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E SE A “REVOLUÇÃO DOS GASES DE XISTO” FOR APENAS UMA BOLHA?

E se a “revolução dos gases de xisto” for apenas uma bolha?

 

Por Rodolfo Machado

Do Le Monde Diplomatique

A grande farsa do gás de xisto

por Nafeez Mosaddeq Ahmed

Energia barata versus poluição prolongada: nos EUA, o dilema da exploração de gás e petróleo de xisto não atormentou industriais nem o poder público. Em menos de uma década, essas novas reservas recolocaram o país no crescimento, doparam o emprego e restabeleceram a competitividade. Mas e se for apenas uma bolha?

Se crermos nas manchetes da imprensa norte-americana anunciando um boom econômico graças à “revolução” do gás e do petróleo de xisto, o país logo estará se banhando em ouro negro. O relatório de 2012, “Perspectivas energéticas mundiais”, da Agência Internacional de Energia (AIE), informa que, por volta de 2017, os Estados Unidos arrebatarão da Arábia Saudita o primeiro lugar na produção mundial de petróleo e conquistarão uma “quase autossuficiência” em matéria energética. Segundo a AIE, a alta programada na produção de hidrocarbonetos, que passaria de 84 milhões de barris/dia em 2011 para 97 milhões em 2035, proviria “inteiramente dos gases naturais líquidos e dos recursos não convencionais” – sobretudo o gás e o óleo de xisto –, ao passo que a produção convencional começaria a declinar a partir de… 2013.

Extraídos por fraturamento hidráulico (injeção, sob pressão, de uma mistura de água, areia e detergentes para fraturar a rocha e deixar sair o gás), graças à técnica da perfuração horizontal (que permite confinar os poços à camada geológica desejada), esses recursos só são obtidos ao preço de uma poluição maciça do ambiente. Entretanto, sua exploração nos Estados Unidos criou várias centenas de milhares de empregos, oferecendo a vantagem de uma energia abundante e barata. Conforme o relatório de 2013, “Perspectivas energéticas: um olhar para 2040”, publicado pelo grupo ExxonMobil, os norte-americanos se tornarão exportadores líquidos de hidrocarbonetos a partir de 2025 graças aos gases de xisto, num contexto de forte crescimento da demanda mundial do produto.

Mas e se a “revolução dos gases de xisto”, longe de robustecer uma economia mundial convalescente, inflar uma bolha especulativa prestes a explodir? A fragilidade da retomada, tanto quanto as experiências recentes, deveria convidar à prudência diante de tamanho entusiasmo. A economia espanhola, por exemplo, outrora tão próspera – quarta potência da zona do euro em 2008 –, está hoje em maus lençóis depois que a bolha imobiliária, à qual ela se agarrava cegamente, explodiu sem aviso prévio. A classe política não aprendeu muita coisa com a crise de 2008 e está a ponto de repetir os mesmos erros no campo das energias fósseis.

Em junho de 2011, uma pesquisa do New York Timesjá revelava algumas fissuras no arcabouço midiático-industrial do boomdos gases de xisto, atiçando assim as dúvidas alimentadas por diversos observadores – geólogos, advogados, analistas de mercado – quanto aos efeitos da publicidade das companhias petrolíferas, suspeitas de “superestimar deliberadamente, e mesmo ilegalmente, o rendimento de suas explorações e o volume de suas jazidas”.1 “A extração do gás do xisto existente no subsolo”, escreveu o jornal, “poderia se revelar menos fácil e mais cara do que afirmam as empresas, como se vê pelas centenas de e-mails e documentos trocados pelos industriais a esse respeito, além das análises dos dados recolhidos em milhares de poços.”

No início de 2012, dois consultores norte-americanos soaram o alarme na Petroleum Review, a principal revista britânica da indústria petrolífera. Incertos quanto à “confiabilidade e durabilidade das jazidas de gás de xisto norte-americanas”, eles observam que as previsões dos industriais coincidem com as novas regras da Security and Exchange Commission (SEC), o organismo federal de controle dos mercados financeiros. Adotadas em 2009, essas regras autorizam as empresas a calcular o volume de suas reservas como bem entendam, sem precisar da verificação de uma autoridade independente.2

Para os industriais, superestimar as jazidas de gás de xisto permite pôr em segundo plano os riscos associados à sua exploração. Ora, o fraturamento hidráulico não apenas tem efeitos prejudiciais sobre o meio ambiente como coloca um problema estritamente econômico, uma vez que gera uma produção de vida muito curta. Na revista Nature, um ex-consultor científico do governo britânico, David King, esclarece que o rendimento de um poço de gás de xisto diminui de 60% a 90% após seu primeiro ano de exploração.3

Uma queda tão significativa torna evidentemente ilusório qualquer objetivo de rentabilidade. Depois que um poço se esgota, os operadores devem escavar imediatamente outros para manter seu nível de produção e pagar suas dívidas. Sendo a conjuntura favorável, essa corrida pode iludir durante alguns anos. Foi assim que, combinada com uma atividade econômica decrescente, a produção dos poços de gás de xisto – frágil a longo prazo, vigorosa por algum tempo – provocou uma baixa espetacular dos preços do gás natural nos Estados Unidos: de US$ 7 ou 8 por milhão de BTU (British Thermal Unit) para menos de US$ 3 ao longo de 2012.

Os especialistas em aplicações financeiras não se deixam enganar. “A economia do fraturamento é destrutiva”, adverte o jornalista Wolf Richter na Business Insider.4 “A extração devora o capital a uma velocidade impressionante, deixando os exploradores sobre uma montanha de dívidas quando a produção cai. Para evitar que essa diminuição engula seus lucros, as companhias devem prosseguir bombeando, compensando poços esgotados com outros que se esgotarão amanhã. Cedo ou tarde esse esquema se choca com um muro, o muro da realidade.”

Arthur Berman, um geólogo que trabalhou para a Amoco e a British Petroleum, confessa-se surpreso com o ritmo “incrivelmente acelerado” do esgotamento das jazidas. E, dando como exemplo o sítio de Eagle Ford, no Texas – “É a mãe de todos os campos de óleo de xisto” –, revela que “a queda anual da produção ultrapassa os 42%”. Para garantir resultados estáveis, os exploradores terão de perfurar “quase mil poços suplementares, todos os anos, no mesmo sítio. Ou seja, uma despesa de US$ 10 bilhões a 12 bilhões por ano… Se somarmos tudo, isso equivale ao montante investido para salvar a indústria bancária em 2008. Onde arranjarão tanto dinheiro?”.5

A bolha do gás já produziu seus primeiros efeitos sobre algumas das maiores empresas petrolíferas do planeta. Em junho último, o diretor-presidente da Exxon, Rex Tillerson, queixou-se de que a queda dos preços do gás natural nos Estados Unidos era sem dúvida uma boa notícia para os consumidores, mas uma maldição para sua companhia, vítima da diminuição drástica dos lucros. Se, diante dos acionistas, a Exxon continuava fingindo que não perdera um centavo por causa do gás, Tillerson desfiou um discurso quase lacrimoso diante do Council on Foreign Relations (CFR), um dos fóruns mais influentes do país: “Logo, logo, perderemos até as calças. Não ganhamos mais dinheiro. As contas estão no vermelho”.6

Mais ou menos na mesma ocasião, a companhia de gás britânica BG Group se via às voltas com “uma depreciação de seus ativos referentes ao gás natural norte-americano da ordem de US$ 1,3 bilhão”, sinônimo de “queda sensível em seus lucros intermediários”.7Em 1º de novembro de 2012, depois que a empresa petrolífera Royal Dutch Shell amargou três trimestres de resultados medíocres, com uma perda acumulada de 24% em um ano, o serviço de informações da Dow Jones divulgou essa notícia funesta, alarmando-se com o “prejuízo” causado ao conjunto do setor de ações pela retração do gás de xisto.

 

Da panaceia ao pânico

A bolha não poupa sequer a Chesapeake Energy, que, no entanto, é a pioneira na corrida aos gases de xisto. Esmagada por dívidas, a empresa norte-americana precisou vender parte de seus ativos – campos e gasodutos a um valor total de US$ 6,9 bilhões – para honrar seus compromissos com os credores. “A empresa está indo um pouco mais devagar, muito embora seu CEO a tenha transformado num dos líderes da revolução dos gases de xisto”, deplorou o Washington Post.8

Como puderam cair tanto os heróis dessa “revolução”? O analista JohnDizard observou, noFinancial Timesde 6 de maio de 2012, que os produtores de gás de xisto haviam gasto quantias “duas, três, quatro ou mesmo cinco vezes superiores aos seus fundos próprios a fim de adquirir terras, escavar poços e levar a bom termo seus projetos”. Para financiar a corrida do ouro, foi necessário pedir emprestadas somas astronômicas “em condições complexas e exigentes”, lembrando que Wall Street não se afasta nunca de suas normas de conduta habituais. Segundo Dizard, a bolha do gás deveria, porém, continuar crescendo por causa da dependência dos Estados Unidos desse recurso economicamente explosivo. “Considerando-se o rendimento efêmero dos poços de gás de xisto, as perfurações devem prosseguir. Os preços acabarão por se ajustar a um nível elevado, e mesmo muito elevado, para cobrir não apenas dívidas antigas, mas também custos de produção realistas.”

Não se descarta, contudo, que diversas companhias petrolíferas de grande porte se vejam simultaneamente na iminência da ruína financeira. Caso essa hipótese se confirme, diz Berman, “assistiremos a duas ou três falências ou operações de compra de enorme repercussão; cada qual resgatará seus papéis, os capitais se evaporarão e teremos o pior dos cenários”.

Em suma, o argumento segundo o qual os gases de xisto protegeriam os Estados Unidos ou a humanidade contra o “pico do petróleo” – nível a partir do qual a combinação das pressões geológicas e econômicas tornará a extração do produto bruto insuportavelmente difícil e onerosa – não passa de um conto de fadas. Diversos relatórios científicos independentes, divulgados há pouco, confirmam que a “revolução” do gás não trará nenhum alívio nessa área.

Num estudo publicado pela revista Energy Police, a equipe de King chegou à conclusão de que a indústria petrolífera superestimou em um terço as reservas mundiais de energia fóssil. As jazidas ainda disponíveis não excederiam 850 bilhões de barris, enquanto as estimativas oficiais falam de mais ou menos 1,3 trilhão. Segundo os autores, “imensas quantidades de recursos fósseis permanecem nas profundezas da terra, mas o volume de petróleo explorável pelas tarifas que a economia mundial tem o costume de suportar é limitado, devendo além disso diminuir a curto prazo”.9

A despeito dos tesouros em gás arrancados do subsolo por fraturamento hidráulico, a diminuição das reservas existentes prossegue num ritmo estimado entre 4,5% e 6,7% por ano. King e seus colegas repelem, pois, categoricamente a ideia de que o boomdos gases de xisto poderá resolver a crise energética. Por sua vez, o analista financeiro Gail Tverberg lembra que a produção mundial de energias fósseis convencionais não aumentou depois de 2005. Essa estagnação, na qual ele vê uma das causas principais da crise de 2008 e 2009, anunciaria um declínio suscetível de agravar ainda mais a recessão atual – com ou sem gás de xisto.10 E não é tudo: numa pesquisa publicada em conjunto com o relatório da AIE, a New Economics Foundation (NEW) prevê que o pico do petróleo será alcançado em 2014 ou 2015, quando os gastos com a extração e o abastecimento “ultrapassarão o custo que as economias mundiais podem assumir sem causar danos irreparáveis às suas atividades”.11

Submergidos pela retórica publicitária dos lobistas da energia, esses trabalhos não chamaram a atenção da mídia nem dos políticos. É lamentável, pois podemos entender perfeitamente sua conclusão: longe de restaurar a prosperidade, os gases de xisto inflam uma bolha artificial que camufla temporariamente uma profunda instabilidade estrutural. Quando ela explodir, provocará uma crise de abastecimento e um aumento de preços que talvez afetem dolorosamente a economia mundial.

 

Nafeez Mosaddeq Ahmed

Cientista político, é diretor do Institute for Policy Research and Development, Brighton, Reino Unido

Ilustração: Daniel Kondo

 

 

1 “Insiders sound an alarm amid a natural gas rush” [Especialistas soam um alarme em meio a uma corrida de gás natural], New York Times, 25 jun. 2011.
2 Ruud Weijermars e Crispian McCredie, “Inflating US shale gas reserves” [Inflando as reservas de gás de xisto dos EUA], Petroleum Review, Londres, jan. 2012.
3 David King e James Murray, “Climate policy: oil’s tipping point has passed” [Política climática: o ponto de inflexão do petróleo passou], Nature, Londres, n.481, 26 jan. 2012.
4 Wolf Richter, “Dirt cheap natural gas is tearing up the very industry that’s producing it” [Gás natural sujo e barato está destruindo a indústria que o produz], Business Insider, Portland, 5 jun. 2012.
5 “Shale gas will be the next bubble to pop. An interview with Arthur Berman” [O gás de xisto será a próxima bolha a estourar. Entrevista com Arthur Berman], 12 nov. 2012. Disponível em: <www.oilprice.com>.
6 “Exxon: ‘losing our shirts’ on natural gas” [“Exxon: ‘perdendo as calças’ no gás natural”], Wall Street Journal, Nova York, 27 jun. 2012.
7 “US shale gas glut cuts BG Group profits” [O excesso de gás de xisto nos EUA reduz lucros do BG Group], The Financial Times, Londres, 26 jul. 2012.
8 “Debt-plagued Chesapeake energy to sell $6,9 billion worth of its holdings” [Pressionada pela dívida de energia, a Chesapeake vende US$ 6,9 bilhões de valor de suas participações], Washington Post, 13 set. 2012.
9 Nick A. Owen, Oliver R. Inderwildi e David A. King, “The status of conventional world oil reserves – hype or cause for concern?” [O estado das reservas de petróleo convencional do mundo – publicidade exagerada ou motivo de preocupação?], Energy Policy, Guildford, v.38, n.8, ago. 2010.
10 Gail E. Tverberg, “Oil supply limits and the continuing financial crisis” [Limites do abastecimento de petróleo e a continuação da crise financeira], Energy, Stanford, v.35, n.1, jan. 2012.
11 “The economics of oil dependence: a glass ceiling to recovery” [A economia da dependência do petróleo: um teto de vidro para a recuperação], New Economics Foundation, Londres, 2012.


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RESISTÊNCIA ÀS EÓLICAS CRESCE.

Resistência às éolicas cresce e setor tenta reagir

Os parques de energia eólica, uma fonte de energia limpa e barata, se espalham rapidamente pelo país. Mas a eletricidade gerada a partir do vento também começa a ser criticada por uma ala do setor de energia, que vê com preocupação a maior dependência em uma fonte de energia intermitente.
Sem vento, uma turbina eólica deixa de gerar energia repentinamente, risco que não existe com as termelétricas, que queimam gás, biomassa ou carvão de forma contínua. Mesmo com escassez de chuvas, uma hidrelétrica também não para de produzir energia abruptamente.
O sentimento antieólicas não aumenta apenas no Brasil, onde o governo passou a ser mais rigoroso com os empreendedores e fornecedores de equipamentos, a maior parte estrangeira. O movimento também é mundial. Tanto assim que a fabricante dinamarquesa de turbinas Vestas lançou neste mês uma campanha para combater o crescente lobby contra a indústria eólica na Austrália, um dos países onde a resistência ao setor é forte.
No Brasil, o presidente da Renova, Mathias Becker, também demonstra preocupação. O executivo afirma que o segmento é vítima de preconceito e que pretende conversar mais com vários representantes do setor de energia para desfazer algumas ideias, a seu ver, “equivocadas”, como a percepção de que a eólica seria uma fonte menos confiável que a hidráulica.
É muito mais fácil ventar que chover, diz Becker. A ocorrência de precipitações depende de uma combinação de variáveis meteorológicas bem mais específica, o que faz com que as chuvas também sejam mais imprevisíveis. Os ventos também são mais contínuos. Com isso, a energia gerada por um parque varia menos que a produção de uma hidrelétrica sem reservatório, como as usinas mais novas.
Controlada pela Light / Cemig, pelo Fundo Infrabrasil, focado em infraestrutura, e pela RR Participações, dos empresários Renato Amaral e Ricardo Delneri, a Renova é a maior geradora de energia eólica do país, com mais de mil MW de capacidade instalada.
Uma das medidas que causou neste ano indignação entre os empresários do setor foi a exclusão das eólicas do leilão de energia nova, que será realizado no dia 29 de agosto. Serão licitadas no certame usinas a carvão, uma das fontes mais poluentes, além de térmicas a gás e biomassa e hidrelétricas. Os contratos firmados no leilão passarão a valer a partir de janeiro de 2018.
As eólicas serão licitadas em um leilão específico de energia de reserva, no dia 23 de agosto. Mas os projetos terão de estar prontos em dois anos, tempo bem mais curto que os cinco anos que as térmicas a carvão e a gás terão para concluir suas obras. “Queremos competir com o carvão. Somos contra essa proibição”, afirma Becker.
Segundo ele, os dois anos de prazo para conclusão dos parques não são triviais e trazem várias consequências para os empreendedores e fornecedores, que precisarão montar uma operação de “guerra”. “Não se trata de má vontade, é um problema físico”, diz Becker, referindo-se às dificuldades que serão enfrentadas ao longo da cadeia de abastecimento. E os fornecedores certamente repassarão esse empenho aos preços, dizem os empreendedores.
Os obstáculos, porém, não tiraram o apetite dos investidores. A Renova inscreveu para o leilão 500 MW de parques eólicos na Bahia. Outra eólica, a Bioenergy, também afirma ter inscrito 500 MW. Ao todo, foram cadastrados 655 projetos, que somam uma capacidade instalada de 16 mil MW, o maior volume já inscrito até hoje.
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Mas, desse total, é esperado que apenas uma pequena parcela seja de fato comercializada no leilão, algo entre 2 mil MW e 3 mil MW. O volume negociado dependerá do preço teto, que ainda não foi estabelecido.
Além do prazo exíguo para a construção dos empreendimentos, o governo aumentou as exigências para os fabricantes, obrigando-os a produzir no país os três componentes: torre, máquina e pás. Os fabricantes que não cumprem com os índices de nacionalização nessas três etapas foram excluídos das linhas de financiamento do BNDES. As mesmas exigências não são feitas para outros setores, queixa-se Becker.
Sobre a abertura de capital da CPFL Renováveis, Becker responde: “Nunca torci tanto por um concorrente”. A chegada de uma segunda empresa do setor na bolsa dará mais visibilidade e mais parâmetros para os investidores, diz o executivo.
A Renova fez sua estreia na bolsa em julho 2010 e, por enquanto, vem se saindo bem melhor que outras elétricas. Neste mês, enquanto o Índice de Energia Elétrica (IEE) da Bovespa acumula uma desvalorização de 12,5%, as ações da companhia subiram 0,58%. Em 2013, os papéis da geradora valorizaram 25%, enquanto o IEE recuou 13,3%.
Fonte: Valor Econômico


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PERFIL DA MATRIZ DE ENERGIA ELÉTRICA.

Em função do regime de chuvas, o perfil da matriz de energia elétrica deverá mudar pela necessidade da geração térmica
Durante a 26a Reunião do Conselho Nacional de Política Energética, presidida pelo Ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, nesta terça-feira, 25 de junho, o Diretor-Geral do Operador Nacional do Sistema Elétrico – ONS, Hermes Chipp, apresentou aos membros do Conselho as condições de atendimento ao Sistema Interligado Nacional – SIN, no horizonte de 2013 a 2017.
O Dirigente do ONS relatou que em função do regime de chuvas, o perfil da matriz de energia elétrica deverá mudar em face da necessidade de geração térmica. Quanto ao risco de déficit, nas projeções apresentadas, observa-se que no período 2013-2017, os valores estão de acordo com o critério de segurança estabelecido pelo CNPE.
O Secretário de Petróleo, Gás Natural e Combustíveis Renováveis, Marco Antônio Martins Almeida, traçou um panorama sobre os biocombustíveis no país.
Sobre o etanol informou as medidas de apoio ao setor adotadas pelo Governo brasileiro para ampliar a capacidade de produção, entre outras, o aumento do percentual de mistura na gasolina (25%), o crédito presumido de PIS/Cofins ao produtor de etanol, a redução dos juros do Prorenova – linha de financiamento do BNDES para a renovação e implantação de novos canaviais e as novas condições para o financiamento da estocagem do etanol.
Em relação ao biodiesel destacou a produção de 2,8 milhões de m³, em 2012, a normalidade do abastecimento e a capacidade instalada de produção, suficiente para atender à demanda até 2022.
Sobre as rodadas de licitações de Petróleo e Gás Natural, o Secretário Marco Antônio e a Diretora-Geral da Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis – ANP, Magda Chambriard, relataram as providências preparatórias para a realização da 1a Rodada de Licitação sob o regime de partilha, área de Libra, e da 12a Rodada de Licitações de blocos exploratórios. Esta última, poderá ter área total de 168.348 km², com a oferta de 240 blocos.
Foram apresentados, também, os resultados da 11a Rodada, realizada em 14 de maio de 2013. Foram ofertados 289 blocos, com 142 blocos arrematados e arrecadação de R$ 2,83 bilhões em Bônus de Assinatura. A Diretora-Geral da ANP destacou a experiência positiva adquirida com a realização do certame, fundamental para a organização das próximas rodadas.
Durante a reunião, o Secretário-Executivo do MME, Márcio Zimmermann, relatou as ações realizadas em cumprimento à Resolução CNPE no 3, de 2013, que estabeleceu diretrizes para a internalização de mecanismos de aversão a risco nos programas computacionais para estudos energéticos e formação de preço do Setor Elétrico. Informou que a Comissão Permanente para Análise de Metodologias e Programas Computacionais do Setor Elétrico – CPAMP, criada pela Resolução CNPE no 1, de 2007, desenvolveu e implementou a metodologia cujos testes de validação ocorrerão até 31 de julho de 2013.
Ao final, o ministro Lobão, fez um balanço das resoluções do CNPE no ano de 2013, ressaltando a importância do Conselho, na proposição de políticas de energia.
Fonte: Infoenergia


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GUIA PARA PROJETOS DE FLNG.

Britânica Lloyd’s Register lança guia para projetos de FLNG

Publicação reúne regras para projetar, construir e operar embarcações flutuantes de liquefação
A empresa britânica de certificação e classificação Lloyd’s Register acaba de publicar um guia para projetos de unidades flutuantes de liquefação de gás natural (FLNGs). O documento reúne um conjunto de regras aplicadas ao desenho, construção e operação da embarcação.
Entre as informações estão requerimentos estruturais de casco, especificações de site de carregamento, requerimentos de segurança e incêndio; normas IMO (International Maritime Organization) e IACS (International Association of Classification Societies); e cálculos probabilísticos de explosão.
O guia é baseado na experiência da Lloyd’s Register com projetos de FLNG em curso e projetos de navios metaneiros desenvolvidos no passado, como o Argonon.
Segundo o engenheiro principal da área de FLNG Development da Lloyd’s Register, Mark Tipping, o FLNG será a maior estrutura flutuante já vista.
“Essa embarcação vai permitir o desenvolvimento de reservas de gás em áreas de difícil escoamento como a bacia de Browse, no noroeste da Austrália”, citou.
O guia foi publicado em uma seção criada na nova versão da “Regras para Instalações Flutuantes Offshore em Local Fixo” (FOIFL, do inglês Rules for Floating Offshore Installations at a Fixed Location), publicada pela Lloyd’s Register este mês. A empresa planeja desenvolver mais duas fases do guia para FLNG a partir de desenvolvimentos internos e trocas de experiência com o mercado.
Fonte: Energia Hoje


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URÃNIO – METAS DE PRODUÇÃO.

INB define metas para produção de urânio

Produção da mina de Caetité é insuficiente para atender a demanda de Angra 1 e 2
Com o objetivo de agilizar as medidas necessárias para aumentar a produção brasileira de urânio, o presidente das Indústrias Nucleares do Brasil (INB), Aquilino Senra, reuniu consultores, especialistas da Comissão Nacional de Energia Nuclear (Cnen), o corpo técnico e toda a diretoria da INB em Caetité (BA), onde funciona a única unidade de mineração e beneficiamento de urânio do país, que é operada pela empresa.
No encontro, que aconteceu no último dia 19, foram debatidas questões que envolvem o licenciamento de novos pontos de lavra, processos produtivos e metas de produção que devem ser atingidas ainda este ano para que a INB não precise importar urânio.
“O interesse prioritário neste momento é para a mina de Caetité. A produção este ano é insuficiente para atender as usinas Angra 1 e Angra 2, mas nós temos uma produção estocada que permitirá o abastecimento ao longo de 2013. Para 2014, estamos promovendo a solução, que é o rebaixamento da mina de Caetité, que ainda deve ser analisado pela Cnen. Assim, poderemos atender novamente as duas usinas sem importar 1g de urânio”, afirmou Aquilino Senra, em entrevista à imprensa da região.
Durante a viagem a Caetité, o presidente e os diretores da INB também se reuniram com o prefeito da cidade, José Barreira, para conversar sobre novos apoios da empresa a ações voltadas ao desenvolvimento do município.
Fonte: Jornal da Energia


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PREÇOS DO GÁS NATURAL NA UE.

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Países asiáticos e da UE oferecem preços mais atractivos para comercialização do gás Natural

Os países asiáticos e os membros da União Europeia (UE) são os estados que, neste momento, oferecem os melhores preços para a comercialização do gás natural liquefeito (LNG) produzido em Angola, garantiu (terça-feira), em Luanda, o ministro dos Petróleos, José Maria Botelho de Vasconcelos.
O governante, que viajou para a Namíbia, onde vai assinar um “Memorando de Entendimento” na área dos petróleos e gás natural, prestou a informação quando comentava o primeiro carregamento deste produto comercializado há dias ao Brasil, depois de adquirido pela Sociedade Nacional de Combustíveis (Sonangol).
Segundo o titular dos Petróleos, “o Brasil necessita de gás, é um cliente que já tem adquirido gás a partir de Angola e este primeiro carregamento foi de facto comercializado com o Brasil, mas, no momento actual, os países do continente asiático e europeus são os que…

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PREÇOS DO GÁS NATURAL NA E UE.

Países asiáticos e da UE oferecem preços mais atractivos para comercialização do gás Natural

Os países asiáticos e os membros da União Europeia (UE) são os estados que, neste momento, oferecem os melhores preços para a comercialização do gás natural liquefeito (LNG) produzido em Angola, garantiu (terça-feira), em Luanda, o ministro dos Petróleos, José Maria Botelho de Vasconcelos.
O governante, que viajou para a Namíbia, onde vai assinar um “Memorando de Entendimento” na área dos petróleos e gás natural, prestou a informação quando comentava o primeiro carregamento deste produto comercializado há dias ao Brasil, depois de adquirido pela Sociedade Nacional de Combustíveis (Sonangol).
Segundo o titular dos Petróleos, “o Brasil necessita de gás, é um cliente que já tem adquirido gás a partir de Angola e este primeiro carregamento foi de facto comercializado com o Brasil, mas, no momento actual, os países do continente asiático e europeus são os que oferecem melhores condições de preços”, reafirmou.
Para o interlocutor, este primeiro carregamento de LNG faz parte do desenvolvimento do próprio sector em si, pois que antes era um recurso que estava a ser queimado e que agora está a ser aproveitado a favor da economia nacional e, “neste momento, Angola é um país que começou a produzir gás natural e iremos continuar”, reconfirmou.
O referido projecto, acrescentou o ministro, faz o aproveitamento do gás associado ao petróleo e a Sonangol e seus parceiros continuam a trabalhar para descobrir outras fontes de gás não associado e conhecer as reservas que o país dispõe para que Angola possa também ser uma referência no domínio da produção de gás no futuro.
Na ocasião, o governante fez referência à visita efectuada a Angola pelo ministro dos Petróleos da Índia que manifestou também a intenção de assinar um “Memorando de Entendimento” na área dos Petróleos e gás, documento já rubricado há mais de quatro anos e que tem permitido a intervenção de empresas indianas no projecto de LNG, que começou a funcionar na cidade do Soyo, província do Zaire.
A Índia através da sua empresa nacional tem feito a aquisição de petróleo bruto em Angola, havendo também a cooperação com a Sonangol no domínio da formação de marinheiros para os navios que estão a transportar o gás (LNG), colaboração bilateral que tem se desenvolvido de forma normal nos últimos tempos.
A ideia de se estreitar, cada vez mais, a cooperação com a Índia tem se alargado igualmente no interesse daquele país em comprar o gás angolano, “pelo que é uma cooperação que vamos continuar a desenvolver, porque os elementos do acordo estão a ser implementados”, sustentou.
Quanto à protecção ambiental no carregamento do gás, o ministro disse que, apesar de ser uma indústria delicada, tem-se feito os estudos de impacto ambiental e os procedimentos recomendados têm sido cumpridos no sentido de garantir a conservação e protecção do ambiente, seguindo-se os regulamentos, leis e outras medidas existentes na legislação nacional para o efeito, que são inspeccionadas regularmente.
O governante fez ainda referência ao surgimento do centro de tratamento de resíduos petrolíferos, um procedimento novo no país, que está a ser ajustado para iniciar o processo.
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Note-se que um terminal de armazenamento e tratamento de resíduos petrolíferos está a ser erguido, em Luanda, pela Sonangol Logística, com o objectivo de tratar, sobretudo, de resíduos de eventuais derrames do crude que afectam principalmente o meio ambiente marinho angolano.
Fonte: Agência Angola Press (AO)


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INVESTIMENTOS EM BIOTECNOLOGIA.

  Investimentos em biotecnologia visam melhoria nos biocombustíveis 

 Ao contrário do que muitos pensavam até a década de 1970, o petróleo, insumo consumido em larga escala na sociedade industrial, não era uma fonte de energia infinita. Ou seja, ele passou a ter dia e hora para acabar. Há quarenta anos, tal afirmação caiu como uma bomba, sendo um dos fatores que ajudaram a propiciar a chamada Crise do Petróleo, iniciada em 1973 e agravada em 1979. Na época, em um período de aproximadamente cinco anos, o preço do óleo bruto praticamente triplicou. Para o governo brasileiro, uma das saídas foi olhar para campo, mais precisamente para o cultivo da cana-de-açúcar. A partir de 1975, foi instaurado no país o Programa Nacional do Álcool, ou Pró-Álcool, como também ficou conhecido, que teve o objetivo de substituir o combustível fóssil, utilizado pela frota de carros, por biocombustível, nesse caso: o etanol. Hoje, 22% da frota de transportes do Brasil usa combustíveis renováveis.

Conforme destaca Thiago Romanelli, professor do Departamento de Engenharia de Biomassas, da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz, da Universidade de São Paulo (USP), o Brasil é um expoente no que diz respeito à utilização de biocombustíveis no cenário mundial. “Aproximadamente 45% da nossa matriz energética são provenientes de fontes renováveis. Desse total, 28% são oriundas da biomassa, principalmente da cana-de-açúcar e do eucalipto. No âmbito internacional, e levando em consideração a magnitude do nosso país, só presenciamos esse tipo de cenário energético no Brasil”, conta Thiago.

Mas depois de quase 40 anos desde a implantação do Pró-Álcool, o que mudou com relação às pesquisas ligadas aos biocombustíveis? Segundo explica Thiago, no que diz respeito à biomassa, há uma busca pela melhoria e aumento de produtividade dos diversos insumos que servem para produzir combustíveis renováveis. “Já existem alguns procedimentos voltados para a gaseificação de biomassa, incluindo também a pirólise, que, no caso da madeira, serve para obter alguns produtos líquidos, com o bio-óleo. Hoje, a USP está implementando uma usina de transformação de biomassa utilizando tecnologia de gaseificação”, conta o professor.

O especialista destaca outros tipos de pesquisas que são voltados para a utilização e degradação da celulase do bagaço da cana-de-açucar e do eucalipto para transformá-la em açúcar, que, depois de fermentado, deriva no etanol de segunda geração. Thiago lembra que existem avanços no que diz respeito à biotecnologia, com técnicas voltadas para o melhoramento genético de diversos tipos de biomassa. “Muitas empresas têm apostado em soluções de biotecnologia para a produção de novas fontes de energia, incluindo a manipulação de micro-organismos para a otimização de alguns processos”, ressalta o professor, lembrando que o Brasil já fez o mapeamento genético da cana-de-açúcar e do eucalipto para otimizar a produtividade de biocombustível.

Atualmente, várias fontes de biomassa podem servir como insumo para a produção de biocombustível, incluindo o milho. Além disso, há diferentes tipos de biodiesel extraídos de óleos vegetais, como o de girassol, do nabo forrageiro, algodão, mamona, soja, algas, e gorduras animais. “80% do biodiesel vem do óleo de soja, cujo cultivo ocupa 23 milhões de hectares do Brasil, quase três vezes maior do que o espaço utilizado para a plantação de cana. Outra parte desse tipo de combustível, em torno de 14%, vem dos abatedouros, mais precisamente do sebo bovino. Hoje, por lei, 5% do diesel que é utilizado no país provêm do biodiesel”, afirma.

Fonte: Globo Ciência – Rede Globo


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GÁS NATURAL NOS TRANSPORTES.

Gás natural deverá ganhar importância em transportes 

 O gás natural deve avançar como um importante combustível de transporte ao longo dos próximos cinco anos, impondo um desafio para o domínio do petróleo no setor, afirmou a Agência Internacional de Energia (AIE) nesta quinta-feira.

A demanda de gás no transporte rodoviário cresceu dez vezes entre 2000 e 2010, mas o gás de baixo custo nos EUA, resultado do boom da produção de gás de xisto, e preocupações com a poluição do ar e com a dependência de petróleo na China poderiam ajudá-lo a se tornar um combustível mais popular, disse a AIE.

Na sua perspectiva de cinco anos, a agência disse que espera que o uso do gás natural no transporte rodoviário suba para 98 bilhões de metros cúbicos até 2018, cobrindo cerca de 10% das necessidades energéticas incrementais no setor de transportes. De acordo com a AIE, essa mudança deverá reduzir o crescimento de médio prazo da demanda de petróleo e atingirá menos os biocombustíveis e carros elétricos.

“O gás já é um grande combustível na geração de energia”, mas, nos próximos cinco anos, ele também deverá “emergir como um importante combustível para transporte, impulsionado pela oferta abundante, assim como pelas preocupações com a dependência do petróleo e a poluição do ar”, disse Maria van der Hoeven, diretora-executiva da AIE.

A AIE disse que o gás teve um potencial significativo para utilização em transporte pesado, como o ferroviário, embora essa evolução seja improvável nos próximos cinco anos.

Apesar deste novo fator de demanda, a AIE também destacou desafios para o gás em todas as grandes regiões, incluindo o contínuo uso de carvão na América do Norte, a fraca demanda na Europa e às dificuldades de produção no Oriente Médio e na África.

Embora a agência ainda veja os próximos cinco anos como uma “Idade de Ouro” do gás, a sua mais recente previsão de médio prazo reduz a projeção de demanda de cinco anos em 75 bilhões de metros cúbicos em comparação com o sua perspectiva de 2012.

No entanto, a demanda mundial de gás natural deverá aumentar 15,6% nos próximos cinco anos para chegar a 3,962 trilhões de metros cúbicos, ante o nível atual.

China deve se manter como principal motor da demanda, respondendo por 30% do crescimento global nos próximos cinco anos. O país deve se tornar o quarto maior produtor de gás do mundo, mas ainda irá absorver um terço do aumento esperado da oferta de gás natural liquefeito e todo o aumento da produção da Ásia Central, disse a AIE.

Os EUA deverão continuar a dominar o crescimento da oferta, o que representa mais de um quinto do aumento da produção mundial de gás, à medida em que continua a explorar suas reservas de gás de xisto. Fonte: Dow Jones Newswires.


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ETANOL – Quinze grupos dominam a produção.

Quinze grupos dominam produção de etanol.

O etanol, feito de cana-de-açúcar e milho, representa hoje 82% do mercado mundial de biocombustíveis. Dominado por EUA e Brasil, que têm quase 90% da produção total, a estrutura da produção do combustível se baseia em uma rede de relacionamentos bem urdida, com forte lobby das instituições que representam os usineiros para a aprovação de regras que beneficiem a indústria. Esses relacionamentos se tornam cada vez mais importantes para essa indústria, à medida que o benefício ambiental do combustível está sendo colocado em xeque, em favor de outras opções, como o carro elétrico.

O desenvolvimento do sistema de lobby do etanol foi facilitado pelo fato de o negócio estar concentrado na mão de poucos poderosos empresários – o que abre espaço para a criação dos chamados “czares” do setor. Segundo pesquisa do New England Center for Investigative Reporting e da ONG Connectas, 15 empresas detêm o reinado da produção de etanol no continente americano. A americana ADM é a líder isolada, seguida da brasileira Copersucar e de companhias como Poet e Valero Renewable Fuels, na América do Norte, e negócios como Odebrecht Agroindustrial e Raízen, no Brasil. Em vários casos, esses negócios se baseiam na figura de um forte líder.

Foi o poder desses “czares” com as esferas mais altas do poder que assegurou ao produto uma fatia importante do mercado de combustíveis americano e brasileiro. Hoje, a mistura mínima do álcool combustível à gasolina no Brasil é de 20%, enquanto nos Estados Unidos o porcentual é de 10%. Países “emergentes” nesta indústria do etanol, como Peru e Colômbia, também já asseguraram a mistura de etanol a derivados de petróleo, na proporção de 7,8% e 8%, respectivamente.

Nos dois países que dominam atualmente o mercado de etanol, a história deste mercado começou a ser construída no início dos anos 70, época da primeira grande crise do petróleo. Os EUA, que já tinham tido algumas experiências de produção de etanol de milho nos anos 40, voltaram a flertar com a experiência, com agricultores do Nebraska pedindo ajuda do governo. Já o Brasil criou em 1975 o Proálcool, programa do governo militar para reduzir a dependência do petróleo importado.

Craig Cox, da Environmental Working Group, uma organização não governamental americana focada em saúde e meio ambiente, se opõe a políticas favoráveis ao biocombustível produzido com milho. “A indústria de etanol gasta milhões de dólares contratando lobby para expandir o uso de seu produto”, afirma. “Não estamos convencidos de que os biocombustíveis são tecnicamente ou ambientalmente uma boa opção.”

No Brasil, a indústria da cana-de-açúcar também se esmera na criação de bons relacionamentos. Nas últimas eleições municipais, os registros do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) mostram que os principais industriais de etanol do País doaram pelo menos US$ 2,7 milhões a partidos políticos – especialmente em São Paulo, líder na produção de cana no País. Copersucar e Cosan lideraram essa lista, com montantes de US$ 525 mil e US$ 422 mil, respectivamente.

O lobby do etanol também ajudou as indústrias do setor a conseguir ajuda de entidades internacionais a seus projetos, aponta a pesquisa do New England Center for Investigative Reporting e da ONG Connectas. Nos Estados Unidos, durante anos os produtores de milho foram beneficiados por uma taxa que praticamente inviabilizava a entrada de etanol estrangeiro no mercado americano. O Brasil, por sua vez, conseguiu vender bem o apelo “verde” do etanol internacionalmente. Com um montante de US$ 988 milhões, o Brasil é o principal destino de créditos de organismos multilaterais como o Banco Mundial e o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID).

Viabilidade. Mesmo com tanto apoio, o ano de 2012 foi difícil para a indústria mundial de etanol. No Brasil, por exemplo, o mercado não conseguiu produzir o suficiente para atender à demanda de mercado, obrigando o governo a ampliar drasticamente a importação do produto. Atraídas pela alta do preço do açúcar no mercado internacional, as usinas acabaram perdendo uma fatia de mercado que haviam conquistado: o governo reduziu a mistura de etanol à gasolina de 25% para 20%.

Nos Estados Unidos, a seca de 2012 – uma das piores da história, segundo o National Climatic Data Center – também afetou a indústria do etanol de milho. O Estado de Iowa concentra 28% da produção americana do combustível e não conseguiu expandir sua produção pela primeira vez em dez anos, segundo a Iowa Renewable Fuels Association (IRFA). Houve até empresas que, diante dos prejuízos, tiveram de suspender temporariamente a produção. Foi o caso da Valero Energy, que fechou temporariamente usinas no Nebraska e em Indiana. A empresa perdeu US$ 73 milhões no terceiro trimestre do ano passado.

A expectativa é que, em 2013, o mercado de etanol se recupere. No Brasil, a indústria acredita que conseguirá retornar ao patamar de 25% de mistura à gasolina. Enquanto isso, as usinas continuam a incentivar políticas que impulsionem a venda de automóveis, ao mesmo tempo em que tentam expandir seu terreno para outras áreas, como o transporte aéreo, com o apoio de companhias como British Airways, Lufthansa e Air France/KLM.

Iniciativas pontuais à parte, a incerteza sobre o futuro do etanol ainda permanece, tanto por causa de sua dependência de estímulos externos quanto pela perda de apoio ao selo “verde”, que durante anos foi uma plataforma importante de diferenciação para essa indústria.

Com muito lobby e apoio oficial nos EUA e no Brasil, o etanol se tornou a mais viável alternativa ao petróleo, mas ainda enfrenta dificuldades para se firmar.
Fonte: O Estado de S. Paulo