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REFLEXÕES ACERCA DA CONFERÊNCIA SOBRE “PICO PETROLÍFERO.

Reflexões acerca da conferência 
Pico Petrolífero: Desafios e oportunidades para os países do CCG 
– Doha, Qatar, 2-4/Abril/2013

por Robert L. Hirsch [*]

Tive a sorte de estar entre os poucos ocidentais convidados a comparecer e falar nesta conferência sobre o “pico petrolífero” (PP) – a primeira desta espécie num país do Médio Oriente. O facto de um grande exportador de petróleo do Médio Oriente promover uma conferência sobre um até agora assunto proibido foi bastante notável e uma mudança dramática em relação a décadas de negação do PP. Os dois dias e meio de reunião foram bem participados por pessoas do Conselho de Cooperação do Golfo (CCG) bem como outros países da região. 

O pressuposto inicial era que o “pico petrolífero” ocorrerá no futuro próximo. O prazo temporal do início iminente do declínio da produção do petróleo mundial não estava em causa na conferência, ao invés disso o foco principal era o que os países do CCG deveriam fazer a curto prazo para assegurar um futuro próspero a longo prazo. Para muitos de nós que há muito sofre a negação vociferante do PP por partes de países do CCG-OPEP, esta conferência representou uma enorme mudança. Nas palavras de Kjell Aleklett, que resumiu os pontos altos da conferência, a reunião foi “um evento histórico”. 

Se bem que muitos adeptos do PP tenham-se centrado nos impactos e na mitigação do “pico petrolífero” nos países importadores, a maior parte dos que compareceram a esta conferência estava preocupada com o impacto que reservas finitas de petróleo e gás terão no futuro a longo prazo dos seus próprios países exportadores. Eles encaram o esgotamento das suas grandes mas limitadas reservas como a permitir aos seus países um período de tempo no qual ou transformam seus países em entidades sustentáveis capazes de continuar no futuro a longo prazo ou decaem outra vez para a situação pobre e nómada que existiu antes da descoberta do petróleo/gás. Consequentemente, grande parte do foco da conferência era sobre como os países do CCG podem utilizar sua riqueza actual e a curto prazo para construir futuros económicos e governos sustentáveis. 

Um sabor da conferência pode ser obtido a partir das seguintes citações aleatórias, livremente traduzidas:

  • – Isto é uma conferência pioneira. 
  • – Os organizadores foram corajosos ao organizar esta conferência. 
  • – O pico petrolífero proporciona um incentivo para a consideração de importantes questões nacionais e regionais. O CCG actualmente está a trabalhar novos problemas com velhas soluções. 
  • – A receita petrolífera representa cerca de 93% do orçamento saudita. Tudo agora é importado – perícia estrangeira e a maior parte do trabalho. Os sauditas não podem continuar na rota actual, porque levaria a um “mau futuro”. Precisamos mudança radical. 
  • – Após o pico petrolífero, haverá grandes cidades ou as do Médio Oriente acabarão como as cidades fantasmas da mineração de ouro no velho Oeste dos EUA? 
  • – Até agora temos desperdiçado a nossa oportunidade. 
  • – O petróleo de xisto (shale oil) nos EUA é uma grande loucura e não invalidou o pico petrolífero. Nós definitivamente temos de nos preocupar acerca do pico petrolífero. 
  • – As reformas políticas fracassaram em corrigir adequadamente nossa falta de democracia e responsabilidade. 
  • – Quando as pessoas são excluídas da política, elas ficam incontroláveis. 
  • – Cidadãos no Médio Oriente preferem empregos no sector público porque eles pagam melhor do que empregos no sector privado. 
  • – Os estrangeiros são a maioria das nossas populações, tipicamente 80%. 
  • – As escolas estão a ensinar “coisas velhas” às crianças. As escolas são um desastre. 
  • – A cultura actual é do desperdício. 
  • – Há empregos vagos na Arábia Saudita, mas as pessoas locais não estão preparadas para ocupá-los. Os sauditas para o estrangeiro a fim de obter licenciaturas avançadas mas não se qualificam para empregos sauditas, de modo que a Arábia Saudita deve importar trabalho estraneiro. A Aramco não fez um bom trabalho no treino de nacionais sauditas. 
  • – O CCG deve educar mulheres e dar-lhes maiores direitos e igualdade. 
  • – Em muitos países dominadores absolutos obtêm os rendimentos e receitas e não deixam muito para o povo. Um ditador egoísta não desenvolve o seu país. 
  • – A globalização está agora a ser encarada amplamente de modo mais negativo. Quando o pico petrolífero chegar, será extremamente difícil manter. 
  • – Preços altos do petróleo terão impacto sobre o mundo mesmo antes do início do pico petrolífero. 
  • – O sistema legal árabe está em maus lençóis e precisa de atenção. 
  • – O pico petrolífero é a questão mais importante nesta parte do mundo. 

    – Pessoas lêem literatura religiosa quando deveriam estar a ler literatura técnica. 

  • – A região tem riqueza, pessoas ricas e pobres, pessoas pobres. 
  • – Os governantes devem entender que o povo deve ser parte do futuro. 
  • – As gerações futuras devem ter direitos.

Ao encerrar, quero exprimir minha apreciação aos nossos hospedeiros qataris. Eles foram hospitaleiros, cálidos, amistosos e mostraram a espécie de determinação tranquila para fazer do seu país um lugar melhor. Doha é uma cidade notavelmente bela. Finalmente, do que pude ver, o emir está a tomar passos positivos e agressivos para construir um vigoroso futuro esclarecido para o seu país.

[*] Antigo conselheiro sénior sobre energia da Science Applications International Corporation, e conselheiro sénior em energia no MISI e consultor em energia, tecnologia e gestão. Participou de numerosos comités relativos ao desenvolvimento energético e é o autor principal do relatório Peaking of World Oil Production: Impacts, Mitigation, and Risk Management, escrito para o Departamento de Energia dos EUA. 

O original encontra-se em http://aspousa.org/wp-content/files/por130415.pdf 

Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .


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EXPLORAÇÃO DE PETRÓLEO NA BACIA DO ACRE.

Exploração de petróleo perto de índios isolados preocupa Funai

Fotografados pela primeira vez, em abril de 2008, no Acre, isolados reagem a flechadas em floresta

 Cinco anos após Terra Magazine publicar com exclusividade imagens dos índios de uma das quatro etnias isoladas que vivem na fronteira do Acre com o Peru, o indigenista Carlos Travassos, 33, chefe da Coordenação-Geral de Índios Isolados (CGII) da Fundação Nacional do Índio (Funai) avalia a política do governo em defesa das populações que são consideradas as mais vulneráveis do País.

A expansão da indústria petroleira na Amazônia Ocidental vem sendo apontada como uma grande ameaça aos povos indígenas, sobretudo os que vivem em isolamento. Organizações de defesa dos indígenas têm alertado o governo que a atividade petroleira ao sul da Terra Indígena Vale do Javari, no Amazonas, atropelou direitos dos povos indígenas durante o processo de licenciamento.

Brasil ignora prazo para salvar a tribo mais ameaçada do mundo

No Acre, o trabalho de prospecção de petróleo e gás está bastante avançado. Nesta semana aconteceu a inclusão da Bacia do Acre no bloco de bacias que serão licitadas em outubro pela Agência Nacional do Petróleo.

– Não emito opinião, desde que fiquem suficientemente longe de regiões ocupadas por índios isolados. Não queremos que nenhuma destas populações possa ser atingida por um possível acidente ambiental. Não haveria multa possível nesta situação. Os povos indígenas isolados precisam de seus territórios intactos para poder viver e sobreviver – afirma o paulistano Carlos Travassos, filho de Luis Travassos, ex-presidente da UNE em 1968, que morreu em acidente de carro em 1982, após retornar do exílio.

Ainda no Acre, duas bases da Frente de Proteção Etnoambiental, que eram mantidas pela Funai, na fronteira com o Peru, onde vivem índios isolados, estão fechadas desde o ano passado, quando foram cercadas e invadidas por peruanos. A situação se agravou quando a Funai fez concurso público para “Auxiliar de Indigenismo”, que é igual ao tradicional mateiro, um prático que conhece profundamente a floresta.

A Funai tinha no Acre, por exemplo, uma equipe com os melhores mateiros da região. O concurso foi muito mal feito. O edital sequer mencionava as condições de trabalho. A maioria dos que foram contratados no país tem curso superior, mas é totalmente analfabeta na mata, sem nenhuma ligação com índios, muito menos com os que vivem em isolamento.

Existem no Acre 16 pessoas contratadas para proteger os índios isolados, mas nenhuma no mato. Todas estão em Rio Branco, a capital do Estado. É impossível proteger isolados sem a proteção de seus territórios. Atualmente, as cabeceiras dos rios Envira, Douro e Tarauacá, ondes vivem os isolados, estão abandonadas, livres para a entrada de caçadores, pescadores e quem mais quiser. Não há controle. Ir par o mato, passar uma semana, voltar para Rio Branco e voltar ao mato depois de meses, como faz o pessoal que foi contratado pela Funai, não protege território nenhum.

No Dia do Índio, a entrevista com Carlos Travassos:

A divulgação das fotos de índios isolados do Acre contribuiu de alguma maneira para ajudar a protegê-los?

É difícil avaliar. Acredito que a divulgação impactante daquelas imagens trouxe à ciência da opinião pública que estes povos existem, e isso foi muito positivo. A reação da sociedade brasileira, mais do que da sociedade internacional, foi de preocupação com sua integridade e de respeito ao seu modo de vida. A sociedade internacional talvez tenha se impressionado mais, pelo exotismo das imagens.

Chegou a causar alguma preocupação?

A exposição daqueles índios isolados fotografados, com sua localização geográfica escancarada em sites socioambientais, nos trouxe muita preocupação. Acreditamos, e temos elementos para isso, que ainda há pessoas capazes de planejar, mandar e executar violências contra grupos indígenas. Qual a capacidade real de proteção destes territórios? E do controle do espaço aéreo? Será que um turista poderia querer olhar com os próprios olhos? Ou gente má intencionada? Teve-se de tomar uma série de medidas para evitar que isto ocorresse.

Por que duas bases da Frente de Proteção Etnoambiental, que existiam na fronteira do Acre com o Peru, estão fechadas?

As duas Bases de Proteção Etnoambiental estão sendo reativadas, mas realmente houve um período em que estes trabalhos tiveram de ser interrompidos. Na maioria dos casos, quando se constrói uma base de proteção, ela permite o desenvolvimento de trabalhos que são ininterruptos, ou seja, com uma presença permanente de vigilância, controle de acesso e fiscalização durante todo ano. Infelizmente, algumas vezes é preciso retroceder um passo, para que se possa avançar. Não foi fácil tomar esta decisão, mas um corte radical na instituição foi realizado nos contratos que tínhamos com o fornecimento de mão de obra terceirizada, como ocorreu em grande parte das instituições públicas. Por outro lado, o trabalho que lá se estabeleceu, foi fruto de mais de duas décadas da garra e dedicação de um grande sujeito, o sertanista José Carlos dos Reis Meirelles. Quando se perde uma pessoa como ele no comando de um trabalho tão específico e não há um substituto com o perfil semelhante,  a operacionalidade das coisas muda.

A Funai contratou uma equipe nova para cuidar de índios isolados. Trata-se de gente jovem, sem preparo?

 A Funai realizou um concurso público especificamente para os trabalhos com os povos indígenas isolados e criou uma categoria denominada Auxiliar em Indigenismo. O cargo foi definido para ser preenchido por pessoas de nível fundamental. A expectativa era incorporar na instituição pessoas que já estavam habituadas a viver nestas regiões do interior dos Estados da Amazônia. Com certeza essa expectativa não foi atingida. Grande parte das pessoas que entraram pelo processo seletivo, não só tinham ensino médio e superior, como não tinham tido uma única experiência na Floresta Amazônica.

É verdade que eles reivindicam trabalhar apenas oito horas diárias?

O regime dos novos servidores é o regime dos servidores públicos federais. Realmente no edital foi apresentado um regime de 40 horas semanais, mas também foi indicado que suas atribuições seriam executadas na Floresta Amazônica, nos trabalhos de proteção a índios isolados, em expedições e tarefas afins. Seria muito esforço acreditar na possibilidade de que depois de oito horas de expedição em trabalhos de localização de índios isolados, fosse possível pegar um ônibus e voltar para casa. Acho, pessoalmente, que prestar um concurso com essa natureza, se trata de opção profissional.

Aquela estrutura, digamos, de barracão comunitário não existirá mais no país para proteger os isolados?

Eu não generalizaria que a estrutura empregada pelo velho Meirelles era uma estrutura de barracão. Conheço suficientemente o Meirelles para dizer de seu orgulho pelo trabalho que desenvolveu em nome da Funai e do Estado brasileiro.

O que está sendo concebido como novo para proteção dos isolados e envolvimento das populações do entorno nessa atividade de proteção?

A Funai percebeu ao longo dos anos que além das atividades de vigilância, controle de acesso e fiscalização, seria também necessário que se envolvesse as populações do entorno dos territórios dos índios isolados, fazendo delas multiplicadores para protegê-los e estar atento às condições de saúde na região, assim com aos impactos de exploração ambiental legal e ilegal que prejudiquem o meio ambiente.

É possível mesmo protegê-los apenas com algum tipo de monitoramento?

No caso dos povos que habitam o Estado do Acre, a resposta é não. É necessário o trabalho ostensivo de vigilância e fiscalização, assim como controlar o acesso a determinadas regiões.

Como você avalia expansão da indústria petroleira na Amazônia Ocidental?

Não emito opinião, desde que fiquem suficientemente longe de regiões ocupadas por índios isolados. Não queremos que nenhuma destas populações possa ser atingida por um possível acidente ambiental. Não haveria multa possível nesta situação. Os povos indígenas isolados precisam de seus territórios intactos para poder viver e sobreviver.

Organizações de defesa dos indígenas dizem que a atividade petroleira ao sul da Terra Indígena Vale do Javari atropelou direitos dos povos indígenas em processo de licenciamento. Você concorda?

Acredito que têm motivos para afirmar isso. Os trabalhos de pesquisas sísmicas realizados na região, mesmo fora dos limites da Terra Indígena Vale do Javari, ocorreram onde existem dois caminhos tradicionais dos povos Marubos nas calhas do rio Ituí e Curuça. As aldeias não foram avisadas previamente dos trabalhos a serem realizados. Além disso, há presença de índios isolados no sul da terra indígena, que desconhecem o que é um limite da demarcação oficial e mesmo que fosse improvável que estivessem percorrendo estes locais, seria prudente que a Funai fosse avisada da realização dos trabalhos para que enviássemos uma equipe à região. Por isso a Funai solicitou a suspensão ao Ibama da continuidade dos estudos sísmicos.

O trabalho de prospecção de petróleo e gás está bastante avançado no Acre.  Nesta semana aconteceu a inclusão da Bacia do Acre no bloco de bacias que serão licitadas pela Agência Nacional do Petróleo em outubro.  Como avalia isso?

Vejo com muita preocupação esta proximidade com a Terra Indígena Vale do Javari. Existe um histórico do período da ditadura militar de prospecção de petróleo no interior da Terra Indígena Vale do Javari que foi desastroso. Seria o retorno de um pesadelo para os povos  indígenas de lá, caso haja a pretensão de se explorar petróleo novamente. Os estudos realizados na região, que grande parte são públicos, apontam que a região de maior interesse comercial está no interior da terra indígena. A região é habitada por 16 povos de índios isolados, distribuídos em mais de uma centena de ocupações. No ano de 2012 e 2013 foram realizados sobrevôos rasantes em toda área para levantamentos aerofotogramétricos, sem haver a mínima consulta à Funai, ou aos povos contatados que lá habitam. Imagine o impacto sobre os povos isolados, que desconhecem o que é um avião.  Acredito piamente que o governo federal se atentará e terá grande sensibilidade para com os direitos dos povos indígenas isolados. Afinal são as populações mais vulneráveis de nosso país e temos o dever respeitá-los.

O que você considera como sendo o maior obstáculo para proteção dos povos que vivem em isolamento no país? Quantos são, onde estão?

Os obstáculos para a proteção dos povos indígenas isolados são muitos e são pesados. O primeiro grande desafio está presente na própria pergunta: quantos são, onde estão? A Funai, a partir do final dos anos 1980, reuniu sertanistas e indigenistas que trabalhavam ou haviam trabalhado em contatos com povos indígenas isolados, e após uma corajosa reflexão crítica sobre a política indigenista voltadas a estes povos, realizou uma virada de mesa. Assumiu uma posição muito madura de mudança de paradigma. Reconheceu que os contatos que foram estabelecidos entre o órgão indigenista oficial, ou outros setores da sociedade, e as populações indígenas isoladas causaram mortes e impactos fatais na reprodução física e cultural da maioria destes povos.

Foi um aprendizado sob muita dor?

Sim. Aprender com as práticas do passado para construir uma identidade institucional e definir uma visão de futuro, é um grande legado que as novas gerações de indigenistas têm que valorizar. A partir da década de 1990, a Funai cria o Departamento de Índios Isolados, após reunir o maior número de informações, registros e documentos que apontassem a presença de índios isolados no Brasil, também denominados de “índios bravos”, “índios hostis” ou “índios arredios”. Criou, na mesma década, o Sistema de Proteção ao Índio Isolado e estabeleceu que se reconhecesse o direito dos índios isolados em assim permanecerem, sem a necessidade de contatá-los, a menos que algum fator os colocasse em risco. Devemos crédito aos sertanistas e indigenistas que participaram deste momento, com especial destaque aos que estavam a frente, como os sertanistas Sidney Possuelo e Welligton Figueiredo.

Você está fugindo do que pode ser o maior obstáculo?

Não. O primeiro obstáculo para se proteger um determinado povo é conhecê-lo. Para isto deve-se possuir a capacidade de reunir toda e qualquer informação sobre a presença de povos indígenas isolados, deve-se estar aberto ao diálogo com as sociedades que vivem na floresta, com indígenas, com ribeirinhos e com órgãos governamentais que atuem na região, entre outros. Montado este banco de informações, que deve ser alimentado permanentemente, passa-se por um processo de qualificação destas informações, confrontando-as com dados etnohistóricos. Esta qualificação da informação pode trazer um resultado que traz para a Funai responsabilidades, pela simples ciência da possível presença de determinado povo em determinado local.

E o outro obstáculo?

Automaticamente, durante o processo a que me referi, um segundo estudo de informações deve ser realizado, focado na região destas informações. Levanta-se então se há ocupação de não indígenas, ou de povos indígenas com contato já estabelecidos nesta mesma região e estipula-se uma hierarquia de situações onde se estabelece prioridades para o aprofundamento dos trabalhos de localização geográfica e identificação destes povos, seguindo o princípio da precaução. Os trabalhos de localização geográfica são desenvolvidos para comprovação da existência de determinado grupo, e reconhecimento de seus territórios. Após estas etapas, o maior obstáculo passa ser garantir a proteção territorial, ou seja, a garantia da posse plena destes povos aos seus territórios.

De que maneira?

Por meio de atividades de vigilância, fiscalização, controle de acesso a estes territórios e principalmente com a sensibilização e a parceria das populações que vivem no entorno.


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ESCOLA MARGARETH THATCHER

ESCRITO POR PAULO METRI

Determinado bem pertencente ao povo brasileiro, que vale no mercado em torno de US$ 1,5 trilhão, vai ser repassado, no próximo mês de maio, a empresas estrangeiras pelo pagamento de US$ 225 bilhões de royalties durante um período de 30 anos. Pode ser suposto que, para colocar o bem no mercado, as empresas precisam recuperar investimentos e custos realizados, além de ter um bom lucro, ou seja, elas precisam retirar US$ 600 bilhões do negócio. Em outras palavras, nosso povo deveria receber pelo bem em torno de US$ 900 bilhões (= US$ 1,5 trilhão – US$ 600 bilhões). Como recebe só US$ 225 bilhões, ele vai ter seu patrimônio subtraído exatamente em US$ 675 bilhões, parcela esta que irá para os caixas das empresas como superlucro.

O PIB do Brasil em 2012 foi de US$ 2,3 trilhões. Assim, esta subtração do patrimônio do nosso povo é igual a cerca de 30% do PIB brasileiro. No entanto, nenhum meio de comunicação tradicional, quer sejam os jornalões ou as revistas semanais ou as TV abertas ou por assinatura, falou sobre este fato. A população brasileira nada sabe sobre uma ação que representará uma gigantesca subtração de patrimônio público. Este silêncio é a comprovação da parcialidade da grande mídia, que oculta as verdadeiras questões de interesse da sociedade. Por outro lado, fica patente também a falta de compreensão da classe política, com raras exceções, com relação às prioridades da nossa sociedade. Se não for falta de compreensão, pode ser algo bem pior.

É preciso deixar claro que tudo será feito e o patrimônio será entregue estritamente dentro da lei. Uma lei extremamente injusta para com a sociedade e muito benéfica para as empresas, principalmente as estrangeiras. Mas é a lei vigente para blocos fora da área do Pré-sal, de número 9.478 de 1997. A referida subtração é aprovada a partir da entrega de áreas do território nacional como concessões para empresas explorarem e produzirem petróleo e gás, que ocorrerá na 11ª Rodada de leilões de blocos, promovida pelo governo brasileiro nos dias 14 e 15 de maio. A estimativa de petróleo a ser descoberto nestes blocos foi fornecida pela própria diretora-geral da ANP em seminário de promoção da Rodada.

Vou repetir argumentações de outros artigos meus sobre este assunto, para explicar sumariamente como esta Rodada é pouco atraente. As empresas estrangeiras arrematarão grande número de blocos e irão exportar todo petróleo descoberto nestes blocos in natura. Na fase de investimentos, quase não irão comprar no país, não irão contratar desenvolvimento tecnológico nem engenharia no Brasil, quase não irão empregar mão de obra local e deixarão no Brasil o royalty, que é, em comparação com o lucro, uma parcela bem menor. Também, o Brasil perde a possibilidade de uso do fornecimento garantido de petróleo de médio prazo a outros países como instrumento de ação geopolítica. A lei 9.478 permite todas estas injustiças e usurpação da nossa riqueza.

À primeira vista, a alegria devido à morte de um ser humano pode ser considerada uma desumanidade. No entanto, pode também significar uma explosão de alívio, pois a fonte de opressão e insensibilidade, representada pelo morto, foi extinta. Foi o que aconteceu com a morte de Margareth Thatcher. Ou seja, o povo comemorou a execução pela Justiça divina, ou pelo acaso, daquilo que a Justiça terrestre foi incapaz de corrigir. Injustiças causadas pelo preposto do capital, com ajuda da mídia subalterna, tristemente suportadas pelo povo, oprimem tanto que a morte do algoz pode ser comemorada.

Apesar da inegável realização social dos governos Lula e Dilma, fica uma pergunta na nossa mente: qual o legado a presidente Dilma quer deixar neste setor? Ser lembrada como membro da Escola da privatista Margareth Thatcher?

Se você estiver convencido sobre o que foi explicado e quiser fazer valer seu desejo, mesmo porque a Constituição afirma que todo poder emana do povo, remeta um recado para a presidente Dilma através do endereço: https://sistema.planalto.gov.br/falepr2/index.php. Com relação aos deputados e senadores, mandar mensagens é mais complicado, porque teria que ser através de e-mails individuais. Um e-mail para cada um dos 513 deputados e cada um dos 81 senadores. No entanto, não deixe de mandar para aqueles nos quais você acredita. Sugiro, também, que você se defenda, pois estará sendo lesado. Lute como puder para esta usurpação ser barrada.


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MERCADO GLOBAL DE PETRÓLEO

Fonte: Agência Reuters/Redação

A queda nos preços do petróleo desde a máxima deste ano em meados de fevereiro mostra que o mercado está suficientemente abastecido, disse a diretora-executiva da Agência Internacional de Energia (AIE), Maria van der Hoeven, acrescentando que tal queda pode ajudar a economia global.

 

 Na terça-feira, o petróleo Brent recuou para abaixo de 100 dólares por barril pela primeira vez em nove meses, após dados sobre a China e os EUA enfraquecerem as perspectivas para a demanda.

 

 O contrato referência tem se mantido na maior parte do tempo acima de 100 dólares por barril desde 2011, apoiado em temores sobre a oferta, que começaram com uma turbulência civil na Líbia e em seguida foram impulsionados pelas tensões crescentes relacionadas ao programa nuclear iraniano.

 

 Governantes em todo o mundo temem que os altos custos de energia ameacem inviabilizar a incipiente recuperação econômica global da crise financeira. O petróleo Brent já cumula queda de 16 por cento ante a máxima do ano de 119,17 dólares, atingida em 8 de fevereiro.

“Eu realmente espero que isso ajude… por que, como todos sabemos, preços altos do petróleo podem ter um impacto sobre a recuperação da economia”, disse Van der Hoeven à Reuters. “Eu acho que isso também mostra o que nós dissemos mais de uma vez, que não há problemas de fornecimento.”

 

A AIE cortou sua estimativa para o crescimento global da demanda por petróleo em 2013, o terceiro dos principais analistas mundiais de petróleo que, na semana passada, estimaram um consumo mais fraco.


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VANTAGENS DO USO DE ENERGIA EÓLICA.

Especialistas apontam vantagens do uso de energia eólica

O Brasil ainda precisa superar uma “visão turva” sobre a energia eólica, que coloca em desconfiança a geração que provém dos ventos, sob o argumento de que esse recurso seria “sazonal e intermitente”. A crítica foi feita pela presidente da Associação Brasileira de Energia Eólica (Abeólica), Élbia Melo, em audiência realizada pela Comissão de Serviços de Infraestrutura (CI), nesta quarta-feira (17).

Como observou a expositora, toda fonte que vem da natureza é, por definição, sazonal e intermitente. Observou que o mesmo fator está presente na produção de energia hidráulica, especialmente as usinas construídas a “fio d’água”, sem reservatórios. No caso da energia eólica, explicou ainda que é perfeitamente possível conter riscos por meio do aumento da quantidade de geradores montados.
– Temos que acabar com esse mito da confiabilidade, algo que ainda não está claro inclusive para os nossos técnicos e para os formuladores de políticas públicas – afirmou.
Participou ainda do debate, que foi dirigido pelo presidente da CI, senador Fernando Collor (PTB-AL), o engenheiro Adão Linhares Muniz, diretor da RM Soluções em Infraestrutura. Assim como Élbia Melo, ele defendeu a diversificação da matriz energética do país, destacando que o importante é harmonizar as diversas fontes disponíveis, para garantir ao país um sistema forte e coordenado.
Para os expositores, existe ampla complementaridade entre a geração hidráulica e eólica, inclusive por conta de aspectos climáticos. Explicaram que a ocorrência de ventos sempre é mais intensa nos períodos de estiagem, exatamente quando a escassez de água pode afetar a produção hidroelétrica.
Entre outros benefícios da energia eólica, eles destacaram ainda os ganhos de renda nas localidades onde são implantados os parques. De acordo com Élbia Melo, para cada megawatt instalado são gerados 15 empregos. Ela informou que os 12 mil postos de trabalho atuais, em todo o país, podem subir para 280 mil até 2020. Do ponto de vista ambiental, lembrou também que a energia eólica não é emissora de gases de efeito estufa.
Capacidade instalada
No momento, a capacidade instalada em energia eólica é de apenas 2,69 mil megawatts, o equivalente a 2% da matriz energética. A projeção é de que, até 2017, serão 8,8 mil megawatts, chegando a 5% da matriz. Os convidados disseram que esse rápido crescimento deve-se a projetos de novos parques eólicos iniciados em 2009, quando se comprovou a produtividade dessa modalidade de energia e o governo federal realizou leilão para contratar oferta.
Para Adão Muniz, a trajetória de crescimento do setor pode ser ainda mais forte, mas ainda há contenção por parte do governo. Ele enxerga uma preocupação, a ser ver como uma espécie de “freio”, em relação aos limites de contratação de garantia de compra. Disse que há uma visão diferente em outros países, como na Espanha e na Dinamarca, onde a geração de energia eólica está sendo preponderante.
– Não pode ter freio. Ao contrário, tem que ter um motor empurrando, pois se trata de energia com enorme potencial – cobrou.
Élbia Melo concordou que o momento é de avançar para a consolidação do setor no país. Além de investimentos na expansão de novos parques produtivos, ele considera indispensável desenvolver toda a cadeia produtiva, com pesquisa e desenvolvimento de equipamentos nacionais adequados às características dos ventos do país. Outra questão é a resolver diz respeito à capacitação de mão de obra, de técnicos a engenheiros.
Paradoxo ambiental
Adão Muniz apontou ainda a necessidade de solução para a questão dos licenciamentos ambientais. Disse ser “paradoxal” haver dificuldades de licenciamento para a produção de energia limpa. Também cobrou “sincronia” entre a implantação dos parques e das linhas de transmissão, problema que no momento impede o aproveitamento da energia produzida em parque situado na Bahia. Ao senador Sérgio Souza (PMDB-PR), ele disse discordar da solução estudada pelo governo para que os parques fiquem restritos a regiões onde já existam linhas.
– A localização deve estar onde tenha vento, de preferência o melhor vento. Nós é que temos de buscar a energia onde esteja a fonte, assim como fazemos com a energia elétrica – opinou.
O senador Lobão Filho (PMDB-MA) elogiou a “coragem” do Ministério das Minas e Energia em promover o leilão de 2009 para contratar energia eólica, quando os preços ainda estavam elevados, acima de R$ 250 por megawatt. Disse que a iniciativa favoreceu investimentos e ganhos de produtividade. Agora, em seu estado, já seria possível contratar energia eólica por R$ 90 por megawatts. Depois, cobrou a mesma atitude em relação à contratação de garantia para oferta de energia solar.
– Há certa resistência à energia solar, que continua caríssima, mas no meu entendimento iria haver o mesmo sucesso – destacou.
O senador Walter Pinheiro (PT-BA) mostrou satisfação com a evolução do setor, mesmo num período de menor crescimento econômico. Em relação às questões de licenciamento ambiental, salientou a necessidade de soluções mais rápidas para que os projetos sejam desembaraçados e executados.
– Não quero linha passando em cima de caverna. Mas se há caverna, tem que se encontrar a solução, na velocidade do vento ou mesmo da luz, que é muito melhor – disse.
Com participação de telespectadores, que enviaram perguntas à CI, a audiência é parte do programa de debates “Investimento e gestão: desatando o nó logístico do país”, proposto pelo presidente da comissão. Nesta quarta, houve mais um painel dedicado ao exame de energias alternativas, dentro do ciclo temático “Energia e Desenvolvimento”.
Matéria da Agência Senado, publicada pelo EcoDebate, 19/04/2013 Publicado em abril 19, 2013 por HC http://www.ecodebate.com.br/2013/04/19/especialistas-apontam-vantagens-do-uso-de-energia-eolica/


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PETIÇÃO CONTRA OS LEILÕES DE PETRÓLEO

http://www.avaaz.org/po/petition/Barrar_a_11a_rodada_de_leiloes_da_ANP/?cuMCNab

 Por que isto é importante

 

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Leiam o artigo a seguir de autoria de um Conselheiro do Clube de Engenharia/RJ

Paulo Metri – conselheiro do Clube de Engenharia

O presente artigo trata da 11ª rodada de leilões de blocos para exploração e produção de petróleo, que o governo brasileiro está determinado a realizar em 14 e 15 de maio próximo. Para atrair investidores estrangeiros para esta rodada, atração esta desnecessária, a diretora-geral da Agência Nacional do Petróleo (ANP) declarou, no seminário técnico e ambiental promovido por esta Agência no dia 18 de março, que poderão ser encontrados, só na margem equatorial brasileira, até 30 bilhões de barris de petróleo in situ.
Este fato é gravíssimo por representar a capitulação final do atual governo brasileiro às multinacionais do petróleo. Com relação às rodadas de leilões, o governo do PT se iguala ao governo do PSDB. A única voz audível neste silêncio sepulcral promovido pela mídia entreguista foi a do senador Roberto Requião, que usou um dos poucos espaços democráticos restantes no nosso país, a TV Senado, e proferiu memorável discurso no dia 27 de março passado (http://www.viomundo.com.br/politica/requiao-a-pauta-das-oposicoes-midiaticas.html). O conluio da mídia muda, comprometida com os grupos estrangeiros interessados em levar nosso petróleo em troca de irrelevante royalty e com políticos corruptos, abate a esperança dos brasileiros conscientes.
Algum leitor não acostumado ao tema do petróleo pode perguntar o porquê destes leilões serem prejudiciais aos brasileiros. Em respeito a ele, vou dar uma resposta. A 11ª rodada só conterá blocos fora da área do Pré-sal, sendo regida, portanto, pela lei 9.478. Se fossem blocos da área do Pré-sal, seria regida por outra lei. Pela lei 9.478, quem descobre petróleo é dono dele e faz dele o que bem quiser. Nenhuma empresa estrangeira demonstra interesse em construir refinarias no país, quer seja para abastecer o mercado interno ou exportar derivados, como também não tem intenção de vender o petróleo a ser produzido à Petrobras. Então, o objetivo delas é unicamente exportar o petróleo in natura.
Nenhuma empresa estrangeira compra plataforma no Brasil. Falo do item “plataforma” porque ele representa mais de 80% dos investimentos e as compras na fase dos investimentos são a quase totalidade das compras de um campo. As compras na fase de produção são pouco representativas. Desde 1999, quando ocorreu a primeira rodada, as empresas estrangeiras receberam concessões e nunca compraram uma plataforma no país. Só quem compra plataforma no Brasil é a Petrobras.
Neste setor, a geração de mão de obra ocorre mesmo com a encomenda de plataformas. Como as empresas estrangeiras não compram no país, elas não abrem oportunidades de trabalho. A mão de obra para operar as plataformas é mínima comparativamente, podendo ser desprezada. Ademais, as petroleiras estrangeiras não contratam desenvolvimentos tecnológicos no país, nem projetos de engenharia.
Pelas determinações da lei 9.478, não existe obrigatoriedade de as empresas suprirem recursos para nenhum Fundo Social, como existe no caso da lei da área do Pré-sal, que é destinado para programas sociais. Quando a lei 9.478 era a única a reger todas as explorações e produções de petróleo no Brasil e não existia a lei dos contratos de partilha, um estudo comparativo do nível das taxações em diferentes países foi feito, concluindo que as “participações governamentais” aqui representam somente 45% do lucro da atividade petrolífera, enquanto a média mundial está em 65%. Países como Noruega, Venezuela e Colômbia taxam até mais de 80% do lucro. Por isso é que classificamos o royalty cobrado atualmente no Brasil como irrelevante.
Argumentam que há necessidade dos leilões para o abastecimento do país, o que seria cômico, se não fosse de extremo mau gosto. As empresas estrangeiras só querem exportar o petróleo que descobrirem. Se não tiverem esta possibilidade, não se inscrevem nos leilões. Quem abastece o Brasil é a Petrobras. Às vezes, neste ponto, perguntam: “E por que não exportar petróleo?”. Concordo que poderíamos exportar petróleo, desde que ele não faltasse para o abastecimento interno por um número razoável de anos futuros e que ficasse no país um bom quinhão do lucro da atividade para a sociedade brasileira, o que não acontece se a lei 9.478 estiver regendo a concessão.
Outro argumento usado é que só 7% das bacias sedimentares brasileiras teriam sido pesquisadas e, por isso, devem ser feitos leilões. Notar que a concessão é para a exploração, quando o petróleo é procurado, e se houver descoberta, para a produção também. Então, pelo argumento, o Brasil deve entregar um bloco para ser explorado, para melhorar o nível de conhecimento das nossas bacias. Mas, se for descoberto petróleo, ele será levado sem grande usufruto para a sociedade?
Argumentar que esta rodada inclui áreas em regiões pobres que, hoje, não recebem nenhum royalty é explorar a inocência alheia. Supondo que vai ser descoberto petróleo na região, eu acharia até meritório se o royalty fosse, no mínimo, o triplo do que é hoje. Estão achando que prefeitos e governadores de regiões pobres aceitam qualquer esmola.
Chego a um ponto em que muitos desavisados e outros avisados, mas devotos do mercado, acreditam ser irrelevante. O aspecto geopolítico é negligenciado nas diversas rodadas de leilões de blocos que já ocorreram no Brasil. Entretanto, Daniel Yergin tem um livro de 800 páginas citando inúmeros casos de guerras, conflitos, acordos, espionagens, traições, deposições e assassinatos ocorridos no mundo graças ao petróleo, além de mostrar claramente o poder que sua posse representa. Contudo, nós, brasileiros, entregamos a posse do nosso petróleo a empresas que irão arrematar um bloco no leilão por cerca de 0,2% do valor do petróleo a ser produzido no bloco, durante a vida útil. E mais nada!
No entanto, o que mais me dói, atualmente, além da enorme perda para a tão sofrida sociedade brasileira, é reconhecer que, na última campanha presidencial, o candidato José Serra tinha razão, quando, no horário eleitoral gratuito, dizia que a candidata Dilma iria deixar as empresas estrangeiras levarem o petróleo brasileiro. Lembro-me bem da imagem na tela da TV de um canudinho, pelo qual o petróleo brasileiro era sugado pelas multinacionais. Obviamente, não acreditava nem acredito que José Serra fizesse diferente. Mas nunca pude imaginar que Dilma, consciente de todos estes aspectos citados, pela sua formação e trajetória, fosse chegar à presidência para abrir o setor petrolífero brasileiro às empresas estrangeiras sob a péssima lei 9.478.
Tinha esperança que a insustentabilidade dos leilões pela lei 9.478 fosse reconhecida, vez que cria um passivo de petróleo a ser pago por gerações futuras, transformando o petróleo de um passaporte para um futuro melhor em uma dívida a ser paga por nós, nossos filhos e netos. Usurpamos, assim, a esperança, nossa e dos nossos descendentes, para que prepostos das multinacionais, apaniguados do poder e corruptos tenham uma vida boa.
Como a vida, enquanto não se esvai, é luta, sugiro aos homens e mulheres de bem que se revoltem, comentem estes fatos com amigos, colegas de trabalho ou de sala de aula, parentes e vizinhos. Que procurem se informar mais, mas não através dos canais comprometidos com o assalto à sociedade, participem de movimentos sociais, visitem o sítio da Agência Petroleira de Notícias (www.apn.org.br) e, principalmente, busquem barrar a 11ª rodada de leilões da ANP.


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SHELL TEM INTERESSE EM ATIVOS DA PETROBRAS NO GOLFO.

  • RIO DE JANEIRO, 18 Abr (Reuters) – A petrolífera Shell está interessada em comprar ativos no Golfo do México, incluindo os da Petrobras, afirmou o presidente da companhia, Peter Voser, em entrevista no Rio de Janeiro nesta quinta-feira.

Ele acrescentou que a Shell está avaliando os ativos, mas não tomou nenhuma decisão sobre uma eventual aquisição.

A Petrobras tem um programa de desinvestimento de 9,9 bilhões de dólares, de acordo com o Plano de Negócios da companhia, divulgado no mês passado.

Entre os atraentes ativos da Petrobras no Golfo estão os campos em produção de Cascade e Chinook, onde a estatal realizou grandes descobertas de petróleo.

No início do mês passado, fontes disseram à Reuters que a Petrobras colocou à venda seus campos de petróleo na Nigéria. A estatal afirmou posteriormente que não tomou nenhuma decisão sobre venda de ativos na Argentina e Nigéria.

XISTO NA AMÉRICA LATINA

De outro lado, a Shell está considerando a venda de fatias em ativos de gás de xisto em blocos na América Latina para compartilhar riscos, disse Voser.

Ele afirmou ainda ver grandes perspectivas para ativos petrolíferos não convencionais na América Latina, apontando semelhança na região com a geologia onde o gás de xisto é abundante.

RODADAS NO BRASIL

Mais cedo, após reunião com a presidente Dilma Rousseff para discutir perspectivas das empresa no Brasil, em Brasília, o presidente da Shell afirmou que os leilões de áreas de exploração de petróleo e gás no país previstos para 2013 despertam interesse da empresa.

“Antecipamos com muito interesse a participação da Shell nas rodadas de licitação que ocorrerão em 2013, uma vez que elas abrirão a oportunidade de explorarmos o potencial…”, afirmou ele a jornalistas, após o encontro com a presidente.

A Shell já está habilitada pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) para participar da 11a rodada, marcada para maio, e poderá fazer ofertas nos outros dois leilões –o do pré-sal, previsto para novembro, e o de gás não convencional, marcado para outubro.

“Esperamos assim participar de projetos de larga escala e assim contribuir substancialmente para o desenvolvimento não só nos próximos anos, mas também nas próximas décadas”, completou ele.

(Por Jeb Blount)


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GÁS NÃO CONVENCIONAL NO BRASIL.

 

Reservas de gás podem ser maiores que as do pré-sal

Da Agência Brasil

Reservas brasileiras de gás não convencional podem superar as do pré-sal

Nielmar de Oliveira
Repórter da Agência Brasil

Rio de Janeiro – As reservas brasileiras de gás não convencional podem ser maiores do que os volumes das reservas de gás natural existentes nos campos do pré-sal da Bacia de Santos. A possibilidade foi admitida hoje (15) pela diretora-geral da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), Magda Chambriard, ao falar para um grupo de empresários sobre a rodada de licitação que a agência reguladora vai realizar em outubro envolvendo apenas blocos com potencial para exploração de gás.

O gás não convencional é extraído de rochas, como o xisto Ao expor dados fornecidos pela Energy Information Administration (EIA), do Departamento de Energia do governo dos Estados Unidos, Magda levou em conta exercício que aponta para a equivalência de 30 trilhões de pés cúbico (tcf) de gás para 1.196 quilômetros cúbicos de rocha. A partir do estudo, a ANP correlacionou as estimativas levando em conta a possibilidade da existência de 64 tcf na Bacia do Parnaíba, 124 tcf na dos Parecis, 20 tcf na do Recôncavo; além de 80 tcf na Bacia do São Francisco. Cada unidade de tcf equivale a 30 bilhões de metros cúbicos de gás.

A diretora-geral teve o cuidado, porém, de ressaltar que as perspectivas se baseiam apenas em estimativas preliminares, porque não há estudos detalhados sobre o assunto. “Trata-se apenas de um exercício”, disse.

Com base na iniciativa da OGX, que construiu um complexo termelétrico no Maranhão para aproveitar os 3,5 milhões de metros cúbicos diários de gás natural que a empresa vem produzindo na Bacia Pará-Maranhão, a diretora-geral da ANP disse que a agência vai disponibilizar na rodada de gás as localizações das linhas de transmissão, de modo a que a experiência possa vir a ser seguida por outros produtores.

“Na 12ª Rodada, a ANP vai indicar para os investidores o trajeto das linhas de transmissão existentes, de modo a que, se necessário, a experiência possa ser seguida. Essa é uma orientação da própria presidenta [Dilma Rousseff]. E nós estamos aplaudindo a iniciativa da OGX”, disse.

As declarações da diretora Magda Chambriard foram dadas no Copacabana Palace, zona sul do Rio de Janeiro, em evento organizado pelo Lide-Rio – Grupo de Líderes Empresariais, com o objetivo de discutir a 11ª Rodada de Licitação e o pré-sal.

Edição: Davi Oliveira


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BRASIL – RESERVAS DE URÂNIO.

‘O Brasil tem um pré-sal em riqueza energética com o urânio.

Ex-vice-diretor da Coppe, especialista diz que país pode passar de sétima a primeira reserva mundial de urânio, já que só 25% dos territórios estão prospectados

Para novo presidente da INB, Brasil precisa aumentar a extração do combustível usado nas usinas

Por que a mudança na diretoria das Indústrias Nucleares do Brasil (INB)?

A INB é uma empresa mista, e a mudança é normal. Em toda e qualquer empresa se busca o aperfeiçoamento.

Como o Sr. vê o quadro atual do setor no país?

Minério nós temos. O que precisamos é alocar recursos para atender à demanda. O Brasil tem um pré-sal em termos de riqueza energética com as reservas de urânio. Nesse quesito, o Brasil hoje tem 309 mil toneladas e está atrás de Austrália, Cazaquistão, Rússia, África do Sul, Canadá e Estados Unidos. Isso é o que tem prospectado. Mas, no caso do Brasil, apenas cerca de 25% do território nacional foram prospectados. A tendência é o país ir para o primeiro lugar dessa lista. Mas uma coisa é ter as reservas, outra coisa é ser capaz de explorá-las.

O Brasil ficou para trás?

Houve uma indefinição sobre qual seria o tamanho do programa nuclear brasileiro nas décadas passadas, e não se fez os investimentos necessários. Hoje, a INB importa os materiais para a construção de Angra 3.

Quais serão as prioridades na INB?

É preciso definir, com todo o setor e todos os níveis do governo, o quanto de energia nuclear vai na matriz energética brasileira (atualmente, a parcela é de 2,7%). Um ponto fundamental é aumentar a produção do minério de urânio, que será necessário quando Angra 3 entrar em funcionamento.

E o nível de consumo atual?

Angra 1 e Angra 2 consomem hoje o equivalente a cerca de 400 toneladas por ano, que é a capacidade máxima da Mina de Caetité, que tem reservas de 94 mil toneladas. É preciso ampliar Caetité para 800 toneladas por ano e começar a explorar a nova mina (de Santa Quitéria, no Ceará), que tem mais 91 mil toneladas estimadas, o que adicionaria 400 toneladas por ano.


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PROGRAMA NUCLEAR IRANIANO.

Teerã começa a explorar urânio para combustível atômico

Minas devem fornecer matéria-prima para produção em usina no centro do país, anuncia o governo Local.

 

O Irã disse ontem ter iniciado operações em duas minas de urânio e em uma usina de moagem. O país também alertou as potências ocidentais que suas atividades nucleares não serão atrasadas. As minas de Saghand 1 e 2 ficam na Província de Yazd e a usina Shahid Rezaeinejad está no centro do país. A inauguração dessas instalações coincide com o Dia Nacional da Tecnologia Nuclear, segundo a agência estatal de notícias Ima.

A usina de Ardakan produz o chamado yellow cake, matéria-prima que pode ser enriquecida para ser transformada em combustível para usinas nucleares ou em material para armas atômicas, como o Ocidente suspeita que seja o real propósito iraniano.

O Irã já sofreu várias rodadas de sanções internacionais por sua recusa em suspender as atividades de enriquecimento de urânio. Na semana passada, uma nova negociação entre o país e seis potências mundiais, no Casaquistão, terminou sem avanços.

O Irã passou anos construindo as instalações de Saghand e Arakan, e o anúncio de ontem aparentemente pretende demonstrar que o país é autossuficiente na produção de combustível nuclear.

Alguns analistas ocidentais, porém, dizem que o Irã pode estar próximo de esgotar seu estoque de yellow cake e extrair o material em minas no próprio Irã pode não ser economicamente viável.

O Irã diz que suas minas podem fornecer o minério de urânio necessário para o seu programa nuclear e não há problemas de escassez. A usina de Ardakan processará o minério de Saghand e poderá produzir 6o toneladas de yellow cake por ano, segundo a Imã.

O Irã, importante produtor de petróleo, diz estar enriquecendo urânio a fim de alimentar uma futura rede de usinas nucleares, a fim de gerar mais energia para consumo interno, liberando mais petróleo para a exportação.

O presidente Mahmoud Ahmadinejad acusou ontem os países ocidentais de tentar, sem sucesso, impedir o Irã de se tornar nuclear./ Reuters.

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