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O PETRÓLEO TEM DE CONTINUAR SENDO NOSSO.

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O petróleo tem de continuar sendo nosso

Sandra Starling

Acompanho os anúncios dessa novela chamada “CPI da Petrobras”. Quantos capítulos terá? Qual será, afinal, o enredo? Quem é o vilão? Conseguirá chegar ao fim depois de uma Copa do Mundo e da campanha eleitoral? Não sei.

É difícil imaginar que numa empresa como a Petrobras não possam ocorrer irregularidades, que não haja traços de tráfico de influência em suas rotinas, uma vez que interesses políticos motivam as indicações de seus diretores. Quem não se lembra das dificuldades de FHC em afastar Joel Rennó de sua Presidência por conta das resistências do PFL? Será que já nos esquecemos do ex-presidente da Câmara dos Deputados Severino Cavalcanti, reivindicando o direito de apontar o responsável por aquela diretoria “que fura poço”?
O que mais me irrita é que toda essa trapalhada dos governos Lula e Dilma em torno da compra da refinaria de Pasadena, nos Estados Unidos, sirva para alimentar os interesses dos oligopólios internacionais, como sói acontecer.

A capacidade de essas petroleiras se imporem não pode ser desprezada. João Goulart disse, à beira do túmulo de Getúlio Vargas, em agosto de 1954, que dirigentes de petroleiras internacionais tinham as mãos sujas de sangue porque, menos de um ano antes de seu suicídio, o presidente da República instituíra o monopólio estatal da exploração das jazidas existentes no território nacional. O próprio Jango seria deposto, em 1964, pouco mais de três meses após estender o monopólio estatal para a importação e exportação de petróleo e derivados.

AS SETE IRMÃS

Desde a década de 1920, Standard Oil, Shell, Texaco e Atlantic criavam todos os tipos de dificuldade ao domínio do ciclo do petróleo pelos brasileiros. Mesmo com a vaga nacionalista dos anos 30, Getúlio Vargas se ajustava aos interesses das grandes irmãs. Basta lembrar que, desde 1938, o general Horta Barbosa, presidente do Conselho Nacional do Petróleo, insistia na adoção do monopólio estatal de exploração, aos moldes do que vira na Argentina e no México, mas isso só viria a ocorrer com a sanção da Lei 2.004, de 3 de outubro de 1953, após fabulosa campanha popular.

Tudo isso posto, creio que as multidões que tomaram gosto por ir às ruas deveriam pautar a defesa de uma Petrobras genuinamente voltada para os interesses de nosso povo. Tenho dúvidas se o acerto entre nossa estatal, os chineses e duas petroleiras ocidentais para a exploração do pré-sal, como vimos no primeiro leilão sob regime de partilha, nos proporcionará os melhores resultados. Mas é melhor do que a concessão pura e simples.

Enfim: que possa o povo se articular novamente em comitês populares na defesa do petróleo e ir maciçamente às ruas para proteger a Petrobras da cobiça externa e de políticos inescrupulosos. Como foi feito na memorável jornada “O petróleo é nosso”, de que apenas ficou, como registro – lamentável – a perseguição sofrida pelo comitê mineiro, quando à época governava Minas Gerais Juscelino Kubitschek! Que ninguém se esqueça de nossa história. (transcrito de O Tempo)

Autor: carlosadoria

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