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BIOMASSA GANHA ESPAÇO.

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Geração com resíduos ganha importância inédita e tende a ampliar espaço na matriz, diante de reservatórios hídricos à míngua e preços nas alturas
O fantasma do racionamento de eletricidade assombra o país pela primeira vez desde 2001, expondo fragilidades no planejamento e na gestão dos recursos de geração. Ainda não faltou suprimento, mas isso tem um custo que será pago, cedo ou tarde, pela população, seja como cliente, seja como contribuinte.
Entretanto, diferentemente do consumidor residencial, há setores empresariais que ainda podem escolher a forma de seu suprimento elétrico. E para não ficar ao sabor da flutuação dos preços no mercado livre, também impactados pela escassez hídrica, um seleto clube de companhias pode optar pela produção própria.
É o que vem acontecendo em segmentos como petroquímica e papel e celulose, nos quais a biomassa, em diferentes opções, vem ganhando preferência para geração. E, fugindo do conceito tradicional de aproveitamento de resíduos, surgem milhares de hectares de matéria vegetal – madeira e sorgo, em especial – cultivada exclusivamente para queima em caldeiras e produção de energia elétrica, a fim de abastecer plantas industriais e até gerar excedentes para comercialização no mercado de curto prazo.
A busca da indústria por segurança energética está impulsionando gradativamente essa fonte, que, historicamente, tem sua maior expressão no setor de etanol e açúcar. Dados de 2013 da União da Indústria da Cana-de-Açúcar (Unica) dão conta de que a contribuição das usinas de cana para a oferta elétrica foi da ordem de 1,7 mil GW médios. Suficientes para preservar 7% da água dos reservatórios das hidrelétricas do subsistema Sudeste/Centro-Oeste.
Informações preliminares do Balanço Energético Nacional (BEN) de 2014 – com números de 2013 – mostram que a participação das biomassas na matriz elétrica saiu de 6,8%, em 2012, para 7,6%, no ano passado. E hoje, segundo aponta a Aneel, já responde por 8,4% da capacidade instalada do país, com 11,5 mil MW, quase uma Itaipu, cuja potência é de 14 mil MW.
Há mais 1,8 mil MW outorgados pela agência que talvez pudessem sair mais rapidamente do papel, não fosse a situação delicada do setor sucroenergético e a insistência do governo em privilegiar a modicidade tarifária, ao estipular o preço-teto da modalidade nos leilões oficiais. No último leilão A-3, em junho, nenhum empreendimento térmico conseguiu negociar produção a R$ 133/MWh.
Para o mercado, esse valor não reflete os benefícios relativos da fonte, como a proximidade dos centro de carga e a regularidade do suprimento. Por isso, acreditam que a biomassa também não deveria concorrer diretamente com a eólica.
‘Em pé’
Agora, porém, a indicação é de que esse ambiente desfavorável para biomassa deve começar a mudar. O governo já dá sinais de que o atual quadro de escassez, somado à falta de hidrelétricas com reservatórios, deve ampliar a base térmica. Assim, a biomassa também vai ter papel mais relevante na matriz elétrica.
A versão mais recente do Plano Decenal de Energia, o PDE 2022, elaborado pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE), prevê que, até esse horizonte, estejam disponíveis 22,1 mil GW médios somente das usinas de etanol e açúcar, levando em conta que, além do bagaço, também se utilize a palha do canavial. Essa estimativa parte de uma safra de 995 milhões de t de cana em 2022. No entanto, no horizonte 2014/2015, a safra mal chegará a 580 milhões de t. “No leilão A-5, de setembro
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próximo, haverá uma oportunidade importante para as térmicas a biomassa”, diz o presidente da EPE, Maurício Tolmasquim.
Segundo ele, o governo pretende estipular um preço-teto bastante interessante para o produto térmico, como forma de atrair empreendimentos movidos a carvão e GNL. Essa condição deverá favorecer não somente as usinas de cana, como também plantas alimentadas com madeira. “O projeto a cavaco de madeira tem se mostrado muito competitivo. É quase como uma usina de base, que pode funcionar o ano todo ou quando necessário. Nesse caso, pode-se revender ou exportar a madeira”, descreve Tolmasquim.
Independentemente do preço, o A-5 também tem caído nas graças dos investidores, porque conta com outra vantagem fundamental: é uma forma de manter os projetos “em pé”. Como se implanta uma usina a biomassa em dois anos e meio, em média, o tempo entre a partida da planta e a necessidade de entregar energia no mercado regulado (ACR) é aproveitado para comercializar a produção no mercado livre (ACL).
A concorrência também movimenta os fornecedores. Companhias como ABB, Siemens e Areva Renewables estão na expectativa de que os negócios venham a ser retomados e se preparam para abocanhar novos contratos.
Tradicional fornecedora do setor sucroenergético, a Areva Renewables já negocia com boa parte dos empreendedores que têm projetos inscritos no A-5, conta André Salgado, presidente da empresa no Brasil. Ele frisa, contudo, que também está de olho em usinas a cavaco de madeira. Alguns engenheiros da companhia acabam de voltar da França, onde começou a funcionar um equipamento criado para torrefação de madeira. A ideia é montar um protótipo para testes no Brasil e disponibilizá-lo ao mercado em breve.
José Nardi, gerente de Mercado e Vendas da Unidade de Sistemas de Integração da ABB, vê no A-5 uma possibilidade interessante para os investidores. No intervalo de tempo entre a conclusão da usina e a entrega de energia ao mercado regulado, vender energia no mercado livre equilibraria as receitas, já que o preço do megawatt-hora nos certames oficiais ainda não é o ideal.
Em relação aos retrofits, Nardi aconselha cautela. A depender da idade e do estado da planta, a reforma pode não compensar. Diferentemente dos projetos de expansão, nos quais boa parte das instalações existentes é aproveitada, a troca de caldeira e turbina leva a uma série de outras despesas, que podem acabar inviabilizando a empreitada.
Fonte: Revista Brasil Energia

Autor: carlosadoria

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