e dos países do Norte da África e do Oriente Médio) de suportarem essa baixa de preços forçada – porque eles se recusam a fechar as torneiras da Opep e fazer os preços subirem .

O gráfico lá em cima exibe os preços mínimos do petróleo necessários para garantir aos países equilíbrio em suas contas internas e externas.

Que não é a mesma coisa que o limite (breakeven) dos custos de extração, bem mais baixo ( no caso da Arábia Saudita, em torno de US$ 20 por barril), que pode fazer frente, claro, ao mesmo limite da indústria de petróleo de xisto americana.

É o que representa na renda estatal e na balança comercial de países que, em sua maioria, dependem de tudo importado, do frango aos automóveis. E que têm uma conta de despesas militares (compreensivelmente, dada a permanente crise regional) estratosférica.

A Arábia Saudita está confiando no fôlego de suas reservas que, com a temporada de preços altos do petróleo, saltaram de US$ 160 bilhões, em 2010, para perto de US$ 280 bilhões, hoje.

Tem “gordura para queimar”, sim, mas não é essa a situação de outros países importantes da região.

E comanda um “bloco” que possui 20% da produção de petróleo no mundo, o dobro da Rússia que produz perto de 10 milhões de barris diários.

Muito poder numa área do mundo que , até as pedras sabem, já não tem qualquer equilíbrio.

E todos ali, bem próximo a uma Rússia que vê, não sem razão, na queda abrupta do petróleo a maior e mais dolorosa represália norte-americana à crise da Ucrânia.

Como tenho insistido aqui – é obvio que com o tempero da crise de credibilidade que sofreu pelas falcatruas – o problema da Petrobras passa muito longe, a milhares de quilômetros, dos seus detratores locais.

Eles são apenas chacais que seguem animais feridos.

O problema da Petrobras é o problema do petróleo.

É o problema do mundo.


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PETROBRAS – O candidato da Globo.

Moraes, da FUP: Candidato do Globo para Petrobras é privatista empedernido

adriano-pires-foto-george-gianni

Para João Antonio de Moraes, da FUP, Adriano Pires defende o pior modelo de exploração do petróleo para o povo brasileiro. Foto: Site do PSDB

por Conceição Lemes

Durante a campanha eleitoral, os tucanos, inclusive o candidato derrotado Aécio Neves, diziam abertamente que pretendiam voltar ao modelo antigo de exploração de petróleo.

Leia-se: regime de concessão, que vigorou na era FHC.

Em 6 de agosto de 1997, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) sancionou a lei que liberou às grandes petroleiras internacionais a exploração do petróleo nas costas brasileiras, atividade até então exclusividade da Petrobrás.

Em 22 de dezembro de 2010, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) alterou o modelo de exploração. Passou do “regime de concessão” para o de partilha. É a lei 12.351/2010. Atualmente, nas áreas não licitadas do pré-sal e no campo de Libra, vigora a partilha. Já nas áreas leiloadas anteriormente à lei de Lula, o modelo de concessão.

O “mercado” e os seus tentáculos midiáticos nunca se conformaram com a mudança.

Nos últimos dias, com as denúncias de corrupção na Petrobrás, voltaram à cena, sem a menor preocupação de camuflar os reais objetivos: derrubar a presidente da Petrobras, Graça Foster; e voltar ao modelo de concessão, abrindo, assim, a possibilidade de Shell, Exxon, Chevron explorarem o pré-sal.

São tão caraduras que já têm até um substituto para Graça Foster: o consultor Adriano Pires, lançado pelo O Globo. Adriano é professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e integrante do Instituto Milenium.

“Na campanha eleitoral, o Adriano Pires teve o nome ventilado para a presidência da Petrobrás, caso Aécio Neves vencesse”, alerta João Antonio de Moraes, diretor da Federação Única dos Petroleiros (FUP).

“Ele, como os tucanos, defende com unhas e dentes o modelo de concessão. Seguramente, o pior modelo de exploração do petróleo para o povo brasileiro. É um privatista empedernido.”

Hoje em dia basicamente quatro modelos de exploração de petróleo no mundo. O Viomundo pediu então ajuda a Moraes, para nos explicar, de forma bem didática, as principais diferenças entre eles:

Monopólio – É o modelo que o Brasil adotou até 6 agosto de 1997, quando o então presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) sancionou a nova lei do petróleo, que o extinguiu. Toda a exploração do petróleo ficava nas mãos da Petrobrás. É o que a FUP defende e considera mais avançado.

Concessão – Vigorou de 6 de agosto de 1997 a 22 de dezembro de 2010, quando o ex-presidente Lula sancionou a lei 12.351, que instituiu o modelo de partilha.

No modelo de concessão, é feito o leilão da área em disputa. Ganha a empresa que oferecer maior parcela de dinheiro para o Estado. Nesse modelo, 100% do petróleo produzido após a licitação passa a pertencer à empresa vencedora. Ela só tem de pagar os tributos.

No modelo de concessão, o controle fica na mão das empresas, o que favorece a exploração predatória. Foi o que aconteceu na Argentina com a Repsol. A Argentina tinha reservas importantes que lhe garantiriam o futuro. Porém, graças às privatizações e ao modelo de concessão lá vigente, a Argentina exportou petróleo a 5 dólares o barril. Em setembro, estava tendo de importar a 100 dólares o mesmo barril. Atualmente, a 66 dólares.

Além de esgotar rapidamente a reserva do campo, o modelo de concessão implica outros riscos:

* Não gerar postos de trabalho na cadeia como um todo, já que possibilita a exploração do petróleo a qualquer preço.

* Não utilizar o retorno econômico do campo para fazer pesquisas. Aí, também um dos motivos dos ataques à Petrobrás, pois menos dinheiro vai para o bolso.

*Ambiental. Foi o que aconteceu num poço da empresa americana Chevron no Campo do Frade, na Bacia de Campos (RJ), em novembro de 2011. A Chevron quis produzir mais rápido e não respeitar normas de segurança. Resultado: um grande vazamento de petróleo no mar.

O risco ambiental é maior no modelo de concessão porque  o mecanismo que o Estado tem para controlar é muito pequeno. O máximo que pode se fazer é multar. Foi o que aconteceu no Campo de Frade. O Estado brasileiro multou e a Chevron voltou a produzir.

Partilha – É o que está em vigor. Começou a ser adotado no segundo governo Lula. É o meio termo entre a concessão e o monopólio.

No modelo de partilha, ganha a empresa que oferecer mais petróleo ao Estado brasileiro. Foi o que aconteceu no leilão do campo de Libra. Ganhou a empresa que ofereceu 41% do petróleo ao Estado. De cada barril de petróleo ali produzido, 41% ficam para o povo brasileiro. Mais os tributos sobre todo o volume explorado.

No modelo de partilha, diferentemente da concessão, a única operadora da área é a Petrobrás. O que permite ao povo brasileiro, através do Estado, controlar a produção.

Na partilha, as outras empresas entram como sócias investidoras. Mas quem vai trabalhar o campo, contratar os equipamentos, navios e, principalmente, controlar a produção é a Petrobrás. Isso é o mais importante. Permite que o país explore-o de acordo com as suas necessidades em vez de exauri-lo rapidamente, como acontece com a concessão.

Serviços – O Estado contrata os serviços de uma empresa para explorar o petróleo e paga por esse serviço. Mas o petróleo é do Estado.

“A manutenção do modelo de partilha é questão de soberania nacional”, sustenta João Antonio de Moraes. “É fundamental para a gente não seja um mero produtor de petróleo cru. E que se façam investimentos tanto na cadeia anterior – produção de navios, plataformas, gerando emprego e renda aqui nos estaleiros — quanto na outra ponta, que seria a refinaria, petroquímica e a indústria de transformação de plásticos”.


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BOLÍVIA – Fim da bonança do gás.

 

Evo alerta bolivianos para o fim da bonança do gás

 

Após uma década de bonança econômica por causa dos altos preços do gás, a Bolívia já se prepara para um período de vacas magras. O principal produto de exportação do país tem o preço atrelado ao petróleo, commodity em franco declínio devido à sobreoferta no mercado internacional.

“[A crise] vai nos afetar. Agora vamos ver se somos uma revolução ou não”, disse o presidente Evo Morales na semana passada. “Quando temos grana, somos todos felizes e contentes. Mas precisamos estar preparados para a crise.”

Desde o início do governo Morales, em 2006, as exportações de gás natural somaram cerca de US$ 30 bilhões, valor equivalente ao Produto Interno Bruto (PIB) do país. Brasil e Argentina são os únicos clientes externos do produto. De janeiro a outubro, as exportações bolivianas para o Mercosul foram de US$ 5,5 bilhões, sendo que o gás representou 92% do total.

Morales estatizou o setor em 2006, gerando mal-estar com o Brasil por causa da ocupação de ativos da Petrobras no país. Mas, com a maior parte da receita do gás nas mãos do Estado e com os preços nas alturas, ele conseguiu utilizar os recursos para melhorar os indicadores sociais e a sensação de bem-estar da população.

Durante a gestão Morales, o PIB boliviano cresceu sempre acima de 4% ao ano – exceção feita a 2009, em meio à crise financeira global, quando a alta foi de 3,4%. No ano passado, a economia da Bolívia foi uma das que mais cresceram na América Latina. Com os reservatórios das hidrelétricas vazios, o Brasil importou as quantidades máximas de gás previstas em contrato com o país vizinho, puxando uma alta de 6,78% no PIB boliviano. Neste ano, o fenômeno se repetiu, e o crescimento deve ficar em torno de 5%.

Para 2015, entretanto, o cenário é diferente. O economista Mauricio Medinaceli, ex-ministro de Hidrocarbonetos, estima que o país pode perder US$ 1,3 bilhão em receita com exportações caso o petróleo se mantenha em cerca de US$ 60 o barril. Levando-se em conta os reflexos em outros setores da economia, ele estima impacto negativo de até 4,1 pontos percentuais no PIB para 2015.

O Departamento de Santa Cruz, onde se encontra a maior parte das jazidas do gás bolivianas, estima que esse efeito multiplicador pode gerar perdas de US$ 3,9 bilhões para a economia boliviana no ano que vem. 11

“A queda nos preços do petróleo é uma agressão econômica do império, essencialmente contra a Venezuela e a Rússia”, disse Morales, numa óbvia referência aos EUA e à sua “revolução do gás de xisto”.

Analistas, porém, afirmam que a Bolívia está mais bem preparada para o fim do boom petroleiro do que a Venezuela, dependente em 96% das exportações de petróleo e cuja economia está à beira do caos. Diferentemente dos chavistas venezuelanos, Morales adotou uma política macroeconômica ortodoxa e manteve as contas do país em ordem, apesar do aumento dos gastos sociais. Até 2013, o país tinha superávit fiscal, que se reverteu em um pequeno déficit neste ano. As reservas internacionais, de US$ 12 bilhões, são significativas diante do tamanho do PIB do país.

“A Bolívia pode suportar pelo menos dois anos de preços baixos, pois tem um bom colchão financeiro”, diz o economista boliviano Gonzalo Chávez. “O problema maior será no longo prazo.”

O analista Bernardo Prado, do site HidrocarbursBolivia, também não crê em queda dramática do crescimento no curto prazo. E nota que os preços dos combustíveis que compõem a cesta que fixa o valor do gás vendido ao Brasil não caíram tanto quanto o petróleo.

O preço do gás vendido ao Brasil obedece a uma fórmula que leva em conta a cotação de combustíveis derivados de petróleo negociados no porto de Roterdã, Holanda, no Mediterrâneo e no Golfo do México. Reajustado a cada três meses, inevitavelmente acaba refletindo em maior ou menor escala a variação do preço do petróleo no trimestre anterior.

O analista brasileiro Ricardo Pinto crê que já a partir de janeiro o Brasil pagará um valor mais baixo pelo gás boliviano. Os ganhos, porém, serão limitados pela alta do dólar em relação ao real.

Fonte: Valor Econômico


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CUBA – Reservas de petróleo.

Reservas de petróleo podem virar atração econômica de Cuba

 

Uma das mais prolíficas bacias de petróleo e gás natural do planeta está próxima à costa noroeste de Cuba, e a reaproximação com os Estados Unidos vem acendendo esperanças de que Cuba possa agora lucrar com isso.

A perspectiva é vista com bons olhos por cubanos desesperados pelo crescimento econômico, mas é altamente preocupante para ambientalistas e para a indústria do turismo na região.

Mas um boom cubano do petróleo é improvável por enquanto, mesmo que sejam relaxadas as restrições a negociar com os Estados Unidos, devido aos baixos preços do petróleo e a oportunidades muito melhores de perfuração em outros lugares.

“Cuba não será o lugar ao qual os operadores virão aos borbotões”, diz Bob Fryklund, estrategista-chefe de exploração e produção de gás e petróleo na consultoria IHS.

Embora a indústria petrolífera de Cuba esteja há muito tempo aberta a investimentos estrangeiros, o embargo dos EUA lhe negaram algumas das melhores tecnologias e graus de expertise em captação em águas profundas. Como resultado, Cuba produz apenas 55 mil barris de petróleo por dia. Cerca de um terço disso é produzido por uma empresa canadense chamada Sherritt International.

Cuba consome 155 mil barris por dia, e completa o tanque usando petróleo da Venezuela, parte de um acordo estabelecido com o ex-presidente Hugo Chávez. Em comparação, uma plataforma grande do Golfo do México pode produzir 200 mil barris por dia em águas profundas.

Os poucos projetos grandes de exploração em Cuba em anos recentes tiveram pouco sucesso. A empresa espanhola Repsol abandonou um longo projeto em 2012, quando um poço offshore falhou em encontrar muito petróleo.

Uma queda de quase 50% no preço global do petróleo também esmagou as economias da Venezuela e da Rússia, ameaçando o auxílio dos maiores aliados de Cuba. Os preços baixos também forçam os exploradores a abandonar projetos arriscados porque o potencial de retorno financeiro é muito menor.

Fonte: Folha Online

 


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PETROBRAS – Oportunismo contra o pré-sal.

Carlos Tautz

Adital

Agora os conglomerados da comunicação se aproveitam da Lava Jato para defender a mudança do sistema de partilha na exploração das megareservas do pré-sal – aliás, como fizera Aécio. Argumentam que a Petrobras, atingida pelas denúncias, deveria ser escanteada do pré-sal porque os mercados internacionais não lhe emprestariam os bilhões de dólares necessários para explorá-lo. Continuam, dizendo que a queda dos preços do petróleo afogaria as pretensões da estatal.

Estes são argumentos “técnicos” de qualquer botequim barato em Irajá.

Petroleiras operam sob riscos extremos e continuam a tomar empréstimos. Principalmente aquelas que, como a Petrobras, têm reservas imensas (16 bilhões de barris, numa estimativa conservadora) e podem dar garantia aos bancos.

Riscos são inerentes à indústria do petróleo, que causam gravíssimos desastres no meio ambiente e por isso têm os seguros mais caros. E mudanças nos preços de mercado são frequentes. Primeiro, porque os EUA, maior consumidor mundial, estão sempre dispostos a invadir algum país produtor, o que faz disparar as cotações. E, também, devido à variação de preços imposta pela Opep, o cartel dos grandes produtores.

A Petrobras leva em conta esses riscos. Mas, de fato, precisa incorporar as perdas decorrentes das muito necessárias investigações, que ainda precisam alcançar todas empreiteiras. A Odebrecht, a maior delas, ainda está ilesa. E os políticos envolvidos do PSDB e do DEM continuam protegidos pelos conglomerados de comunicação.

Já era previsto que o faturamento da Petrobras cairia. Conforme o engenheiro Paulo Metri, “há um quadro de superprodução de petróleo no mundo, com a concomitante diminuição da demanda, o que acarreta a queda no preço do barril. Assim, o barril, que custava US$ 115, durante o conflito no Iraque, passou a custar US$ 85, em outubro último, e existe a perspectiva que irá decrescer mais ainda.

A Agência Internacional de Energia, após a quarta redução da projeção do consumo de petróleo para 2014, chegou à média anual de 92,4 milhões de barris por dia (MM bpd) e a oferta em setembro deste ano foi de 93,8 MM bpd”.

Na segunda (15), o barril fechou a 61 dólares. A Petrobras o estima em 60.

Outra estranheza é a repentina crise ética da PriceWaterhouseCoopers em firmar a auditoria na estatal. Há quase uma década audita as contas da petroleira e nunca se negou a prestar o serviço. Se só agora viu irregularidades, demonstra inépcia.

A Petrobras sempre sofreu coisas do tipo. Ainda mais quando se tornou partícipe obrigatório no modelo de partilha do pré-sal – como o fazem todos os países com megareservas facilmente encontráveis.

Não espanta, portanto, o oportunismo. Fizeram o mesmo quando Getúlio criou a Petrobras e Jango encampou refinarias.

Estranha mesmo é a leniência de Dilma e do PT em revidar no mesmo tom.

Carlos Tautz

Jornalista e coordenador do Instituto Mais Democracia – Transparência e controle cidadão de governos e empresas. Monitora políticas públicas para organizações da sociedade desde 2001


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PETROBRAS DERRETE?

Petrobrás derrete?

Adital

Por Emanuel Cancella*

O jornal O Dia de hoje, 16/12, em sua chamada principal alardeou a seus leitores: “A Petrobras derrete. Acionistas perdem quase 10% em um dia por causa da corrupção na empresa e da queda no preço internacional do petróleo.” É verdade que a Petrobrás vem sendo saqueada pela corrupção que se consolida a cada novo governo, mas a história de luta que construiu essa empresa não derrete assim.

Muito pelo contrário, a descoberta do pré-sal e o brilhantismo na operação do petróleo, ambos protagonizados pelo corpo técnico de trabalhadores da Petrobrás, tornaram o Brasil autossuficiente e nos alavancou a potência mundial na indústria mais lucrativa do mundo. Então, precisamos olhar a realidade por completo para tomar as ações corretas.

Importante começar registrando que as ações de todas as petroleiras caíram nos últimos 15 dias na bolsa de Nova York: Shell -9,72; Chevron -9,73%; Total -13,23%; Petrobrás -31,35%; Gasprom -28,82%. Essa queda surpreende todos os analistas de geopolítica do mundo que afirmavam que após atingir o pico máximo de produção de petróleo e sem perspectivas de novas descobertas de petróleo no mundo posteriores ao pré-sal do Brasil, o preço do barril de petróleo não cairia para menos de U$ 100 o barril. Estranhamente, o preço do barril no mercado internacional caiu de U$100 para U$ 60, só explicada por uma manobra dos EUA e dos países europeus, juntos com a OPEP, para retaliar a Rússia, por conta da guerra com a Ucrânia, o que acaba atingindo todos os países produtores. No Brasil o caso acaba sendo mais grave por conta da propaganda negativa diária da mídia.

Defendemos que a presidente Dilma Rousseff deveria aproveitar esse momento para comprar as ações da Petrobrás. Os analistas do mercado financeiro recomendam aos acionistas da petroleira brasileira a não venderem suas ações. A principal matriz energética no mundo continuará a ser o petróleo pelo menos pelas próximas décadas. A Petrobrás com a descoberta do pré-sal acumulou reservas em torno de 60 BI de barris de petróleo o que garante ao Brasil a auto suficiência de petróleo pelo menos pelos próximos 50 anos.

Absurdo hoje sermos reféns da Bolsa de NY graças a sanha privatista do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Precisamos sim recuperar o controle estatal da companhia e tornar sua gestão verdadeiramente pública, com transparência, democracia e controle popular. Destacamos que a radicalização da democracia é a melhor forma de combater a corrupção que assola a Petrobrás.

Rio de Janeiro, 16 de dezembro de 2014.
*diretor do Sindipetro-RJ e da Federação Nacional dos Petroleiros (FNP).
http://fnpetroleiros.org.br/?p=7631


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GOLPE DO PETRÓLEO DOS ESTADOS UNIDOS.

Golpe do petróleo dos EUA visa perpetuar “reciclagem extorsionista” do dólar

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Acabou a alegria dos produtores

Subterfúgio saudi-estadunidense derruba ações e crédito

O Golpe do Petróleo

por MIKE WHITNEY, no Counterpunch, em 16.12.2014, reprodução parcial

“John Kerry, secretário de Estado dos Estados Unidos, alegadamente fechou um acordo com o rei Abdullah em setembro sob o qual os sauditas venderiam petróleo cru abaixo do preço de mercado. Isso ajudaria a explicar a queda do preço num momento em que, dada a confusão causada no Iraque e na Síria pelo Estado Islâmico, normalmente o preço estaria subindo”.  (Stakes are high as US plays the oil card against Iran and Russia, Larry Eliot, no diário britânico Guardian)

Os poderosos dos Estados Unidos estão colocando o país sob o risco de outra crise financeira para intensificar sua guerra econômica contra Moscou e para avançar em seu plano de “controle da Ásia”.

O que está acontecendo: Washington persuadiu os sauditas a abarrotar o mercado de petróleo para derrubar os preços, dizimar a economia da Rússia e reduzir a resistência de Moscou ao crescente cerco da OTAN e às novas bases militares dos Estados Unidos na Ásia Central.

O esquema saudita-estadunidense derrubou os preços do petróleo à metade desde o pico de junho.

O grande declínio dos preços ameaça estourar a bolha dos endividados, aumentou a turbulência nos mercados de crédito e derrubou as ações globais.

Os mercados em polvorosa e o contágio econômico não detiveram Washington e seu plano irresponsável, um plano que usa o regime marionete de Riyadh para a guerra dos Estados Unidos por recursos naturais.

Aqui vai um breve resumo de um artigo de F. William Engdahl intitulado “The Secret Stupid Saudi-US Deal on Syria”:

Detalhes emergem de um acordo secreto e estúpido da Arábia Saudita com os Estados Unidos sobre a Síria e o assim chamado Estado Islâmico. Envolve o controle de gás e petróleo em toda a região e o enfraquecimento da Rússia e do Irã, com os sauditas abarrotando o mercado mundial com petróleo barato. Os detalhes foram acertados em setembro numa reunião entre o secretário de Estado John Kerry e o rei saudita…

…o reino da Arábia Saudita está invadindo os mercados com petróleo barato, causando uma guerra de preço dentro da OPEP… Os sauditas estão dirigindo as vendas para a Ásia, em particular para seu grande comprador asiático, a China, com oferta de petróleo entre 50 e 60 dólares o barril, em vez do preço anterior de 100 dólares. A operação de desconto dos sauditas parece coordenada com uma operação de guerra do Tesouro dos Estados Unidos, através de seu Office of Terrorism and Financial Intelligence, em cooperação com um punhado de operadores de Wall Street que controlam os negócios com derivativos de petróleo. O resultado é pânico no mercado, que ganha impulso diariamente. A China está feliz de comprar petróleo barato, mas seus aliados — a Rússia e o Irã — estão sofrendo severamente…

De acordo com Rashid Abanmy,  presidente do Saudi Arabia Oil Policies and Strategic Expectations Center, baseado na capital saudita, o dramático colapso dos preços está sendo causado deliberadamente pelo maior produtor da OPEP. A razão pública alegada é a conquista de novos mercados, por conta da queda de demanda global. A razão real, segundo ele, é colocar pressão no Irã por causa de seu programa nuclear e na Rússia, para acabar com o apoio ao regime de Bashar al-Assad na Síria… Mais de 50% do orçamento russo vem da exportação de gás e petróleo. A manipulação do preço por parte dos Estados Unidos e da Arábia Saudita visa desestabilizar fortes oponentes das políticas globalistas dos Estados Unidos. Alvos incluem Irã e Síria, ambos aliados da Rússia na oposição aos Estados Unidos como único superpoder. O alvo principal, no entanto, é a Rússia de Putin, a maior ameaça hoje à hegemonia dos Estados Unidos (The Secret Stupid Saudi-US Deal on Syria, F. William Engdahl, BFP)

Os Estados Unidos precisam atingir seus objetivos na Ásia Central ou abrir mão da posição de único superpoder do mundo. É por isso que os formuladores de política dos Estados Unidos embarcaram numa aventura tão arriscada. Não há outra forma de sustentar o status quo que permite aos Estados Unidos impor o sistema dólar ao mundo, um sistema pelo qual os Estados Unidos trocam papel moeda produzido à vontade pelo seu Banco Central por recursos naturais, produtos manufaturados e trabalho duro. Washington está preparada para defender sua extorsionista reciclagem de petrodólares até o fim, mesmo se o resultado for guerra nuclear.

Como a inundação do mercado causa instabilidade

Os efeitos destrutivos e desestabilizadores deste plano lunático podem ser vistos em toda parte. Preços do petróleo em queda tornam mais difícil para as empresas de energia conseguir financiamento para rolar suas dívidas ou manter as operações atuais.

As companhias emprestam com base no tamanho de suas reservas, mas quando os preços caem quase 50% — como aconteceu nos últimos seis meses — o valor destas reservas cai, o que reduz o acesso delas ao mercado de crédito e força os dirigentes a vender bens a preço de liquidação ou enfrentar bancarrota.

Se o problema ficasse contido no setor, não haveria razão para se preocupar. Mas o que preocupa Wall Street é que a falencia de empresas de energia poderia afetar todo o sistema financeiro e engolir os bancos. Apesar de seis anos de taxas de juros zero e do chamado monetary easing, os grandes bancos estadunidenses estão perigosamente descapitalizados, o que significa que uma onda inesperada de falencias poderia causar o colapso das instituições mais fracas e jogar todo o sistema em nova crise. Aqui está um excerto de um post do Automatic Earth intitulado “O petróleo vai matar os bancos zumbis?”:

Se os preços cairem ainda mais, significa que a maior parte do edifício construído em torno do gás de xisto desabaria [PS do Viomundo: Um negócio que teve crescimento espetacular nos Estados Unidos em anos recentes]. E isso causaria um terremoto no mundo financeiro, já que alguém ofereceu os empréstimos sobre os quais o edifício se assentou. Um número imenso de investidores se endividou com taxas altas de juros, inclusive investidores institucionais, e eles estão quase se queimando… se o preço do petróleo continuar neste caminho, o Banco Central deve começar a pensar em outro resgate dos bancos de Wall Street. (Will Oil Kill the Zombies?, Raúl Ilargi Meijer, Automatic Earth)

O problema com a queda dos preços do petróleo não é apenas com a deflação ou a redução dos lucros; é o fato de que todos os setores da indústria — exploração, desenvolvimento e produção — está sobre uma montanha de tinta vermelha (junk bonds). Quando aquela dívida não puder mais ser refinanciada, os emprestadores primários (instituições financeiras e garantidores) vão enfrentar grandes perdas, que causarão efeito dominó em todo o sistema.

[…]

Na semana passada, preços do petróleo em queda começaram a impactar os mercados de crédito, com os investidores se livrando de dívidas que parecem impagáveis. Os sinais de contágio já são aparentes e devem piorar. Investidores temem que se não acionarem o botão de vendas agora, não encontrarão compradores mais tarde. Em outras palavras, a liquidez está secando rapidamente, o que por sua vez acelera o declínio do mercado. Naturalmente, isso afeta os papéis do Tesouro americano, que são vistos como livres de risco. Com os investidores jogando tudo nos papéis do Tesouro, as taxas de juros de longo prazo estão coladas no chão. Na sexta-feira a taxa de juros nos papéis de 10 anos do Tesouro bateu em minúsculos 2,08%, o que seria de se esperar no meio de uma Depressão.

A insurgência liderada pelos sauditas reverteu a direção do mercado, colocou as ações globais em mergulho e causou pânico nos mercados de crédito. Enquanto o sistema financeiro se aproxima de uma nova crise, autoridades de Washington permanecem em silêncio, nunca soltando mais que um pio sobre a política saudita que pode ser descrita como um ato deliberado de terrorismo financeiro.

Por que? Por que Obama e companhia ficam calados enquanto os preços do petróleo desabam, uma indústria nacional é demolida e as ações caem de um precipício? Pode ser porque atuam em conjunto com os sauditas num grande jogo para aniquilar os inimigos da gloriosa New World Order?

Tudo indica que sim.

MIKE WHITNEY lives in Washington state. He is a contributor to Hopeless: Barack Obama and the Politics of Illusion (AK Press). Hopeless is also available in a Kindle edition. He can be reached at fergiewhitney@msn.com.


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PETRÓLEO – Os dedos sujos de óleo.

 Por Luciano Martins Costa, no Observatório da Imprensa
Os jornais fazem um retrato tenebroso da situação em que se encontra a Petrobras, um mês depois de revelada a extensão das negociatas que envolveram políticos, dirigentes da estatal e grandes empreiteiras que fazem parte de sua constelação de negócios. Os números são tão grandiosos que o leitor é incapaz de imaginar o volume de dinheiro desviado em negócios superfaturados. O resultado é que, quanto mais atenção coloca no noticiário, menos capaz fica o cidadão de abranger todo o contexto. Na terça-feira (16/12), porém, surge uma ponta da meada que permite entender a lógica da imprensa: com seu valor reduzido seguidamente por conta do escândalo, sob ameaça de ações judiciais nos Estados Unidos e no Brasil, e ainda sob risco de ver seus principais fornecedores serem condenados e proscritos, analistas começam a afirmar que a estatal estaria impossibilitada de seguir explorando a reserva de pré-sal (ver aqui e aqui). Como se sabe, os 149 mil km2 da província do pré-sal apresentam uma taxa de produtividade muito acima da média mundial e já são a fonte de quase 30% de todo o óleo extraído pela empresa. Feita a projeção de crescimento dos atuais 550 mil barris por dia em 25 poços produtores, daqui a três anos, com quase 40 poços ativos, o pré-sal deverá suprir 52% da oferta de petróleo no Brasil. Num cenário em que o preço internacional do óleo cai abruptamente, cresce o valor estratégico da empresa brasileira justamente pelo fato de estar próxima de dar ao Brasil a oitava maior reserva do mundo, com 50 milhões de barris ou mais, qualificando o país como protagonista no setor. Qual era a vantagem estratégica da Petrobras em relação às demais gigantes do setor? Exatamente o fato de possuir suas principais áreas de exploração em uma região sem conflitos militares, sem instabilidade política e plenamente conformada às normas e regulações internacionais. Até mesmo os riscos ambientais alardeados na década passada, quando foi anunciada a decisão de explorar as reservas de alta profundidade, foram desmentidos com o tempo. O escândalo envolvendo a empresa a torna vulnerável a ataques de todos os tipos, mas principalmente abre caminho para as forças que têm interesse em alterar o marco regulatório do pré-sal. Interesses poderosos Há corrupção nos negócios da Petrobras? Certamente, muito do que tem sido noticiado nos últimos meses acabará sendo comprovado, mas há um aspecto que não vem sendo considerado pela imprensa: a corrupção é parte do processo de gestão do setor petrolífero em todo o mundo e, no caso presente, a estatal brasileira se encontra no papel de vítima. Portanto, há uma distorção no noticiário que esconde muito mais do que o propósito de expor a relação deletéria entre negócios e política. Embora os contratos de partilha do óleo de grande profundidade sejam geridos pela empresa Pré-Sal Petróleo S.A, criada como subsidiária da Petrobras para executar o novo marco regulatório, a operadora do sistema é a Petrobras. Cabe à estatal criada por Getúlio Vargas o ônus do processo de depuração que está em curso com as investigações que ocupam diariamente as manchetes dos jornais. Embora a maior parte dos danos seja debitada na aliança que governa o país desde 2003, principalmente ao Partido dos Trabalhadores, é o modelo do negócio que corre risco. É pouco conhecido o fato de que a Petrobras não se tornou uma estatal com o novo marco regulatório: apenas 33% do capital pertencem ao Estado, e 67% estão em mãos privadas. O que mantém o controle da empresa em mãos do Estado é o fato de que este controla metade mais uma do total de ações com direito a voto, o que preserva a Petrobras como sociedade de economia mista. Não é, então, a condição legal da empresa que pode mover interesses poderosos, mas o sistema de exploração do pré-sal: pelo modelo antigo, de concessão, as companhias concessionárias podiam fraudar facilmente os custos de extração, reduzindo a parcela a ser paga tanto em royalties ao Tesouro quanto em barris de petróleo a serem entregues ao sistema de refino e distribuição. O modelo de partilha, criado pelo novo marco regulatório de 2009, mantém sob controle mais rigoroso o usufruto dessa riqueza natural por parte do Brasil. O bombardeio constante e diário de notícias sobre a corrupção esconde outros aspectos desse jogo.

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GÁS DE XISTO – A grande farsa.

Gás de xisto: a poluição prolongada como preço pela energia barata

A grande farsa do gás de xisto

Do Le Monde Diplomatique

Energia barata versus poluição prolongada: nos EUA, o dilema da exploração de gás e petróleo de xisto não atormentou industriais nem o poder público. Em menos de uma década, essas novas reservas recolocaram o país no crescimento, doparam o emprego e restabeleceram a competitividade. Mas e se for apenas uma bolha?

Se crermos nas manchetes da imprensa norte-americana anunciando um boomeconômico graças à “revolução” do gás e do petróleo de xisto, o país logo estará se banhando em ouro negro. O relatório de 2012, “Perspectivas energéticas mundiais”, da Agência Internacional de Energia (AIE), informa que, por volta de 2017, os Estados Unidos arrebatarão da Arábia Saudita o primeiro lugar na produção mundial de petróleo e conquistarão uma “quase autossuficiência” em matéria energética. Segundo a AIE, a alta programada na produção de hidrocarbonetos, que passaria de 84 milhões de barris/dia em 2011 para 97 milhões em 2035, proviria “inteiramente dos gases naturais líquidos e dos recursos não convencionais” – sobretudo o gás e o óleo de xisto –, ao passo que a produção convencional começaria a declinar a partir de… 2013.

Extraídos por fraturamento hidráulico (injeção, sob pressão, de uma mistura de água, areia e detergentes para fraturar a rocha e deixar sair o gás), graças à técnica da perfuração horizontal (que permite confinar os poços à camada geológica desejada), esses recursos só são obtidos ao preço de uma poluição maciça do ambiente. Entretanto, sua exploração nos Estados Unidos criou várias centenas de milhares de empregos, oferecendo a vantagem de uma energia abundante e barata. Conforme o relatório de 2013, “Perspectivas energéticas: um olhar para 2040”, publicado pelo grupo ExxonMobil, os norte-americanos se tornarão exportadores líquidos de hidrocarbonetos a partir de 2025 graças aos gases de xisto, num contexto de forte crescimento da demanda mundial do produto.

Mas e se a “revolução dos gases de xisto”, longe de robustecer uma economia mundial convalescente, inflar uma bolha especulativa prestes a explodir? A fragilidade da retomada, tanto quanto as experiências recentes, deveria convidar à prudência diante de tamanho entusiasmo. A economia espanhola, por exemplo, outrora tão próspera – quarta potência da zona do euro em 2008 –, está hoje em maus lençóis depois que a bolha imobiliária, à qual ela se agarrava cegamente, explodiu sem aviso prévio. A classe política não aprendeu muita coisa com a crise de 2008 e está a ponto de repetir os mesmos erros no campo das energias fósseis.

Em junho de 2011, uma pesquisa do New York Timesjá revelava algumas fissuras no arcabouço midiático-industrial do boomdos gases de xisto, atiçando assim as dúvidas alimentadas por diversos observadores – geólogos, advogados, analistas de mercado – quanto aos efeitos da publicidade das companhias petrolíferas, suspeitas de “superestimar deliberadamente, e mesmo ilegalmente, o rendimento de suas explorações e o volume de suas jazidas”.1 “A extração do gás do xisto existente no subsolo”, escreveu o jornal, “poderia se revelar menos fácil e mais cara do que afirmam as empresas, como se vê pelas centenas de e-mails e documentos trocados pelos industriais a esse respeito, além das análises dos dados recolhidos em milhares de poços.”

No início de 2012, dois consultores norte-americanos soaram o alarme na Petroleum Review, a principal revista britânica da indústria petrolífera. Incertos quanto à “confiabilidade e durabilidade das jazidas de gás de xisto norte-americanas”, eles observam que as previsões dos industriais coincidem com as novas regras da Security and Exchange Commission (SEC), o organismo federal de controle dos mercados financeiros. Adotadas em 2009, essas regras autorizam as empresas a calcular o volume de suas reservas como bem entendam, sem precisar da verificação de uma autoridade independente.2

Para os industriais, superestimar as jazidas de gás de xisto permite pôr em segundo plano os riscos associados à sua exploração. Ora, o fraturamento hidráulico não apenas tem efeitos prejudiciais sobre o meio ambiente como coloca um problema estritamente econômico, uma vez que gera uma produção de vida muito curta. Na revista Nature, um ex-consultor científico do governo britânico, David King, esclarece que o rendimento de um poço de gás de xisto diminui de 60% a 90% após seu primeiro ano de exploração.3

Uma queda tão significativa torna evidentemente ilusório qualquer objetivo de rentabilidade. Depois que um poço se esgota, os operadores devem escavar imediatamente outros para manter seu nível de produção e pagar suas dívidas. Sendo a conjuntura favorável, essa corrida pode iludir durante alguns anos. Foi assim que, combinada com uma atividade econômica decrescente, a produção dos poços de gás de xisto – frágil a longo prazo, vigorosa por algum tempo – provocou uma baixa espetacular dos preços do gás natural nos Estados Unidos: de US$ 7 ou 8 por milhão de BTU (British Thermal Unit) para menos de US$ 3 ao longo de 2012.

Os especialistas em aplicações financeiras não se deixam enganar. “A economia do fraturamento é destrutiva”, adverte o jornalista Wolf Richter na Business Insider.4 “A extração devora o capital a uma velocidade impressionante, deixando os exploradores sobre uma montanha de dívidas quando a produção cai. Para evitar que essa diminuição engula seus lucros, as companhias devem prosseguir bombeando, compensando poços esgotados com outros que se esgotarão amanhã. Cedo ou tarde esse esquema se choca com um muro, o muro da realidade.”

Arthur Berman, um geólogo que trabalhou para a Amoco e a British Petroleum, confessa-se surpreso com o ritmo “incrivelmente acelerado” do esgotamento das jazidas. E, dando como exemplo o sítio de Eagle Ford, no Texas – “É a mãe de todos os campos de óleo de xisto” –, revela que “a queda anual da produção ultrapassa os 42%”. Para garantir resultados estáveis, os exploradores terão de perfurar “quase mil poços suplementares, todos os anos, no mesmo sítio. Ou seja, uma despesa de US$ 10 bilhões a 12 bilhões por ano… Se somarmos tudo, isso equivale ao montante investido para salvar a indústria bancária em 2008. Onde arranjarão tanto dinheiro?”.5

A bolha do gás já produziu seus primeiros efeitos sobre algumas das maiores empresas petrolíferas do planeta. Em junho último, o diretor-presidente da Exxon, Rex Tillerson, queixou-se de que a queda dos preços do gás natural nos Estados Unidos era sem dúvida uma boa notícia para os consumidores, mas uma maldição para sua companhia, vítima da diminuição drástica dos lucros. Se, diante dos acionistas, a Exxon continuava fingindo que não perdera um centavo por causa do gás, Tillerson desfiou um discurso quase lacrimoso diante do Council on Foreign Relations (CFR), um dos fóruns mais influentes do país: “Logo, logo, perderemos até as calças. Não ganhamos mais dinheiro. As contas estão no vermelho”.6

Mais ou menos na mesma ocasião, a companhia de gás britânica BG Group se via às voltas com “uma depreciação de seus ativos referentes ao gás natural norte-americano da ordem de US$ 1,3 bilhão”, sinônimo de “queda sensível em seus lucros intermediários”.7 Em 1º de novembro de 2012, depois que a empresa petrolífera Royal Dutch Shell amargou três trimestres de resultados medíocres, com uma perda acumulada de 24% em um ano, o serviço de informações da Dow Jones divulgou essa notícia funesta, alarmando-se com o “prejuízo” causado ao conjunto do setor de ações pela retração do gás de xisto.

Da panaceia ao pânico

A bolha não poupa sequer a Chesapeake Energy, que, no entanto, é a pioneira na corrida aos gases de xisto. Esmagada por dívidas, a empresa norte-americana precisou vender parte de seus ativos – campos e gasodutos a um valor total de US$ 6,9 bilhões – para honrar seus compromissos com os credores. “A empresa está indo um pouco mais devagar, muito embora seu CEO a tenha transformado num dos líderes da revolução dos gases de xisto”, deplorou o Washington Post.8

Como puderam cair tanto os heróis dessa “revolução”? O analista JohnDizard observou, no Financial Timesde 6 de maio de 2012, que os produtores de gás de xisto haviam gasto quantias “duas, três, quatro ou mesmo cinco vezes superiores aos seus fundos próprios a fim de adquirir terras, escavar poços e levar a bom termo seus projetos”. Para financiar a corrida do ouro, foi necessário pedir emprestadas somas astronômicas “em condições complexas e exigentes”, lembrando que Wall Street não se afasta nunca de suas normas de conduta habituais. Segundo Dizard, a bolha do gás deveria, porém, continuar crescendo por causa da dependência dos Estados Unidos desse recurso economicamente explosivo. “Considerando-se o rendimento efêmero dos poços de gás de xisto, as perfurações devem prosseguir. Os preços acabarão por se ajustar a um nível elevado, e mesmo muito elevado, para cobrir não apenas dívidas antigas, mas também custos de produção realistas.”

Não se descarta, contudo, que diversas companhias petrolíferas de grande porte se vejam simultaneamente na iminência da ruína financeira. Caso essa hipótese se confirme, diz Berman, “assistiremos a duas ou três falências ou operações de compra de enorme repercussão; cada qual resgatará seus papéis, os capitais se evaporarão e teremos o pior dos cenários”.

Em suma, o argumento segundo o qual os gases de xisto protegeriam os Estados Unidos ou a humanidade contra o “pico do petróleo” – nível a partir do qual a combinação das pressões geológicas e econômicas tornará a extração do produto bruto insuportavelmente difícil e onerosa – não passa de um conto de fadas. Diversos relatórios científicos independentes, divulgados há pouco, confirmam que a “revolução” do gás não trará nenhum alívio nessa área.

Num estudo publicado pela revista Energy Police, a equipe de King chegou à conclusão de que a indústria petrolífera superestimou em um terço as reservas mundiais de energia fóssil. As jazidas ainda disponíveis não excederiam 850 bilhões de barris, enquanto as estimativas oficiais falam de mais ou menos 1,3 trilhão. Segundo os autores, “imensas quantidades de recursos fósseis permanecem nas profundezas da terra, mas o volume de petróleo explorável pelas tarifas que a economia mundial tem o costume de suportar é limitado, devendo além disso diminuir a curto prazo”.9

A despeito dos tesouros em gás arrancados do subsolo por fraturamento hidráulico, a diminuição das reservas existentes prossegue num ritmo estimado entre 4,5% e 6,7% por ano. King e seus colegas repelem, pois, categoricamente a ideia de que o boomdos gases de xisto poderá resolver a crise energética. Por sua vez, o analista financeiro Gail Tverberg lembra que a produção mundial de energias fósseis convencionais não aumentou depois de 2005. Essa estagnação, na qual ele vê uma das causas principais da crise de 2008 e 2009, anunciaria um declínio suscetível de agravar ainda mais a recessão atual – com ou sem gás de xisto.10 E não é tudo: numa pesquisa publicada em conjunto com o relatório da AIE, a New Economics Foundation (NEW) prevê que o pico do petróleo será alcançado em 2014 ou 2015, quando os gastos com a extração e o abastecimento “ultrapassarão o custo que as economias mundiais podem assumir sem causar danos irreparáveis às suas atividades”.11

Submergidos pela retórica publicitária dos lobistas da energia, esses trabalhos não chamaram a atenção da mídia nem dos políticos. É lamentável, pois podemos entender perfeitamente sua conclusão: longe de restaurar a prosperidade, os gases de xisto inflam uma bolha artificial que camufla temporariamente uma profunda instabilidade estrutural. Quando ela explodir, provocará uma crise de abastecimento e um aumento de preços que talvez afetem dolorosamente a economia mundial.

Nafeez Mosaddeq Ahmed

Cientista político, é diretor do Institute for Policy Research and Development, Brighton, Reino Unido

Ilustração: Daniel Kondo

1 “Insiders sound an alarm amid a natural gas rush” [Especialistas soam um alarme em meio a uma corrida de gás natural], New York Times, 25 jun. 2011.
2 Ruud Weijermars e Crispian McCredie, “Inflating US shale gas reserves” [Inflando as reservas de gás de xisto dos EUA], Petroleum Review, Londres, jan. 2012.
3 David King e James Murray, “Climate policy: oil’s tipping point has passed” [Política climática: o ponto de inflexão do petróleo passou], Nature, Londres, n.481, 26 jan. 2012.
4 Wolf Richter, “Dirt cheap natural gas is tearing up the very industry that’s producing it” [Gás natural sujo e barato está destruindo a indústria que o produz], Business Insider, Portland, 5 jun. 2012.
5 “Shale gas will be the next bubble to pop. An interview with Arthur Berman” [O gás de xisto será a próxima bolha a estourar. Entrevista com Arthur Berman], 12 nov. 2012. Disponível em: <www.oilprice.com>.
6 “Exxon: ‘losing our shirts’ on natural gas” [“Exxon: ‘perdendo as calças’ no gás natural”], Wall Street Journal, Nova York, 27 jun. 2012.
7 “US shale gas glut cuts BG Group profits” [O excesso de gás de xisto nos EUA reduz lucros do BG Group], The Financial Times, Londres, 26 jul. 2012.
8 “Debt-plagued Chesapeake energy to sell $6,9 billion worth of its holdings” [Pressionada pela dívida de energia, a Chesapeake vende US$ 6,9 bilhões de valor de suas participações], Washington Post, 13 set. 2012.
9 Nick A. Owen, Oliver R. Inderwildi e David A. King, “The status of conventional world oil reserves – hype or cause for concern?” [O estado das reservas de petróleo convencional do mundo – publicidade exagerada ou motivo de preocupação?], Energy Policy, Guildford, v.38, n.8, ago. 2010.
10 Gail E. Tverberg, “Oil supply limits and the continuing financial crisis” [Limites do abastecimento de petróleo e a continuação da crise financeira], Energy, Stanford, v.35, n.1, jan. 2012.
11 “The economics of oil dependence: a glass ceiling to recovery” [A economia da dependência do petróleo: um teto de vidro para a recuperação], New Economics Foundation, Londres, 2012.