petroleiroanistiado

A great WordPress.com site


Deixe um comentário

CARRO ELÉTRICO – Brasil perde corrida por produção global.

Brasil perde corrida por produção global de carro elétrico, diz presidente de montadora

Maior fabricante de baterias recarregáveis e de ônibus elétricos do mundo, a chinesa BYD planeja construir uma fábrica de veículos no Brasil.
Apesar da recente retração nas vendas de automóveis, a empresa acredita que o menor custo de manutenção dos coletivos elétricos possa servir de estímulo para o comércio deste tipo de produto, que já roda em caráter experimental em cidades como São Paulo e Rio de Janeiro.
A meta é montar 1.000 unidades até o fim do próximo ano, atingindo cerca de 3% de participação.
“Depois entraremos com a produção de carros elétricos de passeio com foco em frotistas”, disse à Folha Stella K. Li, presidente global da BYD.
A executiva, que negocia com algumas prefeituras do Estado de São Paulo o local da fábrica, reclama da falta de incentivo do governo federal para os veículos elétricos, que não emitem poluentes e têm a maior carga de IPI (Imposto sobre produtos Industrializados), de 25%, ante 3% dos modelos 1.0.
A própria Anfavea (associação das montadoras) já enviou para o governo uma proposta para incluir esse novo segmento no programa de estímulo à indústria automotiva, o Inovar-Auto.
Mas a crise no abastecimento de energia elétrica vem atrapalhando as negociações.
“Se o Brasil não estabelecer logo uma política para o comércio e o desenvolvimento dos carros elétricos, vai perder a oportunidade de ser um produtor global desta tecnologia promissora”, completa a presidente da BYD.
Veja os principais trechos da entrevista.
*
Folha – O maior custo de um veículo elétrico são as baterias. A empresa pretende montar veículos completos no país?
Stella K. Li – Sim. Atualmente estamos negociando com alguns municípios a instalação das nossas linhas de produção. Só posso adiantar que será no Estado de São Paulo, pois é onde se concentra o maior mercado consumidor.
Qual será o montante investido e há parceiros locais?
O investimento será de aproximadamente US$ 3 bilhões (R$ 6,6 bilhões) em cinco ou seis anos. Temos muitos parceiros locais, contudo a maior parte do aporte financeiro será feito pela própria BYD.
Quantos empregos a BYD planeja criar no Brasil com esse projeto?
É difícil precisar a quantidade, pois ainda estamos em fase de análise e dependemos de aprovações para podermos começar a construir a fábrica já no próximo ano. Mas seria algo em torno de 1.000 postos de trabalho.
Quais tipos de produtos serão feitos no país?
24
Estamos começando com os ônibus e planejamos em um futuro próximo produzir um automóvel de passeio, também elétrico e voltado para frotistas.
Sobre os ônibus, temos uma gama extensa. O primeiro modelo que já chegou ao Brasil é um de 12 metros. Depois traremos um de 15 metros e, posteriormente, um de 18 metros. Há planos para um de oito metros, exclusivo para o transporte rodoviário.
O fato de necessitar de uma recarga longa na tomada e ter autonomia limitada não é um limitador para esse tipo de produto em um país extenso como o Brasil?
Sobre a carga da bateria, os ônibus serão tirados da garagem de manhã, com a bateria cheia, depois de quatro a cinco horas conectados a uma tomada poderão rodar cerca de 250 km.
Esses ônibus já estão sendo testados. O maior benefício deles é o baixo custo de manutenção. Segundo nossos estudos, o ônibus elétrico custa R$ 0,80 a menos por quilômetro rodado que um a diesel. E o custo de aquisição é similar.
No Brasil, alguns vândalos protestam ateando fogo em ônibus. Há sistema de segurança específico nos BYD?
Sim. Caso sensores no veículo detectem algum princípio de incêndio, um interruptor corta a corrente elétrica para evitar explosões, por exemplo.
E o carro?
O primeiro modelo que pretendemos produzir no Brasil é o crossover E-6. Ele é capaz de rodar 300 km com apenas uma recarga de, no máximo, duas horas.
Na China, esse carro é muito utilizado como táxi. Lá, há cerca de 1.000 unidades circulando com esse propósito. O E-6 também foi lançado na Colômbia e na Inglaterra.
A alta carga tributária para esse tipo de produto dificulta?
O maior desafio de colocar esse tipo de produto no mercado brasileiro é a quantidade de impostos que incidem sobre eles. Na minha opinião, se o Brasil não estabelecer logo uma política para o comércio e o desenvolvimento dos carros elétricos, vai perder a oportunidade de ser um produtor global desta tecnologia promissora.
Mas a BYD sabe que aqui no Brasil há o etanol como alternativa de combustível e que o governo sempre o defendeu..
Sim, eu sei. Mas, na minha opinião, o etanol não é a única solução, por duas razões.
A primeira é que o preço oscila muito por causa da possibilidade de transformar a cana também em açúcar. Outro fator é que, como a energia gerada pelas hidroelétricas no Brasil é limpa, o carro elétrico é mais sustentável que o a etanol.
E quando houver racionamento de energia, como agora, por falta de chuvas?
A BYD é focada em tecnologia. Se tiver um problema, temos de tentar resolvê-lo. Os carros elétricos poderíamos, por exemplo, ter o sistema que recarrega parte das baterias utilizando a energia gerada na frenagem.
Outra possibilidade seriam os híbridos plug-in, que funcionariam com etanol ou gasolina, caso a carga da bateria se esgotasse.
25
Como você vê o mercado brasileiro nos próximos dez anos?
Eu acho que será bom, pois mais e mais pessoas poderão comprar carros. Ainda há chance de dobrar o volume de vendas. Provavelmente o carro elétrico será o segundo carro da família, assim como está acontecendo na China.
Você acha que o excesso de trânsito é um entrave para a venda de automóveis?
Claro, por isso é importante que o governo dê incentivos a carros menos poluentes. Há estudos que mostram que a cada 5 km/h diminuídos na velocidade média do trânsito, a poluição aumenta em cerca de 20%.
Fonte: Agência CanalEnergia


Deixe um comentário

CARRO ELÉTRICO – Brasil perde corrida por produção global.

Brasil perde corrida por produção global de carro elétrico, diz presidente de montadora

Maior fabricante de baterias recarregáveis e de ônibus elétricos do mundo, a chinesa BYD planeja construir uma fábrica de veículos no Brasil.
Apesar da recente retração nas vendas de automóveis, a empresa acredita que o menor custo de manutenção dos coletivos elétricos possa servir de estímulo para o comércio deste tipo de produto, que já roda em caráter experimental em cidades como São Paulo e Rio de Janeiro.
A meta é montar 1.000 unidades até o fim do próximo ano, atingindo cerca de 3% de participação.
“Depois entraremos com a produção de carros elétricos de passeio com foco em frotistas”, disse à Folha Stella K. Li, presidente global da BYD.
A executiva, que negocia com algumas prefeituras do Estado de São Paulo o local da fábrica, reclama da falta de incentivo do governo federal para os veículos elétricos, que não emitem poluentes e têm a maior carga de IPI (Imposto sobre produtos Industrializados), de 25%, ante 3% dos modelos 1.0.
A própria Anfavea (associação das montadoras) já enviou para o governo uma proposta para incluir esse novo segmento no programa de estímulo à indústria automotiva, o Inovar-Auto.
Mas a crise no abastecimento de energia elétrica vem atrapalhando as negociações.
“Se o Brasil não estabelecer logo uma política para o comércio e o desenvolvimento dos carros elétricos, vai perder a oportunidade de ser um produtor global desta tecnologia promissora”, completa a presidente da BYD.
Veja os principais trechos da entrevista.
*
Folha – O maior custo de um veículo elétrico são as baterias. A empresa pretende montar veículos completos no país?
Stella K. Li – Sim. Atualmente estamos negociando com alguns municípios a instalação das nossas linhas de produção. Só posso adiantar que será no Estado de São Paulo, pois é onde se concentra o maior mercado consumidor.
Qual será o montante investido e há parceiros locais?
O investimento será de aproximadamente US$ 3 bilhões (R$ 6,6 bilhões) em cinco ou seis anos. Temos muitos parceiros locais, contudo a maior parte do aporte financeiro será feito pela própria BYD.
Quantos empregos a BYD planeja criar no Brasil com esse projeto?
É difícil precisar a quantidade, pois ainda estamos em fase de análise e dependemos de aprovações para podermos começar a construir a fábrica já no próximo ano. Mas seria algo em torno de 1.000 postos de trabalho.
Quais tipos de produtos serão feitos no país?
24
Estamos começando com os ônibus e planejamos em um futuro próximo produzir um automóvel de passeio, também elétrico e voltado para frotistas.
Sobre os ônibus, temos uma gama extensa. O primeiro modelo que já chegou ao Brasil é um de 12 metros. Depois traremos um de 15 metros e, posteriormente, um de 18 metros. Há planos para um de oito metros, exclusivo para o transporte rodoviário.
O fato de necessitar de uma recarga longa na tomada e ter autonomia limitada não é um limitador para esse tipo de produto em um país extenso como o Brasil?
Sobre a carga da bateria, os ônibus serão tirados da garagem de manhã, com a bateria cheia, depois de quatro a cinco horas conectados a uma tomada poderão rodar cerca de 250 km.
Esses ônibus já estão sendo testados. O maior benefício deles é o baixo custo de manutenção. Segundo nossos estudos, o ônibus elétrico custa R$ 0,80 a menos por quilômetro rodado que um a diesel. E o custo de aquisição é similar.
No Brasil, alguns vândalos protestam ateando fogo em ônibus. Há sistema de segurança específico nos BYD?
Sim. Caso sensores no veículo detectem algum princípio de incêndio, um interruptor corta a corrente elétrica para evitar explosões, por exemplo.
E o carro?
O primeiro modelo que pretendemos produzir no Brasil é o crossover E-6. Ele é capaz de rodar 300 km com apenas uma recarga de, no máximo, duas horas.
Na China, esse carro é muito utilizado como táxi. Lá, há cerca de 1.000 unidades circulando com esse propósito. O E-6 também foi lançado na Colômbia e na Inglaterra.
A alta carga tributária para esse tipo de produto dificulta?
O maior desafio de colocar esse tipo de produto no mercado brasileiro é a quantidade de impostos que incidem sobre eles. Na minha opinião, se o Brasil não estabelecer logo uma política para o comércio e o desenvolvimento dos carros elétricos, vai perder a oportunidade de ser um produtor global desta tecnologia promissora.
Mas a BYD sabe que aqui no Brasil há o etanol como alternativa de combustível e que o governo sempre o defendeu..
Sim, eu sei. Mas, na minha opinião, o etanol não é a única solução, por duas razões.
A primeira é que o preço oscila muito por causa da possibilidade de transformar a cana também em açúcar. Outro fator é que, como a energia gerada pelas hidroelétricas no Brasil é limpa, o carro elétrico é mais sustentável que o a etanol.
E quando houver racionamento de energia, como agora, por falta de chuvas?
A BYD é focada em tecnologia. Se tiver um problema, temos de tentar resolvê-lo. Os carros elétricos poderíamos, por exemplo, ter o sistema que recarrega parte das baterias utilizando a energia gerada na frenagem.
Outra possibilidade seriam os híbridos plug-in, que funcionariam com etanol ou gasolina, caso a carga da bateria se esgotasse.
25
Como você vê o mercado brasileiro nos próximos dez anos?
Eu acho que será bom, pois mais e mais pessoas poderão comprar carros. Ainda há chance de dobrar o volume de vendas. Provavelmente o carro elétrico será o segundo carro da família, assim como está acontecendo na China.
Você acha que o excesso de trânsito é um entrave para a venda de automóveis?
Claro, por isso é importante que o governo dê incentivos a carros menos poluentes. Há estudos que mostram que a cada 5 km/h diminuídos na velocidade média do trânsito, a poluição aumenta em cerca de 20%.
Fonte: Agência CanalEnergia


Deixe um comentário

PRÍ-SAL REPETE PAPEL REDENTOR EM ANGOLA.

Pré-sal repete papel de redentor em Angola

À noite, quando a escuridão oculta as cicatrizes deixadas por uma brutal guerra civil de 27 anos em Angola, a Ilha de Luanda lembra uma esquina deteriorada de Ipanema. Assim como no bairro do Rio de Janeiro, os moradores locais também falam português nos bares e restaurantes espalhados pela praia estreita. O clima é agradável, a música é alta e as festas vão até tarde.
Hoje em dia, os restaurantes chiques da Ilha estão cheios de executivos do setor petroleiro, que torcem para que Angola e Brasil tenham mais outra coisa em comum: a geologia.
Embora exista um oceano de distância, a costa oeste de Angola apresenta características geológicas parecidas com as da costa leste do Brasil – um legado da separação das placas tectônicas africana e sul-americana. Nas plataformas continentais, a centenas de metros sob o leito do mar, os dois possuem uma grossa camada de sal.
No Brasil, geólogos encontraram reservas enormes de hidrocarboneto sob essa camada, dando origem a uma próspera indústria petrolífera do “pré-sal”. Agora, algumas das maiores companhias de petróleo do mundo estão apostando bilhões de dólares que Angola possui reservas similares no pré-sal.
A aposta é crucial para o futuro econômico e social de Angola, a terceira maior economia da África subsaariana, atrás da Nigéria e da África do Sul. Mas só o futuro dirá se a descoberta de mais reservas vai ajudar os 20 milhões de habitantes locais. Se a história recente de Angola servir de parâmetro, essa possibilidade será, na melhor das hipóteses, indefinida. Os petrodólares estimularam a economia, mas grande parte da riqueza continua concentrada em um pequeno círculo de plutocratas. Após anos produzindo petróleo, mais de um terço da população angolana continua na pobreza.
“As pessoas sentem que está acontecendo alguma coisa, mas não de uma maneira que realmente beneficie a todos”, diz Elias Isaac, diretor no país da Open Society Initiative da África do Sul, um grupo ativista. “É bem óbvio que apenas um grupo está se beneficiando, e não a maioria.”
A aposta no pré-sal não é importante apenas para Angola. Se ela der certo terá repercussões bem além das fronteiras dos países do sul da África – proporcionando uma nova fonte de petróleo para a China, por exemplo, que consome mais e mais energia.
Em 2011, Angola concedeu onze novas licenças para grandes companhias de petróleo – incluindo BP, Petrobras, Total, ConocoPhillips e Statoil – para a exploração do pré-sal em sua bacia de Kwanza. A Maersk e a Colbalt, que contam com o Goldman Sachs como investidor, já encontraram petróleo em quantidades comerciais no pré-sal de Kwanza.
As maiores petroleiras do mundo farão o mesmo este ano, com a perfuração de mais de uma dúzia de poços exploratórios no pré-sal. “Essa atividade vai decidir se a plataforma continental de Kwanza poderá escrever o próximo capítulo bem sucedido da história do petróleo em Angola”, segundo afirma a Wood Mackenzie, uma consultoria especializada em petróleo.
O entusiasmo com o pré-sal em Angola está aumentando na medida em que as brocas atingem novos bolsões de petróleo, melhorando o potencial de um país que almeja tirar da Nigéria o posto de maior produtor de óleo bruto da África.
O crescimento acelerado da indústria petrolífera de Angola – e a perspectiva de mais expansão pela frente – é o sinal mais visível da mudança da sorte do país desde o fim da guerra em 2002. Mais de 500 mil pessoas morreram e 4 milhões foram deslocadas pelo conflito, que explodiu em 1975 depois que Angola conquistou a independência de Portugal. A brutalidade da guerra foi simbolizada pela
29
proliferação de minas terrestres que dilaceraram indiscriminadamente membros de velhos e jovens, combatentes e civis. O conflito arruinou a educação, a saúde e o desenvolvimento.
Hoje, porém, Angola se enquadra na narrativa do “despertar da África”. Ela registrou na última década uma das maiores taxas de crescimento do mundo, com o PIB avançando em média 10,1%, segundo o Fundo Monetário Internacional (FMI). Mas é também um exemplo de país que luta contra a maldição dos recursos naturais: em vez de criar prosperidade universal, seu petróleo tem ajudado a manter no poder o segundo presidente mais longevo da África, além de alimentar a corrupção que mina o desenvolvimento econômico.
A produção de petróleo mais que dobrou de 800 mil barris/dia em 2001 para os atuais 1,6 milhão de barris/dia, grande parte deles embarcados para a China. A nação sul-africana é, desde 2005, a segunda maior fornecedora de petróleo para o governo chinês, perdendo para a Arábia Saudita. Em troca, a China tem sido fonte vital de crédito para Angola. Li Keqiang, o primeiro-ministro chinês, disse este ano, durante uma visita, que do 1 milhão de chineses que vivem e trabalham na África, cerca de um quarto está em Angola.
O governo espera aumentar a produção de petróleo para cerca de 2 milhões de barris/dia até 2015, mesmo sem contar com o impacto das descobertas no pré-sal. Recentemente, a Total anunciou um dos maiores investimentos de todos os tempos na África, afirmando que vai aplicar US$ 16 bilhões no desenvolvimento do campo de petróleo de Kaombo em Angola. “Angola continua sendo um país prioritário para a Total”, diz Yvez-Louis Darricarrère, diretor de exploração e produção.
Na última década o país surfou uma onda perfeita de alta da produção e dos preços do petróleo, e a tendência continua. Como resultado, as receitas da Angola com o petróleo atingiram US$ 68 bilhões em 2012 – a última estimativa disponível -, em comparação a apenas US$ 13 bilhões em 2004, de acordo com o Departamento de Energia dos EUA.
Mas Angola não é apenas rica em petróleo. Ela também possui diamantes e terras férteis. Com uma população jovem e uma enorme necessidade de reconstrução e desenvolvimento, bancos estrangeiros, companhias varejistas e de construção estão se dirigindo para o país.
Em janeiro, o Standard Chartered tornou-se o primeiro grande banco internacional a abrir uma subsidiária em Angola. Diana Layfield, a executiva-chefe do banco, diz que as oportunidades vão além do petróleo. “A economia de Angola está se diversificando”, diz. “O setor não petrolífero deverá crescer cerca de 10% este ano – com um avanço particularmente forte nos setores de serviços públicos, comércio e agricultura. Angola também faz parte do corredor comercial China-África, que vem crescendo em ritmo acelerado, e responde por um quinto do comércio total do continente com a China.”
A rede de fast food americana KFC está entre as franquias mais novas a entrar em operação na capital Luanda. Isto seria inimaginável há uma década.
Mas apesar de sua riqueza em recursos naturais, ou talvez por causa disso, Angola continua sendo um lugar notoriamente caro e desafiador para as empresas operarem, já que serviços básicos como taxis são praticamente inexistentes. A pobreza é visível em todos os lugares, com favelas se espalhando pela periferia de Luanda a minutos dos prédios novos e reluzentes do centro da cidade. Favelas têm sido derrubadas para abrir espaço para novos empreendimentos imobiliários.
A educação é outro grande problema. Apenas 66% das meninas chegam a ser alfabetizadas, segundo a Organização das Nações Unidas (ONU). A expectativa de vida é de 51,5 anos, mas melhorou bem desde 1970, quando era de 37 anos. Mas as elites estão se beneficiando de um boom econômico, como novas lojas comerciais e restaurantes atendendo os novos ricos. A Shoprite, maior rede de supermercados da África, vendeu mais garrafas do vinho espumante JC Le Roux no ano passado, em suas 19 lojas em Angola, do que em todas as demais 382 lojas da África do Sul.
30
O crescimento econômico não foi acompanhado por avanços políticos. É aqui que Angola mostra como é o outro lado da história do “despertar da África”. O país é altamente dependente de uma commodity – o petróleo representa cerca de 80% da receita do governo – e é governado por um partido político dominante, o Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA). José Eduardo dos Santos, o presidente, de 71 anos, está no cargo há 35 anos, o segundo líder há mais tempo no poder na África, atrás de Teodoro Obiang, da Guiné Equatorial, e à frente de Robert Mugabe, do Zimbábue.
Os críticos acusam o presidente de comandar um regime autocrático intolerante a críticas. Da mesma forma que acontece em outros países que após guerras passaram a ser governados por antigos movimentos de libertação, o MPLA (que era um grupo marxista apoiado pela antiga União Soviética e Cuba) predomina em meio a uma oposição débil e fragmentada, governando muitas vezes de forma pouco transparente, com uma burocracia sufocante.
As acusações vão desde corrupção e clientelismo político, que enriquecem membros da elite, incluindo familiares de Eduardo dos Santos, em detrimento da maioria da população. Os críticos destacam que a mulher mais rica da África é Isabel dos Santos, filha mais velha do presidente.
Vários dos projetos de moradias que mudaram rapidamente a cara de Luanda estão muito além dos meios da maioria da população. A capital está entre as cidades mais caras do mundo, com hambúrgueres em hotéis chegando a custar US$ 40 e aluguéis caríssimos para estrangeiros, enquanto o país ocupa apenas a 148 posição no índice de Desenvolvimento Humano da ONU.
José Filomeno dos Santos, 36, filho do presidente e presidente do conselho de administração de um novo fundo de riqueza soberana de US$ 5 bilhões, pede paciência aos críticos. Seu discurso recorrente é o de que Angola deve ser julgada pelo progresso obtido nos 12 anos desde a morte de Jonas Savimbi, o líder do grupo de guerrilha direitista, da União Nacional para a Independência Total de Angola (Unita), que marcou o fim da guerra civil no país.
“É uma tendência em direção à transparência”, diz. “Não vai ser uma revolução ou uma mudança da noite para o dia. Mas vai ser algo gradual; vão ocorrer mudanças ao longo do caminho e vai ser um processo de aprendizado, em que se vai testando”.
Desde o fim da guerra, o Produto Interno Bruto (PIB) per capita subiu de US$ 690 para US$ 6 mil, enquanto os angolanos que vivem com menos de US$ 1 por dia caíram de 68% para 37% da população, de acordo com a ONU.
A frustração com a imensa diferença entre os que têm muito e os que não têm nada, somada ao descontentamento quanto à corrupção generalizada, contribuiu para desencadear uma série de protestos esporádicos, desde 2011, organizados por jovens enfurecidos e opositores. A reação dos serviços de segurança contra as demonstrações foi condenada de forma generalizada pelos ativistas. Em novembro, membros da guarda presidencial supostamente balearam e mataram um manifestante em um protesto convocado para apoiar duas pessoas que teriam sido sequestradas em manifestação anterior, segundo o grupo de defesa dos direitos humanos Human Rights Watch, com sede nos EUA.
“Em Angola temos uma democracia multipartidária, mas não uma sociedade plural”, diz Isaac, Open Society Initiative. “O MPLA controla tudo.”
Ainda assim, Mário Cruz, executivo do Banco Atlántico e integrante da jovem classe executiva emergente de Angola, tem confiança de que o país avança na direção certa, tendo em vista seu histórico. Ele cita o imenso crescimento do número de pessoas com contas bancárias, que buscam crédito, compram carros e usando sites de relacionamento social – dados que os especialistas sobre o continente usam para alimentar a história do “despertar da África” – para sustentar seus argumentos.
31
“Temos um longo caminho pela frente, mas sou muito otimista quanto a isso”, diz. “O governo, lentamente, está mudando, mas não se pode olhar para frente sem também olhar para trás [aos danos provocados pelas guerras].”
E assim como os executivos do petróleo recomendam paciência e cautela ao buscar a próxima grande descoberta de petróleo no pré-sal, há advertências contra as expectativas de uma transformação econômica ou política radical em uma nação que ainda se ressente das consequências da guerra.
Fonte: Financial Times — texto extraído do Valor Econômico


Deixe um comentário

MEIO AMBIENTE – Obama anunciou corte de 30% na emissão de gases.

Obama, rompeu o imobilismo americano no combate à mudança do clima. À revelia do Congresso, anunciou que até 2030 o setor de geração de eletricidade em seu país terá de cortar 30% (sobre os níveis de 2005) da emissão de gases que aprisionam calor na atmosfera e agravam o efeito estufa.
Obama chamou tais emissões de “poluição do carbono”. Embora o dióxido de carbono (CO2), principal gás do efeito estufa, não faça diretamente mal à saúde, em 2007 a Corte Suprema confirmou a interpretação da agência ambiental americana (EPA) de que se trata de poluente, o que obriga a EPA a agir.
Obama usou e abusou dessa vinculação com a saúde, afirmando que a redução dos poluentes evitará milhares de casos de asma. É um modo perspicaz de dourar a pílula dos cortes, que ceifarão entre US$ 7 bilhões e US$ 9 bilhões anuais do PIB –mas trarão ganhos de US$ 55 bilhões a US$ 93 bilhões ao ano com a prevenção de mortes prematuras e despesas médicas, segundo cálculos da EPA.
As promessas ambientais do presidente americano foram até aqui frustradas pelo Congresso. Mesmo as reduções ora anunciadas –e ainda em consulta pública– enfrentarão obstáculos nos outros Poderes. Estados que são grandes produtores de carvão estarão na linha de frente contra as medidas.
Verdade que as emissões americanas já caíram muito, mas em razão da crise econômico-financeira e não o bastante para o país cumprir as metas assumidas em 2009.
Isso ficou facilitado após o boom americano do gás de xisto (ou folhelho), que permite substituir carvão por esse combustível mais eficiente e menos poluente.
A semana teve também uma sinalização (não mais que isso) da China de que poderá adotar um teto para suas emissões a partir de 2016. Como a informação partiu de um membro destacado do Painel de Especialistas sobre Mudança do Clima chinês, é de presumir que possa ser levada a sério.
A China é hoje a maior consumidora de carvão mineral para geração de energia e a maior emissora individual de CO2. Mas tem também quase o dobro dos EUA em reservas recuperáveis de gás de xisto (as jazidas americanas, aliás, se encontram sob revisão –as da Califórnia perderam 96% do inicialmente estimado) e fechou em maio um acordo para comprar grandes volumes de gás natural da Rússia.
O mais importante é a chance que se abre para enfim ser destravada a negociação internacional para combater o aquecimento global. Até aqui, EUA e China, duas potências poluidoras, vinham bloqueando qualquer avanço. Talvez tenham abandonado a inércia –o que seria uma excelente notícia.
Fonte: Folha de S. Paulo — editorial


Deixe um comentário

GÁS NATURAL – Negociações entre Rússia, Ucrânia e UE.

Rússia, Ucrânia e União Europeia voltam a negociar solução para crise do gás

A Rússia e a Ucrânia se reunirão novamente amanhã (9) com a União Europeia (UE) para encontrar uma solução para o conflito em torno do preço do gás russo, que ameaça o abastecimento da Europa.
Um porta-voz do Ministério da Energia russo confirmou hoje às agências locais que as três partes vão se reunir em Bruxelas na véspera do fim do prazo dado pela Gazprom, empresa russa de gás, à Ucrânia para o pagamento da dívida, antes do corte do abastecimento.
Será a quinta reunião ministerial em Bruxelas, mas até agora Moscou e Kiev não cederam nas exigências sobre o pagamento de dívidas e a revisão das taxas de gás, respectivamente.
Na última reunião, no dia 2 de junho, os dois países chegaram a lançar as bases para um novo plano de pagamento das dívidas da Ucrânia e um método para a fixação do preço do gás russo, de acordo com o comissário europeu para a Energia, Günther Oettinger.
A Gazprom estendeu até 10 de junho o prazo para o corte do abastecimento energético à Ucrânia, depois de Kiev ter pago as dívidas relativas a fevereiro e março, num total de 786
A Ucrânia ainda deve 1,45 milhão de dólares, relativos aos meses de novembro, dezembro e janeiro, além da fatura de maio para evitar a introdução do pagamento antecipado, o que incluiria a interrupção do abastecimento.
A Naftogaz, estatal ucraniana de gás, propôs à Gazprom a revisão do contrato de fornecimento celebrado entre as duas empresas, em 2009, com o objetivo de estabelecer novos parâmetros de preços, volumes e condições de venda.
Kiev exige a volta do preço de 268 dólares por 1 mil metros cúbicos, que pagava até a deposição do presidente Víktor Yanukóvich em fevereiro. Já a Rússia insiste que o atual preço de mercado para a Ucrânia é 485 dólares.
A União Europeia propõe um preço intermediário, de cerca de 350 dólares por 1 mil metros cúbicos, o mesmo pago por outros clientes europeus da Gazprom.
O novo presidente ucraniano, Petro Poroshenko, disse que o país quer a “independência energética” e não vai pagar “preços loucos” exigidos pela Gazprom.
Poroshenko, que tomou posse ontem (7), lembrou que a Ucrânia assinou um acordo com a Eslováquia para o fornecimento de gás, que atingir 8 milhões de metros cúbicos.
No entanto, o presidente russo, Vladimir Putin, alertou que este fornecimento não resolverá os problemas da Ucrânia e que, se ocorrer uma violação do contrato com Moscou será obrigado a cortar o gás, afetando também a União Europeia.
O bloco europeu está particularmente interessado na resolução deste conflito, uma vez que importa 40% do seu gás da Rússia e metade deste total chega ao território europeu por gasodutos ucranianos.
Fonte: Agência Lusa — texto extraído da Agência Brasil


Deixe um comentário

PETROBRAS NA ERA FHC.

CPI da Petrobras investigará FHC?

 
Por Altamiro Borges

A oposição demotucana e a mídia venal levaram um baita susto no final da tarde de terça-feira (3). Os integrantes da CPI da Petrobras aprovaram o pedido de acesso a documentos que envolvem a situação na estatal no triste reinado do PSDB – inclusive sobre o grave acidente da plataforma P-36. Chocado, o Estadão registrou: “Oposição ‘cochila’ e CPI da Petrobras pede papeis da gestão FHC”. A comissão foi criada com o objetivo de desgastar o governo Dilma num ano de eleição presidencial. Diante da arapuca, a base governista decidiu dar o troco e partir para a ofensiva. Uma investigação profunda sobre a trajetória recente da poderosa estatal poderia resultar num tiro no pé dos partidos da direita.

Segundo Ricardo Brito, do jornal Estadão, os demos – fiéis aliados dos tucanos – ainda tentaram evitar o contragolpe. “Durante os debates, o deputado de oposição Onyx Lorenzoni (DEM-RS) pediu a exclusão de votação de quatro requerimentos que pediam cópia de relatórios e demais documentos referentes ao acidente da plataforma P-36, que afundou em março de 2001 durante o governo FHC, e dos processos que tramitam no Superior Tribunal de Justiça, que envolvem a troca de ativos entre a Petrobrás e a companhia ibero-americana Repsol YPF, referente à refinaria de Bahia Blanca, no mesmo ano. Eles foram numerados como 440, 447, 525 e 528”. Mas a manobra não deu certo!

O pedido de investigação foi feito pelos relatores das CPIs mista e exclusiva do Senado – deputado Marco Maia (PT-RS) e o senador José Pimentel (PT-CE). Eles argumentaram que a tragédia da P-36 tirou a vida de 11 trabalhadores e gerou um custo para a estatal de US$ 2,2 bilhões. Já sobre a refinaria Bahia Blanca, eles alegaram que a operação pode ter causado um prejuízo de US$ 2,5 bilhões à Petrobrás. Diante da pressão do demo, os relatores até aceitaram excluir os pedidos. “Ocorre que não foi retirado da lista o requerimento de número 520, que pedia à Agência Nacional de Petróleo (ANP) cópia de relatórios relativos ao acidente na P-36. Ou seja, esse pedido foi aprovado sem que os oposicionistas percebessem”.

A decisão da CPI deve jogar os tucanos da defensiva. Aécio Neves, o cambaleante presidenciável do PSDB, terá maiores dificuldades para atrair os holofotes da mídia com os seus falsos discursos sobre “ética”. A tendência, segundo os próprios jornalões, é a do esvaziamento das duas comissões de inquérito. É uma pena! Seria uma ótima oportunidade para analisar o desastre causado pelo governo FHC na Petrobras, que quase foi privatizada. Também seria uma excelente chance para desvendar os crimes cometidos pelo tucanato. O parlamento até poderia solicitar uma impressão extra do livro “A privataria tucana”, do jornalista Amaury Ribeiro Jr., que ajudou a desvendar os crimes dos PSDB.


Deixe um comentário

ENERGIA ELÉTRICA – Hidrelétricas são indispensáveis.

Hidrelétricas continuarão indispensáveis

Renováveis podem crescer se a geração por água cobrir seus hiatos, dizem especialistas
O Brasil tem muito sol e muito vento, e tecnologias de energia solar e eólica chegam agora ao ponto em que passam a ser economicamente viáveis. Para o país desenvolver esse potencial de eletricidade renovável, porém, é preciso manter o lastro da matriz energética nacional no sistema hidrelétrico.
Esse foi o consenso no debate que reuniu nesta terça (3) três autoridades do país em energia: Jerson Kelman, ex-presidente da Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica), Márcio Zimmermann, secretário-executivo do Ministério de Minas e Energia, e Nivalde de Castro, líder do Grupo de Estudos do Setor Elétrico da UFRJ. O encontro foi promovido pelo Fórum de Sustentabilidade, da Folha, em São Paulo.
“Temos uma quantidade gigantesca de energia eólica a ser explorada, algo como 400 mil megawatts”, afirmou Castro. “Hoje, tudo aquilo o que temos instalado soma 120 mil megawatts.” Mas esse potencial requer a base de segurança das hidrelétricas, diz.
“A intermitência do vento deve ser compensada pela água que está nos reservatórios. Quando venta muito, fechamos a torneira das hidrelétricas. Quando venta pouco, abrimos”, disse Kelman.
Para o ex-presidente da Aneel, apesar da intermitência, até a energia solar já é competitiva no país –no caso de painéis fotovoltaicos em tetos de casas, que ajuda a abater custos de distribuição. Para a tecnologia vingar, afirma, resta uma mudança de na política de preços do sistema, que hoje não diferencia a energia “local” daquela que precisou ser transportada por longas distâncias.
Os debatedores ponderaram se as energias do sol e do vento poderiam substituir a eletricidade das termelétricas, que hoje corresponde a até 25% da geração, mas é indesejada por ser cara e implicar emissão de gases-estufa.
RESERVATÓRIOS
Para isso, seria desejável corrigir o problema de intermitência da própria hidreletricidade. Chuvas escassas desde 2012, por exemplo, obrigam o governo a manter termelétricas em operação.
Parte da solução seria a construção de mais usinas com reservatórios grandes o suficiente para armazenar água por um ano ou mais. Mas há um gargalo aí.
“O maior potencial para grandes reservatórios era no Sudeste e no Centro-Oeste, mas a maioria deles já foram feitos”, diz Zimmermann. “O potencial restante é na Amazônia, região de planície. Lá, usinas com regularização plurianual [estoque de energia por mais de um ano] precisam de reservatório com milhares de km2.” O risco, diz, é afogar amplas florestas para criar usinas não tão potentes.
Fonte: Folha de S. Paulo


Deixe um comentário

ENERGIA RENOVÁVEL – Em 2013 participação mundial foi de 22%.

Em 2013, 22% do total da energia mundial foi de fonte renovável

A energia gerada por fontes renováveis no mundo todo cresceu 8,3% em 2013 até chegar a 22% da produção total e a utilização desse setor aumentou 14%, segundo um relatório da organização Renewable Energy Policy Network for the 21st Century (REN21) divulgado nesta terça-feira.
O relatório assinala que em 2013, o mundo desenvolveu a capacidade recorde de geração de energia de fontes renováveis de 1.560 gigawatts, por isso que, na atualidade, 22% da produção energética do mundo vêm de fontes renováveis. O documento também destaca que o número de economias emergentes com políticas de apoio à expansão de energias renováveis se multiplicou por seis nos últimos oito anos.
Segundo a REN21, atualmente, 95 países em desenvolvimento têm políticas e objetivos de produção de energias renováveis, o que representa a maioria dos 144 países do mundo que trabalham no setor.
A REN21 destacou que na atualidade são as políticas desses países em desenvolvimento que estão permitindo a geração de energia de fontes renováveis siga aumentando, o que contrasta “com reduções de apoio retroativo em alguns países europeus e nos Estados Unidos”.
Os dados do relatório da REN21 assinalam que a energia hidrelétrica aumentou 4% em 2013 até alcançar mil gigawatts, enquanto outras energias renováveis cresceram quase 17%, até 560 gigawatts.
Em 2013, pela primeira vez, foi acrescentada mais capacidade de geração de energia solar do que eólica apesar de uma redução de quase 22% nos investimentos mundiais na primeira fonte de energia com relação aos números de 2012.
De fato, o mercado de energia solar teve um ano recorde em capacidade de geração ao acrescentar 38 gigawatts de capacidade para alcançar os 138 gigawatts.
Brasil, China, Estados Unidos, Canadá e Alemanha foram os principais países em capacidade total instalada de energia renovável. No caso da China, pela primeira vez, a capacidade de energias renováveis ultrapassou a de novos combustíveis fósseis e a energia nuclear.
Já Uruguai e Costa Rica se situaram entre os principais países em investimentos em novas energias renováveis com relação a seu Produto Interno Bruto (PIB) anual.
Fonte: EFE


Deixe um comentário

BIOCOMBUSTÍVEIS – Azeitona pode virar matéria prima.

Azeitona pode virar matéria-prima para biocombustível, segundo pesquisadores

Pesquisadores e engenheiros da Universidade Tecnológica de Viena estão trabalhando numa brilhante estrutura de aço de quase dois andares. Trata-se de uma “usina de gasificação” de nova geração, tecnologia em que a universidade foi pioneira, algumas décadas atrás. Ela transforma biomassa em gás, usado na produção de eletricidade na Áustria e em outros países europeus.
O problema atual dessa fonte energética é a aquisição da biomassa para alimentar as usinas. Devido ao contínuo aumento dos preços de madeira e das plantas empregadas na produção de biocombustível, a tecnologia não consegue competir com outros combustíveis renováveis ou com os fósseis. Assim, a União Europeia está patrocinando um projeto para transformar em biocombustível o bagaço resultante do fabrico de azeite de oliva.
O pesquisador Stefan Müller integra a equipe da Universidade Tecnológica que explora esse potencial energético. Ele alinha sobre sua mesa garrafas com resíduos de azeitonas: alguns são facilmente identificáveis como restos dos frutos, outros mais parecem areia de praia escura. Essa “areia”, que Müller denomina “olivina”, é a matéria-prima das centrais de gasificação.
– O operador do moinho de azeite quer tirar o que puder da azeitona. Ele faz de tudo para extrair o máximo possível – comenta o pesquisador. “No final, sobram esses resíduos, onde quase não há mais nenhum óleo. É como o lixo dos moinhos de azeitonas, mas ainda contém uma grande quantidade de energia.”
Rico em energia
O projeto Phenolive, cofinanciado pela UE, consiste em aproveitar até a última gota o potencial das azeitonas. Os cientistas do laboratório Phenobio, uma companhia startup iniciada em 2012 na Universidade de Bordeaux, também têm um papel fundamental. Eles identificam os compostos químicos que restam no bagaço, após a retirada do azeite e antes da transformação em energia.
– O laboratório é especializado na análise de compostos fenólicos, em diferentes tipos de materiais brutos, para utilização em produtos como cosméticos, suplementos alimentares ou alimentos – relatou o diretor do Phenobio, Xavier Vitrac, ao site francês LaBiotech.
Segundo ele, extrair os polifenóis adiciona valor ao bagaço da azeitona. As substâncias são usadas como antioxidantes em alimentos e cosméticos. Segundo o website do Phenolive, dentro de alguns anos esse mercado deverá movimentar na Europa 290 milhões de euros anuais.
– Somos bem conscientes quanto à utilização dos recursos que temos. Por isso, esses materiais residuais estão em foco agora, para os empregarmos em produtos de valor elevado – comenta o pesquisador Müller.
As pequenas proporções da usina de gasificação que está sendo desenvolvida na universidade em Viena permitem que ela seja montada in loco, em grandes plantações e moinhos de azeitonas. A energia produzida deverá ser consumida dentro das próprias fábricas de óleo de oliva.
– É importante que se use a energia próximo à usina onde os resíduos são gerados. O plano é cobrir a demanda de eletricidade e aquecimento dos moinhos com a gasificação do bagaço – enfatiza Stefan Müller. Ele acredita, ainda, que o projeto liberará os fabricantes dos custos da eliminação dos resíduos de produção.
22
Também combustível líquido
O bagaço da azeitona já está sendo queimado como combustível em algumas regiões da Europa. Contudo a intenção de Müller é analisar o resíduo e investigar exaustivamente seu potencial energético. Ele pode ser também usado como adubo ou fertilizante.
A equipe de pesquisadores menciona, ainda, suas pesquisas para a produção de combustível líquido a partir de biomassa. Isso permitiria à indústria de azeite de oliva abastecer seus veículos de transporte com combustível produzido a partir do bagaço de azeitona.
Uma usina de gasificação em Güssing, Áustria, já está produzindo combustível líquido para veículos. “A ideia é que seja uma biorrefinaria. É a produção de combustíveis do futuro, a partir de fontes renováveis”, diz o engenheiro Johannes Schmid, que tem como meta declarada provar que refinarias não precisam queimar combustíveis fósseis.
A Europa produz 80 milhões de toneladas de bagaço de azeitona por ano, segundo o Phenolive. Se os cientistas do projeto tiverem sucesso, o empreendimento poderá impulsionar o setor de produção de óleo de oliva e reduzir significativamente seus custos, sobretudo de energia.
Fonte: Correio do Brasil com Deutsche Welle (Alemanha)


Deixe um comentário

SANTA CATARINA – Indústria de fertilizantes.

Indústria de fertilizantes

A preocupação das autoridades catarinenses com as questões ambientais no projeto para produção de fertilizantes a partir do carvão foi levantada na reunião com dirigentes do grupo TransGas, ontem, em Nova York, EUA. O deputado Valmir Comin disse depois da reunião: “o grande problema em projetos envolvendo o carvão sempre foi em relação ao meio ambiente, mas vimos que o grupo TransGas dispõe de tecnologia que não faz a queima do carvão”. O vice-governador, Eduardo Moreira, que participou da primeira reunião com o grupo TransGas faz 15 dias, disse, na sexta-feira, depois de entrevista na Rádio Antena 1, em Tubarão, que o único risco de o projeto não ser viabilizado é por problemas ambientais. O governador Raimundo Colombo e deputado-presidente da Assembleia, Joares Ponticelli, também fizeram questão de enfatizar que o projeto é ambientalmente “bem resolvido”. A preocupação das autoridades faz sentido. O Sul catarinense tem registro de ação firme do Ministério Público e Poder Judiciário contra a poluição provocada pelo carvão. Além disso, há entidades e movimentos organizados contra a mineração. Ontem, os dirigentes do Grupo TransGas reafirmaram a intenção de construir a fábrica de fertilizantes no Sul catarinense e fazer aqui a “base” de operação em toda a América Latina. Mas eles foram informados de que precisam chegar ao Brasil, dia 5, muito preparados para convencer de que não haverá risco de poluição ambiental. Esta é a única ameaça real ao projeto. Em números Investimento projetado pela TransGas no Sul catarinense é de US$ 2,7 bilhões. Será o maior empreendimento privado em Santa Catarina. A construção da fábrica é prevista para 39 meses e precisará envolver 5 mil trabalhadores. Em operação, vai gerar em torno de 500 empregos diretos.
Fonte: Blog de Adelor Lessa — Portal Clic A Tribuna